segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Melancholia Prologue
Simplesmente genial. Uma metáfora brilhante do que são as relações doentias e todas as suas consequências no mundo interno de cada um. Colisão de mundos internos e não, como por aí têm dito, colisão de planetas que origina o fim do mundo. Nunca um filme desta dimensão se centraria numa narrativa tão banal e simplória.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Aprendiz de Sonhador
Aprendiz de Sonhador (What's Eating Gilbert Grape)
1993
Directed by Lasse Hallström
Johnny Depp : Gilbert Grape
Neste emocionante filme do aclamado Lasse Hallstrom (Regras da Vida), Leonardo DiCaprio recebeu a sua primeira indicação ao Oscar, e Johnny Depp se consagrou como astro de Hollywood.
A história passa-se numa cidadezinha de interior idílica, onde vive Gilbert Grape, um adolescente aparentemente comum (Depp) que sustenta a família desde a morte do pai.
O peso não é para qualquer um: além das irmãs excêntricas, do irmão deficiente mental (Leonardo DiCaprio), inclui a mãe obesa, que não pára de comer desde a morte do marido.
Mas a chegada de uma jovem forasteira (Juliette Lewis) dará a Gilbert, a possibilidade de pela primeira vez fazer suas escolhas.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
'és a mulher da minha vida'
'és a mulher da minha vida'
diziam-lhe eles.
primeiro um, depois o outro, e ela crendo que chegava e que sobrava, ser a mulher da vida de outro, a eleita para ser a mais amada, desejada, idolatrada, testemunhando de que forma, primeiro um, depois o outro, lhe acudiam aos caprichos e, com a paciência dos santos, lhe aturavam as manias, desculpando-lhe as ausências, perdoando e relevando a balança que oscilava no seu peito e que ora a fazia querê-los, ora queria abandoná-los, porque não se amava a amá-los.
foram anos neste jogo. aceitou-os, primeiro um, depois o outro, por achar que a primazia era uma benção, acreditando que merecia as atenções que lhe votavam, mesmo que não compreendesse de onde lhes vinha aquela ideia de a amarem quase mais do que a si mesmos, nem a pieguice tonta de lhe dizerem, uma e outra e outra vez, que sem ela a vida não teria a mesma graça.
educada a ouvir histórias de fadas, e a criar, ela própria, os seus enredos maravilha, acreditava que somente um grande amor ia salvá-la das agruras e das ânsias de uma mortal existência. esse grande amor da vida, que via chegar nos filmes montado num cavalo branco, principesco, encantador, o mais perfeito dos seres onde veria, finalmente reflectida, a sua própria perfeição, iria chegar um dia para a tornar, mais uma vez, na mulher da vida dele. e nem sequer a evidência de que a mulher da sua vida tinha de ser ela própria a demoveu de procurar o amor fora.
e foi assim que chegou à sua vida aquele que mais lhe pareceu um princípe, mesmo sem o cavalo branco e o manto da realeza, lá embicou que devia ser aquele, nem ela sabe bem porquê. mas remexia-lhe as entranhas e afogava-a num sufoco que nunca tinha sentido e, sobretudo, teve a decência de não lhe dizer nenhuma vez
és a mulher da minha vida.
talvez por isso, desatou a amá-lo tanto que, de novo, se esqueceu que a mulher da sua vida tinha de ser ela própria e caíu no mesmo logro em que, primeiro um, depois o outro, já tinham caído em tempos e fez dele o homem da vida dela. acudia-lhe aos caprichos e, com a paciência das santas, aturava-lhe as manias, desculpava-lhe as ausências, perdoava e relevava a inconstância no seu peito, mesmo que, secretamente, ansiasse pelo próximo, pois nunca estava contente: desta vez, pela injustiça de não ser a mulher da vida dele, e usando essa desculpa para fugir de vez em quando.
qual não foi, então, o espanto, quando o próximo chegou num dia em que se olhava ao espelho. tão igual a ela própria que quase o mandou embora, afinal não tão perfeito como sempre imaginara, não era homem sequer e muito menos principesco. mas trazia-lhe de dentro aquilo que há anos procurava fora dela e, por isso, não quis crer, já que isso invalidava a história maravilhosa, onde um ele e uma ela se uniam para compor a felicidade, como se de duas metades se tratasse.
e, no entanto, em frente ao espelho, e a haver metade, era uma metade dela e nenhum ele, nem inteiro nem pela metade, para ceder aos seus encantos, nenhum ele para a tratar com primazia, nenhum ele para fazer papel do princípe, nenhuma pieguice tonta, mais ninguém para além dela a pedir-lhe um longo abraço e não foi logo que acedeu estender-lhe os braços. resistiu sempre que pôde e ainda evita esse contacto, quando as histórias são mais fortes que a presença, quando o mito cor-de-rosa é mais forte que o amor. ele + ela = felizes para sempre.
provavelmente, ainda não é a mulher da sua vida e, no entanto, foi o amor que sentiu maior que tudo ao amar outro que fez com que empreendesse o resgate de si mesma. se vai ou não vai ser salva, dependerá do quanto, ao espelho, for acedendo a abraçar-se por inteiro, cada vez com menos medo de afinal não ser perfeita.
Inês de Barros Baptista
cada um é o milagre em si
Há quem veja o milagre como uma prece ouvida por Deus, eu diria que é antes Deus expressando-se em nós. durante anos e anos fizeram-nos crer que era Deus lá em cima no céu e nós cá em baixo na terra e que re-ligar uns e outro exigiria a uns sacrifício e ao outro misericórdia - para além de uma série de dogmas com que se disciplinaram as práticas religiosas, um pouco por todo o mundo. nunca estivemos tão longe de podermos ser UM e o mesmo como durante esses tempos, em que acreditámos que o céu e a terra não eram um só e que a redenção era a justiça divina para a resistência, ou mesmo a recusa, aos nossos pecados mortais.
Se no princípio era o Verbo, o som puro, depressa nos apropriámos dos seus timbres ocultos para transformar em palavras o que ele apenas intuía, soprando.
E foi assim, acredito, que fomos gerando tantos equívocos. o milagre deixou de respirar das nossas entranhas - como hoje ainda respira das entranhas dos bichos, das árvores, das pedras, dos rios - para se tornar num pedido a algo ou a alguém fora de nós. de co-criadores, passámos a seres criados à semelhança de Deus, sendo porém maiores as diferenças que nos separam do que as semelhanças que nos consubstanciam numa essência comum.
Como se não nos bastasse esse logro, inventámos ainda que Deus não era um e o mesmo para todos e demos-lhe designações consoante a nossa cultura, a nossa história, os nossos mentores e, sobretudo, os nossos medos. e as re-ligações do que afinal sempre esteve ligado - ou as religiões que nos separaram do Todo - enraizaram em nós esta crença profunda de que temos de nos esforçar, de nos sacrificar, de carpir muito e de ser muito bondosos para podermos merecer a presença de Deus nas nossas vidas.
Querer é um delito da mente, mas crer é um deleite do espírito.
Querer que o santo nos cure, que Nossa Senhora nos traga alívio para as dores, que o Buda nos ilumine, que Alá nos receba de braços abertos, que os anjos nos guardem de todos os perigos não é mais, afinal, do que recusar assumir e expressar esse milagre que cada um é para o transformar no pedido de que algo ou alguém realize o nosso desejo mais íntimo: sermos, à semelhança de Deus, co-criadores do Universo e da Vida.
Assim como a culpa dos males que nos atingem não é de terceiros, também a graça dos bens que colhemos não se fica a dever a benesses alheias.
Não creio sequer que possamos falar de bens e de males como se fossem matérias distintas, mas antes frequências da mesma espiral de energia, todas elas presentes em nós - e em Deus.
Não posso sequer garantir que faça um milagre maior o que aspira às alturas e sobe ou se é, afinal, o que desce aos abismos e mergulha no escuro o que verdadeiramente transmuta as sombras em luz.
De uma coisa, porém, tenho a certeza: cada um é o milagre de si, sempre que crê ser parte do todo e se cura e se alivia das dores e se ilumina e se recebe de braços abertos e se resguarda dos perigos que o medo lhe impõe.
O resto são histórias que nos contaram, mas nas quais é urgente repor a verdade: não, não há quem faça milagres por nós!
Inês de Barros Baptista
Resposta de Francisco: Com efeito, o milagre de cada um de nós é a evolução da sua própria consciência. E estamos sozinhos nessa busca, ninguém nos pode ajudar. Quem diz que sabe, não sabe. O que julga saber ou sentir foi algo que lhe foi ensinado, ou que leu num livro. Se procuramos consolo, podemos encontrá-lo numa filosofia, numa "religião", numa qualquer auto-mistificação, existem muitas coisas que nos põem a dormir...mas a Verdade é algo diferente, a alegria de Ser tem outro movimento. Porque buscamos e erguemos autoridades nesse caminho? O que o outro diz não é a nossa vida. Eu acredito que procurar luz nos outros, sem nos conhecermos primeiro, é muito nocivo. Quando assim é, revelamos apenas um profundo sintoma de insegurança. Se não compreendemos essa insegurança primeiro, é inútil seguir ou não seguir alguém, não concorda? Como seria bom que entendêssemos, que não é a "corte celestial" que é importante, porém este mundo onde estamos,impermanente, com as suas misérias e grandezas, com as nossas relações instáveis uns com os outros...se pudéssemos começar por ai...em vez de suspirarmos pelo além? Sem a compreensão da nossa vida, a promessas da "religião" serão sempre um mito, um romantismo inventado pelos nossos pensamentos inquietos em busca de segurança, não acha?
Gostei também da sua referencia à ideia equivocada que normalmente temos do "bem" e do "mal" que nos acontece. Parece-me pessoalmente, que o mal não existe de maneira alguma. Só existem diversas concepções do bem. Não creio sinceramente, que gostemos do mal, que o pratiquemos de forma consciente. Cada um age para servir o bem da forma como o entende. O que devemos compreender é que cada um entende esse bem de maneiras diferentes, sob inúmeras condicionantes, sobretudo morais. Por vezes acredito que o bem é o que nos ajuda a re-ligar, e o mal o que nos desvincula?... Seja como for, sinto nisso um movimento único, como o das marés. Compreender essa aparente "dualidade", vive-la, parece-me ser o único instrumento valido de evolução, o único capaz de nos fornecer um "milagre" nas nossas vidas.
O equivoco da responsabilidade....
Estamos a atravessar um momento crucial na viragem do tempo, onde nos está a ser pedido um alinhamento com a nova Verdade....
Uma nova consciência do nosso verdadeiro Poder.... onde devemos nos centrar no propósito inteligente de cada momento na nossa vida...
A responsabilidade das escolhas que estamos a fazer a cada momento... tomarmos as rédeas de nossa vida....
O que já não quero....
O que agora quero....
Como posso mudar....
O que fazer para mudar....
Escolhas e direcções novas....
É de nossa responsabilidade mudar.... não dos outros....
Ao nivel do inconsciente, muitos respondem a este impulso culpabilizando os "outros".... exigindo.... reclamando.... fazendo sentir o fora a "culpa".... projectando a mudança nos outros, para que assim possam mudar....
Só a Nós cabe a mudança....
É essa a nossa responsabilidade....
Tudo está a acontecer na nossa vida para que possamos mudar...
esteja atento...
Não culpem o fora....
Mudem... e tudo mudará...
Não se fechem numa bolha... esperando que passe.... pois não passará...
Esperando que a Vida traga o vosso sonho um dia.... sem que nada façam...
Pois o milagre é nosso...
Ousem mudar...
Ruth Fairfield
Segurança versus controle....
Nesta nova etapa de evolução teremos que nos permitir olhar cristalinamente... sem medo... todas as nossas necessidades de segurança.... tendo segurança como base inteligente a busca de tranquilidade ... serenidade... bem estar...
Por ordem natural de crescimento evolutivo teremos que observar dentro de Nós as mecanicas de controle do exterior para que assim tenhamos as necessidades preenchidas... Podem ser desde o mais subtil controle.... ao mais flagrante...
Quando necessitamos que o outro valorize da mesma forma que Nós o momento... onde nos calamos para tentar manter uma falsa harmonia.... onde exigimos ao outro que se comporte como nos daria segurança...
O ser humano está formatado a um sem numero de necessidades manipulativas para que se sinta seguro... são atitudes inconscientes e onde poderemos observar sempre algo em comum a todas as situações... tentativa de mudar o outro.... e assim satisfazer um sem numero de necessidades emocionais que dependem da mudança do outro...
Por muito que queiram manter essas formas inconscientes de controle, já não é possivel...
A nova etapa de evolução leva-nos a um olhar real de Nós e a responsabilização de cada experiência que ao nosso encontro vem ...
Por séculos e séculos podemos experienciar o controle e a manipulação e como tal está plasmado celularmente esses comportamentos, mas o momento de viragem terá que ser acompanhado em consciência de uma nova realidade...
A mudança requer que saibamos primeiro... que temos todos esses registos... e que é bom e salutar olhá-los... não estamos errados e muito menos somos algo feio... era a realidade daquela etapa e a forma de podermos contactar com a primeira fase do aprendizado do Amor...
Amor por posse....
Posse de valores...
Posse de matéria...
Posse de sentimentos....
Agora vamos iniciar o estágio do Amor em liberdade...
Para tal teremos que observar onde ainda não somos livres... onde dependemos de uma série de necessidades de que o fora nos dê para assim nos sentirmos seguros... em Paz....
Onde não damos a liberdade ao outro de ser quem ele ainda escolhe ser....
Para um dia sermos livres... teremos que ver onde ainda não somos....
Para um dia a Paz reinar dentro de Nós... independentemente do caos do fora.... para sermos livres de ser sem manipulações e anulamos de nossa identidade... teremos que iniciar um ciclo novo de verdade....
És feliz?....
Não?...
Porquê?...
O que te impede?...
Irão ao longo deste novo tempo perceber algo... a maior parte das vezes somos nós que nos auto manipulamos.... tendo a ilusão que assim estamos em Paz.... e temos tudo sob controle...
e felizes somos?...
Controlamos o fluxo natural dos acontecimentos por toda uma serie de justificativas racionais e muito bem estruturadas....
Ousa deixar que a ordem natural siga.... e te guie....
Os campos perversos de auto manipulação são interminaveis....
Então olhemos para dentro e façamos as perguntas reais....
Qual a minha mudança a cada momento... para que possa ser finalmente EU...
Ruth Fairfield
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Dalai Lama
"Nós somos visitantes neste planeta.
Ficamos aqui por noventa, cem anos no máximo.
Durante este tempo, deveríamos tentar fazer alguma coisa boa, fazer algo útil com as nossas vidas. Tentar estar em paz consigo mesmo, e ajudar os outros a compartilhar desta paz.
Se contribuir para a felicidade de outras pessoas, encontrará a verdadeira meta, o verdadeiro sentido da vida."
Dalai Lama
Escuchar y ver el amor...
"Escuchar y ver el amor............
Hay momentos en que somos tímidos para expresar el amor que sentimos, por temor a avergonzar a la otra persona o avergonzarnos nosotros mismos, dudamos de decir "Te quiero" y tratamos de comunicar la idea en otras palabras.
Decimos "Cuídate", "No manejes rápido", "Pórtate bien", etc. Pero realmente, estas son diferentes maneras de expresar "Te quiero", Eres importante para mí", "Me importa lo que te suceda", "no quiero que estés mal". A veces somos muy extraños. La única cosa que queremos decir y la única cosa que debemos decir, es la única que no decimos. Y aún así, porque el sentimiento es real y la necesidad de decirlo es tan fuerte. Usamos otras palabras y signos para expresar lo que realmente queremos decir.
Debemos escuchar el amor en las palabras que otras personas nos dicen. Un apodo dicho cariñosamente aporta mayor afecto y amor que los sentimientos que son expresados en manera poco sincera. Un abrazo o un beso impulsivos dicen "Te amo", aún cuando las palabras digan algo diferente. Cualquier expresión de preocupación de una persona por otra dice "Te quiero".
Decimos "Te amo" de muchas maneras: con regalos de cumpleaños, y con notitas dibujadas, con sonrisas y a veces con lágrimas. A veces mostramos nuestro amor cuando nos mantenemos en silencio, sin decir una palabra, a veces incluso hablando bruscamente. A veces demostramos nuestro amor a través de la impulsividad. Muchas veces tenemos que demostrar amor perdonando a alguien que no ha escuchado el amor que hemos tratado de expresar.
No es la presencia o la ausencia de la gente lo que hace la diferencia, porque una persona puede no estar solitaria aún cuando esté sola. Algunas veces es bueno estar solo. Pero eso no nos hace solitarios. No es un asunto de ESTAR presente con alguien. El asunto es estar presente PARA alguien.
Así que recuerda: si amas a alguien díselo. Recuerda siempre expresar lo que sientes. Nunca tengas temor de expresarte a ti mismo. Aprovecha esta oportunidad para decirle a alguien lo que significa para ti. Aprovecha el día y no tengas reparos. La diferencia entre expresar amor y los rencores, es que los rencores a veces perduran más. Cuanto amas se puede medir por cuanto das............ o en otras palabras, en la misma medida de apertura en la cuál das, en esa misma medida recibes."
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
ah ah ah ah
Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.
- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho...
Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira.
Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
- E aí, papai?
- Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".
- E vocês? Não perceberam nada?
- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
- Aí, veio o golpe mundial?!?
- Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...
- Como era mesmo o nome dele?
- William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
- Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...
- Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...
- Pai, conta mais...
- Bem filho... O resto você já sabe.
Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros...
A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...
E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
- TPM???
- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...
- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
- Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...
Luis Fernando Verissímo
ESCOLHA SER FELIZ!!!
"Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.
Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice.
O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos:
ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói.
Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive.
No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana.
Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.
Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas.
Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde.
Até aí, conta-se com a providência divina.
O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.
Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.
A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe.
Tem gente que é infeliz porque tem um câncer.
E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial.
Os que têm câncer não têm sorte.
Mas os outros, sim, têm a sorte de optar.
E estes só continuam infelizes se assim escolherem!"
Martha Medeiros
E SÓ!
“Vai menina, fecha os olhos.
Solta os cabelos.
Joga a vida.
Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo.
Molha os pés na poça.
Mergulha no que te dá vontade.
Que a vida não espera por você.
Abraça o que te faz sorrir.
Não espere.
Promessas, vão e vem.
Planos, se desfazem.
Regras, você as dita.
Palavras, o vento leva.
Distância, só existe para quem quer.
Os olhos se fecham um dia, para sempre.
E o que importa você sabe, menina.
É o quão isso te faz sorrir.
E só.”
COMPREENDES???
"Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurinas que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo! Deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco... "
"É difícil me iludir, porque não costumo esperar muito de ninguém. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça. Não atendo o telefone, se não estou com vontade de conversar!"
"Um dia tu vais compreender, que não existe nenhuma pessoa totalmente má, nenhuma pessoa completamente boa. Tu vais ver, que todos nós somos apenas humanos. E sofrerás muito, quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí sim, todos te virarão as costas e te acharão mau, por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?"
Caio Fernando Abreu
Ternura
"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura...
Essa intimidade perfeita com o silêncio...
Resta esse sentimento de infância, subitamente desentranhado de pequenos absurdos, essa capacidade de rir à toa.
Resta essa distracção, essa disponibilidade, essa vagueza de quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é, (...) e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto, esse eterno levantar-se depois de cada queda, essa busca de equilíbrio no fio da navalha, essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens."
VINÍCIUS DE MORAES
O Curioso Caso de Benjamin Button
"Nunca é tarde demais, ou cedo demais, para ser quem você quer ser.
Não há limite de tempo.
Comece quando quiser.
Mude ou continue sendo a mesma pessoa.
Não há regras para isso.
Você pode tirar o máximo proveito ou o mínimo.
Espero que tire o máximo.
Espero que veja coisas surpreendentes.
Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes.
Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente.
Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe.
E se não se orgulhar dela, espero que encontre forças para começar tudo de novo. ’’
Trecho do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”
carta que Benjamin escreveu para a filha...
Cena quase no fim, quando ela lê o diário do pai, ao lado da mãe à beira da morte...e descobre que é filha do Benjamin.
Sonhar
"Eu vou nomeando meus sonhos um por um.
Colocando metas, fazendo projectos, com os dedos cruzados e minhas melhores vibrações.
Claro que eu me frustro, faz parte da vida.
Mas meu chão eu fiz de mola.
Posso cair todos os dias, mas o resultado da minha queda é o impulso!"
Fernana Gaona
É ASSIM...
"Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
(..) Desassossegados têm insónia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta ideia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.
Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.”
Martha Medeiros
O Amor de Saramago
"Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas.
O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor. Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo.
Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo.
Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério".
José Saramago
in, "Revista Máxima, Outubro 1990"
Só quem caminha...
"Somente quem caminha sabe o valor, o tamanho, a conquista, de que é feita a história de cada único passo.
Há quem pare no meio da estrada e se enrede no suposto cansaço que mente o medo de prosseguir.
Há quem corra tão freneticamente de si mesmo que nem percebe a paisagem ao seu redor.
Há quem pareça recuar dois passos para cada um alcançado.
No fim das contas, todos avançam, de uma forma ou de outra, ainda que, aos próprios olhos e aos alheios, o avanço seja imperceptível.
E, nos trechos da jornada em que já é possível caminhar com mais atenção, respirando os sentimentos singulares de cada passo, a gente percebe que não há exactamente um lugar onde chegar.
Nós somos o lugar.
A gente percebe que pode aprender a relaxar e a usufruir também da viagem e que essa é forma mais hábil e generosa de avanço.
Não há movimento que se assemelhe àquele que nasce de um coração contente!"
Ana Jácomo
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Unhate Campaign - The film
As fotos da Campanha são infelizes mas, fica o vídeo que, na minha opinião, é o que fica de bom...
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