sábado, 29 de novembro de 2025

Levarei o Fogo Comigo

 

Foto de capa: 
Leïla Slimani em Paris, aos 18 anos. 
Foto do arquivo pessoal cedida pela editora Gallimard





O que fica de alguém 
quando deixa um lugar?


O título do livro ecoa uma promessa e uma herança: 
Uma descendente que recolhe o que ainda queima, fere, foi silenciado da sua história pessoal e coletiva, e que tem um peso que faz com que não volte.
Ela teme os objetos, as heranças, e desconfia de tudo o que se prende com o passado.

Assim, arrumou a infância e levou o que importava.

"Mia, vai e não voltes!
Não guardes forças para o regresso, e nada o mais longe que puderes.
Percebi tudo sabes, e vi tudo.
O que te fizeram sofrer e o que dirão de ti.
Deverás pensar como uma mulher a monte, minha filha, porque é a nostalgia, sempre, a perdição dos criminosos em fuga. Um aniversário, um enterro, a saudade do país onde se nasceu. A nostalgia fá-los regressar e arrependem-se. Não deves regressar a Ítaca, mas sim encontrar para ti uma ilha como a dos Lotófagos, uma ilha para esquecer o regresso, para nem sequer sentir vontade de regressar. 

Sim, as pessoas tentarão convencer-te.
Pensarás que terás alguma coisa para fazer aqui, que podes ser útil.
Mas, não acredites nisso!
Enfia cera nos ouvidos, amarra-te ao mastro, lembra-te do que te disse.
Não voltes!

Essas histórias de raízes não passam de uma maneira de te pregar ao chão, portanto não importa o passado, a casa, a herança, os objetos, as recordações.
Ateia um grande incêndio a tudo, e leva o fogo contigo!

Não te digo até um dia, minha querida, digo-te adeus.
Empurro-te do cimo da falésia, solto a corda e observo-te a nadar.

Meu Amor,
Não cedas no que toca à Liberdade.
Desconfia do calor da tua própria casa,"

A questão é: 
  1. Como manter a chama acesa? 
  2. O que é que recebemos e deixamos em herança? 
  3. Como nos incendiamos depois das cinzas?



O romance acompanha o crescimento de Mia e Inès, duas irmãs que, embora criadas no mesmo ambiente, seguem caminhos distintos. As diferenças entre elas servem como metáforas para o confronto entre tradição e modernidade, entre o peso da herança cultural marroquina e o desejo de emancipação individual. Slimani explora com sensibilidade as tensões familiares, as frustrações geracionais e os dilemas identitários que atravessam as personagens.


"Este livro é escrito não com sangue, mas com lava em ebulição. O que é que nos acontece quando já não temos sangue nas veias, mas apenas uma erupção imparável e incandescente? Leïla Slimani escreve com a fúria de alguém que escava um buraco com as mãos no jardim e que, muitos anos depois, sucumbe ao medo, ao medo paralisante que apaga a memória. Esta fúria e esta lava estão latentes. São sedimentos que resultam da sensação de se ser estrangeiro no seu país, de ser desconforme aos comportamentos de género socialmente aceites, a uma sensação de estranheza e despertença.

"Levarei o Fogo Comigo" é um livro de mulheres que são Ulisses, que inventam o seu próprio destino e que recusam ser a mítica Xerazade, que encantava tiranos e assim salvava a pele. Nesta "Odisseia" chamada "O País dos Outros", trilogia que se encerra com este volume, procura-se menos o regresso a casa, questiona-se: onde é casa? E entende-se casa, se não como sinónimo, como palavra-irmã de identidade, memória, integração.

Nas epígrafes, somos introduzidos a noções fundamentais: casa, raízes, incêndio. É um prenúncio de desgraça, que tem, como aqui se escreve, um cheiro particular. 
Consequentemente, coloca-nos uma pergunta: 
Como fazer o caminho para a frente, como prosseguir depois da hecatombe?"

Anabela Mota Ribeiro



"As pessoas como ela.
Havia, algures, pessoas que se lhe assemelhavam e ela forçava-se a esquecer que, se estavam unidas, era pela infelicidade. Pessoas como ela, e fingia ignorar a que se referia a mãe. Mia não se autorizava, nem em pensamentos, a dizer a palavra [lésbica], a qualificar-se.
Repetia para si própria: sou normal, e não fiz nada de mal.
A mãe queria que ela fosse feliz.
A mãe não acreditava na sua felicidade. Ela tem medo, pensava Mia, que eu seja estranha, travesti, sidosa, marginal. Preferia mil vezes que eu fosse conformista e banal.
Ama-me, repetia Mia para dentro, mas amar não tem nada que ver com palavras.
Amar era não fazer perguntas, não abrir os armários que o outro tivera o cuidado de fechar à chave. Não teimar em desenterrar os segredos.
Amar era guardar silêncio, juntos, deixar pairar perguntas sem respostas e aperceber-se de que isso não tinha importância nenhuma.

Amar e saber eram duas coisas muito diferentes."

O retrato de Marrocos nos anos 80 é rico e crítico. 
A autora não se furta a abordar temas delicados como o islamismo, o extremismo, a repressão política e a liberdade de expressão. 
A pergunta “Seria Marrocos uma verdadeira democracia?” ecoa ao longo do texto, revelando o desencanto de quem vive entre fronteiras físicas e simbólicas. 

Mia e Inès nasceram em Marrocos na década de 80, num país dividido entre o desejo de modernidade e o medo de perder a sua identidade. Enfrentam o preconceito e o desprezo, mas alimentam-se do fôlego que já havia movido as gerações anteriores das mulheres da família, a avó Mathilde, a mãe Aicha e a tia Selma. 

"Para uma mulher, envelhecer era a melhor vingança de todas, porque finalmente as pessoas a respeitavam.
Davam-lhe um beijo no ombro, e abençoavam-na.
Assim que os seios murchavam, o sexo de fechava, o rosto se sulcava de rugas e preocupações, finalmente, os outros aceitavam levar a mulher a sério. No crepúsculo da vida, acabavam por reconhecer que sim, ela tinha dado muito, tinha precisado de resistência e ternura para que os filhos crescessem e tivessem eles próprios filhos. A idade conferia-lhe o poder que sempre lhe faltara, o respeito pelo qual aspirava. 
As velhas podiam ser tiranas, autocratas, soberanas absolutas, podiam usar a bengala para bater e ralhar, gritar, reclamar, e ninguém se atrevia a dizer nada."


"Sempre detestei a ideia de traçar uma linha e dividir o mundo a preto e branco, de um lado as mulheres e do outro os homens. Ou dizer que o patriarcado é os homens no topo e as mulheres na base. A vida é muito mais complexa. Conheço mulheres que são muito patriarcais e conheço homens que foram destruídos pelo patriarcado. Tentei neste livro ser mais subtil e mostrar, através da personagem de Mia, uma mulher que, quando é jovem, despreza as mulheres e a feminilidade."

Leïla Slimani

"Quando era criança, não queria ser mulher. Odiava as mulheres. 
A vida das mulheres é muito trivial e pouco interessante: Elas passam o dia a falar sobre o preço das cenouras e das batatas, só querem ir ao mercado e tratar do jantar e estão sempre a perguntar-me pelos trabalhos de casa. 
O meu pai nem sequer entra na cozinha. É tão livre e tão egoísta. 
Quero ser egoísta e livre como o meu pai." 

A Mia pensa que, para ser livre, tem de ser um homem. 
Ao mesmo tempo, Mia encarna um pouco a masculinidade tóxica, porque é bastante violenta com as mulheres e aceita coisas horríveis da parte dos seus amigos homens, que fazem muitas piadas e vêem filmes pornográficos. 

Sim, as mulheres preocupam-se com o preço das cenouras e das batatas, mas estão tão vivas, profundamente enraizadas. Estão cá e, aconteça o que acontecer, adaptam-se. 
Não se preocupam com o progresso porque elas são o progresso. 
Estão no presente e estão no futuro. 

Os homens, falam e falam e falam...têm muitas teorias sobre tudo. 
As mulheres não falam assim tanto. Elas agem.


A memória, tema recorrente na obra, é tratada como um fio condutor entre gerações. A autora questiona o que resta da identidade quando a memória se esvai, e como o exílio — seja geográfico ou emocional — molda a forma como nos vemos e somos vistos.

É uma reflexão que explora o contraste entre Marrocos e os estados ocidentalizados, onde a liberdade parece mais tangível, mas também mais complexa. Slimani não idealiza o Ocidente, mas usa-o como contraponto para explorar o exílio, a perda de raízes e a reconstrução da identidade.


"Podemos amar um país que não nos ama?
Podemos ser, ao mesmo tempo, daqui e de lá?

Para que servia tentar saber qual era o meu lugar, qual era o meu país, quando eu nem sequer sabia quem era?
Que quer dizer "identidade" quando perdemos a memória?
Não a memória dos povos, essa pouco me importava.
Mas sim, as histórias que a minha avó me contava, as fábulas que o meu pai inventava, esses íntimos "era uma vez" que constituem quem eu sou e com os quais cubro as paredes.

Quando me perguntam de onde eu sou, nunca sei o que dizer, como o balbuciar de um gago tentando pronunciar uma palavra e que, exausto, acaba por desistir.
Tal como o meu pai, faço-me passar pelo que não sou, tornei-me a minha própria falsária, cópia de má qualidade de um quadro de mestre, falso bilhete que nada vale, a não ser para os ingénuos que merecem ser roubados."


Esta trilogia, que começou com O País dos Outros, depois Vejam Como Dançamos e, por fim, Levarei o Fogo Comigo, estes 3 livros são inspirados na vida da autora e na sua família. É a história dos seus avós, dos seus pais, a sua história. Esta trilogia é sobre família e é sobretudo sobre as mulheres, e sobre a ideia que as mulheres têm dos homens. Mas é também sobre identidade, emigração, sentirmo-nos estrangeiros - seja uma europeia em Marrocos, seja uma marroquina na Europa. E é sobre o que levamos quando partimos e aquilo que não podemos, ou não conseguimos ou não queremos, deixar para trás.

"Este livro não é só sobre viver", diz Leïla Slimani sobre "Levarei o Fogo Comigo". 
"Viver o nosso país, viver a nossa cultura para chegar a um novo mundo. Queria falar sobre o regresso. Regressar: gosto muito deste verbo português. É difícil e melancólico. É impossível regressar. Nunca se regressa, pois a pessoa que regressa não é já a mesma. O país para onde se regressa mudou enquanto estivemos fora. 
Quando Ulisses chega a Ítaca, no final da sua odisseia, depois de inúmeras aventuras, de tantos sofrimentos, ninguém o reconhece. Só a ama, já muito velha, e o cão dão sinal de que é ele. Eu passei pelo mesmo. À chegada, deparamo-nos com uma emoção muito forte. É o nosso país, é a cor do céu, a luz, o cheiro das coisas, a língua. Ao mesmo tempo, as pessoas olham para nós e pensam que somos turistas, perguntam se queremos uma visita guiada. Sentimos que há ali qualquer coisa que se desfez para sempre. Queria falar sobre esta mágoa de não ser possível voltar. Sempre me senti uma estranha.

Achava que não pertencia totalmente ao meu país, Marrocos, onde nasci e cresci. Provinha de uma família muito diversa, original e marginal na maneira de viver. A minha avó era da Alsácia, adorava beber vinho branco e comer salsichas durante o Ramadão. O meu pai, embora sendo muçulmano, nunca praticou o Islão. E eu não sabia nada sobre o passado do meu pai. Nunca tinha visto uma fotografia do meu pai em criança. Ele vinha de uma família pobre e frequentou escolas colonizadas. Foi muito influenciado pela cultura ocidental. Era uma espécie de Grande Gatsby, reinventou-se. A minha mãe foi criada em Meknès por uma mãe cristã e um pai muçulmano. As pessoas olhavam para nós com a sensação de que não pertencíamos ali. Éramos demasiado franceses, demasiado ocidentais, demasiado livres. Dávamos imensas festas onde havia álcool e os meus pais eram feministas. Não espanta que sempre me tenha sentido uma forasteira.

Chegamos a um país e tudo é diferente, fisicamente diferente. A imigração não é algo abstracto. Tem directamente a ver com o corpo. E é por isso que escrevo sempre sobre o corpo. O clima não é o mesmo, a comida não é a mesma, a forma como as pessoas se vestem não é a mesma. Foi muito violento chegar a França nos anos 90 do século passado. As pessoas eram bastante racistas e diziam coisas sobre os árabes sem sequer pensarem que podiam fazer-nos sentir vergonha ou tristeza.

Sou uma nómada. Não sei onde é o meu lugar. A minha casa é o corpo das pessoas que amo. Os meus filhos são a minha casa, o meu marido, os meus amigos, a minha família. Não é bem um sítio. A literatura também é a minha casa. Eu habito os livros, habito a ficção.

Por outro lado, não me identifico minimamente com a forma como as pessoas e a política que nos rodeiam falam de raízes, de identidade. Tentam definir uma identidade, dizem-nos que temos de ser assim ou assado. Não é sobre quem somos: o que importa é o que fazemos, o modo como agimos. 
Acho ridículo dizer: “tenho orgulho em ser desta nacionalidade ou daquela”. Orgulhem-se de serem boas pessoas. Não se orgulhem de ser ganeses, portugueses, franceses ou ingleses, se forem más pessoas. Isso é uma estupidez.

É apenas a minha história e não quero passar a minha vida inteira a pedir desculpa por ela."

"Quanto mais envelheço, mais me sinto frágil, vulnerável. 
Mas não o encaro como fraqueza. 
O que sinto é que agora posso partilhar a minha vulnerabilidade com as outras pessoas. 
Quando somos jovens, não queremos ser vulneráveis. Queremos ser fortes, sair e curtir, queremos que as pessoas nos amem e admirem. 
Agora quero olhar para as pessoas e dizer: também tens medo?"

Leïla Slimani


Leïla Slimani nasceu em Rabat em 1981. 
Recebeu o prestigiado prémio Goncourt aos 35 anos. 
Vendeu mais de um milhão de livros no mundo todo. 
Vive desde há quatro anos em Lisboa.




domingo, 23 de novembro de 2025

Trust


Pexels



Oh we've got to trust
one another again
in some essentials.

Not the narrow little
bargaining trust
that says: I'm for you
if you'll be for me. -

But a bigger trust,
a trust of the sun
that does not bother
about moth and rust,
and we see it shining
in one another.

Oh don't you trust me,
don't burden me
with your life and affairs; don't
thrust me
into your cares.

But I think you may trust
the sun in me
that glows with just
as much glow as you see
in me, and no more.

But if it warms
your heart's quick core
why then trust it, it forms
one faithfulness more.

And be, oh be
a sun to me,
not a weary, insistent
personality

but a sun that shines
and goes dark, but shines
again and entwines
with the sunshine in me

till we both of us
are more glorious
and more sunny.


D H Lawrence



Analysis (AI): 

This poem emphasizes the importance of genuine and unconditional trust in relationships. It suggests moving beyond transactional or conditional trust and embracing a larger, cosmic trust that reflects the boundless nature of the sun.

The poem's language is clear and direct, avoiding flowery or sentimental language. This simplicity highlights the poem's central message: trust should be based on the inherent goodness and reliability of the other person, not on specific actions or expectations.

Compared to Lawrence's other works, this poem reflects his ongoing preoccupation with relationships and the search for authenticity. It also resonates with the broader themes of cosmic consciousness and the interconnectivity of all things that characterized his later work.

In the context of its time period, the poem's emphasis on trust and interdependency stands out against a backdrop of social and political upheaval. It offers a vision of hope and resilience, suggesting that even in turbulent times, the power of genuine trust can sustain and nourish human relationships. 




Burning Questions. Complicated Answers

 


Sveta Zi



Relationship dilemmas 
 are not problems to solve. 
They are paradoxes to manage.


People always want tips and tricks for making their relationships better… but often, what they really want are answers. And the answers they want are usually to life’s biggest questions:

  • How do I find “the one”?
  • How do I heal after being hurt?
  • Why does desire fade over time? Can it come back?
  • Should I change careers?
  • Should we move closer to my partner’s family or mine?
  • Should we have kids?
  • Should we open our relationship?
  • Should we be exclusive?
  • Should I stay or should I go?

Behind each of these questions is a story about love, loss, hope, and fear. 
These stories have densely layered plots with surprising character arcs, villains, victims, and redeemable antiheroes. There are miscommunications and missed connections. 
There is rupture and repair. There are grudges. There is forgiveness.

No Easy Answers

Under the surface of each of these questions—and the stories that shape them—is the absolute mess and tremendous beauty of intimacy. 
There’s no easy answer, no simple truth. 
It’s enough to make one shut down or turn away from love altogether. And yet, it is the act of exploring these big questions that keeps us connected not only to others but to ourselves.

So, we keep searching. 
And because we search, we allow ourselves the pleasure and the pain of discovery. 
It is that curiosity which keeps us connected to our sense of aliveness.


  1. How do I live with unrequited love? 
  2. How do I build community? 
  3. Should I keep waiting for my partner to be ready to have a child? 
  4. Will I ever heal from the reality-shattering impacts of betrayal? 

Let’s Turn the Lens on You

When we keep asking, the question itself becomes the teacher.

  • Pick one of the “big questions” that resonates with you (e.g., Should I stay or should I go?).
  • Write your answer in a few sentences, honestly and privately.
  • Then re-read your answer and ask yourself: “What question is hiding underneath this one?” It might be: What do I fear losing if I leave? or What part of me is asking to grow?



Life is a game of risk

From the moment we come into this world to the moment we die, our survival instinct acts as a silent captain navigating every situation we face or desire. And at every step, a subconscious calculation is operating in the background:

  • Is this a harmful situation to avoid?
  • Will I get hurt?
  • Do I want to get hurt?
  • Could there be a payoff?
  • What if it’s great?What if I fail?

Is It Worth the Risk?‍

We focus a lot on red flags, particularly while dating and early on in relationships. 
Often, our ability to recognize a red flag is because we’ve experienced it before. 

When we’ve dated a few too many narcissists, our eyebrows might perk up if our date is bragging a little too much. If a former partner struggled with substance abuse, we might overly-chastise our new mate for occasionally overindulging. When we’ve had past experiences in which our partner was too needy or we felt too needy, we may find ourselves seeking “situationships” where we don’t have to get deep enough to develop any level of dependence. And when we’ve experienced trauma, we will either try to avoid anything similar—or find ourselves experiencing it over and over again without totally understanding why. ‍

It’s crucially important to look for red flags. 
But hypervigilance can also leave us feeling constricted and avoidant. 

How many of us have wanted to run and jump off the dock into new depths of our relationship—only to stop ourselves at the edge because the proverbial water might be too cold, too murky, too mysterious? 

It’s that mystery that triggers our risk calculations—but it’s also what helps build sustainable desire that allows us to go deeper together over time.


Taking Risks Helps Build Trust Over Time

Over the course of a long partnership, issues can pile up, whether it’s major transgressions or minor mistakes that have compounded. 
Even small mistakes can be corrosive when they happen again and again. 
And even when the offending partner is working to heal the wounds, the other partner’s confirmation bias will insist “they’re just going to do it again.” 

If any of this sounds familiar to you, the last thing you probably want to hear is that it’s on you to open back up to the possibility of being hurt or disappointed again . . . but taking that risk is the only way to build trust in a possible alternative: that things can be better. ‍

Deep intimacy, as author Eli J. Finkel explained in The All-or-Nothing Marriage, requires some tradeoff between relationship enhancement and self-protection. 
He asks: 
“Are you more willing to let yourself be highly vulnerable in pursuit of deep intimacy, or are you more willing to sacrifice some level of intimacy to avoid being highly vulnerable?” 

This paradox is also at the heart of the Catch-22 posed by trust researcher Rachel Botsman
"Can we take risks without trust? 
Or is it the act of risk-taking that allows us to develop trust?” ‍

Taking risks is not the same as being reckless. 
We all need both security and adventure in this life. 
It’s okay to stop at the edge of the dock and assess the dark waters below . . . but it’s just as important to take the leap of faith.


Trust Falls—They’re Not Just For Corporate Retreats

Botsman defines trust as “a confident engagement with the unknown.” 

Trust is the confidence that even if the water is freezing and something bites our toe, we’ll be okay. 
And if it ends up better than we could have expected, we’ll always remember that day at the lake where we held hands and plunged into the reinvigorating waters together. ‍

In relationships, trust isn’t a promise to never hurt each other. 
It’s the risk that we will hurt each other and the confidence that, if we do, we will come together to heal. 
We will support one another. 
We will be kind. 
We will have each others’ backs. 

And it’s not just something that happens because we’ve decided to be together, or to move in, or to say “I do.” Cultivating that level of trust requires millions of micro-risks that show us we’re not foolish for being confident in our relationship. It requires taking risks together that show us our partner isn’t the same as the people from our past who hurt us.

Most importantly, trust requires taking risks together that help us grow into better partners for each other. 

If we let each other fall in the past, it’s going to take a lot of trust falls to show that we’re committed now to always catching each other, to really holding each other at our most vulnerable. 
The worst case scenario is that they drop us so many times that we finally understand we can’t trust them. That’s important to learn, too. 

But if we don’t take the risk at all, we might never know either way.


Esther Perel


sexta-feira, 7 de novembro de 2025

A Família que Devorou Seus Homens

 



 

SINOPSE

A família que devorou seus homens é um relato poderoso sobre os significados, as dimensões e as implicações da diáspora. Um livro sobre perdas, partidas e memórias; um retrato de família mergulhado em ternura e dor. Através do diálogo da narradora com a mãe e as memórias dessa mãe, o leitor vai conhecendo as histórias de uma família formada basicamente de mulheres. A autora síria, Dima Wannus, retrata essas mulheres e as reviravoltas na vida de cada uma numa linguagem concisa e luminosa, direta e muitas vezes cheia de humor. São personagens que ficarão com certeza, e para sempre, na memória do leitor.


Ocorrida a Nakba em 1948 e por consequência da expulsão dos povos árabes habitantes da Palestina para diversos países do mundo, uma sensação de não pertencimento e desejo de retorno apoderou-se dos usurpados, todavia, quase incapazes de retornar à Pátria, muitos se fixaram de maneira permanente em países como Líbano, Síria, Irão e Turquia.

É nesse contexto que a escritora síria Dima Wannus escreve o seu romance; fala sobre uma geração de mulheres refugiadas em Damasco e da “saudade mais doída sendo aquela que temos pelo que não existe mais”, quando são novamente refugiadas dado o caos social que a ditadura dos al-Assad promoveu na Síria, fazendo delas novamente migrantes agora em Londres, Paris e Beirute.

Assim como narra cada particularidade das personagens femininas e o seu modo de enfrentar a situação diante da solidão, do passado e da inconformidade do presente, narra também o impacto do conflito Israel-Palestina na vida dos que foram afetados. 


"Minha mãe tem medo 
de perder a memória, e eu 
tenho medo da loucura."


São as memórias que nos dão identidade. 
Não apenas uma identidade pessoal, mas também nos unem a quem tem as mesmas memórias que nós. 

“Aquela confusão, aquela bagunça, dava-me a sensação de estar em lugar nenhum. O carregamento terminou a última caixa e começou a levá-las para o camião. A nossa memória estava a ir embora em caixas numeradas e com uma breve descrição de conteúdo. Como viajar sem memórias? Chegaremos a Londres duas ou três semanas antes de as caixas chegarem! Ter a nossa memória a viajar em caixas facilitou as coisas.”

Os exilados, tentam fazer a viagem de volta a essa identidade desaparecida e ao passado histórico. Quando essa rota se mostra condenada, eles apegam-se a coisas que carregam memórias daquele ponto no tempo e no espaço. É um anseio por uma experiência nacional passada que não se ajusta mais à realidade social e às expectativas futuras sob o exílio. 
Dima Wannus retrata esse sentimento ao montar um retalho de memórias, fiando-o com as biografias da mãe, da avó, suas tias e suas primas.

Mas as memórias podem também ser um fardo. 
Há memórias que nos desequilibram, porque são um fardo que nos atormenta a mente sem tréguas. 
O esquecimento — assim como o medo — são benéficos em certa medida. 
O medo protege-nos. Quando ultrapassa o limite, o medo torna-se uma fobia que nos escraviza. 
O esquecimento também nos protege. Há dores, mágoas, lembranças que, caso nunca sejam superadas, integradas e curadas, ficam ali a remoer o passado numa prisão de porta aberta.
As memórias — assim como o medo, a culpa e a vergonha — podem aniquilar-nos aos poucos até nos levar à morte — seja esta espiritual, psíquica, emocional ou, até mesmo, física.
 
No livro, conseguimos distinguir as personagens e entender as diferentes maneiras como elas lidam com a vida ao ouvir as suas histórias.
Dima mostra as dimensões e implicações da diáspora na relação entre duas gerações de mulheres. Ela e a mãe, num apartamento temporário em Londres, vivem esses múltiplos lutos, o de sua terra natal, de seus homens e suas mulheres. A escrita, ao documentar essas memórias, ajuda-as a processar essas perdas.

Dima Wannus nasceu em Damasco, na Síria, em 1982, e tinha menos de trinta anos quando a guerra civil implodiu na Síria. 
Este livro conta os impactos do conflito na sua família, e o desmantelar das suas relações. 
Dima decide fugir para Londres junto com a mãe e, lá, reclusas e refugiadas, elas mantêm vivas as memórias de Damasco contando as histórias do passado. A filha filma as lembranças da sua mãe enquanto ela fala sobre a sua família que ficou na Síria, e elas apegam-se a esses fragmentos de memória — os cheiros, as comidas, as tragédias — para digerir a perda, a culpa e a saudade.

Dima Wannus traz uma narrativa de memórias. 
A mãe narra cada detalhe do que foi perdido para sempre: a luz da manhã em Damasco, o sabor da comida da irmã, o som das portas do armário, o cheiro da madeira…
A família de Dilma já não tem homens...morreram na guerra, desapareceram sem deixar rasto, e só restou Dima, a sua mãe, as tias e primas, e vivem juntas os anos do regime autoritário da família Assad e o conflito civil que corrói a Síria desde 2011.
A Revolução de 2011,  foi reprimida pelo regime Assad o que desencadeou a guerra civil. 

Mãe e filha reunidas nas fugas, saídas, retiradas, nas trajetórias para longe da revolução na Síria, que se apresenta como uma guerra de interesses envolvendo pelo menos três grupos que disputam o poder, além das intervenções americanas e russas. 
A fuga de Damasco afeta profundamente a mãe de Dima de forma irreversível.
A mãe apoiava-se no passado, ficou aprisionada no passado, e Dima vivia em modo de espera...à espera de um dia se libertar das memórias da mãe...à espera de poder transitar do presente para o futuro completamente desenraizada. Era um abismo aberto entre mãe e filha, entre o apego ao passado e uma sede enorme de futuro...dilemas típicos dos imigrantes e dos refugiados.


Quem são os refugiados sírios?
Os pobres não têm como fugir do país, não têm como financiar uma fuga para um lugar seguro e, muito menos, manter-se num outro país e recomeçar de novo.
A maior parte dos refugiados sírios são, portanto, classe média e classe média alta. 
Dima e a família deixaram Damasco durante a Guerra civil na Síria, refugiaram-se em Beirute, e depois espalharam-se por Paris e Londres. Dima e a mãe foram para Londres. 
Segundo dados das Nações Unidas, existem mais de 6,8 milhões de refugiados sírios espalhados pelo mundo.


Um dia, tudo se perde, tudo se desfaz. 
Ficando apenas as memórias.
As memórias são a única coisa que é verdadeiramente nossa. 
No entanto, as memórias também são grãos de areia que se perdem entre os dedos com o passar do tempo. 



“A saudade mais doída 
é aquela que temos 
pelo que não existe mais.”


Dreams








Despite the geologists’ knowledge and craft,
mocking magnets, graphs, and maps—
in a split second the dream
piles before us mountains as stony
as real life.

And since mountains, then valleys, plains
with perfect infrastructures.
Without engineers, contractors, workers,
bulldozers, diggers, or supplies—
raging highways, instant bridges,
thickly populated pop-up cities.

Without directors, megaphones, and cameramen—
crowds knowing exactly when to frighten us
and when to vanish.

Without architects deft in their craft,
without carpenters, bricklayers, concrete pourers—
on the path a sudden house just like a toy,
and in it vast halls that echo with our steps
and walls constructed out of solid air.

Not just the scale, it’s also the precision—
a specific watch, an entire fly,
on the table a cloth with cross-stitched flowers,
a bitten apple with teeth marks.

And we—unlike circus acrobats,
conjurers, wizards, and hypnotists—
can fly unfledged,
we light dark tunnels with our eyes,
we wax eloquent in unknown tongues,
talking not with just anyone, but with the dead.

And as a bonus, despite our own freedom,
the choices of our heart, our tastes,
we’re swept away
by amorous yearnings for—
and the alarm clock rings.

So what can they tell us, the writers of dream books,
the scholars of oneiric signs and omens,
the doctors with couches for analyses—
if anything fits,
it’s accidental,
and for one reason only,
that in our dreamings,
in their shadowings and gleamings,
in their multiplings, inconceivablings,
in their haphazardings and widescatterings
at times even a clear-cut meaning
may slip through.



Wisława Szymborska




sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Psalm






Oh, the leaky boundaries of man-made states! 
How many clouds float over them with impunity;
how much desert sand shifts from one land to another;
how many mountain pebbles tumble onto foreign soil
in provocative hops!

Need I mention every single bird that flies in the face of frontiers
or alights on the roadblock at the border?
A humble robin - still, its tail resides abroad
while its beak stays home. If that weren't enough, it won't stop bobbing!

Among innumerable insects, I'll single out only the ant
between the border guard's left and right boots
blithely ignoring the questions "Where from?" and "Where to?" 

Oh, to register in detail, at a glance, the chaos
prevailing on every continent!
Isn't that a privet on the far bank
smuggling its hundred-thousandth leaf across the river?
And who but the octopus, with impudent long arms,
would disrupt the sacred bounds of territorial waters?

And how can we talk of order overall?
when the very placement of the stars
leaves us doubting just what shines for whom?

Not to speak of the fog's reprehensible drifting!
And dust blowing all over the steppes
as if they hadn't been partitioned!
And the voices coasting on obliging airwaves,
that conspiratorial squeaking, those indecipherable mutters!

Only what is human can truly be foreign.
The rest is mixed vegetation, subversive moles, and wind. 


Wisława Szymborska
in, "Map: Collected and Last Poems"




Responsabilidade Pessoal






Um dos grandes obstáculos 
à nossa evolução aqui no Ocidente, 
é a incapacidade que a maioria ainda tem 
de assumir total responsabilidade 
sobre a sua existência, sobre si mesmo, 
sobre as suas escolhas 
e respectivas consequências, 
sobre tudo o que a sua energia co-cria e 
faz atrair para a sua realidade pessoal.



Infelizmente ainda ligamos a palavra responsabilidade a independência financeira, acreditamos que basta ter dinheiro ou um emprego e pronto! Já somos adultos. 
Mas pelos olhos do espírito, essa é apenas uma das variadíssimas responsabilidades que temos.

Porque a sociedade assim nos iludiu, descurámos a responsabilidade sobre as outras partes tais como o nosso estado emocional, social, familiar, relacional, mental e espiritual. 
Ou seja, passámos a viver apenas o mundo exterior das coisas, dinheiro, pessoas, lugares e experiências, sem qualquer respeito pelo mundo interior, pelas nossas emoções, verdade pessoal, crenças ou valores. E sem esta harmonia entre o interior e o exterior, por mais boa vontade que tenhamos, simplesmente não conseguiremos o que mais ansiamos; o sucesso, a paz, a saúde e o amor. 

Como podemos então aprender a harmonizar essas duas partes?

Fazendo deste equilíbrio uma prioridade e não as coisas, dinheiro, pessoas, lugares e experiências.
Dizem os Orientais há já mais de 3000 anos que o Universo é construído a partir de uma Polaridade Sagrada a que chamaram de Yin - Feminino e Yang - Masculino. 

Para que a Vida flua e a Luz (o sucesso, a paz, a saúde e o amor) se mantenha acesa, ambos os lados devem viver em harmonia dentro de nós, interligar-se a todos os níveis, primeiro a nível pessoal, invisível ou interior e depois a nível exterior ou no plano visível da matéria. 

Yin - Representa o nosso lado feminino, a nossa sensibilidade, a porta para a nossa intuição, estados emocionais, verdade e sentido da vida, memórias e aprendizagens, propósito da encarnação presente. A energia Yin convida-nos então a recolher, a parar, a sentir, a protegermo-nos do que nos ofende e a celebrar o que nos potencia. É por excelência uma energia de colaboração, cooperação, tolerância, compreensão, paciência que preza a diplomacia, a harmonia, a proteção, ou seja, o que rege a  evolução espiritual e a qualidade de vida emocional e espiritual. É representada pelos Signos de Água e Terra.

Yang - Representa o nosso lado masculino, a nossa garra, ação e coragem, os nossos objetivos no mundo exterior, o nosso foco, a sobrevivência física do corpo, a competitividade e a luta por respeito e território. A energia Yang convida-nos a agir, a desbravar novos territórios, a estar sempre alerta, sempre em posição de defesa ou ataque, sempre disponível para o próximo movimento confiando no seu impulso interior. É por excelência uma energia de conquista, luta, ambição, competição que preza a sua sobrevivência pessoal, que segue os seus instintos individuais e que tem no poder, ambição e autoridade, as suas grandes metas. É representada pelos Signos de Fogo e Ar.

Independentemente se és homem ou mulher, tens ambas as energias dentro embora, obviamente que se nasceste homem ou mulher irá determinar qual irás honrar melhor ao longo da vida. 
A nossa sociedade ocidental não nos apresentou esta visão da polaridade e muito menos que somos responsáveis por gerir ambas partes dentro de nós. Por contrário, levaram-nos a acreditar que se nascemos homem precisamos de uma mulher e se nascemos mulher precisamos de um homem e é aqui que começam a maioria dos nossos problemas. 

Esta polaridade sagrada Yin / Yang foi depois dividida das mais variadas formas, uma delas os 4 elementos que nos ajudam então a descodificar as energias na prática no nosso dia a dia:

Fogo - Representa a nossa alma, a nossa verdade pessoal, o nosso sentido de vida. Quanto conscientes ou não estamos de que a Vida é um processo de evolução espiritual traçado inteligentemente no nosso nascimento e que ao longo da vida vai trazendo o karma que nos pertence e as oportunidades de superação do mesmo.
Terra - Representa o nosso corpo, as necessidades básicas, o desfrute dos 5 sentidos. Quanto do nosso tempo serve para nos sacrificarmos a pagar contas ou nos perdemos no materialismo ou se já conseguimos gerar abundância e fazê-lo com prazer e respeito pela vida. 
Ar - Representa a nossa mente, ideias e pensamentos e o uso ou orientação que lhe damos. Usamos a mente apenas para o exterior e para a vida terrena ou direcionamo-la para o estudo de quem somos e do nosso papel no Universo.
Água - Representa as nossas emoções, as experiências que originaram as emoções, empatia e sensibilidade, sejam elas positivas ou negativas, são TODAS responsabilidade nossa. Quanto do nosso tempo estamos a projetá-las nos outros ou, a usá-las para nos transformarmos.

 
Outras subdivisões são os 12 Arquétipos astrológicos, os 9 Arquétipos Numerológicos e outras infinitas expressões que se escondem no nosso dia a dia.

Embora  o processo de evolução convide todo o ser humano a experiências idênticas, perfeitamente identificadas nos 12 Arquétipos do Zodíaco ou através dos 9 números, nem todas vão ser experienciadas na mesma vida ou sequer da mesma maneira. 
Por essa mesma razão qualquer tipo de julgamento ou comparação é completamente inútil e até prejudicial não só para quem julga e compara, como para o julgado e comparado, pois quem julga e compara não tem ainda a visão do todo, do Cosmos, de si mesmo, da lente divina que a todos integra, compreende e respeita.

Basta olhar para a polaridade ou para os 4 Elementos para perceber que existem de base, diferenças enormes entre cada um de nós, dependendo da quantidade de planetas que temos em determinado Elemento ou também a sua falta. 

Por exemplo: 
uma pessoa muito Yin mostrará sempre desconforto em ambientes de competitividade e ambição tal como uma pessoa muito Yang não terá paciência para ambientes de muita paciência e cooperação. 
Uma pessoa sem planetas em água e com muitos planetas em fogo, terá mais facilidade e leveza com as situações do que  alguém com muitos planetas em água e sem fogo. 
Muito Ar e pouca Terra leva a pessoa a prender-se na sua mente, nas suas ideias, nas suas decisões e mudanças constantes de opinião o que pode ser um desafio para alguém sem Ar e muita Terra que gosta de pouca conversa e de ser prática e resolver problemas. 

E se olhando apenas para a polaridade e os Elementos já revela tanto de cada um e com os seus excessos e faltas já podem ser um desafio, adicionamos depois os Planetas, aspectos entre si, pontos do mapa, trânsitos, progressões, etc. 

Ou seja, somos a luz individualizada de acordo com as experiências terrenas e espirituais que temos vindo a fazer desde a criação do Universo. 
Temos em nós a responsabilidade da manutenção da nossa célula (Yin) mas também a liberdade de escolha de como queremos viver a nossa vida e lidar com as consequências das nossas escolhas (Yang).  

É por estas razões que conhecermos quem somos, percebermos a nossa polaridade, descobrirmos as faltas e excessos dos nossos elementos, aceitarmos a mensagem e proposta da nossa data de nascimento, o grande primeiro sinal de responsabilidade pessoal pois sem esta informação não estaremos a trabalhar o equilíbrio mas apenas as vertentes externas YANG da vida, com os seus respectivos excessos e desequilíbrios. 


Vera Luz




quinta-feira, 30 de outubro de 2025

The Mental Prison





I’m different from my peers,
I don’t think the same way,
When they run, I walk,
When they’re quiet, I talk,
And I question why I do it every day.

I was not a sad child,
I was just a bit demure,
People asked, “Is he sad?”
Which always made me mad,
And I don’t want to be asked any more.

I don’t care if I’m accepted,
Like so many kids do,
But since one cannot be changed,
He who is self-estranged,
Then what must I get through?

Sometimes I feel like I’m falling,
a fear I dread and dread,
I feel like I’m alone,
In a place dark and unknown,
But I know it’s all in my head.

Dumb, ugly, overweight,
I feel weighed down by these names,
These thoughts snake all around
and they hold me to the ground.
I am stricken by these pains.

Yet deep within my body,
lodged somewhere in my head,
Is a thought so foul,
It would make anyone howl,
It is my darkest fear: dread.

It keeps me from expressing
how I really feel,
And no matter what I try,
It only makes me cry,
And I’m trapped, unable to heal.

And like a wound untreated,
I fester like a sore,
And sore I am,
For with every exam,
I want the pain to stop more and more.

But what good would come from ending it all?
To seal my wounds with eternal sleep?
Though your tears may pass,
as you thus succumb to the grass,
It’s now your parents’ turn to weep.

A quick short simple life,
A cursory glance at what may be,
But you want no more,
As life is a chore,
So like an autumn leaf, you lie below a tree.

And this is what fear can do,
It’s the most vile of its kind,
It can put a frog in your throat,
and a crocodile in the moat,
around the walls that seal off your mind.

But what is most important,
Is not if you fit in,
It’s that even in the dark,
there’s is always a spark,
for those that want to begin, not give in.

Begin what you ask?
Begin to ease the pains,
That restrain you so,
And one day you’ll know,
The way to sever your chains.

But there is a silver lining,
To every sad tale,
I’ve struggled a lot,
And internally fought,
So that my sanity will not fail.

For I like this life,
And do not wish it to end,
I will come to terms with my fears,
And after many, many years,
I will call my fears my friends


Henry Lynch




Is Your Own Mind Lying to You?

 

Albert Caminal



“We don’t see things as they are, 
we see them as we are.” 

Anaïs Nin


Anxious doom spirals. Toxic comparison. Difficulty distinguishing truth from deception.

These are some of the biggest emotional and existential issues we’re facing in the modern age. Our minds lie to us all the time.

The question is, how do we find clarity and cut through this fog? How do we find our way back to the Soul’s truth within the loud chaos of daily life?

Sure, you can go live off the grid and disconnect from everything. Many people have that dream. I know I’ve wanted to escape far into the woods, living in a little cottage, tending to my own vegetable patch, and indulging in a slow, contemplative life.

But the truth is that most people don’t fulfill this dream. Why?

Mostly, I think it’s that many of us don’t have the luxury of just abandoning everything for the whimsical and wild hopes of slow, nature-based, intentional living. We have commitments – to other people, projects, or places – and that’s fine.

I don’t see commitments as the issue here; I see the problem as an internal one.

Because the reality is that you can remove all forms of external chaos, only to realize that the main issue is your internal state of disorder.

Anyone who has gone on a lengthy meditation retreat or done some level of sitting with the circus of the mind can tell you that.

Let’s explore the name of the monkeys in this inner circus – those thinking traps or cognitive distortions that pollute your mind with noise and chaos.


Mind Lies: 
13 Thinking Traps Your Ego Uses 
to Silence Your Soul’s Truth


“Men are disturbed not by things, but 
by the views which they take of them.” 

Epictetus


Each one is like a little sword that cuts through the bullshit of the ego. They are time-tested cognitive angels that you can turn to without fail in times of need.

Ultimately, to me, the true beauty and power of understanding these thinking traps is that they free you from so much stress and overwhelm.

They clear the internal fog and help you to reconnect with the wise and quiet presence of your Soul.

So without further ado, here they are:



1. All-or-Nothing Thinking 
(aka., Black-and-White Thinking)

“It’s either good or bad”

In a nutshell: This thinking trap is about seeing things in an extreme and polarized way. They are either good or bad, friends or enemies. I am either right or wrong, nice or mean, successful or a failure.

How it silences your Soul’s truth: Your Soul is a creature of the realm of “both/and” rather than the territory of “either/or.” This thinking trap forces you and others into one little box that distorts your ability to honor nuance. Instead of seeing that you can be both a good person and make a mistake, you see yourself as being bad, full stop.

2. Overgeneralization

“Things will always be this way”

In a nutshell: This is about seeing a single negative experience as a sign that all future experiences of the same nature will be negative. For example, if you mess up in a conversation with someone, you assume that you will mess up in all future conversations with them.

How it silences your Soul’s truth: On a Soul level, you know that each moment is new and precious. Yet this mental distortion causes you to believe that one bad experience will repeat endlessly into your future. It kills your ability to respond to people and situations with fresh eyes and a receptive heart.

3. Negative Mental Filter

“That one bad thing ruins everything”

In a nutshell: This cognitive distortion involves picking one single negative detail within yourself, another, or a situation, and focusing on it to the exclusion of everything else. No positive input or evidence can come in.

How it silences your Soul’s truth: It’s a way your ego self-sabotages you, making you believe that the one negative comment you got only matters. It dulls your capacity to experience joy and gratitude, and limits your ability to see the whole picture.

4. Discounting the Positive

“I just got lucky”

In a nutshell: This trap is similar to the previous one, but with a slight shift. Instead of focusing only on the negative, this distortion causes you to refuse any positive experiences, telling you that “they don’t count.” It’s often sourced from low self-worth.

How it silences your Soul’s truth: When you get a compliment, this thinking trap shouts, “They’re just being polite” or “I just got lucky.” Your Soul knows that you are worthy of kindness and success. But this trap limits your ability to accept your own inherent value.

5. Mind Reading

“I know what’s going to happen”

In a nutshell: Similar to mind reading but different. This thinking trap is about making assumptions, but in a future context. It’s about predicting that something negative will happen, and believing that as a fact, based on little evidence.

How it silences your Soul’s truth: Your Soul honors your self-sovereignty and agency to create your own future. It knows that nothing is written in stone. But this thinking trap makes you believe that suffering or failure is inevitable, creating feelings of hopelessness and anxiety.

6. Fortune-Telling

“I know that’s what they’re thinking”

In a nutshell: This thinking trap occurs when you assume you know what another person is thinking with little or no evidence. Usually, this is done in a negative context, as in, “I know that they cut me off in traffic because they think I drive like a grandma.”

How it silences your Soul’s truth: Often, this thinking trap is confused with intuition, when really it’s just a false projection of the mind. It clouds your ability to see different perspectives or angles, replacing it with a story you’ve invented about someone’s reality.

7. Catastrophizing 

“This is the worst thing ever”

In a nutshell: This thinking trap is all about overly emphasizing and exaggerating the importance of a problem. It turns something negative, like a setback, into a life-ending catastrophe.  

How it silences your Soul’s truth: Your Soul is wise and knows that most failures or setbacks aren’t the end of the world and that “this too shall pass.” This mental distortion takes situations and spins them into horror scenarios, flooding your system with panic and silencing your more centered inner voice.

8. Minimization 

“This doesn’t matter at all”

In a nutshell: As the opposite of catastrophizing, minimization is about shrinking the value of your positive experiences, qualities, or achievements.

How it silences your Soul’s truth: Often, this thinking trap is confused as being humble – but it’s false humility. It obscures the truth that the good things which happen to you, your gifts, and blessings, are all real and valuable. Your Soul understands this, but minimization tells you that they don’t matter. It keeps you small.

9. Emotional Reasoning 

“I feel this way, therefore it must be true”

In a nutshell: This cognitive distortion is all about assuming that your feelings reflect facts or the absolute reality. It blocks the ability to use logic or see from different and more truthful perspectives.

How it silences your Soul’s truth: Feelings aren’t always the truth. Often, they’re signals, not facts. While your Soul says, “I notice that this feeling is coming up,” emotional reasoning says, “This bad feeling means I’m a bad person.” It transforms a temporary emotion into more of a rigid identity.

10. “Should” Statements 

“I should do this, they should do that”

In a nutshell: This is when you enforce rules about how you or another “should” behave or feel. It’s a cage that the mind creates, creating a sense of resentment, judgment, and anxiety.

How it silences your Soul’s truth: Your deeper Self has a flexible, compassionate, and respectful approach towards yourself and others. “Should” statements, on the other hand, are a form of tyranny, imposing a preordained worldview that must strictly be adhered to. It creates an imaginary rulebook that limits intuition and fluidity.

11. Labeling 

“I’m selfish, they’re stupid”

In a nutshell: Based on one negative experience, this thinking trap immediately jumps to assigning a label to yourself or others. For instance, if you didn’t get that promotion, you’re “a failure,” or if your favorite public figure doesn’t conform to your belief system, they’re “a fraud.” Labeling is an extreme form of overgeneralization. Instead of “I made a mistake,” you say, “I am a mistake,” or “I am a failure.”

How it silences your Soul’s truth: A label is a one-dimensional prison that doesn’t allow for growth. It says, “You’re a mistake” instead of seeing the Soul’s truth that “you made a mistake.” It suppresses the positive parts of your character and reduces you to a static idea.

12. Personalization 

“It’s all their fault”

In a nutshell: The opposite of personalization, this distortion causes you to believe that others are always responsible for your pain and choices. It feeds a victim identity.

How it silences your Soul’s truth: Your Soul honors personal power and responsibility. But this thinking trap turns you into a helpless victim. It causes you to give your power away to others, limiting your ability to make active change.

13. Blaming 

“It’s because of me”

In a nutshell: This thinking trap is about taking things personally and blaming yourself for circumstances outside of your control. For example, if someone doesn’t respond to your text message, you might think, “It’s because they don’t like me and are avoiding me.”

How it silences your Soul’s truth: Personalization takes you away from your inner groundedness by making other people’s actions always about you. It burdens you with guilt, shame, and anxiety.




How to Cut Through the Fog and 
Find Your Soul’s Voice

How are you feeling after reading that list? 
If you’re like me, you may feel a little sheepish, being able to identify with many. 
Don’t worry, you’re not alone!

Meditation, regular journaling, and shadow work are all powerful ways of keeping you grounded and getting you out of your head.



Aletheia & Mateo





domingo, 19 de outubro de 2025

Não viver é o que mais cansa


Life Of Pix via Pexels
 



Não é o viver que me cansa. 

É o não haver morto 
que, em mim, não ressuscite. 

De tal modo 
que não encontro morte que seja minha. 

Alheio e distante 
se tornou o fim que trago em mim. 

Longínqua a fonte 
onde bebi a luz até ser pranto. 

O meu sonho 
vai lavrando noites 
e não há fundura na terra 
que receba o meu sono. 

A casa 
segue a vocação da asa. 

E eu, 
para ser feliz,
esqueço-me que sou raiz. 


Mia Couto