sábado, 10 de maio de 2014

Morgana fala…



"Em vida me chamaram de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha.
Na verdade, cheguei agora a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas.
Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra.
O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que Cristo predomina.
Nada tenho contra o Cristo, apenas contra seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de Demónio e negam o seu poder no mundo.
Alegam que, no máximo, esse poder foi o de Satã.
Ou vestem-na com um manto azul da Senhora de Nazaré - realmente poderosa, ao seu modo -, que dizem foi sempre virgem.
Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?"

in, AS BRUMAS DE AVALON
Marion Zimmer Bradley

Neutralidade e má qualidade



“Infelizmente, a distinção entre masculino e feminino não permitirá, em caso algum, acabar com o patriarcado, na medida em que o monstro teve tempo suficiente para criar raízes e prosperar na cultura, na economia, nos cérebros e nos sexos.
Contudo, permitirá pelo menos descrever a realidade, dizer a verdade, legitimar a palavra das mulheres.
 Neste país, existe um problema grave de mentalidade sexista, mas não se pode falar nisso, porque as palavras traem e pervertem a realidade.
Porque a linguagem avança mascarada, porque a linguagem serve de folha de parra, e nunca este termo foi tão bem utilizado.
Esta folha de parra é muito útil para a ordem estabelecida.
Tal como já dissemos, os nossos académicos realçam, muito a propósito, que o francês contempla o caso neutro, contrariamente ao alemão ou ao inglês.
Esta observação é muito subtil.
No entanto, existem expressões que não permitem identificar o sexo do sujeito: são fórmulas neutras.
É estranho que estas fórmulas não sirvam para descrever tudo o que se refere ao poder ou ao prestígio. Neste caso masculiniza-se ao máximo.
Também não serve para descrever os grandes feitos das mulheres.
Mas são sistematicamente utilizadas para dissimular os delitos dos homens.
A língua é uma ferramenta ideológica, uma ferramenta utilizada contra as mulheres como uma arma carregada, mas também para proteger os homens, os queridinhos do sistema.”(…)

in,"TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS…MESMO AS MULHERES" 
Isabelle Alonso

sexta-feira, 9 de maio de 2014

...freedom!!!!


The Black Mamba - I'll Meet you there

O Budismo...e a monogamia



Pergunta – O que o Budismo fala sobre monogamia?

Monge Genshô - No Budismo não há uma posição definida a esse respeito.
As sociedades se organizam de acordo com as conveniências.
Em civilizações mais antigas esse tipo de relacionamento não está bem definido ou está, dependendo do ponto de vista, inclusive os filhos são da tribo. Não existe o sentido de posse como em nossa civilização, por isso mesmo uma traição não é vista da mesma forma.

Em sociedades agrárias, por volta de dez mil anos atrás, as pessoas começam a ser donas de pequenas propriedades de terra e desejam que isso siga na família passando para os seus filhos.
Começa, então, a se exigir fidelidade por parte da mulher. 
Em algumas sociedades de hoje existe a pena de apedrejamento para mulheres adúlteras.
Mas não para os homens, por quê?
Porque quem adultera a linhagem é a mulher, não o homem.
Em sociedades judaicas é considerado judeu o filho de um ventre judeu, portanto de uma mulher, não de um homem.

Em algumas sociedades da Ásia ou mesmo no Tibete, o homem tem que comprar a esposa, ela é um bem vendido pela família. As vezes acontece de uma família pobre com dois ou três irmãos, não ter dinheiro para cada um comprar sua mulher. Os três compram uma única mulher que fica então, com três maridos, a poliandria. Em nenhuma destas situações o budismo jamais se meteu.
E em sociedades budistas jamais houve apedrejamentos ou algo do tipo.
Isso que estamos falando é puramente cultural.

Veja como são essas coisas, hoje vi na internet um concurso de mulatas, todas de biquíni, muito bonitas, e muitos comentários criticando essa exploração da imagem das mulheres como objetos sexuais etc..
O que existe por trás disso na realidade é um pensamento discriminativo, porque rostos bonitos podem ser expostos sem que haja protestos e outras partes como seios ou glúteos não.
É só outra parte do corpo, isso é cultural e está na mente das pessoas.
Nós enxergamos problemas onde na verdade eles não existem.
Hoje no Brasil não vivemos mais no sistema de monogamia.
Temos na verdade um sistema de poligamia serial.
O que é isso?
As pessoas trocam constantemente de relacionamentos, parece que mais de 50% das pessoas trocam de relacionamentos.


Pergunta – Sobre o naturismo o Budismo segue a mesma linha de pensamento?

Monge Genshô – Claro, se todas as pessoas resolverem andar sem roupas e isso é aceito, não há problemas. Começa a haver conflito quando na sociedade a que você pertence isso seja um problema e você resolva andar nu.
Eu morei um tempo na Holanda, que é considerada uma das culturas mais liberais do mundo.
E lá, há trinta anos, era possível uma prostituta ser convidada para ir à um canal de televisão e, sem precisar tapar o rosto, falar sobre sua vida.
Na Tailândia, por exemplo, a homossexualidade sempre foi muito bem aceita.
Existe um caso de um transexual que depois de anos voltou para sua cidade e se elegeu prefeito.
A Tailândia é um país budista.

Existe uma história Zen contada por Taisen Deshimaru Roshi, de Naraka Gueixa que era praticante budista que obteve a iluminação e começou a ensinar o Dharma para seus amantes em sua cama.
E teve muitos discípulos.
Era uma grande mestra.
O budismo tem uma visão um pouco diferente do que estamos acostumados a ver em nossa sociedade.




Há um diálogo muito interessante que aconteceu durante uma palestra do Dalai Lama. 
Um jovem perguntou-lhe qual a forma de sexo que produz menor Karma negativo.

“Acredito que seja com uma prostituta”, respondeu Dalai Lama.

Percebendo a consternação do jovem, o Dalai Lama continuou:

“Essa pode ser uma relação muito construtiva se você a tratar com respeito e dignidade e lhe der carinho. Ela pode ser uma pessoa que necessite de dinheiro, mas pode ser uma troca muito bonita que gere uma amizade e ser compensadora para ambos os lados”.
( Ele desconsiderou outras formas da manifestação da prostituição, indústria, exploração etc...)

O rapaz então perguntou, “E masturbação”?

“Masturbação é um acto muito egoísta, é você com você mesmo, não está a ajudar ninguém”.

Porque precisamos uns dos outros



Quando alguém entra na nossa vida de forma emocionalmente intensa, o encantamento que nos envolve leva-nos a olhar um para o outro destacando aquilo que, de momento, precisamos para nos vermos a nós próprios de forma mais completa.
Daí a importância que essa pessoa passa a ter para nós e a falta que sentimos se desaparece.
Precisamos uns dos outros para mais e melhor nos conhecermos e para conhecermos a luz e a sombra que nos fazem ser o que somos.
É através de reacções emocionais que temos face às alegrias ou dores decorrentes das relações com os outros que vamos podendo desvendar tudo aquilo que em nós existe - de positivo e de negativo.
Por exemplo, alguém que repetidamente nos irrita, magoa ou destrói é, com certeza, alguém em quem projectamos um sonho nosso.
Através dessa nossa reacção, a vida convida-nos a reconhecer a existência em nós de uma determinada energia negativa, que por ética ou educação mantemos sob controlo.
Ter a atitude de humildade de procurar descobrir e aceitar a necessidade que inconscientemente nos leva a alimentá-la é o que mais nos faz crescer.

in, Sol e Lua 
- Maria José Costa Félix

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Real men don't buy girls!!!!!!!!!!!!!!!!!



-An estimated one million children are forced to work in the global sex industry every year.

-The global sex slavery market generates a $39 billion profit annually.

-Selling young girls is more profitable than trafficking drugs or weapons.

Celebrities are taking part in Real Men Don't Buy Girls campaign.

Expensive Soul - Que Saudade

.......não somos livres!


“Será que esquecemos que o Dom de si não pode ser senão voluntário?
Será que esquecemos que não pode haver responsabilidade senão onde existir liberdade?
Ora nós não somos livres.
Somos vítimas de preconceitos, mergulhados nas rotinas que nos prendem, saturados de ideias feitas.
E por falta de lucidez, estamos em completo desconhecimento dos verdadeiros problemas que se põem aos seres humanos.
Nós não somos livres.
A mulher, particularmente, tornou-se escrava da nossa sociedade que é uma sociedade de escravos que nem sequer se apercebem do seu estado de servidão porque eles apenas papagueiam as palavras. Não, de modo algum é suficiente pronunciar a palavra liberdade e cantá-la em todos os tons para se ser verdadeiramente livre, é preciso sê-lo por actos."

JEAN MARKALE 
in, La Femme Celte


VERDADE!
Todos pensam que são livres...mas nunca foram tão escravos!
Na era da escravatura, os escravos negros tinham consciência que eram escravos.
Nesta era, as pessoas vivem numa ilusão de liberdade.
E a Democracia foi especialista em criar escravos:
Escravos de um patrão,
de um ordenado,
de prestações ao banco,
de cartões de crédito,
de LDL do carro,
e há que andar para a frente, porque sem o ordenado e sem o patrão, não se pagam as prestações.
E isto é uma bola de neve...
E sem se aperceberem, são escravos de um sistema, como o homem nunca foi na vida.
Nunca houve tantos escravos como hoje em dia.
ESCRAVOS DO SISTEMA
ESCRAVOS DA SOCIEDADE
ESCRAVOS DA ÉTICA E DA MORAL


terça-feira, 6 de maio de 2014

Baby i don't know

Pedro Chagas Freitas


Tenho aqui uma etiqueta dedicada a um escritor que se chama Pedro Chagas Freitas.
Um escritor do Norte, dá cursos de Escrita Criativa, que está muito na moda hoje em dia.

Mas, ultimamente, já nem o consigo ler...
E isto faz-me pensar...
Como é que houve dias em que gostei de o ler?

Ando cansada de ler o que escreve, e da maneira que escreve,  com aquela escrita a rasar o pornográfico!
E para piorar a coisa, vi aqui na net, no site da RTP2, uma entrevista que ele deu,que me deixou uma impressão muito, mas mesmo muito má...parece-me uma pessoa muito arrogante, pretensioso e vaidoso.
Como é óbvio, posso estar enganada sobre a pessoa.
Por isso estou tão pensativa em relação a mim...como é possível eu ter gostado de o ler a dada altura?

Neste momento não tenho nenhuma pachorra para o ler.
Como é que eu a certa altura gostei de o ler...confesso que foi sempre um amar/odiar...umas coisas gostava, e outras odiava...tal como me acontece com o Pedro Paixão.

Lembra-me os tempos em que andava com um certo tipo de pessoas, que só trabalhavam, saiam à noite, juntavam-se em esplanadas a contar anedotas, a rebaixar as mulheres, e nós feitas parvas ainda nos riamos à desbragada...que idiota que eu era...
Mas éramos todas umas gajas fixes:
Riamos-nos dos homens a rebaixar as mulheres, gostávamos de futebol, bebíamos e comportávamos-nos como os homens...porque é assim que eles gostam que as mulheres sejam...
Essas é que são as bacanas!

Confesso que me deu vontade de eliminar a Etiqueta que tenho aqui dele...mas, por outro lado, que se dane...
Se o fizesse, teria de eliminar muitas outras coisas, como por exemplo do Fernando pessoa, que de vez em quando também se sai com cada uma...misoginia temporária, sei lá.
Mas este será o último post aqui nesta etiqueta, com toda a certeza!

Hoje estou mesmo chateada comigo própria!!!!!!!
Mas, faz tudo parte do Caminho...

......criar...ser dual

Artista plástico londrino, Ron-Mueck


“Todo ser criador é uma dualidade ou uma síntese de qualidades paradoxais.

Por um lado ele é uma personalidade humana, e por outro, um processo criador, impessoal. Enquanto homem, pode ser saudável ou doentio; sua psicologia pessoal pode e deve ser explicada de modo pessoal. Mas enquanto artista, ele não poderá ser compreendido a não ser a partir do seu acto criativo.
(...)
Enquanto pessoa, tem seus humores, caprichos e metas egoístas; mas enquanto artista ele é, no mais alto sentido “homem”, e homem colectivo, portador e plasmador da alma inconsciente e activa da humanidade. É esse o seu ofício, cuja exigência às vezes predomina a ponto de pedir-lhe o sacrifício da felicidade humana e de tudo aquilo que torna valiosa a vida do homem comum.
(...)
Por um lado, o homem comum, com suas exigências legítimas de felicidade, satisfação e segurança vital e, por outro, a paixão criadora e intransigente, que acaba pondo por terra todos os desejos pessoais. Por isso o destino pessoal de tantos artistas é na maior parte das vezes tão insatisfatório e mesmo trágico e isto, não devido a um sombrio desígnio da sorte, mas sim a uma inferioridade ou a uma faculdade deficiente de adaptação da sua personalidade humana. São raros os homens criadores que não pagam caro a centelha divina de sua capacidade genial.


In, O Espírito na Arte e na Ciência 
C.G. JUNG


"Enquanto artista, ele não poderá ser compreendido a não ser a partir do seu acto criativo.
Enquanto participante em algo que o ultrapassa, ele, na sua individuação estética, partilha de uma legitimidade que vem do fundo dos tempos.
Um resquício de deuses politeístas, de um mundo mágico.
Dessa forma, numa sociedade monoteísta e patriarcal, a sensação estética tem uma dimensão política ampla, é um acto de resistência que faz entrar os homens em conexão com o seu lado feminino."

....largar a couraça


“ A intimidade impõe o abandono da couraça que protege o nosso núcleo mais intimo, sede do pudor e da vergonha: quanto mais partilhada, mais o outro tem livre acesso às nossas coisas secretas. 
Mas só a tolerância e uma grande estima de nós próprios nos levam a viver este despirmo-nos como uma oportunidade e não como uma ameaça. 
Quem pensa que deve esconder as partes de si mesmo que mantém inconfessáveis, inevitavelmente vive a intimidade como um risco”


Willy Pasini 
in,Intimidade, O outro lado da afectividade 

Na ordem do desejo que nos liberta das habituais fronteiras entre o corpo e o espírito.
Entre nós e o outro.
Partículas de energia, numa dança, ao ritmo de termos sido capazes de nos colocarmos na sua pele sem nos perdermos, e disponíveis para o deixar entrar, sem medo de sermos devorados por ele. Alheados da fórmula que permitiu que o milagre tivesse lugar, não nos contentamos com o conforto do inesquecível encontro.
Surge a ideia insana que pode não se repetir, e a urgência de o reviver.

Ideia chave: são necessários dois processos psicológicos para que a intimidade seja possível:
– a identificação projectiva e introjectiva
- empatia e ressonância afectiva.


in, Incalculável Imperfeição

domingo, 4 de maio de 2014

...a culpa é tua!


“Respiro um ar amargo. A corda rebenta sempre do lado do mais fraco. O branco diz ao preto: a culpa é tua. O rico diz ao pobre: a culpa é tua. O homem diz à mulher: a culpa é tua. A mulher diz ao filho : a culpa é tua. O filho diz ao cão: a culpa é tua. O cão furioso morde o branco e este furioso, grita de novo para o preto: a culpa é tua. E a roda continua por séculos e séculos.

Penso. Quem inventou a moda feminina foi o homem, só pode ser. Inventou sapato de salto alto para que a mulher não corra, e não fuja ao seu controlo. Se pensasse nela, teria inventado umas botas e mocassinos, sapatos do tamanho do chão, para ela poder caminhar, correr e caçar o sustento, como as amazonas. Inventou as suas saias apertadas para obrigar a mulher a manter as pernas fechadas, coladas. Se pensasse nela, teria inventado umas saias bem rodadas, para andar à vontade e refrescar os interiores, nos dias de verão. No lugar disso, inventou as roupas coladas, atrevidas, para poder deliciar a vista na paisagem ondulada de qualquer uma e masturbar-se com o simples olhar.
Em pleno século vinte e um, os homens vestem-nos do tempo de D. Quixote e dizem que estamos belas. Calcinha . Cinta. Soutien. Meia de vidro. Meia saia. Combinação. Saia, blusa, um casaco ligeirinho para acentuar o ar de senhora. Lenço. Cachecol. Colares. Brincos. Pulseiras. Anéis. Puxinhos de cabelo. Rolos. Ganchos, travessões, bandoletes, e a flor dos campos no canto da orelha. Cinto de castidade. Licaho. E os homens? Só cuecas, calças e camisa. Livres para saltar, correr e caçar. Que diferença, meu Deus!

Apetece-me dizer a todas estas mulheres : a beleza não está nas cores da tua roupa. Nem na macieza do teu cabelo. Muito menos nas linhas harmoniosas do teu corpo. A beleza sente-se de olhos fechados. Quando emigras para a lua, no voo da serpente.”

in, NIKETCHE UMA HISTÓRIA DE POLIGAMIA 
PAULINA CHIZIANE

E agora, já me entendes?


"Da paixão cansei-me (pode acolher tanta morte um corpo, esse mesmo que brilha à luz do desejo, esse mesmo que guarda a promessa da alegria).
A verdade gastou-se (isto é o mais fácil de compreender: a verdade gasta-se, quando chegamos ao lugar de a encontrar, sabemos por fim que não existe).
Sobrou o que sou e o que não sou também, pelo meio a linha de uma estreita solidão, e é isto que te dou (isto o que te posso dar).
Só aqui, só agora, este sorriso de estar vivo, e por vezes o cansaço (que embora não pareça faz parte do sorriso)."

E agora já me entendes?

E agora ainda me queres?

Jorge Roque

Igualdade, não...Equilíbrio!


"A frustração é causada por uma sociedade que nos pede para sermos o que não somos 
e nos culpar por ser quem somos. 
Neste momento, tudo ainda é dirigido por homens; a mulher está em claro desequilíbrio. 
Para começar, é preciso equilibrar a igualdade do homem e da mulher " 

- Alejandro Jodorowsky


Anouk - Nobody's Wife (live 2009) HQ 0815007

sábado, 3 de maio de 2014

Vénus no grau 0º (zero) de Aries/Carneiro

                                                       

Hoje acordamos (um dia acordaremos todos) com Vénus no grau 0º (zero) de Aries/Carneiro 

Vénus em Carneiro anuncia o início de um novo ciclo.

"quando positivo, este grau é a inexistência de limites de que qualquer um pode tirar vantagem sob quaisquer circunstâncias, e quando negativo, o fracasso em encontrar um lugar na vida por o self não conseguir separar-se das suas próprias obsessões particulares"

... só te digo: este é o momento perfeito para fazer um bom negócio!

primeira batalha: vence a inércia e o magnetismo do teu próprio passado, do teu próprio inconsciente, dos teus próprios hábitos, e - em suma - da tua própria programação emocional, biológica, kármica, e instintiva - que bela tarefa para um sábado de manhã, entre scones, listas de compras, gritaria de crianças, ou o café (e o) expresso na esplanada (expresso, o jornal - how appropriate para a energia de Carneiro: o jornal ser Expresso ;-) )

segunda "coisa": 
encara o ingresso de um planeta (no caso, Vénus) num novo signo (no caso, Carneiro) como uma mudança energética (às quais - mudanças - te tornarás, progressivamente, mais sensível, se continuares a educar ambos os hemisférios do teu cérebro e os teus diferentes veículos, ou "corpos" - mais sobre estas coisas numa lição mais técnica (em Virgem) ou sobre os mistérios (em Escorpião), ok?)

uma mudança energética - podes observá-la ,senti-la, testemunhá-la, "vê-la", ou simplesmente sentires-te "pressionado" por ela ou pela sucessão de acontecimentos e circunstâncias que comecem a acontecer; afinal, é da natureza dos acontecimentos acontecerem, e da natureza de Carneiro começar, e da natureza do ser humano compreender-se a si próprio olhando também para fora e ao redor - e isto seria a Vénus em Balança, mas isso fica para outra lição.
Não sei se já te apercebeste, isto é infinito - como um prato de esparguete ou uma orgia de minhocas: é puramente aleatório, e de certa forma indiferente, por onde "pegas" para começar... irás ter, invariavel e inevitavelmente, a tudo o resto porque está tudo... enfim... ligado

Vénus significa valorização e, por extensão, "gostar", "amar", "preferir", "optar por" - para já, por enquanto, e para o que nos interessa. Se disséssemos já tudo, fosse isso possível, o que é que diríamos nas próximas lições? ;-)

Carneiro significa início

logo,

Vénus em Carneiro gosta de estreias.

Vénus em Carneiro com Júpiter ADORA estreias.

Vénus em Carneiro com Neptuno acha que as estreias são o máximo.

Vénus em Carneiro com Plutão não pode viver sem estreias

Vénus em Carneiro com a Lua precisa de estreias como de pão para a boca

Vènus em Carneiro com o Sol É a estreia, a estrela, e tudo o resto

(and soi on, and so forte)

mas isto tudo apenas para te dizer o quanto podes retirar da compreensão destes processos. Sim?

uma maneira de tirar partido desta ideia, ou melhor, duas, é aproveitares para clarificar quais têm sido os teus valores (Vénus) dominantes:

para isso, pergunta-te em que é que tens gasto (ou investido, vá, para não te sentires mal) o teu tempo e o teu dinheiro - seja em "coisas", pessoas e as qualidades de relação que tens com elas, interesses, áreas da vida ou dimensões do Ser: as tuas opções de investimento, independentemente do que digas sobre ti própri@, é que revelam os teus reais valores. 
Alguém que diz amar a liberdade, e depois a sacrifica em nome da "estabilidade", da segurança ou da continuidade, está nitidamente num conflito, numa dissonância, de valores - conscientes e inconscientes, expressos e implícitos. Se dizes "gostar de cultura" e gastas mais tempo e dinheiro em copos e saídas à noite, talvez precises rever aquilo em que acreditas acerca de ti próprio;

a essa harmonização entre o que se diz que se valoriza e o que se valoriza na prática, através das escolhas e das opções, chama-se "coerência" e é um dos pilares - e requisitos - da Autenticidade e, por extensão, do processo de Individuação, que pode ser decomposto como "o processo de nos tornarmos Quem Realmente Somos - em potência"

outra maneira de tirares partido deste ingresso é perguntares-te, honesta e brutalmente a ti próprio, o que é que TU queres, o que é que TU QUERES MESMO, gostas mesmo, e o que te dá PRAZER AUTÊNTICO - mais além dos medos que escolheste adoptar, da adulteração a que foste sujeito (ou melhor, da qual foste objecto - e, a um nível mais subtil, criador - mas isso fica para outra lição) - - - adulteração: o processo de sermos educados por adultos. Certo? - - -

depois aguardas uma lição sobre os prazeres autênticos vs. prazeres sucedâneos, ou se fores dos impacientes, lês o meu texto "Preenchimento e Gratificação" que te fará pontes importantes com este assunto;

e fazes o exercício - na tua imaginação, que é o lugar mais amplo e seguro ao qual podes aceder - de te imaginares IRRESTRITAMENTE FELIZ.
E toma nota do que andas a fazer... do que te vês a fazer: onde andas, com quem, a fazer o quê, envolvido com que tipo de "cena", em que cenário, em que ambientes, com que expressão no rosto, etc. etc. - e se quiseres fazer o teste das "pitfalls" de Carneiro, "avança" (faz fast-forward) esse cenário seis meses, depois dois anos, e observa se continuas feliz com a mesma coisa.
Se continuas, é provavelmente uma das coisas que te pode realmente fazer feliz, e então já podes levá-la um 'cadinho mais a sério - - tanto quanto alguma coisa na "vida prática" é para levar a sério.

e uma vez que concluas alguma coisa sobre o que te faz realmente FELIZ (Vénus é prazer autêntico, e tudo o resto: amor, dinheiro, abundância, realização, bem-estar, harmonia, etc. etc. etc. é função/consequência do teu próprio foco no teu prazer autêntico - e man!, se nem com um estudo aturado da tua própria Vénus "sabes" o que te dá prazer, man!, you are in trouble até que sejas "desadulterado" - quero eu dizer, até que conquistes, ou recuperes (how Aries is that!) a liberdade de seres tu próprio - é (d)isso que "trata" Vénus em Carneiro, caso ainda não te tenha "caído a ficha" -

... uma vez, dizíamos nós, que concluas o que te faz realmente feliz, e tudo aquilo que QUERES MESMO ser e fazer - tanto, tanto, que o farias de borla (money! another Venus issue!) e até pagarias para o poder fazer,

então toma a decisão,

AGORA MESMO

de começar a fazê-lo.

não tens de o ter feito ainda.

nem sequer ir a meio.

mas precisas - não é que precises, é que tu queres - e isso é mais forte do que qualquer mandamento importado, ou imposto de fora - começar a fazê-lo.

roma e pavia não se fizeram num dia

(ai não? então vou começar outra civilização, diria a Vénus em Carneiro, na sua ignorância das Leis da Vida, mas afinal, é legítimo, ela está apenas a começar a sua nova aprendizagem e ainda tem pela frente onze etapas até que se transcenda a si própria)

mas antes que a Vénus se transcenda, é necessário que se acenda,

e embora roma e pavia não se tenham feito num dia,

terão que ter sido iniciadas

um dia.

num dia assim - on a day like this -

pois deixa-me que te diga:

hoje é o dia.


Nuno Michaels




BIBA O NORTE, CARAGO!!!!!!!!!!!!!!!!!


Tenho de partilhar aqui com quem queira ler esta crónica do Miguel Esteves Cardoso.
Finalmente um lisboeta que entende o que um nortenho sente.
Não é sentimento de superioridade, nem de ser melhor que os outros...é simplesmente SENTIR!
Quando se vai viver para o Sul, é que se sente a diferença...e custa tanto!
No Sul há uma competição, uma necessidade de mostrar quem é melhor.
No Norte, isso não acontece...Somos todos UM!
E isso sabe tão bem!

Já agora, um exemplo que senti quando fui viver para o Sul.
No norte quando nos batem à porta, costumamos dizer:
- Entra... Quem é?

No sul dizem:
- Quem é? (...) Entra

Então aqui fica a crónica "Norte"

"Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara.
Não esconde nada.
Não há uma Viana secreta.
Não há outra Viana do lado de lá.
Em Viana do Castelo está tudo à vista.
A luz mostra tudo o que há para ver.
É uma cidade verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe.
O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas.
O Sul é solto.
Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos.

Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto.
É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro.
Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade.
O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.
Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa.
Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo.
As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo.
Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.
Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino.
O Minho é uma menina.
Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa.
Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria.
Andam de mãos nas ancas.
Olham de frente.
Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam.
Confiam, mas não dão confiança.
Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras.
Acredito nelas.
Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.
Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.

Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório.
Gostavam do Norte só porque eram do Norte.
Assim também eu.
Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte.
Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram.
Já nascem escolhidos.
Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.
Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima.
Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio.
Se o tem não o diz.
Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago.
Mas não é.
Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal.
Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte.
Não é só o nome do Porto.
É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses".
No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades.
Sem complexos e sem patrioteirismos.
Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Miguel Esteves Cardoso



A Região Norte é uma região, ou unidade territorial para fins estatísticos de nível II (NUTS II), de Portugal, que compreende os distritos de: 
Viana do Castelo,
Braga,
Porto,
Vila Real e
Bragança,
e parte dos distritos de
Aveiro,
Viseu e
Guarda.

Limita a norte e a leste com Espanha (Galiza e Castela e Leão, nomeadamente), a sul com a Região Centro, e a oeste com o Oceano Atlântico.
Tem uma área de 21 278 km² (24% do Continente) e uma população de 3 689 682 habitantes (Censos de 2011), correspondendo a 37% do Continente e a 35% de Portugal.
Compreende 8 sub-regiões ou unidades de nível III (NUTS III):

Alto Trás-os-Montes
Ave
Cávado
Douro
Entre Douro e Vouga
Grande Porto
Minho-Lima
Tâmega

A Região do Norte compreende 86 concelhos (27,8% do total nacional).

O Norte. É assim que os nortenhos falam da sua região.
Sem preconceitos ou vergonhas, mas com aquela garra de quem sente orgulho por uma cultura, por uma tradição.
Não querem cá saber se melhores ou piores, porque o que interessa é a sua alma, o seu emblema. Não vivem para as estatísticas porque só conhecem uma: a sua própria estatística.

Ninguém nasce no Porto, em Amarante, em Ponte de Lima ou em Viana.
Não.
As pessoas nascem no Norte.
Apenas e só no Norte, não nascem em mais lugar nenhum seja uma vila ou concelho.