quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Espiral





“A vida é como uma espiral 
e não como uma linha reta. 
Passado e futuro se encontram 
num infinito presente”



A espiral é a essência do mistério da vida.
Assim como se centra, ela também para, se encontra, se retorce e, então, desce e sobe novamente em graciosas curvas. O tempo se retorce em torno de si mesmo, trazendo os ecos e vibrações enquanto que os caminhos vivos da espiral passam próximos um do outro. A vida corre por estradas sinuosas, os seres se encontram em determinados pontos de suas caminhadas, se entrelaçam, se afastam, partem, retornam às origens. O ponto de partida também é o ponto de chegada trazendo-nos a questão do retornar sempre, reencontrar-se e se renovar.

As espirais também circulam dentro de nós, a energia circula em espiral, é onde a matéria e o espírito mais perfeitamente se encontram, e o tempo, por ele mesmo, não existe. Os nativos lembram as diversidades da vida e dos caminhos, e não compreendem o mundo de forma linear, o seguir em frente em uma única direção como se a vida fosse uma linha reta traçada entre um ponto de início e um de término. O destino é sempre ir além. O grande desafio de todo ser, por natureza um guerreiro trilhando as estradas das espirais da vida, é essa busca, é o retorno, é a partida, é caminhar em círculos/ciclos assim como caminha a natureza, pois somos parte dela. É fazer girar a roda do tempo, não nos prendendo em nenhum ponto em específico porque, assim, podemos vislumbrar os mais diversos pontos que compõem a espiral.


Sobre as formas espiraladas e circulares, Alce Negro, dos Oglala Sioux coloca o seguinte:

“Tudo que o poder do mundo faz é feito em círculo. O céu é redondo, e tenho ouvido que a terra é redonda como uma bola, e assim também o são as estrelas. O vento, em sua força máxima, rodopia. Os pássaros fazem seus ninhos em círculos, pois a religião deles é a mesma que a nossa. O sol nasce e desaparece em círculo em sua sucessão, e sempre retornam outra vez ao ponto de partida. A vida do homem é um círculo, que vai da infância até a infância, e assim acontece com tudo que é movido pela força. Nossas tendas eram redondas como os ninhos das aves, e sempre eram dispostas em círculo, o aro da nação, o ninho de muitos ninhos, onde o Grande Espírito quis que nós chocássemos nossos filhos”.

Para os antigos celtas essa é toda a essência do mistério da vida.
O circular, o espiralado. O tempo, uma das triplas linhas tão importantes para o imaginário celta, se retorce em torno de si mesmo.
Os astecas achavam que certas flores que tinham em seu centro espirais, eram a alegria do mundo, mostrando o ciclo do sol, quando nasce e se põe, as estações, solstícios, ciclos assim como a vida dos homens.
Os orientais falam da kundalini, do fluxo de uma energia em espiral, dos redemoinhos energéticos que perambulam nossos corpos.

Como vórtex de energia, as espirais encontradas em vestígios antigos expressavam um entendimento do cosmos, da energia vibrante, da vida, ou o seu contrário. Tradicionalmente, os ancestrais compreenderam que espirais no sentido horário representavam o nascer, o sol, a vida, o mundo de cima, a transformação pelas experiências exteriores. Para o sentido anti-horário, representavam a lua, a morte, o outro mundo, o mundo de baixo, o mundo dos sonhos e alucinações, intuição, as experiências transformadoras vindas do nosso interior.

Para os hindus, o que no nosso mundo terrestre era no sentido anti-horário, para a esquerda, no mundo de baixo, no outro mundo, correspondia ao sentido horário. Hoje sabe-se que esses simbolismos expressam as funções cerebrais, o lado esquerdo do cérebro regula o lado direito de nosso corpo, o lado direito regula o lado esquerdo do corpo. Nem bom, nem mal, apenas diversidades que compõe o universo, uma perfeita simbiose, uma perfeita composição de energias.

Se vermos vários locais sagrados dos antepassados, desde o paleolítico, em qualquer parte do mundo, notaremos sempre a compreensão circular e espiralada.


A espiral é a energia vital, 
é a energia em movimento, 
é a própria jornada.




in, Saindo da Matrix















terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A EVOLUÇÃO COMO ESPIRAL


Dual Torus Fibonacci Spiral Shadows





A condição humana é tal que o Ser pode encontrar-se com o Divino e mergulhar na Presença num Sábado, e na Segunda-feira ver-se numa briga de trânsito.

Inúmeras formas existem para se compreender tanto as contradições humanas quanto o próprio processo evolutivo humano, e a que abordaremos hoje é a evolução como espiral.

O ser humano pode expandir a sua consciência em várias direções e dimensões, para o propósito dessa visão compreendemos o processo como uma espiral vertical que em círculos pode se mover para cima e para baixo.

Imagine que vai a uma cerimónia mágica ou religiosa durante o fim de semana e lá tenha uma experiência espiritual significativa, seja ela da presença do Divino, um profundo estado de compaixão, esperança de que as coisas ficarão bem, vontade de ajudar o próximo. Depois de deixar o local, volta para a sua casa e seus afazeres e aos poucos aquela sensação vai se perdendo como um sonho que não anotamos e logo esvaece da memória ficando só a vaga lembrança do que você sentiu, e não a sensação em si. Os dias passam e você se encontra cada vez mais distante daquela sensação até que não reste mais nada, no máximo uma saudade de algo que você não sabe exatamente o que é, e nesse meio tempo você passa por situações quotidianas cada vez mais tensas e conflituosas que - não raro - revelam o pior de você, seja na sua relação com os demais, seja com você mesmo.

Chega novamente o fim de semana e você repete a primeira experiência, a semana chega repete a segunda experiência, e assim sucessivamente.

Como no eterno retorno nietzschiano, o ser se vê repetindo as mesmas experiências e tendo as mesmas sensações, seus aprendizados adquiridos em seus estudos, e experiências místicas parecem desconectados da realidade diária, ainda que lhe pareçam tão enraizadas e profundas quando apreendidas.

Essa é a espiral em que nos movemos
alguns tem círculos maiores, 
indo muito alto e em seguida caindo profundamente
 na inconsciência e desligando-se 
de quem verdadeiramente são 
ou do que poderiam ser, 
outros tem círculos menores variando muito pouco
 em relação do ponto mais baixo 
e do ponto mais alto.


Além de tudo isso, é necessário lembrar que a espiral se locomove para cima ou para baixo, ou ainda pode ficar com seu centro parado e seu raio crescendo cada vez mais, cada vez mais alto e cada vez mais fundo, até que invariavelmente o centro não se sustenta, o falcão não ouve mais o falcoeiro e a anarquia é liberta no mundo.

A observação desses padrões através desse método nos dá chaves importantes para o desenvolvimento da consciência, para o autoconhecimento e para a compreensão dos processos de outros irmãos.
Todos nós estamos nessa espiral e isso nos ajuda a entender porque pessoas que consideramos tão boas tem atitudes que nos parecem incoerentes: ela está na parte de baixo da espiral, e podemos ser mais compreensivos com nós mesmos e nossos irmãos ao percebermos que cada um de nós está em momentos diferentes dela.

Isso também nos dá uma ferramenta poderosa de compreensão, pois ninguém é, tudo está.
Hoje o ser é uma coisa e amanhã ele é outra, julgue um homem pelo que você acha que ele é e pouquíssimo tempo depois seu julgamento está desatualizado.
Julgue de acordo com o que ele pode ser e não há como errar.


Somos nossos altos e baixos
e um buscador sincero vai diligentemente trabalhar 
para reconhecer seu ponto mais baixo 
e elevá-lo constantemente 
a ponto de ter um círculo cada vez menor, 
ao mesmo tempo em que vai buscar sempre fazer com que 
o ponto mais alto de sua espiral continue subindo 
alcançando degraus cada vez mais altos 
da consciência. 


O exercício é manter-se no topo, que seu ponto mais alto seja seu estado natural. Para tanto o ser deve observar-se constantemente e reconhecer os pontos altos e baixos de sua espiral, assim o fazendo deve buscar sempre uma atitude que o leve em direcção ao ponto mais alto, manifestar as atitudes desse ponto é uma chave para manter-se lá, viver essas experiência e antes de deixar o ato que o religou do divino, interagir com outros seres e realizar reflexões profundas sobre si mesmo, ancorando a consciência ou numa analogia a escalada, pregando espigões que não lhe permitam cair além daquele ponto.

Observar as pessoas de nossa convivência e reconhecer também seus pontos altos e baixos é um forma de não permitir que os comportamentos alheios influenciem no seu.
Assim, se você está na parte superior e é incomodado ou deve interagir com alguém que parece estar bem abaixo de seu centro, é o momento de ser compreensivo e dessa forma trazê-lo para cima ao invés de permitir ser arrastado para baixo.

Tome a si mesmo sempre pelo ponto mais baixo, dessa forma você vai lutar com muito mais força para elevar seu nadir (ou ponto mais baixo), e tome os outros sempre pelo seu ponto mais alto, independente do estado em que ele esteja, mantenha sempre na memória o Zênite desse ser, o seu ponto mais alto, assim terá à sua volta somente pessoas excepcionais, e se em algum momento ele lhe mostrar o seu pior, responda de acordo com o seu melhor. Assim, de alma para alma, ele encontrará o caminho de volta até o topo, e você não precisará mais descer.

Depois de compreendida essa lição, cabe lembrarem que essa espiral existe em 3 dimensões, mas por ora trabalhemos em nossos círculos; as esferas só para daqui a algum tempo.



Frater Alef





Metamorfose


Laura Zalenga



Ao pé dos cardos sobre a areia fina 
que o vento a pouco e pouco amontoara 
contra o seu corpo (mal se distinguia 
tal como as plantas entre a areia arfando) 
um deus dormia. Há quanto tempo? Há quanto? 
E um deus ou deusa? Quantos sóis e chuvas, 
quantos luares nas águas ou nas nuvens, 
tisnado haviam essa pele tão lisa 
em que a penugem tinha areia esparsa? 
Negros cabelos se espalhavam onde 
nos braços recruzados se escondia o rosto. 
E os olhos? Abertos ou fechados? Verdes ou castanhos 
no breve espaço em que o seu bafo ardia? 
Mas respirava? Ou só uma luz difusa 
se demorava no seu dorso ondeante 
que de tão nu e antigo se vestia 
da confiada ausência em que dormia? 
Mas dormiria? As pernas estendidas, 
com um pé sobre outro pé e os calcanhares 
um pouco soerguidos na lembrança de asas; 
as nádegas suaves, as espáduas curvas 
e na tão leve sombra das axilas 
adivinhados pêlos... Deus ou deusa? 
Há quanto tempo ali dormia? Há quanto? 
Ou não dormia? Ou não estaria ali? 
Ao pé dos cardos, junto à solidão 
que quase lhe tocava do areal imenso, 
do imenso mundo, e as águas sussurrando - 
-ou não estaria ali?... E um deus ou deusa? 
Imagem, só lembrança, aspiração? 
De perto ou longe não se distinguia.



Jorge de Sena




segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Quando a rotina nos limita - A Vaquinha







Não é difícil ficar preso em uma rotina limitante. Nós ficamos tão habituados com a forma como fazemos todas as coisas que perdemos, com o tempo, a nossa habilidade de testar novas possibilidades. A rotina é tão confortável, tão segura, e nos acostumamos tão rápido com ela que até nos esquecemos disso. No entanto, a história da vaquinha é uma daquelas que funcionam como um despertador. Um despertar para o que não vemos no nosso quotidiano, mas que nos afeta muito mais do que imaginamos.

Graças a esta história, descobriremos o verdadeiro significado dessa vaquinha, quais são as suas vantagens e o quanto podemos nos tornar dependentes de tudo que ela nos dá. Mas acima de tudo, ela nos ajudará a descobrir qual é a vaquinha da nossa vida.

“A rotina é outra maneira de morrer”.
– Anónimo –


A história da vaquinha
A história da vaquinha fala sobre um sábio que passeava pelo campo com o seu discípulo. Um dia, eles encontraram uma humilde casa de madeira, habitada por um casal e seus três filhos. Todos estavam mal vestidos, com roupas sujas e rasgadas. Seus pés estavam descalços e o ambiente aparentava uma pobreza extrema.

O sábio perguntou ao pai como eles faziam para sobreviver, já que naquele lugar não havia indústrias ou comércio, e não se via riqueza em nenhum lugar. Calmamente, o pai respondeu: “Temos uma vaquinha que nos fornece vários litros de leite todos os dias. Vendemos uma parte dele e com dinheiro compramos outras coisas que necessitamos. O restante usamos para o nosso próprio consumo. Dessa forma, sobrevivemos”.

O mestre agradeceu a informação, se despediu e foi embora. Quando se afastaram da casa, ele disse ao discípulo: “Volte lá, pegue a vaquinha e jogue-a do penhasco”.

O jovem ficou chocado, porque a vaquinha era o único meio de subsistência daquela família humilde. Mas ele pensou que o seu mestre teria seus motivos e, com muito pesar, levou a vaquinha até o penhasco e a empurrou. Essa cena ficou gravada na sua mente por muitos anos.

Depois de algum tempo, o discípulo, culpado pelo que tinha feito, decidiu deixar o mestre, retornar a aquele lugar e pedir desculpas àquela família para a qual causou tanto mal. Ao aproximar-se, observou que tudo havia mudado: naquele lugar havia uma bela casa cercada por árvores onde muitas crianças brincavam, além de um carro estacionado.

O jovem sentiu-se triste e desesperado porque achou que aquela família humilde havia vendido tudo para sobreviver. Quando ele perguntou por ela, eles responderam: somos nós, continuamos aqui. Ele entrou na casa e perguntou ao pai o que tinha acontecido e ele, com um sorriso largo, respondeu:

“Tínhamos uma vaquinha que nos fornecia leite e com o qual sobrevivíamos. Mas um dia, a vaquinha caiu de um penhasco e morreu. Nesse momento, fomos obrigados a fazer outras coisas, a desenvolver outras habilidades que nunca tínhamos imaginado possuir. Dessa forma, começamos a prosperar e a nossa vida mudou”.

O conforto de fazer “o de sempre” na rotina limitante
Talvez, assim como o discípulo, tenhamos ficado horrorizados com a decisão do mestre de jogar a vaquinha no precipício. No entanto, esta história é uma metáfora sobre o que precisamos fazer com as coisas com as quais nos sentimos muito confortáveis ​​nas nossas vidas e que, ao mesmo tempo, fazem parte de uma rotina limitante.

No momento em que aquela pobre família foi deixada sem o seu sustento para sobreviver, não tiveram outra escolha senão procurar alternativas. Mas, em vez de descobrir mais pobreza, encontraram uma forma de prosperar, algo que nunca haviam imaginado. Se a vaquinha nunca tivesse desaparecido das suas vidas, eles continuariam vivendo na pobreza, sem acreditar que poderiam ir mais longe.

Muitas pessoas agradecem pelos momentos difíceis da sua vida que, apesar de dolorosos, as tiraram da sua “zona de conforto” onde estavam estagnadas. Os seres humanos procuram segurança, conforto, tudo o que não os faça sentir inseguros. Mas quando perdemos tudo isso, descobrimos habilidades e qualidades que nunca tínhamos imaginado, que estavam adormecidas.

A história da vaquinha nos leva a descobrir qual é a nossa rotina limitante. Pode ser um trabalho do qual não gostamos, mas cujo salário no final do mês nos dá segurança; pode ser a satisfação de economizar para viajar, embora a viagem seja improvável…

Esta é uma excelente história que nos permite refletir sobre o modo como vivemos, especialmente se vivemos nos queixando de como é a nossa existência. Não é necessário esperar que um mestre chegue para jogar a vaquinha que nos limita em um precipício. Podemos, a partir de hoje, olhar para além dos nossos confortos e nos conscientizarmos do potencial que temos. Não somos limitados: nós mesmos colocamos obstáculos na nossa vida.

Cada um de nós tem uma vaquinha na sua vida.
Qual é a sua?







A rotina, um oceano de águas profundas


O que você vai fazer hoje? A mesma coisa que eu fiz ontem, o mesmo que eu farei amanhã: aquilo que dita a rotina. Eu vou acordar, tomar café, me vestir, ir até o metro atrasado, perder a condução, chegar tarde ou justo a tempo, me encontrar com alguém, fazer que alguns papéis desapareçam da minha mesa e colocar outros no lugar e quando chegar na hora do café, eu vou ter uma conversa boba sobre o último capítulo da série que emitiram ontem pela televisão.

Eu vou sair tarde, para adiantar um pouco o trabalho e quando chegar a sexta-feira terei tempo de sair com todo mundo. Em casa, me esperam as coisas do lar. Claro, vou assistir um filme e depois cair na cama imaginando possibilidades para uma vida que agora mesmo carece delas. Rotina, é claro.

E pode ser que Raphael Giordano tenha razão e nossa vida só comece realmente quando percebemos que ela é única. Que só nos damos conta disso quando passamos por uma experiência que nos faça reconsiderar toda a nossa existência em apenas um segundo. Uma experiência estranha, descrita como mágica por aqueles que já passaram por isso, precisamente porque elas têm o poder de botar ordem nas nossas prioridades.

“Essas experiências também promovem outro tipo de poder: nos lembrar de que o futuro com o qual contamos não é uma certeza”.

Animais com hábitos
Dizem os especialistas que o homem é um animal com hábitos e que não existe nada como um hábito para transformar a vontade e a forma de pensar. Se é o hábito que faz o monge, então ele deve ser frequente, constante e dedicado. Esse colarinho que nós vestimos todos os dias para não ir despidos e passear vulneráveis pela vida.

Tanto o hábito quanto o costume remetem à rotina. Uma ordem que se repete de forma mais ou menos frequente e que nos traz segurança. Separando a dúvida: nos proporciona estratégias já conhecidas para ter sucesso ao abordar problemas que aparecem habitualmente.

Além do mais, a rotina economiza uma enorme quantidade de energia. É igual a um programa de computador que funciona sozinho, não precisamos nem pensar e tampouco esboçar. Já fizemos isso alguma vez e vamos nos aperfeiçoando com o tempo. Por exemplo, no começo, utilizávamos o bus para ir ao trabalho, porém um dia suspenderam a linha e descobrimos que o metro é bem mais rápido, ao contrário do imaginado. É a própria realidade e também o êxito de nossas estratégias o que preenche a nossa agenda.

Você se imagina pensando todo dia: O que vou tomar de café da manhã? Como vou trabalhar? A que horas farei a minha pausa? São dúvidas que em nosso programa, aperfeiçoadas com o tempo, já estão solucionadas. Então, porque criar um problema onde na realidade ele não existe? Porque gastar mais recursos do que os necessários para sobreviver se temos uma rotina?

“A maioria das coisas que acontecem na nossa vida dependem do que acontecem aqui em cima, na cabeça”.

A rotina: uma ajuda ou prisão?
No entanto, pode chegar um momento, quando a rotina é muito rígida e não encontramos momentos para descansar, em que podemos nos sentir sobrecarregados. Certamente, você já conhece essa sensação.

O que antes nos ajudava agora se transforma em uma prisão onde falta oxigénio. Pensamos em quebrar essa cela, até fantasiamos sobre isso, mas depois na realidade não ter uma rotina nos exige, pelo menos no começo, o esforço de sair de nossa zona de conforto. É uma sensação ambígua de querer e não querer e confrontando essa dúvida acabamos fazendo sempre a mesma coisa.

Mas, quais são os sintomas dessa espécie de doença da rotina aguda? São vários: falta de motivação, sensação de cansaço, uma certa melancolia ou nostalgia, mudanças de humor, apatia, desencanto… e essa opressiva sensação de que temos tudo, ou quase tudo, para ser felizes, mas não somos.

Falamos dessa sensação de vazio, indeterminada e incómoda para a qual não conseguimos identificar claramente uma razão. Por outro lado, todas as mudanças que imaginamos, bem analisadas, acabam parecendo um pouco absurdas: porque vamos tentar de novo ir de bus ao trabalho se já verificamos que demora mais tempo? Porque vamos mudar o café da manhã se faz bem e nos proporciona energia?

Também discorremos sobre uma falta de novos objetivos que substituam aquilo que já alcançamos. Estes novos objetivos seriam somente a parte visível do iceberg, aquilo que eles nos proporcionam na realidade é ilusão. Então, quando faltam novos objetivos é difícil que essa ilusão esteja presente.

Pode ser que a opressão da rotina seja uma doença menor ou própria de pessoas com recursos suficientes que precisam se preocupar com questões superficiais…ou pode ser que não, porque é verdade que se combinada com outros elementos, como a solidão percebemos que é uma das causas mais comuns pelas quais os pacientes recorrem à terapia. Ou seja, é um dos principais motivos de sofrimento.

Giordano nos diz no seu livro, com um pouco de humor e também seriedade, que essa prisão na qual a rotina pode vir a se transformar tem tanto poder que pode chegar a diminuir a cota de humor de um país inteiro”.

Rotina: sim ou não?
A melhor forma de quebrar a rotina e a planificação está relacionada com a improvisação. Em realizar novas tarefas onde antecipamos aquilo de que gostamos, mas também fazer de vez em quando algo de que não gostemos e que outras pessoas, por exemplo, nos recomendem. Pode ser que nos surpreenda, uma surpresa que pode ser a melhor solução para enfraquecer as pegas da prisão da qual nos sentimos prisioneiros.

Nesse sentido, existe uma área da personalidade que reúne vários modelos: falamos da “abertura para a experiência”. Pois bem, essa é a área idónea para cultivar, pelo menos de vez em quando, se não queremos que a rotina se alimente dia após dia e se transforme em um poderoso monstro que termine superando nossas forças.

Finalmente, podemos considerar que a rotina assume uma enorme economia em energia, mas também pode se transformar em um grande desperdício quando deixamos de dominá-la e passamos a ser dominados por ela, quando o risco perde toda a sua atração contra àquilo aparentemente seguro, que já repetimos com sucesso inúmeras vezes.







Rotinas que asfixiam, medos que encarceram


As rotinas nos protegem, tanto que, às vezes, podem se tornar uma verdadeira prisão. Estabelecê-las evita que tomemos algumas decisões diárias que deveríamos adotar se não existissem aquelas costumeiramente fixas. Também nos coloca uma forma de agir que se traduz em um esquema de pensamentos e sentimentos que não mudam.

O preço das rotinas pode ser muito alto. Sim, elas são necessárias; são uma maneira prática de administrar a vida quotidiana. Ao mesmo tempo, porém, e de forma imperceptível, se transformam em uma forma de viver na qual você se refugia e começa a ter medo das mudanças.


“Não são os males violentos que nos marcam, 
mas os males surdos, insistentes, 
toleráveis – aqueles que fazem parte de nossa rotina 
e nos minam meticulosamente, como o tempo.”
-Emil Cioran-


É comum encontrar com pessoas que vivem submersas em uma rotina, mas que a negam o tempo todo. Suspiram, tomam a frente e dizem que estão entediados porque tudo sempre é igual. No entanto, não sentem que têm a força para dizer “basta”.

Assim, para vencer a ditadura das rotinas é necessária uma boa dose de valor. Além disso, é imprescindível uma motivação importante e a confiança suficiente em si mesmo para ser capaz de romper o esquema e adentrar o caminho da incerteza.


O efeito ensurdecedor das rotinas
O pior de estabelecer rotinas e mantê-las é que você vai se tornando insensível sem perceber. Não é que você deixa de sentir, mas isso acaba restringindo o que sente. Você começa a ter a percepção de que tudo aquilo que não é familiar é perigoso. O novo, o diferente, se transforma em uma espécie de ameaça.

A rotina é um andaime composto por muitas peças. Compreende desde a forma como você administra seus horários habituais e chega a abordar toda a sua concepção sobre o mundo. Você acaba acreditando que deve sentir, pensar e agir de um único modo. Que já compreende toda a realidade e que perguntas não são mais necessárias.

A rotina acaba com a sua curiosidade, diminui sua capacidade de se surpreender. Sobretudo, o deixa surdo e cego a respeito de seu próprio potencial. Você acaba acreditando que só faz o que pode fazer e que seria impossível agir ou viver de outra forma.

O resultado é um certo estado de torpor. Com a rotina, você vive em função de “cumprir”, e não de evoluir ou ser feliz. E o pior: começa a ver a rotina como sua grande realização e sente medo de tudo que pode alterá-la.


O medo de mudar e a resistência à mudança
Viver com paixão é um verdadeiro dom que muitos não podem, ou não querem, experimentar. Significa sentir um interesse genuíno pelo trabalho que desenvolve, um amor autêntico pelas pessoas com quem se relaciona, um verdadeiro entusiasmo diante dos planos para o futuro e de tudo o que há para fazer.

Por que, então, tantas pessoas vêem a vida passar diante de seus olhos e tratam, mais ainda, de “perder tempo” ao invés de viver intensamente? A resposta só pode ser uma: é o medo que as prende em rotinas que funcionam como um escudo. Faz com que elas evitem experimentar o novo, o desconhecido, o desafiador.

A mudança é isso: um desafio. Os convencionalismos, os costumes, a segurança que existe em fazer a mesma coisa sempre para não ter que pensar demais. Mesmo quando a rotina está repleta de situações desagradáveis, muitos a toleram porque o medo de mudar é maior. Isso significaria sair de sua zona de conforto e ter que aguçar sua capacidade de encarar as situações desconhecidas.


Como vencer o medo de sair da rotina?
Cada pessoa deveria estar fazendo o que quer, do modo que quer, com quem quer e onde quer. Ninguém teria razão para se conformar em trabalhar ou viver como não quer simplesmente por medo de mudar.

Com certeza ninguém pode mudar completamente de um dia para o outro. Na verdade, pode sim, mas muitos precisam de um processo mais pausado para conseguir isso. É certo que nem sempre convém romper com tudo, mas basta recuperar algum espaço para ser você mesmo.

Como começar? 
O que fazer para sair dessas rotinas que nos encarceram?


  • Tire um tempo para você. Por mais exigente ou importante que seja o seu trabalho, ele nunca pode ser mais importante do que você mesmo. Uma parte do seu tempo deve ser dedicada a si mesmo. É nessas partes que você deve focar somente o que verdadeiramente quer: dormir, comer, dançar, seja o que for. O importante é que você sinta que está fazendo única e exclusivamente o que quer fazer.
  • Você precisa brincar. A brincadeira nunca deve ser eliminada. A brincadeira tida como diversão é um espaço de liberdade por excelência. Durante a brincadeira você se reinventa, volta a construir novos significados para o que você é. Jogue cartas, jogue bola, brinque com o que quiser, mas brinque. Atenção: não olhe os outros jogarem. Estamos falando de você ser o jogador.

Não perca contato com a natureza. 
A natureza exerce um efeito extremamente positivo sobre as emoções e o pensamento.
Assim, é muito importante que você procure uma forma de estar em contato com o verde das plantas e com a maneira particular que os animais têm de interagir. A natureza nos ajuda a nos conectarmos com nós mesmos, e isso, por sua vez, nos permite identificar as mudanças que precisamos implementar.




in, A Mente é Maravilhosa



sábado, 18 de janeiro de 2020

Panpsychism


Kieran Stone




Does Consciousness 
Pervade the Universe?




One of science’s most challenging problems is a question that can be stated easily: 
Where does consciousness come from? 
In his new book Galileo’s Error: Foundations for a New Science of Consciousness, philosopher Philip Goff considers a radical perspective: 
What if consciousness is not something special that the brain does but is instead a quality inherent to all matter? 
It is a theory known as “panpsychism,” and Goff guides readers through the history of the idea, answers common objections (such as “That’s just crazy!”) and explains why he believes panpsychism represents the best path forward.



In our standard view of things, consciousness exists only in the brains of highly evolved organisms, and hence consciousness exists only in a tiny part of the universe and only in very recent history.
According to panpsychism, in contrast, consciousness pervades the universe and is a fundamental feature of it. This doesn’t mean that literally everything is conscious. The basic commitment is that the fundamental constituents of reality—perhaps electrons and quarks—have incredibly simple forms of experience. And the very complex experience of the human or animal brain is somehow derived from the experience of the brain’s most basic parts.

It might be important to clarify what I mean by “consciousness,” as that word is actually quite ambiguous. Some people use it to mean something quite sophisticated, such as self-awareness or the capacity to reflect on one’s own existence. This is something we might be reluctant to ascribe to many nonhuman animals, never mind fundamental particles.
But when I use the word consciousness, I simply mean experience: pleasure, pain, visual or auditory experience, et cetera.

Human beings have a very rich and complex experience; horses less so; mice less so again. As we move to simpler and simpler forms of life, we find simpler and simpler forms of experience. Perhaps, at some point, the light switches off, and consciousness disappears. But it’s at least coherent to suppose that this continuum of consciousness fading while never quite turning off carries on into inorganic matter, with fundamental particles having almost unimaginably simple forms of experience to reflect their incredibly simple nature. That’s what panpsychists believe.


Despite great progress in our scientific understanding of the brain, we still don’t have even the beginnings of an explanation of how complex electrochemical signaling is somehow able to give rise to the inner subjective world of colors, sounds, smells and tastes that each of us knows in our own case. There is a deep mystery in understanding how what we know about ourselves from the inside fits together with what science tells us about matter from the outside.


While the problem is broadly acknowledged, many people think we just need to plug away at our standard methods of investigating the brain, and we’ll eventually crack it. But in my new book, I argue that the problem of consciousness results from the way we designed science at the start of the scientific revolution.

A key moment in the scientific revolution was Galileo’s declaration that mathematics was to be the language of the new science, that the new science was to have a purely quantitative vocabulary. But Galileo realized that you can’t capture consciousness in these terms, as consciousness is an essentially quality-involving phenomenon. 

Think about the redness of a red experiences or the smell of flowers or the taste of mint.
You can’t capture these kinds of qualities in the purely quantitative vocabulary of physical science.
So Galileo decided that we have to put consciousness outside of the domain of science; after we’d done that, everything else could be captured in mathematics.

This is really important, because although the problem of consciousness is taken seriously, most people assume our conventional scientific approach is capable of solving it. And they think this because they look at the great success of physical science in explaining more and more of our universe and conclude that this ought to give us confidence that physical science alone will one day explain consciousness. However, I believe that this reaction is rooted in a misunderstanding of the history of science.

Yes, physical science has been incredibly successful. But it’s been successful precisely because it was designed to exclude consciousness. If Galileo were to time travel to the present day and hear about this problem of explaining consciousness in the terms of physical science, he’d say, “Of course, you can’t do that. I designed physical science to deal with quantities, not qualities.”

The starting point of the panpsychist
 is that physical science doesn’t actually tell us what matter is. 

That sounds like a bizarre claim at first; you read a physics textbook, you seem to learn all kinds of incredible things about the nature of space, time and matter. But what philosophers of science have realized is that physical science, for all its richness, is confined to telling us about the behavior of matter, what it does. Physics tells us, for example, that matter has mass and charge. These properties are completely defined in terms of behavior, things like attraction, repulsion, resistance to acceleration. Physics tells us absolutely nothing about what philosophers like to call the intrinsic nature of matter: what matter is, in and of itself.

So it turns out that there is a huge hole in our scientific story. 
The proposal of the panpsychist is to put consciousness in that hole. 
Consciousness, for the panpsychist, is the intrinsic nature of matter. 



There’s just matter, 
on this view, 
nothing supernatural or spiritual.


But matter can be described from two perspectives.
Physical science describes matter “from the outside,” in terms of its behavior.
But matter “from the inside”—i.e., in terms of its intrinsic nature—is constituted of forms of consciousness.

What this offers us is a beautifully simple, elegant way of integrating consciousness into our scientific worldview, of marrying what we know about ourselves from the inside and what science tells us about matter from the outside.

Of course, the most common objection to this idea is “That’s just crazy!”
But many of our best scientific theories are wildly counter to common sense, too—for example, Albert Einstein’s theory that time slows down when you travel very fast or Charles Darwin’s theory that our ancestors were apes. At the end of the day, you should judge a view not by its cultural associations but by its explanatory power.
Panpsychism gives us a way of resolving the mystery of consciousness, a way that avoids the deep difficulties that plague more conventional options.

There is a profound difficulty at the heart of the science of consciousness:
Consciousness is unobservable. Can’t look inside an electron to see whether or not it is conscious.
But nor can you look inside someone’s head and see their feelings and experiences. 

We know that consciousness exists not from observation and experiment but by being conscious.
The only way we can find out about the consciousness of others is by asking them:
 I can’t directly perceive your experience, but I can ask you what you’re feeling. And if I’m a neuroscientist, I can do this while I’m scanning your brain to see which bits light up as you tell me what you’re feeling and experiencing. In this way, scientists are able correlate certain kinds of brain activity with certain kinds of experience.
We now know which kinds of brain activity are associated with feelings of hunger, with visual experiences, with pleasure, pain, anxiety, et cetera.

This is really important information, but it’s not itself a theory of consciousness. 
That’s because what we ultimately want from a science of consciousness is an explanation of those correlations. 
Why is it that, say, a certain kind of activity in the hypothalamus is associated with the feeling of hunger?
Why should that be so?
As soon as you start to answer this question, you move beyond what can be, strictly speaking, tested, simply because consciousness is unobservable.
We have to turn to philosophy.

The moral of the story is that we need both the science and the philosophy to get a theory of consciousness. The science gives us correlations between brain activity and experience. We then have to work out the best philosophical theory that explains those correlations. In my view, the only theory that holds up to scrutiny is panpsychism.

When I studied philosophy, we were taught that there were only two approaches to consciousness: 
Either you think consciousness can be explained in conventional scientific terms,
Or you think consciousness is something magical and mysterious that science will never understand.

I came to think that both of these views were pretty hopeless.
I think we can have hope that we will one day have a science of consciousness, but we need to rethink what science is. 
Panpsychism offers us a way of doing this.




Philip Goff






Recordação





E tu esperas, aguardas a única coisa
que aumentaria infinitamente a tua vida;
o poderoso, o extraordinário,
o despertar das pedras,
os abismos com que te deparas.

Nas estantes brilham
os volumes em castanho e ouro;
e tu pensas em países viajados,
em quadros, nas vestes
de mulheres encontradas e já perdidas.

E então de súbito sabes: era isso.
Ergues-te e diante de ti estão
angústia e forma e oração
            de certo ano que passou.            


Rainer Maria Rilke
in,  "O Livro das Imagens"





Memory





Memory
 is not a function of the brain directly, 
but is a function of the brain 
accessing the information in the vacuum. 
So the brain is like a radio.

Nassim Haramein





There is a fundamental field of information
that is the source of our consciousness. 
Consciousness 
is not an epiphenomenon of your brain, 
it's actually 
something that your brain is tuned into 
like a radio is tuned to a set of information.

 – Nassim Haramein







sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Nikola Tesla



10 de julho de 1856
Smiljan, Império Austríaco (atualmente pertencente à Croácia)
7 de janeiro de 1943 (86 anos)
Nova Iorque, Estados Unidos





O grande génio da Ciência, Nikola Tesla, que inventou e descreveu o sistema de corrente alternada, a bobina de Tesla, motor de indução elétrica, aeronaves sem asa e comunicações interplanetárias — foi testemunha de diferentes fatos que corroboram a existência do Mundo Invisível.


Foi um inventor nos campos da engenharia mecânica e electrotécnica, filho de pais sérvios ortodoxos, nasceu na aldeia de Smiljan, Vojna Krajina, na província de Lika em território da atual Croácia e Eslovénia. Era súbdito do Império Austríaco por nascimento e mais tarde tornou-se um cidadão norte-americano.

Tesla é muitas vezes descrito como um importante cientista e inventor da modernidade, um homem que "espalhou luz sobre a face da Terra". É mais conhecido pelas suas muitas contribuições revolucionárias no campo do electromagnetismo no fim do século XIX e início do século XX.
As patentes de Tesla e o seu trabalho teórico formam as bases dos modernos sistemas de potência eléctrica em corrente alternada (AC), incluindo os sistemas polifásicos de distribuição de energia e o motor AC, com os quais ajudou na introdução da Segunda Revolução Industrial.

Depois da sua demonstração de transmissão sem fios (rádio) em 1894 e após ser o vencedor da "Guerra das Correntes", tornou-se largamente respeitado como um dos maiores engenheiros electrotécnicos que trabalhavam nos EUA.
Muitos dos seus primeiros trabalhos foram pioneiros na moderna engenharia electrotécnica e muitas das suas descobertas foram importantes a desbravar caminho para o futuro.
Durante este período, nos Estados Unidos, a fama de Tesla rivalizou com a de qualquer outro inventor ou cientista da história e cultura popular, mas devido à sua personalidade excêntrica e às suas afirmações aparentemente bizarras e inacreditáveis sobre possíveis desenvolvimentos científicos, Tesla caiu eventualmente no ostracismo e era visto como um cientista louco.
Nunca tendo dado muita atenção às suas finanças, Tesla morreu empobrecido aos 86 anos.

A unidade do Sistema Internacional de Unidades (SI) que mede a densidade do fluxo magnético ou a indução eletromagnética (geralmente conhecida como campo magnético "B"), o Tesla, foi nomeada em sua honra (na Conférence Générale des Poids et Mesures, Paris, 1960), assim como o efeito Tesla da transmissão sem-fio de energia para aparelhos electrónicos com energia sem fio, que Tesla demonstrou numa escala menor (lâmpadas eléctricas) já em 1893 e aspirava usar para a transmissão intercontinental de níveis industriais de energia no seu projeto inacabado da Wardenclyffe Tower.

À parte os seus trabalhos em electromagnetismo e engenharia electromecânica, Tesla contribuiu em diferentes medidas para o estabelecimento da robótica, controle remoto, radar e ciência computacional, e para a expansão da balística, física nuclear, e física teórica.
Em 1943 o Supremo Tribunal dos Estados Unidos acreditou-o como sendo o inventor do rádio.

Muitas das suas realizações foram usadas, com alguma controvérsia, para apoiar várias pseudociências, teorias sobre OVNIs, e as primeiras formas de ocultismo New Age.

É um dos maiores injustiçados do mundo da ciência.
Pai de diversas invenções não creditadas ao seu nome, Tesla permitiu que o mundo em que vivemos se tornasse real.






Quem fez a revolução elétrica no mundo?
Thomas Edison, certo?
Mas não, não foi ele.
Foi Nikola Tesla.


Quem realmente inventou esta e muitas outras coisas que se atribuem a diversas pessoas foi Nikola Tesla, o mesmo homem que possui desde uma unidade de medida para medir a densidade do fluxo magnético, uma cratera na lua, um asteroide, o maior prémio de engenharia elétrica do mundo, tem um aeroporto com o seu nome, uma banda de heavy metal com o seu nome, um dia só seu (10 de julho, em diversos países), além de ser personagem do filme "O Grande Truque" e nomear a marca que promete um futuro verde ao mundo.
Mais de 300 patentes em quase 30 países.

Mas então, porque ele não é reverenciado como um génio?

Nascido no finado Império Austro-Húngaro, onde hoje seria a Croácia, em 1856 durante uma tempestade de raios, segundo a lenda, teve o seu primeiro contato com a eletricidade na Universidade de Praga onde estudou engenharia elétrica até ao terceiro ano, desistindo depois de assistir às aulas. Solteiro pela vida toda, pois dizia que isso era proveitoso às suas ambições e capacidades científicas, acredita-se que ele tinha uma memória fotográfica e podia decorar livros inteiros ao lê-los apenas uma vez; além disso tinha uma condição que fazia com que visse clarões de luz que o cegavam, alucinações, e que lhe traziam inspiração e ideias. Também era capaz de ver uma invenção completamente pronta na sua mente antes de começar a esboça-la em papel.
O próprio motor elétrico de corrente alternada, invenção que fez a revolução elétrica no mundo, foi visto por ele numa dessas visões. O projeto foi feito todo mentalmente, sem um protótipo sequer. E quando foi questionado sobre como ele sabia que aquilo ia dar certo, ele respondeu:
"Simples, eu estou a vê-o funcionar".
Na época, pensar num motor de corrente elétrica alternada seria tão surreal quanto pensar, hoje, em teletransporte.

Acredita-se também que ele tivesse transtorno obsessivo compulsivo, insónia (dizia dormir apenas 2 horas por noite, embora fossem apenas cochilos), além de outras manias e fobias, por exemplo: Não tocava em cabelos; não gostava de pérolas - despedindo uma secretária por ir trabalhar com um colar, uma vez -, fazia as coisas de acordo com o numero 3 e nunca ficava num quarto de hotel divisível pelo próprio número. Atualmente, através dos relatos, seus biógrafos acreditam que ele era misofóbico, ou seja, tinha completo pavor de entrar em contacto com sujeira ou qualquer coisa que não julgasse estar higienicamente seguro. Antes de cada refeição ele polia cada utensílio até chegar à perfeição, utilizando 18 guardanapos (múltiplo de 3).

Chama a atenção, também, a sua obsessão por pombos, alimentando-os regularmente no Central Park, em Nova Iorque, com sementes especiais que encomendava. Ele costumava, inclusive, levá-los para o seu quarto para cuidar deles.
Além da memória eidética e talento para a física, Tesla também era poliglota. Falava 8 idiomas com fluência: sérvio, checo, latim, italiano, alemão, húngaro, francês e inglês.

Um dos seus primeiros trabalhos foi na Companhia Nacional de Telefones, sendo o eletricista-chefe da empresa e engenheiro do primeiro sistema telefónico do país. Nesta época desenvolveu um aparelho que pode ser taxado como um repetidor ou amplificador de telefone, ou ainda, pode ser considerado o primeiro altifalante do mundo. No entanto ele não divulgou ou publicou essa invenção.





GUERRA DAS CORRENTES

Nos anos 80 trabalhou na França e depois nos Estados Unidos, onde foi assistente do famoso Thomas Edison, aquele que todos dizem que inventou a lâmpada.
Aqui começa o drama de Tesla com o seu maior sabotador.

Thomas Edison contratou Tesla para resolver problemas que ele tinha, com corrente contínua em geradores e motores. Se Tesla resolvesse o problema ganharia cerca de 50 mil dólares - o que corresponderia a 1 milhão de dólares em valores atuais -, essa era a promessa.
Quando Tesla resolveu os problemas de Edison e perguntou sobre o seu dinheiro, recebeu a seguinte resposta: "Tesla, você não entende o humor americano".
Sim, para ele a promessa era uma piada e nunca foi paga.

Tesla não se abateu, continuou suas pesquisas, e, hoje, podemos ter luz elétrica em nossa casa graça à invenção e aplicação da corrente alternada desenvolvida por ele quando foi contratado pela Westinghouse para criar a linha de transmissão e viabilizar o primeiro sistema hidrelétrico do mundo. 

Na ocasião, recebeu 1 milhão de dólares pela venda de suas patentes a George Westinghouse e mais US$ 2,50 dólares de royalties por HP gerado por suas invenções.

Tesla começava a ficar rico e famoso, certo?
Mais ou menos.

Devido a jogadas mal planeadas, a Westinghouse ficou à beira de uma falência, e Tesla, não querendo que centenas de pessoas perdessem seus empregos, teve a grandiosidade de rasgar o contrato dos royalties, o que hoje valeria TRILHÕES de dólares.

Mas nem assim tudo foram flores para ele.
O seu sistema de corrente alternada recebeu críticas duríssimas de Edison que dizia que ele era ineficiente e não devia ser levado a sério.
O motivo?
O sistema de corrente contínua - que vimos acima - tinha sido criado por ele e era o padrão adotado nos Estados Unidos, com a mudança do padrão ele perderia uma montanha de dinheiro a cada ano em royalties. Assim começava a famosa Guerra das Correntes.

Para termos luz na sala de casa hoje, segundo o sistema de Thomas Edison, precisaríamos de um gerador de energia elétrica a cada quilómetro quadrado.
Inviável, certo?
Já o sistema de Tesla usava cabos menores, alcançava maiores voltagens e podia transmitir energia elétrica a distâncias muito maiores.

Frente a essa perda de dinheiro, nome e prestígio, Thomas Edison resolveu mexer-se e tomou uma atitude muito adulta: Começou a pagar 25 centavos por cada cachorro ou gato vivo. Depois, numa exibição pública, eletrocutou todos usando a corrente alternada de Tesla, além de cavalos e até elefantes. Ele queria mostrar como era perigoso o sistema de corrente alternada e convencer a opinião pública de que não era segura para se ter numa casa.
A propaganda negativa foi tão forte que, na época, o estado de Nova Iorque passou a utilizar a eletrocussão por corrente alternada como método de execução de condenados.

Para a nossa sorte, o sistema de Tesla era mais barato e funcional e foi adotado não só nos EUA, como em diversos países, caminhando para ser o padrão global. Por isso, Tesla é o verdadeiro pai da era da eletricidade.


O atrito com Thomas Edison 
não foi a única injustiça com Tesla.  
Quem inventou o rádio? 
O italiano Guilherme Marconi? 

Foi Tesla. 
Tudo o que Marconi fez foi pegar no trabalho desenvolvido por Tesla e patenteou-o em 1896, onde continha todos os diagramas esquemáticos descrevendo todos os elementos básicos do transmissor de rádio, mudou um pouquinho aqui, umas coisinhas ali e ficou mundialmente famoso ao mandar a primeira mensagem transatlântica da história.
Ao ser questionado sobre o que sentia, Tesla disse:
"Marconi é um bom amigo. Deixem-no continuar. Ele está a usar 17 das minhas patentes".

Porém, Marconi recebeu um Prémio Nobel por isso. 
Prémio que deveria ser de Tesla (e essa não foi a primeira vez que ele perdeu um Nobel, já que a discussão e os avanços decorrentes da questão corrente alternada/contínua gerou o prémio para ele e Edison. O prémio não foi entregue, pois a Academia de Ciências não concordou em dividir o Nobel e ele foi repassado a um terceiro pesquisador - Willian Bragg).
Ao perder o Prémio Nobel para Marconi - e a grande soma em dinheiro - ele disse: 
"Marconi é um asno". 

Para piorar, nesse momento Tesla já estava sem dinheiro - notm que foi quando J. P. Morgan tinha removido o incentivo financeiro à Torre, que coincidiu com a época em que as suas patentes começavam a expirar.
Desesperado, tentou processar o italiano, desistindo ao ver que, sem recursos, não conseguiria disputar com uma grande companhia.


Outra Injustiça: 
O Radar.
Esta invenção que permite desviar mísseis, detectar submarinos e aviões...
A comida sair quentinha do micro-ondas, etc.
Hoje, credita-se a descoberta a Robert Watson-Watt, que o teria descoberto em 1935, porém, 18 anos antes (18 anos!!!), em 1917, ele tinha apresentado à marinha americana (estávamos no início da 1ª Guerra Mundial) um sistema que poderia ter previsto milhares de baixas ocasionados pelos mísseis aquáticos alemães.
E por que a marinha rejeitou o invento?
Thomas Edison era chefe do centro de pesquisa e desenvolvimento da marinha, e disse que o radar não teria aplicação prática na guerra.

Mais uma injustiça:
O Raio-X. 
Creditado a Wilhelm Rontgen, já tinha sido descoberto e pesquisado por Tesla anos antes. Na euforia de sua "descoberta", acreditava-se que os raios-x poderiam curar problemas como a cegueira, porém, Tesla, que já tinha investigado o assunto, e sabia o que ele podia causar, recusou-se a conduzir experiências médicas com ele, tentando alertar o mundo sobre o seu perigo.

Não perdendo a oportunidade, Edison começou a experimentar os raios-x nos seus empregados.
Um deles, Clarence Dally recebeu uma carga de raios-x tão grande que precisou amputar os seus 2 braços para que não morresse. Não deu certo e, ele morreu por causa de um câncer no mediastino, uma das três cavidades em que está dividida a cavidade torácica.
Aliás, o próprio Edison quase ficou cego por disparar raios-x contra seus olhos.



                         


Outras invenções de Tesla

Ainda na época da Guerra das Correntes, época de muita criatividade para ele, Tesla desenvolveu diversas aplicações para seu uso de corrente alternada, como: motor elétrico, o princípio da criação de energia elétrica através de um campo magnético rotativo, ignição elétrica de motores à gasolina; o motor assíncrono giratório, comutadores elétricos, bobina de Tesla, que permitiu a comunicação sem fio, rádios e tv’s (SIM, AGRADEÇA A ELE CADA VEZ QUE LIGAR O WI-FI), lâmpada fluorescente, etc. (muitos etc.), controle remoto por rádio, etc.
Pesquisou desde energia solar até o poder do mar, além de prever comunicações interplanetárias e satélites. Há também relatos de ideias geniais e invenções ou teses feitas que ele preferiu não registar.

Para ajudar, após a disputa contra Edison, em 1895, o seu laboratório pegou fogo misteriosamente, junto de todas as suas pesquisas. Suspeita-se até hoje que fora causado por alguma grande companhia do ramo da eletricidade, já que após o incêndio, o que sobrou foi "sem querer" destruído por tratores.

A motivação seria destruir a pesquisa dele sobre energia gratuita para todos. Tesla não desistiu.

Nos seus estudos Nikola Tesla descobriu, num de seus momentos de genialidade, uma forma de conceder energia elétrica wireless grátis para todo o planeta através de uma torre que seria contruída perto de Nova Iorque . O projeto saiu do papel e chegou a ter a torre e o prédio prontos, porém empacou  num detalhe: o empresário que estava a financiar a construção da torre - um dos mais famosos investidores dos EUA, J. P. Morgan - decidiu encerrar o projeto quando se deu conta de que não teria como regular essa energia, e, portanto, como cobrar por ela e lucrar com isso.






A importância de Tesla para as nossas vidas:


  • Foi o responsável pela construção da primeira hidroelétrica do mundo, nas cataratas do Niágara, provando a todos que a água era um meio prático de obter energia;
  • Conduziu experiências com engenharia criogénica, quase meio século antes da sua invenção;
  • Patenteou mais de 100 inovações que foram usados na criação do transistor, aquela pecinha primordial que faz com que seja possível o computador moderno existir e lermos isto neste momento;
  • Foi a primeira pessoa a captar ondas de rádio do espaço, o que o torna, indiretamente, o pai da radioastronomia;
  • Descobriu a frequência de ressonância da terra, que só pode ser confirmada 50 anos depois, já que era muito avançado para a época;
  • Desenvolveu uma máquina de terremotos que quase destruiu um bairro inteiro em Nova Iorque;
  • Inventou a poderosa Bobina de Tesla.
  • Conseguiu, na década de 90, reproduzir no seu laboratório o fenómeno conhecido como "Ball Lighting", que consiste  numa luz que aparece na forma de uma esfera e viaja devagar enquanto plana a alguns pés do chão. É um fenómeno muito raro e até hoje os cientistas ainda não conseguiram replicar o feito em moderníssimos laboratórios; 
  • Inventou o controle remoto, a luz de neon, motor elétrico moderno, comunicações wireless, e outras coisas que tornam o nosso dia a dia mais prático; 
  • Inventou um raio da morte que poderia destruir o mundo caso caísse nas mãos erradas. Parece ficção, mas não é, ao menos é o que diversas fontes juram. No entanto, destruiu o projeto antes dele se tornar público (alguns acreditam que o projeto está na posse do governo dos EUA). O raio chegou perto de ser vendido para a Inglaterra por 30 milhões de dólares, durante a 2ª Guerra Mundial, mas foi desfeito nos últimos momentos. O próximo comprador seriam os Estados Unidos, porém, a reunião que daria desfecho à compra nunca ocorreu. Tesla morreria antes.



Albert Einstein with other engineers and scientists at Marconi RCA radio station 1921
This picture has the popular culture attribution of being a depiction of Nikola Tesla
 standing in the second row between Einstein and Steinmetz.






Embora hoje ele não tenha o reconhecimento que lhe é devido, na sua época, foi uma celebridade, morando por diversos anos no Waldorf Astoria, onde organizava jantares com pessoas famosas que seriam as testemunhas das suas descobertas.
Perguntaram a Albert Einstein como era sentir-se o homem vivo mais inteligente, a resposta foi:
 " Eu não sei, você vai ter que perguntar a Nikola Tesla". 

Pelos depoimentos de Tesla, ele considerava as afirmações de Einstein como tentativas arrogantes de subverter o significado intuitivo dos conceitos físicos básicos do homem.
Tesla nunca conseguiu aceitar as interpretações de Einstein no que diz respeito à Teoria da Relatividade. A seu ver, o espaço não é curvo, mesmo porque ele não é um ente geométrico. O mesmo ele dizia em relação ao tempo. Para Tesla, o tempo era a energia vital que o impulsava a descobrir e desenvolver inúmeras coisas úteis, e não poderia ser desperdiçado, tal como Einstein o fizera, em especulações matemáticas inúteis sobre “o pensamento de Deus”.
Ele também criticava toda tentativa de “explicar o funcionamento do universo sem reconhecer a existência do éter e a função indispensável que ele desempenha nos fenómenos”
O próprio Einstein, após ter passado anos tentando inutilmente desenvolver a sua Teoria de Campo sem levar o éter em consideração, viu-se finalmente forçado a aceitar a sua existência.

Tesla era sabedor do poder da ciência e de seu potencial para produzir males ou benefícios. Ele via no desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação uma possibilidade de aproximar as pessoas e de acabar com a desconfiança entre os povos. E afirmava, inclusive, que a ciência poderia até
mesmo acabar com as guerras. Acontece que Tesla só concebia a ciência como um instrumento a ser utilizado de forma altruísta, enquanto que para Einstein ela foi um trampolim para a fama, um jogo destinado a satisfazer sua curiosidade, e, o que é mais grave, um instrumento de poder e de destruição.

Infelizmente, os financiadores e a mídia optaram por popularizar Einstein e desprezar Tesla. E as gerações seguintes se viram condicionadas a seguir o triste exemplo do primeiro. O desenvolvimento das armas nucleares é prova disso. Num apontamento não publicado, escrito em 15 de abril de 1932 (treze anos, portanto, antes da bomba atómica), Tesla declara: 
“Einstein afirma que, através de raios cósmicos, a matéria é transmutada em força, e vice-versa. Isto é absurdo. É o mesmo que dizer que o corpo material pode ser transformado em espírito, e o espírito em corpo.”
A repulsa que Tesla sentiu a essa afirmação de Einstein talvez tenha por causa o pressentimento de que tal concepção, se posta em prática, não poderia levar senão a um desastre mundial.



E mesmo com toda esta história de vida surpreendente, Tesla não tem o reconhecimento que merece. Vivendo numa época em que só as invenções rentáveis e vendáveis eram "legais", ninguém valorizava a radioastronomia. As suas invenções não eram aquelas que poderiam aperfeiçoar um produto e vender mais e mais, elas eram revolucionárias. Por toda a sua vida ele foi leal e compreensivo com aqueles que o tentaram passar para trás, e mais, não via o lucro como principal motivação das suas pesquisas.

Nos últimos anos de vida, ele passava dias e noites sozinho no seu laboratório, que era o único modo de ele estar realmente feliz. Tesla morreu alucinado, pobre, considerado louco por muitos, sozinho num quarto de hotel em Nova Iorque. Pagando o preço por ser um humanitário durante toda a sua vida, por tentar levar tudo de graça às pessoas, chegou ao fim dos seus dias a viver apenas de leite e bolachas e mesmo na sua pior situação, não esquecia daqueles que amou durante toda sua vida: os pombos.
"Venho alimentando os pombos, milhares deles, há anos, mas havia um pombo, um pássaro bonito, branco puro com detalhes cinza claro em suas asas. Aquele era diferente... Não importa onde eu ia, aquele pombo iria me encontrar; quando eu queria ver ela só tinha que desejar e chamá-la para que ela viesse voando até mim... Eu amei aquele pombo... Eu a amava como um homem ama uma mulher, e ela me amava.
Então, uma noite eu estava deitado na minha cama, no escuro, resolvendo problemas, como de costume, ela voou pela janela aberta e ficou na minha mesa. Eu sabia que ela me queria; ela queria me dizer algo importante, então eu me levantei e fui até ela. Quando eu a olhei eu sabia o que ela queria me dizer - ela estava morrendo. E então, eu saquei sua mensagem, vinha uma luz de seus olhos - poderosos feixes de luz... uma luz mais intensa do que eu já tinha produzido pelas lâmpadas mais potentes em meu laboratório.
Quando aquele pombo morreu, algo saiu da minha vida. Até aquele momento, eu sabia com certeza que iria completar meu trabalho, não importa o quão ambicioso fosse, mas quando algo como aquilo saiu da minha convivência eu sabia que o trabalho da minha vida tinha acabado."

Nikola Tesla

E assim, em 7 de Janeiro de 1943, acabou a vida de um dos maiores génios da humanidade:
Vivendo na pobreza e conversando com pombos imaginários.





Nikola Tesla - 11 Jul 1937




Ainda hoje existem diversas invenções que são classificadas como sigilosas pelo governo americano e que não foram entregues à família na altura da sua morte, gerando muitas especulações sobre invenções fantásticas. Invenções essas que seriam mantidas no escuro devido à pressão das grandes petroleiras ou por outros assuntos tão sensíveis quanto esse. 

Outro episódio que suscitou borburinho durante a Guerra Fria foi o desaparecimento de algumas das suas pesquisas. Os EUA temiam que a União Soviética tivesse ficado com as suas ideias e estivesse a desenvolvê-las.  

Hoje ele tem um museu fundado em seu nome, com as suas invenções e memórias.
No museu são realizadas diversas experiências e demonstrações.
As experiências recriam as apresentações de Tesla, que era um verdadeiro showman, conhecido por suas exibições performáticas, que muito lembravam os espetáculos de magia.


Diferentemente da grande maioria dos cientistas, Tesla foi sempre guiado pelo ideal de colocar o seu trabalho científico a serviço do bem-estar do homem, e em nome desse objetivo chegou a passar por situações de verdadeira penúria financeira.
Tendo compreendido que o uso contínuo e prolongado das fontes de energia usadas na época constituiriam, a longo prazo, uma ameaça à manutenção das reservas naturais do planeta, ele passou décadas tentando descobrir uma fonte energética não poluente e que não destruísse a natureza. E, para desespero das grandes empresas geradoras de energia, ele apresentou um surpreendente projeto de construção de mega centrais de energia elétrica o qual abria, de forma concreta, a possibilidade de que esta viesse a ser consumida pelos usuários sem qualquer custo.

Isso foi o suficiente para que Tesla se tornasse um incómodo para muita gente e um perigo para uma sociedade que era dominada pelo materialismo e pelo egoísmo.
Por ter levado às últimas consequências o seu ideal de ser efetivamente útil à sociedade, o inventor do sistema que possibilitou o aproveitamento doméstico e industrial da eletricidade – a qual é, como se sabe, responsável pelo enorme progresso tecnológico ocorrido no século XX – foi, em vida, perseguido, desprezado, ignorado e até humilhado, tendo chegado ao ponto de passar os últimos anos de sua existência na solidão de um quarto de hotel e na miséria.
E, postumamente, a única homenagem que lhe prestam é o banimento de seu nome da história da ciência que é ensinada nas universidades.
E, por incrível que pareça, nem mesmo a grande maioria dos docentes da área da Física costumam estar a par do assunto.

Uma pessoa que tenha ideais nobres acaba, forçosamente, tornando-se inimiga do “sistema”.
O projeto de Tesla entrava em conflito com o maior filão económico da sua época, pois ameaçava inviabilizar a comercialização da energia elétrica e, por isso mesmo, a construção de novas megacentrais dessa energia. 

No ambiente capitalista e acentuadamente competitivo da sociedade americana, Tesla só poderia ter
sido considerado um louco ou um traidor.

Não é por mero acaso que as informações a respeito dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos por Tesla na segunda metade da sua existência são escassas.
O seu projeto para a implantação de um sistema global de transmissão de energia tem sido interpretado como uma tentativa de captar novas formas (ou seja, não elétricas) de energia. Acredita-se que ele tenha começado a investigar a possibilidade de captar a energia do campo gravitacional que envolve a Terra, ou, ainda, a do próprio éter.

Interpretações posteriores ao seu trabalho alegam que no final de 1898, no campo experimental de Colorado Springs, Tesla chegou perto da solução técnica para coletar energia a partir do éter, e que fora esse o motivo que levara o banqueiro J.P. Morgan a retirar mais tarde o seu financiamento,
pois ele receava que, se não o fizesse, o monopólio das fontes convencionais de energia estariam em breve ameaçadas.

Atribui-se a Tesla a invenção de máquinas que retirariam energia do éter para transformá-la em energia útil e a de um “conversor de estado sólido” capaz de controlar um motor elétrico especial. Há
informações que alegam que este motor teria sido instalado numa limusine. A performance desta teria sido similar à de um carro tradicional, com a diferença de que o consumo de combustível então verificado teria sido praticamente nulo. O teste teria submetido a limusine a altas velocidades durante o período de uma semana.

Segundo consta, Tesla teria conseguido ainda produzir terremotos artificiais. Acredita-se que ele o tenha feito através de uma vibração induzida no campo do éter, a qual teria sido transferida a toda a matéria. Conta-se que, tendo ele testado esta tecnologia em Nova Iorque, verificou-se um forte tremor que atingiu uma área de vários quarteirões.
Hoje, essa tecnologia existe, e terramotos são provocados artificialmente por todo o mundo.

Várias descobertas de Tesla têm sido investigadas e até mesmo aplicadas para fins bélicos, o que se
opõe frontalmente ao espírito do inventor. As “ondas estacionárias” de frequência extremamente
baixa (ELF), por exemplo, fenómeno conhecido como “Efeito Tesla”, têm sido usadas para a “guerra biopsicológica”. Um artigo da Associated Press de 20 de Maio de 1983, dá conta de que, por volta de 1960, a URSS usou um dispositivo chamado LIDA para influenciar o comportamento humano com a emissão de ondas de rádio de baixa frequência.

Há indícios de que Tesla tenha sido assassinado.
Após o seu falecimento, todas as suas anotações científicas desapareceram. É provável que elas
tenham sido confiscadas pela Agência Federal de Investigações norte-americana (FBI). Embora
esta entidade o tenha negado, existe uma declaração do Departamento de Defesa Norte-americano, datada de fevereiro de 1981, que sugere que o confisco poderia ter de fato ocorrido. Reza o documento:
 “Acreditamos que algumas das anotações de Tesla podem conter princípios básicos que seriam de valor considerável às pesquisas do Departamento de Defesa” .
O fato é que alguns apontamentos de Tesla, escritos em inglês nos laboratórios do cientista, apareceram “misteriosamente”, alguns anos após o seu falecimento, já traduzidos para o idioma sérvio num museu em Belgrado que existe em sua homenagem.
Outros, porém, jamais reapareceram.

É possível que o misterioso desaparecimento de Tesla (seu corpo só foi encontrado três dias após o desenlace), atribuído aos alemães, tenha sido o resultado da sua recusa em contribuir para que a energia nuclear fosse colocada a serviço da guerra. Pois se é verdade que, dado o notável talento do inventor, não seria de se estranhar que ele tivesse sido chamado pelo governo norte-americano a integrar o projeto da bomba (agentes representantes dos interesses do Eixo e dos aliados circulavam como aves de rapina em torno dos seus projetos e descobrimentos), é igualmente certo que ele, dado o caráter íntegro e honesto que sempre deu mostras de possuir, não teria se sujeitado a aceitar semelhante “convite”. Não se pode, entretanto, descartar a hipótese de que o seu trabalho tenha sido aproveitado a serviço da guerra e, até mesmo, do fabrico da bomba atómica.

Na verdade, custa acreditar que a morte de Tesla não tenha qualquer relação com os interesses políticos que, naquele conturbado momento histórico (estava-se às vésperas do fim da Segunda Guerra Mundial), se encontravam em jogo no cenário mundial. Ela foi atribuída aos alemães, mas ninguém soube explicar convincentemente que espécie de razões a Alemanha poderia ter tido para eliminá-lo. Resta considerar que a queima de arquivos é uma tática usual dos serviços secretos, e que essa tática costuma ser acompanhada de uma acusação contra o inimigo, ao qual é imputada a culpa pelo crime praticado.
Quem sabe, com o tempo, a justiça se manifeste e revele esses tenebrosos fatos a fim de que os homens não mais se esqueçam que a flor do bem só pode ser colhida da árvore da verdade.

Nikola Tesla viveu incompreendido e perseguido durante a sua existência, mas deixando como exemplo uma história de vida que se encontra registada na memória da misteriosa fênix que, sempre
viva, há de ressuscitar quantas vezes se fizer necessário.






O que Tesla pretendia não era, simplesmente, tornar acessível a todos o uso da energia elétrica. 
Sua capacidade de visão o levou a lutar por um ideal ainda mais abrangente: 
A transmissão de energia elétrica sem fios mediante um sistema que permitiria distribuí-la pelo mundo inteiro, fazendo com que ela passasse a ser propriedade da humanidade. 
As casas, fábricas, comboios, aviões, submarinos, carros e barcos receberiam esta energia através de antenas que os conectariam às torres receptoras locais. Esta seria a realização mais importante de toda a sua carreira.

O coração desse sistema era a “bobina de Tesla”, dispositivo capaz de produzir correntes alternadas com tensões de até milhões de volts e altas correntes e, ainda, com frequências variadas. Tesla descobriu que, se uma lâmpada fluorescente era colocada a pouca distância desse dispositivo, ela se acendia e irradiava luz sem que, para tanto, houvesse necessidade de fios. O fenómeno da ressonância elétrica era a chave daquela descoberta.
Em 1891, Tesla havia acabado de se tornar cidadão norte-americano, e essa nova tecnologia iria ser o seu presente ao país que o acolhera e ao mundo. Através dela, seria possível transmitir energia instantaneamente, a qualquer distância, através do ar. E isto significava energia gratuita para todos.

Um dos assistentes de Tesla questionou as implicações desse plano de distribuição de energia. Ele perguntava se uma empresa provedora de energia elétrica aceitaria fornecer sua mercadoria gratuitamente e se Tesla seria “autorizado” a introduzir um sistema como esse. Mas essas dúvidas só
conseguiram exasperar o inventor, pois ele estava convicto de que seu plano iria ser aceite simplesmente porque se tratava de algo correto e que deveria ser realizado.

Com o tempo, a visão de Tesla a respeito da transmissão de energia sem cabos foi se ampliando e evoluindo. A transmissão através do ar apresentava limitações devido à perda de energia a grandes distâncias. Por isso, ele decidiu usar a terra, e não o ar, como meio de propagação de energia. A própria Terra poderia fazer as vezes de condutor; as ondas elétricas se expandiriam através da crosta
terrestre em frentes de ondas concêntricas passíveis de serem recebidas e utilizadas em pontos geográficos distantes.
Desta forma, o planeta inteiro seria convertido num transmissor elétrico colossal.

Numa noite de 1899, Tesla realizou no seu laboratório, na cidade de Colorado Springs, uma das suas experimências mais famosas.
Na tentativa de enviar energia elétrica através da terra, ele descobriu um efeito a que deu o nome de crescimento ressonante. Essa descoberta pode ser considerada uma das mais importantes façanhas elétricas já realizadas pelo homem. A tensão acumulada na antena da torre do laboratório
produziu um arco de luz que se estendeu em direção ao céu e cresceu progressivamente até chegar a um
comprimento de mais de 40 metros. E a experiência só não teve resultados ainda maiores porque houve uma interrupção inesperada: o gerador de energia elétrica da cidade de Colorado
Springs não aguentou a sobrecarga e acabou por se queimar.
Tesla explicou o efeito de crescimento ressonante dizendo que a corrente elétrica tinha atravessado o planeta inteiro até refletir-se no lado oposto, tendo sido reforçada por pulsos elétricos obtidos do gerador a cada vez que ela retornava ao seu ponto de partida.

De acordo com as previsões de Nikola Tesla, o Sistema Mundial da Torre de Wardencliff estaria apto a possibilitar: 

1) A interconexão de todas as estações de telégrafos do mundo;

2) O estabelecimento de um serviço de telégrafos secreto e imune a interferências para uso do governo;

3) A interconexão de todos os telefones e estações telefónicas do mundo inteiro;

4) A difusão universal de notícias, música, etc.;

5) A transmissão mundial de textos na forma escrita (cartas, cheques, etc.);

6) A reprodução mundial de fotografias e desenhos;

7) O estabelecimento de um serviço universal de marinha capaz de permitir a orientação dos navegadores de todos os barcos e, consequentemente, a prevenção de acidentes e desastres navais.

Como se vê, Tesla estava várias décadas à frente de seu tempo. No final do século XIX, quando o rádio acabava de ser inventado e a televisão nem mesmo existia, ele foi capaz de distinguir claramente a possibilidade de que o mundo viesse a desfrutar de uma série de recursos tecnológicos que somente na era da informática chegaríamos a conhecer (através de invenções como, por exemplo, a Internet e o FAX).
Porém, como a perspectiva da transmissão não comercial da energia elétrica estava incomodando muita gente, sobretudo os empresários dos EUA, o desenvolvimento do projeto de Tesla sofreu forte censura e não se pôde desenvolver.
Esse foi, é claro, o “misterioso” motivo pelo qual a torre de Wandercliff foi condenada à destruição.

Mas as ideias de Nikola Tesla, vigorosas que eram, se mantiveram vivas, e, várias décadas depois da queda de sua torre, um jovem extremamente sagaz chamado Bill Gates, apropriou-se delas.
Dessa forma, a parte do projeto de Tesla que previa a “transmissão de textos escritos, cheques e a reprodução de fotografias e desenhos”, que fora recebida tão ceticamente por seus contemporâneos, acabou se tornando uma realidade, só que com mais de sessenta anos de atraso.

Bill Gates, como se sabe, é hoje o proprietário da principal empresa de informática do mundo, e é considerado, popularmente, uma espécie de génio das comunicações.
Mas sua genialidade talvez se resuma ao fato de que tenha sabido tirar partido do talento e idealismo alheios para fazer fortuna.

Em 2006, o terreno em que foi levantada a torre de eletricidade gratuita de Tesla que falei acima, foi posto à venda. E aí vem a maravilha da internet, novidade que só foi possível pelas criações de Nikola Tesla. O site OatMela criou uma campanha crowdfunding que conseguiu mais de 1 milhão e 700 mil dólares em apenas 6 dias!!

Atualmente, eles estão a tentar conseguir 10 milhões de dólares para criar "um centro de ensino de ciência e um museu digno de Tesla e seu legado."
E parece que a ideia vai sair do papel, afinal, Elon Musk, fundador da Tesla Motors - maior e mais promissor fabricante de carro elétricos do mundo - doou 1 milhão de dólares em troca de uma estação de abastecimento de carros no local.


Depois do maior génio de sempre da humanidade, Isacc Newton,  
Newton nasceu na Inglaterra a 4 de Janeiro de 1643, e é conhecido principalmente pelo fato de ter "descoberto" a gravidade, Newton desenvolveu o cálculo, entrou numa guerra matemática com um dos maiores pensadores da época, apontou com precisão como e porque os planetas mantinham sua órbita, e como o universo sustentava a sua configuração, estabeleceu as leis que regem a física moderna e praticamente qualquer área desse campo, entre muitas outras coisas que os humanos normais levariam umas 5 vidas para conseguir. O detalhe é que boa parte disso já estava pronto quando ele tinha cerca de 20 anos; exemplos? A gravidade e o cálculo infinitesimal.  
Depois deste grande génio, vem Nikola Tesla!!!!

“Não quero proporcionar a alguns indivíduos invejosos e de pouca visão a satisfação de verem frustrarem-se os meus esforços […]. Meu projeto foi retardado pelas leis da natureza. O mundo não estava preparado para ele. Estava demasiado adiantado para o seu tempo. Mas as mesmas leis prevalecerão afinal e farão dele um sucesso triunfal.” 
 Nikola Tesla
in, “Meus inventos”, 1919




Fontes:
Wikipedia
BBC
Oficina da Net
Inacreditável
George Trinkaus - Tesla: The Lost Inventions. High Voltage
Cinemedia
Sama Multimidia