sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Fada...e Bruxa!




Enquanto as mulheres na força da idade...ainda só pensam nos homens e nas paixões...e sonham com príncipes encantados, palácios casas e carros ...a mulher de meia idade já não acredita em nada porque é aquela que sabe que a ilusão que lhe venderam em jovem não é real, e transforma-se na Bruxa!!!
São as fases da vida, as etapas, e cada coisa no seu tempo...não tem mal nenhum que assim seja...
O problema é perder a nossa vida e muito tempo na ilusão de uma coisa que nunca existiu, como é o caso da Felicidade...
Perseguindo o mito disso nunca vivemos a nossa verdade, a nossa vida real e só o percebemos quando somos maduras...ás vezes tarde demais.

Não é uma questão de ilusão-desilusão, mas de processos de evolução e consciência...implacáveis como a vida!!!

Mas não faz mal ser optimista...
Há quem diga que não podemos ser fadas e bruxas ao mesmo tempo...que estão do lado oposto da barricada...que as fadas contribuem para o sonho romântico e as bruxas, destroem-nos...não por serem feias ou por terem falta de sexo...como dizem os príncipes e os sapos, nem azedas...é assim que é, como todas as leis...o dia e a noite, a lua e o sol...não brilham ao mesmo tempo, nem têm a mesma função...
Eu não concordo com isso!

Embora as mulheres tenham muitas facetas... e as possam viver intensamente no campo psicológico e físico,... a Sabedoria só vem com a experiência e com a idade, isso é uma lei...por mais que conheças e saibas coisas (pode-se ter toda a informação do mundo mentalmente sem a integrar) só quando passares pelas fases a que correspondem, as compreenderás em pleno...


Por hora sou mais fada do que bruxa...mesmo que me zangue e possa virar uma megera...está lá a semente do que serei...enfim...e ninguém está errado...

Mas...e se formos todas fadas e bruxas, ao mesmo tempo e em todas as idades?
Apenas uma proposta...

A vida é composta de fases diferentes, e nem toda a gente passa pelos mesmos processos de ilusão e desilusão. Nada é linear. Mas ser-se Fada e Bruxa, em simultâneo, é possível.
Acredito que se pode ser fada e bruxa ao mesmo tempo!

Ilusão e realidade, depende...de quem a vive e a forma como cada um vê a realidade vivida.
Sonhar com o belo, alegre, milagroso, apaixonante, amoroso e solar pode não entrar em contradição com o nosso lado Bruxa, que vê a realidade na sua face mais fria, lunar, escura e prática.
Neptuno de um lado - fadas - e Plutão/Saturno do outro - bruxas- que sinto que podem ser complementares.

Há quem viva a juventude no final da sua vida....
Há quem viva a velhice enquanto jovem...
E há quem nunca viva a juventude e já nasça velho e com medo de ver a luz.
Essas pessoas não são nem fadas, nem bruxas. São o medo.

Acredito que podemos ser tudo e que somos tudo, de facto. A todo o momento.
Claro que alimentamos uma visão ou outra, isso já depende de cada um e de como a vida tem sido vivida por ela.
Mas acredito mesmo que somos Tudo.

Fadas na sua capacidade de acreditar no melhor que há nos outros (e em nós) e Bruxas na nossa capacidade de ver profundamente para além das ilusões e aparências de romantismos irreais.
Ás vezes, sou uma bruxa terrível.
Nada me escapa e vejo o frio no meio do mais alucinante sol.
E outras vezes, abro o meu coração para ser magoada ou maravilhada, vendo pássaros onde eles não existem e contando as estrelas no céu como se fossem beijos.

Carrego em mim isso tudo, e acho que todas nós carregamos.
Posso estar errada, claro...

Sem dúvida que o saber mental não significa Sabedoria, e que existem Estados de Consciência e Etapas que só nos chegam com o passar dos anos, com os ciclos pelos quais vamos passando.
Não podemos ser lua cheia sem ter sido lua nova. Sei disso.

Mas talvez, só talvez,  existam fadas de todas as idades e bruxas de todas as idades.
Talvez - e só talvez - existam mulheres que conseguem ser bruxas a vida toda, e outras apenas fadas (morrendo sem ter vivido o lado Lilith  de si mesmas.
E, finalmente, talvez mas só talvez (nada é certeza) existam mulheres que são fadas (porque o escolhem ser, e por causa da sua capacidade e teimosia de ver o Sol) a vida toda e, ao mesmo tempo, Bruxas.

As etapas que o crescimento nos oferece (em termos temporais, de idade temporal) serão uma Ajuda, Guias ou Portas que se abrem e intensificam a Fada ou a Bruxa, mas a vontade própria de se ser Tudo pode persistir.

Eu conheço mulheres - não muitas - assim.
Carregam umas asas de fada atrás das costas e, ao mesmo tempo, um caldeirão com aguas ferventes de fria realidade numa mão.
E são belas nessa complexidade, e já passaram por muitas fases da idade temporal...

Curiosamente, já não me zango com nada nem ninguém.
Já aceito tudo e todos como são, e isso é uma conquista da fada, creio...a bruxa em mim afasta-se de quem é demasiado negro porque consegue ver essa negritude.
Afasta-se e segue para algo de maior qualidade, mas já não se enraivece...
Estamos todos certos, com apenas pontos de vista diferentes e aberturas de mente.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ennio Morricone - Cinema Paradiso



Emocionada...já nem sei porque choro
Hoje alguém especial me disse que é porque sinto...porque estou VIVA!
É bem verdade...por vezes até me esqueço disso...

Reflections of a Skyline (with subtitles)



..."and I wanna play hide-and-seek and give you may clothes, tell you I
love your shoes and sit on the steps while you take a bath and
massage your neck, and kiss your face, and hold your hand, and go for
a walk.
not mind when you eat my food, and meet you at "Rudy´s", and talk
about your day...
and laugh at your...your paranoia!
and give yours tapes you don´t listen to, watch great films, watch
terribles films, and tell you about the TV programme I saw the night
before...and not laugh at your jokes, want you in the morning, but let
your sleep in for a while, tell you how much
I love your eys, your lips, your neck, your tits, your arse...and sit
on the stepes smoking ´till your neighbours come home, and sit on the
steps smoking ´till you come home, and worry when you´re ...lat, and
be amazed when you´re early and give you sunflowers,and go to your
party and dance, be sorry when I´m wrong, and happy when you forgive
me
look at your photos wish I´d known you forever, hear your voice in my ear,
feel your skin on my skin and get scared when you´re angry and tellyou
you´re gorgeows...and hug you when you´re anxious...and hold you when
you´re hurt...
and want you when I smell you and offend you when I touch you and
whimper when I´m next to you and whimper when I´m not...
dribble on your breast, smother you in the night an get cold when you
take the blanket and hot when you don´t...
and melt when you smile and dissolve when you laugh...but not
understand how you think I´m rejecting you, when I´m not rejecting you
and wonder how you could think I´d ever reject you and wonder who you
are...but accept you anyway...and tell you about the tree angel, the
enchanted forest boy, who flew across the ocean because he loved you
and buy you presents you don´t want and take them away again...and ask
you to marry me...and you say no again, but keep on asking because
though...you think I don´t mean it, but I always have from the first
time I asked you, I wander the city thinking but it´s empty without
you...but I want what you want and think I´m losing myself, but, buy,
I´ll tell you the worst of me, I try to give the best of me, because
you don´t deserve any less...ansuer your question when I´d rather not
and tell you the truth when I really don´t want to and try to be
honest because I know you prefer it...
and think it´sall over but hang on for just ten more minutes before
you throw me out of your life, forget who I am and let me try and get
closer to you and somehow communicate , some of the overwhelming
undying, overpowering, unconditional all encompassing heart enriching
mind expanding ongoing neverending LOVE I have for you..."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Countering Stress and Depression


At a fundamental level, as human beings, we are all the same; each one of us aspires to happiness and each one of us does not wish to suffer. This is why, whenever I have the opportunity, I try to draw people's attention to what as members of the human family we have in common and the deeply interconnected nature of our existence and welfare.



Today, there is increasing recognition, as well as a growing body of scientific evidence, that confirms the close connection between our own states of mind and our happiness. On the one hand, many of us live in societies that are very developed materially, yet among us are many people who are not very happy. Just underneath the beautiful surface of affluence there is a kind of mental unrest, leading to frustration, unnecessary quarrels, reliance on drugs or alcohol, and in the worst case, suicide. There is no guarantee that wealth alone can give you the joy or fulfilment that you seek. The same can be said of your friends too. When you are in an intense state of anger or hatred, even a very close friend appears to you as somehow frosty, or cold, distant, and annoying.



However, as human beings we are gifted with this wonderful human intelligence. Besides that, all human beings have the capacity to be very determined and to direct that strong sense of determination in whatever direction they like. So long as we remember that we have this marvellous gift of human intelligence and a capacity to develop determination and use it in positive ways, we will preserve our underlying mental health. Realizing we have this great human potential gives us a fundamental strength. This recognition can act as a mechanism that enables us to deal with any difficulty, no matter what situation we are facing, without losing hope or sinking into feelings of low self-esteem.



I write this as someone who lost his freedom at the age of 16, then lost his country at the age of 24. Consequently, I have lived in exile for more than 50 years during which we Tibetans have dedicated ourselves to keeping the Tibetan identity alive and preserving our culture and values. On most days the news from Tibet is heartbreaking, and yet none of these challenges gives grounds for giving up. One of the approaches that I personally find useful is to cultivate the thought: If the situation or problem is such that it can be remedied, then there is no need to worry about it. In other words, if there is a solution or a way out of the difficulty, you do not need to be overwhelmed by it. The appropriate action is to seek its solution. Then it is clearly more sensible to spend your energy focussing on the solution rather than worrying about the problem. Alternatively, if there is no solution, no possibility of resolution, then there is also no point in being worried about it, because you cannot do anything about it anyway. In that case, the sooner you accept this fact, the easier it will be for you. This formula, of course, implies directly confronting the problem and taking a realistic view. Otherwise you will be unable to find out whether or not there is a resolution to the problem



Taking a realistic view and cultivating a proper motivation can also shield you against feelings of fear and anxiety. If you develop a pure and sincere motivation, if you are motivated by a wish to help on the basis of kindness, compassion, and respect, then you can carry on any kind of work, in any field, and function more effectively with less fear or worry, not being afraid of what others think or whether you ultimately will be successful in reaching your goal. Even if you fail to achieve your goal, you can feel good about having made the effort. But with a bad motivation, people can praise you or you can achieve goals, but you still will not be happy.



Again, we may sometimes feel that our whole lives are unsatisfactory, we feel on the point of being overwhelmed by the difficulties that confront us. This happens to us all in varying degrees from time to time. When this occurs, it is vital that we make every effort to find a way of lifting our spirits. We can do this by recollecting our good fortune. We may, for example, be loved by someone; we may have certain talents; we may have received a good education; we may have our basic needs provided for - food to eat, clothes to wear, somewhere to live - we may have performed certain altruistic deeds in the past. We must take into consideration even the slightest positive aspect of our lives. For if we fail to find some way of uplifting ourselves, there is every danger of sinking further into our sense of powerlessness. This can lead us to believe that we have no capacity for doing good whatsoever. Thus we create the conditions of despair itself.



As a Buddhist monk I have learned that what principally upsets our inner peace is what we call disturbing emotions. All those thoughts, emotions, and mental events which reflect a negative or uncompassionate state of mind inevitably undermine our experience of inner peace. All our negative thoughts and emotions - such as hatred, anger, pride, lust, greed, envy, and so on - are considered to be sources of difficulty, to be disturbing. Negative thoughts and emotions are what obstruct our most basic aspiration - to be happy and to avoid suffering. When we act under their influence, we become oblivious to the impact our actions have on others: they are thus the cause of our destructive behaviour both toward others and to ourselves. Murder, scandal, and deceit all have their origin in disturbing emotions.



This inevitably gives rise to the question - can we train the mind? There are many methods by which to do this. Among these, in the Buddhist tradition, is a special instruction called mind training, which focuses on cultivating concern for others and turning adversity to advantage. It is this pattern of thought, transforming problems into happiness that has enabled the Tibetan people to maintain their dignity and spirit in the face of great difficulties. Indeed I have found this advice of great practical benefit in my own life.



A great Tibetan teacher of mind training once remarked that one of the mind’s most marvellous qualities is that it can be transformed. I have no doubt that those who attempt to transform their minds, overcome their disturbing emotions and achieve a sense of inner peace, will, over a period of time, notice a change in their mental attitudes and responses to people and events. Their minds will become more disciplined and positive. And I am sure they will find their own sense of happiness grow as they contribute to the greater happiness of others. I offer my prayers that everyone who makes this their goal will be blessed with success.





The Dalai Lama
December 31, 2010
Published in the Hindustan Times, India, on January 3rd, 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Johnny Depp



Nome: John Christopher Depp II
Natural de: Owensboro, Kentucky, EUA
Nascimento: 09/06/1963

Actor, músico, produtor de cinema e director americano.
Filmes de maior bilheteira foram a série Pirates of the Caribbean com um total de 3.727 bilhões de dólares, seguido por Alice no País das Maravilhas com 1.24 bilhões em receita global, Charlie and the Chocolate Factory com 474 milhões, e O Turista com 278 milhões de dólares mundialmente.

Mal chegou a Los Angeles, em 1983, casou com a maquilhadora Lori Anne Allison quando tinha 20 anos, porém o casamento durou apenas dois anos. Foi Lori quem o apresentou a Nicolas Cage, que lhe conseguiu testes para o seu primeiro filme, A Nightmare on Elm Street (A Hora do Pesadelo).
Nicolas virou um grande amigo. Na lista dos amigos de Depp, além de Cage, estão Marilyn Manson, Leonardo DiCaprio, Tim Burton, Helena Bonham Carter, Marlon Brando, Christina Ricci, Al Pacino e Sean Penn.

Recentemente, ao aceitar retornar à franquia Pirates of the Caribbean, pelo valor de 30 milhões, tornou-se o sexto actor mais bem pago de Hollywood em 2012, de acordo com a pesquisa da revista Forbes(em 1º Tom Cruise, com Missão Impossível; em 2º Leonardo DiCaprio; 3º Adam Sandler; 4º Dwayne Johnson; 5º Ben Stiller).


Prémios:

Oscar (EUA)
Indicado na categoria de melhor actor, por Piratas das Caraibas: The Curse of the Black Pearl
Indicado na categoria de melhor actor, por Finding Neverland
Indicado na categoria de melhor actor, por Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

Globo de Ouro (EUA)
Indicado na categoria de melhor Actor de comédia/musical, por Alice in Wonderland
Indicado na categoria de Melhor Actor comédia/musical, por The Tourist
Venceu na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
Indicado na categoria de melhor actor de drama, por Finding Neverland
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por A Fantástica Fábrica de Chocolate
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Ed Wood
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Benny & Joon
Indicado na categoria de melhor actor de comédia/musical, por Edward Scissorhands

BAFTA (Reino Unido)
Indicado na categoria de melhor actor, por Finding Neverland
Indicado na categoria de melhor actor, por Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl

Festival de Cannes (França)
Recebeu uma indicação à Palma de Ouro no Festival de Cannes, por The Brave

Entre outros...como por exemplo, os MTV Movie Awards.



Filmes

2017 - Piratas das Caraíbas 5 ( Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)
2016 - Alice in Wonderland: Through the Looking Glass
2015 - Black Mass
2015 - Yoga Hosers
2015 - Mortdecai
2014 - Into the Woods (Caminhos da Floresta )
2014 - Tusk
2014 - Transcendence ( A Nova Inteligência)
2013 - O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger)
2012 - Agentes Secundários (21 Jump Street)
2012 - Sombras da Escuridão (Dark Shadows)
2011 - Jack and Jill
2011 - Rango - (Rango)
2011 - Piratas das Caraibas - Navegando em águas misteriosas (Pirates of the Caribbean: On stranger Tides)
2011 - The Rum Diary
2010 - O Turista - (The Tourist)
2010 - Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
2009 - O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Dr. Parnassus)
2009 - Inimigos Públicos (Public Enemies)
2007 - Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street)
2007 - Piratas das Caraíbas - No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End)
2006 - Piratas das Caraíbas - O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest)
2005 - A Noiva-Cadáver (Corpse Bride)
2005 - A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory)
2004 - Ils se marièret et eurent beaucoup d'enfants
2004 - O Libertino (The Libertine)
2004 - Janela Secreta (Secret Window)
2004 - Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland)
2003 - Piratas das Caraíbas - A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl)
2003 - Piratas das Caraíbas - A maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean)
2003 - Era Uma Vez no México (Once Upon a Time in Mexico)
2002 - Nailed right in
2001 - Profissão de Risco (Blow)
2001 - Do Inferno (From Hell)
2000 - Chocolate (Chocolat)
2000 - Por Que Choram os Homens (The Man Who Cried)
2000 - Antes do Anoitecer (Before Night Falls)
1999 - A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow)
1999 - O último portal (Ninth gate, The)
1999 - Source, The
1998 - Absolutamente Los Angeles (L.A. without a map)
1998 - Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas)
1997 - O bravo (Brave, The)
1997 - Donnie Brasco (Donnie Brasco)
1996 - Cannes Man
1995 - Tempo Esgotado (Nick of Time)
1995 - Dead man (Dead man)
1995 - Don Juan DeMarco (Don Juan DeMarco)
1994 - Ed Wood (Ed Wood)
1993 - Aprendiz de sonhador (What's eating Gilbert Grape)
1993 - Benny & Joon - Corações em Conflito (Benny & Joon)
1993 - Arizona Dream - Um Sonho Americano (Arizona Dream)
1991 - A Hora do Pesadelo 6 - Pesadelo Final - A Morte de Freddy (Freddy's Dead: The Final Nightmare)
1990 - Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands)
1990 - Cry-Baby (Cry-Baby)
1986 - Platoon (Platoon)
1987 - 21 Jump Street (Série de TV) até 1990
1986 - se lentamente (Slow burn) (TV)
1985 - Férias do barulho (Private resort)
1984 - A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street)

Simpatia, empatia e grandes almas...



"Esses encontros de alma não são mágicos? Quem já sentiu sabe..."...disse eu...
E fez-me pensar...

Aquela pessoa que faz o olhar brilhar mais, a respiração acalma,faz-nos sentir mais leves, a conversa flui e não tem hora para acabar, o entendimento acontece sem muitas explicações, semelhanças, coincidências, é sentido, vivido, mágico!
Não é fácil estes encontros acontecerem... Eles acontecem quando devem acontecer... e vêm cheios de coincidências e sinais... assim como saber escutar, é preciso saber olhar... saber sentir...
Encontros e desencontros... possibilidades...
Tenho feito o exercício de deixar a vida me levar, trazer o que precisa ser visto, usado, conhecido... tenho confiado mais, e desgastado menos...

Tal como diz Vinícius de Moraes: 
‎"A vida é a arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida..."


Os Hindus contam uma história muito bonita:

No princípio dos tempos, uma grande nuvem espiritual envolvia o mundo constituindo a essência suprema, e cada criança, ao nascer, recebia uma generosa parcela deste misterioso ectoplasma que descia sobre ela.
E passava a ser sua Alma.
Com o passar dos séculos, as populações foram aumentando e já não havia grandes porções de alma para dividir com todos os que nasciam.
Então começaram a aparecer na terra milhares, milhões de pessoas com almas pequenas.
Mas até hoje, de vez em quando, um engano acontece, e ainda sobra um pedaço maior de alma para determinados seres humanos.
Assim nascem, aqui… ali, criaturas de almas grandes.

Por toda a parte, na terra, em países diversos, essas pessoas de Almas Grandes se reconhecem e se atraem ao se verem pela primeira vez.
São em geral simpáticas, inteligentes, honestas, e se identificam imediatamente uma com as outras, como se fossem irmãs.
Os casos de amor ou amizade à primeira vista, constituem provas concretas de que estas grandes almas existem.
A angústia de viver está em que, no caso de sermos almas grandes, passamos às vezes uma vida inteira sem encontrar nossas parceiras genuínas,aquelas pessoas perfeitamente aptas a se identificarem connosco, a tornarem-se nossas maiores amigas, ou nossas grandes paixões.
E podem estar a nossa espera ali na esquina, ou num bairro que não frequentamos, numa cidade que não visitamos.
Todos deveriam falar com todos, sem constrangimentos, e tentar aproximações novas e frequentes.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um Domingo de Dezembro...o último!




Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: Fui eu?
Deus sabe, porque o escreve.

Fernando Pessoa

Vida Nova. Nova Vida


O que coube neste momento, permaneceu.

As portas foram abertas. Tudo o que é novo foi bem-vindo e o que não se encaixava mais, teve a liberdade para sair, para se libertar.

Impressionante como a cada dia novos acontecimentos são capazes de (re)direcionar a minha vida, numa velocidade absurda, para caminhos até então não navegados.

O ano de 2010 foi um dos mais intensos.

Fim de ciclo. Resolução de pendências. Descoberta dos verdadeiros amigos, das verdadeiras vocações e do verdadeiro caminho a seguir, pelo menos essa é a primeira sensação que tenho.

Das lições, algumas duras, fui capaz de admitir os meus erros, capaz de falar mais alto em outras situações e aprender, de uma vez por todas, a entender o momento certo de sentir, perdoar e partir.

Toda a mudança, num primeiro momento, causa-nos medo, mas o novo é maravilhoso. A sensação de renascer/recomeçar não tem preço.

Está aberta a temporada do Balanço 2010. Inicia o teu. Faz análises. Revê os teus acertos e erros. Sonha. Imagina. Tenta acertar da próxima vez. O importante é: Tornar-se sempre alguém melhor.

.

E mais um ano que passou...


Somos sempre conduzidos pelas nossas emoções, sentimentos e desejos. Não podemos fugir de nós mesmos, não temos como fugir do que sentimos. O que sentimos faz de nós o que somos. Falta coragem para admitir, falta coragem para se ter coragem. Mais fácil esconder, dificil é assumir.

Isso é assustador para qualquer um, pois ainda não aprendemos a aceitarmo-nos, a conhecermo-nos melhor. Temos medo de sermos devorados pelos redemoinhos de nossas emoções, de vivermos o que sentimos, de mergulharmos no que realmente somos. Assim, comportamo-nos como a lagarta que, levada pelas águas, teve medo de se alimentar da folha na qual estava, com medo de se arriscar, cair na água, ser possuída por correntezas fortes demais e ser levada para lugares ilocalizáveis. Isso expressa também o nosso medo de amar, de se apaixonar, de se relacionar afectivamente com outra pessoa.

Realmente, os nossos sentimentos e emoções podem nos levar para terras distantes e desconhecidas, para territórios desertos de nós mesmos; podem nos conduzir para lugares ilocalizáveis; podem nos levar para longe, muito longe de muitas coisas, mas será sempre para perto, bem perto do nosso coração selvagem, para perto do que somos. As águas de nossos rios vêem de longe para nos dizer o que somos, vêm de nossas grutas, passam pelos outros para sentirmos a nós mesmos. Podemos represar essas águas ou fazê-las correr, fluir.Nós podemos ser uma represa, uma lagoa ou um rio.

Não podemos viver sentados na pedra no leito do rio nem vivermos como aquela árvore que tem suas raízes presas no rochedo. Mudar não é fácil. Às vezes sangra, a dor é grande e as lágrimas descem, mas como disse o mitólogo Joseph Campbell, sem sangue, lágrimas e dor, não existe a nova vida.

Devemos nos voltar para dentro de nós mesmos. Não para nos isolarmos dos outros e do mundo, mas para deixarmos desabrochar o nosso ser, aquele que pede liberdade, felicidade, que pede para amar sem restrições e ser amado incondicionalmente; aquele ser que pode fazer de nós uma pessoa melhor. Mas para tanto, como a lagarta, é preciso despojar a velha pele antes que a nova possa chegar

Joseph Campbell



Feliz ano novo a todos!


Muita coragem, muita saúde e acima de tudo, muitas verdades!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O meu Natal



Este ano, nunca encontrei tanta gente que detesta o Natal...o que me fez pensar:
O que me faz gostar tanto do Natal?
Para mim, o meu Natal começa logo no dia 1 de Dezembro,a fazer a Árvore de Natal. No fim, do dia, com a casa decorada, faz-se um lanche com Bolo Rei, chá e café para aconchegar a barriguinha...
E assim começa!!!

Ao longo do mês de Dezembro, existe em casa o Calendário de Natal, com uma bolsinha para cada dia do mês para lá por um doce, rebuçado ou uma pequena mensagem.

Não pode faltar o Circo du Soleil (visto que detesto circos com animais), os Concertos de Natal e a Ópera( os grandes clássicos), a Villa Natal em Óbidos(onde solto o meu lado Peter Pan e volto a ser criança), das ruas iluminadas na cidade, ...Tudo isto em Família!!!!
E assim é a preparação do meu Natal...

Depois, chega o solstício de inverno, na meia noite do dia 21 de dezembro, a noite mais curta do ano, que nos convida à introspecção, a fazer um balanço e a delinear compromissos.
E assim fico até ao dia 24 de Dezembro.

Eis que chega o dia e, começa-se a fazer os belheracos, os sonhos, as rabanadas, as azevias, o tronco de natal, o pão de ló, as farófias, temperar as carnes, fazer o pão no forno, sempre bem regadinho com o vinho do porto e a aguardente de fazer os doces ah ah ah
Chega a Noite da Consoada e a Festa começa: O Sol Criança renasceu!

Quando era mais nova, eu e os meus primos faziamos sempre um Teatro de Natal para toda a família...agora, com a família toda reunida(quando dá...)comemos o bacalhau cozido com couves( e no dia 25 fazemos a roupa velha com o resto que sobra), e os doces.
Ao fim da noite, já na casa de cada um, temos a lareira acesa com a mesa cheia de doces de natal, comemos e conversamos sobre o que nos vai na alma.
Conversamos a noite toda junto à lareira até adormecer, já a noite vai longa, e acordamos todos juntos na sala, ainda com a lareira acesa, e a mesa das sobremesas mesmo ali.
Bora lá fazer um cafezinho e comer mais uns docinhos...

No dia 25 de Dezembro lá está a família toda reunida para comer e cantar, e a tarde é reservada para ver filmes de natal, enroscados à lareira( a lareira não apaga durante 2 dias...Natal sem Lareira não é Natal)até dormir a sestinha uns para cada lado.
À noite, vai tudo a chá que já ninguém aguenta mais comida...

Muita gente nos dias de hoje detesta o Natal, mas eu acho que elas não gostam das pessoas em que se tornaram, egoístas e amargas. Habituaram-se a falar mal de tudo e não conseguem ver o lado positivo das coisas.
Acham que o Natal é uma hipocrisia e cinismo,que as pessoas ficam solidárias só no Natal pela publicidade e pelo mediatismo, etc e tal...
Para falar a verdade, já começo a estar cansada desta conversa porque, quem diz estas coisas é quem não faz nada pelos outros durante o ano inteiro, inclusivé no Natal.
Pelo menos os "cínicos" e os "hipócritas", independentemente dos seus motivos, põem um sorriso na cara uma vez por ano na cara de quem não tem motivos para sorrir durante o ano inteiro.
Depende da forma como vemos as coisas: Eu acho que todas as ajudas são bem vindas, nem que seja só no Natal!

O Natal é pura Magia e Fantasia!
É confraternizar, é alegria e muito amor!
E, até o pobrezinho dos mais pobrezinhos pode ter um Natal feliz.
Depende do espírito de cada um...eu desde 2004 que passo o Natal sozinha sem a família, mas na minha cabeça o meu Natal é o que está escrito aqui em cima, e isso ninguém me pode tirar, nem que eu esteja a tremer de frio a comemorar o Natal com os sem abrigo como já aconteceu.
O Natal somos nós que o fazemos!!!!

Vamos parar de nos queixar, de dizer mal da vida, e vamos aproveitar o que as pessoas que mais amamos têm para nos dar, nem que seja só uma vez por ano!!!!
Juntem as vossas famílias e, TENHAM UM NATAL FELIZ!!!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Evanescence - My Immortal (Tradução) By: Alê



I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave, I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here and it won't leave me alone

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me

You used to captivate me by your resonating light
Now I'm bound by the life you've left behind
Your face it haunts my once pleasant dreams
Your voice it chased away all the sanity in me

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me

I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along

When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me

Sean Connery - In My Life (Tradução)

                                                                     

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.
In my life I'll love you more.

Dave Chapelle - Men and Women Phsycology - Very True

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cântico Negro



"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços , e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali ...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí ! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos ...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí ...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos? ...
Corre nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos ...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a , como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios ...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou ...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

JOSÉ RÉGIO
 Antologia Poética, p.19

Sputnik, Meu Amor


"Banhado pela pálida luz da lua, o meu corpo perdera todo o sopro de vida, como uma figurinha de barro. Como se alguém me tivesse lançado um feitiço, como fazem os feiticeiros das ilhas das Índias Ocidentais, e insuflado de vida - a minha efémera existência - aquele pedaço de barro. A centelha vital extinguira-se. A minha verdadeira vida estava algures, adormecida, e uma pessoa sem rosto enfiara-a numa mala e preparava-se para fugir com ela.
Senti um calafrio tão violento que me deixou quase sem respiração. Algures, num local desconhecido, alguém trocara a ordem das minhas células, soltando os fios que mantinham a minha mente a funcionar. Não conseguia raciocinar. A única coisa a fazer era regressar o mais depressa possível ao meu refúgio habitual. Enchi os pulmões de ar e mergulhei no mar da minha consciência. Afastando as pesadas águas com a força das mãos, fui até ao fundo e agarrei-me com ambos os braços a uma pedra enorme. A água fazia uma pressão violentíssima sobre os meus tímpanos. Fechei os olhos, semicerrei as pálpebras com toda a força, sustive a respiração, tentando a todo o custo resistir. Uma vez tomada a decisão, não foi assim tão difícil. Aclimatei-me aos repetidos sinais de caos - à pressão da água, à falta de ar, à escuridão gelada. Era algo que eu me habituara a dominar, vezes sem conta, desde criança.
O tempo invertia-se, andava para trás, desaparecia, reorganizava-se. O mundo expandiu-se infinitamente - sem por um momento deixar de estar definido e limitado. Imagens nítidas - apenas imagens - passavam ser fazer barulho por corredores escuros, como medusas, almas à deriva. Evitei olhar para elas. Se desse sinal de tê-las reconhecido, nem que fosse por um breve instante, começariam de imediato a fazer sentido. O sentido estava ligado à temporalidade, e a temporalidade obrigava-me a regressar à superfície das águas."

Haruki Murakami
in, "Sputnik meu amor"

Escrevo-te para devolver o que nunca deste...


"Escrevo-te do lugar onde nos encontrámos e separámos.
A velha estação de comboio, à beira das árvores despidas pelo vento, ao cair da tarde, ao cair de Setembro. O comboio que te trouxe e levou.
Escrevo-te daqui. Do lugar onde disseste:ficarei para sempre. E partiste.
A marca da despedida na ultima página do teu diário.
Do lugar onde estragámos a festa, espantámos a caça, atrapalhámos o trânsito.
O lugar onde nos encontrámos e separámos: o Outono.
Escrevo-te do lugar onde marcámos o nosso desencontro.
Íamos de viagem e o comboio parou, durante dois anos,na estação mais sinistra do percurso.
Ficámos ali sozinhos no centro do nada.
Onde está o maquinista, os outros passageiros?
Nenhuma explicação, ninguém a quem apresentar queixa.
Encalhámos no Outono. Conhecemo-nos em Julho e já era Outono.
Nunca saímos do Outono. Não houve Primaveras nem Verões nos anos do nosso amor. Ficámos suspensos a ver as árvores despirem-se.
Olhei-te, confundido: porque nos atiraste para aqui?
Mas tu eras muito jovem e não ouvias. Estavas deslumbrada com a tua força. Paraste o mundo no Outono.
Ergueste uma barreira e conseguiste deter o próprio movimento do planeta.
Uma barreira de mentiras e ardis, de perfídias e cobardias, acinte e frio e vazio, tu que gostavas de brincar com palavras com muitos iis.
Escrevo-te do lugar onde humilhámos o Universo.
Para te devolver tudo.
As carícias que esqueceste.
As cartas que não escreveste.
E as que nunca abriste.
Escrevo-te para devolver tudo o que não deste.
E as horas de desespero, de olhos fechados em frente ao mar.
A espera inexorável e mesquinha, junto ao telefone.
Escrevo-te para devolver a marca da esperança louca,na última página do meu diário. Escrevo-te. Para devolver o Outono."

MAINTENANT JE SAIS







Quand j'étais petit, haut comme trois pommes
Je parlais bien fort... pour être un homme
Je disais: "Je sais, je sais... je sais"
C'était le début, c'était le printemps
Et quand j'ai eu mes dix-huit ans
J'ai dit: "Je sais... ça y est, cette fois, je sais"

Et aujourd'hui, des jours, je me retourne
Je regarde la terre, où j'ai quand même fait les cent pas
Et je sais toujours pas comment elle tourne
Vers vingt-cinq ans, je savais tout
L'amour, les roses, la vie, les sous
Ben oui! L'amour... j'en avais fait tout le tour
Mais heureusement, comme les copains
J'avais pas mangé tout mon pain
Au milieu de ma vie... J'ai encore appris
Ce que j'ai appris?... ça tient en trois-quatre mots

Le jour où quelqu'un vous aime... il fait très beau
Je peux pas mieux dire... il fait très beau
C'est encore ce qui m'étonne dans la vie
Moi qui suis à l'automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse
Toute ma jeunesse, j'ai voulu dire: "Je sais"

Seulement, plus je cherchais et puis moins je savais
Y'a cinquante coups qui ont sonnés à l'horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde et je m'interroge
Maintenant, je sais... Je sais qu'on ne sait jamais

La vie, l'amour, l'argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit, ni la couleur des choses
C'est tout ce que je sais... mais ça je le sais!


Philip Green - Jean-Loup Dabadie (1974)