quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

.............desafiar as impossibilidades




Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, 
lembrai-vos de que as grandes coisas do homem 
foram conquistadas do que parecia impossível.

Charles Chaplin 

Sorrir




Sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo
vai mudar.
Aprender com meus erros afinal eu posso ser sempre melhor.
Ter olhos para ver e ouvir
estrelas, embora nem sempre consiga entendê-las.

Charles Chaplin

A Chamada




Liga-me daqui a vinte minutos que agora não posso falar.
Não é o meu marido que ainda não chegou a casa, não são as crianças que estão lá dentro com o computador e a porta do quarto fechada, não é ninguém, estou sozinha mas não consigo falar.
Não, não tem a ver contigo, porque carga de água teria a ver contigo, tem a ver comigo apenas, coisas que se passam entre eu e mim e não me apetece explicar, aliás se explicasse não entendias, o que sabem vocês das mulheres, do que se passa numa mulher, do que uma mulher pensa, do que uma mulher sente, acham que somos malucas, acham que somos diferentes, acham que somos parvas, liga-me daqui a vinte minutos, se quiseres, se te der na bolha, se te apetecer e talvez eu consiga ou talvez não consiga, sei lá, sei que agora não posso falar, a única certeza que tenho é que agora não posso falar.
A ti nunca te aconteceu não poderes falar, claro, podes sempre, vocês podem sempre, vivem da boca para fora, impingem sentimentos como quem impinge electrodomésticos, exigem que a gente os compre pelo vosso preço e, francamente, o vosso preço, neste caso o teu preço, não me interessa um fósforo, experimenta dentro de vinte minutos e talvez eu torne a ser parva e te oiça e acredite em ti e compre como tenho comprado até hoje, põe a mão na consciência e repara como tenho comprado até hoje mas neste momento nem sonhes, não posso, não me apetece, não quero, deixa-me sossegada um bocadinho, não me venhas com histórias que não engulo nenhuma, preciso de pensar, de tentar entender, de tentar entender-me, não insistas que me incomoda insistires, não te tornes aborrecido, não te tornes peganhento, vou cortar a chamada, não posso falar e, se pudesse falar, não respondia o que querias, não dizia o que te apetece que eu diga, o que ordenas, sem ordenar, que eu diga, a tua maneira de dares a voltinha às coisas, de me levar à certa, de me fazeres prometer o que jurei a mim mesma não prometer, não posso falar e é tudo, sinto-me tão vulnerável, tão frágil, não me obrigues a abrir a boca, a chamar-te querido, a chamar-te amor e a ser sincera ao chamar-te querido, ao chamar-te amor, não tenho ganas de ser sincera nem de acreditar em ti nem de esquecer tudo o resto, eu querido, eu amor e tu a rires-te por dentro visto que vocês se riem sempre por dentro, vocês para os amigos

- Claro que a gaja engoliu

vocês para os amigos
- A gaja engole sempre

e acontece que a gaja não engole agora, a gaja recusa engolir agora, acontece que a estúpida da gaja percebe tudo agora, vai à fava, larga-me da mão e vai à fava, acaba com a vozinha quente, acaba com os argumentos idiotas que a gaja não está no papo, está muito longe de estar no papo, os teus amigos

- O que sucedeu à tua palheta?

e sucedeu que a tua palheta já não vale um chavo, não vais lá com palheta, não vais lá com juras, promessas, arrependimentos, não vais lá com diminutivos, não me peças colo, não armes ao pingarelho a pedir colo, fala-lhe ao coração que a gaja amolece e no caso não amolece nem meia, nem é questão de amolecer, aliás, amolecer o quê, acreditei enquanto resolvi acreditar e acabou-se, não acredito mais, não faças partes gagas, não mintas, olha, para usar os vossos termos vai à merda, não ligues daqui a vinte minutos sequer, não ligues mais, se ligares não atendo, se te pendurares da campainha da porta não abro, se falares com o meu irmão

- Eh pá põe-na mansa

mando-o às malvas num rufo, aguenta como um homenzinho e cala-te, que é feito da tua autoridade, que é feito do teu orgulho, não rastejes que me fazes dó, aguenta-te nas canetas, cresce, se aos quarenta anos não cresceste quando é que vais crescer, não cresces, continuas uma criança, vocês todos hão-de ser sempre crianças, não aprendem, estou farta, filhos já eu tenho que cheguem, maridos, fora este, dois iguais a ti que não me interessa onde param, raios vos partam a todos, não dou mais dinheiro a ganhar a psiquiatras, não vou andar por aí a tropeçar nas coisas derivado aos calmantes, apetece-me paz, entendes, sossego, entendes, nem sonhes em pendurares-te em mim, tentares enganar-me, meteres-me no bolso, não metes, já meteste, não metes, não necessito de botija de água quente à noite, não necessito de companhia para jantar fora, não necessito de entrar de braço dado seja onde for, não necessito da tua escova de dentes no copo do lavatório nem que me consertes seja o que for em casa, a gaja não engole sempre, a gaja não engoliu, a gaja nunca mais vai engolir, pelo menos de ti a gaja nunca mais vai engolir, vou desligar isto e deixá-lo no silêncio e, por favor, não me inundes de mensagens, não me inundes de recados, não me faças esperas, não argumentes, não teimes, some-te, que alívio ver-te pelas costas, ouvir falar de ti como de um estranho, nem fazer ideia onde moras, espero que longe e daí tanto me faz, quero lá saber se longe ou perto, não te desejo que sejas feliz, como poderias ser feliz, és parvo, ouviste bem, és parvo, enfia isto na tua cabeça, és parvo de nascença e adeuzinho que agora não posso falar, ainda por cima com o meu marido a meter a chave à porta, aprende a respeitar as senhoras casadas, não lhes cries situações que as embaraçam, some-te, se desejares, mas só se desejares muito, muito mesmo, do coração, encontras-me amanhã no escritório a partir das dez horas.


António Lobo Antunes

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Portugal - The beauty of simplicity | HD Portugal Promotional Tourism Fi...

Caminhando no teu corpo




Alucinação.
Gotas do teu suor banhava meu corpo nú.
Nossas linguas conversavam alucinadamente
Arrepios de desejo

Teu olhar invadindo meu íntimo
Gemidos, desejos, loucuras
Teu cansaço liquido me toca
Deita teu corpo no meu

Tomo teu corpo.
E na louca vontade do prazer
Perdi o rumo, saí do centro
Me aventurei  no teu desejo

O que me resta 
É beber do teu prazer 
Sentir tua humidade
E esquivar-me dos gemidos que vêm a minha boca.

Tua respiração ofegante,
Eu ouço distante..
Porque tua invasão no meu corpo
Transporta-me para além da loucura.

Elmo Serra

Me fez atrevida, Me fez bandida



"Apaga minha fogueira
Desça minhas ruas
Procure-me, me encontre e me encante
Explores meus vales, becos, picos e cume
Não há perigo em chegar
Não sou metade, não sou pedaço...sou inteira
Moleca sapeca, menina faceira
Rola comigo na cama, incendeia
Você ressurge como lobo faminto
E na fonte da adolescência madura
O sonho acontece!
Sinto-te além do olhar
Sangro tua pele com minhas garras
Cravo os dentes no teu peito
Tua mão invade...
Estou oferecida, estou safada
No teu corpo, virei bandida
Todos os delitos quero cometer
Amar, beijar, sugar, entrar
Desbravar ...sentir....gozar
teu corpo tatuar
E novamente voltar"

Hoje não!!!




"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquilhagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons académicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das acções violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso para descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras!"

Ana Jácomo

Prece diária!





"Não quero viver como uma planta que engasga e não diz a sua flor. Como um pássaro que mantém os pés atados a um visgo imaginário. Como um texto que tece centenas de parágrafos sem dar o recado pretendido. Que eu saiba fazer os meus sonhos frutificarem a sua música. Que eu não me especialize em desculpas que me desviem dos meus prazeres. Que eu consiga derreter as grades de cera que me afastam da minha vontade. Que a cada manhã, ao acordar, eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa.

Não quero olhar para trás, lá na frente, e descobrir quilómetros de terreno baldio que eu não soube cultivar. Calhamaços de páginas em branco à espera de uma história que se parecesse comigo. Não quero perceber que, embora desejasse grande, amei pequeno. Que deixei escapulir as oportunidades capazes de bordar mais alegrias na minha vida. Que me atolei na areia movediça do tédio. Que a quantidade de energia desperdiçada com tantas tolices poderia ter sido útil para levar luz a algumas sombras, a começar pelas minhas.

Que eu saiba as minhas asas, ainda que com medo. Que, ainda que com medo, eu avance. Que eu não me encabule jamais por sentir ternura. Que eu me enamore com a pureza das almas que vivem cada encontro com os tons mais contentes da sua caixa de lápis de cor. Que o Deus que brinca em mim convide para brincar o Deus que mora nas pessoas. Que eu tenha delicadeza para acolher aqueles que entrarem na roda e sabedoria para abençoar aqueles que dela se retirarem.

Quero ter cuidado para não soltar a minha mão da mão da generosidade, durante o percurso. E, quando soltá-la, pelas distracções causadas pelo egoísmo, quero ter a atenção para sincronizar o meu passo com o dela de novo. Quero ser respeitosa com as limitações alheias e me recordar mais vezes o quanto é trabalhoso amadurecer. Quero aprender a converter toda a energia disponível às mudanças que me são necessárias, em vez de empregá-la no julgamento das outras pessoas.

Que as dificuldades que eu experimentar ao longo da jornada não me roubem a capacidade de encanto. A coragem para me aproximar, um pouquinho mais a cada dia, da realização de cada sonho que me move. A ideia de que a minha vida possa somar no mundo, de alguma forma. A intenção de não morrer como uma planta que engasgou e não disse a sua flor!"


Ana Jácomo

INCONTÁVEIS VEZES!!!





"Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que tudo começou a ganhar uma cara que, no fundo, eu já conhecia, mas que havia esquecido como era. Comecei a despertar do sono estéril que, com suas mãos feitas de medo e neblina, fez minha alma calar. E foi então que comecei a ouvir o canto de força e ternura que a vida tem.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que ninguém começa a despertar antes do instante em que algo em nós consegue deixar à mostra o truque que o medo faz. Só então a gente começa, devagarinho, para não assustar o medo, a refazer o caminho que nos leva a parir estrelas por dentro e a querer presentear o mundo com o brilho do riso que elas cantam. Só então a gente começa a entender o que é esse sol que mora no coração de todas as coisas. Não importa com que roupa elas se vistam: ele está lá.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a lembrar de onde é o céu e a perceber que o inferno é onde a gente mora quando tudo é sono. Comecei a sair dos meus desertos. E a olhar, ainda que timidamente, para todas as miragens, sem tanto desprezo, entendendo que havia um motivo para que elas estivessem exatamente onde as coloquei. Nenhum livro, nenhum sábio, nada poderia me ensinar o que cada uma me trouxe e o que, com o passar do tempo, continuo aprendendo com elas. Dizem que só é possível entendermos alguns pedaços da vida olhando para eles em retrospectiva. Acho que é verdade.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a compreender o respeito e a reverência que a experiência humana merece. A me dar conta de delícias que passaram despercebidas durante um sono inteiro. E a lembrar do que estou fazendo aqui. Ainda que eu não faça. Ainda que os vícios que o sono deixou costumem me atrapalhar. Ainda que, de vez em quando, finja continuar dormindo. Mas não tenho mais tanta pressa. Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo. Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim. Eu sou a viajante e a viagem.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a querer brincar, com uma percepção mais nítida do que é o brinquedo, mas também com um olhar mais puro para o que é o prazer. A ouvir o chamado da minha alma e a querer desenhar uma vida que passe por ele. A assumir a intenção de acordar a cada manhã sabendo para o quê estou levantando e comprometida com isso, seja lá o que isso for, porque, definitivamente, cansei de perambular pelos dias sem um compromisso genuíno. E comecei a gritar por liberdade de uma forma que me surpreendeu. Antes eu também gritava, mas o medo sufocava o grito para que eu não me desse conta do quanto estava presa.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a desejar menos entender de onde vim e a desejar mais aprender a estar aqui a cada agora. Só sei que descobri que a solidão é estar longe da própria alma. Que ninguém pode nos ferir sem a nossa cumplicidade. Que, sem que a gente perceba, estamos o tempo todo criando o que vivemos. Que o nosso menor gesto toca toda a vida porque nada está separado. Que a fé é uma palavra curta que arrumamos para denominar essa amplidão que é o nosso próprio poder.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que não importam todos os rabiscos que já fizemos nem todos os papéis amassados na lixeira, porque todo texto bom de ser lido antes foi rascunho. E, por mais belo que seja, é natural que, ao relê-lo, percebamos uma palavra para ser acrescentada, trocada, excluída. A ausência de uma vírgula. A necessidade de um ponto. Uma interrogação que surge de repente.
 Viver é refazer o próprio texto muitas, incontáveis, vezes.
Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. O que sei é que não quero aquele sono outra vez!" 

ANA JÁCOMO

Sade - By Your Side




By Your Side
Sade


You think I'd leave your side baby?
You know me better than that
Think I'd leave you down when you're down on your knees?
I wouldn't do that.
I'll tell you the right when you want...
I'll, I'll find the wound, if only you could sink into me...
Oh when you´re cold I'll be there, hold you tight to me
When you´re on the outside baby and you can't get in
I will show you, you're so much better than you know
When you're lost, when you're alone and you can't get backagain
I will find you darling and I'll bring you home
And if you want to cry I am here to dry your eyes, oooo...
In no time you'll be fine.....
You think I'd leave your side baby?
You know me better than that.
Think I'd leave you down when you're down on your knees?
I wouldn't do that
I'll tell you the right when you want...
I'll, I'll find the wound, If only you could sink into me....
Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.
Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby, by your side baby.
Oh when you´re cold I'll be there to hold you tight to me, to me baby.
Ohh when you´re alone I'll be there by your side baby.

Orgasm During Childbirth





Finalmente...começa a ENTENDER-SE o que significa Dar à LUZ.

Pablo Alborán - Perdóname (con Carminho)





Portugal e Espanha juntos para a conquista do Mundo e mostrarmos a força Ibérica em todo o seu esplendor histórico e cultural...tal como já o fizemos, mas separados, agora JUNTOS!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ah, o desapego!...




A acreditar no dicionário, 'desapego' é indiferença, é desinteresse, é desamor, é abandono.
Mas então porque será que tanta gente apregoa e enaltece o desapego, como condição sine qua non para acabarmos com os dilemas, com as angústias, com as sensações de posse e de controlo, com o sofrimento?

Como é que se pratica o desapego sem cair na indiferença?
Sem cultivar o desinteresse?
Sem regredir ao desamor?
Sem votar nenhum ser ao abandono?

Ou a definição no diccionário não está certa e 'desapego' é outra coisa, ou andamos, simplesmente, a negar a nossa essência. qualquer árvore, para crescer, tem de se apegar  à terra, pois é lá que se enraíza.
O que seria se uma árvore, possuída pela nossa humanidade, decidisse que o seu apego à terra, afinal, era perverso?...
Como seria se, possuídos pelo espírito das árvores, nos permitíssemos apenas crescer como elas crescem?
Enraízarmo-nos na terra, sem indiferença pelo sol, sem desinteresse pela chuva, sem desamor por quem se abraça ao nosso tronco ou vem colher dos nossos frutos, sem abandonar a esperança de um dia tocar no céu e co-criando a existência juntamente com o todo?

Como será se o 'desapego', num diccionário equivocado de emoções, nos criar essa ilusão de 'independência' e nos 'desconectar' do todo?...


Inês de Barros Baptista



Resposta de António Rosa:

"Não é comparável o 'desapego' que fala com o desapego de uma árvore à terra onde deita as raízes. Podemos e devemos 'desapegar' sem cairmos nesse abandono, nesse desamor.

'Desapego' só é possível quando, continuando a existir 'amor' e 'ternura', e estando reunidas as condições necessárias, não se verificar mais o controle. Do outro ou da coisa.

'Desapego' não significa perder o contacto, afastamento, desenraizamento. Significa sim, encontrarmos o nosso próprio espaço sem que esteja a controlar coisa alguma.

Quando esse 'desapego' nos desconecta do todo, será outra coisa qualquer, talvez o início de duas possibilidades: um misticismo sem jeito ou a preparação metafísica para o desencarne.
Já passei por este último caso."


fifty fifty




Andamos todos empatados numa 'luta' de metades, provavelmente a ver quem ganha, como  se a vida fosse um jogo ao qual assistimos da 'bancada', ou simplesmente a rasgar mais fundo ainda a visão de um Ser único e inteiro, todo ele feito de amor.

Não sei desde quando é que nos mentem, mas desconfio que é desde sempre e que esta ideia de que somos divididos à nascença se infiltrou com tanta força em todos nós que nos custa a admitir que não há um lado bom e um lado mau, um lado certo e um lado errado, um lado luz e um lado sombra. é TUDO o mesmo lado, TUDO um só lado, TUDO a mesma coisa.

Reza a nossa humanidade que o espírito, ao descer sobre a matéria, não só a anima, como cede e se ajusta à densidade e que desse cruzamento vêm todos os dilemas.
E então tudo o que é de carne e osso vai servindo de desculpa e de pretexto, quando se trata de elevar a frequência, a consciência, a vibração do puro amor que TUDO é, que somos TODOS.

A mentira da dualidade - que nos contam desde sempre - virou verdade e álibi para os nossos actos. Mesmo sabendo que é mentira, facilita-nos a vida transformá-la na verdade.
Facilita-nos a vida alegar 'não chego lá', argumentar 'não sou capaz', dizer 'não estou disposto', inventar 'hoje não consigo'.
Facilita-nos a vida o fifty fifty, esta divisão em dois, permitindo que as metades sejam cúmplices e que uma desculpe a outra.

E assim andamos todos, empatados e empatando a vida toda, à proporção de um fifty fifty que perpetua a ilusão desta existência de metades e que até faz com que nos pareça justa, de tão bem equilibrada, e à qual ninguém pode escapar, enquanto por aqui andar, com o corpo às costas... de um lado o lado 'bom', do outro o lado 'mau', e nós próprios dividindo a nossa essência, como se fosse divisível, entre o que é luz e o que é de sombra, entre o que é 'certo' e o que é 'errado', entre o peso e a leveza, entre o espírito e a matéria, entre o desejo de acordar  para um dia único e a vontade de ir dormir, todas as noites, a ouvir mitos e lendas...  nós - todos! - pactuando na mentira, talvez na maior de todas, de que há  uma escolha para fazer entre um e outro. mas entre um e outro quê se é tudo o mesmo?
Se é tudo cem por cento e não há nada dividido?
É tudo INTEIRO e ÚNICO, tudo AMOR e tudo AGORA.


Inês de Barros Baptista

SLEEP

Uuuuuffff

I Believe I can Fly ( flight of the frenchies). Trailer from sebastien montaz-rosset on Vimeo.

A Dangerous Method (2011) Official Trailer - Keira Knightley & Michael F...

Melancholia - Trailer





Lars Von Trier is back with his new film, officially premiered in Cannes 2011. Described as "A beautiful movie about the end of the world", MELANCHOLIA tells the story pf two sisters (Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg), who find their relationship challenged as a nearby planet threatens to collide into the Earth.

Melancholia Prologue





Simplesmente genial. Uma metáfora brilhante do que são as relações doentias e todas as suas consequências no mundo interno de cada um. Colisão de mundos internos e não, como por aí têm dito, colisão de planetas que origina o fim do mundo. Nunca um filme desta dimensão se centraria numa narrativa tão banal e simplória.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Aprendiz de Sonhador



Aprendiz de Sonhador (What's Eating Gilbert Grape)
1993

Directed by Lasse Hallström

Johnny Depp : Gilbert Grape


Neste emocionante filme do aclamado Lasse Hallstrom (Regras da Vida), Leonardo DiCaprio recebeu a sua primeira indicação ao Oscar, e Johnny Depp se consagrou como astro de Hollywood.
A história passa-se numa cidadezinha de interior idílica, onde vive Gilbert Grape, um adolescente aparentemente comum (Depp) que sustenta a família desde a morte do pai.
O peso não é para qualquer um: além das irmãs excêntricas, do irmão deficiente mental (Leonardo DiCaprio), inclui a mãe obesa, que não pára de comer desde a morte do marido.
Mas a chegada de uma jovem forasteira (Juliette Lewis) dará a Gilbert, a possibilidade de pela primeira vez fazer suas escolhas.