quarta-feira, 14 de junho de 2023

Elementais

 


O nosso Universo é formado por pequenas partículas chamadas átomos
O que explica a capacidade do Ser Humano de criar elementais com seu pensamento e sentimento.
Tudo é formado por átomos, absolutamente tudo, toda a matéria, e o que não é matéria, é formada por átomos,
átomos iguais, uma mesma base é utilizada para tudo, isso já demonstra a natureza unificada da vida, a forma como os átomos se posicionam, as características específicas internas dos mesmos, a forma como eles são comandados a se posicionarem, entre com certeza outros fatores, são o que dá a multivariedade de formas e energias à vida.
Sabemos também, cientificamente, que os átomos são constituídos por outras partículas, portanto, partículas sub-atômicas, inicialmente eram conhecidas os prótons, os nêutrons e os elétrons, hoje no entanto com o avanço da ciência já se conhecem outras micro-partículas internas do átomo como por exemplo o quark.

São 12 ao todo essas micropartículas sub-atômicas, e que nos mundos das formas (abaixo da 12.º dimensão, portanto, incluindo a nossa 3.º dimensão) 5 dessas micropartículas estão em evidência nos átomos
em comparação com as restantes 7 micropartículas, isso se faz necessário para estabilizar as dimensões mais baixas e as formas, essas outras 7 atuam também formando essas dimensões, mas se encontram dentro das primeiras 5, ao contrário dos planos superiores, onde todas atuam de forma igual, mas não nos cabe entrar no mérito da questão, estudando o motivo e o porquê disso, isso fica para os cientistas.
O que é curioso é que os místicos desde o passado remoto falam de 5 elementos da natureza que tudo formam, e o que forma nossa natureza, e as restantes formas, são realmente essas 5 micropartículas do átomo.
Esses 5 elementos são chamados de terra, água, fogo, ar e éter.

É importante esclarecer que o elemento água não existe apenas no oceano, nos rios, na água,
pois nosso sangue também pertence ao elemento água, a água de nossas células também, a água que está em todos os seres vivos, nas mais diversas formas, como seiva, sangue, saliva, etc., constitui parte desse elemento, assim como a humidade do ar por exemplo.
O elemento fogo não está presente apenas no fogo propriamente dito, mas também no combustível, que é fogo liquidefeito, ele está presente na eletricidade também, nos estímulos elétricos de nosso organismo, quando nosso corpo esquenta devido à febre e à pressão alta é o elemento fogo em ação também, entre outros casos. 
O mesmo se aplica aos outros elementos.

Em todas as formas estão presentes os 5 elementos, as 5 micropartículas do átomo, 
e nosso corpo é um exemplo claro disso, 
o elemento água está presente em nosso corpo, por exemplo, em todos seus fluídos, 
o elemento fogo está presente, por exemplo, em todos seus estímulos elétricos, 
o elemento terra está presente em todos os minerais do organismo, ele é uma importante base dos ossos, 
o elemento ar está presente na forma de oxigênio, circulando constantemente por todo o corpo, 
e o elemento éter está presente na forma de éter, energia reiki, a energia vital que sustenta todo o organismo e o trabalho dos restantes elementos.

Os diversos planos e dimensões também possuem um elemento especialmente dominante em cada um deles.
O plano material (3 D) tem como elemento principal o elemento terra, no próprio corpo físico predomina esse elemento, a característica desse elemento é a materialidade por si só, a forma, o corpo, a matéria, sem sentimentos e pensamentos.
Talvez por isso nosso plano seja como ele é (é importante esclarecer que a 0 D, 1 D e 2 D são dimensões base para a expressão das formas tridimensionais e o ponto máximo de densificação das energias cósmicas, nesse ponto elas se reconectam ao nível mais elevado, trazendo dele as matrizes que formam a própria vida, então nelas não existe vida), 

O plano astral (4 D) por sua vez tem como elemento predominante a água, não que nele tudo seja
líquido ou com predominância de água como a conhecemos, assim como em nosso plano a predominância do elemento terra não significa também que quase tudo seja terra, o que significa essa predominância é que o plano astral é um plano de sentimentos, onde o que predomina é o sentimento, tal como o corpo astral, isso em níveis inferiores se reduz ao desejo, por isso esse plano é chamado de "plano dos desejos", e o elemento água é o elemento mais influenciável aos sentimentos (e pensamentos), na verdade no plano astral não predomina o elemento água porque ele é o plano dos sentimentos, o correto é falar que o plano astral é o plano dos sentimentos porque nele predomina o elemento água, nele o conceito de matéria, corpo, forma, fica bem atrás do conceito de sentimento e desejo, que passam a ser o que mais importa nesse plano e o que determina inclusive as formas nele existentes, nele também o sentimento, o desejo, (o pensamento movido pelos sentimentos e pelos desejos) passa a ser nossa força e forma principal de locomoção, e inclusive eles passam a afetar nossa percepção de tempo e de espaço, enquanto que no nosso plano material nos locomovemos através do corpo e estamos submetidos a um tempo e a um espaço concretos.

O plano pentadimensional/ mental inferior (5 D) tem como elemento predominante o elemento fogo, que é o elemento do pensamento, logo o corpo pentadimensional/ mental inferior é um corpo da mente, isso faz esse plano ser mais puro que o astral, pois nele não existem mais os desejos, apenas os sentimentos puros, que como são sentimentos projetados conscientemente, com consciência divina, são também pensamentos, tal como no astral, neste plano a matéria, a forma, perde importância, embora
seja igualmente existente, e os desejos perdem também qualquer tipo de prioridade ou importância, neste plano de Luz o pensamento é a força motora, tudo é feito recorrendo à mente, e o único interesse nele está na evolução, porque é a mente pura que o comanda.

O plano hexadimensional/ mental superior (6 D) tem o elemento ar como predominante, sua característica neste caso é a consciência, assim como o é para o corpo hexadimensional/ mental superior, então já podemos deduzir que este plano é um plano sem forma, é o plano das ideias, das causas, das matrizes, das bases, dos conceitos, dos moldes, a partir dos quais os planos mais baixos são formados,
aqui só existe energia, Luz, consciência, não existe forma, apenas algumas formações geométricas e uma ou outra formação muito diferente daquilo que conhecemos e de nosso conceito de forma e matéria (embora também existam espaços com formas em 6 D, como jardins do éden materiais), aqui claro continua existindo o pensamento, mas um pensamento muito mais sublimado e liberto do condicionamento das formas, aqui existe a pura consciência, que atua nesse plano co-criando junto à Fonte Cósmica os planos das formas.

Os planos e corpos entre 7 e 12 D têm como base o elemento éter, que é a própria energia vitalizadora de todo o Universo, a energia vital, portanto são planos onde seus habitantes participam realmente junto da Fonte Cósmica na Criação. Eles estão além da matéria, da forma, dos sentimentos e desejos, dos pensamentos ainda condicionados à forma, eles são pura energia e consciência co-criadora, puro Amor Cósmico. 

Existem formas em todos esses 12 planos mais baixos, mas 
nestes últimos 5 a forma perde ainda mais o sentido que no de 6 D, 
aqui ela apenas existe na forma de equações geométricas e na forma de alguns Merkabahs de Luz, onde dentro existem os mais diversos tipos de formas, desde a 3 D até à 6 D, como jardins do éden materiais dentro de um universo imaterial.

Já sabemos então que espiritualidade e ciência aceitam a existência dos elementos, apenas lhe dão nomes diferentes, mas isso são coisas estudadas e comprovadas.
Sabemos também agora que o Universo é todo constituído por átomos, e que dentro deles estão as
micropartículas sub-atômicas, e nós os espiritualistas diríamos que dentro deles estão os 12 elementos, é igual, que cada um fale do jeito que preferir, bom, resumindo, 
sabemos que todo o Universo é formado por elementos.

E sabemos ainda que a Fonte Cósmica, que é Mente Superior, gerou a Criação e a mantem através de seu pensamento, de seu Amor, então, se gerou, organizou, moldou e mantem a Criação, o Universo, totalmente constituído por elementos, com a Mente, com o poder mental, com o Amor, e se ela lhe obedeceu, formando assim o que a Fonte Cósmica criou em sua mente, é porque os elementos, as partículas sub-atômicas, possuem uma características muito especial, elas obedecem ao pensamento, à mente, da Fonte Cósmica, elas são sensíveis ao pensamento, à atividade mental, o que inclui o sentimento, que também é uma forma de pensamento, de atividade mental.

Então resumindo, os elementos são micropartículas formadas por puro Amor do Universo, que tomam forma e se agrupam de acordo com a vontade deste, ele dá os comandos através de sua mente, de seu pensamento, o que denota que elas devem estar ligadas diretamente à mente deste, e sabendo nós que o Universo tudo forma, que tudo é Mente Superior, podemos ir além, os elementos são parte da mente do Universo.

Nós somos partes individualizadas da Mente do Universo, nossa mente quando se individualizou não se
separou do Universo, ela continua coexistindo com a mente maior cósmica e com as mentes de nossos semelhantes, em um contexto de separação são várias mentes criadas e uma mente incriada, interligadas, em um contexto de união todas elas formam uma só mente, a que sempre existiu e existirá, independentemente das duas visões, ambas corretas, o ponto a que quero chegar é que nossa mente está ligada também a todos os elementos do Universo, não apenas aos que estão ao nosso redor, mas a todos, mesmo os que estão mais distantes, do outro lado do Universo, isto porque se somos parte da mente universal, que está em tudo, nossa mente também está em tudo, porque a mente superior também somos nós (isso explica como podemos nos mover instantaneamente com o poder do pensamento por distâncias enormes em uma fração de segundo, simplesmente transportamos nossa mente de uma formação elemental em um ponto do Universo para outra em outro ponto, isso só é possível porque nossa mente  está naquele local também), 

resumindo, 
os elementos também nos obedecem e se moldam de acordo com a nossa atividade mental, nossos pensamentos e sentimentos, em escala menor é claro, tal como nossa mente também é menor que a do Universo.







Para nós aqui na terra, é uma faca de dois gumes: 
Por um lado temos a capacidade de criarmos uma realidade de Amor e Luz quase instantaneamente, 
Pelo outro, que é o que está ocorrendo, temos a capacidade de criar cada vez mais obscuridade, afinal, somos co-criadores, responsáveis, herdeiros d o Universo e seus aprendizes na função de criar, por isso o "Você cria sua realidade".

Então, tudo que pensamos e sentimos está moldando os elementos em nossa volta, isso é especialmente forte no plano astral, que tem como base a água, principal elemento de nossas criações. Nesse plano, a matéria é muito sensível aos desejos, aos sentimentos irracionais, que é o que nós mais possuímos neste momento.
Sendo assim, nesse plano é muito fácil exercermos nosso poder co-criador de forma direta, o que faz
com que ele seja o plano com maior índice de elementos moldados pelos seres humanos.

Os elementos não sabem se devem ou não criar, transformar-se e moldar-se, naquilo que estamos pensando ou sentido, o comando deles é formarem tudo aquilo que a Mente do Universo pensa, para eles nossa mente é a mente do Universo, então eles vão formar invariavelmente tudo aquilo que pensarmos e sentirmos, pois eles são como um programa de computador, pré-programado, não são estruturas inteligentes capazes de raciocinar. 

A perfeição cósmica, no entanto, de alguma forma limitou nosso poder criador, então não podemos criar na mesma escala que o Universo, pois se fosse possível, no nosso caso como humanidade, faz tempo que já teríamos nos exterminado.

Vamos agora exemplificar:
Suponhamos que eu pense em comer determinada comida, imagine o prato, por exemplo uma lasanha, os elementos imediatamente irão formar essa lasanha, tal como eu a imaginei, ela passará a existir, normalmente, no plano astral, mas um místico avançado poderia fazer ela ser formada no plano físico, daí a poderíamos comer, saborear, ela teria a textura e o sabor, a forma, que serviu de molde para nosso pensamento sobre ela, provavelmente alguma lasanha que eu tivesse comido dias antes. 

Só para esclarecer, eu posso, estando encarnado, moldar elementos no plano astral e no pentadimensional porque nossa personalidade humana é formada por uma tríade:
  1. o corpo físico (matéria),
  2. o corpo astral (sentimentos) e 
  3. o corpo pentadimensional (pensamentos), 
Então, nossa ação mental como encarnados ocorre nesses 3 planos em simultâneo.

No caso de um sentimento, onde muitas vezes não são criadas formas em nossa mente associadas a esse
sentimento, os elementos buscarão em nosso subconsciente imagens, formas, associadas em nossa mente a esse sentimento emitido, se não encontrarem irão buscar uma forma, uma imagem, no subconsciente do planeta, no subconsciente da humanidade, pois todos nossos subconscientes estão interligados,

Então, tudo sempre irá gerar uma imagem, uma forma, os elementos sempre serão moldados em algo.
A partir de agora chamarei os elementos moldados de elementais (também os poderia chamar de formas pensamento e formas sentimento, como também são conhecidos pelos espiritualistas), para os distinguir dos elementos em estado puro.

Mas elementais não são apenas os elementos moldados diretamente pelo pensamento ou pelo
sentimento, muitas vezes nós moldamos os elementos por intermédio de outros elementos.
Isso pode parecer estranho, mas observem, 
Primeiro e antes de qualquer outra coisa, o Universo formou a Criação usando os elementos, logo, a Criação é um grande elemental cósmico, tudo o que existe na Criação é elemental,
Isso inclui inclusive nossos corpos espirituais, sendo que a única coisa nossa que não é elemental é a nossa mente, que é formada pela mesma matéria que a mente cósmica, e que portanto está além da Criação, dos elementos, e, consequentemente, dos elementais, embora necessite de uma forma constituída por elementos, um elemental, para se expressar na Criação, mesmo que essa forma seja uma simples esfera de Luz, isto porque se em parte somos parte da mente cósmica, além da Criação, em parte somos parte da Criação também, dos elementos, dos elementais, vivemos e temos nosso ser entre eles.

Bom, entendido isso, é óbvio que nosso corpo é um elemental também, criado e moldado, e continuamente gerido e comandado, por nossa mente.
Então, quando por exemplo eu desejo cortar lenha, eu uso meu corpo, segurando um machado, que por sua vez corta a lenha, em outras palavras, com meu pensamento eu comando o elemental do corpo a segurar o elemental do machado para cortar, por intermédio deste último, o elemental da lenha, isto é, eu moldei o elemental da lenha cortando-o ao meio
por intermédio de outros elementais, o que é um método primitivo claro, um místico avançado poderia dividir a lenha ao meio apenas com o poder do pensamento, comandando os elementos que formam a lenha a dividirem-se de acordo com sua vontade. 

Resumindo, se olharmos pela janela, que vemos? 
O resultado de nossos pensamentos e sentimentos materializado na forma de elementais, independentemente da forma como foram moldados. 
Com isso o sentido e conceito sólido e concreto de matéria em nossa mente, de físico, fisicalidade, não começa a se desvanecer? 
Tudo não começa a se tornar incrivelmente energético e sutil para nós? Etéreo? 

Pois é, é isso mesmo, tudo é energia, e não existe algo "sólido", não existe "matéria", o que existe são elementais vibrando em uma mesma sintonia, o que os faz serem concretos uns para os outros, mas inconcretos para elementais vibrando em outras vibrações mentais.

Por isso, e só por isso, o nosso plano nos parece físico, e o plano astral nos parece sutil e até invisível, pois o elemental de nosso corpo físico vibra apenas na sintonia do elemental do plano físico, assim como nossa retina, que condiciona nossa visão espiritual ampla ao plano em que vibra. 
Para um habitante do astral ocorreria exatamente o contrário, para ele nós seríamos os seres etéreos, as almas penadas.

Não perde agora sentido, tanto pânico em relação ao futuro da Terra? 
Ela é um elemental perfeito e cósmico, criado pelas mais elevadas consciências.

Nós criamos com nossos pensamentos e sentimentos, de forma direta e indireta, e algumas alterações nesse pensamento, nesse elemental, podem ser rapidamente, instantaneamente, despolarizadas e o elemental voltará a ser o que era.
Mas, para isso, temos de evoluir primeiro, só então valerá a pena fazer a despolarização porque não iremos contaminar-nos de novo.
Nós e o Cosmos daremos as mãos em um pensamento de purificação coletivo e o Planeta Terra estará totalmente purificado. 
Tudo nos parece tão difícil na matéria, tão lento e demorado, tão trabalhoso, porque nós continuamos dando solidez à matéria, mas, ela é só mais uma frequência de energia, mais um padrão energético de pensamento, mais uma frequência da mente cósmica.

É interessante referir que os elementais só têm vida enquanto estão sendo alimentados pela energia (pensamentos, sentimentos, desejos) de seu, ou de seus, criadores, pois são como vampiros, aliás, eles são vampiros, vampiros energéticos, eles sugam a energia de seus criadores, hospedeiros, depois disso eles se despolarizam e regressam ao seu estado original como elementos, exceto quando a contaminação, no caso de elementais negativos, foi muito intensa, e nesse caso é necessária uma
ação sobre eles, e não ficarão mais com a pessoa após ser cortado o fluxo de alimentação energética.

Nesses casos, nos quais os elementais por si mesmos não conseguem voltar aos seus estados puros como elementos, e não estão mais ligados a seus criadores, eles ficarão vagando por aí, buscando se grudar em outra pessoa que vibre de forma similar à de seu criador tal como um carrapato.
Isso claro, é o que eu chamo de poluição energética, 
É jogar o lixo no chão, ao invés de reciclá-lo.

A Criação existe porque está constantemente sendo alimentada pelo Cosmos (pelo seu pensamento, seu Amor, está constantemente sendo pensada), 
A nossa vida desafiante existe porque está constantemente sendo alimentada (pensada, criada) por nós.
 
A situação desafiante da humanidade está assim, e continuará estando, enquanto a alimentarmos (pensarmos, co-criarmos) Quando cessa esse envio de energia para o elemental, ele enfraquece e se despolariza.

Os elementais, naturalmente, carregam consigo a energia mental/ sentimental que originou sua formação; um elemental que criei em um momento de ódio transporta essa energia, um elemental que criei com Amor é um elemental de Amor, quem se sintonizar com ele sentirá esse Amor.
No caso de nossas coisas físicas, perde um pouco o significado... eu corto a tal lenha com a intenção de acender minha lareira, é isso que ela transporta com ela, é um elemental sem uma energia muito forte, nada de intenso, ao contrário dos criados diretamente pelo pensamento ou pelo sentimento.

Se eu criar então um elemental de ódio em relação a alguém, ele irá até essa pessoa tentar realizar aquilo que eu desejo para ela, fazer a ela, e porquê? 
Porque o elemental é sempre uma extensão de seu criador, eu vou nele, consciente ou inconscientemente, fazer aquilo que minhas limitações físicas de encarnado me impedem de fazer com meu corpo físico.
Então já estão vendo como é sério.
Chegando lá, na pessoa, o elemental tentará prejudicar ela
Se ela estiver receptiva energeticamente será afetada, se não estiver estará protegida, e o elemental não a poderá atingir.

Uma coisa que muito falamos é sobre aquela lei: 
"Toda a criação retorna para seu criador", 
"Colhemos aquilo que plantamos", 
e sempre associamos isso aos elementais, nós lhe chamamos várias vezes de 
Lei dos Elementais.
Vamos agora ver o porquê disso. 

Esse elemental de ódio que enviei vai regressar para mim. Porquê? 
É simples,
Lei da Atração, quer dizer, se eu atraio energias de outros que sejam semelhantes à minha, não vou
atrair de volta uma energia que é parte da minha? 
O elemental que criei nunca se separou de mim, apenas se esticou até à pessoa que quis atingir e voltou para mim como o efeito de um elástico, nada mais, foi como um braço que eu estendi. Esse elemental é parte de mim porque fui eu que o moldei e o estou sustentando. 

O Cosmos, não habita tudo na Criação, tudo que ele criou e moldou? 
Então, eu habito tudo que eu crio e moldo, é muito simples entender isso.
E o que é que esse elemental vai trazer para mim no seu regresso? 
A energia que eu enviei para a outra pessoa. 
Então ele vem e vai me dar uma boa pancada na cabeça no momento da chegada, vai me atingir cheio de ódio, o ódio que eu queria que atingisse a outra pessoa. 

Vocês acham que magia negra e amarração é muito diferente disto? 
Que nada, puro elemental.
Eu poderia dar vários exemplos, as várias situações sendo enviadas para os outros, 
Inveja, mágoa, revolta, ressentimento, raiva, ódio, etc., 
E também as coisas boas, felicidade, Amor, companheirismo, etc., e esses vão, e mesmo que a pessoa não esteja receptiva, ficam lá trabalhando nela, para que ela desperte gradualmente para a energia que eles transportam, isto porque o Amor neutraliza qualquer barreira negativa, que é formada, nada mais nada menos, que por Amor desarmônico.






Creio que agora a Lei do Karma foi desmistificada, os elementais explicam todo esse processo de retorno, a Lei do Retorno, o que inclui também a Lei do Dharma, isto é, a consequência de nossas ações positivas, que eu na verdade colocaria como a consequência de nossos pensamentos e sentimentos positivos, a consequência da nossa conexão às Leis Divinas, e mais à frente verão o porquê, verão porque eu não considero que as ações tenham assim tanta influência no Karma e no Dharma, assim como o Karma é a consequência de nossas ações negativas, que novamente eu prefiro colocar como consequência da desconexão às Leis Divinas e dos maus pensamentos e sentimentos.

O karma, como já sabemos, segue a lei do "olho por olho, dente por dente", "quem vive pela espada morre pela espada", o que eu fiz me será feito portanto, sem uma noção clara de elementais não podemos compreender como isso ocorre, teríamos até que considerar que forças divinas entrariam em ação para realizar as cobranças horríveis do karma, o que seria incabível pois a Criação é perfeita, tal como o Universo.
Então a única força que entra em ação para cobrar e executar o karma é o nosso poder co-criador, gerando elementais que mais tarde retornarão para nós. Coletivamente, criamos o karma da humanidade e, individualmente o nosso, e os gerenciamos inconscientemente a cada instante.  O elemental sempre retorna para sua fonte, o ser humano que o criou. 


Como o fato de eu ter assassinado uma pessoa em encarnação anterior, poderá fazer com que eu seja assassinado mais à frente?
Vejamos, se eu assassino uma pessoa, na verdade estou apenas moldando seu elemental de corpo,
neste caso impossibilitando esse elemental de continuar contendo uma consciência, um espírito, nele.
Eu recorri para isso a meu elemental de corpo para efetuar o crime, foi então uma moldagem de elementais usando como intermédio outros elementais (meu corpo, armas, etc.)
Isso é importante para entender como muitas vezes um ser humano nasce com os problemas físicos em seu corpo, que causou nos corpos de outras pessoas em vidas passadas. 
Antes de eu efetuar o crime na matéria, com meu elemental material, o corpo, 
eu criei um elemental no plano astral do crime com meu desejo de cometer esse crime, 
um elemental que tem como objetivo cometer esse crime, 
Eu o fiz inconscientemente claro, mas ele existe e está lá, e como sempre irá se estender até à pessoa
visada e tentará atacá-la, embora claro nesse caso dificilmente a conseguiria assassinar.
Mas vamos supor que junto a isso, eu realmente cometa o crime com meu elemental de corpo físico, que por estar na mesma vibração que o corpo da vítima pode infligir-lhe um dano maior, 
pronto, estará realizado meu desejo, a pessoa desencarnou, 

Mas será isso que criará o karma? 
Não, de modo algum!
O que vai criar o karma será o retorno de ambos os elementais de assassinato, o elemental do
corpo físico e o elemental astral. 
O do corpo na verdade não irá retornar, ele já estará comigo, mesmo assim ele irá trazer para mim aquilo que eu enviei para o outro.
Vamos supor que o crime tivesse sido cometido atacando o coração da vítima,
meu elemental de corpo poderia desenvolver então um problema em meu coração, que poderia provavelmente me levar à morte.

Por exemplo os suicidas, 
que reencarnam com problemas graves nos locais do corpo que usaram para se suicidarem, 
o que aconteceu foi que o elemental do corpo "retornou" para essa pessoa trazendo aquilo que ela desejou para o outro ou para si mesma. 

Podemos concluir que o elemental do corpo não necessita ser necessariamente o mesmo corpo que a pessoa utilizou para cometer seus crimes, basta ser um corpo físico e ela o estar ocupando, por isso o karma acompanha as pessoas ao longo das reencarnações.  
Uma doença no corpo sempre tem como causa uma doença similar na mente/espírito, e isso não contradiz a informação (usando como exemplo o coração) que dei agora, e nem sequer a que dei agora constitui uma exceção à regra. O que ocorre é que os elementais físico e/ ou astral que criei no passado antes de se manifestarem em meu corpo, o meu karma, eles o manifestam primeiro em minha mente (aliás, apenas o manifestam na mente), gerando uma doença mental/ espiritual, que por sua vez se expressa no corpo físico, pois os elementais partem da mente e a ela regressam, e é nela também que fazem seus estragos como consequência da lei do retorno, do karma, causando uma doença mental/ espiritual similar à que então como consequência irá se expressar no físico, porque, usando o tal exemplo do coração, o problema foi meu pensamento de atingir o coração do outro, isso gerou
o karma e o elemental, atingir o coração concretamente aumentou o poder dele claro, porque concretizei a intenção do elemental, por isso ele voltou com força total para me fazer passar pelo mesmo.

De qualquer forma, o que ele vem me causar é um problema mental/ espiritual igual ao pensamento com que eu o configurei, o pensamento de atacar o coração de meu semelhante, é na mente que ele vem me dar o retorno, pois foi da mente e não do corpo que ele partiu, e por sua vez minha mente/ espírito irá manifestar isso no corpo na forma de um problema de saúde, mas é minha mente que serve como intermediário entre os elementais.
Como sempre, a mente é a base de tudo.

Quanto ao retorno do elemental astral, é igualmente simples e igual, ele carrega consigo, no caso do exemplo dado, a energia do assassinato, ele por si só não pode me assassinar, embora possa me causar dano, então ele vai se sintonizar com alguém com o desejo de matar ou com algum fraco e desavisado, e vai influenciar de tal forma sua mente que o levará a assassinar seu criador .
Eventualmente, ele pode até utilizar a vítima que ele mesmo vitimou no passado, mas só se ela desejar, pelo menos inconscientemente, a vingança de seu algoz.

Normalmente acreditamos que o karma liga as pessoas.
Na verdade as pessoas estão ligadas é aos elementais que criaram, embora claro isso muitas vezes acabe interligando as pessoas, quase sempre, porque raramente perdoamos e sempre desejamos vingança, mesmo que inconscientemente.

Se eu não tivesse cometido o crime, eu teria sido vitima de assassinato mesmo assim no futuro? 
Não, porque sem realizar o homicídio os elementais físico e astral de assassinato não teriam poder
suficiente para causarem dano no meu futuro desencarne.
Mas, se durante uma vida, ou várias, eu gerar muitos desses elementais fortes, mesmo que jamais chegue a cometer os crimes, eles podem se combinar em um só elemental de assassinato que teria o poder que teriam meus elementais caso eu tivesse cometido
o crime, e então eles poderiam causar meu assassinato sim.

Como sempre, o pensamento, a mente, é a base de tudo.
O karma não poderia ser diferente,
O karma não está ligado às ações, mas sim aos pensamentos e desejos, 
pois as ações, palavras, etc.,
são sempre os elementos sendo moldados pela mente.

Isso explica aqueles dois ensinamentos, 
um de que, 
quem trai sua mulher no pensamento já está cometendo adultério, 
e o outro que,  
o objectivo, não se trata de não matar, mas sim de remover o desejo de matar, 

Então, tudo isso já explica que o controle deve ocorrer na mente, nos pensamentos e emoções,
e não apenas naquilo que é visível para os outros, pois são os pensamentos e sentimentos desarmônicos que desobedecem às Leis Divinas e criam o karma, do mesmo modo, os pensamentos e sentimentos que obedecem às Leis Divinas criam o Dharma, o retorno positivo para nossas vidas, 
É uma colheita... apenas colheremos, receberemos, o que plantamos, enviamos.

Então, está nas mãos de quem, melhorar a nossa vida? 
Apenas nas nossas próprias mãos, 
E nas mãos de todos os seres humanos está a mudança da Terra, 
Se só sentirmos e pensarmos Amor, e consequentemente, 
só falarmos e agirmos com Amor, 
é impossível atrairmos coisas más para nós, nossa vida será um paraíso, ainda que o ajudante
invisível, o Guia de Luz, tenha como objetivo posicionar-se no meio do sofrimento para trazer a
paz para os que sofrem, embora dentro dele ele deva sim possuir um paraíso, o paraíso interno.





A Cura Espiritual 
utilizando os elementais e 
na despolarização de elementais negativos.

Comecemos pela despolarização
Sabemos que polarizamos os elementos do Universo com nossos pensamentos e sentimentos, de forma negativa ou de forma positiva.
O nosso objetivo é purificarmos todos os elementos que deturpamos ao longo de nossa vida eterna e ao longo da história da humanidade.

Purificar, ou despolarizar, ou transmutar, 
é fazer, através do Amor, 
um elemental negativo retornar ao seu estado original de elemento, 
coisa que é difícil para o mesmo fazer sozinho, 
pois sua egrêgora muitas vezes foi muito deturpada, 
então é necessário muitas vezes recorrer ao elemento fogo 
que dos 12 elementos 
é o que possui mais poder de limpeza e transmutação
para que esse elemental regresse a seu estado original como elemento. 

Os elementais positivos, pelo contrário, não deturpam os elementos, e rapidamente voltam a seu estado original quando paramos de os alimentar, isso porque vibram na mesma sintonia de Amor que os elementos em estado puro.

Essa capacidade co-criadora que possuímos pode então, e deve, ser empregada também para criar elementais benéficos, com fins protetores, curadores, estabilizadores de energia, etc., e podemos criar esses elementais para os outros ou para nós mesmos, serão nesse caso elementais criados com consciência do que estamos fazendo, e não inconscientemente, quando eles são apenas frutos dos desejos.

Toda essa capacidade de despolarizar elementais negativos, e de criar elementais positivos, 
explica a possibilidade de resgatar o karma
pois podemos neutralizar e fazer retornar a seu estado original os elementais negativos que nos cobram em nome do karma.
Como fazer isso? 
Com Amor, gerando elementais que neutralizem os negativos e, neutralizando inclusive diretamente esses elementais.
Isso se consegue através de exercícios espirituais, e principalmente, 
do desenvolvimento do Amor em nós mesmos e na ajuda no desenvolvimento do Amor em nosso próximo, e daí conseguiremos, resgatar nosso karma e ficaremos livres.

O entendimento dos elementais nos deixa bem claro também como se processa a cura, pois sabemos que o corpo é um elemental, logo, gerar a cura passa muitas vezes pela substituição do elemental de um tecido doente por outro elemental de um tecido saudável criado por nós, o que exige geralmente a capacidade de expandirmos nossa mente até ao elemental do corpo da pessoa e observarmos como é tudo lá por dentro para criarmos corretamente, no entanto, esse elemental só será aceite e substituirá o elemental deteriorado mediante a aceitação, consciente ou inconsciente, da pessoa em relação à cura, isto porque sempre criamos elementais como resposta a qualquer estímulo, e eles podem ser positivos, de aceitação, o que no caso da cura a facilita, ou de rejeição, o que a pode atrasar ou impedir,
então por isso muitas vezes é melhor curar em silêncio, discretamente, onde só nos depararemos com elementais inconscientes e mais generalistas, e com certeza em número menor, do que aqueles que poderiam ser criados conscientemente.
Isto é especialmente importante no caso de céticos.

Já no caso de quem crê na cura espiritual, essas pessoas saberem o que está ocorrendo, facilita a cura.
"tua fé te curou". 
Se estivermos tentando falar com uma pessoa sobre a espiritualidade, e ela não quiser escutar, existirá algo mais em ação do que apenas sua rejeição consciente, pois ela inconscientemente já terá criado elementais negativos que bloquearão os elementais positivos de esclarecimento e Amor que estaremos enviando em sua direção. 

Como nossos elementais são de Amor deixarão a sua marca, ficarão lá fazendo efeito, mas gradualmente, e por vezes nem sequer conseguimos nada a longo prazo, por isso muitas vezes é melhor ficar quieto e esperar o tempo de cada um, irmos sim inserindo a espiritualidade nas conversas, mas
dentro do que a pessoa pode aceitar e compreender no momento.

Falamos aqui de substituição de elementais que constituem o corpo, mas podemos falar também de elementais que irão ajudar na recuperação dos elementais deteriorados do corpo, 
tudo depende da situação e das necessidades.
Bom, daí já vemos que podemos curar a mente também com os elementais benéficos que podemos projetar, o ajudante invisível irá naturalmente, com o passar do tempo, se aprofundando e entendendo melhor esse assunto.

Para terminar, 
quero apenas acrescentar algo que todos já concluíram, 
como a auto-sugestão é importante
pois estaremos criando fortes elementais de auto- ajuda que nos ajudarão a melhorar em todos os sentidos, ela também é muito eficaz como proteção contra energias negativas,
como por exemplo decretando: 
"Nenhuma energia negativa poderá me atingir durante o dia, ou noite.", 
bom, cada um agora irá descobrindo suas utilidades.

Ainda quero acrescentar algo que todos também já entenderam, 
os elementais são o que nos liga aos obsessores, que os atrai para perto de nós, fazendo aquilo que já sabemos, buscando um algoz para executar em nós aquilo que mandamos esse elemental executar em outro. 
Então, se temos ódio por outras pessoas, como vamos querer não atrair obsessores que virão especialmente para nos odiar?

E ainda acrescento sobre a grande necessidade de despolarizar os elementais antes de dormir, 
"Despolarizo em Amor todos os elementais negativos que criei e atraí desde a última vez que despolarizei meus elementais"
(o que também pode, e deve, ser feito durante o dia, principalmente em situações negativas, pesadas), pois durante o sono os elementais estão no seu terreno, na sua arena, os sonhos, onde nos fazem vivenciar tudo aquilo que inserimos neles como energia, é um local onde medos hipotéticos se tornam medos reais, é um local onde somos vítimas de nossas próprias falhas e ilusões, é o plano astral interno.

E mais uma última reflexão, 
quando rezamos para Jesus, Maria, Buda, qualquer um, 
estamos rezando para eles, ou para os elementais que coletivamente criamos deles? 
E no caso de Deus? 
Será que não fomos nós que criamos nosso Deus e nossos mestres? 

Aqueles em que acreditamos, em nossa maioria, foram os criados por nós.
Os verdadeiros
estão atrás das nuvens espessas formadas por nossos elementais deles, 
e essas nuvens nos impedem de os contatarmos e os conhecermos na realidade. 

Cada ideia que fazemos de Deus, 
cada nome e imagem que lhe damos, cada atributo besta, 
está criando um novo elemental de Deus, para se juntar ao panteão de deuses do horror que nós possuímos, e que muitas vezes até "contatam"(são captados por) alguns "profetas" de araque, e eis uma nova religião surgindo, vamos pensar nisso.

Nossa missão como Pesquisadores da Verdade é buscarmos ir além dessas nuvens e contatar diretamente com os nossos Eu's Superiores, e abrir canais, buracos, nessa espessa barreira para que todos possam ver a Luz, função essa que realizamos como ajudantes invisíveis,
despolarizando os elementais negativos criados por nós seres humanos.

Resumindo, 
posso afirmar que 
sem a noção bem clara de elementais 
não podemos compreender direito a Espiritualidade, 
pois quase tudo é explicado por eles, 
o karma, a lei do retorno,
a cura, 
o poder da auto-sugestão, 
a atração de obsessores, 
a própria Criação, 
a co-criação, 


Então, espero que tenha sido útil a explicação dada a acima sobre eles, que embora extensa foi essencial
que assim fosse, pois é um tema complexo e difícil, a cada dia eu aprendo algo novo sobre isso.

Termino lembrando que a quem muito é dado muito é exigido, quem entende e conhece a Lei dos
Elementais é alguém com muitas responsabilidades, pois desperta de mais um dos sonos da ignorância, e passa a ser um co-criador consciente na Criação
muito mais culpado quando cria algo de negativo 
do que aquele que não conhece nada disto, 
então a obrigação de todos que leram este estudo é passarem a aplicar o que aprenderam se tornando verdadeiros co-criadores do Amor, 
e não serem pessoas que ajudam a cada dia a humanidade a se afundar mais e mais.




Mitch Ham Ell








sexta-feira, 9 de junho de 2023

Dormiu comigo

 







Dormiu comigo, e agora que um dedo
mexe o último gole no copo que lhe dei,
outro conta os golpes até dez.
Antes fosse puta, digo-lhe,
e te bastasse juntar algum dinheiro.
Os espelhos tentaram em vão
copiar-lhe a beleza e até eles estão ali
a criar mofo no seu vazio íntimo.

Nos fundos do pátio aquela árvore
silenciosa parece escurecer. O ar em volta
detém-se quietamente e envelhece.
Chamam-lhe gato.
Os pássaros não se aproximam.
Se o fazem, se enfim se escondem
entre os ramos, é para morrer.

A nós, quem nos diz que estamos vivos?
Corre as cortinas, muda a roupa da cama
para não atrair as moscas ao sonho,
depois talvez possamos adormecer
com a chuva a medir a altura das coisas.

Enquanto as sirenes dos barcos
não atravessam a neblina do amanhecer,
somos a tinta escavando o seu buraco,
suores nocturnos, comboios
na mesma linha. Não me acostumo a isto,
a vida, e nem à guerra de ir e vir
pelas mesmas ruas, caminhos que sabem
o que foi preciso para dar outro passo.

Agora que as águas sobem sozinhas,
que a soma de sóis e luas de uma linha
à seguinte nos dá
a própria velocidade da terra,
regressas aos lugares como o seu afogado.
Como aos vinte anos nas tuas páginas
mais violentas.

O tempo que passa e não passa,
a abelha sagrada que te esperou
num copo voltado. Um sítio chama,
outro responde. Abandonas ao vento o verso,
e do mar, além do ritmo, tiras as espinhas
em que o resto ganha forma.
Meandros, restos, insignificâncias:
coisas que falam por nós.

Talvez o mar esteja perdido, e as ruas que
a ele caíram não nos levem a mais
lugar nenhum. Agora, tudo já faz parte
do vento. Hoje, procuramos saber
a quantas mortes dar
a mesma flor?
As pétalas caindo
de um aroma a outro. Aos dias,
a tudo isto, tivemos de emprestar
outro sentido, e por mais vago,
inventar um ritmo, seguir
de onde o coração parou.

Para quem dá esses passos, a vida
vira uma fábula… A fome aparece
só a meio da história, e a paixão depois,
mas logo que se apanhou com o rasto
do invisível não o largou mais.

Assim, adiantamo-nos ao efémero.
Onde a eternidade muda de pele,
reunimos os homens.
Projectos, planos, data de partida.
E na despedida: fogo. De cima abaixo,
fogo em tudo. Ininterruptamente fogo.

 

Diogo Vaz Pinto 
in, De Aurora para os Cegos da Noite




O que considerar na hora de abrir o relacionamento?

 


Novas configurações de relacionamento 
podem reproduzir velhos padrões 



Os pactos sociais sobre as formas de se relacionar parecem não estar mais fazendo sentido para muitas mulheres. A relação aberta e a não-monogamia começaram a ser consideradas e experimentadas.

Mas, como todo processo de desconstrução, há desafios e armadilhas pelo caminho, que podem transformar essas tentativas de buscar a felicidade em novos modelos de relacionamento em maneiras diferentes de gerar sofrimento e reproduzir padrões. 

Será que dá certo abrir a relação para “salvar” o casamento? Será que vale a pena tentar amenizar a frustração de não conseguir viver o formato de relacionamento que deseja se aventurando em novos modelos? Será que fixar a ideia de que o “amor livre” é forma mais moderna de se relacionar e, por isso, deve ser praticada, é algo realmente positivo? Será que vale a pena entrar na onda do parceiro por medo de ficar sozinha? 

Outro ponto para além das justificativas dessa busca, é a questão dos grupos sociais aos quais pertencem as mulheres que decidem viver um relacionamento aberto  e a não-monogamia, que pode impactar diretamente no resultado da experiência. 

A não monogamia é a negação da monogamia, o padrão hegemônico que prega exclusividade afetiva e sexual entre duas pessoas. 



"Somos seres erotizados e com uma busca de compreender a nós mesmos e nossos corpos, gozos, desejos e fantasias. Todos nós, para além da lógica binária, estamos procurando abrir a mente e assim “abrir” os pactos. Os motivos são diferentes, mas a busca é comum: interrogar quem somos, o que desejamos e como gozamos. 

Se a busca for de ampliar os processos de conhecimento e vivência do próprio erotismo e, eventualmente, de transformação, todos podemos usufruir de maior abertura. 

Mas, na prática, o que se verifica, é que a chamada relação aberta é só uma forma de repetir as estruturas patriarcais clássicas em que o homem transa livre e monotonamente do mesmo jeito com uma série de mulheres disponíveis, como sempre fez, mas agora sem esconder, e a mulher fica com a impressão de que está sendo traída e excluída de um pacto de parceria e afeto. 

 A abertura do relacionamento pode atravessar várias camadas, sejam elas concretas ou de partilha de fantasias. 

A rigor, nunca somos seres monogâmicos. Por exemplo, às vezes, a fantasia que estrutura um gozo feminino é se imaginar sendo a ‘outra’ ou imaginar que o parceiro tem uma amante, e o tesão ocorre justamente quando ela vai montando essa cena enquanto faz sexo com o parceiro. Complexo, não? 

A boa ideia é sempre estar em seu próprio eixo e numa relação de confiança para explorar ao máximo seus desejos e fantasias e, de preferência, no interior de uma relação de cumplicidade máxima. 

É preciso considerar o que a mulher quer saber de si e do outro nessa grande saga que é de fato o conhecimento do mais profundo de nós mesmos e de nossas pulsões, fantasias, sensibilidades e nossos desejos. "

Maria Homem




"Muitos dos homens que sugerem relação aberta a suas companheiras, no geral, parecem buscar uma forma de ampliar o exercício de sua própria sexualidade. Não que isso seja um problema, mas, infelizmente, vejo pouco debate dos homens héteros (monogâmicos ou não) sobre redistribuição de trabalho doméstico, cuidado das crianças, saúde emocional e etc.  

Já escutei de muitas mulheres héteros o relato de que haviam descoberto que seus parceiros as haviam “traído” e, diante disso, propunham a eles que abrissem a relação para que elas também tivessem direito à mesma liberdade. Até hoje, 99% delas tiveram uma negativa de seus companheiros. 

A monogamia segue sendo um lugar em que homens têm liberdade sexual, mas impedem que suas companheiras tenham o mesmo direito. 

Tudo na vida a gente deve decidir por algo que faça sentido para nós, porque aquilo nos interessa, nos inspira. Fazer algo “pelo outro” é a mesma lógica do sacrifício do amor romântico. Dificilmente termina bem algo que já começa com essa dívida. Muitas mulheres passam a vida toda sem colocar a si mesmas no centro de sua própria afetividade/sexualidade, então é muito poderoso quando a gente consegue tirar o homem do centro das decisões e passa a pensar e sentir a partir de si mesma.

Descentralizar as decisões da vida dos homens é sempre uma boa pista para fortalecimento e autoestima. Nisso, é importante a gente lembrar: limites e decisões a gente pode ter apenas sobre o próprio corpo, nunca pelo corpo do outro. Não se terceiriza a autonomia sobre isso. 

Percebo que, no senso comum, há uma obsessão em torno do sexo, então tudo que tem a ver com monogamia ou não monogamia rapidamente é preenchido por fantasias sobre “vantagens e benefícios” sexuais, mas é importante que o debate vá além disso."


Geni Núñez





"Precisamos lembrar que não existe mulher no universal, nem homem. Eu posso falar que mulheres brancas e burguesas têm um jeito de se relacionar diferente de mulheres negras periféricas, por exemplo. 

As mulheres burguesas e brancas, que estão dentro dos padrões, podem aproveitar melhor a liberdade sexual. Mas, na base da pirâmide, vemos mulheres sobrecarregadas, tendo que cuidar de si mesmas, dos filhos e até de outros membros da família. Conheço casais abertos, mas todos da classe média. 

Mulheres pobres e negras são as que menos colocam esta pauta, e isto diz muito sobre a distribuição de afetos e do que chamamos de liberdade. 

Uma das minhas melhores amigas, uma negra retinta, de 48 anos e bem-sucedida na carreira está namorando “sério” pela primeira vez na vida. Ela me contou estar se sentindo uma adolescente, pois saia de mãos dadas, fazia compras juntos e até ganhou um anel de compromisso. Choramos pelo telefone. 

Vendo de fora, mulheres brancas feministas diriam: “Nossa! Ainda estão nessa de amor romântico?”. Eu respondo: “Ainda estamos nessa de ter um relacionamento. Vocês estão discutindo todos estes termos e nós, mulheres pretas, estamos discutindo nos relacionarmos com alguém.” Nós, mulheres negras, estamos tentando sair da condição de amantes. 

Caso a mulher queira ter uma relação aberta, ela deve considerar as suas necessidades, os seus desejos e a sua dignidade. É mesmo o que ela quer? Ela está aceitando para não parecer moralista? Ela quer mesmo experimentar uma relação, sem expectativas e compromissos com alguém? Se é isto que ela quer, sem grilos, que vá com leveza.  

Quando um homem que ama, cuida e dedica a vida a outra mulher me propõe uma relação na qual ele não tem nada mais do que atração física e admiração por mim, eu caio fora. Talvez eu não esteja na moda, mas eu nunca estive mesmo." 


Fabiane Albuquerque 





"Uma mulher empoderada e independente, não quer dizer que precise abrir o relacionamento para ser legitimada como tal. Não monogamia está longe de ser sinônimo de liberdade e feminismo. Inclusive porque, entre as muitas formas de viver esse modelo amoroso, existem aquelas que insistem na manutenção desse mesmo sistema de opressões.  

Mas escolher como amar não passa só por esse olhar para a sociedade. Como amamos e como nos sentimos amadas nem sempre é uma escolha, para começo de conversa. É uma decisão que nos atravessa por inteiro, que percorre cada afluente da nossa identidade, das nossas verdades e memórias.

Transições de modelos relacionais podem ser, portanto, processos dolorosos, lentos, libertadores e, muitas vezes, dispensáveis.  

Viver um amor, ou amores, livre(s) está intimamente ligado a como nos sentimos dentro da relação. Se nos sentimos insatisfeitas, tolhidas, reprimidas em nossos desejos, anseios e vontades, por exemplo, então talvez não seja uma relação livre de verdade. Mesmo que ter outros vínculos e outros afetos faça parte do acordo do casal.  

Por outro lado, ainda que não esteja nos planos abrir-se para múltiplos vínculos românticos e sexuais, um relacionamento pode sim ser considerado livre. Quando podemos ser imensamente quem somos e permitir que o outro seja imensamente quem é, é possível intitular a relação como livre. 

Tomar consciência da nossa trajetória humana dentro das construções sobre o amor é importante. Mas respeitar nossos próprios limites também é.
Então, a não monogamia é para quem deseja vivê-la e se sente pronta para isso. Do contrário, é apenas mais uma forma de nos colocar em moldes. "

Sofia Menegon 





terça-feira, 6 de junho de 2023

Its a part of me


Christian Hjortland






Our lives are not immune to the impacts of time,
nor is our mind between the tensions of love and hate.
That's why I curse this wanderlust heart -
still searching for that wandering star.
without a guide - without a love to call my own.

I try not to look back, but sometimes certain scents, 
remind me of things that saw me as a minority.
A summer heart misplaced in winter's wickedness,
a child frozen in the passages of a stolen childhood.

Ingredients of my life are a juxtaposition of flavours,
finding purity among diseased hearts, 
fighting against principles of corrupt minds

and I hurt nobody - until they pushed me,
it was never about the physical - but the mental.

Silence is different in adolescence -
suppressed into a protective bubble,
you reject the harshness of existence.

My small hands could not hold the burdens,
so I was mute as demons slayed my father,
his anger drowning my brothers into darkness.
Tears of my mother, dehydrated my soul,
so I grew like a tree with broken branches -
sometimes naked, sometimes an abundance of green.

Even in an obscure world of nightmares,
my heart was a light bulb, full of dreams -
but misplaced in a place of misunderstanding.
I adopted silence in the violence,
because I struggled with reality's fabrications.

Fatherless,
I found acceptance in the war on the streets,
where love was poison, but hate brought prosperity.
Only surviving due to my father's name,
yet I knew it was an unwinnable game.
My hands were pacifying guns, 
so I learned to exist without bullets.

I was a black sheep in a strange white herd,
opposing shepherds who couldn't tolerate me.
A clean soul in a dirty social order -
a peaceful heart seeking a place to call home.

Silence is a choice in adulthood.

I used to ignore the pain from unhealed wounds,
but today the inner child screams and shouts,
because oppressors can no longer mute my tongue.

Death taught me not to be bitter,
stubborn fingers how to bleed ink onto paper -
showing compassion in an ugly world.

If life was so simple, we wouldn't look at it differently.
Our perceptions are based on what we have learned,
what was, what is to come and what we search for.

Where you end up depends on how you deal with the past.


Silent One 




Solidão, grande e íntima solidão

 


Christophe Dutour



Só existe uma solidão. 
É grande e difícil de suportar. 
E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. 

Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão.

Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém…
Isto é o que importa conseguir. 

Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto á nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres. 

Ora bem, se um dia os adultos acabarem por descobrir quão pobres são as suas ocupações, e como as suas profissões são vazias e falhas de qualquer nexo com a vida, porque não seguir, então, olhando todas essas coisas com os olhos da infância, como se fosse algo exterior e estranho? 

Porque não olhar tudo de longe, da profundidade do nosso próprio mundo, desde os extensos domínios da nossa própria solidão, que é também trabalho e dignidade e ofício?

Pouca coisa sabemos. 
Mas sempre sabemos que nos devemos ater ao que é difícil, e isso é uma certeza que nunca nos abandonará. 
É bom estar só, porque também a solidão resulta ser difícil. 
E algo que seja difícil deve ser para nós um motivo suplementar para o levar a cabo. 

Também é bom amar, pois o amor é coisa difícil. 
O amor de um ser humano por outro: isto é, talvez, o mais difícil que já nos foi incumbido. 
É a prova suprema e derradeira, a tarefa final, ante a qual todas as outras não foram senão um ensaio. Por isso, não sabem nem podem amar ainda os jovens, que em tudo são principiantes. 

Hão-de aprendê-lo. 
Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em torno do coração solitário e angustiado que palpita alvoraçadamente – devem aprender a amar. 
Mas toda a aprendizagem é sempre um longo período de retiro e clausura. 

Assim, o amor é por muito tempo e até muito longe dentro da vida, solidão, isolamento crescido e aprofundado por aquele que se ama. 
Amar não é, em princípio, nada que possa significar absorver-se em outro ser, nem entregar nem unir-se a ele. Pois, o que seria uma união entre dois seres inacabados, falhos de luz e liberdade? 


Amar é antes uma oportunidade, 
um motivo sublime, 
que se oferece a cada indivíduo 
para amadurecer 
e chegar a ser algo em si mesmo; 
para tornar-se um mundo, todo um mundo, 
por amor a outro.




Rainer Maria Rilke 
in, "Cartas a um Jovem Poeta"




domingo, 4 de junho de 2023

Celestial Music








I have a friend who still believes in heaven. 
Not a stupid person, yet with all she knows, she literally talks to god. 
She thinks someone listens in heaven. 
On earth, she's unusually competent. 
Brave, too, able to face unpleasantness. 

We found a caterpillar dying in the dirt, greedy ants crawling over it. 
I'm always moved by weakness, by disaster, always eager to oppose vitality.
But timid, also, quick to shut my eyes. 
Whereas my friend was able to watch, to let events play out 
according to nature. For my sake, she intervened,
brushing a few ants off the torn thing, and set it down across the road. 

My friend says I shut my eyes to god, that nothing else explains 
my aversion to reality. She says I'm like the child who buries her head in the pillow 
So as not to see, the child who tells herself 
that light causes sadness -
My friend is like the mother. Patient, urging me 
to wake up an adult like herself, a courageous person -

In my dreams, my friend reproaches me. We're walking 
on the same road, except it's winter now; 
she's telling me that when you love the world you hear celestial music: 
look up, she says. When I look up, nothing. 
Only clouds, snow, a white business in the trees 
like brides leaping to a great height - 
Then I'm afraid for her; I see her 
caught in a net deliberately cast over the earth - 

In reality, we sit by the side of the road, watching the sun set; 
from time to time, the silence pierced by a birdcall. 
It's this moment we're trying to explain, the fact 
that we're at ease with death, with solitude. 
My friend draws a circle in the dirt; inside, the caterpillar doesn't move. 

She's always trying to make something whole, something beautiful, an image 
capable of life apart from her. 
We're very quiet. It's peaceful sitting here, not speaking, the composition 
fixed, the road turning suddenly dark, the air 
going cool, here and there the rocks shining and glittering -
it's this stillness we both love. 
The love of form is a love of endings.


Louise Glück



Afortunada Rebeldia










Somos ávidos pela estima social e nos esforçamos por conquistá-la frequentemente. A sua dependência atinge graus exorbitantes na escala das posições sociais, pois a simpatia, sua filha, é um poderoso instrumento que abre as portas e dá acesso ao que tanto se anseia para benefício próprio. Contudo, se de um lado somos incontroláveis consumidores do apreço alheio que pode nos beneficiar convenientemente, de outro, não se pode tapear a própria origem animal da qual somos reféns desde a origem mais primitiva cuja informação genética – modificada e adaptada – faz resultar, ainda nos dias atuais, nos mais variados tipos de comportamento afeitos ao egoísmo e às indelicadezas tão facilmente identificáveis no cotidiano. É o confronto entre a natureza rústica e a roupagem civilizatória.

O que não se enxerga, entretanto, é que paga-se um alto preço por cada cota de investimento que se faz socialmente à espera das “espontâneas” retribuições que se seguem peculiarmente através das relações de troca de favores. 

Tal custo se deve ao enquadramento a que nos submetemos a fim de atender ao que os outros esperam, sobretudo aqueles por quem temos especial interesse. Assim, se um dado benefício pessoal acena-se possível, ainda que vagamente, nos esmeramos em adequar-se à moldura daquilo que se espera de nós na contrapartida de recebermos o merecido prêmio. Para tanto, passamos da cara fechada ao sorriso amistoso e da crítica severa à desmedida bajulação com vistas ao rendimento de tal aplicação. Em incontáveis casos, chegamos mesmo a nos convencer de que assim o fazemos naturalmente e sem segundas intenções. É o aliviador autoengano ao afastar o mal-estar que tenta impor a verdade em vão ao se intrometer onde não foi convidado.

O enquadre da submissão pessoal em troca da aceitação social exige do seu autor o bloqueio da autenticidade, razão pela qual leva a média de pensamentos a se aglutinar ao redor da aparência e a limitar o uso da inteligência criativa que, basicamente, é estimulada frente ao diferente e não ao comum. Porquanto ganha-se na convivência com o ajuste socializável – credite-se também o fato de ele ser um importante agente civilizatório – e perde-se, significativamente, com o bloqueio da criação e da inovação. Ora, se um dos requisitos mais essenciais do mundo contemporâneo, em destaque a área profissional, é justamente a criatividade, capaz de fazer enxergar além do vulgar e propor saídas alternativas para os problemas que se avolumam por sua natureza crescentemente complexa em decorrência da acirrada competitividade, então muitos andam, inequivocamente, a lentas passadas, retardando a progressão que poderia ocorrer mais estimulante e velozmente.

É de convir, pois, que o enquadre imposto pela necessidade de estima social geralmente dá resultado naquilo que se propõe fazer. Todavia, ao fixar-se nesse modelo de convivência a pessoa tende a restringir tanto o exercício da criatividade e do autodesenvolvimento quanto o campo de atuação pelo simples motivo de ela se acomodar submissamente como forma de se satisfazer com o seu lugar ao sol. Mas não percebe, tristemente, que é atingida por uns poucos e fracos raios da luminosidade e quentura, em contraste à abundância que lhe aguarda ao preço de romper, dosadamente, com o enquadre social autoimposto.

Afortunada é a rebeldia da autenticidade ante tal enquadre; ela é uma poderosa chave para mudar a crença aprisionadora e abrir porta bem maior do que se supõe existir, pois verdadeiro portal é aberto àquele que ultrapassa criativamente os limites da mesmice e resolve questões até então insolúveis a despeito da simpatia social, pois na hora do “vamos ver” o que conta é o resultado.


Armando Correa de Siqueira Neto


quinta-feira, 1 de junho de 2023

Who Am I?






Who am I, you ask?
I am a lion who comes off as a lamb.
I am an ocean with waves big enough to drown.
I am a roller coaster of emotions.
I am a hater of ignorant people, liars,
And people who use others for a gain.
I am a lost soul, a naive child.
I am one who has seen enough
That would make most people's skin crawl.
I am me, not you.
I am who I am.
Judging me is only a negative reflection on you.
So who am I, you ask?
I am me...just me.


Natasha L. Bishop



Do outro lado do espelho

 



Todas essas são histórias 
de amores desencontrados. 
Amores reais ou imaginários



Quando você era adolescente e estava aprendendo a se relacionar sem a mediação da sua família, você logo entendeu que talvez fosse melhor disputar o brinquedo com o irmão do que disputar a atenção da menina que você gostava com metade da sua sala. Na verdade, na época você não entendia ainda, mas você talvez gostasse daquela menina justamente porque todos os seus amigos também gostavam. Quem sabe no início da vida a gente goste mais de algo não tanto pela coisa em si mas pelo valor que os outros dão para a coisa. Sua primeira dor de amor foi justamente perceber que ia ter que enfrentar ou ser traído ou trair o melhor amigo. Tudo o que você queria era achar um lugar confortável no mundo mas logo caiu no jogo intrincado da vida, que parecia já tão estranha. 

Com os meninos, jogo e competição; 
com as meninas, fuga, cobrança e outro tipo de jogo.

Aí você cresceu e entrou — ufa — na categoria jovem, com todo um universo, uma universidade ou um mercado de escolhas à sua volta. Num primeiro momento foi uma linda sensação de liberdade, poder passear em todas as rodas (gigantes) das possibilidades de relação. Depois, justamente por isso, você percebeu que estava perdido, girando de roda em roda, de corpo em corpo, e de repente não sabia mais o que queria ou para quem se mostrava ou o que conquistava. Diante do imperativo de movimento e diversão e festa, você no fundo só se sentia fazendo coisas sem parar e chegava quinta-feira já estava cansado de ter que trabalhar se “relacionando” mais outros quatro dias da semana.

Depois de ter “aproveitado bem a vida”, você chegou aos 30 anos e agora tinha acabado a brincadeira. Você nem estava muito bem preparado para saber no que ia trabalhar ou se desempregar nas próximas décadas e de repente as meninas, aliás, jovens mulheres só queriam compromisso e futuro. Elas estavam na idade de casar e a questão era se você era ou não era um bom partido. Ou um partido digno desse nome, elegível para o cargo. 

  • Como você estava posicionado no mercado afetivo-sexual? 
  • Quantas moças de boa família ou dinheiro ou beleza você tinha ao seu dispor? 
  • Pera, e o amor, isso existe? 

Talvez tudo não passasse de uma invenção romântica medieval-provençal. 
A dama e o proponente. 

Não importa tanto você ser quem você é, o negócio (sim) é cumprir a fantasia dela e da sociedade sobre o que se espera de você: jovem promissor com futuro brilhante. O moço que todo pai e mãe desejaria para sua filha/o. Será que mudamos tanto assim nos últimos séculos da história da sobrevivência humana?

Se isso era verdade nessa época, aos 40 importa menos ainda quem você é e tudo o que pensa no fundo do seu coração (ops que coração?). Porque, agora, as mulheres estão chegando ao seu limite reprodutivo e você foi relegado ao papel de macho reprodutor. E não reclame. Elas ainda desejam você (ou sua figura) e ainda não partiram totalmente para um bom espécime do banco de sêmen. Sim, você estava evitando a faixa das mulheres de 30 anos nos aplicativos pois todas estavam desesperadas para casar. E agora ficou atônito que as de 37-43 estão querendo transar só se for sem camisinha. Oi? Esse papel não era meu? Sim, agora você se sente um pobre touro funcional.

Quer seja dessa maneira ou de outra, você acabou sendo pai e tem um lindo baby para passear na praça todo orgulhoso e assediado num dia de sol. Mas a alegria dura pouco. Logo os bebês crescem e as mulheres cansam ou se irritam e agora a briga é por cada gesto mal colocado. 
Como você não percebeu que tudo o que você construiu ia virar pó? 
No fundo, ela te desqualifica e diz que você não vale nada como homem: nem na cama, nem na vida, nem na sala de visita.

Pois é, o mundo mudou muito rápido desde que você entrou nesse labirinto e agora bateu a crise. A famosa, a clássica, a incontornável crise da meia-idade. Aos 50, quase tudo perde o sentido e você já viveu o suficiente para ver que não é tão maravilhoso quanto sua mãe, seu espelho e sua primeira namorada da província (ou da bolha) achavam. E, enfim, você entende, pobre avestruz: ela gosta do casamento e não de mim. O seu mundo começa a desmoronar.

É o momento da apatia cínica, da ira semifascista, da síndrome do pânico ou da depressão. 
Depende da moda diagnóstica que seu psiquiatra segue ou do tipo de coach que sua empresa oferece – qualquer um desses serviços sai mais barato para segurar a “produtividade” no final. E também do gabarito do advogado de família que você pode contratar. Separação? Às vezes você ousa sonhar. Mas não tem coragem, melhor não. Então você fica nessa família mesmo, com medo da ameaça velada ou explícita dela fazer da sua vida um inferno. Ou medo do seu superego sussurrar que você é um loser total, sem ao menos uma família pra exibir nos eventos.

Aos 60 ou 70, dependendo da aparência física que deu pra conservar, você já está mais experiente e casca-grossa e aprendeu o óbvio: elas só querem saber do seu dinheiro. Sugar daddy. Ou você está velho demais mesmo para isso?

Mas tudo bem se você não for o pica das galáxias com a Ferrari na garagem, ou o phodástico do superbônus na manga. Se você for um boy fracasso ou mesmo boy lixo. Ou a farsa que só você sabe no fundo que é mesmo. Agora tem dez mulheres interessantes para cada homem no mercado, e você, finalmente, está nadando de braçada.

Todas essas são histórias de amores desencontrados. 
Amores reais ou imaginários.

Você vai então perceber que o sim é, de fato, o descuido do não. E se perguntar se ainda tem energia e uma colher de coragem para se desvestir desses inúmeros papéis e se revelar desarmado diante de um outro alguém.

Nessa hora, você até pode sentir um pouco de medo. Mas logo vai respirar bem e se maravilhar com o fato de que você pode até estar muito cansado, mas a vida é incansável.


Que haja a sorte do encontro, 
a coragem de sustentar o desejo 
e a graça de não definhar.





MARIA HOMEM




AOS AMORES PERDIDOS

 


A sorte do encontro, 
a coragem de sustentar 
e a dor da perda 
depois do grande recebimento.


Você pode chorar por aquele garoto que aos 15 anos tentou te seduzir numa festa da forma mais desajeitada possível, dizendo que você era tão irrelevante como um limpador de rodapé de piscina. Ou outra estupidez qualquer. Você foi embora e deixou ele falando sozinho o seu papo de 3º ano primário. Talvez ele já tivesse 23 anos. Você chora por ele ser tão bonito e inteligente e ao mesmo tempo tão tonto. Ou talvez chore por ter ido embora e uma parte de você se pergunta até hoje se deveria ter ficado e insistido na velha pedagogia que as mulheres praticam se fingindo de mais bobas que os homens enquanto eles crescem e vão criando o hábito de serem homens.

Você pode lamentar o fato de ter perdido a chance do encontro quando o homem que te interessava, com a idade certa no momento certo, te convidou para jantar e você disse que não podia aquele dia. Porque não podia mesmo ou porque achou que deveria valorizar o passe e não ser tão disponível, tanto faz. O caso é que você até tentou se disponibilizar outras vezes mas ele nunca mais ousou repetir o convite, com medo de receber o que ele interpretou como um estridente não. E era um sim.

Você pode sofrer ou quebrar a sua cabeça (quase sempre sinônimos) tentando entender um ex-pretendente que casou e teve filhos e por algum motivo não estava feliz e te procurou 20 anos depois para dizer isso, que não estava feliz. Mas ele não queria nada mais do que isso: ficar falando com você enquanto ficava casado e com filhos. Provavelmente falava com você, habitante de um lugar mágico e clandestino, para que ele continuasse no mesmo lugar em paz: casado, com filhos e infeliz.

Essa história é muito comum. Acontece com velho amigo da escola ou do trabalho, com alguém que você conheceu na festa de ontem ou qualquer um que quer e não quer ser seu amante ao mesmo tempo. Pode ser alguém por quem você se apaixonou e, pasme, também se apaixonou por você mas que se apaixonou por você para ajudá-lo a ter certeza da importância do pacto simbólico que ele mantém em seus laços institucionais – observados por todos os olhos daqueles que lhes são caros na vida ‘em sociedade’. Se ele ‘decepcionasse’ esses outros, seu valor narcísico cairia e assim é você quem vai cair nessa bolsa de valores afetivos. Você finalmente entende as engrenagens e chora mais uma vez. Ele também, talvez. Escutando uma música bem bonita.

Outra história comum, mas talvez nem tanto, e que te aconteceu também é a do cara cuja mulher está grávida e começa a ter uma vontade irresistível de sair cortejando inúmeras mulheres. Ou mesmo uma em particular. Quanto mais cresce a barriga daquela (sua) mulher-mãe, mais ele tem tesão em se fazer homem diante de uma fêmea, outra. Você é essa outra, no caso. Chora por isso também quando recebe a foto do fofo bebê, que entrou na história só agora e não tinha nada com isso. Aliás, ele tem tudo a ver com esse pai e vai descobrir isso a duras penas em sua análise futura, quiçá, um dia.

Todas essas são histórias de amores perdidos. 
Amores mais imaginários que reais. 
Amores abortados.

Na coluna deste mês eu gostaria de homenagear todas as mulheres – que sofrem todos os tipos de dor de amor. Elas são ensinadas a amar e a aceitar que o amor dói; e são ensinadas a suportar essa dor. No mínimo três camadas de culto ao amor e ao sofrimento.

E queria também homenagear todos os amores reais que foram perdidos. 
Todos aqueles encontros em que Kayrós foi agarrado em seu instante preciso e o Sim pode se fazer. O Sim é o descuido do Não. O descompasso cedeu e você parou de bater a cabeça na parede, ou na trave. Todos os vetores estavam lá, prontos e maturados. E a coisa se fez, linda sharp potente, de vento em popa.

Se fez o tempo que foi possível. Até que cessou. E você perdeu de novo. Você dessa vez chorou a dor da perda, mas a dor mais crua, que é a da perda depois do grande recebimento. Aí é o encontro com o trágico. O real.

Que talvez não tenha poção ou mertiolate ou elaboração que cure totalmente. É uma cicatriz com a borda que de repente está em carne viva e não tem meios de parar de te encher a paciência. Fica ali, latejando.

Mas de vez em quando dá para esquecer. Quando por exemplo você se depara com uma supresa boa, o amor do filho ou uma obra que te seduz. Como o papel fotográfico que fez um desenho capturando a luz dos vagalumes. Como as linhas orgânicas e únicas a cada vez que a inteligência artificial conseguia mimetizar as ondas do mar em movimento. Como o jardim abstrato das flores que cada um de nós desenhava e a máquina misturava infinitamente. Isso tudo está em alguns andares de um farol cultural que fica não à beira mar mas no centro da selva de pedra paulistana. Farol de luz e algum sublime.

Nessa hora você até pode chorar um pouco escondido. Mas logo vai esquecer e se maravilhar com o fato de que você pode até estar cansada mas a vida é incansável.


Que haja a sorte do encontro, 
a coragem de sustentar o desejo 
e a graça de não definhar com a perda.



MARIA HOMEM