quarta-feira, 19 de julho de 2023

O Rouxinol

 





“Neste épico passado na França da Segunda Guerra, duas irmãs se afastam por discordarem sobre a ameaça de ocupação nazista. Com temperamentos e princípios divergentes, cada uma delas precisa encontrar o próprio caminho e enfrentar questões morais e escolhas de vida ou morte.” 
Christina Baker Kline


SINOPSE
França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. 
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.




"Se há uma coisa que aprendi nessa minha longa vida foi o seguinte: 
no amor, nós descobrimos quem desejamos ser; 
na guerra, descobrimos quem somos."




Vianna Mauriac despede-se do marido Antoine que está a ir para a guerra. Ela não acredita que os nazistas irão invadir o país e nem que irão dominá-lo, mas logo depois da partida do marido os soldados começam a chegar, assim como os camiões, tanques e aviões, a disparar bombas.
Quando a França já está totalmente ocupada por Hitler, ela vê-se obrigada a conviver com o inimigo: um soldado nazista  requisita a casa dela para se aquartelar lá, e passa a viver em sua casa junto com ela e sua filha, e ela será obrigada a aceitá-lo e a colaborar com as informações que lhe são exigidas. Caso isso não aconteça, ela sabe que a morte é apenas o começo.

Quando pensamos na guerra geralmente lembramos das mortes dos soldados, do sofrimento dos judeus nos campos de concentração, ou na destruição causada nas cidades pelos incontáveis bombardeios inimigos (e aqui também tem um pouco de tudo isso), mas, através de Vianna entramos dentro do dia-a-dia da guerra, caminhando ao lado dela que, de um dia para o outro passou a conviver com a incerteza do pão na sua mesa, simplesmente porque os alimentos foram acabando e para ter acesso ao pouco que restava no mercado precisava levantar-se antes do sol nascer e encarar as longas filas; que tinha que pensar no que ia falar ou em como ia agir para não correr o risco de ser julgado, denunciado e morto, ou que, de repente, se via obrigado a dividir a mesa e o teto com o inimigo.

“Não sei mais qual é a coisa certa a fazer. Quero proteger e manter Sophie segura, mas de que adianta a segurança para crescer num mundo onde as pessoas desaparecem sem deixar vestígios por rezarem a um Deus diferente?”





De outro lado temos a sua irmã, Isabelle, uma rapariga rebelde, arisca, impetuosa, cheia de questionamentos e que vive com uma enorme paixão. Está sempre pronta para lutar e enfrentar os inimigos. Para ela, conviver com o inimigo não é uma solução. Quando ela conhece um guerrilheiro, apaixona-se e decide entrar para a Resistência.

"Naquele beijo, alguma coisa nasceu em seu coração magoado e vazio e desabrochou. Pela primeira vez, os romances de amor que lera fizeram sentido. Isabelle percebeu que a paisagem da alma de uma mulher podia mudar tão rapidamente quanto um mundo em guerra." 

Ela, e o guerrilheiro por quem se apaixonou e mais um grupo de pessoas, irão ajudar todos aqueles que necessitam de ajuda na Guerra, principalmente aviadores dos países aliados que estão a lutar para que essa tragédia tenha fim.

"Tu és o meu raio de luz na escuridão, o chão sob os meus pés. Vou sobreviver por ti. Espero que também possa dar-te força a ti. Que consigas te sentir mais forte por minha causa." 




O livro mostra-nos a Segunda Guerra Mundial na França sob um ponto de vista de duas mulheres de personalidades muito diferentes – as irmãs Vianna Mauriac e Isabelle Rossignol. Após perder a mãe ainda muito jovens, as meninas se veem sozinhas, abandonadas pelo pai que, além de não saber lidar com o luto pela perda da esposa, ainda convive com os traumas deixados pela Primeira Grande Guerra em sua vida. 

As duas irmãs representam as milhares de mulheres que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial e resistiram, à sua maneira, aos horrores a elas impostos, e que nem sempre são devidamente lembradas, suprimidas pelos heróis condecorados que lutaram nas batalhas – e merecem todo o reconhecimento por isso.

O pai delas lutou durante a Primeira Guerra Mundial e, desde que voltou nunca mais foi o mesmo e, depois da morte da esposa, abandonou as filhas aos cuidados de uma estranha.
Vianne não se dava bem com a irmã mais nova, Isabelle, e logo tratou de se livrar da responsabilidade, também. Casou, engravidou e foi viver a vida com a sua nova família. 
Isabelle, por sua vez, passou por colégios e conventos, sempre sendo expulsa de todos por sua falta de modos e desobediência. Desta última vez, foi para a casa do pai, em Paris, para tentar uma vida nova. 
Até que a Segunda Guerra começa…

Mas não foram só as situações da vida ou a diferença de idade que as separaram: as duas eram pólos completamente diferentes. Uma pedia constância e calma, a outra queria velocidade e mudança. Por isso, quando a Segunda Guerra Mundial estourou e a França foi invadida e sediada pelos alemães, Isabelle e Viviane encararam o momento mais importante da vida delas, que não traçava só o futuro do mundo, como também definia quem elas eram para si mesmas e uma para a outra. 

Separadas por todas essas circunstâncias e ideais diferentes, cada uma terá que enfrentar a sua luta e as consequências de suas escolhas. Apenas o final da Guerra dirá qual foi o preço que cada uma teve que pagar para sobreviver.



Logo no começo da guerra a França foi dominada pelos alemães. 
O governo divulgou a dominação como uma aliança, mas com o passar dos anos os franceses viram seus homens partirem para a guerra, seus recursos naturais serem esgotados, suas casas serem invadidas, seus bens serem saqueados, e suas mulheres e crianças morrerem de fome ou serem abusadas das piores formas possíveis. 
E as duas irmãs desta história passaram por tudo isso: roubo, separação, invasão, abuso, fome, perdas. 

Vianne, dona de uma propriedade grande e com uma bela horta, vê seu marido partir, sua casa ser saqueada e dominada por um alemão que vai “morar” com ela, sua filha crescer com fome e dor, e é diariamente estuprada por um nazi alemão aquartelado na sua casa contra sua vontade. 
Isabelle não aceita o abuso da Alemanha e junta-se ao partido comunista, mergulhando em perigosas missões para enfraquecer o governo alemão. 
Sendo assim, Vianne e Isabelle – cada uma à sua maneira – precisarão aprender a lutar contra a guerra, a não desistir de ter fé, e a restaurar o laço fraterno que as une. Perda, luta, amor e perdão… Elas vão passar 5 anos numa guerra e vão experimentar formas dolorosas de amadurecer e vencer as dificuldades da vida.


  • Quantas pessoas precisaram dar abrigo ao inimigo para sobreviver? 
  • Quantos judeus foram mortos? 
  • Quantas pessoas foram para a Guerra e não tiveram a hipótese de se despedir de suas famílias? 
  • Quantas pessoas tentaram ser a resistência e não sobreviveram? 
  • Quantas pessoas perderam alguém que amavam?


Isabelle vai para o lado da Resistência, enquanto Vianne convive com inimigo. 
Cada uma teve que ser forte à sua maneira para sobreviver. 
Enquanto uma enganava os nazistas para proteger pessoas inocentes, a outra tinha que ajudar o inimigo  para não morrer.

Vianne começa no início do livro como uma mulher temerosa e reclusa, capaz de tudo – até de fingir acreditar que eles são bons – para não irritar os alemães. Ela é pacata, devota e esperançosa, mas com o passar dos anos vai mostrando toda a sua força. Ela luta pelos que ama e amadurece a cada pequena queda ou vitória. 
Através dela vemos como foi doloroso para muitas mulheres o fato de ter que deixar o marido partir, terem que cuidar sozinhas dos filhos, ter que enfrentar filas longas de racionamento de comida (para voltar para casa com nada mais do que restos), e ter que aguentar os olhares de cobiça de homens fardados desrespeitosos. 

Isabelle  surpreende do início ao fim. Ela é forte, determinada, rebelde, inteligente e, num período em que as mulheres não eram notadas, fez de tudo para provar o seu valor. Isabelle salva vidas colocando sua vida em risco, e isso é extremamente inspirador. A força que ela teve para enfrentar o controle alemão e no quanto sofreu por causa disso. Tem uma personalidade inconstante e muitas vezes imatura, que faz de tudo – sem pensar nas consequências – para provar que é mais do que um rostinho bonito. 

"Agora sei o que é importante, e não é o que eu perdi. São as minhas lembranças. Feridas cicatrizam. O amor perdura."


Andrée de Jongh, foi uma mulher que fez parte da Resistência Belga durante a Segunda Guerra Mundial e ajudou mais de 800 aviadores dos Aliados. Conhecida internamente como Dédée, resgatou esses soldados e cuidou deles. Com a ajuda da família e de outros membros da Resistência, ela conseguiu roupas e documentos falsos para todos para, em seguida, atravessar uma rota de fuga de 1.600 quilómetros através da Bélgica e da França ocupadas, passando pelos Pirinéus na escuridão da noite, até à Espanha. 
Em 1943, foi presa e torturada pela Gestapo, e transferida para um campo de concentração nazista, mas conseguiu sobreviver.

Foi nessa mulher extraordinária que Kristin se inspirou para contar a história de uma das personagens principais deste livro, a Isabelle. 

Começamos o livro em 1995, com a narração de uma viúva que acabou de ser diagnosticada novamente com câncro e está a mudar-se para uma Casa de Repouso a pedido do filho. 
Apesar da narração ser na primeira pessoa, não há nenhuma menção ao nome da personagem. Temos, então, um alívio e um mistério a ser desvendado: pelo menos uma das irmãs está viva, mas qual está a contar a história? 
São poucas as vezes que voltamos ao momento atual em 1995, mas, sempre que isso acontece, uma nova pista sobre a narradora é lançada.


“Os homens contam histórias, as mulheres seguem em frente com essas histórias. Para nós foi uma guerra nas sombras. Ninguém organizou desfiles para nós quando a guerra acabou, não nos deram medalhas nem nos mencionaram nos livros de história. Fizemos o que precisávamos fazer durante a guerra, e quando tudo acabou nós recolhemos os cacos para começar a vida de novo.”




A Meias




 




Bebo o meu café enquanto bebes 
do meu café. Intriga-me que faças isso. 
Se te posso pedir um 
(se podes tomar um igual) 
porque hás-de querer do meu? 
Que 
não. Que não queres. Escuso 
de pedir 
que não queres. Então 
começo um cigarro e tu fumas 
do meu cigarro dizes 
"tenho quase a certeza de 
não acabar um sozinha" por isso 
fumas do meu. 
Dá-te gozo esse roubar de 
leves goles furtivos 
dá gozo participar 
do prazer que eu possa ter 
contigo 
(e entre nós) 
dá-se agora tudo 
a meias. 


João Luís Barreto Guimarães
in, Poesia Reunida



Ovelha Branca vs Ovelha Negra - Quem és tu?

 

Macroworlds por Pixabay





Todas as pessoas têm necessidade 
de pertencer a um grupo: 
amigos, família, trabalho, 
amar os outros e ser amados, 
o que conhecemos como 
necessidade de pertencimento. 
Pertencer é uma forma de garantirmos 
segurança, proteção, aceitação, amor, 
principalmente quando 
nos adaptamos e aceitamos 
as regras e a hierarquia do grupo. 




Pertencer não é só um estado natural onde vivemos logo desde a infância. 
Pertencer remonta aos tempos tribais, às vidas em que vivemos em tribo e onde estar fora ou ser excluído era estar desprotegido, à mercê de perigos e elementos, ou seja, era quase uma sentença de morte.

Bert Hellinger, no seu trabalho, reforçou mesmo a Lei do Pertencimento como uma das três leis essenciais no processo de cura do indivíduo, tanto na relação de cura com os ancestrais e família, como para a sua necessidade de seguir o seu rumo leve e livre.

Por exemplo, 
quem tem muitas dependências e uma exagerada relação com o grupo da família, acaba por imitar e adoptar um estilo de vida, forma de pensar e viver, que em tudo reflete a necessidade de pertencer e ser aceite pela família, mesmo que crie problemas a nível profissional, pessoal ou relacional.
Ou seja, o critério para as escolhas pessoais vai estar sempre condicionado pelas expectativas dos outros, suas ideias, crenças, religião, moral, comportamentos do grupo pois arriscar ser diferente vai por em risco também a necessidade de pertencer.

O mesmo pode acontecer dentro do grupo de uma empresa quando o grande objetivo de vida é o sucesso profissional, levando-nos a imitar e adoptar os estilos de vida, roupa, comunicação, hábitos, vícios, etc do patrão e dos colegas em busca da pertença e aceitação. 

O mesmo sentimos quase todos na desafiante adolescência quando pertencer ao grupo de amigos é mais importante do que a própria família ou até o próprio futuro profissional.


Mas o que acontece 
quando a vida nos lembra que não estamos cá para nos escondermos em grupo nenhum? 

  • Que é bom sentir a pertença no grupo mas, não cresceremos se não aprendermos a caminhar sozinhos? 
  • Como lidar com as emoções da rejeição, do julgamento, da solidão e abandono quando a vida nos tenta separar do grupo e lembrar que temos um caminho pessoal a cumprir? 
  • Ou, o que fazer quando não nos identificamos com grupo nenhum, incluindo o grupo da própria família?

A resposta leva-nos à metáfora da Ovelha Branca e da sua vida no rebanho onde pertence, é protegida, é aceite, é acolhida mas paga o preço da sua liberdade, da consciência de si mesma e de percorrer o seu próprio caminho. Um dia ela sente que esse preço é alto demais, que não aguenta mais viver sem sentido, que não quer mais seguir o rebanho, que tem uma imensa vontade de seguir o seu caminho e aceitar nascer como Ovelha Negra. 
No entanto, também a Ovelha Negra viverá a sua dualidade: vai perder a segurança, a pertença, a proteção, mas ganhará a liberdade, a consciência da sua essência, viver a vida com propósito. 


Claro que não há a viagem ou escolha certa ou errada. 
Todos temos dentro de nós a vontade de segurança da Ovelha Branca e, o anseio pela liberdade da Ovelha Negra. 

A questão pertinente está na consciência com que vivemos e, na flexibilidade com que nos ajustamos a cada momento: 
se o momento nos convida à integração com o grupo, às aprendizagens que temos com ele, ao factor “espelho” que ele nos permite  quando aprendemos a nos rever no holograma que é a vida e pessoas à nossa volta ou, 
se o momento convida à rotura do que se tornou tóxico, à libertação do que já não devolve Vida ou crescimento, ao desapego de quem nos serviu de muleta mas que hoje nos condiciona a caminhar sozinhos.

A ideia é permitir que ambas tenham um lugar dentro de nós. 
Que sejam reconhecidas as enormes e diferentes necessidades de cada uma e, termos em nós o poder de decidir, qual das expressões se ajusta melhor a cada momento.

Joseph Murphy apresentou-nos a sua visão sobre esta viagem interna do ser humano na “Jornada do Herói”.

Não é raro observar que os grandes desajustes ou desconfortos tenham a sua origem precisamente na inconsciência desta polaridade. 
Ou seja, vejo pessoas presas a outras, a viver a inconsciência total de si mesmas em prol de um qualquer rebanho, que esqueceram  dentro de si a Ovelha Negra, ou seja, a sua enorme necessidade de liberdade e de criação de uma vida que lhes faça sentido. 

 
A proposta é 
recuperar e tornar saudável 
esta estrutura interna, 
este poder de decidir a cada momento, 
esta paz e fé de saber que 
tudo flui como tem que fluir, 
esta aceitação de que 
tanto a experiência da 
integração e harmonia com o outro 
como a libertação e harmonia pessoal, 
fazem parte da viagem da vida. 


  • Deixo-te assim o convite para observares onde na tua vida tendes a ser Ovelha Branca, a cooperar, a entrar em empatia com o outro, a necessitar de aprovação e como te sentes quando o fazes e que preços pagas por fazeres isso?
  • Observa também onde na tua vida tendes a ser Ovelha Negra, a precisar de espaço e liberdade, a querer fazer as coisas à tua maneira, a não considerar a opinião do outro, como te sentes e que preços pagas por fazeres isso?



Vera Luz



sábado, 8 de julho de 2023

Protest

 

John Vink



To sin by silence, when we should protest, 
Makes cowards out of men. The human race 
Has climbed on protest. Had no voice been raised 
Against injustice, ignorance, and lust, 
The inquisition yet would serve the law, 
And guillotines decide our least disputes. 
The few who dare, must speak and speak again 
To right the wrongs of many. Speech, thank God, 
No vested power in this great day and land 
Can gag or throttle. Press and voice may cry 
Loud disapproval of existing ills; 
May criticise oppression and condemn 
The lawlessness of wealth-protecting laws 
That let the children and childbearers toil 
To purchase ease for idle millionaires. 

Therefore I do protest against the boast 
Of independence in this mighty land. 
Call no chain strong, which holds one rusted link. 
Call no land free, that holds one fettered slave. 
Until the manacled slim wrists of babes 
Are loosed to toss in childish sport and glee, 
Until the mother bears no burden, save 
The precious one beneath her heart, until 
God’s soil is rescued from the clutch of greed 
And given back to labor, let no man 
Call this the land of freedom. 


Ella Wheeler Wilcox



How to Overcome Your Obsession with Helping Others



TAI WOODVILLE



 

 If you have ever wondered whether your genuine enjoyment of helping others teeters on over-indulgence, there a few things you can to do overcome agency addiction, or avoid it altogether. 
First, ask yourself a few questions: 
  • When you’re not helping others, do you feel anxious or aimless?   
  • Do you feel defensive or dismissive when you learn that the people you helped have found another’s advice helpful, or that they didn’t consult you on a problem? 
  • Do you often imagine helping others with life-changing advice? 
Answering yes to a few of the above doesn’t necessarily confirm you over-help, but it could indicate that it is something you should watch out for. 
Next, commit to being an equal partner, and not a savior. A telling sign of over-helping is when you find yourself doing more to help others than they do for themselves. You can also avoid dependency by measuring improvement. The greatness of the helper can be measured by their ability to help someone grow to a point of no longer needing them.


There has arguably never been a better time for employees seeking professional guidance. With the rapid increase of coaches, consultants, and advisors in the workplace, as well as the popular, and growing, trend of “the leader as a coach,” getting access to help (for most) is no longer challenging. Those who work with coaches are often viewed as admirable, and leaders who bear the title themselves do so like a badge of honor — despite the fact that, just a few years ago, even asking for help was considered weak.

There are many benefits to this unfolding shift in organizational culture. Most notably, it will allow people to admit limitations without fear, and make learning both safe and expected. But could having so much help also have a dark side?

Recently, I overheard someone exclaim, “I’m just a coaching addict! I love watching people have breakthroughs.” It turns out, this sentiment is not a unique one. Despite our many good intentions, it is indeed possible for coaches and leaders to over-help those seeking advice. In his book, The Advice Trap, author Michael Bungay Stanier explores our inherent obsession with giving advice. He says, “As soon as someone starts talking, our Advice Monster looms out of our subconscious, rubbing its hands and declaring, ‘I’m about to add some value to this conversation!’ The dangerous core belief underneath our Advice Monster is, ‘You’re better than the other person.’”

Behavioral experts agree that “helping” does indeed have the potential to become an addiction. When we help others, our brains emit three chemicals, often referred to as 
the happiness trifecta:

  • Serotonin (produces intense feelings of wellbeing)
  • Dopamine (intensifies motivation)
  • Oxytocin (increases a sense of connection to others)

The “feel good” outcome of this combination naturally makes us want to repeat it. But when our need to help becomes so insatiable that our sense of purpose is tied directly to others, specifically, them needing our guidance, it is no longer other people that we are helping. It is ourselves.

Psychologists refer to this particular problem as agency addiction, or The White Knight Syndrome. It is defined as a need to rescue others through helping — with our advice, coaching, or ideas — in order to bolster our feelings of self-importance. Whereas those with a healthy sense of agency are just as gratified by helping others succeed as they are seeing them succeed on their own.

This phenomenon could perhaps be a consequence of working in a knowledge economy. This kind of ever-changing, highly innovative environment can intensify our need to feel useful. For many employees today, contribution is measured in adopted ideas, insightful analyses, or answers to hard questions. What we produce is inseparably tied to who we are. At one firm I consulted with, this was true to a precarious extent. A partner at the firm was so bright, generous, and willing to help anyone that his colleagues referred to him as “the answer ATM.” His motto was, “You’re only as good as your last idea.” Privately, however, he suffered with depression and anxiety, unable to separate his sense of value from the help he offered those around him.

If you have ever wondered whether your genuine enjoyment of helping others teeters on over-indulgence, there a few things you can to do overcome agency addiction, or avoid it altogether.

Monitor your internal narratives
The best way to test whether or not you have an inclination to over-help is to turn inward and take a hard look at your own mind. Ask yourself these questions and answer them honestly:

  1. When I’m not helping others, do I feel anxious or aimless?
  2. Do I offer others unsolicited advice, even in casual social settings, under the guise of “just trying to be helpful?”
  3. Do I feel defensive or dismissive when I learn that the people I helped have found another’s advice helpful, or that they didn’t consult me on a problem?
  4. Do I imagine helping others with life-changing advice, visualizing how my help could be vital to their success?
  5. Do I feel insecure when someone I help questions or doesn’t take my advice?
  6. Do I fish for praise after giving advice, or need the other person to acknowledge that I was helpful?
  7. Do I feel taken advantage of, like I’ve made a sacrifice, after a stressful period of helping?
Answering yes to a few of the above doesn’t necessarily confirm you over-help, but it could indicate that it is something you should watch out for. If you answered yes to all of the above, or feel concerned about this topic, you may need to consider doing some deeper work to identify where and how you might have fused your sense of identity with giving others help in the first place.

Commit to being an equal partner, and not a savior
The greatest helpers set clear expectations from the outset. One of the first boundaries I set with clients is, “I will never care about your success more than you do.” A telling sign of over-helping is when you find yourself doing more to help others than they do for themselves. If a coach or leader routinely reminds clients or direct-reports of commitments they’ve made, accepts excuses when those commitments are missed, and even steps in to do some of the work for them, then the partnership is not equal. And if that coach or leader finds the superlative expressions of gratitude privately satiating (“I can’t thank you enough — you really saved me!”), their inner white knight has been activated. To be a great helper, you must be willing to let those you help suffer the consequences of their own choices when they fall short. Adhering to clear, mutual accountabilities makes success a shared outcome.

Avoid dependency by measuring improvement
The consulting and coaching professions have been appropriately criticized for having economic models that incent extending revenue streams after clients no longer need them. Similarly, leaders often feel insecure about the talents of those they lead surpassing them. But the fundamental reason behind any coaching relationship is to help the other person realize improvement. The greatness of a coach can be measured by their ability to help someone grow to a point of no longer needing them. Similarly, the greatness of a leader can be measured by their willingness to let others outshine them. Cultivating dependency only makes the other person weaker, even if it temporarily makes you feel powerful.

To avoid this, helpers should measure progress against defined objectives for improvement. For example, if a coach is working with a leader to improve their ability to delegate, they should track progress on delegation opportunities to ensure they don’t rehash old ground. While it’s reasonable for new needs or opportunities for help to arise, continuing to be “needed” for the same issue for too long is a clear sign that the lack of progress has become what is gratifying to both the helper and the one being helped (it’s often safer to stay helpless and keep relying on the helper to be rescued).

Apply the right amount of pressure
One of the common complaints leaders share with me is, “My coach didn’t really push me that hard. We just talked during our sessions, but I didn’t feel challenged.” Many in advisory professions fear putting their relationships at risk by being “too honest” about issues that must be addressed. Likewise, many leaders avoid giving hard feedback to dodge conflict. I’ve heard coaches and consultants justify pulling their punches with statements like, “I’m not sure they’re ready to hear that.” I’ve heard leaders avoid addressing underperformance with, “Let’s give them one more quarter to turn this around.” While it’s prudent to thoughtfully prepare leaders to hear tough news, it’s equally important to be honest about whose interest you are serving by delaying it. A coach or consultant’s greatest value to a client is their ability to see and offer the unvarnished truth, no matter how difficult it is to hear. Followers trust leaders that deliver hard messages in respectful, caring ways.

On the other end of the spectrum, I’ve seen bullying coaches and leaders whose bluntness borders on abusive, leading to the loss of confidence and commitment on the part of those being helped. They speak in condescending dogma and bark declarations. Both avoidant and bully helpers reach the same outcome — keeping those they help in need of them. To become great, leaders and coaches must learn to determine the right degree of pressure to apply — it should be enough to sustain confidence and commitment while making tangible progress.

Contributing to others’ success is a sacrosanct privilege. “First, do no harm” applies as much to us as it does to physicians. It’s a wonderful feeling to know others rely on our help. But when our desire for impact contorts into a need to be indispensable and pivotal to others’ achievement, we’ve started our decent to the very insignificance we fear. Because when those we help figure out we are serving our egos instead of them, they back away. In a world where who we are and what we do have become so closely connected, it’s especially critical for helpers to keep a healthy separation between them. Great help is what you give, it’s not who you are.



Ron Carucci




domingo, 25 de junho de 2023

Noutros Lugares

 

Vika Lowa







Não é que ser possível ser feliz acabe,
quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
Ou que não mais saibamos repetir o gesto
que mais prazer nos dá, ou que daria
a outrem um prazer irresistível. Não:
o tempo nos afina e nos apura:
faríamos o gesto com infinda ciência.
Não é que passem as pessoas, quando
o nosso pouco é feito da passagem delas.
Nem é também que ao jovem seja dado
o que aos mais velhos se recusa. Não.

É que os lugares acabam. Ou ainda antes
de serem destruídos, as pessoas somem,
e não mais voltam onde parecia
que elas ou outras voltariam para sempre
por toda a eternidade. Mas não voltam,
desviadas por razões ou por razão nenhuma.

É que as maneiras, modos, circunstâncias
mudam. Desertas ficam praias que brilhavam
não de água ou sol mas solta juventude.
As ruas rasgam casas onde leitos
já frios e lavados não rangiam mais.
E portas encostadas só se abrem sobre
a treva que nenhuma sombra aquece.

O modo como tínhamos ou víamos,
e que com tempo o gesto sempre o mesmo
faríamos com ciência refinada e sábia
(o mesmo gesto que seria útil,
se o modo e a circunstância persistissem),
tornou-se sem sentido e sem lugar.

Os outros passam, tocam-se, separam-se,
exactamente como dantes. Mas
aonde e como? Aonde e como? Quando?
Em que praias, que ruas, casas, e quais leitos,
a que horas do dia ou da noite, não sei.
Apenas sei que as circunstâncias mudam
e que os lugares acabam. E que a gente
não volta ou não repete, e sem razão, o que
só por acaso era a razão dos outros.

Se do que vi ou tive uma saudade sinto,
feita de raiva e do vazio gélido,
não é saudade, não. Mas muito apenas
o horror de não saber como se sabe agora
o mesmo que aprendi. E a solidão
de tudo ser igual doutra maneira.
E o medo de que a vida seja isto:
um hábito quebrado que se não reata,
senão noutros lugares que não conheço.


Jorge de Sena



5 Ordens da Ajuda

 





Saiba como ajudar os outros 
de maneira efetiva 
com respeito, ordem e equilíbrio.





5 ORDENS DA AJUDA:
  1. Equilíbrio
  2. Limites e humildade
  3. Maturidade
  4. Olhar sistêmico
  5. Honra e respeito



Equilíbrio

A primeira das ordens de ajuda trabalha diretamente o equilíbrio na hora de dar. É preciso que se entregue apenas aquilo que carregamos por hora. Dessa forma, devemos pegar o suficiente e sempre entregar o que podemos.

Precisamos conhecer nossos limites e, ainda que tenhamos boas intenções, é preciso nos afastar. 
Caso contrário, as seguintes atitudes podem ocorrer:
  • Querer doar mais do que é possível dar
Como dito acima, a sua intenção pode ser muito nobre, mas há limite para tudo. Existem circunstâncias onde deixamos de fazer algo por nós para fazermos pelo outro. Mesmo que pareça egoísmo, devemos focar primeiramente em nós, reunirmos recursos e só então ajudarmos os outros.
  • Criar expectativas não correspondidas
Ninguém é obrigado a atender as exigências que fazemos ou guardamos dentro de nós. Expectativas servem apenas para construir uma imagem idealizada que aproxima alguém da perfeição. Infelizmente, quando isso não é respeitado, a frustração se torna real.


Respeitando a primeira ordem da ajuda, só dou aquilo que eu tenho e tomo apenas o que necessito.

Se exijo de outro algo o que ele não tem para oferecer, isto causa uma desordem na relação, da mesma forma se quero dar algo que eu não tenho.

Em uma relação de ajuda equilibrada eu respeito os limites do dar e tomar, percebendo as responsabilidades e as possibilidades de cada um.

Tomar para si apenas o necessário e dar apenas aquilo que se tem. O equilíbrio é a chave tanto para quem doa quanto para quem recebe. Por isso, o caminho do meio nesta relação de assistência, não é ter nem demais e nem de menos. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Desejar doar aquilo que não possui.
  • Desejar mais do que aquilo que necessita.
  • Ter expectativas e fazer exigências que o outro não pode atender.
  • Desatribuir a pessoa de responsabilidades que são apenas dela.
Estamos a falar de humildade para compreender os próprios limites e, inclusive, para recuar em determinados momentos quando o auxílio pode se configurar em algo danoso a si e ao outro. Esta ajuda humilde traz uma consciência maior sobre até onde podemos ir e nos empele a tomarmos decisões que mais adiante podem evitar conflitos entre ajudador e ajudado.


Limites e humildade

A segunda ordem da ajuda nos ensina que ao ajudar me submeto às circunstâncias externas e internas e somente interfiro e apoio à medida que elas me permitem. Simplificando, só ajudo a quem me permite.

Cada pessoa tem a sua própria história, valores, sonhos, enfim, a sua bagagem. Ao me dispor a ajudar outra pessoa, preciso respeitar toda a conjuntura da situação, entendendo que o destino e as escolhas do outro são distintos dos meus.

Preciso considerar isso, evitando assim impor as minhas vontades e necessidades à vida de outrem.

Saber compreender o contexto da situação é a chave para reconhecer seus próprios limites e também para ter a humildade de não avançá-los ainda que seu ego deseje isso. Ao reconhecer as circunstâncias e analisar com clareza suas possibilidades de ação, o ajudador, mesmo que discretamente, pode fazer o seu melhor apenas com os recursos que dispõe e nada mais. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Ignorar ou mesmo ocultar a natureza real das circunstâncias.
  • Insistir em ajudar e acabar prejudicado tanto o auxiliado como a si.
Portanto, é preciso compreender quando é hora de agir ou de se retirar e, aceitar com humildade e sabedoria que a vida possui seus próprios desígnios. 
Ir contra isso é uma grande perda de tempo.

A segunda das ordens da ajuda fala a respeito do poder de compreender o contexto de uma situação. 
De acordo com ela, seu uso correto nos faz conhecer nossos limites e alimentar a humildade de não ultrapassá-los. Fazer uma análise do momento e entregar apenas aquilo que carrega, sem recorrer a recursos que não tem.
Fugindo disso, corremos o risco de esconder ou ignorar a realidade. Sem contar que a insistência prejudica não só o outro, mas a você também. Portanto, entenda o momento de agir e não fazer nada, sendo humilde nas suas próprias escolhas. Essa sabedoria não vai desperdiçar o seu tempo e energia.


Maturidade

A terceira Ordem da Ajuda, trata de colocar cada um em seu lugar, uma vez que em nosso lugar somos mais fortes. De acordo com essa ordem, eu ajudo de igual para igual. Ajudo do meu lugar e reconheço o outro no lugar dele.

Isso evita, por exemplo, nos colocarmos no lugar dos pais de outra pessoa, gerando assim uma desordem na relação.

Posicione-se diante de seu ajudado sempre de pessoa adulta para pessoa adulta. Empodere-o de modo que perceba que é o autor de sua história e responsável por suas escolhas, erros, acertos e conquistas. Para isso, jamais tente ocupar papéis que não são seus para que ele se sinta melhor. 
Ainda que queira muito ajudar, posicione-se sempre de maneira adulta e madura. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Consentir pedidos infantis e fazer concessões neste sentido.
  • Acabar tratando a pessoa como uma criança e não como o adulto que é.
  • Evitar que a pessoa assuma deveres e responsabilidades por seus atos.
Para evitar estes problemas é essencial que aquele que está no papel de ajudador trate o outro sempre como o adulto que é, de modo que este reconheça seu potencial, perceba a necessidade de mudança e trabalhe, de forma madura e consciente, no sentido de alcançá-la.

A maturidade faz parte das ordens de ajuda, tanto ao outro, como a nós mesmos. 
Precisamos assumir uma postura mais adulta e fazer o outro agir de acordo com ela no relacionamento. Por exemplo, você não deve acatar desejos infantis ou mesmo concessões em favor do outro. O mesmo deve entender que a vida é feita por responsabilidades e que não devem ser ignoradas.

Por isso que, quando formos ajudar alguém, devemos tratá-lo como o adulto que é. 
O mesmo deve reconhecer seu próprio potencial sem interferências e trabalhar para conquistar qualquer mudança. Isso vai amadurecê-lo e deixá-lo mais consciente, fazendo com que entenda o quão longe pode ir.


Olhar sistêmico

A quarta das ordens da ajuda nos move a olhar para as pessoas de maneira completa, sistêmica, e não de forma isolada. Além do próprio indivíduo, devemos assistir sua relação com quem está próximo, especialmente a família. Em relação a eles, devem ser acolhidos com a mesma atenção dada ao cliente. Caso o contrário, isso acaba por:
  • Resultar em desprezo
Se apenas um indivíduo for assistido, a chance de reabilitação dele fica comprometida. O desprezo em relação às pessoas importantes de sua família vai impedir que se olhe de forma mais profunda para qualquer pessoa. Isso é como cortar o passado de alguém e deixá-lo sem impressão digital.
  • Ignorar soluções
Às vezes, a solução para o problema de relação em uma pessoa se encontra em um familiar distante. Se isso é ignorado, a possibilidade de ajudar uma pessoa cai drasticamente.
  • Ignorar sua infantilidade
Ignorar comportamentos infantis implica de forma direta na limitação do desenvolvimento dessa pessoa. Com isso, impedimos que o empoderamento chegue até ela, fazendo com que não cresça e amadureça.


A quarta ordem da ajuda nos lembra que ao ajudar reconheço o outro como parte de algo maior.

Não vejo o outro apenas como um indivíduo isolado, mas como uma parte de um sistema maior.

É preciso olhar para o outro de forma sistêmica e não isolada, ou seja, considerando suas relações e todos aqueles que estão ao seu redor, em especial, a figura dos seus pais. Estes, por sua vez, também devem ser acolhidos e amparados com o mesmo respeito, não julgamento e compaixão que a pessoa que estamos a tentar ajudar. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Desprezar e desconsiderar membros importantes do clã familiar.
  • Ignorar um parente afastado da família que pode ser a solução para, enfim, resolver a queixa da pessoa.
  • Ignorar os comportamentos infantis da pessoa e, assim, limitar o desenvolvimento e empoderamento necessário ao seu crescimento.
  • Limitar sua visão, não perceber algo maior por traz da história da pessoa e simplesmente aceitar isso sem questionar.
Portanto, é essencial envolver todos os familiares que estão diretamente relacionados a quem tentamos ajudar, de modo que o ajudador consiga ter uma visão sistêmica e mais apurada sobre a questão e assim possa ter mais ferramentas para ajudá-lo a resolver definitivamente seu problema.


Honra e respeito

A última das ordens da ajuda nos convida a respeitarmos a história de cada pessoa. 
Devemos amá-las sem impedimentos e da forma verdadeira como elas são, entendendo os caminhos que tomaram em suas vidas. Se assim for feito, fica mais claro entender as necessidades desse indivíduo pela ótica dele e dos parentes.

Ademais, isso vai fazer com que tenha outras perspectivas sobre qualquer problema e ficará mais fácil enfrentar dificuldades e resolvê-las rapidamente. Portanto, precisamos evitar as reprovações, julgamentos contínuos, desprezo moral e críticas.

A quinta ordem da ajuda nos ensina a ajudar com amor, sem julgamento. 
Respeito o outro como ele é, ainda que seja diferente de mim.

O julgamento, por vezes falado aqui, é fruto de uma imagem que alguém faz baseado em recortes do outro. Lembremos que uma pessoa que não tem conhecimento do todo de uma outra pessoa não tem o direito de julgá-la.

Honrar e respeitar a história de cada pessoa; amar esta sem reservas e como ela é na essência e, buscar compreender e aceitar os desígnios da sua vida, o seu destino. Assumir esta postura ajuda o terapeuta a enxergar melhor a natureza da queixa do cliente sob o viés daqueles que convivem diretamente com ele. Também auxilia a que tenha novas perspectivas do problema que ajudem o cliente a enfrentar suas dificuldades e solucioná-las de vez. 
Quando isso é ignorado surgem os seguintes desarranjos:
  • Julgamentos constantes.
  • Crítica e reprovação.
  • Desprezo moral.
Ter este tipo de postura diante do outro faz com que o ajudador acabe por minar o seu processo de desenvolvimento e, consequentemente, a eliminação do seu problema. Isso porque os julgamentos e críticas acabam sendo um impeditivo a que o ajudador realmente possa ajudar o outro a sanar sua queixa e, enfim, encontrar a confiança e o empoderamento que precisa. 
Quando isso acontece, o outro acaba por remoer sua questão pendente e se vê sem forças para seguir em frente.

Quando temos uma missão que tem como foco apoiar o outro em seu processo evolutivo, muitas vezes, podemos acabar ignorando que em determinados momentos, nosso recuo é importante para que haja uma ação da pessoa, para que outras forças que não compreendemos, possam agir e a vida possa finalmente seguir o seu curso.

No que diz respeito a cada um de nós, é importante sempre buscar servir com respeito, amor, não julgamento, paciência e compaixão e agir da melhor maneira possível para que possamos construir uma relação positiva e equilibrada entre nós, que ajudamos, e aqueles que por nós são ajudados.


“Ajudar é uma arte. Como em qualquer outra arte, faz parte dela uma faculdade que pode ser aprendida e praticada. Também faz parte dela uma sensibilidade para compreender a pessoa que procura ajuda, isto é, a compreensão daquilo que lhe é adequado e, simultaneamente, daquilo que o expande para além de si mesmo, para algo mais abrangente.”

Bert Hellinger


Ajudar quando o outro pedir ajuda e se o outro pede ajuda. Muitas vezes quando o outro pede ajuda, a sua primeira necessidade é estabelecer uma aliança com o terapeuta que confirme a sua posição de vítima ou de ter razão.

Neste caso, só se consegue realmente ajudar quando o outro está disposto a desistir. Desistir que as outras pessoas ou situações sejam do modo como idealizou, desistir das fantasias e de tentar estabelecer alianças que confirmem a sua posição.

É preciso escolher entre ser feliz ou ter razão.

Quando estamos prontos para ajudar precisamos observar se o nosso intuito é de realmente ajudar ou se é um movimento nosso de nos livrarmos da angústia que nos traz o sofrimento do outro. Precisamos observar até onde o sofrimento do outro reverbera na nossa alma para que tenhamos tanta necessidade de salvá-lo, salvando a nós mesmos.

A verdadeira ajuda se dá quando compreendemos e confiamos que o “outro conseguirá lidar com os próprios conflitos” na medida de sua vivência e de seus valores.

Neste sentido devemos nos contentar em dar o que se tem, e receber o que precisa.


Já parou para pensar, 
de maneira mais profunda, 
qual o benefício e o intuito dessa sua necessidade de ajudar os outros?


“Ajudar tem a ver com a promoção do crescimento, do crescimento interno. Como algo cresce?

Primeiro, quando é nutrido. Segundo, quando precisa se impor contra forças que se opõem ao crescimento. Muitos ajudantes, frequentemente, preferem focar na nutrição e recuar perante o conflito. Entretanto, trata-se de confiar em que o outro saberá lidar com o seu conflito, administrando as adversidades.”

Bert Hellinger 
in, O Amor do Espírito


Quando nos propomos a ajudar alguém, precisamos nos ater a ajudarmos da maneira que vai contribuir para a outra pessoa. Observando se, por debaixo dos panos, inconscientemente, a ajuda que estamos oferecendo ao outro não está, na verdade, ajudando apenas a nós mesmos.

E o que eu quero dizer com isso?

Quero dizer que, algumas vezes, de modo inconsciente, fazemos interpretações da vida alheia, criando uma visão sobre um terceiro e acreditando que sabemos o que essa outra pessoa precisa para solucionar alguma situação pela qual está passando e que sabemos o que ela tem que fazer para “melhorar” a sua condição em diversos aspectos.

Acontece que, essa interpretação é influenciada pelos nossos medos, nossas impressões sobre a realidade, nossos julgamentos, preocupações, crenças, entre tantos outros fatores que distorcem a visão que temos da realidade de outra pessoa, pois trata-se de particularidades individuais de cada um.

Aqui estamos supondo que não temos consciência da realidade total desse terceiro, de modo que, a ideia de que ele precisa “melhorar” foi construída na nossa mente, baseada nos nossos ideais de vida, que por muitas vezes, são distintos dos ideais dessa outra pessoa a quem pretendemos ajudar.

Mesmo quando alguém nos expressa que necessita de ajuda ou de melhorar algo em sua vida, devemos lembrar que, ainda assim não conhecemos 100% da situação.

A intenção de ajudar também pode estar relacionada ao desconforto que sentimos ao ver outra pessoa em uma situação que, para nós, seria muito desagradável. Muitas vezes, esta ajuda pode impedir a outra pessoa de trilhar o seu próprio caminho e de se impor contra as forças que se opõem ao seu crescimento.

Emoções também podem interferir neste aspecto, causando essa necessidade de ajudar.

Exemplificando, o medo de algum ente querido estar sofrendo ou a preocupação com alguma situação específica de um familiar pode nos dar a sensação de que precisamos salvá-los.

No entanto, um ato corajoso e maduro da nossa parte é confiar em que o outro saberá lidar com o seu conflito, administrando as adversidades, como destacou Bert Hellinger no trecho de seu livro descrito acima.

Precisamos ser conscientes de que cada pessoa tem os seus obstáculos para vencer e assim adquirir algum proveito, seja um aprendizado, amadurecimento, fortalecimento. Enfim, o que cada um está precisando, que é singular.

Aprendemos com as Ordens da Ajuda que ao ajudar outra pessoa, precisamos entender que não temos conhecimento do todo. E que as nossas impressões representam apenas uma parte, e muito influenciada pelos nossos julgamentos e medos. O todo é muito maior.

Para contribuir com outra pessoa, não devemos empurrar as nossas escolhas e o nosso modo de vida nela, pois isso advém da experiência de vida de cada um. Sem ter a consciência do todo, não temos como saber das necessidades reais de outra pessoa, que tem suas próprias experiências, que tem uma vida e visão diferente da nossa. 

Com respeito, precisamos enxergar a pessoa em um nível mais profundo, escutá-la de fato, procurando entender as suas verdadeiras necessidades.

Para isso, precisamos estar abertos a compreender a outra pessoa, aceitando que ela tem o direito de ter escolhas e pensamentos diferentes dos meus. Com isso, eu uno o que ela precisa com o que eu tenho a oferecer, e ajudo sem tirar a sua dignidade e as suas oportunidades de crescer.

Assim, acredito ser interessante nesse movimento de ajuda, ajudar o outro a ser capaz de se ajudar. De trilhar o seu próprio caminho. Neste sentido, ajudo naquilo que posso e apenas naquilo que me cabe.



“Como ajudantes, temos a ideia de que devemos, a qualquer preço, manter uma pessoa viva e ajudá-la a ter uma vida feliz. Entretanto, ela está entregue a outras forças, diante das quais nossos esforços fracassam. Ao invés de nos vermos apenas diante da pessoa que busca ou necessita da nossa ajuda, olhamos para além dela. De repente, sentimos que há outras forças em ação, que são maiores que nós. Aí nos acalmamos. Muitas vezes, também conseguimos olhar de outra maneira para a criança, sem preocupações.”
Bert Hellinger 
in, O Amor do Espírito





 

terça-feira, 20 de junho de 2023

Rosa


 




Podia esquecer tudo o que me disseste, ouvir
o canto do pássaro que passou nesta sala,
respirar o perfume do jardim que entra pela
janela, olhar para fora de mim, para aquilo
a que chamam o mundo. No entanto, o que
tenho pela frente são as lembranças que
procurei esquecer, a imagem de que não me
libertarei, a voz que ecoa na minha
memória, dizendo o nome tantas vezes
murmurado. E encosto-me a este instante,
contando o tempo que falta para que a
luz desapareça, e a noite me traga
o silêncio de onde nascem os sonhos.


Nuno Júdice 
in, "A pura inscrição do amor"



......................to be self-aware, you have to have feedback




In order to be self-aware, you have to have feedback.
Consciousness is a feedback between the external world and the internal world.
That’s fundamental to ALL things.
So then ALL things are conscious.
All things are feeding information to the vacuum and the vacuum is feeding it back.
The amount that you are able to feed into the system, is related directly to your amount of resistance, in how much information can come in.

– Nassim Haramein


domingo, 18 de junho de 2023

Kahlil Gibran's The Prophet - Official US Trailer

                                                 




                             


Set in a Mediterranean sea-side village, Kamila (Salma Hayek) cleans house for exiled artist and poet Mustafa (Liam Neeson), but the more difficult job is keeping her free-spirited young daughter, Almitra, (Quvenzhané Wallis) out of trouble. 
The three embark on a journey meant to end with Mustafa’s return home – but first they must evade the authorities who fear that the truth in his words will incite rebellion. 

Featuring music from Damien Rice, Glen Hansard and Yo-Yo Ma.




On Freedom




Imagem do filme 
"Khalil Gibran's The Prophet"







And an orator said, Speak to us of Free-
dom.
    And he answered:
    At the city gate and by your fireside I
have seen you prostrate yourself and worship
your own freedom,
    Even as slaves humble themselves before
a tyrant and praise him though he slays
them.
    Ay, in the grove of the temple and in
the shadow of the citadel I have seen the
freest among you wear their freedom as a
yoke and a handcuff.
    And my heart bled within me; for you
can only be free when even the desire of
seeking freedom becomes a harness to you,
and when you cease to speak of freedom
as a goal and a fulfilment.
 
    You shall be free indeed when your days
are not without a care nor your nights with-
out a want and a grief,
    But rather when these things girdle your
life and yet you rise above them naked and
unbound.
 
    And how shall you rise beyond your
days and nights unless you break the chains
which you at the dawn of your under-
standing have fastened around your noon
hour?
    In truth that which you call freedom is
the strongest of these chains, though its
links glitter in the sun and dazzle your eyes.
 
    And what is it but fragments of your own
self you would discard that you may become
free?
    If it is an unjust law you would abolish,
that law was written with your own hand
upon your own forehead.
    You cannot erase it by burning your law
 books nor by washing the foreheads of your
judges, though you pour the sea upon them.
    And if it is a despot you would dethrone,
see first that his throne erected within you is
destroyed.
    For how can a tyrant rule the free and
the proud, but for a tyranny in their own
freedom and a shame in their own pride?
    And if it is a care you would cast off, that
care has been chosen by you rather than
imposed upon you.
    And if it is a fear you would dispel, the
seat of that fear is in your heart and not in
the hand of the feared.
 
    Verily all things move within your being
in constant half embrace, the desired and
the dreaded, the repugnant and the cherished,
the pursued and that which you would
escape.
    These things move within you as lights
and shadows in pairs that cling.
    And when the shadow fades and is no
more, the light that lingers becomes a
shadow to another light.
    And thus your freedom when it loses its
fetters becomes itself the fetter of a greater
freedom.


Khalil Gibran
in, The Prophet






 

The King-Hermit


Anchor Church Caves, located by the River Trent, UK
The 1,200-year-old structure was built during the tumultuous life of the Northumbrian king Eardwulf, 
who was hounded from his throne to live as a hermit, and later became a saint.
Image credit: Mark Horton /Edmund Simons





They told me that in a forest among the mountains lives a young man in solitude who once was a king of a vast country beyond the Two Rivers. And they also said that he, of his own will, had left his throne and the land of his glory and come to dwell in the wilderness.

And I said, 
"I would seek that man, and learn the secret of his heart; for he who renounces a kingdom must needs be greater than a kingdom."

On that very day I went to the forest where he dwells. And I found him sitting under a white cypress, and in his hand a reed as if it were a scepter. And I greeted him even as I would greet a king. 
And he turned to me and said gently:
"What would you do in this forest of serenity? Seek you a lost self in the green shadows, or is it a homecoming in your twilight?"

And I answered, 
"I sought but you - for I fain would know that which made you leave a kingdom for a forest."

And he said, 
"Brief is my story, for sudden was the bursting of the bubble. It happened thus: one day as I sat at a window in my palace, my chamberlain and an envoy from a foreign land were walking in my garden. And as they approached my window, the lord chamberlain was speaking of himself and saying, 'I am like the king; I have a thirst for strong wine and a hunger for all games of chance. And like my lord the king I have storms of temper.' And the lord chamberlain and the envoy disappeared among the trees. But in a few minutes they returned, and this time the lord chamberlain was speaking of me, and he was saying, 'My lord the king is like myself—a good marksman; and like me he loves music and bathes thrice a day.'"

After a moment he added, 
"On the eve of that day I left my palace with but my garment, for I would no longer be ruler over those who assume my vices and attribute to me their virtues."

And I said, 
"This is indeed a wonder, and passing strange."

And he said, 
"Nay, my friend, you knocked at the gate of my silences and received but a trifle. For who would not leave a kingdom for a forest where the seasons sing and dance ceaselessly? Many are those who have given their kingdom for less than solitude and the sweet fellowship of aloneness. Countless are the eagles who descend from the upper air to live with moles that they may know the secrets of the earth. There are those who renounce the kingdom of dreams that they may not seem distant from the dreamless. And those who renounce the kingdom of nakedness and cover their souls that others may not be ashamed in beholding truth uncovered and beauty unveiled. And greater yet than all of these is he who renounces the kingdom of sorrow that he may not seem proud and vainglorious."

Then rising he leaned upon his reed and said, 
"Go now to the great city and sit at its gate and watch all those who enter into it and those who go out. And see that you find him who, though born a king, is without kingdom; and him who though ruled in flesh rules in spirit - though neither he nor his subjects know this; and him also who but seems to rule yet is in truth slave of his own slaves."

After he had said these things he smiled on me, and there were a thousand dawns upon his lips. Then he turned and walked away into the heart of the forest.

And I returned to the city, and I sat at its gate to watch the passers-by even as he had told me. And from that day to this numberless are the kings whose shadows have passed over me and few are the subjects over whom my shadow passed.



Khalil Gibran
in, The Forerunner