terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Por um Mundo Escutador







Não existe alternativa: a globalização começou com o primeiro homem. 
O primeiro homem (se é que alguma vez existiu «um primeiro» homem) era já a humanidade inteira. Essa humanidade produziu infinitas respostas adaptativas. 

O que podemos fazer, nos dias de hoje, é responder à globalização desumanizante com uma outra globalização, feita à nossa maneira e com os nossos propósitos. Não tanto para contrapor. Mas para criar um mundo plural em que todos possam mundializar e ser mundializados. Sem hegemonia, sem dominação. Um mundo que escuta as vozes diversas, em que todos são, em simultâneo, centro e periferia.

Só há um caminho. Que não é o da imposição. Mas o da sedução. 
Os outros necessitam conhecer-nos. Porque até aqui «eles» conhecem uma miragem. O nosso retrato - o retrato feito pelos «outros» - foi produzido pela sedimentação de estereótipos. 
Pior do que a ignorância é essa presunção de saber. 
O que se globalizou foi, antes de mais, essa ignorância disfarçada de arrogância. 
Não é o rosto mas a máscara que se veicula como retrato.

A questão é, portanto, a de um outro conhecimento. 
Se os outros nos conhecerem, se escutarem a nossa voz e, sobretudo, se encontrarem nessa descoberta um motivo de prazer, só então estaremos criando esse território de diversidade e de particularidade.

O problema parece ser o de que nós próprios — os do Terceiro Mundo — nos conhecemos mal.
Mais grave ainda: muitos de nós nos olhamos com os olhos dos outros. 

Um velho ditado africano avisa: 
não necessitamos de espelho para olhar o que trazemos no pulso. 

A visão que temos da nossa História e das nossas dinâmicas não foi por nós construída. Não é nossa. Pedimos emprestado aos outros a lógica que levou à nossa própria exclusão e à mistificação do nosso mundo periférico. Temos que aprender a pensar e sentir de acordo com uma racionalidade que seja nossa e que exprima a nossa individualidade.

Fomos empurrados para definir aquilo que se chamam «identidades». 
Deram-nos para isso um espelho viciado. 
Só parece reflectir a «nossa» imagem porque o nosso olhar foi educado a identificarmo-nos de uma certa maneira. 

O espelho deforma o que trazemos amarrado no pulso. 
Pior que isso: amarra-nos o pulso. E aprisiona o olhar. 
Onde deveríamos ver dinâmicas vislumbramos essências, onde deveríamos descobrir processos apenas notamos imobilidade.


Mia Couto 
in, Pensatempos


sábado, 19 de fevereiro de 2022

A Nation's Strength









 What makes a nation's pillars high
And its foundations strong?
What makes it mighty to defy
The foes that round it throng?

It is not gold. Its kingdoms grand
Go down in battle shock;
Its shafts are laid on sinking sand,
Not on abiding rock.

Is it the sword? Ask the red dust
Of empires passed away;
The blood has turned their stones to rust,
Their glory to decay.

And is it pride? Ah, that bright crown
Has seemed to nations sweet;
But God has struck its luster down
In ashes at his feet.

Not gold but only men can make
A people great and strong;
Men who for truth and honor's sake
Stand fast and suffer long.

Brave men who work while others sleep,
Who dare while others fly...
They build a nation's pillars deep
And lift them to the sky.



William Ralph Emerson
in, Our Little Kings and Queens at Home and at School 




.........................................outras formas de escravatura










Mas, para outras formas de escravatura, 
os nossos olhos encontram-se inteiramente fechados; 
a nossa desculpa é que são formas mais subtis, 
mais continuadas e por assim dizer 
mais naturais de escravatura. 




Por exemplo, a das crianças, obrigadas a viver num mundo inteiramente construído para adultos e por eles inteiramente dirigido, o que explica que toda a fantasia, a liberdade de criação, a capacidade de atenção e a íntima delicadeza das crianças quase que inteiramente venham a desaparecer no adulto; 

Por exemplo, a das mulheres adstritas a um trabalho doméstico que infinitamente e monotonamente recomeça, como se a sua única missão na vida fosse a de ter comida e alojamento prontos para um exército de trabalhadores; 

Por exemplo, e ainda é talvez a mais grave, a escravatura a uma especialização exigida, por critérios de utilidade social, de homens, de seres humanos, criados para a infinita liberdade da totalidade das tarefas, para serem, dentro de seus limites de espaço e de tempo, a fiel imagem, e a adoradora imagem, da força, da possibilidade, da apetência infinita que os gerou."


Agostinho da Silva
in, "Textos e Ensaios Filosóficos II"





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Afterword







Reading what I have just written, I now believe 
I stopped precipitously, so that my story seems to have been 
slightly distorted, ending, as it did, not abruptly 
but in a kind of artificial mist of the sort 
sprayed onto stages to allow for difficult set changes. 

Why did I stop? Did some instinct 
discern a shape, the artist in me 
intervening to stop traffic, as it were? 

A shape. Or fate, as the poets say, 
intuited in those few long ago hours -

I must have thought so once. 
And yet I dislike the term 
which seems to me a crutch, a phase, 
the adolescence of the mind, perhaps -

Still, it was a term I used myself, 
frequently to explain my failures. 
Fate, destiny, whose designs and warnings 
now seem to me simply 
local symmetries, metonymic 
baubles within immense confusion -

Chaos was what I saw. 
My brush froze - I could not paint it. 

Darkness, silence: that was the feeling. 

What did we call it then? 
A "crisis of vision" corresponding, I believed, 
to the tree that confronted my parents, 

but whereas they were forced 
forward into the obstacle, 
I retreated or fled -

Mist covered the stage (my life). 
Characters came and went, costumes were changed, 
my brush hand moved side to side 
far from the canvas, 
side to side, like a windshield wiper. 

Surely this was the desert, the dark night. 
(In reality, a crowded street in London, 
the tourists waving their colored maps.) 

One speaks a word: I. 
Out of this stream 
the great forms -

I took a deep breath. And it came to me 
the person who drew that breath 
was not the person in my story, his childish hand 
confidently wielding the crayon -

Had I been that person? A child but also 
an explorer to whom the path is suddenly clear, for whom 
the vegetation parts -

And beyond, no longer screened from view, that exalted 
solitude Kant perhaps experienced 
on his way to the bridges -
(We share a birthday.) 

Outside, the festive streets 
were strung, in late January, with exhausted Christmas lights. 
A woman leaned against her lover’s shoulder 
singing Jacques Brel in her thin soprano -

Bravo! the door is shut. 
Now nothing escapes, nothing enters -

I hadn’t moved. I felt the desert 
stretching ahead, stretching (it now seems) 
on all sides, shifting as I speak, 

so that I was constantly 
face to face with blankness, that 
stepchild of the sublime, 

which, it turns out, 
has been both my subject and my medium. 

What would my twin have said, had my thoughts 
reached him? 

Perhaps he would have said 
in my case there was no obstacle (for the sake of argument) 
after which I would have been 
referred to religion, the cemetery where 
questions of faith are answered. 

The mist had cleared. The empty canvases 
were turned inward against the wall. 

The little cat is dead (so the song went). 

Shall I be raised from death, the spirit asks. 
And the sun says yes. 
And the desert answers 
your voice is sand scattered in wind.


Louise Glück




A Alegria do Ser





Para descobrir se a sua vida é controlada 
pelo tempo psicológico, 
pode usar um critério simples. 
Pergunte: 
há alegria, 
bem-estar e leveza 
naquilo que estou a fazer? 



Se não houver, é porque o tempo está a encobrir o momento presente e a vida é vista como um fardo ou uma luta.
Se não houver alegria, bem-estar ou leveza naquilo que está a fazer, isso não significa necessariamente que tenha de mudar aquilo que está a fazer. Mudar o modo como o faz poderá ser suficiente. 

O "como" é sempre mais importante do que o "o que". 

Tente prestar mais atenção ao fazer do que ao resultado que quer alcançar. 
Preste toda a sua atenção àquilo que se lhe apresentar no momento.
Isso também implica que você aceite inteiramente o que é, porque não poderá dar toda a sua atenção a alguma coisa e resistir-lhe ao mesmo tempo.

Assim que você honrar o momento presente, toda a infelicidade e todo o conflito desaparecerão, e a vida começara a fluir alegre e facilmente.
Ao agir com consciência do momento presente, tudo o que você fizer ficará imbuído de uma sensação de qualidade, de cuidado e de amor — até mesmo o acto mais simples.

Portanto não se preocupe com o fruto da sua acção – preste simplesmente atenção à acção em si.
O fruto virá de sua livre vontade.
Isto é um exercício espiritual extraordinário. 

No Bhagavad Gita, um dos mais antigos e mais belos ensinamentos espirituais que existem, o desapego ao fruto da sua acção chama-se Karma Yoga. 
É descrito como o caminho da "acção consagrada".

Quando cessa o esforço compulsivo para se afastar do Agora, a alegria de Ser flui em tudo o que você fizer. No momento em que a sua atenção se voltar para o Agora, você sente uma presença, uma quietude, uma paz. Deixa de depender do futuro para a realização e satisfação pessoais — não espera dele a salvação. Portanto, não se apega aos resultados.
Nem o insucesso nem o sucesso têm o poder de alterar o seu estado interior de Ser.
Você descobre a vida subjacente à sua situação de vida.

Na ausência do tempo psicológico, a sua sensação de identidade deriva do Ser e não do seu próprio passado. Portanto, deixa de existir a necessidade psicológica de ser uma coisa diferente do que você já é. 

No mundo, ao nível da sua situação de vida, você pode na verdade vir a ser rico e famoso, a ter sucesso, a estar livre disto ou daquilo, mas na dimensão mais profunda do Ser você está completo e inteiro agora.
Nesse estado de plenitude, continuaríamos a ser capazes de (ou a estar dispostos a) perseguir metas externas?
Claro, mas não terá expectativas ilusórias de que alguma coisa ou alguém no futuro o salvará ou fará feliz. 

No que diz respeito à sua situação de vida, poderá haver coisas a alcançar ou a adquirir. 
É o mundo das formas, dos ganhos e das perdas.
No entanto, a um nível mais profundo, você já é completo e, quando compreender isso, haverá uma energia descontraída e alegre por trás de tudo o que fizer.

Estando livre do tempo psicológico, você deixará de perseguir as suas metas com uma determinação sinistra, levado pelo medo, pela cólera, pelo descontentamento ou pela necessidade de vir a ser alguém.
Nem ficará paralisado pelo medo de insucesso, que para o ego é perda de identidade.

Quando a sua sensação de identidade mais profunda deriva do Ser, quando está livre do "vir a ser" como uma necessidade psicológica, nem a sua felicidade nem a sua sensação de identidade dependem de um resultado e, portanto, há ausência de medo.

Você deixa de procurar a permanência onde ela não pode ser encontrada: no mundo das formas, dos ganhos e das perdas, do nascimento e da morte.
Deixa de exigir que situações, condições, lugares ou pessoas o façam feliz para depois sofrer quando não correspondem às suas expectativas.

Tudo é honrado, mas nada importa. 
As formas nascem e morrem, no entanto você conhece o eterno que há por trás das formas. 
Sabe que "nada que seja real poderá ser ameaçado."
Quando é este o seu estado de Ser, como pode você deixar de ter sucesso?
Já alcançou o sucesso.



in, O Poder do Agora
Eckhart Tolle




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Poesia


Gus Fine Art





 Como para Sísifo,
a vida para mim é esta rocha.
Carrego-a e conduzo-a até ao alto.
Quando cai volto a apanhá-la
e, tomando-a entre os braços,
levanto-a outra vez.
É uma forma de esperança.
Penso que teria sido mais triste
se não tivesse podido arrastar uma pedra
sem outro motivo que não fosse o amor.
Levá-la por amor até ao alto.


Joan Margarit
in, "Misteriosamente feliz"




Amor Exigente





De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples!
Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais.
Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo.
Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver.
Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele.
Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe.
A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades.
Eu tenho já feito sofrer tanto!
Tenho sido tão má!
Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.

Florbela Espanca
in, "Correspondência"
1920



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

DISCURSO DO MÉTODO






 Em criança, eu já procurava as janelas
para fugir com o olhar.
Desde então, quando entro nalgum sítio,
Fixo onde é a porta e onde deixei o casaco.
Liberdade, para mim, quer dizer fuga.
O mundo está cheio de portas,
como o sexo, afinal, em caso de emergência.
Mas todas se vão fechando, e depressa,
para fugir, ficarão somente aquelas
janelas da infância.
De par em par abertas para saltar.


in, “Misteriosamente Feliz”
Joan Margarit




The Physics of Spirituality | Nassim Haramein with Vishen Lakhiani

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

The Real You - Alan Watts

Weep not for me








Weep not for me though I have gone
Into that gentle night
Grieve if you will, but not for long
Upon my soul’s sweet flight

I am at peace, my soul’s at rest
There is no need for tears
For with your love I was so blessed
For all those many years

There is no pain, I suffer not
The fear is now all gone
Put now these things out of your thoughts
In your memory, I live on

Remember not my fight for breath
Remember not the strife
Please do not dwell upon my death
But celebrate my life



Constance Jenkins




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

WHAT IS THE DIFFERENCE BETWEEN SOUL AND EGO?

 






“I have a question for you,” I said to my life coach, Rob, the other day.

“Let’s hear it…”

“How do I know whether it’s my soul guiding me,” I asked, “or my ego pushing me?”

“That,” he replied, “is an excellent question!”

“Good,” I said, “because I’m having a heck of a time trying to manage all the tasks that need to get done in a day. I’m really good at prioritizing and getting the most important work done first. But when I start to get tired, I’m not sure whether the little voice pushing me to do more is my soul gently encouraging me to reach my highest potential…or my bullheaded ego trying to turn me into a productivity machine.”

After a good laugh, here was the gist of Rob’s answer:

“The ego loves to use the word ‘should.’ If you hear yourself using the term ‘should’ and/or ‘not enough,’ chances are good that’s your ego trying to run the show. Whereas if you feel excited and enthusiastic about getting started on a project or tackling a task, that is likely soul-driven versus ego-driven.”

“If you feel a positive push to move forward and can’t wait to get started,” Rob continued, “you are likely following the guidance of your soul versus your ego. In contrast, if you feel a sense of dread at the mere thought of doing a task and have to literally force yourself to do it—or repeatedly avoid doing it all—you best pay attention to that.”

The ego, he went on to explain, is all about controlling versus allowing. The ego is pushy, forceful, tends to be negative and is rooted in fear and lack. Whereas the soul communicates in soft whispers and gentle nudges. The soul speaks through positive and encouraging self-talk and is all about abundance. There is enough for all; we are enough…all of us, just as we are.






Now, when it comes to tackling my daily task list, I do still oscillate between enjoying the journey/process (soul) and just wanting to get the darn thing DONE (ego), so perhaps pushing myself harder than necessary.

And the sheer size of my task list, never mind the complexity of said tasks, suggests that, more often than not, my ego is still running the show much of the time
But what I am paying attention to, far more now, is how I feel when tackling the tasks.

I do the very best I can, each and every day, to reach the goals I have set for myself. But when I am tired, I stop. And I don’t beat myself up for stopping. Rather, I put my feet up (or go for a walk or watch a movie) and pat myself on the back, knowing that my best effort was good enough. 
Tomorrow is a new day.

How about you? 
Is it your soul—or ego—in the driver’s seat? 
Or do they take turns at the wheel?



Maryanne Pope









Our soul and our ego are both part of who we are, 
and we can look at them as polar opposite aspects of ourselves 
that coexist and come to the forefront when we need them, 
depending on the situation that we’re in.


When we think of ego vs soul it’s easy to see one as good (the soul) and one as bad (the ego) but that isn’t really the case.

The ego is just as necessary as the soul is when we need it, and it’s what sets us apart as humans because as far as we know, no other animal has an ego in the way that we do.



WHAT IS THE EGO?


“Ego” is the latin word for “I”, and I think this definition can give you a pretty good idea of what the ego means on its own.

The ego is who we are in our minds - it’s composed of conscious thoughts and beliefs, labels and our sense of identity. 

The ego is helpful when it comes to making some decisions because it’s good at weighing up consequences and outcomes and seeing things objectively.

It is also a motivating force that can help us thrive in today’s society - it often gets the job done, for whatever reason that may be.
It is also what determines our own perspective of the external world, though this can often be flawed because it is so easily affected by our own emotions and past experiences, rather than the true reality.

And unlike the soul, it is mostly self-serving, thinking of your own wants and needs, as opposed to the collective. 

But as I said before, I think the ego gets a bad rep, and there are times when this self-serving force is necessary and dare I say it, a good thing.

Interestingly, some yogic cultures actually define the ego in three parts (much like Freud’s definitions of the ego, superego and id).


These are the three aspects of our ego:

The Tamasic ego: self-destructive, blind
The Rejasic ego: self-centred
The Sattvic ego: creative and protective


So if this is true, our aim should not be to get rid of the ego entirely, but to move towards the Sattvic ego over the other types, and to use it to our advantage when it serves us for good.




WHAT IS THE SOUL?


In contrast, the soul is pretty much the polar opposite of everything the ego represents.

The soul self doesn’t rely on logical decision making, but instead allows itself to be guided by intuition or signs from the Universe.

This is the part of ourselves that exists when the ego self has taken a step back, which is often described as a “flow state” where external constructs like time no longer exist.

The soul might be regarded as your “true nature”, since this is the essence of who you are, without the influence of labels, expectations or judgments - it just is.






SOUL OVER EGO

When they’re in balance, the soul and the ego are able to perfectly coexist - it’s only when one takes dominance over the other in a situation that it is not suited to that becomes problematic.
And contrary to what some spiritual teachers will tell you, the aim isn’t to squash the ego completely, because the soul self can equally take over and be unhelpful in some situations.

Think about being in a life or death situation - the ego is the force that is going to help you with problem solving to get out of that situation safely, ultimately leading to your survival. 

In the same situation the soul would be pretty useless at this level of problem solving, and it wouldn’t come with the same sense of urgency to save your life.

It would however be useful in keeping you calm and preventing your emotions from taking over completely, which would otherwise likely result in you being paralysed by fear and being able to take no action at all.

The aim is therefore to find balance between the two, and to recognise when one has taken over when it’s unnecessary and potentially problematic.

Admittedly, due to the way our societies have become, with a focus on material possessions and instant feedback loops in the form of social media apps, it is much more likely for the ego to take centre stage in unwanted situations than vice versa. 


So how do we learn to take a step back and choose soul over ego in these situations?

Spotting when the ego is in charge is the most important step in choosing your soul over it.

If you don’t know when the ego has taken hold, how can you know to let go of it?


It can be really difficult to spot when our ego has come to the forefront, since it is a powerful driving force in all of us, and many of us live our lives entirely through our egos without ever questioning it.

But once we learn to spot the ego in charge, we can intentionally choose to push it to the side and choose our soul instead, when we don’t think that the ego is serving us.

And the good news is that it only takes once for you to say no to your ego, and then it will get easier and easier going forward to do the same!








HOW TO SPOT WHEN YOUR EGO IS IN CHARGE (AND ISN’T SERVING YOU)


You often feel consumed by your emotions, particularly ones of anger, hurt or disappointment

You have a more extrinsic sense of worth, meaning that you get your validation from outside sources like material possessions or other people’s opinions of you

You “overthink” things, and struggle to make decisions due to heavily analysing the potential outcomes

You are highly critical of yourself and others, and make objective judgements

You see things in black and white, gravitate towards labels and feel the need to compartmentalise things into boxes

You’re easily hurt/angered/disappointed when things don’t go your way or you don’t get the outcome you expected

You take other people’s actions and projections personally, even when they’re not




HOW TO SPOT WHEN YOUR SOUL IS IN CHARGE (AND IS SERVING YOU)

You don’t take other people’s actions or decisions to heart, knowing that they are not a reflection of you and are projections of their own internal state

You are more readily able to practice forgiveness and let go of the past, preferring not to dwell on things that are no longer in your control

You have a desire to better yourself, but your self worth does not depend on achieving goals

Your sense of self worth is constant and isn’t affected by the opinions of others or the acquisition of material possessions

You feel less attached to outcomes and are able to “go with the flow” or “trust your gut”

You don’t feel a need to fit into a particular box or label, and instead listen to what you are called to, even when that changes

You lose yourself and a sense of time when doing things you enjoy, like creating and exercising

You feel called to go after your own interests and desires, even when they go against the grain of what is “normal” or “expected of you”

Life feels more effortless, like the Universe is gently guiding you forward






EGO VS SOUL RELATIONSHIPS

In my opinion, relationships are one of the most affected areas of our life and the most likely to suffer from an imbalance of soul and ego.

Having experienced many ego-based relationships, I know how detrimental they can be for your own growth and wellbeing.

Recognising when the ego has taken over in your relationships in unhealthy ways, whether from yourself or the other party (or both), is essential in shifting towards a more healthy relationship or making the decision to walk away.







When it comes to ego vs soul, the soul is often the desired state in many situations.

But don’t take this as the ego being the enemy - there are many situations in which the ego is a beneficial state to be in - it’s about recognising when it’s unneeded and when to push it aside in favour of the soul.

Switch your focus towards shifting towards a more Sattvic ego, and calling in your soul self when you feel you may be getting too ego dominant.

It’s a process, so don’t beat yourself up when you slip into your ego self often (that itself would be the result of the ego!)


Enjoy the journey and understand that it’s all about finding balance.






EGO VS SOUL QUOTES


These are some powerful ego vs soul quotes that can help you further understand the difference between the (sometimes unhelpful) ego, and the soul.



"Ego finds what it wants in words, the soul finds what it needs in silence." - Unknown

"The dream is the small hidden door in the deepest and most intimate sanctum of the soul." - Carl Jung

"A bad day for your ego is a great day for your soul." - Jillian Michaels

"When the ego dies, the soul awakes." - Mahatma Gandhi

"Keep your ego on a short leash and live from your soul." - Unknown

"Freedom means the power to act by soul guidance, not by the compulsions of desires and habits. Obeying the ego leads to bondage; obeying the soul brings liberation." - Paramahamsa Yogananda

"The ego wants quantity, but the soul wants quality." - Himmy Parker

"These are planes of consciousness, and I think human beings live on two planes of consciousness, the soul and the ego." - Ram Dass

"The finish line is for the ego, the journey is for the soul." - Unknown

"Ego says once everything falls into place, I will find peace. Soul says once I find peace, everything will fall into place." - Unknown



in, Through the Phases







domingo, 6 de fevereiro de 2022

Diálogo entre o Ego e a Alma...








Ego: o que é que querem, eu preciso dela para me defender…

Alma: Estás um pouco confundido Ego, pois esses aspectos que queres defender é onde eu preciso me expandir para me recriar de novo… andas um pouco baralhado Ego… é normal, nestes tempos de profunda mudança de consciência de quem somos…
É importante saber quem somos na verdade e assim podes participar na desmistificação massiva da sombra que é necessária neste planeta Terra, e contribuímos com a nossa parte….

A sombra são apenas aspectos que foram extremamente agredidos na esfera do mundo do arquétipo da criança interior e que criaram dinâmicas próprias para não ser de novo magoados…
Por de trás da sombra está a Tua Criança fragilizada, e é fundamental aprender através do astro drama a cuidar da tua Criança e dos mecanismos que ela mantém guardados no quarto escuro para se proteger…

Tu És a Porta de Entrada e Saída dessa energia; relaciona-te contigo nesse movimento e sem dúvida que abarcarás na Tua Consciência muito do teu ser que estava desactivado, em modo standby…
Quando o nosso SER está carregado de energia sensorial em amor próprio, não rejeitando, mas sim acolhendo tudo em Nós, conseguimos atravessar os momentos de crise de formas criativas… Somente neste estado de desenvolvimento a chama humana é capaz de alcançar a sua expressão máxima…

É nessas feridas emocionais que residem no nosso inconsciente que opera um sistema que nos faz agir e reagir à vida e às pessoas gerando desequilíbrios profundos; na realidade todos os sistemas de defesa têm um objectivo, o de manter a nossa auto-imagem, só que esta é baseada na dor.

Ao mergulharem na vossa mandala astrológica individual(Mapa Natal) irão sentir um campo de segurança onde é seguro não só observar as matrizes dos vossos mapas, as vossas matrizes emocionais, como ainda irão ter a oportunidade de recriar uma nova mandala onde o equilíbrio agora a ser resgatado é o interior, e a sustentação é real de amor próprio...


Ruth Fairfield



The Elephant & the Boy

 





The Elephant & the Boy 

A Little Story of Ego & Soul 
Our ego is like the elephant.
Our soul is like de boy. 




Once there was a boy and his elephant. 
The boy used to love to ride his majestic elephant around town…and did so with grace, ease and the gentlest of touch. 
The boy was small. The elephant was massive and exponentially stronger than the boy. 
Both boy and elephant were very intelligent, determined, and resourceful—just in different ways.

Our ego is like the elephant: big and strong and can do pretty much whatever it wants to, once it sets its mind to it. But that’s not always a good thing.

Our soul, in contrast, is like the boy. When all is going well, and the boy is treating the elephant with kindness and respect—including ensuring all the elephant’s needs are met in healthy ways—the elephant will gladly do what the boy wants it to do and go where the boy wants it to go.

But make no mistake: the mighty elephant, like our ego, can wreak havoc. A frightened, angry, and out-of-control elephant on the loose can cause an awful lot of damage—to itself and others—if it’s needs are not being met.

Because here’s the thing: both boy and elephant have a purpose. 
Likewise, both boy and elephant have needs that must be met.

The boy—our soul—knows what it is here to do in this life, and why, and is perfectly capable of gently but firmly guiding the elephant—our ego—in the right direction, day in and day out. 
A healthy elephant knows how strong and mighty it is—and doesn’t need to smash through the local china shop to demonstrate its strength to others (including the other mighty elephants).

Without an elephant, the boy would find it rather difficult to navigate his way about town and all the other elephants roaming about. Same with us: our ego is an integral component of our human experience. Without an ego, we would have no boundaries.

Both ego and soul are important and necessary for us to be able to function as healthy, happy, and productive human beings. 

Think of the ego and soul working together to get us where we want and need to go in our lives—without harming ourselves, or others, or the planet, in the process.

The trick, of course, is to always remember and honour the sheer strength of the ego. 
For even a resting elephant in the room is still an elephant.



Maryanne Pope





sábado, 5 de fevereiro de 2022

Não deites fora as cartas de amor



Westend61






 Elas não te abandonarão.
Passará o tempo, apagar-se-á o desejo
— essa flecha de sombra —
e os rostos sensuais, inteligentes, belíssimos
ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho.
Cairão os anos. Cansar-te-ão os livros.
Decairás ainda mais
e perderás até a poesia.
O ruído frio da cidade nos vidros
acabará por ser a tua única música,
e as cartas de amor que tiveres guardado
serão a tua última literatura.



Joan Margarit





TESTE DRIVE PARA O AMOR





Existem muitas maneiras de duas pessoas apaixonadas se conhecerem melhor: irem juntas ao cinema, sairem para um chope, passearem de bicicleta, fazerem festa com os amigos, motel. É a programação clichê da maioria dos namorados.
Mas será que isso basta para conhecer alguém? 
Um homem e uma mulher podem tomar quatrocentos litros de chope juntos e continuarem sabendo muito pouco um do outro. Uma coisa é saber o que ele pensa, e isso pode ser feito numa mesa de bar. Outra é saber como ele é, e isso requer mais intimidade, e não é de sexo que se está falando. É de convivência 24 horas.

Como descobrir, antes de casar ou morar junto, se ele ronca, se ela demora no banho, se ele usa fio dental, se ela acorda de mau humor, se ele sabe lidar com o inesperado, se ela é mesmo independente?
Pegando a estrada. 
Viajar juntos é o grande teste para um casal. 

Passar alguns dias acampando, ou num hotel, numa casa alugada, não importa onde, desde que seja um território neutro onde se possa repartir os bons e maus momentos, descobrir as manias de cada um, os hábitos que foram herdados dos pais, a verdadeira face oculta, que dificilmente se revela numa festa de sábado. Ela sempre aparecia cheirosa nos encontros. Perfumaria. Viajando juntos, você descobre que ela é adepta do banho de gato, uns respingos e deu. Dorme com uma baba no cabelo, que é pra não ressecar. Usa a mesma camiseta cinco dias seguidos e sua escova de dentes completou três aninhos em agosto. Ele sempre falou que honestidade era sua maior virtude. Nota-se. Na estrada, tentou subornar dois guardas. Chegando na casa que alugaram, ele deu um jeito de emperrar uma janela para pedir um abatimento no preço. Ao fazerem as primeiras compras no mercadinho da cidade, você o flagrou escondendo uma barra de chocolate no casaco e passando pelo caixa sem pagar. Um exemplo de dignidade.

É claro que, na maioria das vezes, uma viagem confirma que a pessoa que elegemos é mesmo maravilhosa, e novas qualidades são descobertas. Mas é conveniente não reservar a surpresas para a lua-de-mel. Pequenas viagens de fim-de-semana, ao longo do relacionamento, podem ser muito reveladoras. Você já sabe que ele gosta de filmes de ação e que ela prefere comer peixe, mas os dois só saberão dos detalhes da personalidade de cada um se criarem uma pequena rotina doméstica, fora da vida social.

Isso é brincar de casinha?
Que seja.
Ainda é o melhor teste para saber se o amor resistirá a uma vida de verdade.



Martha Medeiros




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Como limpar velhas crenças







Vamos experimentar examinar um pouco o nosso passado, e dar uma olhada em algumas crenças que têm nos dirigido.
Algumas pessoas acham essa Parte do Processo de limpeza muito dolorosa, mas não precisa ser assim. Precisamos olhar para o que existe antes de podermos começar a faxina.
Quando se quer limpar uma casa completamente, 
Primeiro é necessário pegar e examinar tudo o que existe nele. Algumas coisas serão olhadas com carinho e receberão limpeza e polimento para ganharem uma nova beleza. 
Outras talvez precisem de conserto ou restauração, o que poderá ser feito depois, com calma.

Outras coisas jamais servirão para nada e deverão ser jogadas fora. 
Jornais e revistas velhos, pratos de papel sujos podem ser postos na lata do lixo sem rodeios. Não é necessário ficar com raiva para se fazer uma boa faxina.

O mesmo acontece quando estamos a limpar nossa casa mental. 
Não é preciso sentir raiva só porque algumas das crenças guardadas nela estão prontas para serem atiradas fora. Livre-se delas com a mesma facilidade com que jogaria restos de comida na lata do lixo depois de uma refeição. 
Você por acaso pegaria no lixo de ontem para fazer o jantar de hoje? 
Você pega no velho lixo mental para criar as experiências de amanhã.

Se um pensamento ou crença não lhe é mais útil, livre-se dele! 
Não existe nenhuma lei que diga que só porque você um dia acreditou em alguma coisa é obrigado a acreditar nela para sempre.


Assim, vamos dar uma olhada em algumas dessas crenças limitantes e descobrirmos a sua origem:

CRENÇA LIMITATIVA: Não sou bom o bastante.

ORIGEM: Um pai que repetidamente lhe dizia que ele era burro.

Ele falou que queria ser um sucesso para o Pai poder se orgulhar dele, porém estava assolado pela culpa, que criava ressentimento, e tudo o que conseguia produzir era um fracasso após outro. O pai continuava a financiar os negócios dele, porém, um a um eles fracassavam. Ele usava o fracasso para se vingar. Fazia o pai pagar, pagar e pagar. Claro, ele era o maior perdedor.

CRENÇA LIMITATIVA: Falta de amor por si própria.

ORIGEM: Tentar ganhar a aprovação do pai.

A última coisa que ela queria era ser como o pai. Os dois não concordavam em nada e estavam sempre a discutir. Ela só queria a sua aprovação, mas só conseguia críticas. Seu corpo estava cheio de dores, exatamente iguais às que o pai tinha. Ela não percebia que a raiva estava criando dores nela, como a raiva do pai criava dores nele.

CRENÇA LIMITATIVA: A vida é cheia de perigos.

ORIGEM: Um pai amedrontado.

Outra cliente encarava a vida como sendo áspera e sombria.
Tinha dificuldade em rir e, quando o fazia, ficava com medo de que algo “mau” iria acontecer. Fora criada com a admoestação: “Não ria ou ‘eles’ poderão pegá-la”.

CRENÇA LIMITATIVA: Não sou bom o bastante.

ORIGEM: Estar abandonado e ignorado.

Era difícil para ele falar. O silêncio tornara-se um modo de vida. Ele acabara de se livrar do álcool e das drogas e estava convencido de que era péssimo. Descobri que a sua mãe morrera quando ele era muito jovem e que fora criado por uma tia. Essa mulher raramente falava, exceto para dar uma ordem, portanto ele foi criado em silêncio. Até comia sozinho em silêncio e passava dia após dia no quarto sem fazer barulho. Teve um amante que também era um homem silencioso e os dois passavam a maior parte do tempo sem se falarem. O amante morreu e, mais uma vez, ele ficou sozinho.


Exercício: Mensagens negativas
O exercício que fazemos em seguida é pegar numa folha grande de papel e escrever uma lista de todas as coisas que seus pais disseram que estavam erradas com você.

Quais foram as mensagens negativas que você ouviu? 
Dê-se tempo suficiente para lembrar o máximo que puder. 
Meia hora geralmente é bastante.

  1. O que eles diziam sobre dinheiro? 
  2. O que diziam sobre seu corpo? 
  3. O que diziam sobre amor e relacionamentos? 
  4. O que diziam sobre seus talentos criativos? 
  5. Quais foram as coisas limitativas ou negativas que lhe disseram?

Se puder, apenas olhe de forma objetiva para essas frases e diga a si mesmo: 
Então, foi daí que veio aquela crença.

Agora peguemos uma nova folha de papel e vamos um pouco mais fundo. 
Que outras mensagens negativas você ouviu quando era criança?

  • De parentes
  • Professores
  • Amigos
  • Autoridades
  • Sua Igreja

Anote todas elas. 
Leve o tempo que for necessário. 
Tome consciência das sensações que estão ocorrendo no seu corpo.

O que está escrito nessas folhas de papel são os pensamentos que precisam ser removidos de sua consciência. 
São crenças que o fazem sentir “não bom o bastante”.


Vendo-se como uma criança
Se eu pegasse uma criança de três anos e a colocasse no meio da sala e nós começássemos a gritar com ela, dizendo-lhe que é burra, que nunca fará nada direito, que deve fazer isto ou aquilo, olhar para a bagunça que fez, talvez bater nela algumas vezes, terminaríamos com uma criancinha assustada, sentada docilmente num canto da sala, ou então com uma arrebentando a casa toda. 
Ela agirá de uma dessas duas maneiras e nunca saberemos qual é o seu verdadeiro potencial.

Agora, se pegarmos a mesma criança e lhe dissermos o quanto a amamos o quanto nos importamos com ela, que adoramos sua aparência e nos orgulhamos da sua esperteza e inteligência, que ficamos encantados com as coisas que faz e que ela pode cometer erros enquanto aprende – que estaremos sempre do seu lado tanto nas horas boas como ruins -, o potencial dessa criança será ilimitado.

Cada um de nós tem uma criança de três anos no nosso interior e com frequência passamos a maior parte de nossas vidas a gritar com ela. 
Depois ficamos a pensar por que a nossa vida não funciona.

Se você tivesse um amigo que estivesse sempre a critica-lo, gostaria de estar sempre com ele? 
É possível que você tenha sido tratado dessa forma quando criança, e isso é muito triste. 
No entanto, isso aconteceu há muito tempo atrás. 
Se atualmente você está a escolher tratar-se da mesma forma, então é algo mais triste ainda.

Agora, bem à nossa frente, temos uma lista das mensagens negativas que ouvimos quando crianças. Como essa lista corresponde ao que você acredita estar errado com você? 
São quase as mesmas coisas? 
Provavelmente sim.


Baseamos o nosso roteiro de vida nas nossas mensagens de infância. 
Éramos todos bonzinhos e aceitamos obedientemente o que “eles” nos disseram como sendo verdade. Seria muito fácil só culparmos nossos pais e sermos vítimas pelo resto da vida, mas isso não teria graça nenhuma e com toda a certeza não nos tiraria da encrenca em que nos encontramos agora.

Culpar a família
A culpa é um dos modos mais garantidos de se permanecer dentro de um problema. 
Quando culpamos alguém, estamos a abrir mão do nosso poder. A compreensão permite-nos elevarmo-nos acima da questão e assumirmos o controle de nosso futuro.

O passado não pode ser mudado. O futuro é moldado pelo pensamento atual. É imperativo para a nossa liberdade entender que nossos pais estavam a fazer o máximo que podiam com a compreensão, consciência e sabedoria que tinham. Sempre que culpamos alguém, não estamos a assumir a responsabilidade por nós mesmos.

Aquelas pessoas que nos fizeram todas aquelas coisas horríveis estavam tão assustadas e amedrontadas como você está agora. Sentiam a mesma impotência que você sente agora. As únicas coisas que podiam ensinar eram as que tinham aprendido.

Quanto você sabe sobre a infância dos seus pais, especialmente antes dos dez anos de idade? 
Se ainda for possível, descubra mais perguntando-lhes. 
Se conseguir mais informações sobre a infância de seus pais, você vai entender com maior facilidade por que fizeram o que fizeram. A compreensão resultará em compaixão. 
Se você não sabe e não tem como descobrir, tente imaginar como deve ter sido. 
Que tipo de infância criaria um adulto como aquele?

Você precisa desse conhecimento para sua própria libertação. 
Você só poderá se libertar depois de libertá-los. 
Você só poderá se perdoar depois de perdoá-los. 
Se exigir perfeição deles, exigirá perfeição de si mesmo, o que o tornará infeliz a vida toda.


A escolha dos pais
Concordo com a teoria de que escolhemos os nossos pais. 
As lições que aprendemos parecem combinar perfeitamente com as “fraquezas” dos pais que temos.

Acredito que estamos todos numa viagem interminável através da eternidade. Viemos a este planeta para aprendermos lições especiais necessárias para nossa evolução espiritual.

Escolhemos o nosso sexo, cor e país, e em seguida procuramos o casal perfeito para “refletir” nossos padrões.

Nossas visitas a este planeta são como ir a uma escola. Se você quer ser esteticista, você vai fazer um curso de estética. Se você quer ser um mecânico, vai para a escola de mecânica. Se você quer ser um advogado, vai para a faculdade de direito. 
Os pais que você escolheu nesta vida eram o casal perfeito de “peritos” no que você queria aprender.

Quando crescemos, temos a tendência de apontar um dedo acusador para os nossos pais e dizer: 
“Vocês me fizeram isso!” Porém, eu acredito que nós os escolhemos.


Dando ouvidos a outros
Nossos irmãos e irmãs mais velhos são deuses para nós quando somos pequenos. Se eram infelizes, provavelmente descontaram em nós tanto física como verbalmente. 
Podem ter dito coisas como:

“Vou contar tudo o que você fez” (instilando culpa).

“Você é pequenininho, não pode fazer isso”.

“Você é novo demais para brincar connosco”.

Os professores muitas vezes nos influenciam muito. 
Quando eu estava no quinto grau, uma professora me disse enfaticamente que eu era alta demais para ser dançarina. Acreditei nela e pus de lado as minhas ambições no campo da dança até estar velha demais para começar uma carreira como dançarina.

Você compreendeu que exames e notas eram só para ver o seu grau de conhecimento numa época determinada ou foi daquelas crianças que deixavam medir seu valor?

Nossos primeiros amigos compartilharam a sua falta de informação sobre a vida connosco. Nossos coleguinhas podem gozar connosco e deixar mágoas perenes. Quando eu era criança, sofri muito porque meu sobrenome era Lunney e os meninos me chamavam de “lunática”.

Os vizinhos também exercem influência, não só por causa do que dizem, mas porque também nos perguntamos: “O que os vizinhos vão pensar?”

Pense bem nas autoridades que tiveram influência na sua infância. 
E, naturalmente, existem as declarações fortes e muito persuasivas dos anúncios na imprensa e televisão. Um excesso de produtos é vendido fazendo-nos sentir que seremos indignos ou errados se não os usarmos.

Todos estamos aqui para transcendermos as nossas limitações iniciais, sejam quais tenham sido. Estamos aqui para reconhecer a nossa própria magnificência e divindade, não importa o que eles nos tenham dito. Você tem as suas crenças negativas para superar e eu tenho as minhas crenças negativas para superar.


Novo padrão
  1. Na infinidade da vida onde estou, tudo é perfeito, pleno e completo.
  2. O passado não tem poder sobre mim porque estou disposto a aprender e mudar.
  3. Vejo o passado como necessário para me trazer até onde estou hoje.
  4. Estou disposto a começar bem aqui onde estou agora, a limpar os quartos de minha casa mental. Sei que não importa por onde inicio, de modo que agora começo com os quartos menores e mais fáceis, e assim verei os resultados rapidamente.
  5. Sinto-me emocionado por estar no meio desta aventura, pois sei que nunca passarei por essa experiência em particular de novo. Estou disposto a me libertar.
  6. Tudo está bem no meu mundo.


Louise Hay 
in, “Você pode curar a sua vida”