sexta-feira, 2 de setembro de 2022

A TEORIA DOS SETÊNIOS – “OS CICLOS DA VIDA”










A Antroposofia é uma linha de pensamento criada pelo filósofo Rudolf Steiner que entende  e estabelece uma espécie de “pedagogia do viver”, pois ela abrange vários setores da vida humana como a saúde, a educação, a agronomia e outros. A Antroposofia compreende que o ser humano tem que conhecer a si para também conhecer o Universo, pois somos todos parte e participantes desse mundo. Conforme Steiner a Antroposofia é “um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo”.

Dentro desse pensamento filosófico encontra-se uma forma cíclica de ver a vida chamada “teoria dos setênios”. Tal teoria foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza, da natureza no sentido da vida, na qual todos nós estamos imersos. Ela divide a vida em fases de sete anos, vale lembrar que o número sete é um número místico dotado de muito poder em quase todas as culturas conhecidas.

A teoria dos setênios nos ajuda a compreender a condição cíclica da vida, em que a cada ciclo soma-se os conhecimentos adquiridos no anterior e busca-se um novo desafio. Claro que a teoria dos setênios pode também ser entendida como uma metáfora sistêmica, sabemos que as pessoas mudaram de um século para o outro, nosso desenvolvimento está mais acelerado, nosso organismo mais adaptado, talvez nem todas as descrições dos setênios façam tanto sentido hoje, mas ela continua atual em sua percepção do ser humano e suas fases. Assim, os setênios não são exatamente sete anos no tempo cronológico, mas a cada ciclo de X anos, de tempos em tempos.

Há também uma subdivisão possível desses ciclos. 
Os três primeiros ciclos, que compreendem nossa fase de 0 a 21 anos, são denominados “setênios do corpo”. É o ciclo do amadurecimento físico, do corpo, e também da formação da nossa personalidade. Os três ciclos seguintes que vão de 21 a 42 anos, são conhecidos como setênios da alma. É a fase em que, superadas as experiências básicas da vida, nos inserimos na sociedade fazendo as escolhas como casar ou não, trabalhar em uma área específica, conviver mais ou menos com a família. E, apenas a partir dos 42 anos, vivenciando os últimos setênios, estamos realmente prontos para imergirmos na vida com maturidade, profundidade e espiritualidade.

Vamos então conhecer essa teoria extraordinária e refletir sobre como nossa vida é cíclica e sobre como isso reflete na forma como mudamos e nos refazemos sistemicamente.


0 A 7 ANOS – O NINHO. INTERAÇÃO ENTRE O INDIVIDUAL (ADORMECIDO) E O HEREDITÁRIO

A primeira infância é uma fase de individuação, de construção do nosso corpo, já separado do da nossa mãe, da nossa mente e da nossa personalidade. Nesse ciclo nossos órgãos físicos estão sendo formados para que sejamos indivíduos únicos. O crescimento está ligado à nossa cabeça, ao ponto mais alto, o superior, o pensar.

A separação da mãe é um momento importante para a psique e para o corpo. Outros estudiosos já trataram disso, como Winicot. É uma transmutação importante, em que a consciência da criança se constitui fisicamente e mentalmente tomando conhecimento sobre si mesma. A pedagogia Waldorf, usada nas escolas que tem como filosofia a Antroposofia, entende que na primeira infância a criança tem que perceber os aspectos positivos do mundo, para quererem estar aqui e cultivarem a felicidade em longo prazo.

O primeiro setênio deve oportunizar o movimento livre, a corrida, as brincadeiras, deve permitir que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites e suas percepções de mundo. Por isso o espaço físico é muito importante, bem como o espaço do pensar e o do viver espiritual.


7 A 14 ANOS – SENTIDO DE SI, AUTORIDADE DO OUTRO

O segundo setênio promove um profundo despertar do sentimento próprio. A energia que emanava do polo superior, da cabeça, se dilui e se encontra no meio do corpo. Os órgãos desse setênio são o coração e os pulmões, esses se desenvolvem promovendo a interiorização e exteriorização da vivência.

É nesse ponto que a autoridade dos pais e professores assume um papel importante, pois eles são mediadores do mundo no qual a criança se insere. Se a autoridade é excessiva, a criança pode ter uma visão pesada e cruel do mundo, se a autoridade e cobrança são muito fluídas e sem ressonância, a criança pode ter uma visão demasiadamente libertária do mundo, não inibindo comportamentos perigosos. O papel do adulto, pais e professores, determinam a imagem de mundo que a criança receberá.

A autoridade excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo, e isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma, etc. Quando a autoridade é insuficiente, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada, que leva a criança a desconhecer seu limite e o do outro, até quadros mais histéricos, de dissolução da identidade.

Nesse ciclo as normas e os hábitos estão sendo absorvidos, o desenvolvimento sadio do ser humano está relacionado à dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões. É o sentir que está sendo afetado, o desenvolvimento das emoções. Do interior para o exterior e vice-versa. As estórias infantis, contos de fadas, todo ato de brincar é extremamente saudável pois a criança cria e molda sua participação no mundo. Isso, para o desenvolvimento humano, é bastante mais saudável que situações em que ela se faz apenas como expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos eletrônicos

A arte deve ser estimulada desde o primeiro ciclo, mas nesse momento ela se faz muito mais importante, bem como a religião.  Os mundos artístico e religioso auxiliam no sentido de si e do mundo, fluindo a alma, que busca a beleza e a fé. E, sobretudo, fazendo um contraponto à dura descoberta das diferenças, pois é também nessa fase do conhecimento de si que percebemos como uns e outros são diferenciados na sociedade, como as diferenças sociais, religiosas, raciais ou mesmo geográficas.


14 A 21 ANOS – PUBERDADE/ADOLESCÊNCIA – CRISE DE IDENTIDADE

O que todo adolescente busca? … liberdade!

Eles não querem os pais, irmãos mais velhos nem professores “pegando no pé”. O que rege esse ciclo é o sentido de liberdade. No sentido corporal, as forças que se acumulavam nos órgãos centrais se espalham e chegam aos membros e no sistema metabólico.

A postura ereta é uma diferenciação dessa fase para as outras. O corpo já está formado, já aconteceram as primeiras trocas com a sociedade, o corpo já não precisa de tanto espaço para se locomover, o espaço agora adquire outro sentido, o da possibilidade de “ser”.  O espaço dessa criança é o mundo, já não pode se resumir a família nem a Escola. Ele precisa se reconhecer e ser reconhecido, aceito, achar a “sua turma” para compor um grupo no qual se identifique.

A liberdade nesse ciclo atua como a vivência do “bom” no primeiro ciclo e do “belo” no segundo ciclo. Ocorre que a liberdade só se dá num ambiente de tensão entre as possibilidades, impossibilidades e desejos. Essa tensão costuma gerar rompimentos, às vezes esses rompimentos são violentos, mas são necessários e próprios desse ciclo.

Essa liberdade também tem um sentido de exposição. Tudo está voltado para o externo, para fora, para o mundo. Há uma dificuldade em ouvir o outro e entender suas posições, tudo deve seguir o seu sentimento de mudança, de julgamento de certo e errado, de bom e ruim. É tanta energia interna para ser extravasada que o sujeito pode perder o controle de si mesmo e precisar de intervenção – salvo se os ciclos anteriores tiverem cumprido bem os seus papéis. As trocas nesse ciclo são importantíssimas. O diálogo, a abertura ao novo, a prática da compreensão, da solidariedade, assim como o seu reconhecimento e o pertencimento.

O binarismo entre o ideal e o real também estão muito presentes. O ideal de mundo, de Homem, de cultura, vindo de uma essência pura e etérea do ser humano entra em choque com o real das ruas, da política, o prazer sexual, as práticas ilícitas, tudo se torna um turbilhão. As representações que forem mais fortes para o sujeito – as de idealizações ou as do real, serão definitivas nos próximos ciclos.

Os questionamentos são fruto desses choques. É o momento de questionar a tudo e a todos. O caminho contrário do “habitual” pode ser exclusivamente para reforçar a tensão. As drogas podem estar nesse contexto. É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo.

Também é o momento do discernimento, das escolhas profissionais, do vestibular, do primeiro emprego, pois a liberdade também só faz sentido quando percebemos a vida econômica. O dinheiro então pode ganhar um sentido de poder que talvez não seja saudável. É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.


21 A 28 ANOS – O “EU” – A INDEPENDÊNCIA E A CRISE DO TALENTO

A partir dos 21 anos nossa individualidade, nosso self, toma uma força considerável na tentativa de estabilização. O “Eu” começa realmente a se mostrar, mesmo ainda estando em formação. No entanto, para que esse “Eu” apareça e se forme, mesmo sendo algo subjetivo e interno, ele depende do mundo exterior, da sociedade.

O fim do crescimento corporal instaura o início de um processo de crescimento mental e espiritual, somos então “cidadãos de dois mundos: o celeste e o terrestre”. Geralmente já não moramos mais com a família e já não estamos mais na escola. É o momento da autoeducação, do emprego, do desenvolvimento dos talentos, etc.

A história das pessoas começa a ser traçadas por elas mesmas, pois há uma tomada de caminho que não depende mais, diretamente, das outras instituições. É uma emancipação em todos os níveis, mas como resultado de toda a experiência nos três primeiros setênios. Surpreendentemente, é também a fase em que mais nos influenciamos pelos outros, pois a sociedade dirá o ritmo da vida de cada um.

Nesse ciclo, os valores, aprendizados, e lições de vida passam a fazer mais sentido.  As energias estão mais pacificadas. Nosso lugar no mundo é o principal objetivo. A colocação profissional assume um papel muito importante. O não atingimento desse objetivo pode gerar muita ansiedade e frustração, especialmente se todos os anos até aqui não foram suficientes para descobrirmos e desenvolvermos os nossos talentos.


28 A 35 ANOS – FASE ORGANIZACIONAL E CRISES EXISTENCIAIS

Quem nunca ouviu falar na “crise dos 30”? Ela não é um mero mito, ela existe e tem explicação. O 5º setênio começa com essas crises na vida, o abalo da nossa identidade, a cobrança do sucesso que talvez ainda não tenha atingido, a certeza de não podermos tudo, de onde vem a frustração e tristeza.

A sensações de angústia e vazio são muito comuns. Em algumas sociedades as pessoas nesse ciclo não encontram um lugar para si e se veem entre a juventude e a velhice ou maturidade. As pessoas passam a não se conhecerem, pois, seus gostos mudam – ou por si mesmos ou pela pressão dos outros. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável, voltados para a família e para o trabalho.

Nesse ciclo os sentimentos nos levam também a uma busca espiritual maior, um “caminho da alma”. Estamos suscetíveis ao cosmos, às oscilações e às vezes a harmonia custa a acontecer. Somos cobrados por estrutura, firmeza, estabilidade, uma base, um pilar, que seja material e que também sejam mental e espiritual. A Antroposofia acredita que logo após o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63º. ano de vida, estamos no final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.

Estamos realmente, nessa fase, em organização. É nesse ciclo que passamos a pesar uma série de coisas, avaliar a trajetória da nossa vida, esse não lugar nos força a perguntar “quem sou eu”. Há uma renovação a partir desse ciclo. Estamos tendo crises, mas é por meio dessas crises que construímos novos pensamentos, novos valores, terminamos relacionamentos e começamos outros, mudamos de emprego, de ideologias, de partidos políticos, enfim… crises, desorganizações e reorganizações.


35 A 42 ANOS – CRISE DE AUTENTICIDADE

Esse setênio, embora tenha suas peculiaridades, está ainda ligado ao setênio anterior, ruminando os resultados das crises. Reconhecemos também uma espécie de crise nesse setênio, mas uma crise que busca uma autenticidade, gerada pelas reflexões do ciclo anterior.

Temos, aqui, mais capacidade de julgamento, gozamos de mais maturidade psíquica e emocional. Em geral, já acumulamos alguns bens materiais ou ao menos conseguimos uma renda que seja suficiente para as questões básicas de consumo. O desafio, então, é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos. A pergunta é: como é que encontro o caminho para a essência do mundo e para a minha própria essência?

Esse setênio configura a última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita, estamos propensos a adentrar mais profundamente no nosso mundo espiritual, na parte mais sensível de nós. Buscamos a essência de tudo, no outro e em nós. Isso passa a acontecer com mais força nesse setênio pois, aqui, já há maturidade e aprendizado suficiente para esse conhecimento.

A carreira, a família (ou não) os desejos, tudo já teve seu tempo. Já alcançamos as conquistas que nos eram urgentes. Há um desaceleramento do ritmo do nosso corpo e da nossa mente, o que é algo importante para alcançarmos frequências mais sutis de pensamento, onde estará nosso corpo suprassensível.

É possível que esse ciclo traga um descontentamento com o novo. Pode ser que o sujeito questione se, chegando aos 40 anos, ainda há algo novo para se fazer. Buscar coisas novas é um exercício importante para esse ciclo. Em contraponto ao novo, há uma aceitação maior do que se é, de como se é, das histórias e experiências de vida.


42 A 49 ANOS – ALTRUÍSMO X QUERER MANTER A FASE EXPANSIVA

É um ciclo que tem um “ar” de recomeço, de ressurreição, de alívio, até. A crise dos trinta perde a força e parece não ter tido resultados tão graves como se pensava. É, porém, o momento de buscar, desesperadamente, por algo novo, para que a vida adquira sentido.

As mudanças nesse setênio são urgentes. Mesmo que nem todos estejam preparados para elas. As questões existenciais retornam com uma certa força, mas agora elas são mais dinâmicas e menos melancólicas pois o sujeito já se vê capaz de produzir essas mudanças. O lema é “como está, não dá pra ficar”.

Essa dinâmica impulsiona a tomada de decisões que, por vezes, ficou anos sendo gestadas dentro de si. Pode ser a separação conjugal, a saída de uma empresa, ter um filho, etc. É uma fase que corresponde, em termos energéticos, à fase que vai dos 14 aos 21 anos. Ficamos saudosistas, queremos ir à Disney e reviver coisas da nossa adolescência. Voltamos a desafiar nosso corpo e fazer desporto. É uma fase solar.

O medo do envelhecimento surge. As questões internas despertadas pelos ciclos anteriores perdem um pouco de espaço para a estética e a necessidade de se fazer coisas que os jovens fazem. As rugas e a menopausa são os espinhos das mulheres nesse setênio.  A sexualidade retoma uma importância crucial. Contudo, a força que se perde com o declínio da sexualidade pode e deve ser empregada em outros nichos.

Esse setênio traz o contraditório: queremos mudanças, estamos em busca do novo, mas o envelhecimento que é uma mudança natural nos assusta, incomoda, gera ansiedade, muda nosso comportamento com relação a nós mesmos e ao mundo. Assim, sucumbimos à força do “sósia”, ou seja, da sombra, daquilo que está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.

Nos enxergamos nas sombras do outro e entramos em confronto. As relações ficam à mercê das emoções distorcidas pelo que não vemos em nós mas vemos nitidamente nas pessoas. No entanto, o que acontece é um espelhamento.


49 A 56 ANOS – OUVIR O MUNDO

Podemos reconhecer essa fase como sendo do “pai e da mãe universal”. É a fase de desenvolvimento do espírito. É um setênio tranquilo e positivo. As forças energéticas voltam a estar concentradas na região central do corpo, mas estão voltadas ao sentimento da ética, da moral, do bem-estar, questões universais, humanísticas.

É um momento em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos. É um bom momento para reconhecer os méritos da nossa história, aceitando-a sem julgamentos. Esse ciclo desperta em nós o existencialismo para observarmos mais de perto o valor simbólico das coisas. Deixamos o pessoal, particular em busca do universal, do humanístico, do existencial.

Contudo, alguns podem incorrer na falha dos egocentrismos, pois um ciclo depende do seu anterior. Assim, pode haver pessoas nesse setênio completamente voltadas para si, suas necessidades e do seu grupo. O desapego é uma consequência da vida pregressa.

Em termos físicos, esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, especialmente na condução de uma rotina. A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.


56 A 63 ANOS – (E ADIANTE) ABNEGAÇÃO/SABEDORIA

A Antroposofia acredita que o 56º ano de vida traz uma brusca mudança. Ela está na forma como a pessoas se relaciona consigo e com o mundo. Como os ciclos se correspondem, esse se liga ao primeiro setênio, aquele que vai do nascimento até os sete anos de vida. A audição, a visão, o paladar das pessoas dessa fase se igualam e o mundo fica estranho.

É importante pensar que essa teoria foi pensada em uma época em que a expectativa de vida era muito baixa e as pessoas com 60 anos eram verdadeiros anciãos. Logo é preciso também compreender que os ciclos são metafóricos e não tem uma relação matemática exata.

Contudo, essa fase, por exemplo, evidencia uma volta para dentro de si. O interno passa a fazer muito mais sentido que o externo. É importante internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais. A comunicação com o mundo externo passa a ter ruídos, principalmente pelas mudanças que a sociedade sofreu nesse período inteiro.

A reclusão passa a ser algo natural, boa para a autorreflexão e a busca pela essência. A sabedoria pelo conhecimento acumulado e a intuição que passa a ser mais clara, tornam-se elementos fundamentais dessas pessoas. Elas são o contraponto do sentimento de fracasso e insucesso que, porventura, possa aparecer, vindo dos questionamentos daquilo que se alcançou ou deixou de alcançar.

Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos. Isso porque a aposentadoria pode ser algo limitador, especialmente para aqueles que durante toda a vida atribuíram muita importância ao status profissional e agora temem não ter outra forma de autorrealização.

Atividades muito bem-vindas nesse setênio são as acadêmicas – lecionando ou fazendo novos cursos – escrever textos ou um livro, o laser em grupos de pessoas na mesma fase da vida, viagens e outras formas que relacionem prazer e aprendizado. A aproximação da família ou a construção de novas famílias também ajudam a dar novo sentido à vida.



CONCLUINDO

Como você vê, nossa vida é feita de uma forma cíclica. Nossa energia vital circula pelas diversas fases da nossa vida. Nossa mente tem diferentes estágios de aprendizado e nossa espiritualidade pode estar mais ou menos aberta também conforme cada estágio.

Hoje talvez essa divisão seja um pouco diferente e, com certeza, faz sentido pensar em mais um ou dois ciclos de sete anos, visto que estamos vivendo cada dia mais, mas o aprendizado com a Antroposofia e a teoria dos setênios é enorme. Metaforicamente ou não, poucas linhas de pensamento conseguem dar pensar de forma sistêmica como essa. De forma que é impossível pensarmos em algo tão complexo quanto a nossa vida de forma linear e homogênea.

Compreender as fases ou ciclos da vida é importante para aprendermos mais sobre nós mesmos e sobre o outro, adquirindo mais expertise no cuidado com as pessoas, especialmente os coaches, que devem ser peritos no desenvolvimento e aprendizagem humana. Saber sobre cada etapa nos possibilita saber mais sobre as crises e lidar melhor com elas.

Há uma série de arquétipos que podem ser observados nessas diversas fases, mas isso é assunto para um novo artigo. 

Nunca esquecer que o saber é o nosso bem maior, cada leitura, cada livro, cada conhecimento acumulado é uma forma de sermos melhores e mais capacitados, além de nos conhecermos mais a cada dia.


 JOSÉ ROBERTO MARQUES




CHUVA DOMÉSTICA









 Concede o teu perdão àquele que foste ontem 
e não te conhece hoje debaixo do chuveiro.
As casas não sabem nada de nós próprios 
e são paredes de hábitos,
casulos seculares.
Há vinte anos tu eras diferente, as casas não sabem nada,
dizia o outro e bem,
muito menos o tu que foste ontem sobre o tu que és hoje 
debaixo do chuveiro.

O que tu foste ontem não tem nada que ver com essa barba grossa,
com essa dor no dedo grande do pé
e que te dizem ser gota, e essa excitação precoce 
que te vem da memória 
e começou agora, extemporânea e ridícula, quando o dedo te dói 
e o tempo, como se fosse um século, tem um dia de vida,
uma noite, e falavam do ébola a invadir a europa.

Toda esta chuva minúscula que te caí na boca,
todo este desabar de água controlada e tépida te leva a esquecer 
o que é uma epidemia, foi ontem?
Que estranhas criaturas, hiper-protegidas,
desfilaram ontem como um sonho e hoje de manhã 
são um como um pesadelo?
A verdade é só uma, o que tu foste ontem
já não te conhece.

Não consintas que deus te sobreponha os dias 
aos mistérios do tempo.
Exige a cada minuto o seu próprio prazer e desilusão.
Por alma dos que lá tens coça o dedo grande do pé 
e fecha-me essa torneira. Tu ainda não reparaste,
mas a casa de banho é agora um lago.


Armando Silva Carvalho
in, A Sombra do Mar




Felizes com o Presente





A falta de esperança, a concentração no presente é uma forma de felicidade, claro, mas não podemos ignorar tudo aquilo que a esperança nos dá. Há um sentido de crescimento na esperança. Queremos mais. Devemos é perceber se esse mais é vantajoso ou apenas um engodo ridículo. 

Há uma diferença em 
nos tornarmos melhores pessoas, 
mais sábias, ou 
termos um novo computador. 
São dois tipos de esperança, mas 
o resultado é muito diferente. 

Ser mais é radicalmente diferente de possuir mais. 
Mas para ser mais é preciso desejá-lo, não estar contente com a condição actual, ter esperança e lutar. 

Ao amar o presente e ignorar o futuro, desprezando-o, como uma ilusão, um nada, uma preocupação, um tempo em que não vivemos, paramos a evolução que depende da nossa esperança, dos nossos desejos. 

A ideia de que podemos ser felizes somente no presente e com o presente é redutora e limitada. 
Prefiro funcionar com o passado, desejar repetir, não do mesmo modo, mas na sua essência, felicidades passadas, assim como, evidentemente, espero evitar as infelicidades. 

O medo e a causa são úteis para que o caminho não seja suicida, desde que, claro, não sejam factor de paralisia nem conservadorismo nem vitimização ou miserabilismo. 
E neste sentido, a esperança é também importante. 
É o que nos faz agir e mudar, tendo também em conta que nem todas as mudanças são boas. 

As filosofias que nos tentam fazer viver presos exclusivamente ao presente, rejeito-as, mas não rejeito o presente, jamais seria tão tolo. O presente precisa de ser vivido sem medos nem nostalgias do passado nem sem preocupações nem ilusões relativas ao futuro. 

Mas não pode ser uma vivência exclusiva, 
e, creio, para uma vida boa, 
devemos saber equilibrar estes três tempos 
que constroem o nosso mundo, 
passado, presente e futuro. 
Memória, entrega e esperança. 




Afonso Cruz
in,  'Jalan Jalan'




terça-feira, 30 de agosto de 2022

What lips my lips have kissed, and where, and why (Sonnet XLIII)







What lips my lips have kissed, and where, and why,
I have forgotten, and what arms have lain
Under my head till morning; but the rain
Is full of ghosts tonight, that tap and sigh
Upon the glass and listen for reply,
And in my heart there stirs a quiet pain
For unremembered lads that not again
Will turn to me at midnight with a cry.
Thus in winter stands the lonely tree,
Nor knows what birds have vanished one by one,
Yet knows its boughs more silent than before:
I cannot say what loves have come and gone,
I only know that summer sang in me
A little while, that in me sings no more.


Edna St. Vincent Millay




Homossexualidade como autodesejo, prolongamento do Sujeito que se masturba







A paixão e o desejo sequestrados pela Biologia, pelos "géneros irreconciliáveis". 
O Outro do mesmo sexo não seria uma pessoa, mas o simples prolongamento do Sujeito que se masturba. 
É justo salientar o "para mim"...

O Esplendor da Heterossexualidade, pelo Desejo
Somos um objecto, na paixão, totalmente submissos, sem poder prever os golpes que sofremos; aí reside a grandeza, a loucura, o assombro da paixão.

Para mim, o desejo só pode ter lugar entre o masculino e o feminino, entre sexos diferentes.
O outro desejo é um autodesejo, é, para mim, como que o prolongamento da prática masturbatória do homem ou da mulher. O esplendor da paixão, a sua imensidade, o seu sofrimento, o seu inferno, reside no facto de só poder verificar-se entre géneros irreconciliáveis, o masculino e o feminino. Tanto a paixão como o desejo.

Os casais homossexuais são muito mais estáveis do que os casais heterossexuais, porque na homosexualidade há uma prática simples e cómoda do desejo. 
A prática heterossexual é ainda selvagem, é ainda a floresta do desejo.

Na prática homossexual não creio que exista esse fenómeno de posse que existe na heterossexual. 
Na prática homossexual existe uma espécie de intermutabilidade do prazer, as pessoas nunca pertencem na homossexualidade como pertencem na heterossexualidade.

É um inferno não se poder escapar ao desejo de uma pessoa, é a isso que eu chamo, quanto a mim, o esplendor da heterossexualidade.


Marguerite Duras
in, 'Mundo Exterior '




sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Triângulo Dramático...e o Triângulo da Responsabilização








O triângulo do drama é um modelo social de interação humana – o triângulo mapeia um tipo de interacção destrutiva que pode ocorrer entre pessoas em conflito. O modelo do triângulo do drama é uma ferramenta usada em psicoterapia, especificamente Análise transacional.

O triângulo do drama é um modelo social que foi concebido por Stephen Karpman, um estudante de Eric Berne, o pai de análise transacional. Berne incentivou Karpman a publicar o que Berna se referia como "triângulo de Karpman". O artigo de Karpman foi publicado em 1968. Karpman recebeu o Eric Berne Memorial Scientific Award em 1972 por este trabalho.

Através do uso popular e o trabalho de Karpman e outros, o triângulo de Karpman tem sido adaptado ao uso em análise estrutural (definindo o conflito de papéis de acusador, vítima e salvador) e análise transacional (diagramação de como os participantes trocam de papéis em conflito).

Karpman usou triângulos para mapear relações transicionais conflitantes ou de drama intenso. 
O Triângulo de Drama de Karpman modela a ligação entre a responsabilidade pessoal e de energia em conflitos, e os destrutivos e inconsistentes papéis que pessoas encenam. 








Ele definiu três funções no conflito:
  1. Perseguidor/Acusador, 
  2. Salvador (uma posição superior)  
  3. Vítima (uma posição inferior). 

Karpman colocou essas três funções num triângulo invertido e se refere a eles como sendo os três aspectos, ou faces do drama. 

Karpman, que tinha interesses em ser actor e foi membro do Screen Actors Guild, escolheu o termo "triângulo do drama" ao invés do termo "triângulo do conflito", porque a Vítima no seu modelo não serve para representar uma vítima real, mas sim alguém a sentir ou a agir como uma vítima.

  1. A Vítima: A posição da vítima é "Pobre de mim!" A Vítima se sente vitimada, oprimida, indefesa, sem esperança, sem força, envergonhada, e parece incapaz de tomar decisões, resolver problemas, ter prazer na vida, ou atingir a instropecção. A Vítima, se não está a ser perseguida, vai procurar um Perseguidor e também um Salvador que vai salvar o dia mas também perpetuar os sentimentos negativos da Vítima.
  2. O Salvador: A posição do salvador é "Deixe-me ajudá-la". Um clássico habilitador, o Salvador sente-se culpado se ele/ela não fizer nada para o resgate. Ainda assim, o resgate dele/dela tem efeitos negativos: mantém a Vítima dependente e dá à Vítima permissão para falhar. As recompensas derivadas a partir deste papel de resgate são de que o foco é levado para fora do salvador. Quando ele/ela concentra a sua energia em alguém, permite-lhes ignorar a sua própria ansiedade e problemas. Este papel de resgate também é muito essencial, porque o verdadeiro interesse principal dele é realmente evitar os seus próprios problemas disfarçados de preocupação para as necessidades da vítima.
  3. O Perseguidor: (também conhecido como Vilão ou Acusador) O Perseguidor insiste, "É tudo culpa sua." O Perseguidor é controlador, acusador, culpa, crítica, é opressor, raivoso, autoritário, rígido, e superior.

Inicialmente, um triângulo do drama surge quando uma pessoa assume o papel de vítima ou perseguidor. Esta pessoa então sente a necessidade de contratar outros jogadores para o conflito. Como muitas vezes acontece, um salvador é incentivado a entrar a situação. Esses jogadores contratados assumem papéis deles mesmos que não são estáticos, e portanto vários cenários podem ocorrer. Por exemplo, a vítima pode ativar o salvador, o salvador então muda para perseguidor (vilão).

As motivações de cada participante e a razão de a situação perdurar é que cada um recebe os seus não assumidos (e frequentemente inconscientes) desejos/necessidades psicológicas de uma maneira que se sentem justificados, sem ter de reconhecer a ampla disfunção ou dano feito na situação como um todo. Como tal, cada participante está agindo de acordo com suas próprias necessidades egoístas, ao invés de agir de uma maneira verdadeiramente responsável ou altruísta. 
Assim, qualquer personagem de todos os três neste triângulo pode "ordinariamente vir como uma vítima melancólica; é agora claro que a pessoa pode mudar o papel de Perseguidor dado que seja 'acidental' e ele se desculpa por isso".

As motivações do salvador são as menos óbvias. 
Nos termos do drama do triângulo, o salvador é alguém que tem um motivo misto ou secreto e está na verdade beneficiando-se egoicamente de alguma forma por ser "a pessoa que salva"
O salvador tem uma motivo de superfície de resolver o problema e parece fazer um grande esforço para resolvê-lo, mas também tem um motivo oculto para não ter sucesso, ou para suceder de forma que eles se beneficiam. Por exemplo, eles podem desenvolver um aumento de auto-estima ou receber respeito status de resgate, ou derivar prazer por ter alguém a depender e confiar neles – e agir de uma forma que aparentemente parece estar tentando ajudar, mas num nível mais profundo aproveita-se da vítima a fim de continuar recebendo uma recompensa.

Em alguns casos, a relação entre a vítima e o salvador pode ser uma de co-dependência. O salvador mantém a vítima dependente dele encorajando a vitimização dela. A vítima obtém suas necessidades satisfeitas por ter o salvador cuidando delas.

Em geral, os participantes tendem a ter um papel primário ou habitual (vítima, salvador, acusador) quando entram em triângulos dramáticos. Os participantes primeiro aprendem a sua habitual função na sua família de origem. Apesar de cada um dos participantes ter um papel com o qual eles mais se identificam, uma vez no triângulo, os participantes giram através de todas as posições, indo totalmente ao redor do triângulo.

Cada triângulo tem uma recompensa para quem joga. 
A antítese de um triângulo dramático está em descobrir como privar os atores do seu pagamento.




Após a Segunda Guerra Mundial, terapeutas observaram que, enquanto muitos dos pacientes veteranos de batalha mutilados se reajustaram logo depois de voltar para suas famílias, alguns pacientes não; alguns até regrediram quando eles voltaram para o ambiente doméstico. Os pesquisadores sentiram que precisavam de uma explicação para isso e começaram a explorar a dinâmica da vida familiar, e assim começou o movimento de terapia de família. Antes dessa época, psiquiatras e psicanalistas focaram-se na psique já desenvolvida dos pacientes e minimizou detratores externos. Fatores intrínsecos e extrínsecos foram abordados e, reações foram consideradas como provenientes de forças dentro da pessoa.



Triângulos/triangulação:
 
A teoria da triangulação foi originalmente publicada em 1966 por Murray Bowen,  como uma das oito partes da teoria dos sistemas familiares de Bowen. 
Doutor em Medicina, Murray Bowen um dos pioneiros na teoria de sistemas familiares, começou o trabalho inicial dele com esquizofrénicos na Menninger Clinic, de 1946 a 1954. 

A triangulação é o "processo através do qual um relacionamento de dois indivíduos que estão numa situação de tensão, vai naturalmente envolver terceiros, para reduzir a tensão". De forma simplista, quando as pessoas se encontram em conflito com outra pessoa, elas vão procurar uma terceira pessoa. O triângulo resultante é mais confortável pois pode conter muito mais tensão porque a tensão está a ser deslocada em torno de três pessoas, em vez de duas.

Bowen estudou a díade da mãe e a sua criança esquizofrénica enquanto ele tinha ambos a viver numa unidade de pesquisa da Menninger Clinic. Bowen em seguida mudou-se para o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH), onde residiu de 1954 a 1959. No NIMH Bowen estendeu a hipótese dele de incluir o tríade pai-mãe-filho. Bowen considerou os triângulos o ponto crucial da teoria dele, e da Teoria de Sistemas Familiares de Bowen

Bowen usou intencionalmente a palavra triângulo ao invés de incluir tríade. 
Na Teoria de Sistemas Familiares de Bowen, o triângulo é uma parte essencial de um relacionamento.

Casais deixaram os próprios recursos deles oscilarem entre proximidade e distância. 
Duas pessoas que têm este desequilíbrio muitas vezes têm dificuldade em resolve-los por si mesmos. Para estabilizar a relação, o casal muitas vezes procura a ajuda de terceiros para ajudar a restabelecer a intimidade. Um triângulo é o menor sistema de relação possível que pode restaurar o equilíbrio num momento de stress. A terceira pessoa assume uma posição de fora
Em períodos de stress, a posição de fora é a posição mais confortável e desejada. 
A posição interior é atormentada pela ansiedade, juntamente com a sua proximidade emocional. O estranho serve para preservar a relação do casal de dentro. 
Bowen notou que nem todos os triângulos são construtivos – alguns são destrutivos.



Triângulos patológicos/perversos:

Em 1968, o Doutor em Medicina Nathan Ackerman criou um triângulo destrutivo. 
Ackerman afirmou "nós observamos certas relações de interação familiar que temos como o padrão de interdependência familiar, funções essas de destruidor ou perseguidor, a vítima de um ataque de bode expiatório, e o curador da família ou o médico de família. "
Ackerman também reconhece o padrão de ataque, defesa e contra-ataque, como a alteração de papéis.

Triângulo de Karpman. Em 1968, o Doutor em Medicina Stephen Karpman, teoriza o Drama do Triângulo de Karpman em um artigo intitulado análise de contos de Fadas e de script de teatro. Karpman foi um graduado recente da Escola de Medicina da Universidade de Duke e estava fazendo estudos pós pós-graduação sob Eric Berne no momento.

“A família é o modelo universal para o viver; 
ela é unidade de crescimento, de
experiência; de sucesso e fracasso; ela é também unidade de saúde e doença”
Nathan Ackerman







Análise transacional:

Eric Berne, um psiquiatra nascido no Canadá, criou a teoria da análise transacional, no meio do século XX, como uma forma de explicar o comportamento humano

A teoria de Berne da análise transacional foi baseada nas ideias de Freud, mas foi bem diferente. Psicoterapeutas Freudianos focaram-se na terapia da conversa como uma forma de obtenção de conhecimento sobre a personalidade de seus pacientes. 
Berne acreditou que a introspecção poderia ser melhor descoberta através da análise de transações sociais entre pacientes.

Enquanto Freud depende de perguntar aos pacientes sobre si mesmos
Berne sentiu que um terapeuta pode aprender observando o que foi comunicado (palavras, linguagem corporal, expressões faciais) numa determinada interação. 
Então, em vez de fazer diretamente ao paciente perguntas, Berne frequentemente observava o paciente num ambiente de grupo, levando em conta todas as transações que ocorreram entre o paciente e outras pessoas.

Jogos em análise transacional refere-se a uma série de transações que são complementares (recíprocas), com segundas intenções, e prossegue em direção a resultados previsíveis. 
Neste contexto, o Drama do Triângulo de Karpman é um "jogo".

Jogos são muitas vezes caracterizados por uma troca de papéis dos jogadores até o fim. 
O número de jogadores pode variar. 

Jogos neste sentido são dispositivos utilizados (muitas vezes inconscientemente) por pessoas, para criar uma situação em que eles podem legitimamente sentir certos sentimentos resultantes, como raiva ou superioridade ou, justificadamente, tomar ou, evitar tomar, certas ações onde os próprios desejos interiores deles diferem das expectativas da sociedade. Eles sempre são um substituto para um sentimento adulto mais genuíno e cheio e, a resposta que seria mais apropriada. 


Três variáveis quantitativas são muitas vezes úteis de  levar em conta para os jogos:

  1. Flexibilidade: "A capacidade dos jogadores de alterar a moeda do jogo (isto é, as ferramentas que utilizam para jogá-lo). "Alguns jogos...podem ser jogados corretamente com apenas um tipo de moeda, enquanto outros, como jogos exibicionistas, são mais flexíveis", de modo que os jogadores podem deslocar-se de palavras, para dinheiro, para partes do corpo.
  2. Tenacidade: "Algumas pessoas desistem de seus jogos com facilidade, outros são mais persistentes", referindo-se à maneira como as pessoas insistem nos jogos deles e a resistência à rutura deles com isso.
  3. Intensidade: "Algumas pessoas jogam os jogos deles de uma forma descontraída, outros são mais tensos e agressivos. Jogos assim jogados são conhecidos como jogos fáceis e jogos difíceis, respetivamente". Os difíceis a serem jogados de um jeito tenso e agressivo.

As consequências de jogos podem variar desde pequenas vinganças para vinganças construídas ao longo de um longo período de tempo a um grande nível. 

Com base no grau de aceitabilidade e danos potenciais, os jogos são classificados em três categorias, representando primeiro grau de jogos, de segundo grau de jogos, e de terceiro grau de jogos:
  1. socialmente aceitável,
  2. indesejável mas, não irreversivelmente prejudicador
  3. pode resultar em mal drástico.








O triângulo de Karpman foi uma adaptação de um modelo que foi originalmente concebido para analisar o play-action pass e o draw play no futebol Americano e posteriormente adaptado como uma forma de analisar roteiros de filmes. Karpman é relatado por ter esboçado trinta ou mais tipos de diagrama, antes de ficar com o triângulo. Karpman credita o filme Valley of the Dolls como sendo um testbed para refinar o modelo no que Berne cunhou como Triângulo do Drama de Karpman.

Karpman agora tem muitas variáveis de triângulo de Karpman na sua teoria totalmente desenvolvida, além da troca de papéis. Estes incluem: 
  1. A troca espacial (privada-pública, aberto-fechado, perto-longe) que precedem, causam, ou acompanham a troca de papéis, e a velocidade de script (número de troca de papéis em uma dada unidade de tempo). 
  2. O triângulo Ponto de Interrogação, 
  3. O triângulo Falsa Percepção, 
  4. O triângulo Vínculo Duplo 
  5. O triângulo A Indecisão, 
  6. O triângulo Círculo Vicioso, 
  7. O triângulo Apanhador, 
  8. O triângulo Escape, 
  9. Os Triângulos da Opressão, 
  10. Os Triângulos da Libertação, 
  11. A Troca no triângulo, 
  12. O triângulo Famílias Alcoólicas

Enquanto a análise transacional é o método para se estudar as interações entre indivíduos, pesquisadores acreditam que líderes baseados no drama podem incutir uma cultura organizacional de drama. 
Os perseguidores são mais propensos a estar em posições de liderança e uma cultura de perseguidor vai de mão dada com a competição feroz, medo, censura, manipulação, alta rotatividade e risco aumentado de processos judiciais. 

Há também culturas de vítima que podem levar à baixa moral e de baixo envolvimento bem como esquiva de conflito, e culturas salvadoras que podem ser caracterizadas como tendo uma grande dependência do líder, baixa iniciativa e pouca inovação.







O Triângulo do Vencedor

Foi publicado por Acey Choy em 1990 como um modelo terapêutico para mostrar aos pacientes como alterar transações sociais quando entram num triângulo, em qualquer um dos três pontos de entrada( Vítima, Salvador, Perseguidor). 

Choy recomenda que qualquer pessoa que se sinta uma vítima, que pense mais em termos de ser vulnerável;  qualquer um atuando como um perseguidor, adote uma postura assertiva. E qualquer um recrutado para ser um salvador deve reagir de forma a ser "cuidadoso".

  1. Vulnerável – uma vítima deve ser encorajada a aceitar a sua vulnerabilidade, resolver problemas, e ser mais auto-consciente.
  2. Assertiva – um perseguidor deve ser encorajado a fazer o que eles querem, ser assertivo, mas não ser punitivo.
  3. Cuidar – um salvador deve ser encorajado a mostrar preocupação e ser atencioso, mas não extrapolar a resolver problemas para os outros.





"O Poder do TED", de David Emerald, publicado pela primeira vez em 2009, recomenda que a "vítima" adote o papel alternativo de criador, visualizar o perseguidor como um desafiante, e recrutar um treinador em vez de um salvador.

  1. Criador – vítimas são encorajadas a serem orientadas para os resultados, em oposição à orientado-para-problema e assumir a responsabilidade de escolher a sua resposta para os desafios da vida. Eles devem concentrar-se na resolução de "tensão dinâmica" (a diferença entre a realidade atual e a antevisão de meta ou resultado) tomando decisões eficazes para os resultados que está a tentar alcançar.
  2. Desafiante – a vítima é encorajada a ver um perseguidor como uma pessoa (ou situação) que força o criador a clarificar as suas necessidades, e a focar-se na sua aprendizagem e crescimento.
  3. Treinador – um salvador deve ser encorajado a fazer perguntas que se destinam a ajudar o indivíduo a fazer escolhas informadas. A principal diferença entre um salvador e um treinador é de que o treinador vê o criador como um ser capaz de fazer escolhas e de resolver os seus próprios problemas. Um treinador faz perguntas que permitem que o criador veja as possibilidades de ação positiva, e de se concentrar no que realmente quer, em vez daquilo que não quer.

















Ray Skip Johnson 
in, Escaping Conflict and the Drama Triangle
.........................

Lynne Forrest
in, The Three Faces of Victim — An Overview of the Drama Triangle

.........................

David Emerald 
in, The Power of TED




Vítima não procura ajuda, procura aliados

 






Quando falamos em vítima, estamos falando 
de um jogo neurótico 
que permeia relações humanas, 
descrito por Eric Berne 
nos trabalhos de Análise Transacional



Berne esclarece que nestas relações doentias, duas pessoas (ou grupos de pessoas) se revezam em papéis diferentes: 
o salvador – o perseguidor/acusador – a vítima.

Vou dar um exemplo, que pode se encaixar em tantas e tantas situações: 
Você vê alguém sofrendo. 
Você faz seus maiores esforços em auxiliar esta pessoa. Você quer salvá-la – se transforma em “salvador”. 
Esta pessoa, em primeiro momento, se coloca como alguém que aceita ajuda. Conta a sua história difícil, quantas e quantas vezes tentou se recuperar, mas a vida foi cruel. A sorte nunca lhe sorriu. Ela é “a vítima”. 
Você faz, faz, faz, ela melhora um pouco, mas depois, piora. Você começa novamente a ajudar, dando a sua energia, tempo, conhecimento, dinheiro, etc. Ela melhora um pouco, e cai novamente. Você começa a se irritar. Acusa a pessoa de conformada. Fraca. Descomprometida. 
Você se transforma em “acusadora”. 
E a “vítima” pode continuar no seu papel. Em geral, o “acusador” verá desperto em si muita agressividade. A “vítima” também está escondendo muita raiva.

Bert Hellinger diz que 
a “vítima” não está em paz com seus pais. 
E desconta no mundo a frustração. 

Percebo que o “salvador”, que depois se transforma no “perseguidor/acusador” também tem sérios problemas com os pais. A única diferença é que aprendeu a operar na vida de uma forma reativa: já que meus pais não deram o que eu queria, da forma como eu queria, faço por mim mesmo.

Perceba se esses papéis existem em sua vida. 
Seja numa relação afetiva, ao cuidar de alguém, talvez no assistencialismo. 
Se existe, comece a olhar para a sua relação com seus pais. 
E para a raiva, inconformismo, mágoa, tristeza que ainda carrega. 
Trabalhe terapeuticamente isso em si, e você se aliviará de uma grande carga. E de quebra, deixará de jogar este jogo macabro que só leva ao sofrimento.
 

Alex Possato






quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Não existe perdão!

 





"O perdão chega quando se reconhece que nunca houve nada para perdoar, e sim que havia algo para compreender."

Bert Hellinger

E como será depois a convivência, (principalmente entre família), já que sabemos que existe uma incompatibilidade com aquele que te feriu?

"Trate o outro como gostaria de ser tratado e compreenda que não precisa amar e conviver, apenas respeitar como um Ser humano que também está aqui para evoluir."

Bert Hellinger



“Não se deve pedir perdão. Um ser humano não tem o direito de perdoar. Nenhum ser humano tem esse direito. Quando alguém me pede perdão, empurra para mim a responsabilidade por sua culpa. (…) No ato de perdoar existe sempre um desnível de cima para baixo, que impede uma relação de igualdade. Pelo contrário, se você diz “sinto muito”, você se coloca de frente para o outro. Então você preserva sua dignidade, e para a outra pessoa é bem mais fácil ir ao seu encontro do que se você lhe pedir perdão.” 
Bert Hellinger


Nas constelações não se pede perdão nem tampouco se perdoa ninguém, a frase de cura utilizada é “sinto muito”. Isso porque, conforme os ensinamentos de Bert Hellinger, quem perdoa se coloca em posição de superioridade, pois afirma “você estava errado e eu estava certo”

Quando alguém diz “eu perdoo você” se torna maior do que o outro e isso faz com que a pessoa perdoada se sinta em dívida com quem “foi grande o bastante” para perdoar, criando um desequilíbrio entre ambos.

Quem pede perdão, transfere a responsabilidade de seus atos para o outro, bem como transfere para ele a possibilidade de aliviar sua própria culpa, pois, após o pedido feito, cabe ao ofendido “aceitar esse perdão” e livrar o ofensor das consequências de seus próprios atos ou “não aceitar esse perdão” e carregar consigo o peso de não o ter feito.

Dizer “sinto muito” tem o mesmo efeito do que conhecemos como perdão, porém não deixa ninguém em dívida, não torna ninguém superior ou maior que o outro. A responsabilidade fica dividida, equilibrada, igualando as posições entre as pessoas. O “sinto muito” quando dito com verdade é o perdão que liberta.


BERT HELLINGER
in, Ordens do Amor: um guia para o trabalho com constelações familiares




 

terça-feira, 23 de agosto de 2022

What is Resonance and Why is it so Important?



Linden Gledhill, 
a Philadelphia-based pharmaceutical biochemist 
creates incredible cymatic pattterns with sound, water and light. 



Resonance is experienced, and even identified as the process being responsible for the forms of what we perceive, observe, or infer based on it - an atom, a flower, planets, galaxies -. 

It binds together the different elements that make up physical reality and allows interaction between them. It is the main factor for feedback to be possible, the conduit, shall we say, through which the exchange of information happens: the external can penetrate the internal, and the internal can manifest outside. The condition for that channel to be available, is the coincidence in energy; that the inner and outer energies are compatible. i. e., that they have the same frequency.

In general, we could say that everything around us is vibrating or is vibration. Light or electromagnetic fields is a free propagating vibration in empty space. It is usually depicted as a waveform in 2D, when in reality it moves in 3D following a helical motion, and it is a transverse wave because it vibrates perpendicular to the direction of propagation of the wave (green and red oscillating arrows):





The green and red oscillating vectors are the electric and magnetic component of the wave, respectively.

When the vibration is not happening in empty space, but through a material sample, then the wave is not electromagnetic in nature but mechanical (the atoms themselves are propagating the vibration, they are the wave), known as a sound wave, and its propagation speed will depend on the material of the sample. It will be a longitudinal wave, meaning that the vibration occurs in the direction of propagation of the wave. It has recently been proven that sound waves do carry mass of their own, additionally to the mass that atoms have.

Matter is also vibration, which is confined in a certain volume in space. All objects, even if static, have lots of internal vibrations, its atoms are basically, pure vibration. And the internal modes of vibrations - also known as vibration modes, or normal modes- are particular for each atom, and molecule. These are the fingerprint of the object, it being a quantum particle, such as an atom, or a tennis ball, or a planet, or a star.   

Each object has its fingerprint, which are its own modes of vibration. These are defined by its geometry and atomic/molecular composition. For example, if we take a simple molecule of water, composed one oxygen and two hydrogen atoms, its normal modes of vibration are depicted in the video below:






                     


When an external vibration (remember that energy has an oscillation or vibration associated with it, with frequency f) strikes the object, if that vibration (frequency) coincides with any of the object's modes of vibration (which have their frequency as well), the object will absorb that energy and that normal mode of vibration will amplify its amplitude (it will vibrate more intensely, analogous to higher sea wave amplitude).

This principle is what makes, for example, that a glass vessel breaks when some acoustic vibration around it coincides with any of the normal or proper modes of vibration of the glass, so that if the volume (intensity of the sound) is high enough, the glass will absorb that more energy, its atoms will have more kinetic energy that is amplified by this resonant condition, until the glass breaks (loses its shape, unable to withstand so much internal energy amplified by the external).

Likewise, an object that is made to vibrate (it does so at its own frequencies or modes of vibration), can stimulate the vibration of any other object around it that has some mode of vibration that matches its own, as the video below shows:


                     


Sound is, therefore, consequence of resonance.

Cymatics is a perfect example of how these resonances may be observed in nature. Cymatics is a subset of modal vibrational phenomena; it makes sound patters visible, therefore, it is the study of visible sound and vibration. 
And when combining sound or matter vibrations, and light vibrations, incredible cymatic patters are created.

Color, too, is another consequence of resonance. To explain the nature of color, we first would have to address some quantum mechanics concepts.
  
The simplest known atom, the hydrogen, is mainly composed of a proton and an electron, where both are basically confined vibrations at different frequencies, also known as normal modes of vibrations. This means that they are allowed to vibrate only at certain frequencies, defined by quantum mechanics. Their vibrations are “quantized”. Meanwhile, white light propagating electromagnetic oscillations, contains all frequencies of the visible spectrum, therefore, when it reaches the hydrogen atom, only parts of the electromagnetic spectrum can be absorbed by the atom, and it becomes “excited”. This excitation lasts very short time, it decays almost immediately, and the energies emitted by the atom can also be detected. This is known as the emission spectra of the hydrogen atom.

There are two ways in which one can measure the spectra, or fingerprint of the interaction between light and the atom: from the perspective of the frequencies of light that are missing from the original after they have been absorbed by the atom (upper section in the figure below), the resulting spectra is known as absorption spectra of hydrogen atom, or, by measuring the emission spectra of the excited atom. Both spectra are almost the negative one of other one, except that there are very small energy loses as heat, during the de excitation of the atom, and hence the energy emitted is smaller than the absorbed, its frequency is a little smaller; it shifts the spectrum a little, almost unperceivable bit, to the red side, i.e., to larger wavelengths.
  
The spectrum is particular for each atom, it is the fingerprint of each atom. The scientific technique that measures the spectra of elements is known as spectroscopy, and it allows to determine the chemical composition -atomic and molecular- of everything around us. Molecules also have their own fingerprint (which is more complex than for the atom, because there are many more modes of vibrations involved), because it can be decomposed in the different vibrations coming from its bonded atoms.

One of the most beautiful ways of looking at the periodic table, is thought the emission spectra of the elements, where we can confirm that effectively, each have their own spectra.
  
Spectroscopy is a technology based on quantum mechanics, and it is not only empolyed to determine the chemical composition in samples, but as well it is the main tool to know the chemical environment in astronomical objects, such as our Sun, and the atomic composition in the different layers of the Sun.
  
  


The black lines in Sun’s absorption spectrum are caused by gases helium, hydrogen, oxygen, on or above Sun’s surface that absorb some of the emitted light. Every gas has a very specific set of frequencies that it absorbs.

If a gas is heated to the point where it glows, the resulting spectrum has light at discrete wavelengths that turn out to match the wavelengths of missing light in stellar spectra. Therefore, by studying the spectra of various elements in a laboratory here on Earth, we can determine the composition of the distant stars, galaxies, and beyond!


It is curious that the Sun emission spectra can be considered a black body radiation spectra, as the figure below shows:



Diagram from Comin's Discovering the Universe




Nassim Haramein remarks that the Sun and a black hole, are both black body radiators, and that alone hints into the hidden nature of stars.

“It should be noted that a black hole is a perfect black body, as is the sun. This fact is important in the context of Unified Physics Theory”. 
Nassim Haramein

Very important studies have shed light on the now irrevocable fact that black holes in the center of galaxies are playing a predominant role in the galaxy formation, event that would explain why astronomers and astrophysicists have found a black hole in the center of galaxies.

Astronomers have observed supermassive black holes creating star-forming regions. Since 2017 a team of astrophysicists have been observing supermassive black holes, and the possibility that these entities could be birthing stars, finding evidence of new star birth from material being ejected from the black hole, called an outflow. An outflow of gas could be responsible for creating new stars by swirling around the center of the black hole, in something called an accretion disc. The possibility that the star formation happens in the accretion disk of the black hole was supported by observations.

Using the Hubble Space Telescope to observe and carry out spectroscopy on a dwarf galaxy Hen 2-10 (which is about 34 million light years away from Earth, in the constellation Pyxis), Schutte and his team conclude that the black-hole outflow in the center of the galaxy triggered the star formation of the galaxy, and their findings were published in Nature.

Stephen Adler, at Princeton University in New Jersey, has developed a new theory based on an interaction between black holes and the dark energy which provides a mechanism that could explain how a central black hole can catalyze star formation. This interaction with dark energy would cause black holes to leak matter creating a wind of particles that stream away.

“When this wind collides with infalling matter, the momentum cancels out leaving the products of the collision a certain distance from the black hole. It is this matter that then forms into stars.”  
The Physics arXiv Blog.

If black holes do emit a “wind” in the way that Adler proposes, astronomers could see evidence of it, using the James Webb Space Telescope. And just some days ago, a new study with observational data is supporting this view. The study finds that in fact, black hole growth and star formation are happening concurrently in the same galaxies and they do seem to be influencing each other. They also calculate the ratio that describes how the two phenomena are linked, and this is very important in the context of Unified physics because it proves that the connection between stars and black holes go is even deeper.

How deep can the relation go? 
Haramein’s coming paper, Invariant Unification of Forces, Fields and Particles, in a Quantum Vacuum Plasma, is addressing this as well! 

As Haramein has affirmed for more than 25 years, stars are black holes with a thick ergosphere, which is why the spectra of a black body (a black hole) and a star, are so similar.

From all of the above, we can see that the notion of Resonance is so important, elemental and Foundational, that our foundation establishes it as a Basic Principle. 
Resonance guides all our studies: the Generalized Holographic Principle, the Holofractographic Scaling Model, the Science Quantum Biology, the Science of Consciousness, and much more ... 



Inés Urdaneta