terça-feira, 18 de novembro de 2014

Há uma Mulher dentro de mim


"Há uma mulher dentro de mim que não é gramática decomposta nem acento circunflexo.
Não é metáfora exagerada, nem vegetação espessa no limite da vírgula.
Não é anáfora suada, nem rigor maiúsculo no recuo do parágrafo.
Há uma mulher dentro de mim que não é periferia nem superfície transversal.
Essa mulher que não outra mulher, esmaga-me as telhas no tecto da boca.
Tenho-a calada e encavalitada debaixo das palavras mais fáceis de carcomer.
Tenho-a cansada e regrada por cima das feridas menos custosas de sarar.
Mas essa mulher que dentro de mim não me permite outra habitação que não esta, não me serena a vontade áspera de romper a madeira dos braços, de moer do úmero a lasca e da acha articular outro galho maior.
Há uma mulher dentro de mim que não me reconhece como sua.
Há uma mulher dentro de mim que míngua encolhida no cavo do medo.
Há uma mulher dentro de mim que ama uma mulher insuficiente de si mesma."

Alice Turvo

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

........................Serenidade



"Encarar serenamente os acontecimentos menos estáveis e confortáveis da vida, não é o mesmo que encará-los com indiferença.
A serenidade não é um estado gratuito nem um resultado do acaso, e menos ainda um alheamento.
A serenidade é uma opção de vida.
Um estado de espírito que se conquista, entre muitos silêncios povoados de dúvidas, dia após dia."

Margarida Brito

Afrontar la infidelidad de la pareja



La fidelidad no es ausencia de deseo (nadie puede asegurar que nunca le gustará nadie más), sino producto de la voluntad y una decisión consciente.
En otras palabras: la fidelidad es autocontrol y evitación a tiempo.
Cuando sospechamos que alguien puede llegar a gustarnos de verdad (en el sentido de movernos el piso) o cuando sentimos el primer pinchazo de la atracción y no queremos ser infieles, la mejor opción es alejarnos de la tentación y no jugar con fuego...

La fidelidad no es ausencia de deseo (nadie puede asegurar que nunca le gustará nadie más), sino producto de la voluntad y una decisión consciente.
En otras palabras: la fidelidad es autocontrol y evitación a tiempo.

Como veremos en esta guía, resulta paradójico que sean  precisamente  las  personas que se perciben a sí mismas como radicalmente “incorruptibles” las que más probabilidades tienen de enredarse en amores clandestinos.
¿La razón?
Estas personas "bajan la guardia" y creen que el amor los volverá inmunes a que eros los ataque por algún flanco, y no es así, como veremos: con el amor no basta.

Las estadísticas dan un margen de seguridad y esperanza a los que creen en la fidelidad: poco más del  40 % de las personas son fieles.
La pregunta que surge es la siguiente:
¿qué atributo poseen estos individuos que no caen, a pesar de las tentaciones y los cantos de sirena? ¿Cuál es la virtud que ostentan los que logran mantenerse dentro del ámbito de la lealtad?
¿De dónde sacan tanto “valor”?

La respuesta puede ser decepcionante para los “amantes” del romanticismo: no poseen nada especial. No son faquires o ascetas entrenados, ni son eunucos.
Aunque hay estilos personales y habilidades únicas, estos extraños ejemplares de fidelidad poseen un factor común: permanecen en alerta, han tomado la "decisión" de no dejarse seducir, conocen sus debilidades y saben dónde está el peligro.
No son esencialmente inconquistables, sino que han aprendido el complejo arte de esquivar y capotear la atracción inconveniente.
Tampoco son santos o promotores de la continencia, son buenos jugadores, gambeteadores profesionales: se acercan a la hoguera, pero no meten la mano.
Esto no significa que el amor no importe para no caer en la infidelidad, lo que sostengo es que “amar” no basta para ser fiel.


Indiferente de si es una infidelidad emocional o pasional, se considera un engaño porque se está rompiendo con un pacto afectivo/sexual que la pareja realizó, no importa cuantas excusas o disfraces le pongas, siempre será un engaño.
¿Estarías dispuesto o dispuesta a perdonar este tipo de traición?
¿Bajo que circunstancias?


in, Guía práctica para afrontar la infidelidad de la pareja
- Walter Riso

O Rapaz das Meias Vermelhas



Ele era um garoto triste.
Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
“no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo.
Colocou em mim essas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas, saberia que o filho era dela.”
“Ora”, disseram os garotos. “mas você não está num circo.
Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?”
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou:
“é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora.
Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas.
Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela.”



Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi. 
Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique, em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto. Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas. Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas. Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da festividade especial.
Aguardam...
São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa, andam pelas ruas, sempre à espera de que alguém que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu, nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa, um dia, e esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.
Pense nisso!
O amor, sem dúvida, é lei da vida.
Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar a qualidade das reações que virão daqueles que murcham aos poucos, na dor da afeição incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros. 
Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se esse não é o momento de recompor o que se encontra destroçado, trabalhando a terra do nosso coração.
Pensemos nisso!


Carlos Heitor Cony

domingo, 16 de novembro de 2014

Livros que dão vontade de viajar



Os livros são verdadeiros companheiros na hora de viajar, seja para passar o tempo, como guia ou até mesmo sendo a própria viagem, feita directamente da nossa cabeça para o universo da história que estamos a ler. 
Seja para espantar o tédio, saber mais sobre um determinado assunto ou se guiar por aí, eles são a companhia perfeita para todo o viajante que se preze.

“O mundo é um imenso livro 
do qual aqueles que nunca saem de casa
 lêem apenas uma página”. 

Agostinho de Hipona  

Ainda que esta frase nos lembre que não basta ler – é preciso ir -, porque não existem duas viagens iguais (como não existem dois seres humanos ou dois lugares desse imenso livro exactamente iguais), ela faz uma analogia que nos lembra que ler é uma forma de viajar. 
Pelo menos na nossa mente.
E essa já é uma viagem imperdível.

Desde clássicos como Cem Anos de Solidão, os que são leitura obrigatória, como os da autora Jan Morris, e até as histórias mais improváveis e malucas, como no livro de Michael Paterniti,tu certamente encontrarás um enredo para chamar de teu, até que lancem um novo livro recheado de novas aventuras.


Livros que dão vontade de desbravar o mundo!!!
Estas são algumas sugestões para viajar, sem necessariamente sair de casa:

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
On the Road/Pé na Estrada, de Jack Kerouac
Um ano na Provence, de Peter Mayle
A Praia, de Alex Garland
Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques
Viajando com Charley, de John Steinbeck
Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink
Viagem por África, de Paul Theroux
Veneza, de Jan Morris
Conduzindo o Sr. Albert: uma viagem pelos Estados Unidos com o cérebro de Einstein, de Michael Paterniti
“A arte da viagem”, de Paul Theroux
“Na Natureza Selvagem”, de John Krakauer
“As Mulheres do Meu Pai”, de José Eduardo Agualusa
“Noturno Indiano”, de Antonio Tabucchi
“De vagões e vagabundos – Memórias do submundo”, de Jack London
“Nápoles 1944”, de Norman Lewis
“Viajante Solitário”, de Jack Kerouac
“Na Patagônia”, de Bruce Chatwin
“Recalculando a Rota”, de Alana Trauczynski
“Nosso homem em Havana”, de Graham Greene
"Patagónia Express", de Luis Sepulveda
"Endereço Desconhecido", Tiago Salazar
D.Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes
Memorias de uma Gueicha -  Arthur Golden
Comer, Rezar e Amar - Elizabeth Gilbert
O Alquimista - Paulo Coelho
O Zahir - Paulo Coelho
As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley
O Código Da Vinci - Dan Brown
As viagens de Gulliver - Jonathan Swift
A Volta Ao Mundo Em 80 Dias - Julio Verne
Confesso que vivi, de Pablo Neruda
Paris é uma festa, de Ernest Hemingway
Trópico de câncer, de Henry Miller
Um Adivinho me Disse, de Tiziano Terzani
Biografia de James Joyce, de James Joyce
Walden, ou A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau
1Q84 do Haruki Murakami
Vagões & Vagabundos, de Jack London
Livre, de Cheryl Ctrayed
Paratii - Entre dois pólos, de Amyr Klink
Mil dias em Veneza, de Marlena de Blasi
Shantaram, de Gregory David Roberts
Dia do Coringa , do Jostein Gaarder
A Expedição Kon-Tiki, de Thor Heyerdahl
O Mundo ao Lado, de Arthur Simões
Não Conta lá em Casa, de André Fran
Livro Recalculando a Rota, de Alana Trauczynski
Sete Anos no Tibete, de Heinrich Harrer
Colapso, de Jared Diamond
Bom Caminho, de Fausta Cardoso Pereira
Spleen de Paris, de Charles Baudelaire
The Kindness of Strangers, da Lonely Planet ( A collection of original stories by acclaimed writers, including Jan Morris, Tim Cahill, Simon Winchester, Dave Eggers, and Anthony Sattin, exploring the theme of finding good fortune on the road. With a preface by His Holiness the Dalai Lama.)
A Estrada para Oxiana, de Robert Byron
Cadernos Italianos, de Eduardo Pita
Cartas do Meu Magrebe, de Ernesto de Sousa
O Colosso de Maroussi, de Henry Miller
Dália Azul, Ouro Negro,Viagem a Angola, de Daniel Metcalfe
Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel
Disse-me Um Adivinho Em Viagem pelos Mistérios do Extremo Oriente, de Tiziano Terzani
Hav, de Jan Morris
Histórias de Londres, de Enric González
Histórias de Roma, de Enric González
Histórias Etíopes, de Manuel João Ramos
O Japão é Um Lugar Estranho Viagem de Um Pai com o Seu Filho ao País da Manga e do Anime, de Peter Carey
Mi Buenos Aires Querido, de Ernesto Schoo
Morte na Pérsia, de Annemarie Schwarzenbach
O Murmúrio do Mundo, de Almeida Faria
Nova Iorque, de Brendan Behan
Paris, de Julien Green
Um Gentleman na Ásia Relato de uma viagem de Rangum a Haiphong, de Somerset Maugham
Uma Ideia da Índia, de Alberto Moravia
Vai, Brasil, de Alexandra Lucas Coelho
Veneza, de Jan Morris
Viagem a Tralalá, de Wladimir Kaminer
Viagem de Autocarro, de Josep Pla
A Viagem dos Inocentes Ou a Nova Rota dos Peregrinos, de Mark Twain
Viva México, de Alexandra Lucas Coelho
Caderno Afegão Um Diário de Viagem, de Alexandra Lucas Coelho
Viagem a Itália, de Johann Wolfgang Goethe
Carrocel Italiano, de Lawrence Durral







...................dar o salto



"Passar da oposição (sempre uma discórdia) para o paradoxo (sempre sagrado) é dar um salto de consciência.
Esse salto, transporta-nos através do caos da meia idade, e dá-nos uma visão que ilumina os dias que nos restam."

In "OWNING YOUR OWN SHADOW"
Robert A. Johnson


É por isto que cada vez menos discuto ideias!
Posso partilhar a minha opinião, se me perguntarem...mas, se a minha opinião entrar em conflito com a opinião dos outros, salto fora da discussão...
Adoro os Paradoxos da Vida...estão presentes em tudo e em todos!

.........a natureza...o paganismo...e a mulher



"A natureza não se conforma com as leis do Homem, da Cultura, ela não pode ser contida.
O homem vê dessa natureza incontrolável na Mulher - nos líquidos que fluem de sua genitália durante o sexo e menstruação, a partir de seus seios após o parto - e não só se sente ameaçado, como se sente profundamente atraído pelo que lhe falta e acha fascinante.
Num impulso, o homem se volta para o céu, em direcção a Apolo, e investe sua energia numa lógica transcendental. Mas é tudo em vão.
A Teologia ocidental nunca conquistou o paganismo, mas sim tentou adequá-la ao seu sistema tentando sublimá-la. Assim, o Feminino centrado no paganismo consegue manifestar-se no iconologias popular da cultura ocidental e continuar a ter vida fora do que resta da sua ideologia patriarcal.

O ego masculino é um persona (da palavra latina para a máscara) sexual que se duplica e propaga em monumentos e arranha-céus fálicos (escadas para o céu, o sol), em doutrinas religiosas em que as mulheres são designadas como servas dos homens, em que manifestamente as "megeras" estão a ser domesticadas.
Ao controlar as "suas mulheres", os homens estão a tentar controlar a "natureza", a representação final do poder.
Mas no fundo sabemos que os homens tal como o seu poder, são como o seu próprio pénis, que murcha e se torna flácido mal termina o acto sexual, assim o seu próprio poder se torna passageiro.
Então vemos como eles brigam e lutam em guerras que podem vencer, dentro desta cultura ocidental, e cujos resultados estão á vista: os enormes estragos causados por esta carnificina espantosa da Natureza."

Camille Paglia

SISTERS OF MERCY - More ( 1990 )

sábado, 15 de novembro de 2014

RAZÃO E INTUIÇÃO NO CAMINHO DO GUERREIRO



"A razão, assim como a fé, pode servir a uma ideologia. Ambas podem se submeter aos interesses da egolatria humana. Podem manipular ou serem manipuladas. Ela, a razão, é um atributo do tonal, da persona social, apenas estrutura e organiza o mundo ou a percepção que temos do mundo.

A intuição não, é livre, adentra directo ao salão da verdade, dispensando qualquer instituto, é como uma mulher desnuda e despudorada, mas diferente da razão que pode vir a ser prostituta e corrupta, Ela não se submete, descobre sempre um jeito de escapar de uma razão desarrazoada. Por isso pode-se dizer que ela é uma qualidade do feminino, da água que encontra por onde fluir, da mulher, da guerreira e da bruxa que acessa o conhecimento directamente com o útero, que sonha e percebe a realidade através de seu corpo, por meio de seu útero.

Pode parecer estranho falar em percepção a partir do útero, mas é igualmente estranho dizer que o ser humano possui 21 tipos de órgãos do sentido (ver palestra do Dr. Felipe de Oliveira). É isso que a medicina nos diz, sabiam? Estranho é tudo aquilo que foge ao limitado conhecimento do mundo do eu. A mulher possui sentidos que o homem não possui, falar em sexto sentido é apenas uma forma de expressão.

Por isso a mulher teve que ser, historicamente, submetida ao homem, para que o sistema que está aí, de base (pseudo) patriarcal, machista, dominador e baseado na idéia do deus único, domini, o senhor (baal), pudesse ser instaurado, através de uma razão que desconectada da intuição submeteu-se a uma ideologia altamente manipuladora e limitadora. Uma razão, uma mente desconectada e assentada em 5 sentidos que por isso perdeu a si mesma (o que há de racional na sociedade que vivemos?).

Ideologia que defende um único deus, uma única verdade, uma única realidade, um único caminho ao qual todos devem se submeter. Ao mesmo tempo assenta-se numa teologia absurda baseada no pai, no filho e no espírito santo, uma trindade totalmente masculina, e que, portanto, é contrária a Natureza, pois não pode ser criativa. Na religião egípcia, na tradição hindu e mesmo na Cabala Judaica, que vem da Cabala Egípcia, o feminino tem um papel a cumprir altamente relevante. A tradição católica deu um corte terrível nesse sentido, amputou o sagrado feminino de si, a ponto de terem transformado Maria Madalena em prostituta quando nem o evangelho assim o faz, buscando assim diminuir o papel da mulher.

Porque será que tal tradição assumiu o lado masculino em detrimento do sagrado feminino?

Sabemos que predadores, como seres inorgânicos que são, não se interessam pela energia feminina, buscam apenas a energia masculina. Criar uma religião onde o masculino assume papel relevante é criar uma matriz mística e religiosa que permite o fornecimento e a produção do único tipo de energia que eles estão interessados: a do homem. Agregue-se a isso a instituição do celibato, regras hierárquicas, a diminuição da mulher, o ritualismo desconectado da natureza, um deus punitivo, dominador e a valorização de uma teologia absurda para termos uma instituição que alimenta o interesse dos predadores de todas as maneiras possíveis. Certas ordens esotéricas que se assentam nessa base machista, como certas ordens thelêmicas e macônicas, feitas só de homens, possuem em seu grau mais alto de segredo, o grau 11, ritos de magia sexual apolar ou homossexual, com a finalidade de adentrar em reinos de escuridão, em reinos qliphóticos e promover a associação energética de seus adeptos com tais forças sombrias, os predadores (OTO e os espermo-gnósticos).

Não é a toa que abundam na história da Igreja Católica os escândalos sexuais de homossexualismo e pedofilia, associados ao sadismo persecutório da inquisição e o masoquismo de certas regras monásticas. O mais interessante é que tais práticas são consideradas abomináveis e devem ser punidas com a morte, segundo a Bíblia (Levítico 20;13). Isso é o ápice da contradição, reflexo da própria morbidez, medo e contradição da mente do predador. Se a Bíblia fosse cumprida pela Igreja esta não mais existiria. Assim é que a "casa de deus" (arcano 16) também tornou-se o palco histórico de uma série de correntes místicas: templários, maçons, priorado de sion, bruxos, naguais, opus dei, companhia de jesus, etc, uma verdadeira casa da mãe joana (referência a história de uma mulher no trono de pedro, a papisa Joana). Ao longo da história humana nenhuma instituição religiosa rivaliza com a católica em termos de seu caráter predatório da alma e do corpo humano. Ficaram com o poder secular e se aproveitaram do poder espirtual de alguns de seus místicos. Ficaram com a letra que mata, a razão a serviço de uma ideologia escravizante, e alijaram-se do espírito que vivifica, o conhecimento direto pela intuição.

No mito do éden, os falsos deuses submetem Eva a Adão porque ela ousou provar do fruto conhecimento. Ora, algo que se come torna-se parte de nós, o conhecimento verdadeiro é tornado carne em nós, (em especial na mulher o conhecimento se faz corporalmente, via útero. Assim é na mulher que o verbo se faz carne e não no homem.) "um ser só conhece quando ele próprio é esse conhecimento", assim o fruto do conhecimento era proibido para que ficássemos apenas com um conhecimento ditado de 2ª mão pelos falsos deuses, um conhecimento imposto, teórico e manipulado, interpretado pelos sacerdotes intermediários de falsos deuses (predadores) que não podia ser acessado diretamente por nós mesmos. Assim nos foram dados mandamentos, um livro dito sagrado e palavras ditas sagradas, mas o fruto do conhecimento direto nos foi proibido, incluindo aí o "fruto" das plantas de poder, estigmatizadas ainda hoje e base da maior parte do conhecimento xamânico. O homem se tornou um escravo teórico e a mulher considerada uma insana pecadora. A razão foi dominada e a intuição quase submetida, pois a palavra do livro dito sagrado tornou-se a lei espiritual do povos. Eis a letra que mata, literalmente até. A tradição nativa sabe-o bem.

Pessoalmente nada tenho contra a Igreja, fui formado em colégio de padres e o máximo que um padre fazia era estalar as juntas do meu dedo, mas a Igreja sim possui graves problemas com relação a humanidade.

Assim podemos compreender a cisão histórico-cultural ocorrida entre razão e intuição como um meio de dominação. Só a interpretação de determinado(s) grupo(s) deveria ser colocada como a verdade, para tal o acesso ao conhecimento direto deve ser bloqueado e a razão manipulada pela fé e por um livro, a mulher precisaria ser alijada do processo mágico-religioso-espiritual e o homem assumiria como amo, senhor e sacerdote. E foi o que aconteceu. Até hoje o conhecimento mágico do feminino precisa ser resgatado. E será resgatado. Há sinais claros de uma nova percepção de base intuitiva surgindo. O que aconteceu com a neurocientista Jill Taylor não aponta para isso?

A intuição é como o fruto do conhecimento directo, que se prova por si. A razão dominada pede explicações insossas e acaba sempre faminta, morre de inanição espiritual.

A intuição também pode se tornar uma qualidade perceptiva do homem que transformou sua mente num útero, que é capaz de deixar sua mente num estado de silêncio e receptividade. A intuição é um atributo do nagual, ela é criativa.

Podemos nos servir da razão para ir além, porque para qualquer argumento montado com perfeita lógica outro oposto e rigorosamente estruturado pode ser feito. Assim a razão anula a si mesma. Assim as discussões e debates se cancelam e revelam a inutilidade do intelecto em questões que transcendem ao mesmo. Por exemplo, não se pode saber através do intelecto o que é o estado desperto ou iluminado, mas pode-se usar o intelecto como uma ferramenta para cancelar a ele mesmo, para anular o diálogo interno e nos permitir ir além. Por exemplo, numa situação onde nos observamos e nos pegamos num diálogo incessante com nós mesmos podemos nos perguntar: se eu estou sozinho com quem eu estou falando? Como posso falar comigo mesmo se estou só? Isso por si só dá uma parada na mente discursiva, a coloca em xeque a partir dela própria.

Há um caminho da Ioga, por exemplo, Jnana Ioga, onde o intelecto é usado como uma ferramenta para a transcedência da mente discursiva a partir da pergunta "quem eu sou?".

Através da fisiologia do corpo energético, pela perspectiva da Ioga, localizamos a razão e a intuição, em íntima harmonia, como qualidades associadas ao chacra frontal, simbolicamente representado por duas pétalas. Não podemos ver nessas pétalas a razão e a intuição em íntima harmonia? "

(...)

in, Pistas do Caminho

............depender do olhar do homem para SER



“Mas, em primeiro lugar, notemos que o que é próprio da feminilidade é não poder ser reconhecida senão por um outro.
Diante do espelho, uma mulher pode achar-se bela ou feia, jovem ou velha, mas nenhum cânon estético, nenhuma referência visível poderá garanti-la acerca do que é todavia o ponto focal da questão.
A feminilidade é o que é atribuído pela confissão do homem, e é importante dizer-se que a investidura do seu estatuto de desejada não repousa para ela em qualquer referência de realidade objectiva.
O que o homem deseja nela, só ele pode dizer se ela o possui ou não.”

" Uma prova de que certos psicanalistas acompanharam a mentalidade da época, em que se acreditava que o homem tinha de certificar o valor da mulher.
Mas as mulheres de todas as épocas no que diz respeito à imagem, embelezaram-se também para as outras.
Nos tempos modernos, muito para si próprias e não dependentes da apreciação dos homens.
Como falar do olhar dos homens….
Como falar do seu inigualável efeito?…"

Cristina Simões
Incalculável Imperfeição

Vamos ser velhos...



"Vamos ser velhos ao sol nos degraus
da casa; abrir a porta empenada de
tantos Invernos e ver o frio soçobrar
no carvão das ruas; espreitar a horta
que o vizinho anda a tricotar e o vento
lhe desmancha de pirraça; deixar a

chaleira negra em redor do fogão para
um chá que nunca sabemos quando
será – porque a vida dos velhos é curta,
mas imensa; dizer as mesmas coisas
muitas vezes – por sermos velhos e por
serem verdade. Eu não quero ser velha

sozinha, mesmo ao sol, nem quero que
sejas velho com mais ninguém. Vamos
ser velhos juntos nos degraus da casa –

se a chaleira apitar, sossega, vou lá eu; não
atravesses a rua por uma sombra amiga,
trago-te o chá e um chapéu quando voltar."

Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cowboy Junkies - Sweet Jane (Official Video)

Intimidade



“ A intimidade impõe o abandono da couraça que protege o nosso núcleo mais intimo, 
sede do pudor e da vergonha: 
quanto mais partilhada, mais o outro tem livre acesso às nossas coisas secretas. 
Mas só a tolerância, e uma grande estima de nós próprios,
 nos levam a viver este despirmo-nos como uma oportunidade e não como uma ameaça. 
Quem pensa que deve esconder as partes de si mesmo que mantém inconfessáveis, 
inevitavelmente vive a intimidade como um risco”

Willy Pasini 
in, Intimidade, O outro lado da afectividade 





Na ordem do desejo que nos liberta das habituais fronteiras entre o corpo e o espirito.
Entre nós e o outro.
Partículas de energia, numa dança, ao ritmo de termos sido capazes de nos colocarmos na sua pele sem nos perdermos, e disponíveis para o deixar entrar, sem medo de sermos devorados por ele. Alheados da fórmula que permitiu que o milagre tivesse lugar, não nos contentamos com o conforto do inolvidável encontro.

Surge a ideia insana que pode não se repetir, e a urgência de o reviver.


A Psicóloga Cristina Simões diz que "são necessários dois processos psicológicos para que a intimidade seja possível – a identificação projectiva e introjectiva - empatia e ressonância afetiva".


Dá para perguntar:
E como podemos ter coragem de nos despirmo-nos como uma oportunidade, e não uma ameaça???
Se a pessoa tiver a auto estima em baixo...como devemos aprender a ter uma grande estima por nós, quando no passado ( crianças ) não fomos valorizados, reconhecidos???

Coimbra de Matos diz que é uma tragédia uma criança não amada, mas sempre é possível repor essa auto estima se tiver alguém que a valorize, que a ame!!
Penso que é difícil apagar as sequelas do passado…por isso, debitar os mais intímos nos faz sentir mais leves...de certa forma, alivia as cicatrizes que deixaram marcas profundas...

Temos momentos em que decidimos nos abrir ao outro.
Nem sempre é o momento certo, ou a pessoa certa, mas se essa experiência for reciproca – a intimidade partilhada - é uma oportunidade milagrosa de crescimento mútuo.
Para quem pode, para quem sabe, para quem tem confiança.
Outros há que anseiam por ela, não sabem como, fazem tudo ao contrário e têm medo de se por à mercê do outro.


Incalculável Imperfeição


..................Psique e Eros



"Psique, que quer ver tudo, e tudo saber sobre o seu amante, perderá tudo…
É que o amor – Eros – tal como o pensamento Psique – não podem desabrochar senão no tempo e no espaço de confiança que se constroem entre duas pessoas que contam uma para outra.”

Nicole Jeamment
in, O Ódio Necessário




Só numa relação de confiança (no amor, na maternidade, na amizade ou no ambiente profissional), se pode prosperar e criar algo novo.
Em vez de dizermos “Amo-te” deveríamos dizer ”Confio em ti”, o que nos obriga a confirmar se estamos a ser honestos connosco e com o outro.

Estados Co-Emergentes




"Quem quer que olhe com honestidade para a sua existência, verificará que vivemos num constante estado de suspense e ambiguidade, que as nossas mentes estão perpétuamente a saltar da confusão para a claridade e vice-versa.
Se nos mantivermos confusos durante todo o tempo...isso já seria uma espécie de claridade.
O que é realmente mais surpreendente a respeito da vida é o facto de por vezes - apesar de toda a nossa confusão – também conseguimos ser sensatos, e isto mostra-nos o que é o bardo: uma contínua e enervante oscilação entre a claridade e a confusão, entre o espanto e o discernimento, entre a sanidade e a insanidade.
Nas nossas mentes, tal como somos agora, a sabedoria e a confusão surgem simultaneamente ou, tal como nós dizemos, são “co-emergentes”, o que quer dizer que enfrentamos uma contínua situação de escolha entre duas, e que tudo depende do que escolhemos.
Esta incerteza constante pode fazer com que tudo nos pareça árido e quase sem esperança, mas, se olharmos com mais atenção, verificaremos que a sua própria natureza cria fendas, espaços onde estão constantemente a florescer profundas oportunidades de transformação, se as conseguirmos distinguir e agarrar."

In, O LIVRO TIBETANO DA VIDA E DA MORTE
Sogyal Rinpoche

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

.............conversar



Uma conversa é coisa rara.
A intimidade emocional idem.
Falar é fácil, é jogar palavras ao vento.
Quando conversamos, é nossa alma quem fala, é ela que é escutada, as palavras voam para dentro.
Uma conversa é uma experiência de troca, onde elaboramos, escutamos, usufruímos dos versos que podemos fazer com a vida.
Dolorosos ou não, os versos de uma conversa acordam a alma.
Uma conversa é coisa rara.

_____Evelin Pestana



Muito obrigada, Minha Mana Preta Kalú!!!
Temos de conversar...
Mas existem conversas sem palavras:
Só com o sentir do coração, e o entrelaçar do espírito...como as nossas!

................humm, não me parece



A nossa "missão" é sermos "felizes"....

"É a "felicidade" um bem comum e mensurável, para sermos tão atrevidos assim, e afirmarmos essas coisas?

Não há nada mais chato do que as pessoas "passadas" passarem da sua miséria emocional e confusão mental, para um delírio qualquer de sonho e bondade e realização - eureca, AGORA sou feliz!
Só me apetece dar-lhes uma grande bofetada, para saírem do histerismo!

... eu anoiteço e amanheço, me entristeço e me alegro, acredito no princípio da dualidade, um não vive sem o outro, somos luz e escuridão simultaneamente, passivo e activo, escuro e claro, frio e quente, diurno e nocturno ... frente e verso proporcionais, não há nada neutro, tudo possui sua polaridade, um começo e um fim num ciclo constante ...

 Há uma "felicidade", ou muitas "pequenas felicidades", ou pequenos momentos em que dizemos estarmos felizes?

Não creio que a nossa missão seja essa.

Tantas e tantas vidas e reencarnações reduzidas a isso?

Soa-me a pouco.
E a ti?"


A Manipulação do Público


(...)

"A estratégia da Distração:

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes.
A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.
“Manter a atenção do público, distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.
Manter o público ocupado, ocupado, ocupado…, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais.

(...)
Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão:

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, finalmente, no sentido crítico dos indivíduos.
Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injectar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

(...)
Manter o público na ignorância e na mediocridade:

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.
“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.

(...)
Estimular o público a ser complacente com a mediocridade:

Levar o público a crer que é moda o acto de ser estúpido, vulgar e inculto.

(...)

Noam Chomsky
in, A Manipulação do Público

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Que sou eu?



"O problema, na meia idade, quando o corpo atingiu seu poder máximo e começa a declinar, é identificar-se, não com o corpo, que decai, mas com a consciência de que ele é um veículo.
Isto é algo que aprendi com os mitos.
Que sou eu?
Sou a lâmpada que contém a luz, ou sou a luz de que a lâmpada é o veículo?"

Joseph Campbell


Na minha opinião, não existe crise da meia idade...
Pelo menos, essa é a minha experiência.
Existem várias crises durante a vida, em idades diferentes.
E aprendemos e crescemos com todas elas.
No meu caso, tive uma crise aos 24 anos, depois outra aos 29, e a mais dura de todas aos 35 anos (a que me fez saltar para o abismo).
Todas elas, foram oportunidades de crescimento e evolução.
Mas, quando não aprendemos o que temos de aprender, elas vão ressurgindo de uma forma cada vez mais intensa, dolorosa e sofrida.
Só crescemos e evoluímos no sofrimento!

.....................caminho duro



“Todo tipo de coisas me desviam para longe de minha ciência à qual eu acreditava estar dedicado firmemente.
Através dela, queria servir a humanidade, e agora, minha alma, tu me levas para essas coisas novas.
Sim, o mundo do meio, intransitável, multiplamente cintilante.
Esqueci que cheguei a um mundo novo, que antes me era estranho.
Não vejo caminho nem trilho.
Aqui deverá tornar-se verdade o que acreditei sobre a alma, que ela sabia melhor seu próprio caminho e que nenhum desígnio lhe poderia prescrever um caminho melhor.
Sinto que é tirado um grande pedaço da ciência.
Deve estar certo, por amor à alma e por amor à sua vida.
Dolorosa é apenas a ideia de que isto só aconteceu para mim e que talvez ninguém consiga tirar alguma luz daquilo que eu produzo.
Mas minha alma exige esta produção.
Devo poder dizê-lo também só para mim sem esperança — por amor a Deus.
Deveras um caminho duro. "
(...)

Carl Gustav Jung
- Livro Negro 3



"Enquanto nós não conseguirmos sentir a doçura, o compromisso, o envolvimento da alma connosco, nós vamos para o mundo com uma fome que não tem fim." 

Andre Louro de Almeida