terça-feira, 15 de outubro de 2013

INTENSIDADE




A estrada da Vida admite interrupções tortuosas. 
Por ocasiões temos que ser estimulados, acicatados para o Despertar. 
Ninguém sonha sozinho. 
Ninguém morre acompanhado. 
O pulsar do coração da vida é único,
independentemente daqueles que nos rodeiam. 
Não somos mecanismos, mas paramos para pôr combustível.

Nada é perpétuo, o presentâneo compulsa nas veias 
em permanente inquietação. 
Sê feliz, a pedra que suportas não é tão colossal. 
As arbitrariedades têm uma duração,
a condolência finda, o verdadeiro de tanta verdade persiste, 
a audácia eleva-te, o medo fortifica, não enfraquece, 
os enganos treinam-te que nada é perfeito.

Às vezes estamos mortos e não sabemos. 
Outras vivos, mas latentes. 
Não construam da Vida um intervalo duradouro. 
Mesmo na solidão (é amiúde imperativamente necessária), 
sempre um acesso e não um STOP. 
Despertem, ponham o carro a trabalhar...

O louva-deus macho não pode acasalar 
enquanto a cachimónia estiver conectada ao corpo. 
A fêmea inaugura e finaliza o acto sexual arrancando-lhe a cabeça. 
Daí a nascedouro ditado: perde-se a cabeça por uma boa fondamentação.

Sérgio Ramires

Vulnerabilidade

                       
Brene Brown estuda as relações humanas - a nossa capacidade de criar empatia, de pertencer, de amar.
Numa comovente e divertida palestra no TEDxHouston, Brene Brown partilha uma visão profunda da sua investigação, que a fez mergulhar numa busca interior para se conhecer totalmente e também para compreender a Humanidade.

She has spent the past ten years studying vulnerability, courage, authenticity, and shame.
She spent the first five years of her decade-long study focusing on shame and empathy, and is now using that work to explore a concept that she calls Wholeheartedness.

She poses the questions:
How do we learn to embrace our vulnerabilities and imperfections so that we can engage in our lives from a place of authenticity and worthiness?
How do we cultivate the courage, compassion, and connection that we need to recognize that we are enough – that we are worthy of love, belonging, and joy?

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Carência


“Tu nunca recebes amor se emanas carência.
Na verdade, aquilo que recebes é ainda mais carência.
Tu sabes que em carência tudo acaba rápido.
E mesmo que dure um pouco mais, vai doer-te durante todo o tempo.
Por isso, pára de querer que os outros gostem de ti.
Pára de querer que os outros te elogiem.
Pára de querer que os outros te aceitem.
Pára de procurar nos outros aquilo que está unicamente em ti.
Começa finalmente a olhar-te como se realmente te visses.
Começa finalmente a olhar-te e, descobre quem tu representas, para poderes depois escolher quem tu és.
Não procures a aceitação dos outros, porque isso é o mesmo que dizer que não te aceitas.
E se não te aceitas, não te amas.
E se não te amas, não andas por aqui a fazer grande coisa por ti.”

José Micard Teixeira

Dharma


The Dharma is not a lecture.
The Dharma, in the Buddhist tradition, is a kind of rain.
Our consciousness should behave like the soil, the earth.
We have to allow the Dharma talk to penetrate.
According to the Buddha, we have seeds of understanding, of awakening, of compassion, within ourselves.
We don't need these seeds to be transmitted from the teacher.
We already have all of them, in the depth of our consciousness.
We call it store consciousness, sometimes earth consciousness.
Because these seeds are buried deep in the mind, in the soil of our consciousness, it is very hard for them to grow and manifest.
Above, there are many layers of suffering, confusion, prejudices and so on, and our intellect can never go deep enough.
Our intellect, very often contradicts our deepest nature and therefore, to allow the intellect to rest, and to open our earth store, in order for the rain of the Dharma to penetrate is very important.

~ Thich Nhat Hanh

domingo, 13 de outubro de 2013

Mudar os nossos valores


"Nossa civilização, baseada nos falsos valores do patriarcado, 
está em plena ruína, até no plano material. 
Para evitar a autodestruição, é preciso despertar o culto da feminilidade, 
que é o único a permitir o pleno desenvolvimento tanto do homem como da mulher."

ESSES VALORES FEMININOS SÃO: O AMOR, O AFECTO, AS RELAÇÕES HUMANAS o contacto com a natureza e a vida. E as crianças, visto que a mulher também é mãe. Esses aspectos fundamentais do seu ser não os citei logo para evitar que a mulher que ler este texto suspeite da intenção camuflada de voltar a encerrá-la nos três famosos "K" Kinder, KUche, Kirche - crianças, cozinha e igreja.

São também femininas a musica, a dança, a poesia, a literatura. Feminina é também a doçura do lar, embelezado pela arte, vivificado pelas flores, pelos animais e pelas crianças, porque não? Entretanto, os valores femininos mais verdadeiros, mais profundos, transcendem a lógica, mergulham no irracional, palavra que inquieta o cerebral, o cientista e o sistema patriarcal em geral.

O irracional são as camadas profundas do psiquismo, aquelas que habitualmente chamamos de inconsciente, mundo dos instintos e das pulsões.
A mulher é intuitiva, e endosso as palavras de J. Guendher, em yuganaddha, The Tantric View of live:


"A consciência da mulher é diferente; ela já percebeu as coisas quando o homem ainda tateia na escuridão. A mulher percebe as circunstâncias que a cercam e as possibilidades a elas ligadas, algo que um homem costuma ser incapaz. Por isso, o mundo da mulher parece-lhe pertencer ao infinito, para fora do tempo e para o transcendente, pode fornecer as indicações e os impulsos mais válidos. Essa transcendência é a sabedoria, e esta supera o saber intelectual...A mulher e tudo a ela associado parecem bem estranhos ao macho e,, no entanto, isso faaz parte de seu universo mais íntimo, à espera de se realizar por ele" (p.172)


Ora esses valores também estão no homem, mas, com a educação patriarcal os reprimiu, descobri-los é uma tarefa dura. O procedimento inicial, aliás, é compreender que nada há...a compreender, mas a perceber e a sentir. Por isso, no caminho da Esquerda, que passa pela mulher, é ela a iniciadora. Ela abre para o homem as portas secretas para a profundidade do ser, para o derradeiro, o cósmico. Se o Tantra fosse uma religião, as mulheres seriam suas sacerdotisas, e os sacerdotes seriam os homens que tivessem desenvolvido, graças à mulher, suas qualidades femininas de intuição e transcendência.


André Van Lysebeth
Tantra, o Culto da Feminilidade

Admirar e elogiar


“A desvalorização dos outros, e o esvaziamento das representações objectais do mundo interno, são a causa principal da falta de uma auto-estima normal nos indivíduos narcísicos, para além de determinarem a sua notável incapacidade para empatizar com os outros."

Otto Kernberg 
Agressividade, Narcisismo e Auto-destrutividade na Relação Psicoterapêutica 


"A desvalorização dos outros, assim como o desdém, são defesas contra a inveja inconsciente.
Na sua origem, estão as experiências más ou pouco gratificantes que superaram as boas, vividas nas relações precoces.
Consequentemente, por não se ter maturidade para lidar com essas emoções contraditórias de amor e ódio pelas pessoas de quem se dependeu, porque se foi troçado ou humilhado, ou não “levado a sério”, surge a culpa, também ela prematura.
As pessoas próximas e as suas qualidades, e a admiração que se poderia ter por elas, não passaram a fazer parte do mundo interior dos indivíduos narcísicos, caracterizando a natureza das relações no presente.
Se assim acontecesse teriam dado conforto e segurança.
Admirar e elogiar (com verdade e de modo desinteressado), são seguramente fontes de auto-estima!"

Cristina Simões

Criticar


Podemos afirmar que a crítica surge:

1 - Quando algo está abaixo do ideal que constitui a unidade de medida e a partir do qual é observado. Não existe intencionalidade de criticar; simplesmente olha-se o mundo a partir dos padrões de qualidade que se possui. É o caso do gourmet ou de qualquer especialista – arte, ciência, etc. - , quando se encontra com um objecto que pertence a seu campo; este é avaliado a partir de suas normas de qualidade, que são elevadas em relação com o resto das pessoas. Por sua vez, de acordo com as propriedades do mataideal, poder-se-á rejeitar intolerantemente ou não aquele que esteja abaixo do ideal, mas esse é anterior ao encontro com o objecto e independente dele.

2 - Quando se tem uma imagem preconcebida de alguém ou de algo que se considera imperfeito. É o caso do preconceito, crença básica que organiza a aproximação do objecto. Como explicamos em outra parte deste livro, são crenças gerais do tipo fazes mal as coisas, não és inteligente, és mau, etc., crenças a partir das quais termina-se por ver os atributos ou acções particulares do objecto. A crença preexiste ao juízo particular que deriva daquela. Não se trata de que o ideal seja desmesuradamente elevado como no caso acima, mas a representação do sujeito faz com que seja classificado abaixo daquele que se consideraria o padrão médio.

3 - Quando existe intencionalidade de agredir o outro ou a si mesmo. Nesse caso, não existe um ideal prévio elevado ou uma crença geral ligada especificamente ao aspecto que se considerará inadequado. O defeito ao qual a crítica dirigir-se-á será procurado, criado nas áreas mais diversas, contando que se diga algo que ofende. O ódio é o que origina e mantém a brecha entre o ideal e a representação do outro ou do sujeito, seja elevando aquele ou diminuindo os méritos dessas. A fonte mais frequente é a frustração narcisista.

Hugo Bleichmar
O Narcisismo


“Percebi que é inútil falar aos outros sobre coisas que não sabem.”
C. G. Jung 
Memórias Sonhos e Reflexões 

"Não é por sermos ingénuos que pretendemos convencer o outro de uma ideia que para nós é de relevante significado, mas que para ele, não o tem. No nosso íntimo julgamos que não se trata de uma opinião pessoal. Acreditamos que ela transporta não só o sentido das coisas do mundo, como nos define. Mas o alheamento do outro não consente este ver o mundo de dentro para fora. Por isso insistimos.
Com o tempo, percebemos que mesmo com todas as razões, não merece a pena falar de coisas para as quais os outros ainda não tiveram uma experiência que os ajudasse a compreender. 
Pode ser desconcertante fazer um esforço para retirar o que não é partilhado e consagrar-se ao essencial, mas é bom que seja feito, para bem de todos."

Mulheres que voam com as duas asas!


Por que é fundamental que a mulher seja independente, ou potencialmente independente, para seguir o Srimad-Bhagavatam?

O Srimad-Bhagavatam diz que uma mulher pode deixar o marido se ele for um patita, palavra que se traduz literalmente por "caído".
É importante, portanto, que uma mulher tenha o potencial para viver sem a ajuda do homem, pois, se for dependente dele financeiramente ou de outra forma, poderá encontrar-se numa situação em que estará obrigada a estar com o marido, mesmo quando é lícito ou importante deixá-lo.

Sri Nandanandana diz: 
"O Senhor Krishna disse [a Rukmini] que mulheres frequentemente se fadam ao sofrimento, quando permanecem com homens cujo comportamento é incerto, e que adoptam actividades que não são aprovadas pela sociedade...
Se a mulher tem um homem que cai do padrão espiritual apropriado, não se conduz com responsabilidade ou é violento contra ela, a mulher muito provavelmente sentir-se-à forçada a deixá-lo. 
Nesse caso, ela terá que cuidar de si, por isso é importante ela ter a habilidade para o fazer".

sábado, 12 de outubro de 2013

A NUDEZ E OS MISTÉRIOS SAGRADOS


"Chegou, talvez, o momento de considerar o sentido que apresenta a nudez da mulher divina no seu aspecto de "Durga" e que está em oposição àquele por nós examinado da nudez do arquétipo demétrio-maternal, princípio de fecundidade.
É o nu abissal afrodisíaco.
A dança dos sete véus, uma das suas expressões simbólico-rituais mais fortes e sugestivas está ligada na sua origem a uma dança sagrada.
Pertencia ao ensinamento dos Mistérios, o simbolismo da travessia das sete esferas planetárias, no decorrer da qual a alma se desprende pouco a pouco das diferentes determinações ou condicionalidades a elas ligadas, e concebidas como outras tantas vestes ou roupagens a retirar, até atingir o estado da "nudez" completa do ser absoluto e simples, que só se encontra a si próprio quando se situa para além dos "sete".
Plotino recorda, justamente, neste contexto, aqueles que ascendem degrau por degrau aos Mistérios sagrados, ao mesmo tempo que vão despindo as suas vestes e avançam nus; e, no sofismo, fala-se de tamzig, a laceração da roupa durante o êxtase. (...)

in "A METAFÍSICA DO SEXO " 
Julius Evola

O Corpo Nu



« O corpo nu representa a verdade. 
A verdade que é mais profunda do que os costumes sociais. 
As Bruxas realizam os seus cultos nuas por várias razões: 
como forma de estabelecerem intimidade e deixarem cair as máscaras sociais, pois o Poder é mais facilmente invocado deste modo e porque o corpo humano em si, é Sagrado. 
A nudez, é sinal de que a lealdade de uma Bruxa é para com a Verdade, antecedendo qualquer ideologia e qualquer ilusão reconfortante. » 

Starhawk


O nu feminino por uma causa



Sessenta mulheres na Argentina decidiram posar nuas para financiar a compra de um mamógrafo para um hospital público da região da Patagónia.

Além da compra do equipamento, o grupo, composto por donas de casa, comerciantes, arquitectas, professoras, publicitárias e funcionárias públicas da cidade de Villa la Angostura, na Patagónia, quer enviar a outras mulheres comuns a mensagem de que devem se aceitar como são, sem plásticas ou “marcadas pela vida”.

Por trás das câmeras e do projecto, baptizado de ‘Mujer en amor’ (‘Mulher com amor’, em tradução livre), está a fotógrafa Paola Pierini.

As fotos de 12 mulheres, com idades entre 25 e 60 anos, vão ilustrar um calendário 2014 que será lançado no mês que vem.
Elas esperam arrecadar US$ 70 mil com as vendas, que serão destinados à compra do mamógrafo para o hospital Oscar H. Arraiza.

E agora, o que pensam disto????

Como sabem, eu não gosto de ver a mulher a usar o corpo nu para chamar a atenção, em sentido de protesto!
Lembro-me de um outro protesto, no Brasil, a MARCHA DAS VADIAS, em S.Paulo.
O corpo, seja ele masculino ou feminino, é Sagrado, é o Templo que acolhe a nossa Alma temporariamente, enquanto passamos por esta experiência terrena.
Por isso devemos cuidar dele, acarinhá-lo, mantê-lo limpo, com boas vibrações, tal e qual como os religiosos fazem com os templos...
Expor o corpo desta maneira é como profanar o nosso Templo.





Para a mulher ser ouvida, ou lutar por alguma causa, tem que estar nua?? 
Não faz sentido!

Também existe o cancro da próstata, e não se vê uma sessão fotográfica de homens nus.

Isto faz-me pensar no livro de Saramago, "Ensaio sobre a cegueira". 
Vi o filme e fiquei revoltada, quando vi as mulheres a aceitarem vender o seu corpo, para comprarem alimentos para elas, os maridos e os filhos.
É brutal e cruel...
O meu primeiro instinto é que seria melhor morrer, do que perder assim a dignidade.
E acreditem que já estive nessa situação!
Não falo por falar...já estive confrontada com a situação na vida real!
Já perdi a dignidade humana, mas nunca a minha dignidade como mulher!
A dignidade, reside na maneira como fazemos as coisas.
Isto vale para a venda do corpo ou para outra coisa qualquer.
Vejam o filme "ondas de paixão" que diz tudo sobre o amor e sobre a dignidade.





A causa é virada para as doenças no nosso corpo, e neste caso a doença mais mortal nos dias de hoje,o Cancro da Mama.

Nestes rostos, vê-se sofrimento e dor camuflada...


Entender...


“Entende que na vida, existem coisas que amanhã nunca mais serão as mesmas.
Existem outras, que partem e nunca mais voltam.
Existem ainda outras, que mudam e deixam de te pertencer ou encantar.
Existem muitas outras, que deixam de ser aquilo que eram, para ser algo completamente diferente. E existem aquelas que parecem nunca mudar.
De qualquer forma, todas elas foram ou são invariavelmente parte da tua vida.
Umas e outras mudaram o teu percurso,, e levaram-te a fazer escolhas diferentes.
Não importa para onde te transportaram.
Não interessa porque o fizeram.
Aquilo que é importante reteres é que, fizeram-te tomar consciência do teu valor e da capacidade que tens de perceber, que já não é qualquer coisa que te satisfaz, e muito menos que te afecta.”

José Micard Teixeira

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Mudanças nos relacionamentos




Hoje li este maravilhoso artigo da Vera Luz!
Não posso deixar de partilhar...

"O assunto dos relacionamentos, a nível espiritual é complexo e fascinante, ou seja, faz-nos ver a mecânica dos relacionamentos de uma maneira completamente nova daquela a que estamos habituados.

Para entender melhor esta nova postura, temos que relembrar que somos espíritos em evolução habitando temporariamente um corpo e que a grande meta final é encontrar a harmonia e equilíbrio interior e recuperar o nosso brilho original. Ou seja pouco ou nada tem a ver com a presença ou não de alguém.

O outro, seja ele ou ela quem for, tem um papel sim, mas não aquele a que estamos habituados. O outro vem apenas servir de espelho para facetas ou partes de nós que ainda se encontram totalmente inconscientes, vêem fazer disparar em nós emoções que de outra maneira apenas ficariam abafadas e vêem também dar-nos a oportunidade maravilhosa de expressar aquilo que temos de melhor. Amor incondicional, tolerância, respeito, amizade, carinho, sinceridade, humildade e muitas muitas outras facetas maravilhosas do ser humano mas que infelizmente ainda estão longe de ser postas em prática nos dias que correm.

Acredito que a relação verdadeiramente amorosa e baseada em amor incondicional que nos é proposta, é a relação connosco próprios.

Só depois desta plenamente vivida, nos é aberta a porta da partilha com alguém que vem espelhar essa mesma vibração de amor próprio, de respeito, de harmonia interior que todos tanto procuramos. No entanto todos sabemos que são raros os casos de relacionamentos bonitos e harmoniosos e isso só demonstra o quanto ainda andamos perdidos e o quanto ainda precisamos aprender a amar, primeiro a nós e depois aos outros. Nada tenho contra o relacionamento amoroso com alguém, mas ele nunca terá sucesso se à partida PRECISARMOS dele.

Numa primeira fase, as carências, o vazio e as frustrações que carregamos dentro do nosso passado pessoal, fazem-nos acreditar que, algures, existe alguém que passamos a chamar de “cara-metade” ou de “alma-gémea” que, um dia, nos irá preencher e trazer-nos a felicidade que tanto procuramos. Tudo não é mais do que uma enorme ilusão, e que mais tarde ou mais cedo apenas irá dar lugar a uma, também enorme, desilusão.

Aliás, não existe desilusão, sem ilusão primeiro, e dessas, nós somos os únicos responsáveis por elas. Mais ainda, quando aprendermos a desenvolver primeiro dentro de nós, afinal o que tanto procuramos no outro, para assim atrairmos a energia semelhante, toda a mecânica dos relacionamentos mudará para sempre. E aí sim, o relacionamento com alguém será apenas uma livre escolha de ir partilhar com alguém o que temos de melhor. Nunca para ir buscar seja o que for.

Como disse Gandhi um dia “sê a mudança que queres ver no mundo” Como queremos ter parceiros perfeitos com todas as qualidades do mundo, os chamados príncipes e princesas, ou os chamados “cara-metade” ou “almas-gémeas”, quando nós próprios sabemos tão bem estarmos longe da perfeição ou pelo menos da harmonia interior ? como podemos exigir respeito, tempo, sensibilidade, carinho, ou seja lá qual for a lista que fizermos, se tudo isso ainda não conseguimos dar a nós próprios ou mesmo demonstrá-los aos outros ?

Mais uma vez, estamos ilusoriamente a buscar fora aquilo que ainda não nos demos a nós próprios, aquilo que ainda não somos.

A lei da atracção diz-nos que atraímos o que somos, o que temos dentro, o que emanamos. O ditado “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” nunca fez tanto sentido como nos dias que correm em que podemos facilmente observar esta mecânica. Claro que numa primeira fase, nos recusamos a aceitar ou a admitir que aquela pessoa que mais detestamos, mais nos irrita e que afinal mais julgamos, está na nossa vida apenas com a função de nos relembrar que “aquilo” que estamos a projectar nela, também existe dentro de nós. São as sombras negras dos nossos demónios escondidos e só depois de um processo espiritual iniciado e interiorizado, podemos começar a desenvolver a humildade que nos permite ver, o que durante tanto tempo, nos recusamos a ver. Pelo contrário, temos aquelas pessoas que nos provocam entusiasmo e admiração, são as nossas sombras brancas que nos vem lembrar potenciais escondidos ainda por resgatar.

Num mundo actual, onde as aparências são o mais importante, tudo fazemos para ter então uma aparência perfeita. Mostrar ou mesmo reconhecer os nossos demónios não é algo que façamos de animo leve. E no entanto é a única coisa que nos trará liberdade. Basta sairmos à rua e observar como são raras as expressões livres de amor, alegria, fragilidade, surpresa ou encantamento. Acabamos por nos acomodar a uma mascara que desenvolvemos para estar à altura das expectativas dos outros ou para sobressair numa sociedade competitiva, sem percebermos que dentro dela está também escondida a nossa Luz.

Identificamo-nos de tal maneira com essa mascara que passamos maior parte do tempo a engrossá-la mais ou a julgar as mascaras dos outros. E pior, aqueles que algures já iniciaram o seu processo de retirar esta mascara, de resgatar a sua verdadeira essência, e que nos mostram o bom e o bonito que é a expressão livre das emoções, são normalmente o primeiro alvo, visto estarem a espelhar o quão ridículas são as máscaras que insistimos em manter.

Mas reconhecer e deixar cair esta mascara, ou seja, o nosso Ego, é talvez um dos desafios mais antigos da Humanidade. Mas é realmente a moeda de troca que o Universo nos pede por uma vida livre, abundante e feliz.

No fundo, o processo é relativamente simples; reconhecer e sair da mascara arrogante e orgulhosa que nos faz acreditar que somos donos da verdade e da razão, desenvolver uma atitude de humildade e de tolerância para com os nossos erros e os dos outros, resgatar a sensibilidade e a fragilidade há muito perdidas aprendendo a demonstrar emoções livremente e a reconhecer que temos a responsabilidade de vir a ser aquilo em que tanto acreditamos e esperamos dos outros. Simples ? sim ... mas moroso.
Moroso, porque é um processo que envolve que assumamos responsabilidade por tudo o que nos acontece. E infelizmente ainda não interiorizamos bem essa ideia. Somos o produto final de todas as experiências e vidas acumuladas.
Somos também a oportunidade constante de mudança.

Carregamos nas nossas células 2000 anos de conceitos como culpa, julgamento e medo. Não vai ser de um dia para o outro que vamos viver conceitos novos como amor incondicional, responsabilidade, amor-próprio ou consciência. Mas só o saber que estamos no meio dessa transição, que cada um de nós é responsável por tornar essa transição mais rápida, é já por si maravilhoso.

Está nas nossas mãos, abandonar conceitos antigos que nos faziam girar em torno do outro, das suas vontades, caprichos, manipulações e desejos. Enquanto não houver mudança, somos ainda eternos parasitas energéticos e emocionais numa procura constante e inconsciente de alguém que nos preencha tal como o drogado procura a sua droga.

Novas regras de relacionamento irão surgir, superadas pelas antigas tão falhadas.

1o Relacionamento amoroso é antes de mais connosco próprios. Para isso é importante saber quem sou ? de onde venho ? o que estou cá a fazer ? e haver espaço para auto conhecimento através da Astrologia, meditação ou qualquer tipo de actividade que mantenha o foco no próprio.

2o Tomar consciência do que carregamos dentro de nós. O outro é apenas um espelho das nossas sombras. As sombras brancas mostram o nosso potencial, o que de melhor trazemos mas que ainda nem sabemos, a sombra negra o que em nós precisa de cura, transformação, perdão e amor e que maior parte das vezes é inconsciente. Conseguir observar as características das pessoas que atraímos para a nossa vida é tomar consciência de quem somos e só aí poderemos saber livremente o que escolhemos vir a ser.

3o Assumir responsabilidade por todos os eventos que nos acontecem como uma segunda oportunidade que a Vida nos está a dar para que lidemos com eles de maneiras mais amorosas e criativas.

4o Perceber que tristeza, solidão, medo, angustia, revolta são nossas e precisam de ser honradas e limpas e não escondidas ou disfarçadas. Por outro lado, a alegria, o entusiasmo, o deslumbramento, a gratidão e a tolerância, devem existir primeiro dentro de nós e não as exigirmos de ninguém.

5o Relacionamentos serão o palco aberto da interacção amorosa, da expressão livre de afecto, do reconhecimento que o outro é igual a nós, que tem os mesmos dramas, inseguranças, medos e sonhos, do respeito pela liberdade dele ser como é e pela nossa liberdade de estar junto enquanto nos sentirmos bem. Humilhações, maus tratos, perdas, serão sinal de desconexão espiritual do próprio e muita falta de auto estima e valor próprio. Não haverá lugar para vitimização.

6o Reconhecer que a Vida não colocou amarras em ninguém e que até o casamento é uma criação do homem. Quando sentimos que a nossa história com alguém terminou devemos assumir isso e deixar o espaço e tempo que ocupámos com esse alguém, o mais limpo possível. Saber retirar as lições dessa aprendizagem.

7o Palavras ou esquemas mentais que envolvem manipulação, exigência, culpa, critica, orgulho, julgamento irão ser trocadas actos ou gestos de paciência, tolerância, amor, incentivo, carinho, respeito.

8o Vivencias de rejeição, abandono, culpa, projecções, crítica, julgamento, solidão, humilhação, traição, obsessão, cobrança são sinal de que o outro ainda é mais importante do que nós próprios. Que viramos parasitas sem perceber. Que saímos do nosso trilho e estamos a viver o trilho do outro.

9o Fidelidade ? Sim, claro ! Mas primeiro a quem somos, ao que precisamos, aos nossos sonhos e principalmente a tudo o que nos faz pular o coração de alegria, entusiasmo e amor próprio. Fidelidade ao que e a quem nos faz sentir bem.

10o Liberdade, será uma palavra com novo significado. Um relacionamento será a partilha comum de dois seres que estão em pleno desenvolvimento da sua individualidade e da sua evolução espiritual. O outro será apenas alguém que nos acompanha, que nos incentiva a superar positivamente o que a Vida nos vai apresentando, que nos relembra a Luz que somos e que nos apoia nas escolhas que vamos fazendo a cada momento. A palavra companheiro/a será muito mais bonita do que marido ou esposa.

Estas regras são apenas alguns exemplos daquelas que acredito, irão fazer parte no futuro, de novas regras de conduta nos relacionamentos. Muitas mais haverá com certeza. E cada um adoptará para si próprio aquelas que mais lhe fizerem sentido e que mais paz lhe tragam a cada momento. Por enquanto, e enquanto ainda esperamos essa Nova Era Relacional, comecemos aos poucos a interiorizar as mudanças que terão que acontecer para que todos comecemos a viver Verdadeiras Relações de Amor.

Este é apenas um humilde contributo."

Vera Luz

.........à espera.


“Estou à espera, não sei bem do quê, mas estou à espera.
Não sei se é de uma pessoa, situação ou acontecimento.
A única coisa que sei é que não vou parar de esperar porque sei que está para chegar.
Não estou ansioso, até porque a ansiedade dá-me a impressão de que o tempo não passa.
Também não sinto medo porque aprendi a viver com aquilo que a vida me dá, não por submissão, mas por acolhimento.
Às vezes, fico triste, mas não zangado, porque só ficaria zangado se achasse que tinha direito a algo e não o recebesse.
No entanto, acalmo-me com a certeza de que só tenho direito ao que me é destinado.
Também sei que o que é para mim é grandioso porque faz parte da minha história, e a minha história é grande, tal como a tua e a de todos, porque é aquela que nos foi atribuída.
Por isso, estou tranquilo e espero sem qualquer tipo de culpa aquilo que está para aparecer.
Não sei o que é, nem quando virá, mas sei que quando chegar vou agradecer por ter chegado.”

José Micard Teixeira

Arctic Monkeys - Do I Wanna Know? - Live In The Red Bull Sound Space At ...

Aceitar o sofrimento


"No meio do sofrimento consciente existe já a transmutação. O fogo do sofrimento transforma-se na luz da consciência. O ego diz: "Eu não deveria ter que sofrer", e esse pensamento aumenta nossa dor. Ele é uma distorção da verdade, que é sempre paradoxal. A verdade é que, antes de sermos capazes de transcender o sofrimento, precisamos aceitá-lo conscientemente."
(...)
"Quando você sabe quem realmente é, tem uma enorme e intensa sensação de paz.

Essa sensação poderia ser chamada de alegria, porque alegria é isso: uma vibrante e intensa paz. É a alegria de saber que seu ser é a própria essência da vida, antes da vida assumir uma forma. É a alegria de Ser - de ser quem você realmente é"."Quando diz "sim" para as situações da vida e aceita o momento presente como ele é, sente uma profunda paz interior"."Qualquer coisa que você aceite plenamente vai levá-lo à paz, o que inclui a aceitação daquilo que você não consegue aceitar, daquilo a que você está resistindo".

"A maioria dos relacionamentos humanos se restringe à troca de palavras - o reino do pensamento. É fundamental trazer um pouco de silêncio e calma sobretudo aos seus relacionamentos íntimos".

"Será que o sofrimento é realmente necessário? Sim e não. Se você não tivesse sofrido o que sofreu, não teria profundidade como ser humano, não teria humildade nem compaixão. O sofrimento rompe a casca do ego - do "eu" autocentrado - e promove uma abertura até atingir um ponto em que cumpriu sua função.

O sofrimento é necessário, até que você se dê conta de que ele é desnecessário". 


Eckart Tolle



"EVITAR O SOFRIMENTO, É CORRER O RISCO DE SE PERDER EM ABSTRACÇÕES,
QUE NADA TÊM A VER COM A REALIDADE HUMANA."

e. m. Cioran

Não Calar!


"Há uma regra fundamental quando se vive como nós estamos a viver – em sociedade, porque somos uns animais gregários – que é simplesmente, não calar.
Não calar!
Que isso possa custar, em comunidades várias, a perda de emprego ou más interpretações, já o sabemos, mas também não estamos aqui para agradar a toda a gente.
Primeiro, porque é impossível, e segundo, porque se a consciência nos diz que o caminho é este então, sigamo-lo e quanto às consequências logo veremos."

José Saramago 
in, "Uma Longa Viagem com José Saramago"


Estranho mundo, que não quer que as pessoas chorem.
Porquê?
Que será esta obstrução às coisas mais fundas da Humanidade?
É medonho o Mundo.
Há um "nazismo" visceral, que ficou e não mais se foi.
E eu sei, eu sinto, que não tarda que ele se faça sentir com botas bem "cardadas".
Enquanto isso, irei na contra-mão, atrapalhando o Tráfego.
Nós não precisamos mais de políticos.
Esse tempo acabou.
Precisamos de inteligência, de pessoas e de bom senso.
Precisamos que a Loucura estanque, e deixe de ser regra.
Eu agora, só acredito em Milagres.
Fui sempre avessa à razão, aos interesses, aos poderes, e, no entanto, consegui.
Nada.
Porque nunca ninguém consegue nada.
Mas consegui ser.
O Nada de mim.
Inteira e Livre!!!!!

Desconhecido

a verdade, ou a sinceridade de cada pessoa


"A serenidade é o fruto da independência.
Cria em ti esta independência, que não é indiferença, mas neutralidade face às impressões recebidas do exterior: bonito e feio, bom e mau, alegre ou triste, agradável ou penível...
Uma coisa é discernir as qualidades, outra é deixá-las afectar a nossa disposição."

In, « L’OUVERTURE DU CHEMIN »
ISHA s. DE LUBCZ



Eu prefiro ter os pés na terra, a construir castelos nas nuvens...
E esta é a minha escolha...

"Sirens" (Official Music Video) - Pearl Jam



"Sirens", the second single off of Pearl Jam's forthcoming album, Lightning Bolt.
FINALMENTE DE VOLTA!!!!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

You just gotta find the ones worth suffering for!



If she's amazing, she won't be easy. 
If she's easy, she won't be amazing. 
If she's worth it, you won't give up. 
If you give up, you're not worthy... 
Truth is, everybody is going to hurt you; 
you just gotta find the ones worth suffering for. 

Brian Sirgutz


Ah, the sweet dance of soul mates...
The closer I draw toward you, the more I become myself.