terça-feira, 26 de setembro de 2023

A verdade Sobre o Sofrimento Humano

 




A vida não é fácil para ninguém e a ignorância é a mãe de todo sofrimento que pode ser curado a partir da verdade (conhecimento).

A negação do sintoma é um obstáculo à cura;

- O que causa sofrimento é a violação dos princípios sistêmicos: pertencimento, compensação e ordem;

- Ao compartilhar segredos com os filhos, os pais violam o princípio da ordem e se enfraquecem;

- Nosso corpo capta e envia informações o tempo todo. Aprendamos a controlar nossos pensamentos e sentimentos;

- “Amadurecer é entender quais tarefas o nosso destino pede de nós e realizá-las”;

- Milagres dependem de nossa submissão, nosso rigor e nossa disciplina;

- Um sintoma é um bom mensageiro. Ele precisa ser ouvido e sua mensagem, atendida;

- Corpo de Dor é a soma da memória traumática com a reação (dispêndio de grande parte da energia vital e criativa) para evitar acessar essas memórias;

- Sendo a morte apenas uma das etapas de existência, nossa contribuição, nosso legado, positivo ou negativo, o que fizemos de bom ou prejudicial, permanece;

- Considerando o tempo sistêmico, passado e futuro se fundem num grande agora onde se manifestam memórias felizes ou traumáticas.


Através dos cinco sentidos comuns – esses que nos ensinam nas escolas – nosso corpo se comunica o tempo todo entre o concreto e o abstrato. Pensamentos e sentimentos nossos circulam como energia no ambiente e influenciam tudo e todos. Manter um ambiente aconchegante, perfumado, minimamente organizado estimula sensações positivas, bem-estar. Da mesma forma,  atentar para as mensagens sonoras, para os ruídos, músicas que promovam calma e paz na alma. 

O que precisa de mudar em nós?
A visão de sofrimento. 
De pensar no sofrimento como vítima e que a solução está numa mudança externa.
Acolher e aceitar o sofrimento com gratidão e perceber nele o movimento que cura.


Olinda Guedes
in, A verdade Sobre o Sofrimento Humano




quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Quem ama também desiste








A vida não é um poema!
A vida é para ser respeitada e valorizada de forma justa. 
Mas por vezes o amor não é justo. 

Por vezes é melhor saber desistir em vez de insistir.

O amor só faz sentido se for a correspondido, pois quando é só alimentado por uma das partes o amor pode não passar de um grande sofrimento onde alguém sai sempre magoado. 

A dúvida acompanha sempre todas as certezas. Nunca nada é certo. 
Há que tomar decisões custe o que custar, mesmo que implique perder. 
Perder é muito duro. 
Tentamos ser racionais com a nossa vida e para quê? 
Ser corajoso implica ouvir o coração!

Por vezes lutamos demasiado, fazemos tudo o que podemos, mas mesmo assim não chega. 
Infelizmente existe uma dor que não se controla e é muito triste quando amamos alguém de verdade e temos de escolher entre ir em frente e deixar, desistir desse amor.

Quem ama também desiste! 
Desistimos por amor. 
Desistimos do que dói, do que nos atormenta, do que nos faz chorar mais do que sorrir… não dá para acionar um botão só quando nos apetece, ou desligar quando não nos convém. 

Por muito que se faça para dar certo, ele só pode dar certo se ambas as partes se empenharem muito no que querem, se empenharem pelo mesmo.

Um Conselho: 
Não deixes para depois o que podes resolver agora…


Filipe Miguel



AS ENERGIAS QUE ATRAÍMOS





O mundo está cheio de eventos pessoas e acontecimentos infinitamente variados. Para muitos o mundo é ainda um espaço caótico sem rei nem regras onde domina a lei do mais forte e o espírito de competição.

Muitos no entanto começamos já a perceber que o mundo é um espaço perfeitamente organizado onde circulam energias inteligentes que fazem atrair à nossa realidade a materialização do que nos vai dentro.

Macro teatros dos nossos micro dramas.

Tanto podemos sair a rua e passar um dia feliz cheio de sinais de amor e magia como dar de caras com a violência a dor e a frustração. E o mais natural é até que tenhamos um cheirinho de ambos pois afinal somos seres duais...

Sem a consciência de que ambas as energias fazem parte da experiencia humana e que ambas existem dentro de nós, vivemos desde sempre instintivamente a ansiar apenas as positivas e a tudo fazer para rejeitar e evitar as negativas.

No entanto, quando começamos a estudar as leis universais e a mecânica espiritual do universo, aprendemos que apenas iremos atrair para a nossa realidade, o que está já previsto como essencial à nossa evolução e ao equilíbrio das dividas Kármicas. O que vem a nós é a vivencias das nossas escolhas nas suas vertentes positivas, negativas, elevadas, inferiores para que tenhamos várias perspectivas das mesmas e podermos assim vivencia-las em todas as suas vertentes.

Tal como no processo homeopático, semelhante irá atrair semelhante.

O fenómeno das notícias e o excesso de informação  com que somos inundados fez-nos perder a noção do que é afinal espelho nosso e o que não é.  Do que é afinal um sinal e proposta pessoal de transformação para a nossa história e o que não tem nada a ver connosco, ou com a nossa história pessoal.

A história espiritual e o percurso da nossa alma têm como propósito a evolução emocional e energética.

Somos então cada um de nós, pacotes de energia magnéticos que irão atrair cada um à sua realidade os eventos e as pessoas essenciais para que essa história se cumpra. Logo, como é óbvio, nem tudo o que vemos passar nos meios de comunicação nos irá servir pessoalmente ou fará parte da nossa experiência.

Estamos exageradamente expostos a tudo o que acontece por esse mundo fora 24h por dia, onde somos confrontados com noticias de eventos e acontecimentos que têm o poder de alimentar o nosso medo ao ponto de nos condicionar a nossa acção e passar a temer desfechos idênticos, fazendo-nos perder a intuição do que é de facto uma mensagem para nós e o que não é.

Ninguém nos ensinou a olhar para o que vem a nós como sendo atraído por nós e por isso, mais ou menos consciente, ainda todos temos um enorme nó de medo que nos faz acreditar na sorte e no azar e que nos faz temer o que talvez nunca iremos sofrer. Pior ainda, esse medo que nos é incutido por imagens e histórias que não estão na nossa realidade pessoal, que não foram propriamente atraídas por nós à nossa realidade física vão baixar a nossa frequência para níveis onde aí sim de facto poderemos correr o risco de as materializar!

Lá chegará o dia em que num estado de maior respeito e amor próprio, fazendo consciente uso da escolha de qualidade, iremos recusar qualquer fonte exterior que não vibre já na energia do amor e da sabedoria que queremos manifestar.

Todos já sentimos este impacto e o poder de uma informação exterior nos assustar e fazer vibrar no medo, verdade?

Da mesma maneira podemos passar a escolher dar o poder ao optimismo, à fé total na máquina cósmica inteligente, ao amor e à verdade, concordas?

Como disse ao inicio, iremos estar sempre sujeitos aos dois polos das energias. Apenas temos que dar o devido espaço de sentir, intuir, processar que informações são de facto mensagens sagradas para nós e o que é apenas ruído mundano. Para isso precisamos de silêncio...

Qualquer pessoa que já tenha iniciado a sua busca espiritual e se tenha permitido deslumbrar com uma leitura do seu mapa astrológico, já percebeu que a nossa existência tem propósitos e objectivos muito mais elevados e sagrados do que a nossa limitada mente concebe perceber.

Quer queiramos quer não, acreditemos ou não, estamos condicionados a viver a vida que as nossas energias permitem e os trânsitos convidam. Estamos cá para cumprir a proposta de um espírito que tem propósitos bem mais nobres do que o nosso inferior e materialista ego.

Ganhar dinheiro, encher a barriga, ser perfeito e ter poder é de facto o propósito do nosso ego, mas no que toca ao alimento da alma, estamos agora a começar a ouvir os seus mais discretos e amorosos anseios e a levá-los mais a sério.

Tão habituados que estamos a ver o mundo material, a acreditar que é de facto um espaço caótico, ainda presos à crença da sorte e do azar, incapazes de aceder aos campos energéticos que nos ligam das mais variadas maneiras, vamos levar ainda algum tempo a confiar que cada um de nós individualmente, está a atrair para a sua realidade o que está programado vir como aprendizagem ou resgate Kármico.



Vera Luz





quinta-feira, 14 de setembro de 2023

The Black Sheep


Gea Veenstra








Pushed aside, location of home obscured, limited by isolation:
drifting aimlessly - subscribing to a voluntary incarceration.

Outcast by an alternative perspective, a differing sense of direction,
through a desire to develop resolutions to numerable imperfections.

Others recede into bad habits - shirking from every challenge,
placing emphasis on ignoring responsibilities; yet expecting a life that’s lavish.

So it’s hardly surprising when their dreams fall by the wayside,
having taken the easy road too often, they’re fighting against a landslide
to recuperate what was lost, or rather thrown away by being lax and care-free,
they’ve imposed upon themselves a limit, as to what they can achieve.

Armed with the powerful weapon of fore-sight, I clawed myself out of the rut,
but it’s little consolation for having to watch my friends get stuck.
Trying to avoid a patronising tone, I conceal myself into anonymity -
uninspired by foolish games, approaching every overture with timidity.

Wanting to tell them to change, to realise their mistakes,
but sometimes things are hardest to see when they stare you in the face.
It’s their life to live, and do so how they wish -
I just pray they realise: there’s more to it then “getting pissed”.


Lee Price




terça-feira, 12 de setembro de 2023

Compacto










Chamado a mostrar aquilo que faz, o poeta português tem a 
tendência de mostrar os dentes, sorri muito, dispondo-se assim a 
participar nessa acareação, nessa coisa que se fazia aos cavalos e 
era também exigido aos escravos, um exame superficial que 
permitia ao potencial comprador aferir se tinha ali um espécime 
em que valia a pena investir. Num certo sentido, também os 
poetas hoje parece que publicam os seus textos de modo, não a 
 a forma como pretendem fazer-se ler, mas a terem 
um pretexto para aparecer nas corridas, ser vistos, trabalhar nos 
campos de algodão da visibilidade e do mediatismo. Ora, sempre 
que me é pedido que escolha alguns dos meus textos ou poemas, 
faço os possíveis por tentar mostrar não os dentes mas o olho do 
cu, como faziam os bárbaros ou os pobres agricultores que eram 
chamados a participar numa batalha contra exércitos senhoriais 
dotados de sumptuosas forças de cavalaria e o raio. Viro-me, 
dobro-me, e exibo-o ao sol e aos fidalgos, eu que sou filho do 
acaso raivoso que me vai parindo diariamente e que não envergo 
qualquer outra distinção. E isto porque vejo o poema como um 
grito articulado para ser ouvido muito baixo, entre esses raros que 
estão mais atentos, e que vencem a euforia das épocas. Em 
relação à nossa, tenho este entendimento de que algo de nojento 
tomou conta de todos os espaços onde circula mais gente, e 
parece-me assim que, para reflectir a sua expressão, não vale a 
pena nem sorrir nem fazer caretas; o melhor é mesmo mostrar 
esta zona no corpo de cada um de nós que se livra do que há de 
inessencial, ou seja, das fezes. Não que o poema concorra para o 
regime das excrescências, mesmo das ornamentais que 
encontramos nos lugares hoje dedicados à arte. No fundo, o 
poema começa por livrar-se da etiqueta e do sufoco do que é feito 
para o bem das aparências. Trata-se de desafiar essa ordem
 infernal que se faz camuflar por meio de um sorriso, de um “like”, 
entre outras formas de anuência. Não temos muito do que estar 
contentes. Não vejo motivo para os poetas buscarem o seu lugar 
num ranking que necessariamente os desfavorece. O que me 
parece admirável num poema é o modo particular de traduzir 
certos aspectos deste inferno que nos envolve até se nos meter 
debaixo da pele, mesmo quando o que o poema exprime são as 
relações que lhe escapam, que nos servem de alívio, de 
maravilhamento. Se os poetas estão sempre numa relação 
desfavorável, se não têm armaduras com motivos florais e nem 
cavalos para os elevar acima do nível da geral infantaria, parece-
me que isso os coloca na relação ideal: a do um para um. E, face a 
tudo o que nos cerca hoje, tenho como principal orientação esse 
desejo de fazer a guerra às claras, de provocar o inimigo, fazê-lo 
exibir as suas verdadeiras cores, para que o conflito que 
geralmente nos faz de forma dissimulada seja assumido, para que 
tenha de se explicar, e não possa simplesmente impor como 
senso comum um conjunto de noções que tornam impossível a 
vida, e nos lançam no regime da mera sobrevivência.


Diogo Vaz Pinto



Pai








Há anos que ouço as mais variadas explicações e justificações para que o Dia do Pai não seja celebrado com o desejado sentimento de amor no coração:

  • O meu pai estava muito ausente
  • O meu pai era violento e batia-me
  • O meu pai batia na minha mãe
  • O meu pai bebia muito
  • O meu pai já partiu
  • O meu pai foi embora e teve outros filhos
  • O meu pai abandonou-me
  • O meu pai era toxicodependente
  • O meu pai era autoritário
  • O meu pai idealizava-me e exigia de mim a perfeição
  • O meu pai gastou todo o dinheiro da família
  • O meu pai sofria de depressão
  • O meu pai era um ditador
  • O meu pai estava sempre a trabalhar
  • Nunca conheci o meu Pai


Mas se ainda não sabemos ler as sombras do Sol, Marte e Saturno no nosso mapa natal 
e se a ignorância sobre as razões que nos levaram a escolher aquele pai ainda nos levam a julgá-lo e a sentirmo-nos superiores e vítimas dos seus actos e escolhas, 
  1. é sinal de que ainda não conquistámos o nosso equilíbrio interior, 
  2. ainda não nos pacificámos com a nossa história, 
  3. ainda estamos a negar a nossa ancestralidade e logo o nosso karma de família, 
  4. ainda não percebemos a enorme lição que se esconde por trás deste encontro Karmico com o pai.

O mesmo vale para a Mãe e a posição da Lua, 
pois Sol e Lua são a nossa Essência no nosso mapa, são Pai e Mãe 
e precisamos de ambos para relembrar o enorme trabalho de transformação da vida presente.


A dor que vejo na maior parte das histórias nasce na maioria dos casos, desta ignorância
  • de não percebermos qual o real papel do pai (ou mãe), 
  • da expectativa ilusória de esperar do pai, o pai perfeito 
  • da dor de perceber que ele não é o pai perfeito. 

Por consequência, esta má relação com o Pai vai esconder uma má relação com toda a energia YANG, com a autoridade interna, com a coragem, com a iniciativa.

A cura não passa pela simples capacidade de “perdoar” seja lá o que for que ele tenha feito de negativo, mas muito mais de ENTENDER porque as Leis do Karma e a Lei da Atração trouxeram à nossa realidade aquela pessoa com aqueles características. 

Por essa visão podemos dizer que 
temos o pai que precisamos 
e não o pai que queríamos.


Precisamos lembrar que as Leis do Universo foram criadas por uma fonte de Amor, Equilíbrio, Justiça, Harmonia e Ordem Superior. Infelizmente a lei dos homens afastou-se dessas leis, levando-nos a viver num profundo desconhecimento das mesmas, a alimentar sentimentos de injustiça, revolta, culpa e comportamentos de vitimização e julgamento perante aquilo que não entendemos.

Posso assegurar que o trabalho de terapia e a leitura do mapa astrológico Karmico conseguem dar
  1. entendimento às dinâmicas de cada um, 
  2. dão resposta aos eternos “porquês”, 
  3. ajudam a curar as feridas que ficaram da infância, 
  4. possibilitam perceber como transferimos o “padrão” do pai para outros homens da nossa vida, convidam-nos a sarar essa padrão de forma a que ele não sobreviva para as gerações futuras.

Condições essenciais ao processo de cura:
  1. Abrir a mente e deixar ir todas as ideias, julgamentos, emoções e crenças limitadoras sobre a própria história e sobre o pai.
  2. Permitir que uma nova visão da realidade mostre os laços karmicos que antes não se conseguiam ver e que serão então a ponte para a aceitação, pacificação e cura.


De acordo com a visão de Bert Hellinger, 
a pacificação ou aceitação do pai que escolhemos, é essencial e o que permite que essa energia masculina flua em nós de forma saudável. 
Ou seja, é reconhecer que em nós circula o mesmo ADN, uma idêntica história karmica, padrões já vividos por nós no passado e que viemos fazer evoluir e transformar em algo melhor. Aceitar o pai ( ou a mãe) é aceitá-los tal como são, permitir que eles representem esses padrões, é reconhecer que aceitámos juntamente com eles, fazer parte da cura dos mesmos.

A desilusão que muitas vezes sentimos, mais não é do que 
uma consequência da ilusão que tínhamos do desejo de ter os pais perfeitos, 
da expectativa que eles representassem o ideal, a ferida curada, o que obviamente não são nem nunca poderiam ser, ou sequer curar as nossas feridas e padrões Karmicos por nós. 

Aceitar os pais tal como são nada tem a ver com perdão 
pois se foram escolhidos, eles não falharam e o que de mal fizerem com eles fica. 
Tem sim a ver com a humildade de lembrarmos que os escolhemos precisamente para contactarmos com a ferida inconsciente, representada por eles, que se escondia dentro de nós.


Vera Luz



Mãe

 

Marko Milivojevic





A nossa cultura, com a sua típica falta de consciência espiritual, condicionou-nos a ver a relação Mãe / filho apenas pela perspectiva terrena de uma criança e de um adulto. 
Ou seja, estamos exageradamente habituados a ver a Mãe, única e exclusivamente, pela perspectiva do filho, da criança, da memória daquele tempo em que dependemos totalmente de alguém para cuidar de nós, na fase de maior fragilidade, vulnerabilidade e incapacidade das nossas vidas. 

Desta perspectiva, também podemos imaginar que a relação ideal ou expectável, permitiria que a criança, pela sua inocência e imaturidade, tivesse direito e garantidas as suas necessidades básicas tanto físicas na forma de boa alimentação, cuidados médicos, passeios e brincadeira, sociabilização, assim como as necessidades emocionais na forma de amor, segurança, proteção, paciência e tolerância. 

À Mãe cabe o dever e a responsabilidade de garantir que todas estas necessidades sejam asseguradas. Quando não são, quando a Mãe se revela incapaz, quando não sabe, ou não consegue ou simplesmente não está, vai criar dor, trauma e sofrimento na criança, que irá projetar sempre a sua dor nessa Mãe, aprisionando-se assim a ela pelo lugar de vítima. 

A verdade é que, por mais bonita e perfeita que a idealização seja, a realidade mostra que não há Mães perfeitas, até porque na viagem à terra não é possível experienciar a perfeição, seja de que forma for.

  • Então como lidar com as dores causadas pela Mãe?
  • Como me libertar do sofrimento que ela causou?
  • Como aceitar o mal que me fez?

Precisamos aprender a ver a Mãe por outra perspectiva! 
Se já deste uns passinhos na consciência espiritual e nas dinâmicas Karmicas e sistêmicas, já sabes que todos os eventos da nossa vida são planeados antes da encarnação e estão revelados no nosso mapa astral. 
Antes de encarnar, a Alma revê o seu passado, toma consciência dos seus padrões, potenciais e desequilíbrios, e de acordo com esse passado, prepara o plano da encarnação, escolhendo as pessoas, circunstâncias e eventos que a vêm ajudar a evoluir. 
Neste pacote estão obviamente incluídas, a Mãe e o Pai. 

Mas estás-me a dizer que fui eu que escolhi a minha Mãe? 
Como é possível ter escolhido alguém tão difícil e que me fez sofrer tanto!?
Sim, estou. 

Mas não foi propriamente a mente inferior e terrena que fez essa escolha, mas sim a mente superior ou a Alma que viu na Mãe e no Pai, as energias correspondentes, a vibração perfeita, os mestres necessários para as aprendizagens da encarnação presente. 
Pode não ser a Mãe perfeita para o ego, mas é sem dúvida, a Mãe perfeita para o projeto da Alma.

Resumindo, 
precisamos sair do lugar da criança, dependente do colo e amor da Mãe, que irá sempre ser a vítima birrenta quando a Mãe não corresponder ao ideal, para um lugar de adulto que escolheu a Mãe por razões karmicas e sistémicas complexas que para serem entendidas e aceites, implicam um enorme trabalho e investimento de consciência e responsabilidade pessoal.
 
Ou seja, 
para curarmos a relação que temos com a Mãe e o Pai, 
precisamos sair do lugar da criança para o adulto responsável, 
para o espírito consciente de que a vida é uma viagem espiritual de evolução através dos desafios, encontros e circunstâncias que irão girar à nossa volta. 

Se ainda achas que viver é ter um emprego, uma relação e uma família perfeitos, julgar os maus e juntares-te aos bons, lamento informar que estás a viver numa ilusão e a desperdiçar oportunidades valiosas de evoluir.

Costuma-se dizer que 
o sofrimento é 
a distância que criamos entre 
o ideal e o real.

Esta frase aplica-se bem neste tema pois,
tanto a imaturidade da criança, 
como a ignorância espiritual do adulto, 
como a exagerada idealização que fazemos das pessoas em geral, 
impossibilita-nos de ver a Mãe pelo olho da alma
  • pela consciência superior, pelo princípio de que “tudo tem uma razão de ser”, 
  • de descobrir que segredos da nossa história Karmica ela esconde, 
  • que padrões ela representa, 
  • que lições precisamos aprender com ela, 
  • o que em nós nos fez atraí-la e fazer dela a escolha “certa”, 
  • que papel têm as dores e o sofrimento deixado pelas ações dela, etc.

E como posso então compreender tudo isso?
  1. Investindo no conhecimento de ti mesmo, 
  2. no reconhecimento dos teus padrões positivos e negativos, 
  3. na consciência da bagagem Karmica com que nasceste, 
  4. na consciência das lições da vida presente, 
  5. do propósito desta encarnação, 
  6. na mensagem dos teus números e do teu mapa astral Karmico, principalmente da Lua que é a Mãe, 
  7. na visão humilde de que todas as pessoas na tua vida, tanto as melhores como as piores estão lá por uma razão, 
  8. na responsabilidade total e individual pela tua vida, pela tua felicidade, pelos teus desafios e caminho de evolução. 

Sem este trabalho de consciência, 
a dor perpetuar-se-á e prejudicará apenas o próprio que a sente.

Ou seja, 
como a sociedade, a família, a escola, a política, a religião e a medicina ainda não abriu espaço ou reconheceu a importância deste investimento espiritual, cabe-nos a nós investir em experiências como a terapia, os cursos, as infinitas fontes de informação, livros, workshops, viagens ou qualquer experiência que devolva mais consciência de quem somos ao invés de vivermos iludidos, hipnotizados e distraídos da mais importante viagem das nossas vidas.

Algures na nossa viagem de maturidade iremos perceber que podemos já não precisar da Mãe para viver, ou porque já partiu ou porque nos afastámos dela ou porque ela nos abandonou, mas precisamos de reconhecer e aceitar a Mãe para sermos felizes e termos paz interior. 

Qualquer terapeuta sabe que, um bom trabalho de terapia implica, 
  1. a pacificação com o passado, 
  2. a relação com os pais, 
  3. aceitação das coisas como foram, 
  4. o perdão àqueles que nos magoaram, 
  5. a consciência de que dessas dores e desafios, sobrevivemos mais fortes e maduros, 
  6. o processamento das emoções residuais desses eventos.
 
Mas a visão sistémica, ou seja a visão que inclui não só os eventos da infância mas também a influência das vidas passadas, as heranças dos ancestrais, as invisíveis mas poderosas dinâmicas Karmicas 
convida-nos a ir mais longe:
 
Bert Hellinger, o grande fundador da consciência sistémica, 
veio convidar-nos a ver o perdão como uma arrogância, veio nos ensinar que não há ninguém para perdoar pois perdoar faz crer que existe uma vítima e um culpado. 

Ora, se o acordo feito entre a alma da Mãe e a nossa foi feito no plano espiritual, foi combinado tendo em vista as aprendizagens de ambas as partes, foi escolhido respeitando as questões Karmicas dos dois, não há lugar à culpa. 
Há sim lugar ao entendimento e à responsabilidade de cada um pelo encontro e respectivas aprendizagens. 

Mais ainda, é essencial, segundo Hellinger, 
não só a aceitação do compromisso da Mãe para com a nossa história, 
como de gratidão por ter cumprido o que lhe competia no acordo: 
  1. aceitar trazer-nos à terra, 
  2. vivenciar todo o processo de gravidez, 
  3. ter colocado a sua vida em risco até ao nascimento, 
  4. aguentar a longa viagem dos 9 meses com todos os seus desconfortos e exigências emocionais, psicológicas, familiares, relacionais, físicas, financeiras e outras, apenas para nos trazer à Vida, para que cumpríssemos mais uma etapa da nossa evolução. 

No nascimento, 
a partir do primeiro suspiro, 
entra em ação o plano Karmico que ficará impresso no nosso mapa astral toda a nossa vida. 
Não só começará a verdadeira intenção e missão da nossa viagem
como a Mãe irá desempenhar o papel para que foi “contratada” revelado na nossa Lua.

Pela minha experiência ao longo dos anos, tanto a ler mapas como a fazer regressões, tenho observado a maioria ainda prisioneira das dores da infância, 
ainda a chorar a Mãe real por não ser a Mãe ideal, 
a prejudicarem-se energética, emocional e karmicamente por simples ignorância e falta de terapia.

Já sabemos então que, 
  • idealizar a Mãe causa sofrimento, 
  • perdoar a Mãe, aprisiona-nos no lugar da vítima, 
  • guardar rancor e ressentimento à Mãe, prejudica-nos emocional e energeticamente, 
  • julgar a Mãe, impede-nos de entender porque a escolhemos, 
  • apegarmo-nos à Mãe, mantém-nos no lugar da criança, 
  • chorar a Mãe que partiu ou é ausente, não nos deixa viver a nossa vida. 

Deixo então para meditarmos, algumas propostas:

1. Lembrar que a Mãe não é a Deusa do Amor Perfeito mas sim uma mulher, um ser humano, com as suas próprias dores, com a sua própria história, com os seus próprios sonhos, com os seus próprios limites.  

2. Agradecer o compromisso cumprido que teve para connosco de aceitar trazer-nos à Vida e de representar as energias inconscientes das nossas vidas passadas.

3. Reconhecer que mesmo sem amor próprio, a Mãe deu o que pode, fez o que conseguiu, foi até onde foi capaz. 

4. Se ainda acreditas que ela podia ter sido melhor, 
convido-te a aplicar essa exigência sobre  ti mesmo 
sobre os teus medos, inseguranças e libertação das tuas dores.

5. Compreender que a falta de amor que sentimos foi simples e apenas por falta de amor da Mãe por si mesma. 
Ninguém dá o que não tem certo?

6. Parar de idealizar a Mãe e perceber que ela não está lá para corresponder às nossas expectativas mas que também está numa viagem pessoal de evolução, cheia dos seus próprios desafios.

7. Lembrar que a Mãe também um dia foi criança e carrega em si as suas próprias frustrações da sua Mãe que agora também sabemos, não foi perfeita.

8. Reconhecer que a Mãe não nos deve nada pois deu-nos algo que jamais lhe poderemos devolver: a nossa Vida! 

A partir do nascimento, ela será a nossa Lua, e temos 12: 
ausente, agressiva, submissa, narcisista, materialista, sabichona, autoritária, fria, a vítima, imatura, controladora, manipuladora. 
Reconheces a tua?

9. Desenvolver compaixão e compreensão pela Mãe não só ajuda a desamarrar o laço Karmico como impede que o rancor e o ressentimento ocupem o coração.

10. Considerar que a Mãe representa uma velha vida passada nossa, é uma oportunidade de relembrarmos como um dia também já fomos, o estado emocional com que entrámos na vida presente e agradecer o salto de evolução que estamos a ter a oportunidade de fazer. Sem ela não compreenderíamos isto.

11.Pacificar a Mãe não implica encontro físico. 
Se a Mãe é desafiante, tóxica ou impossível de conviver, é bom que haja limites saudáveis. 
Mas não impede o trabalho interno de aceitação da Mãe, 
de transformarmos as emoções negativas em compaixão e tolerância,
de lhe erguemos um altar interno de gratidão por nos ter trazido à Vida. 
 
12. Gostemos ou não da Mãe, carregamos em nós a sua energia, e negar a Mãe é negarmo-nos a nós próprios, criando bloqueios a todos os níveis. 
13. Permite simplesmente que ela seja quem é, sem expectativas, sem exigências ou cobranças, considerando apenas que ela fez o melhor que pode com aquilo que tinha, condicionada por infinitas e invisíveis dinâmicas Karmicas.

14. Lembrar que a nossa felicidade, a cura das nossas feridas, o suporte emocional, e nosso amor próprio, cumprir a nossa vida é uma responsabilidade nossa. 

Culpar a Mãe é fugir à Vida. 

15.  Se já andas por volta dos 40, começa a reparar e vais perceber que tens mais da Mãe do que aquilo que gostarias de admitir!

16. Procura ver a Mulher e não apenas a Mãe. 
A Mulher, a esposa, a filha, a neta, a irmã, etc.




Nunca iremos ter ou ser a mãe perfeita. 
Mas felizmente, o instinto maternal e o poder do Amor, permitem que a maioria tenha uma mãe que irá, dentro das suas próprias limitações, fazer o melhor que pode e só isso já é de louvar.

Claro que haverá sempre histórias mais intensas, dinâmicas Karmicas mais fortes que se reflectem por exemplo na Mãe que morre no parto, na Mãe toxicodependente, na Mãe que abandona, na Mãe psicótica e outras Mães difíceis. 
Mas temos que lembrar que também elas são necessárias e  escolhidas a dedo para que esses mais exigentes projetos se cumpram. 
 
De acordo com Bert Hellinger, 
a Mãe representa a força, a coragem e o sucesso.
Por isso, rejeitar a Mãe é rejeitar essas qualidades em nós. 

Pelo contrário, pacificar a Mãe dentro de nós, aceitar ela como é, olhá-la pelo olho do adulto compassivo, é abrir as portas ao sucesso, é permitir que a energia do amor volte a fluir, é libertar as cordas Karmicas que nos prendiam a ela.

Não é raro precisarmos de crescer, de nos tornarmos também nós Mães … e Pais, de vermos os nossos filhos a repetir a mesma ilusão connosco, de esperarem a perfeição de nós, de não serem capazes de ver as nossas incapacidades e defeitos, para finalmente percebermos que não podemos continuar a esperar nada deles.

O cordão umbilical, a memória do paraíso uterino, os 9 meses de segurança e colo constantes, a sensação de proteção e amor permanentes, a ausência de dor, desconforto ou vazio, levou-nos a projetar na Mãe a expectativa irrealista e impossível de nos manter naquele estado idílico depois do nascimento e para muitos até ao longo da vida. É esta ilusão que depois gera a respectiva desilusão, sem neste caso, qualquer responsabilidade da Mãe.

A maturidade implica a libertação da Mãe, 
implica estarmos virados e ocupados com a nossa vida e deixarmos que a Mãe viva a dela, 
implica assumirmos a responsabilidade pelas nossas necessidades, alimento, segurança, amor próprio ou, caso contrário, não seremos adultos responsáveis.

“Mais ou menos perfeitas, doces ou terríveis, ausentes ou controladoras, dedicadas ou irresponsáveis, todas as Mães têm em comum algo de extraordinário; tiveram a coragem de aceitar o compromisso da gravidez e de nos apoiar durante 9 longos e exigentes meses e permitir que viéssemos à Vida. Só por isto, são todas maravilhosas e merecem a nossa Gratidão. O que veio depois da primeira inspiração, é já o nosso karma pessoal em movimento e a lenta viagem para a autonomia, para a independência e evolução pessoal.


Vera Luz




domingo, 27 de agosto de 2023

O anoitecer









“O anoitecer é por toda a parte um grande serviço” (Ferreira 
Gullar), torna-nos enfim distantes, a cada um sua época, sua 
forma de discrição, os seus actos isolados, as sombras que 
ganham vida de sóis ausentes, esse alimento a partir das 
reservas, a noite como projecção do desconhecido, um território 
que cresceu de tantas migalhas e conjecturas, com uma 
paciência infernal, primeiro receoso, depois admirado desses 
sentidos que se calibram nesta zona autónoma, suspensa, 
florescendo como a imagem sobre a água numa transformação 
que não se aquieta, aqui os juízos degeneram, os corredores 
aparecem desfeitos, um quarto não liga já com os outros nem 
com o resto da casa, ou até do mundo, em vez da pauta para soar 
em conjunto alto, há como uma trepidação debaixo das palavras, 
em vez de coordenadas fixas as raízes levantam-se rasgando os 
mapas, nos espelhos vês a terra revolvida e espalhada por ali 
a “tua grave ossada à beira de um mar sujo e ignorado”, por uns 
momentos as luzes ao longe lembram um trânsito de feras, certos 
textos indecifráveis abrem as suas flores e percebe-se a extensão 
dos campos de silêncio aceso, as palavras perdidas retomam o 
rumo, cada um é lembrado do ponto onde estava como se lhe 
fosse devolvido o corpo, esse “clarão soterrado”, a noite diz-nos 
onde estamos face a nós mesmos, não há atalhos e ninguém 
escapa do seu canto, o pó levanta-se das coisas, ergue-se numa 
precária constelação, se entrámos a medo, somos agora nativos 
desses impulsos que percorrem toda uma cena de caça, capazes 
de um desequilíbrio de forças a partir de elementos mínimos, 
pingar de manchas pulsantes um espaço perfumado de ervas, 
sentir o odor misturar-se entre a fome e a morte tão próximo da 
fonte, como quem devorasse o próprio estômago, ou a língua, 
mastigar-se aflito, radiante, nu e mortal.
 

Diogo Vaz Pinto



As 10 leis da abundância

 







As leis da abundância abrangem algumas das chamadas “leis do universo”, que compõem uma série de crenças relacionadas ao pensamento positivo. De acordo com as leis da abundância, é provável que tenhamos sucesso onde acreditamos que o teremos. Desta forma, a mentalidade da abundância é uma ajuda para alcançar aquilo que nos propomos.

Segundo Sergio Fernández, autor de Viver com Abundância, existem 10 leis da abundância, e elas estão presentes no universo ainda que não estejamos cientes disso.


O que queremos dizer com abundância?
O termo abundância se refere a uma grande quantidade, seja ela física ou conceitual. 
Em seu segundo significado, entretanto, está “prosperidade, riqueza ou bem-estar“; é este último que nos interessa.

A abundância se refere num dos seus significados, portanto, à prosperidade e ao bem-estar. 
Assim, esticando seu significado, falaríamos de um estado mental, emocional e físico que nos ajuda a cumprir os nossos objetivos.



As 10 leis da abundância
Segundo Sergio Fernández, estas são as dez leis da abundância que regem nosso universo:

1. Lei da criação

“Os pensamentos e as emoções 
criam a realidade que habitamos ou, 
o que é o mesmo, 
tudo que é tangível tem lugar no intangível”.


Desta forma, Fernández indica que nós somos capazes de criar aquilo que queremos ser, fazer ou ter se primeiro o sentirmos ou imaginarmos.


2. Lei da vibração

“Obtenho aquilo que eu mais penso, 
quer eu queira ou não”.

Relacionado ao anterior, quanto mais pensamos ou sentimos algo, mais provável é que acreditemos neste algo. Isso, como vemos no enunciado da lei, pode ter um efeito negativo se nossas emoções ou pensamentos não tiverem uma carga positiva.


3. Lei de causa e efeito

“Tudo que você experimenta na vida 
é um resultado”.

Nossas experiências estão conectadas por uma sucessão de causas e efeitos intrínsecos a elas. Portanto, nossas acções, pensamentos e emoções terão origem em nosso passado e irão afetar o nosso futuro. A consequência imediata desta ideia é que temos um poder infinito sobre o nosso presente para influenciar o que acontece connosco.


4. Lei do equilíbrio

“A abundância é dar com generosidade 
e ser excelente na hora de receber”.

De acordo com essa lei, o que somos capazes de contribuir para o mundo, de alguma forma, será devolvido para nós. Ou seja, se esperamos fortuna do mundo, o melhor que podemos fazer é contribuir para que este seja melhor.


5. Lei da ordem

“A ordem da vida é ser-fazer-ter”.

A ordem deve ser essa, e não outra. 
Primeiro você deve ser algo, para depois saber como fazer e, obter os resultados. 
Se quisermos ter um bolo bem-sucedido, por exemplo, primeiro precisamos ser especialistas na área, depois criar o produto. Finalmente, se seguirmos bem os passos, alcançaremos o objetivo.


6. Lei da ação

“Como eu faço uma coisa, eu faço tudo”.

Todos nós temos uma assinatura, um estilo. 
Esse modo de agir é o que nos define, o que nos torna previsíveis diante dos outros e acaba nos definindo. 

No final, esse estilo irá transformar-se numa inércia que nos convidará a agir de maneira coerente com o que já fizemos e como fizemos.


7. Lei do mínimo esforço

“Esforçar-se gera stress 
e consome sua energia, 
algo muito distante de viver com abundância”.

Não se trata de eliminar o esforço da nossa vida, ou de realizar as nossas atividades sem vontade, mas de encontrar a maneira mais simples e produtiva de alcançar o objetivo. 
Se existe um caminho mais simples com resultados idênticos, por que gastar nossas energias?


8. Lei dos meios e dos fins

“Somente sendo feliz hoje 
poderei alcançar a felicidade amanhã”.

Como foi visto na lei da ordem, você primeiro deve ser para poder ter. 
Se desejamos o fim, devemos encontrar o meio: neste caso, a felicidade de amanhã é condicionada pelo dia de hoje.


9. Lei da expressão dos dons

“Colocar seu dom ao serviço dos outros 
é uma causa de abundância”.

Como vimos na Lei 4, devemos ser generosos se quisermos que o mundo nos dê generosidade. Compartilhando o que fazemos bem, estaremos a contribuir para um bom funcionamento social.


10. Lei do desapego

“Vinculo-me à acção 
e desvinculo-me do resultado da ação”.

Ao contrário do que pode parecer neste decálogo, não devemos agir a pensar no resultado. 
É verdade que, se formos generosos, encontraremos generosidade nos que nos rodeiam, mas nossa atenção não deve estar em receber, e sim em dar.




A abundância é uma realidade que começa no seu interior

A abundância é, sobretudo, um estado interior. 
O mais sensato seria dizer que se trata de um sentimento constante de que você tem o que deseja. 
De que a sua perspectiva está voltada para o que você possui, e não para aquilo que lhe falta. 
Não tem a ver com uma gorda conta bancária ou uma vida de excessos.

Não é injustificada aquela ideia de que “Rico não é aquele que mais tem, e sim aquele que menos precisa”. É exatamente isso que é a abundância, um sentimento de plenitude que não depende do externo, mas que se estabelece no interior de si mesmo.

“A vida é apenas um espelho, 
e o que tu vês nele, 
tens que ver primeiro dentro de ti”.
Wally Amos


Tanto a abundância quanto a pobreza implicam um conjunto de emoções, pensamentos e crenças. 
É por isso que surge a contradição entre aqueles que têm muito e, no entanto, se sentem miseráveis. 
Ao passo que outros têm pouco e vivem gratos e felizes.


O sentimento de carência

Se existe algo comum a todos os seres humanos é a carência. 
Nascemos com faltas e muitas delas nos acompanham até a morte. 
Viemos determinados por um património genético, uma etnia e muitas outras características. 
Cada uma delas implica uma renúncia a todas as outras alternativas.

Nós crescemos e vivemos também com a carência como horizonte. 
Independentemente das circunstâncias, sempre vamos nos ver submetidos à renúncia. 
O tempo todo deixamos para trás coisas, pessoas, situações e vínculos que não podemos eternizar.

Embora no fundo todos saibamos disso, algumas pessoas não se conformam que a vida seja assim. Elas querem eliminar da vida essa parte que envolve renúncias, perdas e vazios. Ao fazer isso, o que conseguem, sem intenção, é tornar mais profundo e intenso esse sentimento de vazio que, em maior ou menor medida, habita em todos nós.

Quando o sentimento de carência predomina, passamos pela vida a sentir que ela nos deve algo. 
Além disso, pensamos que em alguma parte existe essa totalidade, algo que erradique para sempre a sensação de vazio. Às vezes chegamos a deixar de lado as potências criativas para nos transformarmos em eternos receptores insatisfeitos.

A carência é, na verdade, uma condição que cumpre o papel de modelar as nossas emoções. 
Quem vive a rejeitar a carência geralmente fica preso nela. 
Assim como sem a noite não poderíamos valorizar o dia, sem carências não poderíamos construir o sentimento de abundância.

Na verdade, as pessoas que passaram por grandes carências e conseguiram superá-las em suas mentes, principalmente, são as pessoas que estão mais preparadas para receber em suas vidas o sentimento de abundância. Ao ter consciência de um vazio, uma necessidade ou um desejo não realizado, outorga-se grande valor a aquilo que “preenche”, mesmo que seja parcialmente.

Boa parte do segredo de viver reside em aprender a ser humilde. 
Isso não significa ser conformista, nem submisso. 
Significa, na verdade, entender que chegamos ao mundo sozinhos, nus e indefesos. Tudo que conseguimos a partir de então foi lucro.



Conectar-se com a abundância

Num mundo e numa época consumista como a que vivemos, tendemos a pensar que a abundância é excesso, e que o excesso é uma fonte de satisfação. Por isso, em muitas pessoas cresce uma voracidade inexplicável que nunca encontra alívio. Sempre querem mais e nada é suficiente.

Essa é uma condição na qual não existe extrema abundância, mas extrema carência. 
Na verdade, não tem nada a ver com o que se consegue na vida, mas com o apetite insaciável que acompanha esse processo. Isso se transforma num sentimento que não encontra alívio. O desejo de satisfação que não é encontrado no interior de si mesmo é transportado para o exterior.

Por isso, conectar-se com a abundância é, acima de tudo, ser capaz de duas coisas: 
valorizar e agradecer. 
Valorizar quer dizer dar significado ao que se tem, ao que se conquista, por menor que possa ser. Agradecer é permitir-se sentir felicidade por tudo o que existe na sua vida e que, perfeitamente, poderia ou não estar ali. Colocar-se numa posição de humildade frente ao universo e dar um significado para tudo ao seu redor. 
Assim se conquista a abundância.



Acorde a abundância que existe no seu interior

Muitos de nós mantemos um tipo de mentalidade focada para a carência: ficamos obcecados com tudo que falta em vez de criar consciência do que já temos. 
Agradecer, apreciar o que somos e o que nos rodeia é, sem dúvida, a melhor forma de se aproximar da verdadeira abundância.

Não é um mal moderno. 
Essa sensação indescritível de que falta alguma coisa e de que andamos à beira de um abismo onde sempre se abre algum tipo de deficiência é a eterna crise existencial do ser humano. 
No entanto, é imprescindível controlar e racionalizar este tipo de pensamento. Do contrário, essa carência crescerá como a erva daninha, como a hera que termina cobrindo as janelas de uma casa.

“A abundância é o meu estado natural, 
e eu o aceito.”

Também sabemos que não é precisamente fácil administrar esta sensação. 
E não é porque a atual e notória desigualdade social torna mais palpável do que nunca a palavra “carência”. A falta de um trabalho, de certos ganhos ou a perspectiva de um futuro incerto fazem com que o conceito de abundância nos soe irónico. 
Contudo, entender este termo e aplicá-lo à nossa realidade do ponto de vista motivacional pode nos ajudar a encarar o nosso dia a dia de uma forma mais sábia.



A abundância natural e a abundância artificial

Existe um livro muito interessante chamado “Sapiens, uma breve história da humanidade“, do historiador Yuval Harari. O livro faz uma análise um pouco provocante sobre a história da evolução e do sucesso do homo sapiens, onde, de alguma forma, o leitor acaba intuindo que a crueldade da nossa própria espécie parece ter se imposto sobre a ética em muitos casos.

Um dos aspectos que aponta o doutor Harari é que nos acostumamos a viver num estado que poderíamos definir como “abundância artificial”. A título de exemplo, já exploramos o mundo natural a ponto de obrigá-lo a nos oferecer muito além do que o equilíbrio da Terra e dos ecossistemas pode nos permitir. Mesmo assim, a nossa modernidade está orientada para esse materialismo onde “a acumulação” ou a obtenção de “coisas” define o status da pessoa. A carência delas, contudo, gera mal-estar e infelicidade.

Distorcemos o conceito verdadeiro e original do termo abundância. 
No meio natural abundância é, acima de tudo, equilíbrio e respeito. 
É apreciar o que já está presente, o que nos rodeia, sem necessidade de quebrar essa harmonia para que nos ofereça mais do que está dentro de suas próprias possibilidades.

Uma coisa que sem dúvida o homo sapiens moderno não pode entender, porque assim como disse Benjamin Franklin certa vez, chegamos a um ponto onde pensamos que o tempo é dinheiro; quando na verdade, o tempo nada mais é do que um presente que esquecemos de aproveitar como se deve.



Como viver em abundância

Chegados a este ponto é evidente que abundância não é sinónimo de dinheiro, de acumulação de bens ou mesmo de poder. 

Abundância é viver em plenitude de forma inteira, sem faltas, sem vazios ou com um coração desgastado pelo vento, dando a eterna sensação de estarmos ocos por dentro.

“A primeira semente para a abundância é o agradecimento.”

Por mais irónico que pareça, em tempos de dificuldades e de carências é mais necessário do que nunca sentir esta abundância interior. Somente assim disporemos de uma verdadeira fortaleza psicológica para enfrentar a adversidade, para intuir oportunidades e sermos assim mais receptivos para com tudo que nos rodeia.




Dicas para construir uma verdadeira abundância interior

Muitos de nós estamos muito acostumados ao que se conhece como “motivação por deficiência”: o meu telefone ainda está em bom estado, mas agora lançaram outro de última geração desta marca que todos têm, e é claro que não posso ficar sem um.

Nos faltam muitas coisas. Talvez você não tenha uma casa com muito conforto. É possível que o seu corpo não seja o ideal e que seu parceiro tenha os seus defeitos. Cabe até a possibilidade de que você ainda não tenha conseguido sair de férias naquele destino paradisíaco, enquanto os seus amigos já foram no verão passado. 

Viver na economia da carência é como um vírus, como uma doença contínua que pouco a pouco se espalha como a mancha de humidade numa parede. Está sempre aí, com a sua aparência desagradável.

  1. Precisamos nos afastar do lugar que nos dá esta abordagem mental. Focar a nossa própria existência exclusivamente na esfera material é uma fonte inesgotável de mal-estar. Nunca estaremos satisfeitos.
  2. Mude o enfoque da sua perspectiva mental. Direcione-a para o que você já tem para perceber onde se concentram as suas fortalezas reais, suas verdadeiras belezas e a sua abundância.
  3. Precisamos desenvolver um estado de consciência capaz de abraçar as coisas positivas, o presente e o concreto. Não o que não está, o que não existe ou o que falta. Somente quando formos capazes de agradecer pelo que somos, o que nos define e o que nos rodeia em plena confiança, poderemos abrir as portas da prosperidade.









Viver





Viver uma verdadeira experiência amorosa é um dos maiores prazeres da vida.
Gostar é sentir com a alma, mas expressar os sentimentos depende das ideias de cada um. Condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele.
Vivemos uma vida tentando fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente. 

Queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso a eles. Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha a preencher o buraco que nós cavamos. A insatisfação, o vazio interior se transformam na busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão. 

Cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades.
Só quem se ama pode encontrar em sua vida Um Amor de Verdade.


Zíbia Gasparetto