quinta-feira, 14 de maio de 2020

Trabalho Espiritual







Enquanto permanecerdes nos planos astral e mental inferior, estareis tensos, agitados, e nunca encontrareis o silêncio necessário ao trabalho espiritual. É a natureza dos pensamentos e dos sentimentos vulgares que produz tais efeitos, e não pode ser de outro modo.
É preciso conhecer bem a natureza de cada coisa. Assim como os químicos estudam a natureza e as propriedades dos elementos químicos, vós deveis estudar a natureza e as propriedades dos elementos psíquicos.
Ora, precisamente, faz parte da natureza dos pensamentos e dos sentimentos interesseiros, egoístas, provocarem em vós a tensão, a excitação, a desordem. Quaisquer que sejam os esforços que fazeis para meditar, não o conseguireis enquanto não tiverdes dominado em vós os movimentos da natureza inferior.

Omraam Mikhaël Aïvanhov









CORPO FÍSICO - ACÇÕES

CORPO ASTRAL - SENTIMENTOS

CORPO MENTAL - PENSAMENTOS




CORPO CAUSAL - PENSAMENTOS SUPERIORES

CORPO BÚDICO - SENTIMENTOS SUPERIORES

CORPO ÁTMICO  - ACÇÕES SUPERIORES















quarta-feira, 13 de maio de 2020

VIETNAMITA


Horst Faas





Mulher, como te chamas? Não sei.
Quando nasceste, tua origem? Não sei.
Por que cavaste um buraco na terra? Não sei.
Há quanto tempo estás aqui escondida? Não sei.
Por que mordeste o meu anelar? Não sei.
Sabes, não te faremos mal nenhum. Não sei.
De que lado estás? Não sei.
É tempo de guerra, tens de escolher. Não sei.
Existe ainda a tua aldeia? Não sei.
E estas crianças, são tuas? Sim.


Wislawa Szymborska






Como lidar com o isolamento





"Mestre, como posso enfrentar o isolamento?
Limpa a tua casa. A fundo. Em cada canto. Mesmo os que nunca sentiste a coragem e a paciência para limpar. Torna a tua casa brilhante e bem cuidada. Remove poeira, teias de aranha, impurezas. Mesmo no lugar mais oculto. A tua casa representa-te: se cuidas dela, também te cuidas.

- Mestre, mas o tempo é longo. Depois de cuidar de mim na minha casa, como posso viver o isolamento? -Conserta o que pode ser corrigido e remove o que não precisas mais. Dedica-te à colcha de retalhos, cose o início das calças, costura bem as bordas desgastadas dos vestidos, restaura uma peça de mobiliário, repara tudo o que vale a pena reparar. O resto, deita fora. Com gratidão. E com a consciência de que o seu ciclo terminou. Consertar e remover o que está fora de ti permite corrigir ou remover o que está por dentro.

- Mestre e depois o quê? O que posso fazer o tempo todo sozinho? -Semeia. Até uma pequena semente num vaso. Cuida de uma planta, rega-a todos os dias, fala com ela, dá um nome, remove as folhas secas e as ervas daninhas que podem sufocá-la e roubar energia vital preciosa. É uma maneira de cuidar das tuas sementes interiores, dos teus desejos, das tuas intenções, dos teus ideais.

-Mestre e se o vazio vier visitar-me? ... Se vier o medo da doença e da morte? -Fala com eles. Prepara a mesa para eles também, reserva um lugar para cada um dos teus medos. Convida-os para jantar contigo. E pergunta-lhes por que vieram de tão longe para a tua casa. Que mensagem eles te querem trazer. O que eles te querem comunicar.

- Mestre, acho que não posso fazer isso ...

- A tua questão não é isolar os problemas, mas o medo de enfrentar os teus dragões internos, aqueles que sempre quiseste afastar de ti. Agora não podes fugir. Olha nos olhos deles, ouve e descobrirás que te colocaram contra a parede. Eles isolaram-te para que pudessem falar contigo. Como as sementes que só podem brotar se estiverem sozinhas."





Dr. Rashid Buttar - They Don’t Want You To Know About Covid-19. Dropping Bombs (Ep 264)...

terça-feira, 12 de maio de 2020

Eddie Vedder & Beyoncé - Redemption Song (Legendado)

O ENTERRADO VIVO


Alexander Sviridov





É sempre no passado aquele orgasmo,
É sempre no presente aquele duplo,
É sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra,
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre no meu lábio a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim o inimigo
E sempre no meu sempre a mesma ausência.



Carlos Drummond de Andrade



Observador






A minha decisão consciente acerca de 
como observar um electrão 
irá determinar igualmente 
as propriedades do electrão. 
Se lhe fizer uma pergunta de partícula, 
dar-me-á uma resposta de partícula. 
Se lhe fizer uma pergunta de onda, 
dar-me-á uma resposta de onda.
Frijof Capra




Quando perante provas experimentais de que o processo de observação parece influenciar o que está a ser observado, os cientistas foram forçados a largar quatro séculos de pretensões e debater-se com uma ideia revolucionária - Nós estamos envolvidos na realidade.

Como diz Frijof Capra:
"A característica crucial da teoria quântica é que o Observador não só é necessário para observar as propriedades de um fenómeno atómico, como é necessário para trazer ao de cima essas propriedades"

Antes de uma observação ou medição ser feita, o objecto existe como onda de probabilidade (tecnicamente chamada Função de Onda).
Não tem localização nem velocidade específicos.
A sua função Onda contém a probabilidade, quando observada numa medição, de estar aqui ou ali.
Tem posições potenciais e velocidades potenciais - mas não sabemos quais até serem observadas.

"Quando medimos a posição do electrão não estamos a medir uma característica objectiva preexistente da realidade. Aliás, o acto de medir está profundamente envolvido na criação da própria realidade que se está a medir"
Brian Green

O electrão não tem propriedades objectivas independentes da nossa mente.
O "mundo lá fora" e o observador subjectivo, parecem fundir-se no processo de descobrir ou criar o mundo.

"A realidade é como gelatina agitada.
Há uma grande lama indeterminada que é a nossa vida potencial.
E nós, apenas pelo nosso envolvimento, o nosso acto de reparar, de observar, fazemos com que essa gelatina assente. Somos portanto intrínsecos ao processo da realidade.
O nosso envolvimento cria a realidade."

Lynne McTaggart

Temos de aprender a Observar o que se passa "dentro" de nós!
E usar isso para alterar a nossa Percepção do "lá fora".
Isto permite-nos observar e escolher!
Em vez de reagir e arrepender.
E isto é Criar uma Nova Realidade!

O protegido de Einstein, David Bohm, defendia que a mecânica quântica revelava que a realidade é um Todo Indivisível no qual está tudo ligado de forma profunda que transcende os limites comuns do Espaço e do Tempo.
Ele avançou com o conceito de que existe uma "Ordem Implicada" da qual a "Ordem Explicada" (o universo escondido não detectável) nasce.
É o dobrar e desdobrar destas leis que dá origem às variedades do mundo quântico.
A visão de Bohm da natureza da realidade deu origem à Teoria do Universo Holográfico!

Temos a sensação de que existe um "Observador" algures dentro de nós!
A observar, sempre a observar.
Por vezes chamada de "Voz da Consciência"
Através da observação da nossa natureza interior, podemos alterar o nosso ego exterior.
Não podemos tirar nenhuma "informação" de um Sistema sem alterar a fisicalidade desse Sistema.

"Não alteramos a realidade lá fora.
Não alteramos cadeiras, camiões, escavadoras, prédios e foguetões - não é isso que alteramos.
Mas alteramos a forma como percepcionamos as coisas, ou talvez o que pensamos acerca das coisas, ou o que sentimos acerca das coisas, como vemos o mundo"

Fred Alan Wolf

Isto irá motivar as pessoas a serem melhores observadoras!
Saberem parar e observar!
Para poderem desenhar um Novo Futuro, possível para si.
E se o fizermos convenientemente e o observarmos convenientemente, as oportunidades deveriam começar a aparecer nas nossas vidas.
O Mundo Subatómico responde à nossa Observação!

"Cada observação pode ser vista como uma edição quântica, uma vez que a medição quântica origina memória cerebral. Estas memórias cerebrais são activadas de cada vez que nos deparamos com a mesma experiência ou um estímulo repetido. Um estímulo repetido irá sempre originar, não apenas a impressão original, como também a repetição de impressões de memórias...
Percepcionamos sempre algo após a sua reflexão no espelho da memória.
É este reflexo no espelho que nos dá um sentido de "Eu", quem eu sou, nomeadamente um padrão de hábitos, um padrão de memórias, um padrão de passado"

Amit Goswani



Memória (Passado) = Percepção = Observação = Influência da Realidade

As Possibilidades Infinitas de Transformar a Nossa Realidade!


Se a realidade é apenas a resposta às questões ou atitudes da Mente, e essa resposta está no fundo de uma longa cadeia de memórias, percepções e observações, a questão não é tanto como é que alteramos a realidade, mas por que é que mantemos a nossa realidade igual.
Na resposta a isto está a chave para a Mudança! 

Há uma fluidez na realidade observada que parece contrária ao mundo das cadeiras, camiões e foguetões. E no entanto, é uma característica fundamental da forma como todos os aspectos da realidade se interligam.
E a palavra-chave é "Interligam"! 
Ou podíamos dizer, Unem, ou Entrelaçam. 
Ou, são partes da mesma Equação de Onda! 
Esta noção da inseparabilidade essencial de todas as coisas não pára de surgir na mecânica quântica.


E quem somos nós, 
meros humanos, 
para discutir com triliões 
de biliões 
de milhões de electrões?



Quem colapsa os muito pequenos?
Não quem, mas o quê?
TUDO.
A questão permanece:
São só as coisas, ou também as não-coisas - Mente, Espírito, Consciência?
E se são estas não-coisas, serão tão reais quanto as coisas que entram em colapso?
No mundo das ilusões, a separação entre as coisas e as não-coisas pode ser a única ilusão à qual se agarram todas as outras ilusões.



in, Afinal O que Sabemos Nós?





The Most Brutally Honest 10 Minutes Of Your Life!

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Julgamento






Sinto-me a ser julgado a cada dia
que me ponho de pé, sendo eu
jurado e réu, sendo eu a própria
sala, o próprio ambiente da sala
onde a cada dia se lê a condenação
que pelo meu punho pensei e escrevi.
Olho lá para fora enquanto me ataco
e defendo, pode ser um sítio qualquer,
pode ter árvores e casas, linhas
de eléctrico e grandes autocarros,
pode passar gente pobre, gente rica
em carros a brilhar de lavados, pode
passar todo o corpo da polícia a apitar,
um desfile de tanques de guerra,
trotinetas de crianças, velozes, descendo
o parque, o mesmo pedinte romeno
a desajeitar o gorro para lhe dar mais ar
de pedinte, podem passar as pessoas
todas do mundo que eu estou a olhar
para dentro, preocupado com a justiça
que um dia se há-de fazer, que um dia
hei-de fazer a mim mesmo. E sairei
depois sorridente como nos filmes,
ao cimo da escadaria, a acenar
a jornalistas, à família e a um pequeno
aglomerado de admiradores sinceros
que me seguem e me apoiam,
faça eu a porcaria que fizer.


Helder Moura Pereira





SE EU FOSSE EU






Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor, sentir.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria?
Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar.
Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.



CLARICE LISPECTOR
in, ONDE ESTIVESTES DE NOITE





domingo, 10 de maio de 2020

Mãe





Eu sou aquela que os vê.
E caminho pelos seus caminhos e sou a
fogueira distante.
O tempo não me apaga.
Tenho os pontos cardeais e sou a bússola nas
suas mãos, 
quando eles vão sobre as águas.
Sou os mapas, a constelação, o cruzeiro do sul,
o arado, o cão, 
aquela que os guarda.
Sou o regaço, as belas plumas do meu regaço,
a imensa luz de amor que cai sobre a sua
penumbra, 
sobre a sua loucura. 
Sou a mãe da sua vida, da sua morte. 
E vou com eles, espalhando as rosas tristes, 
e os meus cabelos espalham sobre os seus 
cabelos as raízes brancas. 
Sou aquela que escreve quando eles dormem, 
sou as palavras através do sono. 
E adormeço com eles, 
fechando as últimas portas. 


José Agostinho Baptista





quinta-feira, 7 de maio de 2020

FOTOGRAFIAS


Mahdi Rezaei




Nesta vida — é um facto — estamos sempre
a desaprender coisas novas. O mundo
vai guardando a luz nas suas bainhas negras
e temos a melindrosa companhia dos fantasmas
que nos procuraram: eles governam rudemente
os nossos pequenos reinos e há um ceptro novo

para cada coroação. De repente, com a volta
das estações, damos por nós muito mais velhos
nas fotografias. As razões que nos assistiam
empalidecem em paisagens cruelmente coagidas
pela luz. Fomos expulsos dos grandes palácios

da alegria? Onde estão os mapas que nos guiavam
lá dentro, exactos como o instinto? Não sabemos
responder: o caminho turva-se: são as incertezas
da maturidade. As palavras não nos iluminam
e o amor está condenado aos defeitos naturais
do coração, que ainda assim há-de voltar a arder

sem defesa nem socorro uma vez mais.



Rui Pires Cabral