terça-feira, 2 de maio de 2017

Espaço Sagrado


Alexander Yakovlev




Hoje, ao longo de tantas etapas de aprendizagem, noto que o cuidado com o nosso espaço sagrado deve ser prioridade.

O primeiro espaço sagrado: o Eu!

Nosso primeiro espaço sagrado é o nosso corpo, nosso veículo de comunicação, de interação com as outras formas divinas expostas no universo.
Nosso trabalho com as palavras, com os pensamentos, com nosso corpo, nosso toque tem que ser feito a medida que reconhecemos a riqueza em cada um desses atos, em cada uma dessa interação que existe nossa energia depositada.

“Tudo é uma questão de encontrar o sagrado dentro de mim mesmo, meu centro, meu interior pacífico. Nós todos temos um espaço sagrado dentro de nós, que é uma parte de nosso ser. Esse espaço sagrado é um templo que nos conduz até o nosso poder interior, nossa intuição e nossa relação com o divino. A descoberta de poderes psíquicos, encantos, feitiços e a meditação são coisas que nos levam até esse templo. Esses fatores nos ajudam a encontrar o caminho dentro de nós e nos faz caminhar até o templo interior.”
Christopher Penczak


Precisamos, inicialmente, descobrir o que nos motiva, com o que nos identificamos, com o que queremos descobrir. Se descobrir no que nos falta, no outro e em tudo, mas sempre utilizar aquilo que conversa com você: A sua sabedoria pessoal.

Lembrando sempre de engrandecer o que já foi edificado por você ao longo de sua evolução, no percurso de suas vidas.

Seu compromisso de renovação deve ser constante, vivido tanto pelos seus ciclos quanto os ciclos de Gaia, entrando assim, em sintonia com os poderes da vida.
A Sabedoria do Feminino.

Neste cuidado com o seu espaço sagrado, busque nutrir-se corretamente.
A nutrição advém dos alimentos, dos pensamentos, das emoções sadias, do cuidar-se e do permitir ser cuidada.

Tente ouvir e entender o que o seu corpo pede, o que sua alma anseia.



Dance! Isso alimenta seu corpo!
Medite! Isso alimenta sua mente.
A Paz é o alimento da alma.
Sorria! É o alimento da vida!



Lívia Correia



Elefante - Simbolismo





DESCRIÇÃO


Elefante é o termo genérico e popular pelo qual são denominados os membros da família Elephantidae, um grupo de mamíferos proboscídeos elefantídeos, de grande porte, do qual há três espécies no mundo atual, duas africanas (Loxodonta sp.) e uma asiática (Elephas sp.). 

Há ainda os mamutes (Mammuthus sp.), hoje extintos.

Os elefantes são os maiores animais terrestres da actualidade, com a massa entre 4 a 6 toneladas e medindo em média quatro metros de altura, podem levantar até 10.000 kg. 
As suas características mais distintivas são as presas de marfim.

Pertence ao grupo de animais selvagens chamado de big five, correspondente aos 5 animais mais difíceis de serem caçados: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte.

Os elefantes são animais herbívoros, alimentando-se de ervas, gramíneas, frutas e folhas de árvores. Dado o seu tamanho, um elefante adulto pode ingerir entre 70 a 150 kg de alimentos por dia. 




As fêmeas vivem em manadas de 10 a 15 animais, lideradas por uma matriarca, compostas por várias reprodutoras e crias de variadas idades.
O período de gestação das fêmeas é longo (20 a 22 meses), assim como o desenvolvimento do animal que leva anos a atingir a idade adulta.
Os filhotes podem nascer com 90 kg.
Os machos adolescentes tendem a viver em pequenos bandos e os machos adultos isolados, encontrando-se com as fêmeas apenas no período reprodutivo.




Devido ao seu porte, os elefantes têm poucos predadores. 
Exercem uma forte influência sobre as savanas, pois mantêm árvores e arbustos sob controle, permitindo que pastagens dominem o ambiente. Eles vivem cerca de 60 anos e morrem quando seus molares caem, impedindo que se alimentem de plantas.

Os elefantes-africanos são maiores que as variedades asiáticas e têm orelhas mais desenvolvidas, uma adaptação que permite libertar calor em condições de altas temperaturas. Outra diferença importante é a ausência de presas de marfim nas fêmeas dos elefantes asiáticos.

Durante a época de acasalamento, o aumento da produção de testosterona deixa os elefantes extremamente agressivos, fazendo-os atacar até humanos.
Acidentes com elefantes utilizados em rituais geralmente são causados por esse motivo.
Cerca de 400 humanos são mortos por elefantes a cada ano.





A probóscide, ou tromba, é uma fusão de nariz e lábio superior, alongado e especializado para se tornar o apêndice mais importante e versátil de um elefante. A ponta da tromba dos elefantes-africanos está equipada de duas protuberâncias parecidas com dedos, enquanto os elefantes asiáticos têm apenas uma destas.

Segundo os biologistas, a tromba do elefante pode ter cerca de quarenta mil músculos individuais, o que a faz sensível o suficiente para pegar numa única folha de relva, mas ao mesmo tempo forte o suficiente para arrancar os ramos de uma árvore. 
Algumas fontes indicam que o número correcto de músculos na tromba de um elefante é mais perto de cem mil.

A maior parte dos herbívoros (comedores de plantas, como o elefante) possuem dentes adaptados a cortar e arrancar plantas. Porém, à excepção dos muito jovens ou doentes, os elefantes usam sempre a tromba para arrancar a comida e levá-la até à boca. Eles pastam relva ou dirigem-se as árvores para pegar em folhas, frutos ou ramos inteiros. Se a comida desejada se encontra alta demais, o elefante enrola a sua tromba no tronco ou ramo e sacode até a comida se soltar ou, às vezes, simplesmente derruba completamente a árvore.




A tromba também é utilizada para beber.
Elefantes chupam água pela tromba (até quatorze litros de cada vez) e depois despejam-na para dentro da boca.




Elefantes também inalam água para despejar sobre o corpo durante o banho.





Sobre esta camada de água, o animal então despeja terra e lama, que servirá de protector solar. 




Quando nada, a tromba também pode servir de tubo de respiração.




Este apêndice também é parte importante das interacções sociais. 
Elefantes conhecidos cumprimentam-se enrolando as trombas, como se fosse um apertar de mãos. 




Eles também a usam enquanto brincam, para acariciar durante a corte ou em interacções entre mãe e filhos, e para demonstrações de força.




Como demonstração de força - uma tromba levantada pode ser um sinal de aviso ou ameaça, enquanto uma tromba caída pode ser um sinal de submissão. 





Elefantes conseguem defender-se eficazmente batendo com a tromba em intrusos ou agarrando-os e atirando-os ao ar.




A tromba serve também para dar ao elefante um sentido muito apurado de cheiro.
Levantando a tromba no ar e movimentando-a para um lado e para o outro, como um periscópio, o elefante consegue determinar a localização de amigos, inimigos ou fontes de comida.




As presas de um elefante são os segundos incisivos superiores. 
As presas crescem continuamente; as presas de um adulto médio crescem aproximadamente 15 cm por ano.
As presas são utilizadas para escavar à procura de água, sal ou raízes; para retirar a casca das árvores, para comer a casca; para escavar a árvore adansonia a fim de retirar-lhe a polpa; e para mover árvores ou ramos quando um trilho é criado.
Para além disso, são utilizadas para marcar as árvores para demarcar o território e ocasionalmente como armas.

Tal como os humanos, que são tipicamente destros, os elefantes são ou destros ou canhotos.
A presa dominante, chamada a presa mestra, é, em geral, mais curta e mais arredondada na ponta por causa do uso. Tanto os machos como as fêmeas dos elefantes-africanos têm grandes presas que podem chegar até acima dos 3 m em comprimento e pesar mais de 90 kg.

Na espécie asiática, só os machos têm presas grandes. 
As fêmeas asiáticas têm presas que são ou muito pequenas ou que são simplesmente inexistentes.

Os machos asiáticos podem ter presas tão longas como os machos africanos, mas são normalmente mais finas e leves; a presa registrada mais pesada de sempre pesava 39 kg. A presa de ambas as espécies e constituída principalmente de fosfato de cálcio na forma de apatite.




Como um tecido vivo, é relativamente macia (comparado com outros minerais como a pedra), e a presa, também chamada de marfim, é apreciada por artistas pela sua esculturabilidade. A procura de marfim de elefante tem sido uma das razões para o declínio dramático da população mundial de elefantes.

Alguns familiares extintos dos elefantes tinham presas também nos maxilares inferiores, como os Gomphotherium, ou só nos maxilares inferiores, como os Deinotherium.

Os dentes dos elefantes são muito diferentes dos dentes da maior parte dos mamíferos.
Durante a sua vida eles têm normalmente 28 dentes. 
Estes são:

  • Os dois incisivos superiores: as presas.
  • Os precursores de leite das presas.
  • 12 pré-molares, 3 em cada lado de cada maxilar.
  • 12 molares, 3 em cada lado de cada maxilar.


Ao contrário da maior parte dos mamíferos, que desenvolvem dentes de leite e depois os substituem pelos dentes adultos permanentes, os elefantes têm ciclos de rotação de dentes durante a vida toda. Passado um ano as presas são permanentes, mas os molares são substituídos seis vezes durante a vida média de um elefante.




Os elefantes são chamados de paquidermes, que significa "com pele espessa". 
A pele do elefante é extremamente rija na maior parte do seu corpo e tem cerca de 2,5 cm de espessura. No entanto, a pele à volta da boca e dentro das orelhas é muito fina.
Normalmente, a pele dos elefantes-asiáticos está coberta por uma maior quantidade de pêlos do que no caso do seu congénere africano, sendo esta característica mais acentuada nos mais novos.



As crias asiáticas estão cobertas de uma espessa camada de pêlo de coloração vermelho acastanhado. À medida que ficam mais velhas, este pêlo escurece e fica menos denso, permanecendo na cabeça e na cauda.




Os elefantes têm, geralmente, cor acinzentada, embora os africanos pareçam frequentemente acastanhados ou avermelhados por se rolarem na lama ou em solo dessa cor. 

Rolar na lama é um comportamento social de grande importância para os elefantes, além de que a lama forma uma espécie de protector solar, protegendo a pele dos efeitos nocivos da radiação ultravioleta.
No entanto, a pele de um elefante é mais sensível do que parece.
Sem banhos regulares de lama para se proteger de queimaduras, mordidas de insecto, e perda de humidade, a pele de um elefante sofreria importantes danos.




Depois do banho, o elefante, normalmente, utiliza a sua tromba para atirar terra sobre o seu corpo para o secar, formando uma nova camada protectora.
Como os elefantes estão limitados a áreas cada vez menores, há progressivamente menos água disponível, pelo que os diversos grupos aproximam-se cada vez mais, o que origina conflitos quanto à utilização destes recursos limitados.

Rolar na lama também ajuda a pele a regular a temperatura.
Os elefantes têm muita dificuldade em libertar calor através da pele porque, em relação ao seu tamanho, têm pouca superfície de pele. A razão da massa de um elefante para a área de superfície de pele é muito menor do que num ser humano.




As patas de um elefante são pilares verticais, pois precisam suportar o grande peso do animal.

Os pés de um elefante são quase redondos.
Os elefantes africanos têm três unhas em cada pé traseiro e quatro em cada um dos pés da frente. 
Os elefantes indianos têm quatro unhas em cada pé traseiro e cinco em cada um dos da frente.

Por baixo dos ossos dos pés existe uma camada gelatinosa que funciona como uma almofada de ar ou amortecedor. Por esta razão, um elefante pode ficar de pé por longos períodos de tempo sem se cansar. Aliás, elefantes africanos raramente se deitam, exceto quando estão doentes ou aleijados. Elefantes indianos, em contraste, deitam-se frequentemente.

Por baixo do peso do elefante, o pé incha, mas desincha quando o peso é removido. Um elefante pode afundar na lama, mas consegue retirar as patas facilmente porque os seus pés reduzem de tamanho quando levantados.




O elefante é um bom nadador, mas não consegue trotar, saltar ou galopar.
Tem dois andares: o caminhar e um passo mais acelerado que partilha características com a corrida.
Quando caminha, as patas funcionam como pêndulos, com as ancas e os ombros subindo e descendo quando o pé é assente no chão. O passo mais acelerado não corresponde à definição habitual de corrida, porque os elefantes têm sempre pelo menos uma pata assente no chão.
Como ambas as patas traseiras ou as dianteiras estão no ar ao mesmo tempo, este passo é semelhante às patas traseiras e as dianteiras correrem de cada vez.



Andando a passo normal, um elefante anda a cerca de 3 a 6 km/h mas pode chegar a 40 km/h em corrida.




As grandes orelhas do elefante são também importantes para a regulação da temperatura.
As orelhas de um elefante são feitas de material muito fino esticado sobre cartilagem e uma vasta rede de vasos sanguíneos. Nos dias quentes, os elefantes agitam constantemente as orelhas, criando uma brisa suave. Esta brisa arrefece os vasos sanguíneos à superfície, e o sangue mais fresco circula então pelo resto do corpo do animal. O sangue que entra nas orelhas do animal pode ser arrefecido até cerca de 6 graus Celsius antes de retornar ao resto do corpo.

As diferenças entre as orelhas dos elefantes africanos e asiáticos pode ser explicada, em parte, pela sua distribuição geográfica. Os elefantes africanos estão mais próximos do equador, onde o clima é mais quente. Por isso, têm orelhas maiores. Os asiáticos vivem mais para norte, em climas mais frescos, e portanto, têm orelhas menores.

As orelhas também são usadas para intimidação e pelos machos durante a corte. 
Se um elefante quer intimidar um rival ou predador, estende as orelhas para parecer maior e mais imponente. Durante a época da procriação, os machos emitem um odor de uma glândula situada entre os olhos. Joyce Poole, um conhecido investigador sobre os elefantes, propôs a teoria que os machos abanam as orelhas para espalhar este "perfume elefantino" até grandes distâncias.





A caça de elefantes, causada principalmente pelo seu marfim, é geralmente ilegal em todos os países africanos. No entanto, dadas as enormes quantidades de comida que estes animais requerem, alguns parques naturais africanos recorrem à emissão de licenças de caça em número reduzido para controlar as populações e angariar fundos. A caça dos elefantes teve também consequências a nível evolutivo. Visto que o objectivo primordial dos caçadores eram as presas, os animais que não as tinham graças a uma mutação genética, foram favorecidos.

Ao longo da história, os elefantes foram utilizados pelo Homem para várias funções, como transporte, entretenimento e guerra. Os elefantes de guerra foram uma peça táctica importante antes da generalização da artilharia, principalmente nos exércitos de Cartago e do Império Aquemênida. O general Aníbal considerava os animais excelentes para os combates militares, embora não apresentassem resistência ao frio. Foi através de Alexandre, o Grande que os elefantes de guerra chegaram ao Ocidente, em 325 a.C.

Apesar destes usos, o elefante não é um animal doméstico, na medida em que não é criado em cativeiro. Quase todos os elefantes ao serviço do Homem foram ou são animais domados, isto é, nascidos em liberdade e adaptados às várias funções.

Os motivos da falta de sucesso da domesticação dos elefantes incluem as despesas elevadas de manutenção, o longo período de gestação e crescimento e o temperamento por vezes violento destes animais. 
É por causa da sua personalidade que a grande maioria dos animais domados são fêmeas; em contrapartida, elefantes de guerra eram (e, ainda hoje, normalmente são) exclusivamente machos.

Atualmente todas as espécies de elefantes são considerados como espécies em perigo de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN).
Os elefantes encontram-se ameaçados pela caça ilegal e perda de seu habitat. 
O marfim de seus dentes é usado em jóias, teclas para piano, hanko (selos personalizados para assinatura de documentos oficiais, exigida no Japão) e para outros objetos.
Sua pele e outras partes são um componente comercial de menor importância, enquanto a carne é utilizada pelas pessoas da localidade.
A ameaça ao elefante africano representada pelo comércio de marfim é exclusivo para a espécie. 



Animais maiores, de vida longa e de reprodução lenta como os elefantes são mais suscetíveis à caça excessiva do que outros animais. Eles não podem se esconder e são necessários muitos anos para um elefante crescer e reproduzir-se.
Um elefante necessita uma média de 140 kg de vegetação por dia para sobreviver.
Como os grandes predadores são caçados, as populações de pequenos animais que pastam (concorrentes do elefante nos alimentos) se encontram em ascensão. O aumento do número de herbívoros devastam as árvores, arbustos e gramíneas do local. Os próprios elefantes têm poucos predadores naturais além do homem (ocasionalmente os leões).
No entanto, muitos governos africanos permitem legalmente a caça limitada.
A grande quantidade de dinheiro que é cobrada para as licenças necessárias é frequentemente utilizada para apoiar os esforços de conservação, e o pequeno número de licenças emitidas (geralmente para animais mais velhos) garante que as populações não sejam esgotadas.






A TRADIÇÃO INDIANA SOBRE OS ELEFANTES E A PROSPERIDADE



Venerar os elefantes é uma tradição milenar indiana, onde os animais são considerados figuras sagradas e provedores de bons fluídos, atuando como uma espécie de amuleto vivo de proteção.
Em alguns templos, o animal é criado dentro de suas dependências, como forma de atrair riquezas e prosperidade ao local e a quem o frequenta.

O elefante confeccionado como amuleto, no entanto, pode ser utilizado em diversas ocasiões e lugares, podendo ser encontrado na forma de chaveiros, em bijuterias e também no formato de estuetas dentro de casa ou no escritório.
Geralmente em residências e estabelecimentos comerciais o item costuma ser colocado virado de costas para a porta de entrada, uma vez que nesta posição o animal tende a atrair mais sorte e repelir a falta de dinheiro de quem possui o amuleto.

Outros detalhes agregados ao amuleto têm relação com a cor vermelha, a qual pode ser inserida como um adorno ou vestimenta para o elefante, impedindo assim a aproximação de energias negativas no ambiente ou olho gordo e inveja em quem o possui. 
Segundo a tradição indiana, acariciar a tromba do amuleto antes de sair de casa também pode ser capaz de lhe trazer mais saúde e felicidade.

Como um animal de vida longa, chegando a completar até 70 anos de idade, o elefante pode ser representado ainda como um simbolo de longevidade. Esse desejo pode ser expressado ao ser presenteado com o amuleto, o que significa que alguém lhe quer bem, saudável e livre de más vibrações.

A cultura ocidental considera o elefante como o animal que representa o peso, a lentidão e a falta de jeito. Mas no oriente a ideia é completamente oposta. Os hindus veneram os elefantes como animais sagrados.

O elefante é a montaria dos reis. É o símbolo de estabilidade e imutabilidade. Simboliza, dessa forma, o poder de reger. A paz e a prosperidade são os efeitos desse poder estabelecido. A yoga costuma atribuir o elefante a um dos chakras (muladhara), que corresponde ao elemento terra.

Com seu poder real, uma vez que só nobres o montavam, era capaz de invocar a paz e prosperidade a todos os que precisavam. Por toda a Índia ecoa ainda hoje uma frase repleta de fé: “o poder do elefante proporciona àquele que o invoca tudo que se deseja”.
O elefante real carregava na sua cabeça, na altura do 3º olho, uma imensa jóia de grande valor. Acredita-se que esta raridade possuía o brilho dos raios, uma vez que o animal é a montaria do deus das tempestades.

Na Tailândia, Laos, Sião e Camboja por exemplo, o elefante branco é diretamente relacionado à chuva e à boa colheita.

O Elefante Branco é um animal raro, quase mitológico, que surge por mutação. 

Os Elefantes Brancos eram estimados pelas culturas do Sudeste Asiático e mantidos pelas casas reais da Burma, da Tailândia, do Laos e do Cambodja.
Eram considerados portadores de paz e prosperidade para o reino e o monarca que os possuísse era tido como poderoso e justo. 
A tradição que associa o Elefante Branco à pureza remonta ao início do Budismo, com o mito que conta como a mãe do Buda recebeu a notícia do seu nascimento através de um sonho em que um Elefante Branco lhe oferecia uma Flor de Lótus.




O elefante remete a imagem de GANESHA, o deus hindu com cabeça de elefante.
Deus da sabedoria, da superação e remoção dos obstáculos.
Um dos deuses mais cultuados na Índia.
Ele abre os caminhos e seu nome significa “Senhor de todos os Seres”.

GANESHA é conhecimento, inteligência, guardião da riqueza, da beleza, da saúde, do sucesso, da prosperidade, da graça, da compaixão, da força, do equilíbrio. 
Possui corpo de homem, que representa o microcosmo, a manifestação e possui cabeça de elefante que representa o macrocosmo. 
Dessa forma, o elefante é, paradoxalmente, considerado o começo e o fim ao mesmo tempo.

Para a mitologia hindu o elefante é a montaria de cada uma das oito deidades que presidem os oito pontos cardeais.
O deus INDRA, deus da chuva, das ventanias e dos elementos naturais, monta um elefante chamado Airâvata.
O deus Krishna e a sua esposa Radha podem metamorfosear-se em elefantes e nesse sentido, representam a corporiedade do amor divino.

Em alguns lugares, quando posicionado acima de uma pilastra, o elefante evoca o Despertar. 

É também considerado como um animal cósmico, visto que se assemelha à estrutura do cosmos: quatro pilares sustentando uma esfera.

Segundo a mitologia hindu, os primeiros elefantes do mundo possuíam asas e brincavam com as nuvens. Os elefantes, mesmo sem asas, continuaram a ser amigos das nuvens e a ter o poder de pedir que elas tragam as chuvas. Por isso, os elefantes são ainda hoje venerados na Índia.

Os elefantes ajudam as pessoas e trabalham muito.
Além de tudo, são considerados símbolo de boa sorte.
Dizem que elefantes atraem boas energias como adorno e amuletos na sala de sua casa. 
É considerado também um dos melhores amuletos para combater a inveja e o olho gordo.
Os antigos diziam que um elefante vermelho de costas para a porta de entrada, não permitiria que energias negativas se aproximassem.





O ELEFANTE E O FENG SHUI

O elefante é reverenciado na China, na Índia, na África. 
Em todos estes países, a sua imagem pode ser visto em cartazes de poder real.
Essa reverência é facilmente explicada pelo fato de que o elefante representa a inteligência, sabedoria, discernimento, paciência e amor.
Em outras palavras, todas as qualidades que são tão necessárias para o bom governador.

O Elefante no Oriente foi considerado por muito tempo um símbolo de longevidade e de extrema moderação. Em estado selvagem o elefante vive mais ou menos 60 anos e não morre de velhice, mas sim de fome. Quando perde os seus dentes morre, porque deixa de conseguir mastigar os alimentos.

Para os chineses o elefante representa sempre a Força e a Sabedoria, apesar de não aparecer muito na arte chinesa.
Em princípio, a figura de um elefante pode ser colocado em qualquer lugar da casa.
Mas, idealmente, deve estar um elefante no norte-oeste ou bloco sul-oriental da casa.
Lembre-se que as direcções dentro de casa são sempre invertidas. (dentro de casa, o oeste fica do lado este no exterior quando se entra. É aqui que deve estar situada a sala de estar onde se reúne a família diariamente com a protecção dos elefantes)
É nesta posição que irá dar um forte apoio para a cabeça da família.
É preciso primeiro determinar o material de que é feito.
Este pode ser um osso, cerâmica, e bronze.

A entrada da casa deve estar sempre virada a sul, e deve ter um elefante sempre de costas para a porta no caso de querer atrair prosperidade e abundância: os amuletos que simbolizam prosperidade, por serem associados a transporte de riquezas, devem estar posicionados como se estivessem a entrar na nossa casa, representando o fluxo financeiro a entrar.
É o caso do Elefante, do Camelo, do Sapo de 3 Pernas Feng shui, dos Barcos à Vela,...
Todos os restantes amuletos e objectos, que não estão associados ao transporte de riquezas, colocam-se de frente para a porta de entrada, a saudar as visitas e as boas energias que entram na casa.

No caso de querer usar o amuleto do elefante para proteger a casa de assaltos e vibrações negativas trazidas pelas visitas, deve colocar 2 elefantes iguais virados de frente para a porta, um de cada lado da porta, para verem quem está a entrar, deixarem as boas energias entrarem e afastarem os ladrões e as más energias para fora de casa.


Baguá Interior da Casa Feng Shui



O ELEFANTE é um dos símbolos da arte do Feng Shui, usado para dar energia a certas áreas dos nossos ambientes, seja em casa ou no trabalho.
O elefante simboliza o poder, a sabedoria, a protecção da casa, a fertilidade, boa memória, sucesso nos projectos, e boa sorte em geral.
Ensinam-nos a sermos resistentes perante as adversidades, e paciência para as ultrapassar.
A maior parte dos especialistas em Feng Shui refere que os elefantes devem ter a tromba levantada, para representar prosperidade, boa sorte e sucesso.
Por isso, o Elefante Feng Shui será o que tiver a tromba para cima!

Seus significados incluem mensagens de gratidão, sabedoria, vitalidade, paciência, energia, força e mãe-terra.
Áreas do Baguá: Família e Sabedoria
Áreas da Casa: Hall de Entrada e Sala de Estar






XAMANISMO
ELEFANTE, ANIMAL DE PODER



É a medicina da memória ancestral. 
Evocar para guiar caminhos. 
Inspira amor próprio, auto-suficiência, força, longevidade, cura. 
Para ser guiado em caminhos ancestrais.
Para obter boa memória e habilidade para aprender.
Pode ser evocado para estudos, provas e trabalhos intelectuais.


Longevidade, inteligência, memória ancestral, proteção, auto-suficiência e comprometimento. 
O elefante nos ensina a força da gentileza, do comprometimento e da comunicação nos relacionamentos.
Eles são completamente envolvidos com todos com quem possuem qualquer tipo de relacionamento. Eles são poderosos ao proteger, e gentis ao cuidar. 
Os elefantes nunca esquecem.

Este guardião guia-nos pelos caminhos ancestrais, despertando memórias adormecidas. 
Na verdade, o que os Xamãs fazem ao trabalhar com rituais xamânicos é justamente isso.
Tentar resgatar o que perdemos ao longo dos séculos.
O espírito do elefante é especialista nisso. 

Quando precisar de mudar de rumo, deixar de andar sempre no mesmo caminho.
Quando precisar de acumular, no seu trabalho ou vida pessoal, outros conhecimentos.
Quando precisar de mudança na sua vida.
Evoque o elefante!
O elefante vai na frente, derrubando todos os obstáculos, para você passar sem medo.


O Elefante é um animal maravilhoso, régio e de uma dignidade incomparável.
É o símbolo da longevidade e da inteligência.
Como Animal de Poder transmite-nos a memória ancestral, cultiva a temperança e liga-nos aos Antepassados. 
Como Animal de Poder transmite força, bondade, pureza e sabedoria. 
Também é um bom conselheiro quando se trata de escolher caminhos, buscar a iluminação e penetrar os mistérios.








ELEFANTE TÓTEM




El tótem elefante es propio de Asia y África, donde tiene su hábitat natural. A lo largo de la historia, los elefantes han sido venerados en culturas.

Especialmente los elefantes son  venerados en Asia, (India y China)





SIGNIFICADO DEL ELEFANTE TÓTEM



El elefante tótem tiene como Significado  la fuerza, el honor, la estabilidad y la paciencia, entre otros atributos.

En general el elefante representa la confiabilidad, la dignidad y el porte, el poder y la fuerza, y el orgullo.

En el simbolismo cristiano, el elefante es un icono de la templanza, la paciencia y la castidad.

Como un símbolo chino, el elefante es considerado un símbolo de felicidad, longevidad y buena suerte

Algunas culturas asiáticas también creen que el elefante es una criatura cósmica, y lleva el mundo sobre su lomo. (al igual que la tortuga hace en algunos mitos de los  indios americanos).

En la India, el elefante ocupa un lugar importante en la vida cotidiana. El elefante ha pasado a ser un animal domesticado, que hace desde tareas de transporte al marajá a tareas en el campo. Allí el elefante es un animal familiar, al contrario que el elefante africano, que conserva todas sus propiedades salvages.




También en el ámbito sagrado, pues Ganesha es el dios elefante, que es muy popular por su beneficiencia cósmica y sus propiedades benditas.

A la manera del pensamiento hindú, el elefante se encuentra en la forma de Ganesha, que es el dios de la suerte, fortuna, protección y es una bendición sobre todos los nuevos proyectos. Ganesha en toda su gloria elefante magníficamente animada, tiene la intención de al invocarla,  demoler los obstáculos en su nombre (curiosamente, los elefantes machos se denominan “toros”)




En el mundo de los  sueños, los elefantes dan un mensaje de que somos capaces de hacer frente a cualquier obstáculo que estemos enfrentando en ese momento. Soñar al elefante representa el poder, la soberanía, la estabilidad y solidez del lugar. Si sueña que usted está montando un elefante esto sugiere que tienen una tendencia a ser el líder de la familia, y otros están en gran medida dependiendo de usted. Si sueña con los elefantes en un circo esto sugiere que esté teniendo una actitud arrogante hacia  una situación en su vida. El tótem elefante enseña  que debe poner atención a esto.

El elefante es considerado un símbolo de la responsabilidad, ya que tiene mucho cuidado y responsabilidad sobre sus hijos, así como cuida a sus mayores. Realmente el elefante es un modelo de vida familiar y valores.

El elefante también tiene la determinación y la lealtad inmensa – siempre por los demás y defendiendo siempre los miembros del grupo en su hábitat natural.

Los elefantes también expresan una gran sensibilidad  y conexión social, en particular durante el tiempo que saben que se acerca de la muerte, viajan a un lugar específico a su muerte – para ellos es muy importante el  cumplimiento de la responsabilidad personal  hasta el  final de sus días.

Los elefantes son la encarnación de la fuerza, el poder y la sabiduría, y es uno de los animales con más memoria, con lo que aporta como amuleto también esta cualidad. Buena memoria.





El tótem del Elefante nos enseña que debemos ser  afectuosos con la familia, el cuidado de los jóvenes y los ancianos. Se sabe que los elefantes  sufren duelo cuando un miembro de la familia ha fallecido. Tienen una  memoria increíble.





Los elefantes son las criaturas más inteligentes y honradas por muchas culturas.
En la tradición budista e hinduista el elefante es representado como una manifestación de los dioses. Los elefantes  traen la buena suerte, larga vida, sabiduría, alejan las envidias. Los elefantes nos enseñan a ser resistentes ante la adversidad y a tener paciencia y resistencia.

En  China,  los elefantes son considerados un poderoso amuleto de la suerte.

En el uso del Feng Shui se colocan elefantes cerca de huchas, cajas fuertes, o en el recibidor de la casa. Se dice que para atraer la riqueza y el dinero ha de tener la trompa hacia arriba.





PROPIEDADES SIMBÓLICAS Y MÁGICAS DEL ELEFANTE


El elefante es un amuleto  poderoso y necesario para mantener las relaciones con vida; confiar y amar, ya sea familiares, amigos o pareja.  El elefante es un buen amuleto de salud, larga vida, buena memoria

El tótem elefante es también es un poderoso amuleto que proporciona suerte mágica en todos nuestros proyectos, en nuevos proyectos etc…dado su conexión con el arquetipo de la diosa Ganesha

El tótem  elefante proporciona fuerza, energía, y protege y fortalece las relaciones familiares.
Nos proporciona orgullo y amor propio.

El elefante también es para muchos un efectivo amuleto para atraer la suerte y el dinero en juegos de azar y obtener fortuna, siempre han de tener la trompa arriba.




in, Totem Animal



"Cuando exhortas el poder de un animal, 
estás pidiendo ser envuelto en armonía completa 
con la fortaleza de la esencia de esa criatura" 

Anónimo




Son animales que tienen un compromiso muy grande con todas las demás criaturas; son protectores y muy cariñosos. Son capaces de arriesgar su vida por su amigos sin dudarlo un instante.

Los elefantes son muy fieles por lo que puedes confiar siempre en una persona que su tótem sea un elefante. 

Tienen una memoria impresionante y la aprovechan en cualquier oportunidad que se les presente para aprender cosas nuevas y de esta manera van aumentando sus conocimientos.

Si el elefante es tu animal de poder, 
  • Te ayudará a eliminar obstáculos y barreras por más difíciles que sean, te dará fortaleza para soportar las situaciones más problemáticas y sabiduría para que sepas como resolverlas. 
  • Aumentará tu confianza en tí mism@ y te transmitirá su paciencia para que la emplees en tu vida cuando más la necesites. 
  • También te ayudará a mejorar las relaciones con tus amigos, hermanos, papás... fomentando tu comunicación, para que sea clara y segura. 
  • Por último, si te da flojerita estudiar, recurre al elefante, ya que te compartirá su capacidad de memoria y su gran gusto por aprender.





segunda-feira, 1 de maio de 2017

Confiança


Andrey Popov




A um nível superior, as decisões dos indivíduos parecem ser guiadas por uma tendência geral em confiar nos outros, em detrimento de uma simples aproximação à maximização da utilidade esperada. No fundo, tal significa que estamos dispostos a aceitar algum grau de vulnerabilidade caso tenhamos uma expetativa positiva acerca do comportamento dos outros.


Luís Fructuoso Martinez 
in, Uma Questão de Confiança 




O Amor


Roman-Tyka Kruglinski




Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão-de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até ao fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
– Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo,
a mãe,
pelo menos a Terra.



Vladimir Maiakovski




Balanço da Condição Humana


foto de Marcos Borga




Há uma coisa que, geralmente, é confundida pelos psiquiatras e pelos psicanalistas com a depressão que é o luto. Freud dizia que a depressão é um luto patológico. O luto é uma reação perante a perda real de uma pessoa, o paradigma é a morte de uma pessoa amada. A depressão é a reação perante a perda do afeto de uma pessoa. É a rotura afetiva.

Há depressões normais e depressões patológicas. E lutos normais e lutos patológicos. O luto normal é de memória e de substituição. Eu vou-me esquecendo do meu pai que faleceu e substituo por um professor, amigos mais velhos. E há lutos patológicos, em que fico eternamente a pensar que me faz muita falta o meu pai que já morreu. A depressão é a mesma coisa. Nas normais, quando perco o afeto de uma pessoa importante para mim, deprimo. Mas na depressão patológica atribuo a culpa a mim.

A revolta é o grande remédio para a depressão. Começamos a melhorar quando nos começamos a revoltar. Há um estudo interessante do Durkeim, da primeira década do século XX, que diz que nos grandes períodos de guerra, os suicídios diminuem. Porque a revolta é permitida.

Somos um bocado passivos. Não somos nem muito revoltados, nem muito críticos, nem muito opositores. Isso também tem as suas vantagens. Os espanhóis não conseguiram o que nós conseguimos com os mouros. Afonso Henriques conseguiu o que conseguiu porque não matava os chefes mouros, eles eram feitos governadores civis. Ele vinha por aí abaixo, conquistando território, sem grande exército, e foi mais ou menos aceite.

Isso parece um traço comum até agora.
Somos uns engenhocas. Sabemos lidar com as situações. Só tínhamos um milhão de habitantes e conquistámos parte do mundo.

A depressão trata-se fundamentalmente pela reestruturação da pessoa pelo meio psicoterapêutico, restaurar a autoestima ferida. É que no luto a autoestima não é atingida, na depressão é. Isso já Freud tinha reparado. É um trabalho demorado, difícil. Nem sempre é necessário uma psicanálise, no divã, pode ser psicoterapia face a face. Depende dos casos, se é mais ligeiro, mais recente, consegue-se tratar face a face. Perceber como é que a pessoa se deprimiu e como é que pode sair disso. A psicoterapia esteve muito presa às causas, hoje pensamos nisso, mas sobretudo nas soluções. O que é que a pessoa pode fazer para sair da depressão. Levar a pessoa a perceber que aconteceu aquilo, mas a vida não acaba aí. Há outros interesses, o futuro.

O analista não é, como se julgou durante muito tempo, um guia, um orientador, um pai, um professor, um padre. Costumo defini-lo em duas funções: de farol, que ilumina e deixa o paciente escolher o seu caminho; e de catalisador, capaz de procurar o processo de mudança, com possibilidade de sucessos.
O analista tem de ter a capacidade de ser um bom ouvinte, que não critica, não castiga, leva o paciente a abrir-se. Ser suficientemente sensível para aceitar pôr-se na pele do paciente. É a chamada empatia, mas isso não chega. É pôr-se na pele do paciente e ter a resposta afetiva adequada, que não seja culpabilizante nem desvalorizante.
Em princípio, o paciente tem sempre razão. Vamos ver é se essa razão é total ou se não. Se ele fez qualquer coisa, lá tinha os seus motivos, a sua razão. Vou procurar essa razão, antes de julgar pela minha razão. Se um paciente me diz que bate todos os dias no filho eu fico um bocado irritado, mas devo pensar: ele deve ter alguma razão. O filho faz-lhe ciúmes porque é mais inteligente do que ele? O filho faz-lhe lembrar alguém de quem ele não gostava? Não se deve começar logo por criticar qual é a razão do paciente. É tentar compreendê-lo. Não há pacientes resistentes, há analistas incompetentes. Lembro-me de um texto antigo, de um discípulo de Freud, Wilhelm Stekel, que tem um livro, de 1911/12, que se chama “A Mulher Frígida.” E acaba com um parágrafo em que diz: mulheres frígidas não existem, o que existem é homens incompetentes.

...

Não é fácil amar, mas é bom. E se não se amar não se vive.
É a coisa que nos mantém, que nos entusiasma e pelo qual vale a pena lutar.
O amor verdadeiro é um amor oblativo, que se propõe a dar. Mais do que captar. As relações são boas quando são recíprocas. No amor, na amizade, nas relações pessoais evoluídas, o mais importante é a pessoa. Enquanto que em relações mais primárias, mais biológicas, o que interessa é o que a pessoa nos dá. Uma coisa é eu gostar daquela pessoa como pessoa, e gostar de estar com ela, da companhia dela, de fazer projetos com ela. Outra coisa é estar a pensar em ir para a cama com ela.É cerebral e no corpo. Uma inundação de ocitocina. É um conjunto de felicidade, bem-estar.
O amor é bastante exclusivo. Embora isso seja também uma coisa cultural. O homem é fundamentalmente monogâmico. E a mulher mais que o homem. Há um problema que também tenho estudado, a relação tem de ser criativa. Se vão sempre jantar ao mesmo restaurante, se vão sempre ao cinema, com os mesmos amigos, a relação torna-se monótona, chata. Tem de haver inovação, temos necessidade de coisas novas. A monotonia mata.
Há os que não conseguiram ficar com uma só pessoa e também não temos o direito de estragar aquela estabilidade. Não sabemos se pode surgir uma coisa melhor, também pode surgir uma coisa pior.
É um estilo de vida. Não me parece que seja o mais fácil em ter sucesso, em que a pessoa se sinta sempre bem. Por exemplo, os que tinham amantes estavam sempre cheios de culpa. As que tinham os amantes, com medo de serem apanhadas.
Há pessoas que não são felizes na relação com o trabalho, com as pessoas, em geral, e defendem-se com a sexualidade. É uma vicariância erótica, eu não consigo ser amada, mas sou boa na cama. 
Outra é a narcísica, não sinto que seja amado, mas sou admirado. São as pessoas que usam os títulos académicos.
É uma compensação.

...

Os sonhos noturnos são coisas que o indivíduo já pensou e não refletiu muito por elas. O sonho, muitas vezes, revela coisas de que a pessoa não tomou consciência. Mas, outras vezes, são coisas de que já tomou uma consciência vaga e se tornam mais evidentes.
Os sonhos diurnos são mais importantes porque são sonhos de projeto. O devaneio, o pensamento onírico, pode acontecer nos noturnos, mas acontece mais nos diurnos. Não é aquele devaneio vago que a pessoa vê nas nuvens. É um sonho mais construído em que se vê a viver noutro país, a mudar de mulher, a mudar de emprego. A minha teoria atual na análise é não estar muito preso ao passado, mas estar mais virado para o futuro. Para o que o indivíduo deseja e pode fazer. O sonho diurno é projeto, um trabalho sobre o futuro, o que antecipamos fazer. Nós, humanos, estamos sempre a antecipar o futuro. E por isso construímos uma família, uma civilização, escrevemos livros. Fazemos pontes para durar 200 anos.

...

A dor É inevitável. Existe. É um sinal de que as coisas não estão a correr bem e temos de fazer qualquer coisa para ultrapassar. A ideia da civilização judaico-cristã é a de que a dor nos esculpe a vida. Nascemos no pecado, a culpa é secundária e o principal impulso é a busca, de explorar o mundo. Depois é que vem o medo. A culpa é emoção inibitória, tal como o medo, a culpa e a vergonha. Todas são más. O medo é necessário, mas é preciso ultrapassar o medo. Todos nós perante uma emoção nova temos uma reação, por um lado medo, isto é algo que eu desconheço, pode ser perigoso. Por outro lado, isto é novo pode trazer coisas bestiais. Se somos mais saudáveis, predomina o entusiasmo, vamos à conquista. Se somos mais doentes predomina o medo, retraímo-nos. Varia de pessoa para pessoa e consoante o contexto da vida. Se a criança tem pais compreensivos diminui o medo e pode lançar-se na aventura.
Se não correr riscos não aprende a viver.
Na infância constroem-se as bases, não quer dizer que não sejam modificadas.
Na adolescência, há uma certa reconstrução e muitas coisas são melhoradas ou pioradas. É um período que é menos conhecido. As pessoas se não viveram a adolescência ficam geralmente muito inibidas, não têm estratégias de se defender do perigo, de conquistar o mundo, de se relacionarem com familiares e estranhos, com homens e com mulheres, com negros e com brancos, com nacionais e estrangeiros.
Desde o fim da II Guerra Mundial, as sociedades deixaram de ser sociedades de culpa e passaram a ser sociedades de sucesso, da performance, do desempenho. E os pais estão muito preocupados com isso, hoje é necessário para ser bom cidadão ter um bom emprego. Ainda sou do tempo em que as depressões eram marcadas pela culpa, hoje é pelo insucesso, por não terem notas para ir para a faculdade.

...

Na sociedade urbana, o convívio é menor, desapareceu o convívio de bairro. Há um maior isolamento em relações mais próximas. Este individualismo leva a uma certa solidão, a um certa desconfiança, leva a paranoia, a pessoa pode ser prejudicada pelo outro. As relações afetivas são menos consistentes. São mais superficiais, menos espessas, mais finas, mais delgadas. Partem facilmente.
Dá-se valor demais a alguns saberes bacocos. Há uma exigência em determinadas coisas, se já se esteve em Nova Iorque, se já se visitou os museus todos. É uma cultura de espetáculo em que se acaba por não experienciar a vida.

...

Balanço da condição humana:
A parte boa: a capacidade de amar, de criar.
A parte má: o egoísmo, a vaidade, a sacanice.
Podemos ter tudo numa só pessoa, mas há predomínios.
Há duas coisas importantes, a capacidade de nos interessarmos pelo outro, em que o mais importante são as pessoas de quem gosto.
E depois há o narcisismo, os outros que se lixem.
E todos nós temos um bocado dos dois.
Quando somos mais saudáveis, somos melhores pessoas. Predomina a capacidade de a pessoa se interessar pelo outro, ajudar a sociedade, criar um mundo melhor. Aí também se mete a questão da morte. Quando o indivíduo tem a capacidade de deixar um legado, há uma certa imortalidade simbólica.
Não tenho medo de morrer.
Não penso nisso.
A única coisa que receio é ficar cego ou paralítico.
É pior porque a pessoa está lúcida e fica diminuída.




António Coimbra de Matos
(excertos)



vicariância erótica
Achei interessante e, fui tentar saber mais sobre o que António Coimbra de Matos quer dizer com isto:

"…um outro laço assume as funções de laço amoroso, há uma substituição por outro tipo de laço – é o que designamos por vicariância."

Descrevemos três tipos fundamentais de vicariância:
Vicariância erótica: o laço erótico supre a não organização ou falência do laço amoroso. É típica de algumas personalidades histéricas e personalidades – limite; erotização das relações por incapacidade de amar e /ou ser desejado, já que não é amado. É própria também da personalidade histérica. "Ninguém me ama mas todos me desejam"
Vicariância narcísica: o desejo de amar é substituído pelo desejo de ser admirado. É típica das personalidades narcísicas; ser admirado uma vez que não consegue ser amado; e, complementarmente, brilhar/exibir-se porque não sabe dar e amar.
"Ninguém me ama, mas todos me admiram" - o grito de triunfo narcísico.
Vicariância agressiva: É própria dos psicopatas; ter poder ou dominar porque não se é desejado nem amado. Ser poderoso para iludir a ferida de ser, de facto, um Zé Ninguém. É  patognomónica do defeito narcísico-identitário, como do núcleo psicótico-psicopático ou perverso. Abunda nos ditadores de toda a espécie, feitios e graus.
É o "poder da portinhola" - por onde sai a boca do canhão escondido.
“ Não sou amado mas sou temido”


António Coimbra de Matos 
in, "Relação de Qualidade: penso em ti"




A capacidade de amar ou fazer amigos está fora do alcance destas personagens, que como compensação recorrem à sedução, domínio, ou outros artifícios, para manter o outro. Podem no entanto, questionar-se porque magoam as pessoas que julgam amar. Só que, na realidade não amam.
Poder-se-á agora compreender porque não se foi amada/o por essa pessoa - porque ela/ele não é capaz de amar ninguém.
Se o orgasmo não está numa relação de prazer mútuo, onde é que ele está? Na sedução, só por si? Na manipulação ou pela humilhação do outro?

É um amor transvestido de amor, inchado de nada, descoberta tardia no desengano e na anarquia dos sentidos, em revolução, pela necessidade de ser-se amada por um outro que o saiba. Porta para a vida, como bênção.

Cristina Simões





Os serial lovers nas palavras de Jacques-Alain Miller, psicanalista:
“Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que crêem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias”.