sábado, 5 de março de 2022

VOCÊ ESCOLHE A TUA EXPERIÊNCIA

 






Todos os encarnados estão aqui neste Planeta de Expiações e Provas, a fim de experienciar a vida na dualidade, submetidos ao véu do esquecimento e com a sensação de estar desconectado da Fonte. Mesmo assim, quem está aqui nesta condição limitada, é só uma parte muito pequena de você, ou seja, um Fractal da sua Alma.

Todo Fractal está permanentemente ligado à sua versão superior de Alma, e ela por sua vez, permanece na sua Galáxia de origem, que invariavelmente não é a mesma em que está o seu Fractal. 
Então, o teu Eu Superior não está aqui na Terra e, nem mesmo nesta Galáxia Via Láctea. 

Mas isso não é nenhum problema, pois para o Espírito em sua condição superior, não há distância. Ele sabe o tempo todo, onde estão as suas Super Almas, Almas e, todos os seus Fractais. 

Essa conexão é permanente e infalível, por isso dizemos que nenhuma ovelha se perde do rebanho.
Então agora ficou mais claro e mais fácil de identificar quem é você. 
Sim, você é uma Alma e também é um Espírito imortal. 
Mesmo fracionado, mesmo sendo um Fractal, você é parte do todo, do teu Eu Superior, do seu Espírito, da tua Super Alma, e da sua Alma. 
Você é o todo, pois a tua origem é a FONTE CRIADORA. 
Você é a Centelha Divina, também chamada de Átomo-Semente.

Os Fractais são sementes desta grande árvore e se espalham pelos Multiversos infinitos, onde podem gerar experiências que são coletadas de tempos em tempos, a fim de agregar às suas versões superiores, até chegar à sua Super Alma. 
Esse é o caminho denominado como A VOLTA PARA CASA. 

Este tempo final para os Fractais que estão na Terra, chega agora junto com a Transição Planetária.  Grandes eventos se aproximam a fim de facilitar a ascensão daqueles que já fizeram por merecer o seu retorno. Por isso, dizemos que toda a Galáxia está com seus olhos voltados para a Terra. 
De fato, é um evento extraordinário! 

Não bastasse as provas normais para uma humanidade que vive num Mundo de Terceira Dimensão, houve ainda o agravante de ter sido este Planeta, sequestrado e dominado pelas forças trevosas que aqui aportaram há 350 mil anos. 

Uma vez que um Fractal é desmembrado da sua versão mais elevada, ele passa a viver como se fosse independente da Super Alma. Aliás, ele nem lembra que pertenceu a ela em algum momento. Mesmo que tenha a liberdade de escolhas, todos os seus movimentos e decisões têm a supervisão do seu EU SUPERIOR. Nunca lhe falta inspiração que lhe é assoprada por ele. 
Mesmo invisíveis, há laços fluídicos que ligam o Fractal à sua Super Alma. 

Toda a energia, toda a inspiração e toda a Luz que o Fractal necessita, chega até ele através dos seus pontos Chacras, que são mini portais, tanto de recepção como de expurgos. 
Os Chacras estão permanentemente ligados às suas versões superiores de Alma, à sua Super Alma, ao seu Espírito, ao seu Eu Superior e à Fonte.
 
Todos os seus EUS acima, sabem o tempo todo o que acontece com o Fractal, mas ele não sabe e não lembra dos demais. Isso é o que chamamos de véu do esquecimento. Esse véu é necessário pois sem ele, a alma fragmentada não aprenderia nada de novo. Ela lembraria o tempo todo quem é, e também de todo o seu conhecimento inato.  Seria inútil a sua passagem por um mundo de 3D.
Uma vez encarnado num corpo humano, o Fractal se torna livre para experienciar a vida nesta condição longínqua. 

No caso da Escola Terrana, o cronograma basicamente foi este: 
Esquecer quem é, de onde veio, para onde vai e o que veio fazer aqui. 
Além disso, estando num Mundo onde a dualidade impera, cada escolha vai sempre gerar uma consequência. Esta é a Lei da Ação e Reação. E através de suas escolhas, o Fractal vai aprendendo o resultado das suas ações boas ou não. 

Não teria como avaliar a sua performance em virtude dos véus que encobrem a sua consciência, então lhe é facultado, que a sua permanência num corpo físico, seja curta, e assim, de tempos em tempos, ele desencarna e reencarna, pois entre uma encarnação e outra, livre da matéria, o Fractal consegue uma certa expansão da consciência, suficiente para avaliar os seus acertos e aprendizados. 
Essa avaliação sempre foi feita na 4D, ou seja, no Plano Astral da Terra. 
Lá ele podia avaliar o resultado de suas escolhas. 
E também podia fazer novos projetos para a sua futura reencarnação. 
Mesmo que depois esquecesse, as Leis Universais sempre são favoráveis, trazendo para o seu dia a dia, situações que lhe possibilitassem as escolhas. E é neste ponto que tudo se decide.

ENTÃO, VOCÊ ESCOLHE A TUA EXPERIÊNCIA!  
Todos os dias, todas as horas da sua vida, situações são colocadas na tua frente. 
Isso não é acaso! É a tua Super Alma querendo te mostrar o caminho. 
Mas ela não pode interferir na tua escolha. 
Ela confia em você. Sabe também que não é problema se as tuas escolhas não são as melhores, pois há tempo. Há muito tempo! Se não completar o aprendizado aqui neste Planeta, pode continuar em outro, por milhares ou milhões de anos. 

O livre arbítrio é uma característica do Fractal num Mundo de Terceira Dimensão. 
De nada adiantaria ele vir aqui experienciar a dualidade se não tivesse o poder de escolha. 
E esse poder lhe é facultado como garantia de que não precisa depender de ninguém a fim de completar a sua ascensão. E também tem a certeza de que ninguém jamais pode impedir isso. 

Somente os incompetentes se sentem vítimas de algo ou alguém. 
Tudo é na verdade, resultado de suas próprias escolhas. 
Cada escolha equivocada, vai trazer algum transtorno lá adiante, a fim de que ele possa sentir que pegou um caminho estranho. Então tem ele a possibilidade de retornar e procurar novamente a estrada que o levará ao ponto final de seu propósito de Alma. 

Lembre-se: VOCÊ ESCOLHE A TUA EXPERIÊNCIA.  
Ninguém jamais vai lhe impor algo, mesmo que tente te persuadir. 
É isso: podem te sugestionar, mas as escolhas serão sempre tuas! 
O que causa os equívocos, são as facilidades encontradas nos desvios ou na fuga dos obstáculos necessários ao aprendizado. A zona de conforto nunca é uma boa escolha, pois ela não ensina nada. 

Por isso lembre todos os dias: VOCÊ ESCOLHE A TUA EXPERIÊNCIA. 
E somente quando completar todo o aprendizado, estará pronto para retornar para casa. 
Retornar para ser incorporado à sua versão de Alma mais elevada. 
Que escola maravilhosa é a Terra! 
Você terá assuntos para contar em todos os quadrantes do Omniverso, por toda a eternidade, após completar a tua missão aqui neste lindo Planeta Azul!
 


Vital Frosi




quarta-feira, 2 de março de 2022

Guerra interior vs Guerra exterior

 

Pixabay






Há mais de 20 anos, quando comecei a estudar as leis do Cosmos, rendi-me ao princípio da polaridade sagrada. 

De repente sou confrontada com a ideia de que o aparente Kaos em que vivia, era afinal um Kosmos. Segundo o Wikipédia significa:
 “Cosmos (do grego antigo κόσμος, transl. kósmos, "ordem", "organização", "beleza", "harmonia") é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade, desde o microcosmo ao macrocosmo.”

Afinal não era a Vida que era "feia", o que eu via era apenas a sujidade das minhas lentes!?

Durante anos resisti à vida, numa tentativa frustrada de viver apenas o seu lado belo e rejeitando violentamente o seu lado mais feio. Qualquer pessoa ou experiência que devolvesse dor, injustiça, violência, arrogância, frieza, era imediatamente julgada, rejeitada e condenada no meu tribunal interno.
Fazia isto inconscientemente não por arrogância ou por me achar melhor do que ninguém, mas sim e apenas porque era sensível demais para sentir a dureza do mundo e esta era uma forma de me proteger. 

Escusado dizer que este mecanismo de defesa se tornou inútil e que me condicionou durante anos.
Nos primeiros anos de terapias aprendi então a perceber e a explorar a polaridade Luz e Sombra em mim mesma. Descobri talentos, qualidades e dons que me diferenciavam de quem me rodeava. Fui confrontada com sombras e aspectos menos bonitos que reconhecia que faziam realmente parte de mim e que me cabia a mim gerir esses dois lados, potenciando o positivo e transformando o negativo. 

Aqueles anos de terapias foram libertadores por várias razões:

- Comecei a perceber e distinguir a minha dualidade. 
- Libertei-me do julgamento e comparação que inconscientemente fazia comigo e com os outros. 
- Aprendi sobre as leis que regem o Universo e que explicavam como a minha realidade estava a ser co-criada por mim mesma. Ou seja, que havia um co-relação entre mim e o “outro”. 
- Dei início ao processo de Responsabilidade Pessoal sobre mim, as minhas escolhas e a minha felicidade. 
- Descobri o princípio do equilíbrio apenas possível do entendimento e integração das duas partes. 
- Coloquei com sucesso o princípio da dialética que ensina a tese, síntese e antítese. Ou 1+1=3. Ou positivo + negativo = Luz. Ou H + O2 = água. Ou seja, procurar sempre a polaridade oposta, o outro lado da moeda ou da história para chegar então a uma conclusão final nova, diferente, criativa. A verdadeira possibilidade de ver o Todo, a Unidade, a visão Divina. 
- Fui convidada a aceitar e integrar as duas polaridades como base do Amor Próprio e pacificação com quem sou e com o ambiente à minha volta. 
- Não foram poucas as vezes que acabei por admitir que o que parecia carrasco afinal era o Mestre, e os que tomei por santos se revelaram verdadeiros carrascos.

Embora não tenha sido sempre uma história fácil ou um percurso confortável, não trocava a minha história por nenhuma outra e todos os dias agradeço a Luz, a consciência e a cura que me foram proporcionadas para que pudesse aceitar a minha vida e as suas propostas, curar as minhas “guerras” internas e externas, e pudesse ainda levar alguma luz e consciência a quem ainda vive no escuro.

Todos os dias vejo o olhar de desorientação, desespero, frustração, sofrimento e polarização em que vive ainda tanta gente, tal como eu vivi na primeira fase de vida. Polarização no sentido de tomar partes, de procurar verdades absolutas, de só ver um lado e descartar o outro, de separar bons e maus, mas incapazes ainda de ver que existe uma verdade superior que tudo liga, uma polaridade que nos liga a todos.

Sem o processo de cura e consciência que passei, estaria até hoje prisioneira da minha polaridade sombra, inconsciente das propostas de evolução à minha volta, julgando e condenando os “espelhos” de quem eu era, afundada em emoções de injustiça, revolta, culpa, medo, julgamento, longe de atingir qualquer grau de equilíbrio e muito menos paz ou qualidade de vida.

E porque estou eu a falar sobre o meu passado e sobre o meu percurso? 
O que interessa isto para este momento de caos e violência no mundo?

Diz o Princípio Hermético da Correspondência que “o que está em cima está em baixo” o que está dentro, está fora e vice-versa. O Micro é igual ao Macro.

Convido cada um a aplicar ou a aprender a aplicar este princípio não só à sua vida pessoal, mas principalmente, ao colectivo.

Ainda continuamos a separar a vítima e o carrasco, Deus e o diabo, o bom e o mau, sem percebermos que dessa forma mantemos a ilusão da separação e não ascendemos ao patamar da cura onde iremos aprender a aceitar e integrar tudo e todos.

Ainda continuamos a incendiar emoções básicas do medo, julgamento, vitimização, injustiça, revolta que nos impedem de evoluir e sabe Deus que quem regula os media sabe bem o que está a provocar no povo. Aliás para os media o vírus deixou de ser o alimento do medo substituído agora pela guerra para ser em breve substituída pela próxima fonte de choque emocional. 
Importante mesmo é manter o povo colado à televisão em vibração baixa!

Estou triste com a guerra claro que sim, mas para quem não tem andado atento, há décadas que elas existem, criadas intencionalmente normalmente por presidentes americanos, que sacrificaram países e povos inteiros em busca de petróleo e outras riquezas naturais bem longe da sua nação, sem que ninguém tivesse ficado chocado ou criado movimentos. 

A fome é uma pandemia em si mesma, sabemos que ela existe e, no entanto, convivemos com ela desde sempre e poucas soluções ou nenhuma ainda existem. 
Ou terá o Sr Tedros esquecido as suas origens e nacionalidade?

Estou triste principalmente de perceber que são poucos os que já conseguem elevar-se da realidade 3D da separação e perceber que há muito mais por trás do que nos mostram. Que narrativas não são verdadeiras notícias de investigação sobre a verdade nua e crua. Que tomar partes não é de todo o segredo do equilíbrio! Que é importante aplicar o princípio da dialética em tudo para descobrirmos que nem o carrasco é o mau nem o santo é o bom. 
Que cada ser humano na sua complexidade imensa, tem as suas razões para ser o que é.

Sem esta abordagem superior, sem valores nobres, sem questionamento, sem consciência dos fios invisíveis que fazem girar o mundo, sem empatia e humanidade, não somos diferentes daqueles que atiraram pedras à cruz.

O Dalai Lama diz que já que não consegues fazer o bem, pelo menos não faças o mal.

Pregamos a Paz, mas vendemos armamento... nem vou comentar a frase!

Por isso, mantenhamo-nos neutros, emanemos amor e paz, sejamos “terapeutas” do mundo, ou seja, busquemos as razões da dor, apliquemos os passos acima, procuremos entender que laços invisíveis se escondem na relação entre os dois países, porque a lei da atração ligou aqueles dois dirigentes, que karma trazem consigo para ser resolvido. 
Não façamos julgamentos cheios raiva como tenho observado nos últimos dias, saídos de tantos que pregam o amor.

O Macro é igual ao Micro. Se encarnámos neste tempo ainda tão violento é porque na nossa energia pessoal ainda carregamos a mesma frequência. E sim, não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar a nossa energia.

Por isso, procura na tua vida pessoal ou dentro de ti mesm@ aquele conflito que vês no exterior. 
  1. Onde está a violência disfarçada na tua vida? 
  2. Onde está a inflexibilidade na tua vida? 
  3. Onde está o julgamento na tua vida? 
  4. Onde está o medo ou o abuso de poder na tua vida?

Usa a tua realidade para espalhares a luz, o amor, o respeito que esperamos dos dirigentes destes conflitos. 
Usa o teu Micro para influenciares o Macro. 
Cura o teu interior para contribuíres para o cura do exterior.

Que este mês de Março com a sua vibração 9, a Lua nova e as energias de Peixes, traga Amor e Cura a cada um de nós e á família humana que somos. 


Vera Luz




A sombra diz: Reconheço que a vida tem um lado belo, mas a realidade mostra que a maior parte do tempo é a lutar contra a dor, o sofrimento, a perda, as injustiças… até os animais que são Amor puro sofrem e vivem tão pouco tempo!

A Luz responde: lutar e resistir contra, dá mais poder à sombra. Experimenta abrir-lhe os braços e deixá-la vir e ir com a mesma facilidade e disponibilidade que temos para o Amor. Lembra que a Luz manifesta-se do encontro das duas. Procurar a Luz sem integrar a sombra é o mesmo que procurar a luz num fósforo; é falsa e dura pouco. Coloca por isso o teu foco no Amor, no que fazes, no que sentes, nas pessoas, num animal (e há tantos prontos a encher a nossa vida de Amor), sabendo sempre que qualquer expressão de Luz trará consigo o seu complemento sombra. Assim não haverá ilusões e estarás sempre preparad@ para o que vier; seja o Amor seja a perda. Queres saber o segredo do optimismo? - Mesmo sabendo que as duas forças Luz e sombra existem, tu escolhes em qual te queres focar!


Vera Luz




Guerras pelo mundo: 

Síria (atacada por Israel), 
Somália(pelos EUA) 
Iêmen (pela Arábia Saudita) 

Estes países também sofreram ataques aéreos nos últimos dias... 

Conflito entre a Rússia e a Ucrânia não é o único que registou bombardeios pelo ar durante a semana...





terça-feira, 1 de março de 2022

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO


Lee Jeffries 



Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 

De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.


Vinicius de Moraes
in, O Mergulhador



Como Você Se Comporta Com A Solidão?


Max Rive





A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…


Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. 
Vem das fantasias que surgem na solidão. 

Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música… 
Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. 
Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: 
Leia o livro "A Chama De Uma Vela", de Bachelard. 
É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. 

A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. 
A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. 
Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. 
Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis”. 
A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. 

E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, 
como motivo de meditação: 

“Como se comporta a Sua Solidão?” 

  • Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? 
  • A solidão se comporta? 
  • Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.


Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo:
 

“Não importa 
o que fizeram com você. 
O que importa 
é o que você faz 
com aquilo que fizeram com você.” 


Pare. Leia de novo. E pense. 
Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. 
Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? 
Ou, talvez, dando um giro na pergunta: 
Como você se comporta com a sua solidão? 
O que é que você está fazendo com a sua solidão? 

Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga… Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. 
Mas será possível chamá-la de amiga? 
Drummond acha que sim: 


“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, 
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, 
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!”


Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. 
Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. 
Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. 

Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.” 
Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia… 



Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó SOLIDÃO! SOLIDÃO, MEU LAR!… TUA VOZ – ELA ME FALA COM TERNURA E FELICIDADE!
Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes. Ali as palavras e os tempos/poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.”


E o Vinícius? 
Você se lembra do seu poema ‘O operário em construção’?
 
Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (…) 
Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (…) 
E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: 
“As obras de arte são de uma solidão infinita.” 
É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

”Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos… Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente?  Por onde erraria a verdadeira Cecília?”.


Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação
Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. 
Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. 
Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar.

Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. 
Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. 
A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. 

As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão.


A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? 
Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos… Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. 
Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. 
Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. 
Mas não sofra a dor da comparação. 
Ela não é verdadeira.



Rubem Alves








domingo, 27 de fevereiro de 2022

Defeat


Amit and Naroop





Defeat, my Defeat, my solitude and my aloofness;
You are dearer to me than a thousand triumphs,
And sweeter to my heart than all world-glory.
 
Defeat, my Defeat, my self-knowledge and my defiance,
Through you I know that I am yet young and swift of foot
And not to be trapped by withering laurels.
And in you I have found aloneness
And the joy of being shunned and scorned.
 
Defeat, my Defeat, my shining sword and shield,
In your eyes I have read
That to be enthroned is to be enslaved,
And to be understood is to be leveled down,
And to be grasped is but to reach one’s fullness
And like a ripe fruit to fall and be consumed.
 
Defeat, my Defeat, my bold companion,
You shall hear my songs and my cries and my silences,
And none but you shall speak to me of the beating of wings,
And urging of seas,
And of mountains that burn in the night,
And you alone shall climb my steep and rocky soul.
 
Defeat, my Defeat, my deathless courage,
You and I shall laugh together with the storm,
And together we shall dig graves for all that die in us,
And we shall stand in the sun with a will,
And we shall be dangerous.



KAHLIL GIBRAN



A Luz ao fundo do túnel...

 






A perda da consciência de si é dramática porque se perde o contacto com a pessoa que se conhecia.
Não há nada de místico.
A própria imaginação é descodificada por impulsos elétricos que saem de diferentes regiões do cérebro.
Se o cérebro não for estimulado pelo exterior - como no caso de alguém em silêncio, às escuras, em água tépida para não sentir o peso - , ao fim de alguns segundos começa a delirar, porque o cérebro está sempre a trabalhar e começa a inventar.
É pura biologia!

Como quando as pessoas que estão a morrer dizem que veem uma luz ao fundo do túnel.
O que acontece é que o cérebro, sem oxigénio, começa a fechar os sistemas que não são necessários, e quando fecha o sistema de captação de radiação eletromagnética, que é a luz, as células com maior densidade que estão na mancha amarela da retina, ficam sensíveis a um espaço muito pequenino do total e, aparece uma luz ao fundo de um túnel, porque a densidade é menor na parte periférica.



Francisco Lacerda
Cientista



    

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

As Guerras Mentem




 

Nenhuma guerra tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar.
As guerras sempre invocam motivos nobres, matam em nome da paz, em nome de Deus, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia e se por via das dúvidas, se não bastassem tantas mentiras, há os grandes meios de comunicação de massa dispostos a inventar inimigos imaginários para justificar a conversão do mundo em um grande hospício e um enorme matadouro. 
Em Rei Lear, Shakespeare havia escrito que neste mundo os loucos guiam os cegos e quatro séculos depois, os donos do mundo são loucos apaixonados pela morte, que fizeram do mundo um lugar onde a cada minuto morrem de fome ou de doença curável dez crianças e são gastos três milhões de dólares por minuto na indústria militar, que é fábrica de morte.
Armas requerem guerras e guerras requerem armas e os cinco países que administram as Nações Unidas, aqueles que têm direito de veto nas Nações Unidas, são os cinco principais produtores de armas. 
Alguém se pergunta quanto tempo? Por quanto tempo a paz mundial estará nas mãos daqueles que se ocupam da guerra? 
Por quanto tempo continuaremos acreditando que nascemos para o extermínio mútuo e que o extermínio mútuo é nosso destino? 
Até quando?


Eduardo Galeano




A NATO, North Atlantic Treaty Organization, formada em 1947 com 12 Estados Membros, tem hoje 30 países membros e está em expansão na Europa Oriental e Balcãs, incluindo ex-membros do Pacto de Varsóvia. A Rússia continua a opor-se a uma maior expansão da organização junto das suas fronteiras, e exigiu recentemente que a NATO não fizesse mais admissões de Estados Membros novos, exigência essa que foi recusada pelos EUA e pelos países europeus. A Rússia vê essa expansão da NATO como uma continuação de uma Guerra Fria e uma tentativa de cercar e isolar a Rússia.

O Estado-Membro mais recente é o Montenegro e a NATO reconhece a Bósnia e Herzegovina, a Geórgia, a Macedónia e a Ucrânia como membros aspirantes.

A Rússia, como protesto, apoia inimigos dos Estados Unidos e da NATO, como a Síria, Irão e a Coreia do Norte.

Atualmente, a NATO atua com uma ação expansionista, com principal objectivo os interesses políticos e comerciais dos seus países membros.

Esses interesses envolvem, por exemplo, o acesso a recursos naturais e a importantes mercados consumidores. Dessa forma, nos últimos anos, a NATO tem organizado intervenções militares armadas em diversos países, tendo atuado na Bósnia e Herzegovina em 1992; no Kosovo em 1998; invasão do Afeganistão em 2001; na Guerra do Iraque, em 2003 e na Guerra Civil da Líbia, em 2011.


Os 5 Estados Membros Permanentes da United Nations Security Council com Poder de Veto são:
China, França, Rússia, Reino Unido, e os EUA.
OS 5 PRINCIPAIS FABRICANTES DE ARMAS.
O poder de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas refere-se ao poder de veto exercido exclusivamente pelos cinco membros permanentes, permitindo-lhes evitar a adoção de qualquer projeto "adicional" pela Resolução do Conselho, independentemente do apoio internacional para o projeto. Quase metade dos vetos na história do Conselho de Segurança foram lançados pela União Soviética, usando o seu primeiro veto em 1946, a Rússia é a nação que mais usou o veto.


Após 4 meses de negociações entre a Rússia, os EUA e a Europa, Putin decide invadir hoje, dia 24 de Fevereiro, militarmente a Ucrânia, como forma de “proteger a população de Donbass”. No local, ficam duas repúblicas separatistas pró-Rússia (Donetsk e Luhansk), que foram reconhecidas como independentes pelo chefe do Kremlin nesta semana, numa cerimónia de assinatura exibida pela televisão estatal.

Desde 2014, com a anexação da Crimeia pela Rússia, que as relações entre a Rússia e a Ucrânia se têm vindo a agravar, e a Rússia tem vindo a apoiar os movimentos separatistas na Ucrânia como forma de a enfraquecer, visto que a região de Donbass é uma das maiores produtoras de carvão.

Os anos passaram e a situação parecia controlada, até que os debates envolvendo a entrada da Ucrânia na NATO voltaram a ganhar força após a eleição de Zelenski, atual presidente ucraniano, também bastante próximo dos Estados Unidos e da Europa.

Com a economia fragilizada pela pandemia e a política em crise, o enfraquecimento do Reino Unido, acompanhada de um avanço sistemático da NATO sobre a Ucrânia, Putin viu incentivos internos e externos para tentar aumentar a popularidade de seu governo retomando uma área que ele entende que sempre foi bastante próxima da Rússia.
Putin disse, na última segunda-feira (21), que enviaria tropas “em missão de paz” para garantir a segurança das áreas separatistas. Na mídia local, os russos receberam a informação de que havia um “genocídio” contra a população russa nessas áreas realizado por tropas ucranianas.
  
A Rússia tem mais condições de suportar as medidas anunciadas, do que o Ocidente de ficar sem recursos.

A Europa é fortemente dependente do gás natural e do petróleo produzidos pela Rússia. 
Nesse sentido, a União Europeia deverá avaliar o risco que corre de ficar sem fornecimento – especialmente de gás natural, muito utilizado no aquecimento das casas. 


Religião. Política. Resquícios da Guerra Fria...e Gás Natural
Estas são as verdadeiras razões das tensões entre a Rússia e a Ucrânia.

A Gazprom é uma empresa estatal russa que produz petróleo e gás natural. 
Ela fornece 30% de todo o gás consumido na Europa. 
Aproximadamente 39 milhões de lares europeus dependem do gás russo para  alimentar os seus aquecedores – e não congelar durante o inverno. Acontece que a maior parte desse combustível tem de passar por gasodutos na Ucrânia. A Rússia é dona do gás, mas os ucranianos têm muito poder sobre ele. Quando a Rússia e a Ucrânia se desentendem, os gasodutos são fechados – e a Europa fica sem gás. E isso tem acontecido com certa frequência. 
A Europa construiu reservatórios de gás, investiu em energia renovável e criou os gasodutos Nord Stream e South Stream, que passam pelo Mar Báltico e pelo Mar Negro. Mas ainda não são suficientes. 

Em 2008, os EUA descobriram no seu território enormes reservas de gás de xisto. 
Os americanos passaram a ter a maior reserva mundial de gás, colocando a Rússia em segundo lugar. 
E isso mudou o jogo. Agora, os EUA querem exportar gás para a Europa. 
Mas, para fazer isso, eles têm de minar a Rússia. 
Como? Controlando o corredor que fornece gás à Europa. No caso, a Ucrânia. 

Desde 2008, Washington já investiu mais de US$ 5 bilhões na Ucrânia. 
Oficialmente, o objetivo é promover o livre mercado e manter o país “seguro, próspero e democrático”. Mas também é uma tentativa de exercer poder político. 
Se os EUA controlarem a Ucrânia, os russos estarão perdidos – pois os americanos farão de tudo para atrapalhar os gasodutos. 

Uma possível “Guerra do Gás” não tira o sono dos russos, visto que o continente europeu só trocará o gás natural pelo de xisto daqui a 50 anos, no mínimo,  porque para ser transportado, o gás de xisto – abundante em solo americano – precisa ser liquefeito, enviado de navio, e convertido em estado gasoso novamente para o consumo. Isso tudo exige uma infraestrutura que ainda não existe. 
E, mesmo quando existir, tornará o gás americano bem mais caro que o da Gazprom. 

A Rússia tem esta carta na manga porque a Europa, e especialmente a Alemanha, não tem substituto para o gás natural russo. Vira uma chantagem do ponto de vista económico, o acesso a recursos naturais é considerado estratégico, conforme diz a Organização Mundial do Comércio (OMC). 
Logo, se o fornecimento de gás natural for interrompido, isso não afetaria apenas a economia europeia, mas seria considerado uma questão de estratégia regional.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), de que a Rússia faz parte e tem direito de Veto, não deve conseguir aprovar nenhuma resolução que condene a atitude russa.

As próximas sanções devem seguir mais na linha de afetar dirigentes de empresas russas e depois algo em torno de restrições de exportação e de importação, especialmente de commodities, o que pode afetar bastante a economia da Rússia.
Com as relações entre a Rússia e o Ocidente postas em causa, os russos devem aproveitar o momento para intensificar a estratégia de se aproximar mais dos chineses.
A China é uma potência militar, do ponto de vista prático. Pode ser bem interessante para a Rússia.
  
Não é à toa, que a China tem evitado tomar lados e não fez qualquer tipo de movimentação mais intensa diante do conflito. Eles têm a questão da província de Taiwan, que também tem um caráter separatista. Será difícil a China posicionar-se neste caso... 
  
Esta Guerra vem, mais uma vez, mostrar a irrelevância da União Europeia. 
Subjugou-se com a imposição do sistema de unanimidade para as decisões estratégicas, e auto limitou-se, reduzindo-se a uma união que nem sequer é económica, mas apenas monetária. 
Dos princípios humanistas, solidários, que estiveram na sua origem, já pouco existe.

À Ucrania foi-lhe acenado com a entrada na União Europeia e na NATO. 
Foi apoiada para se opor ao despotismo russo. 
Agora é deixada só perante um gigante bélico e determinado.



Teu Deus é judeu, 
a tua música é negra, 
o teu carro é japonês, 
a tua pizza é italiana, 
o teu gás é argelino, 
o teu café é brasileiro, 
a tua democracia é grega, 
os teus números são árabes, 
as tuas letras são latinas.⁣
Eu sou teu vizinho. 
E ainda me chamas estrangeiro?⁣
Eduardo Galeano
in, "O Caçador de Histórias"⁣





Good and Evil XXII










And one of the elders of the city said, "Speak to us of Good and Evil."

And he answered:

Of the good in you I can speak, but not of the evil.

For what is evil but good tortured by its own hunger and thirst?

Verily when good is hungry it seeks food even in dark caves, and when it thirsts, it 
drinks even of dead waters.

You are good when you are one with yourself.

Yet when you are not one with yourself you are not evil.

For a divided house is not a den of thieves; it is only a divided house.

And a ship without rudder may wander aimlessly among perilous isles yet 
sink not to the bottom.

You are good when you strive to give of yourself.

Yet you are not evil when you seek gain for yourself.

For when you strive for gain you are but a root that clings to the earth and sucks at her breast.

Surely the fruit cannot say to the root, 
"Be like me, ripe and full and ever giving of your abundance."

For to the fruit giving is a need, as receiving is a need to the root.

You are good when you are fully awake in your speech,

Yet you are not evil when you sleep while your tongue staggers without purpose.

And even stumbling speech may strengthen a weak tongue.

You are good when you walk to your goal firmly and with bold steps.

Yet you are not evil when you go thither limping.

Even those who limp go not backward.

But you who are strong and swift, see that you do not limp before the lame, 
deeming it kindness.

You are good in countless ways, and you are not evil when you are not good,

You are only loitering and sluggard.

Pity that the stags cannot teach swiftness to the turtles.

In your longing for your giant self lies your goodness: and that longing is in all of you.

But in some of you that longing is a torrent rushing with might to the sea, 
carrying the secrets of the hillsides and the songs of the forest.

And in others it is a flat stream that loses itself in angles and bends and lingers 
before it reaches the shore.

But let not him who longs much say to him who longs little, 
"Wherefore are you slow and halting?"

For the truly good ask not the naked, 
"Where is your garment?" nor the houseless, 
"What has befallen your house?"



Khalil Gibran



Sou um estrangeiro neste mundo







Sou um estrangeiro neste mundo.

            Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.

            Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

            Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.

            Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem gritando: “Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude.” Fujo deles. Mas encontro outro grupo de moças que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: “É surdo como a pedra. Enchamos seus ouvidos com canções de amor e desejo.” Deixo-as correndo. Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: “É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua.” Fujo deles com medo. E encontro um grupo de anciãos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: “É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros.”

            Sou um estrangeiro neste mundo.

            Sou um estrangeiro e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.

            Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, frequentado por cobras e insetos. Se sair à luz, a sombra de meu corpo me segue, e as sombras de minha alma me precedem, levando-me aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo. E quando chega a noite, volto para a casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.

            Ideias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso. Quando procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.

            Sou um estrangeiro neste mundo.

            Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma de minha alma...

            Caminho na selva inabitada e vejo os rios correrem e subirem do fundo dos vales ao cume das montanhas. E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.

            E as aves do céu voam, pousam, cantam, gorgeiam e depois param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelos soltos e pescoços esticados. E olham para mim com paixão e sorriem com sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.

            Sou um estrangeiro neste mundo.

            Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em versos, e em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.


Khalil Gibran
in, “Temporais”






terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Jalaluddin Rumi Balkhi











I

 Sometimes I forget completely
what companionship is.
Unconscious and insane, I spill sad
energy everywhere. My story
gets told in various ways: a romance,
a dirty joke, a war, a vacancy.

Divide up my forgetfulness to any number,
it will go around.
These dark suggestions that I follow,
are they a part of some plan?
Friends, be careful. Don’t come near me
out of curiosity, or sympathy.



II

Consider the difference
in our actions and God’s actions.

We often ask, “Why did you do that?”
or “Why did I act like that?”

We do act, and yet everything we do
is God’s creative action.

We look back and analyze the events
of our lives, but there is another way
of seeing, a backward-and-forward-at-once
vision, that is not rationally understandable.

Only God can understand it.
Satan made the excuse, you caused me to fall,
whereas Adam said to God, We did this
to ourselves. After this repentance,
God asked Adam, Since all is within
my foreknowledge, why didn’t you
defend yourself with that reason?

Adam answered, I was afraid,
and I wanted to be reverent.

Whoever acts with respect will get respect.
Whoever brings sweetness will be served almond cake.
Good women are drawn to be with good men.

Honor your friend.
Or treat him rudely,
and see what happen!

Love, tell an incident now
that will clarify this mystery
of how we act freely, and are yet
compelled. One hand shakes with palsy.
Another shakes because you slapped it away.

Both tremblings come from God,
but you feel guilty for the one,
and what about the other?

These are intellectual questions.
The spirit approaches the matter
differently. Omar once had a friend, a scientist,
Bu’l-Hakam, who was flawless at solving
empirical problems, but he could not follow Omar
into the area of illumination and wonder.

Now I return to the text, “And He is with you,
wherever you are,” but when have I ever left it!

Ignorance is God’s prison.
Knowing is God’s palace.

We sleep in God’s unconsciousness.
We wake in God’s open hand.

We weep God’s rain.
We laugh God’s lightning.

Fighting and peacefulness
both take place within God.

Who are we then
in this complicated world-tangle,
that is really just the single, straight
line down at the beginning of ALLAH?

Nothing.
We are
emptiness.



III

How does a part of the word leave the world?
How can wetness leave water?

Don’t try to put out a fire
by throwing on more fire!
Don’t wash a wound with blood!

No matter how fast you run,
your shadow more than keeps up.
Sometimes, it’s in front.

Only full, overhead sun
diminishes your shadow.

But that shadow has been serving you!
What hurts you, bless you.
Darkness is your candle.
Your boundaries are your quest.

I can explain this, but it would break
the glass cover on your heart,
and there’s no fixing that.

You must have shadow and light source both.
Listen, and lay your head under the tree of awe.

When from that tree, feathers and wings sprout
on you, be quieter than a dove.
Don’t open your mouth for even a cooooooo.

When a frog slips into the water, the snake
cannot get it. Then the frog climbs back out
and croaks, and the snake moves toward him again.

Even if the frog learned to hiss, still the snake
would hear through the hiss the information
he needed, the frog voice underneath.

But if the frog could be completely silent,
then the snake would go back to sleeping,
and the frog could reach the barley.

The soul lives there in the silent breath.

And the grain of barley is such that,
when you put it in the ground,
it grows.

Are these enough words,

Or shall I squeeze more juice from this?
Who am I, my friend?



IV

Who makes these changes?
I shoot an arrow right.
It lands left.
I ride after a deer and find myself
chased by a hog.
I plot to get what I want
and end up in prison.
I dig pits to trap others
and fall in.

I should be suspicious
of what I want.



Jalaluddin Rumi Balkhi