terça-feira, 6 de maio de 2014

Baby i don't know

Pedro Chagas Freitas


Tenho aqui uma etiqueta dedicada a um escritor que se chama Pedro Chagas Freitas.
Um escritor do Norte, dá cursos de Escrita Criativa, que está muito na moda hoje em dia.

Mas, ultimamente, já nem o consigo ler...
E isto faz-me pensar...
Como é que houve dias em que gostei de o ler?

Ando cansada de ler o que escreve, e da maneira que escreve,  com aquela escrita a rasar o pornográfico!
E para piorar a coisa, vi aqui na net, no site da RTP2, uma entrevista que ele deu,que me deixou uma impressão muito, mas mesmo muito má...parece-me uma pessoa muito arrogante, pretensioso e vaidoso.
Como é óbvio, posso estar enganada sobre a pessoa.
Por isso estou tão pensativa em relação a mim...como é possível eu ter gostado de o ler a dada altura?

Neste momento não tenho nenhuma pachorra para o ler.
Como é que eu a certa altura gostei de o ler...confesso que foi sempre um amar/odiar...umas coisas gostava, e outras odiava...tal como me acontece com o Pedro Paixão.

Lembra-me os tempos em que andava com um certo tipo de pessoas, que só trabalhavam, saiam à noite, juntavam-se em esplanadas a contar anedotas, a rebaixar as mulheres, e nós feitas parvas ainda nos riamos à desbragada...que idiota que eu era...
Mas éramos todas umas gajas fixes:
Riamos-nos dos homens a rebaixar as mulheres, gostávamos de futebol, bebíamos e comportávamos-nos como os homens...porque é assim que eles gostam que as mulheres sejam...
Essas é que são as bacanas!

Confesso que me deu vontade de eliminar a Etiqueta que tenho aqui dele...mas, por outro lado, que se dane...
Se o fizesse, teria de eliminar muitas outras coisas, como por exemplo do Fernando pessoa, que de vez em quando também se sai com cada uma...misoginia temporária, sei lá.
Mas este será o último post aqui nesta etiqueta, com toda a certeza!

Hoje estou mesmo chateada comigo própria!!!!!!!
Mas, faz tudo parte do Caminho...

......criar...ser dual

Artista plástico londrino, Ron-Mueck


“Todo ser criador é uma dualidade ou uma síntese de qualidades paradoxais.

Por um lado ele é uma personalidade humana, e por outro, um processo criador, impessoal. Enquanto homem, pode ser saudável ou doentio; sua psicologia pessoal pode e deve ser explicada de modo pessoal. Mas enquanto artista, ele não poderá ser compreendido a não ser a partir do seu acto criativo.
(...)
Enquanto pessoa, tem seus humores, caprichos e metas egoístas; mas enquanto artista ele é, no mais alto sentido “homem”, e homem colectivo, portador e plasmador da alma inconsciente e activa da humanidade. É esse o seu ofício, cuja exigência às vezes predomina a ponto de pedir-lhe o sacrifício da felicidade humana e de tudo aquilo que torna valiosa a vida do homem comum.
(...)
Por um lado, o homem comum, com suas exigências legítimas de felicidade, satisfação e segurança vital e, por outro, a paixão criadora e intransigente, que acaba pondo por terra todos os desejos pessoais. Por isso o destino pessoal de tantos artistas é na maior parte das vezes tão insatisfatório e mesmo trágico e isto, não devido a um sombrio desígnio da sorte, mas sim a uma inferioridade ou a uma faculdade deficiente de adaptação da sua personalidade humana. São raros os homens criadores que não pagam caro a centelha divina de sua capacidade genial.


In, O Espírito na Arte e na Ciência 
C.G. JUNG


"Enquanto artista, ele não poderá ser compreendido a não ser a partir do seu acto criativo.
Enquanto participante em algo que o ultrapassa, ele, na sua individuação estética, partilha de uma legitimidade que vem do fundo dos tempos.
Um resquício de deuses politeístas, de um mundo mágico.
Dessa forma, numa sociedade monoteísta e patriarcal, a sensação estética tem uma dimensão política ampla, é um acto de resistência que faz entrar os homens em conexão com o seu lado feminino."

....largar a couraça


“ A intimidade impõe o abandono da couraça que protege o nosso núcleo mais intimo, sede do pudor e da vergonha: quanto mais partilhada, mais o outro tem livre acesso às nossas coisas secretas. 
Mas só a tolerância e uma grande estima de nós próprios nos levam a viver este despirmo-nos como uma oportunidade e não como uma ameaça. 
Quem pensa que deve esconder as partes de si mesmo que mantém inconfessáveis, inevitavelmente vive a intimidade como um risco”


Willy Pasini 
in,Intimidade, O outro lado da afectividade 

Na ordem do desejo que nos liberta das habituais fronteiras entre o corpo e o espírito.
Entre nós e o outro.
Partículas de energia, numa dança, ao ritmo de termos sido capazes de nos colocarmos na sua pele sem nos perdermos, e disponíveis para o deixar entrar, sem medo de sermos devorados por ele. Alheados da fórmula que permitiu que o milagre tivesse lugar, não nos contentamos com o conforto do inesquecível encontro.
Surge a ideia insana que pode não se repetir, e a urgência de o reviver.

Ideia chave: são necessários dois processos psicológicos para que a intimidade seja possível:
– a identificação projectiva e introjectiva
- empatia e ressonância afectiva.


in, Incalculável Imperfeição

domingo, 4 de maio de 2014

...a culpa é tua!


“Respiro um ar amargo. A corda rebenta sempre do lado do mais fraco. O branco diz ao preto: a culpa é tua. O rico diz ao pobre: a culpa é tua. O homem diz à mulher: a culpa é tua. A mulher diz ao filho : a culpa é tua. O filho diz ao cão: a culpa é tua. O cão furioso morde o branco e este furioso, grita de novo para o preto: a culpa é tua. E a roda continua por séculos e séculos.

Penso. Quem inventou a moda feminina foi o homem, só pode ser. Inventou sapato de salto alto para que a mulher não corra, e não fuja ao seu controlo. Se pensasse nela, teria inventado umas botas e mocassinos, sapatos do tamanho do chão, para ela poder caminhar, correr e caçar o sustento, como as amazonas. Inventou as suas saias apertadas para obrigar a mulher a manter as pernas fechadas, coladas. Se pensasse nela, teria inventado umas saias bem rodadas, para andar à vontade e refrescar os interiores, nos dias de verão. No lugar disso, inventou as roupas coladas, atrevidas, para poder deliciar a vista na paisagem ondulada de qualquer uma e masturbar-se com o simples olhar.
Em pleno século vinte e um, os homens vestem-nos do tempo de D. Quixote e dizem que estamos belas. Calcinha . Cinta. Soutien. Meia de vidro. Meia saia. Combinação. Saia, blusa, um casaco ligeirinho para acentuar o ar de senhora. Lenço. Cachecol. Colares. Brincos. Pulseiras. Anéis. Puxinhos de cabelo. Rolos. Ganchos, travessões, bandoletes, e a flor dos campos no canto da orelha. Cinto de castidade. Licaho. E os homens? Só cuecas, calças e camisa. Livres para saltar, correr e caçar. Que diferença, meu Deus!

Apetece-me dizer a todas estas mulheres : a beleza não está nas cores da tua roupa. Nem na macieza do teu cabelo. Muito menos nas linhas harmoniosas do teu corpo. A beleza sente-se de olhos fechados. Quando emigras para a lua, no voo da serpente.”

in, NIKETCHE UMA HISTÓRIA DE POLIGAMIA 
PAULINA CHIZIANE

E agora, já me entendes?


"Da paixão cansei-me (pode acolher tanta morte um corpo, esse mesmo que brilha à luz do desejo, esse mesmo que guarda a promessa da alegria).
A verdade gastou-se (isto é o mais fácil de compreender: a verdade gasta-se, quando chegamos ao lugar de a encontrar, sabemos por fim que não existe).
Sobrou o que sou e o que não sou também, pelo meio a linha de uma estreita solidão, e é isto que te dou (isto o que te posso dar).
Só aqui, só agora, este sorriso de estar vivo, e por vezes o cansaço (que embora não pareça faz parte do sorriso)."

E agora já me entendes?

E agora ainda me queres?

Jorge Roque

Igualdade, não...Equilíbrio!


"A frustração é causada por uma sociedade que nos pede para sermos o que não somos 
e nos culpar por ser quem somos. 
Neste momento, tudo ainda é dirigido por homens; a mulher está em claro desequilíbrio. 
Para começar, é preciso equilibrar a igualdade do homem e da mulher " 

- Alejandro Jodorowsky


Anouk - Nobody's Wife (live 2009) HQ 0815007

sábado, 3 de maio de 2014

Vénus no grau 0º (zero) de Aries/Carneiro

                                                       

Hoje acordamos (um dia acordaremos todos) com Vénus no grau 0º (zero) de Aries/Carneiro 

Vénus em Carneiro anuncia o início de um novo ciclo.

"quando positivo, este grau é a inexistência de limites de que qualquer um pode tirar vantagem sob quaisquer circunstâncias, e quando negativo, o fracasso em encontrar um lugar na vida por o self não conseguir separar-se das suas próprias obsessões particulares"

... só te digo: este é o momento perfeito para fazer um bom negócio!

primeira batalha: vence a inércia e o magnetismo do teu próprio passado, do teu próprio inconsciente, dos teus próprios hábitos, e - em suma - da tua própria programação emocional, biológica, kármica, e instintiva - que bela tarefa para um sábado de manhã, entre scones, listas de compras, gritaria de crianças, ou o café (e o) expresso na esplanada (expresso, o jornal - how appropriate para a energia de Carneiro: o jornal ser Expresso ;-) )

segunda "coisa": 
encara o ingresso de um planeta (no caso, Vénus) num novo signo (no caso, Carneiro) como uma mudança energética (às quais - mudanças - te tornarás, progressivamente, mais sensível, se continuares a educar ambos os hemisférios do teu cérebro e os teus diferentes veículos, ou "corpos" - mais sobre estas coisas numa lição mais técnica (em Virgem) ou sobre os mistérios (em Escorpião), ok?)

uma mudança energética - podes observá-la ,senti-la, testemunhá-la, "vê-la", ou simplesmente sentires-te "pressionado" por ela ou pela sucessão de acontecimentos e circunstâncias que comecem a acontecer; afinal, é da natureza dos acontecimentos acontecerem, e da natureza de Carneiro começar, e da natureza do ser humano compreender-se a si próprio olhando também para fora e ao redor - e isto seria a Vénus em Balança, mas isso fica para outra lição.
Não sei se já te apercebeste, isto é infinito - como um prato de esparguete ou uma orgia de minhocas: é puramente aleatório, e de certa forma indiferente, por onde "pegas" para começar... irás ter, invariavel e inevitavelmente, a tudo o resto porque está tudo... enfim... ligado

Vénus significa valorização e, por extensão, "gostar", "amar", "preferir", "optar por" - para já, por enquanto, e para o que nos interessa. Se disséssemos já tudo, fosse isso possível, o que é que diríamos nas próximas lições? ;-)

Carneiro significa início

logo,

Vénus em Carneiro gosta de estreias.

Vénus em Carneiro com Júpiter ADORA estreias.

Vénus em Carneiro com Neptuno acha que as estreias são o máximo.

Vénus em Carneiro com Plutão não pode viver sem estreias

Vénus em Carneiro com a Lua precisa de estreias como de pão para a boca

Vènus em Carneiro com o Sol É a estreia, a estrela, e tudo o resto

(and soi on, and so forte)

mas isto tudo apenas para te dizer o quanto podes retirar da compreensão destes processos. Sim?

uma maneira de tirar partido desta ideia, ou melhor, duas, é aproveitares para clarificar quais têm sido os teus valores (Vénus) dominantes:

para isso, pergunta-te em que é que tens gasto (ou investido, vá, para não te sentires mal) o teu tempo e o teu dinheiro - seja em "coisas", pessoas e as qualidades de relação que tens com elas, interesses, áreas da vida ou dimensões do Ser: as tuas opções de investimento, independentemente do que digas sobre ti própri@, é que revelam os teus reais valores. 
Alguém que diz amar a liberdade, e depois a sacrifica em nome da "estabilidade", da segurança ou da continuidade, está nitidamente num conflito, numa dissonância, de valores - conscientes e inconscientes, expressos e implícitos. Se dizes "gostar de cultura" e gastas mais tempo e dinheiro em copos e saídas à noite, talvez precises rever aquilo em que acreditas acerca de ti próprio;

a essa harmonização entre o que se diz que se valoriza e o que se valoriza na prática, através das escolhas e das opções, chama-se "coerência" e é um dos pilares - e requisitos - da Autenticidade e, por extensão, do processo de Individuação, que pode ser decomposto como "o processo de nos tornarmos Quem Realmente Somos - em potência"

outra maneira de tirares partido deste ingresso é perguntares-te, honesta e brutalmente a ti próprio, o que é que TU queres, o que é que TU QUERES MESMO, gostas mesmo, e o que te dá PRAZER AUTÊNTICO - mais além dos medos que escolheste adoptar, da adulteração a que foste sujeito (ou melhor, da qual foste objecto - e, a um nível mais subtil, criador - mas isso fica para outra lição) - - - adulteração: o processo de sermos educados por adultos. Certo? - - -

depois aguardas uma lição sobre os prazeres autênticos vs. prazeres sucedâneos, ou se fores dos impacientes, lês o meu texto "Preenchimento e Gratificação" que te fará pontes importantes com este assunto;

e fazes o exercício - na tua imaginação, que é o lugar mais amplo e seguro ao qual podes aceder - de te imaginares IRRESTRITAMENTE FELIZ.
E toma nota do que andas a fazer... do que te vês a fazer: onde andas, com quem, a fazer o quê, envolvido com que tipo de "cena", em que cenário, em que ambientes, com que expressão no rosto, etc. etc. - e se quiseres fazer o teste das "pitfalls" de Carneiro, "avança" (faz fast-forward) esse cenário seis meses, depois dois anos, e observa se continuas feliz com a mesma coisa.
Se continuas, é provavelmente uma das coisas que te pode realmente fazer feliz, e então já podes levá-la um 'cadinho mais a sério - - tanto quanto alguma coisa na "vida prática" é para levar a sério.

e uma vez que concluas alguma coisa sobre o que te faz realmente FELIZ (Vénus é prazer autêntico, e tudo o resto: amor, dinheiro, abundância, realização, bem-estar, harmonia, etc. etc. etc. é função/consequência do teu próprio foco no teu prazer autêntico - e man!, se nem com um estudo aturado da tua própria Vénus "sabes" o que te dá prazer, man!, you are in trouble até que sejas "desadulterado" - quero eu dizer, até que conquistes, ou recuperes (how Aries is that!) a liberdade de seres tu próprio - é (d)isso que "trata" Vénus em Carneiro, caso ainda não te tenha "caído a ficha" -

... uma vez, dizíamos nós, que concluas o que te faz realmente feliz, e tudo aquilo que QUERES MESMO ser e fazer - tanto, tanto, que o farias de borla (money! another Venus issue!) e até pagarias para o poder fazer,

então toma a decisão,

AGORA MESMO

de começar a fazê-lo.

não tens de o ter feito ainda.

nem sequer ir a meio.

mas precisas - não é que precises, é que tu queres - e isso é mais forte do que qualquer mandamento importado, ou imposto de fora - começar a fazê-lo.

roma e pavia não se fizeram num dia

(ai não? então vou começar outra civilização, diria a Vénus em Carneiro, na sua ignorância das Leis da Vida, mas afinal, é legítimo, ela está apenas a começar a sua nova aprendizagem e ainda tem pela frente onze etapas até que se transcenda a si própria)

mas antes que a Vénus se transcenda, é necessário que se acenda,

e embora roma e pavia não se tenham feito num dia,

terão que ter sido iniciadas

um dia.

num dia assim - on a day like this -

pois deixa-me que te diga:

hoje é o dia.


Nuno Michaels




BIBA O NORTE, CARAGO!!!!!!!!!!!!!!!!!


Tenho de partilhar aqui com quem queira ler esta crónica do Miguel Esteves Cardoso.
Finalmente um lisboeta que entende o que um nortenho sente.
Não é sentimento de superioridade, nem de ser melhor que os outros...é simplesmente SENTIR!
Quando se vai viver para o Sul, é que se sente a diferença...e custa tanto!
No Sul há uma competição, uma necessidade de mostrar quem é melhor.
No Norte, isso não acontece...Somos todos UM!
E isso sabe tão bem!

Já agora, um exemplo que senti quando fui viver para o Sul.
No norte quando nos batem à porta, costumamos dizer:
- Entra... Quem é?

No sul dizem:
- Quem é? (...) Entra

Então aqui fica a crónica "Norte"

"Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara.
Não esconde nada.
Não há uma Viana secreta.
Não há outra Viana do lado de lá.
Em Viana do Castelo está tudo à vista.
A luz mostra tudo o que há para ver.
É uma cidade verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe.
O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas.
O Sul é solto.
Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos.

Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto.
É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro.
Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade.
O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.
Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa.
Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo.
As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo.
Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.
Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino.
O Minho é uma menina.
Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa.
Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria.
Andam de mãos nas ancas.
Olham de frente.
Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam.
Confiam, mas não dão confiança.
Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras.
Acredito nelas.
Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.
Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.

Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório.
Gostavam do Norte só porque eram do Norte.
Assim também eu.
Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte.
Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram.
Já nascem escolhidos.
Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.
Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.
Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio.
Se o tem não o diz.
Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago.
Mas não é.
Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal.
Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte.
Não é só o nome do Porto.
É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses".
No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades.
Sem complexos e sem patrioteirismos.
Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Miguel Esteves Cardoso



A Região Norte é uma região, ou unidade territorial para fins estatísticos de nível II (NUTS II), de Portugal, que compreende os distritos de: 
Viana do Castelo,
Braga,
Porto,
Vila Real e
Bragança,
e parte dos distritos de
Aveiro,
Viseu e
Guarda.

Limita a norte e a leste com Espanha (Galiza e Castela e Leão, nomeadamente), a sul com a Região Centro, e a oeste com o Oceano Atlântico.
Tem uma área de 21 278 km² (24% do Continente) e uma população de 3 689 682 habitantes (Censos de 2011), correspondendo a 37% do Continente e a 35% de Portugal.
Compreende 8 sub-regiões ou unidades de nível III (NUTS III):

Alto Trás-os-Montes
Ave
Cávado
Douro
Entre Douro e Vouga
Grande Porto
Minho-Lima
Tâmega

A Região do Norte compreende 86 concelhos (27,8% do total nacional).

O Norte. É assim que os nortenhos falam da sua região.
Sem preconceitos ou vergonhas, mas com aquela garra de quem sente orgulho por uma cultura, por uma tradição.
Não querem cá saber se melhores ou piores, porque o que interessa é a sua alma, o seu emblema. Não vivem para as estatísticas porque só conhecem uma: a sua própria estatística.

Ninguém nasce no Porto, em Amarante, em Ponte de Lima ou em Viana.
Não.
As pessoas nascem no Norte.
Apenas e só no Norte, não nascem em mais lugar nenhum seja uma vila ou concelho.

Entusiasmo



Há alturas na vida em que somos levados por um entusiasmo. 
É como se alguma coisa pegasse fogo dentro de nós e ficássemos apaixonados por um certo aspecto da vida.
Pode ser um projecto que nos cativa, uma pessoa que nos atrai ou uma ideia que nos fascina.
É uma sensação maravilhosa.

Passado algum tempo, o que normalmente acontece é que o entusiasmo começa a diminuir, e as dificuldades multiplicam-se.
O projecto que nos cativava afinal tem mil obstáculos, a pessoa que nos atraía tem defeitos que nos incomodam e a ideia que nos fascinava já não parece assim tão interessante.
Quando o entusiasmo começa a pesar nas costas, o que costumamos fazer é largá-lo e partir à procura de um próximo. Pode ser que o próximo nos realize mais do que este. Pode ser que nos deixe mais tempo entusiasmados. Vamos assim de experiência em experiência sempre à procura de mais entusiasmo. Viajamos para imensos países, lemos muitos livros, sobrecarregamos agendas com programas e temos mais paixões do que podemos recordar.
Mas nada disso nos satisfaz.

Estamos convencidos que quanto mais entusiasmados nos sentirmos, mais estamos a viver.
Mas nem sempre é assim.
Chegamos a achar que uma coisa que não nos entusiasma não tem valor ou não vale a pena.
Mas quem diz que aquele trabalho que parece uma seca não vai ser uma boa surpresa?
Quem diz que aquela pessoa que não valorizamos pode-se tornar num dos nossos melhores amigos? Quem diz que aquele projecto que achamos ridiculo não pode ser a nossa grande vocação?

Queremos sempre entusiasmos fáceis, sem complicações e cheios de gratificação.
Fazemos birra quando alguma coisa nos custa ou traz alguma adversidade, e acabamos por nos portar como crianças que querem sempre um brinquedo novo.

A verdade é que é uma ingenuidade querer estar sempre entusiasmado. 
O entusiasmo é uma parte maravilhosa da vida, mas não é a vida. O entusiasmo é um extra.
Não vivemos para estar sempre entusiasmados.
O entusiasmo é um bónus que nunca sabemos quando vai chegar.

A maior parte das vezes, enquanto procuramos um novo entusiasmo, temos um trabalho inacabado em cima da secretária que já devia estar terminado. Há alturas em que temos é que trabalhar e amar, mesmo que não apeteça nada.

A autenticidade de um entusiasmo não se descobre nos momentos extraordinários, mas na vida do dia a dia. Só quando descobrirmos quanto estamos dispostos a sacrificar por um entusiasmo é que sabemos a verdadeira força que ele tem. 

O entusiasmo é a resistência que diz:
“Eu irei, não importa o que acontecer. Se for necessário esperar durante dez anos, mesmo assim eu conseguirei isto”.
Se queremos seguir até ao final depois dos nossos sonhos, não podemos acomodarmo-nos e esperarmos que tudo seja fácil. Os verdadeiros sonhadores possuem um desejo profundo que produz o entusiasmo para prosseguir em busca dos seus sonhos.

Não é conversa, mas acção.
É o que distingue o interesse do compromisso.
Quando temos entusiasmo, não precisamos das condições certas para avançar, pois o entusiasmo é gerado no nosso intimo e não é afectado pelas condições externas.
Os verdadeiros entusiastas não precisam de estímulo externo para agir.
Eles são motivados por si mesmos.

Podemos ficar numa atitude infantilóide de quem quer uma vida cheia de entusiasmos, ou então podemos crescer, arregaçar as mangas, e fazer alguma coisa com o que temos pela frente.

Se por acaso optarmos por levar cada entusiasmo até ao fim, com toda a tenacidade e criatividade, bem para lá do ponto em que o chamamos entusiasmo, então aí estaremos em condições de largar o que já não nos faz sentido, ou quem sabe… deixar-nos surpreender por um novo entusiasmo que surge de onde menos esperávamos.


Inesperado

Fortalecer uma amizade



O que faz com que as pessoas virem amigas? 
E por que algumas amizades duram, e outras não? 

Li agora um artigo do site Psychology Today, que reuniu alguns estudos que trazem bons esclarecimentos sobre o tema.
Os pontos principais, bem práticos, estão listados a seguir:

Condições para começar uma amizade
Além de alguns factores básicos, como ter contacto com a pessoa com alguma regularidade (afinal, assim temos mais hipóteses de a conhecer melhor e aprofundar os nossos laços) e ter coisas em comum, dois aspectos são fundamentais para que se passe do posto de conhecido para o de amigo:

1. Disposição para se abrir.
Segundo Beverley Fehr, pesquisadora da Universidade de Winnipeg e autora do livro “Friendship Processes”, o que determina que passemos de meros conhecidos a amigos é a disposição de se abrir e revelar coisas mais pessoais ao outro – e isso precisa vir dos dois lados.
“Nos estágios iniciais da amizade, isso tende a ser um processo gradual. Uma pessoa aceita o risco de revelar uma informação pessoal e ‘testa’ se a outra faz o mesmo”, diz ela.
Aqui, a reciprocidade é essencial para a coisa funcionar, porque leva a outra condição importante:
2. Intimidade.
De acordo com a pesquisa de Fehr, pessoas com boas amizades envolvendo o mesmo sexo têm uma boa compreensão do que envolve a intimidade:
elas sabem  abrir-se e expressar as suas emoções, sabem o que dizer quando o amigo lhes conta algo e respeitam os limites – entendem, por exemplo, que sinceridade não significa falar tudo o que lhes vem à cabeça, especialmente no que se refere a opiniões sobre a vida e os gostos do outro.
Até porque outras condições apontadas foram aceitação, lealdade e confiança.
Essas qualidades foram consideradas mais importantes do que ajudas práticas, como emprestar dinheiro.

Por que algumas amizades duram e outras não?
Ok, entendemos o que dá aquele pontapé inicial às amizades.
Mas há outro factor, descoberto pelas psicólogas sociais Carolyn Weisz e Lisa F. Wood, da Universidade de Puget Sound, em Tacoma, Washington, que é fundamental para fazer com que as nossas relações durem:
O apoio à nossa identidade social. 
Em outras palavras, procuramos amigos que entendam e validem a ideia que temos sobre nós mesmos e sobre o nosso papel na sociedade ou grupo de que fazemos parte – o que pode estar associado à religião, etnia, profissão ou mesmo participação em algum clube.

Para chegar a essa conclusão, elas acompanharam um grupo de estudantes universitários por anos durante toda a sua graduação, sempre pedindo-lhes que descrevessem níveis de proximidade, contacto, apoio geral e apoio à identidade social que sentiam em relação a amigos do mesmo sexo.
A conclusão foi que todos esses factores ajudaram a predizer se a amizade seria mantida ou não.
Mas um único factor pôde predizer quem seria elevado à posição de melhor amigo: a pessoa, nesses casos, era parte de um mesmo grupo (fraternidade, grupo etc.) ou pelo menos apoiava e reafirmava o papel do amigo dentro desse grupo.

Um cristão podia ter como melhor amigo alguém que não tivesse religião, desde que esse amigo apoiasse sua identidade como cristão.
E, como temos vários papeis na vida, é mais provável que o nosso melhor amigo esteja ligado ao papel que é mais importante para nós, que melhor representa a nossa identidade.

Por que escolhemos assim os amigos? 
Segundo o estudo, além de isso estar relacionado a níveis maiores de intimidade e compreensão, também envolve o aumento da auto-estima. 
Esse senso de identidade que influencia até o comportamento de viciados em drogas.
Outro estudo de Weisz concluiu que as pessoas eram mais propensas a se livrar de seus vícios depois de três meses quando sentiam que seus papéis sociais e senso de identidade entravam em conflito com o uso de drogas.

“Nossas identidades sociais são tão importantes para nós que estamos dispostos a ficar com as pessoas que apoiam a nossa identidade social e nos afastar daqueles que não fazem isso.
Podemos até mudar de amigos, quando os antigos não apoiam a nossa visão actual de nós mesmos”, diz o artigo do Psychology Today.
“A sabedoria popular diz que escolhemos os amigos por causa de quem eles são.
Mas acontece que nós realmente os amamos por causa da maneira como eles apoiam quem nós somos.”


Como manter a amizade
De acordo com Debra Oswald, psicóloga da Universidade de Marquette (em Wisconsin, EUA), que estudou o relacionamento entre voluntários que estavam no ensino médio e seus melhores amigos, há quatro comportamentos básicos necessários para manter o vínculo – que valem para toda a gente, não importa se tem 15 ou 70 anos.
Os dois primeiros são pontos que exploramos bastante até agora:
tomar a iniciativa de se abrir e apoiar nossos amigos.
O terceiro ponto é a interacção.
Não importa se o amigo é seu vizinho ou mora em outro continente: você precisa estar em contacto com ele, seja escrevendo, conversando ao telefone, visitando.
Felizmente, com a internet, a proximidade física tem pouco efeito sobre a nossa capacidade de manter uma amizade.
Por fim, é importante ser positivo.
Precisamos nos abrir com os nossos amigos, mas isso não significa que está tudo bem ficar choramingando por horas e só ver o lado negativo de tudo.
É claro que faz parte de ser amigo segurar a onda durante os obstáculos da vida, mas, no final das contas, a intimidade que faz com que uma amizade prospere deve ser algo agradável e que faça bem aos dois lados.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O Amor...



Acusam-me tanto de ser desapegada...ora AINDA BEM

Ganância e Inveja


“Muita gente diz que ganância é inveja.
Vejo tudo de forma diferente.
Ganância é querer o que os outros têm.
Inveja é querer que alguém deixe de ter aquilo que na verdade, nem sequer quero para mim.”

José Micard Teixeira


Verdade!
Conheço várias pessoas invejosas...e é um sentimento que lhes provoca mal estar e emoções tão negativas que lhes tiram o sono durante dias...ou mesmo durante uma vida.
Tive duas situações de inveja que me magoaram profundamente:
A primeira, foi descobrir perante atitudes, que uma pessoa do meu sangue directo é terrivelmente invejosa.
Senti uma tristeza tão grande...e só o descobri aos meus 36 anos...já desconfiava mas, não queria acreditar que fosse verdade...
A segunda, foi namorar com um homem invejoso.
Só me aconteceu uma vez mas, é uma sensação terrível constatar que a pessoa que amamos tem inveja das nossas conquistas, e até torce para que dêem errado.
Para além destas duas, houve outras, mas não me magoaram tanto...

A inveja é doentia.
E quando essa inveja nos morde, deixa uma ferida profunda...
Por vezes sinto-me sem energia, com certos olhares...como se fossem vampiros de energia.

A Inveja, para mim, é um dos piores defeitos.
Anda de mão dada com a deslealdade e com a falta de carácter.

.......algo em mim que não é dominável


"Há algo em mim que não é dominável.

Por mais que eu diga sim,
por mais que eu concorde,
por mais que eu ceda,
por mais que eu aceite,
por mais que eu me submeta.

Ainda assim, há algo em mim que é só meu.
Um canto de alma que só eu sei onde fica.

O amor existe porque não sobrevivemos sozinhos.
Somos seres interdependentes.

Mesmo assim, há um lugar dentro de mim,
que nem o amor mais íntimo saberá onde fica.

É para lá que eu vou,
quando tudo parece perdido.

Deste mirante interno,
de onde eu vejo até aonde a vista alcança,
sinto grande, imensa compaixão
por mim,
por ti,
por nós,
essas crianças.

Daqui, deste ponto de vista privilegiado,
até as minhas escolhas mais burras
parecem fazer sentido.

Retomo a mim mesma.

Há um lugar, dentro de mim,
onde eu nunca estarei perdida."


Valéria Chalegre


Susana's World...
Um Mundo Só Meu!

Platão



"A liberdade está em ser dono da própria vida"

Platão

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A wise woman



A wise woman knows the importance of speaking life into her man.
If you love him, believe in him, encourage him and be his peace.

Denzel Washington 


& if a man is wise beyond ego, he will allow his wise woman / goddess to show him the path to his heart / soul , then sacred union manifests...

& if both are evolved, they recognize the god/dess in each other - the highest form of relationship.


Maria Bethânia - Gostoso Demais

O TEMPO envelhece...


"O Tempo, que envelhece as faces e os cabelos, envelhece também, mas mais depressa ainda, as afeições violentas.
A maioria da gente, porque é estúpida, consegue não dar por isso, e julga que ainda ama porque contraiu o hábito de se sentir a amar.
Se assim não fosse, não havia gente feliz no mundo.
As criaturas superiores, porém, são privadas da possibilidade dessa ilusão, porque nem podem crer que o amor dure, nem, quando o sentem acabado, se enganam tomando por ele a estima, ou a gratidão, que ele deixou. (...)

Estas coisas fazem sofrer, mas o sofrimento passa.
Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão-de passar o amor e a dor, e todas as mais coisas, que não são mais que partes da vida?"

Fernando Pessoa 

........sempre gostei de ser amado, e nunca de amar


"Não encontro dificuldade em definir-me: sou um temperamento feminino com uma inteligência masculina.
A minha sensibilidade e os movimentos que dela procedem, e é nisso que consistem o temperamento e a sua expressão, são de mulher.
As minhas faculdades de relação — a inteligência, e a vontade, que é a inteligência do impulso — são de homem.
Quanto à sensibilidade, quando digo que sempre gostei de ser amado, e nunca de amar, tenho dito tudo. Magoava-me sempre o ser obrigado, por um dever de vulgar reciprocidade — uma lealdade do espírito — a corresponder.
Agradava-me a passividade.
De actividade, só me aprazia o bastante para estimular, para não deixar esquecer-me, a actividade em amar daquele que me amava.
Reconheço sem ilusão a natureza do fenómeno.
É uma inversão sexual fruste.
Pára no espírito.
Sempre, porém, nos momentos de meditação sobre mim, me inquietou, não tive nunca a certeza, nem a tenho ainda, de que essa disposição do temperamento não pudesse um dia descer-me ao corpo.
Não digo que praticasse então a sexualidade correspondente a esse impulso; mas bastava o desejo para me humilhar.
Somos vários desta espécie, pela história abaixo — pela história artística sobretudo. Shakespeare e Rousseau são dos exemplos, ou exemplares, mais ilustres.
o meu receio da descida ao corpo dessa inversão do espírito — radica-mo a contemplação de como nesses dois desceu—completamente no primeiro, e em pederastia; incertamente no segundo, num vago masoquismo."

Fernando Pessoa