quinta-feira, 7 de maio de 2020

Física Quântica






Aqueles que não ficam chocados 
quando entram pela primeira vez em contacto 
com a teoria quântica 
não podem de forma alguma 
tê-la compreendido.
Niels Bohr
Prémio Nobel de 1922



Se os físicos, que recebem prémios Nobel não compreendem a teoria quântica, o que diremos nós?
O que podemos fazer quando a realidade nos diz coisas confusas, desconcertantes e intrigantes?
Vamos então falar de electrões, fotões e quarks.
E como algo tão pequeno pode por em causa o nosso mundo ordenado e compreensível.


Por um lado, esta é uma teoria muito paradoxal, intrigante e conceptualmente confusa.
Por outro, não temos a opção de a descartar porque é a ferramenta mais poderosa provada para a previsão dos comportamentos dos sistemas físicos que temos em mãos.

David Albert


O Conhecido encontra o desconhecido
A física newtoniana clássica baseava-se na observação de objectos quotidianos sólidos de experiência comum, desde maçãs a cair, à orbita dos planetas. As suas leis eram repetidamente testadas, provadas e duravam há centenas de anos. Eram bem compreendidas e faziam um bom trabalho em prever o comportamento físico, tal como se viu com a Revolução Industrial.
Mas, nos finais do séc. XIX, quando os físicos começaram a desenvolver ferramentas para investigar os mais pequenos reinos da matéria,descobriram algo verdadeiramente intrigante: a física newtoniana não funcionava! Nem explicava nem previa os resultados a que os investigadores estavam a chegar.

Durante os 100 anos seguintes, desenvolveu-se uma descrição científica completamente nova para explicar o mundo das coisas mais pequenas. Conhecida como Mecânica Quântica, ou Física Quântica.Este novo conhecimento não substitui a física newtoniana, que continua a funcionar para explicar os objectos grandes, macroscópicos. Apenas foi inventada uma nova física para ir até onde a física newtoniana não conseguia ir: ao Mundo Subatómico!

O Universo é muito estranho. Parece haver duas séries de Leis que governam o Universo.
No nosso mundo quotidiano clássico, basicamente as nossas escalas de tamanho e tempo, as coisas são descritas segundo as leis do movimento de Newton que foram estabelecidas há centenas de anos.
Contudo, para a escala mais pequena, dos átomos, uma outra série de leis se impõe.
São as Leis Quânticas.

Dr. Stuart Hameroff


O termo Quantum foi aplicado pela primeira vez à ciência pelo físico alemão Max Planck em 1900.
É uma palavra latina que significa simplesmente quantidade, mas é usada para designar a mais pequena unidade de qualquer propriedade física, tal como a energia ou a matéria.



O que a Teoria Quântica revelou é tão intrigante que soa mais a ficção científica:

  • As Partículas podem estar em dois ou mais sítios ao mesmo tempo.
  • Há experiências que revelaram que uma partícula pode estar presente ao mesmo tempo em 3 mil sítios.
  • O mesmo "objecto" pode parecer ser uma partícula, localizável num lugar, ou uma onda, distribuída pelo Espaço e pelo Tempo.


Einstein disse que nada pode viajar mais depressa do que a Velocidade da Luz, mas a Física Quântica demonstrou que partículas subatómicas comunicam instantaneamente sobre qualquer extensão de Espaço.

A física clássica era determinística:
Dada qualquer série de características, tais como a posição e a velocidade de um objecto, poder-se-ia determinar com exactidão onde se dirigiria.
A física quântica é probabilística:
Nunca podemos saber com certeza absoluta o comportamento de uma coisa específica.
A física clássica era reducionista:
Baseava-se na premissa de que apenas conhecendo as partes separadas se poderia compreender o Todo.
A física quântica é orgânica e holística:
Pinta uma imagem do Universo como um Todo Unificado, cujas partes estão interligadas e se influenciam mutuamente.
E talvez mais importante, a física quântica apagou a marcada distinção cartesiana entre o sujeito e objecto, observador e observado, que dominou a ciência durante 400 anos.
Na física quântica, o observador influencia o objecto observado.
Não há observadores isolados de um Universo mecânico, mas Tudo participa no Universo.


Se quisermos apontar uma das mais profundas mudanças filosóficas entre a mecânica clássica e a mecânica quântica, é que a mecânica clássica é construída em torno do que sabemos que é uma fantasia: a possibilidade de observar as coisas passivamente.
A mecânica quântica acaba definitivamente com isso.

David Albert


Quebra-Cabeças 1:
ESPAÇO VAZIO
Uma das primeiras falhas da física newtoniana foi a descoberta de que os átomos, os supostos sólidos tijolos do Universo físico, eram maioritariamente constituídos por espaço vazio.
Quão Vazio?
Se usarmos uma bola de basquete para representar o núcleo de um átomo de hidrogénio, o electrão à sua volta estaria cerca de 30 kms afastado...e o espaço entre eles estaria vazio.
Por isso, quando olhar à sua volta, lembre-se de que o que está lá são pontinhos pequeninos de matéria rodeados de nada.
Bem, não é bem assim!
Esse suposto "vazio" não é nada vazio:
Contém enormes quantidades de energia subtil e poderosa.
Sabemos que a energia aumenta à medida que caminhamos para níveis mais subtis de matéria, sendo a energia nuclear um milhão de vezes mais potente do que a energia química, por exemplo. Os cientistas dizem que há mais energia num centímetro cúbico de espaço vazio (do tamanho de um berlinde) do que em toda a matéria conhecida do universo.


Quebra-Cabeças 2:
PARTÍCULA, ONDA OU ONDÍCULA?
Não só existe "espaço" entre as partículas como, à medida que os cientistas sondam mais profundamente o átomo, descobrem que as partículas subatómicas (os constituintes dos átomos) também não são sólidas. E aparentemente têm uma aparência dual. Dependendo de como as olhamos podem comportar-se como partículas ou ondas.
As partículas podem ser descritas como objectos sólidos separados por localizações espaciais específicas.
As ondas, por outro lado, não são localizadas nem sólidas, mas sim dispersas, como ondas sonoras ou ondas de água.
Enquanto ondas, os electrões ou fotões (partículas de luz) não têm localização precisa, mas existem como "campos de probabilidade".
Enquanto partículas, o campo de probabilidades "colapsa" num objecto localizável num local e tempo específicos.
Espantosamente, o que parece fazer a diferença é a observação ou a medição.
Os electrões não observados nem medidos comportam-se como ondas. Mal os sujeitamos a observação numa experiência, "colapsam" numa partícula e podem ser localizados.
Como pode algo ser ao mesmo tempo uma partícula sólida e uma onda suave e fluída?
Talvez o paradoxo possa ser resolvido relembrando que, as partículas "comportam-se" como ondas ou partículas. Mas a "onda" é apenas uma analogia. Tal como "partícula" é uma analogia do nosso mundo quotidiano. Esta noção de onda foi solidificada na teoria quântica de Erwin Schrodinger que, com a sua famosa "equação de onda", resumiu matematicamente as probabilidades da função de onda da partícula antes da observação.
Os cientistas nunca viram nada assim.
Alguns físicos chamam a este fenómeno "ondícula".

Quando um "objecto" subatómico está no seu estado de onda, aquilo em que se irá tornar e onde e quando é observado são incertos. Existe num estado múltiplas possibilidades. Este estado é chamado de superposição. É como atirar uma moeda ao ar numa sala escura.
Matematicamente, mesmo após ter caído sobre a mesa, não conseguimos dizer se é cara ou coroa. Quando se acende a luz, "colapsamos" a superposição, e a moeda torna-se cara ou coroa.
Tal como acender a luz, medir a onda colapsa a superposição mecânica quântica e a partícula aparece num estado mensurável, "clássico".



Quebra-Cabeças 3:
SALTOS QUÂNTICOS E PROBABILIDADE
Ao estudar o átomo, os cientistas descobriram que quando os electrões se movem de órbita em órbita em torno de um núcleo, não se movem no espaço como os objectos comuns - movem-se instantaneamente. Ou seja, desaparecem de um sítio, uma órbita, e aparecem noutro.
A isto de chama de Salto Quântico.
Descobriram também que não conseguiam determinar com exactidão onde iriam aparecer os electrões nem quando iriam saltar. O melhor que conseguiam fazer era formular as probabilidades da nova localização do electrão.

"A realidade como nós a sentimos está constantemente a ser criada de fresco a cada momento a partir desta quantidade de possibilidades, diz o Dr Satinover, "mas o verdadeiro mistério disto é que, dessa quantidade de possibilidades, qual é aquela que vai acontecer não é determinado por algo que faça parte do universo físico. Não há nenhum processo que faça isso acontecer"

Ou como muitas vezes se diz:
Os eventos quânticos são os únicos eventos verdadeiramente aleatórios do universo.


Quebra-Cabeças 4:
O PRINCÍPIO DA INCERTEZA
Na física clássica, todos os atributos de um objecto, incluindo a sua posição e velocidade, podem ser medidos com uma precisão apenas limitada pela nossa tecnologia.
Mas ao nível quântico, sempre que medimos uma propriedade, tal como a velocidade, não se consegue medir com precisão as suas propriedades, tais como a posição. Se sabemos onde algo está, não podemos saber a que velocidade vai. Se sabemos a que velocidade vai, não sabemos onde está. E por mais avançada ou subtil que seja a tecnologia é impossível penetrar nesse véu de precisão.
O Princípio da Incerteza, também referido como Indeterminância, foi formulado por Werner Heisenberg, um dos pioneiros da física quântica. Ele afirma que, por mais que se tente, não se consegue medir com precisão a velocidade e a posição simultaneamente. Quando mais nos concentramos num, mais perdida na incerteza fica a medida do outro.


Quebra-Cabeças 5:
NÃO LOCALIZAÇÃO, EPR, TEOREMA DE BELL E ENTRELAÇAMENTO QUÂNTICO
Albert Einstein não gostava da física quântica.
Entre outras coisas, respondia à aleatoriedade acima descrita com a frase:
"Deus não joga aos dados com o universo"
À qual Niels Bohr respondia:
"Pare de dizer a Deus o que fazer!"
Numa tentativa de derrotar a mecânica quântica em 1935, Einstein, Pedolsky e Rosen (EPR) escreveram uma experiência que tentava demonstrar como ridícula era.

Uma das implicações da quântica que não era apreciada na altura era:
Arranja-se maneira de ter duas partículas criadas ao mesmo tempo, o que significa que estariam entrelaçadas, ou em sobreposição. Depois enviavam-se para lados opostos do universo. Faz-se depois algo a uma partícula para alterar o seu estado, a outra partícula muda instantaneamente para adoptar o estado correspondente. Instantaneamente!
Esta ideia era tão ridícula que Einstein se referia a ela como "Acção fantasmagórica à distância".
Segundo a sua Teoria da Relatividade, nada podia viajar mais depressa do que a velocidade da luz.
E isso era infinitamente depressa!
Para além disso, a ideia de um electrão se poder manter em contacto com outro do outro lado do universo, simplesmente violava qualquer senso comum da realidade.
Então, em 1964, John Bell criou uma teoria que dizia que, a asserção EPR está correcta.
É precisamente isso que acontece - a ideia de algo ser local ou existir num local está incorrecta. Tudo é não-local. As partículas estão intimamente ligadas a um nível para além do Espaço e do Tempo.

Ao longo dos anos desde a publicação do Teorema de Bell, esta teoria foi verificada vezes sem conta em laboratório. Basta pensar um pouco:
O Tempo e o Espaço
As características mais básicas do mundo em que vivemos.
Tudo isto é substituído no mundo quântico pela noção de TUDO A TOCAR TUDO ao mesmo tempo.
Não é de estranhar que Einstein pensasse que isto seria  a morte da mecânica quântica, por não fazer sentido nenhum.
No entanto, este fenómeno parece ser uma Lei operável no Universo.


Física Quântica e Misticismo
Cada vez se torna mais fácil de perceber por que é que estes dois mundos se tocam.

  • Coisas separadas mas sempre em contacto.
  • Saltos quânticos
  • Matéria que parece ser uma função de onda distribuída, que entra em colapso ou existente no Espaço quando medida.

Os místicos entendem bastante bem todas estas ideias.
Mas, será que a física quântica prova o ponto de vista místico?
Entre os físicos, o consenso parece ser que estamos na Fase da Analogia.
Que os paralelismos são demasiado evidentes para serem ignorados.
Que o raciocínio para defender uma visão paradoxal do mundo é o mesmo, tanto na visão quântica como no budismo zen.
O trabalho destes cientistas ( Bohm, Pribram, Wheeler, etc...) é demasiado importante para ser ignorado, com especulações sobre o misticismo. E o próprio misticismo é demasiado profundo para ser amarrado a fases de teorização científica.



in, Afinal o que sabemos nós?








quarta-feira, 6 de maio de 2020

Roger Waters - Déjà Vu (Lyric Video)

Lince






O lince (Lynx spp.) é um mamífero da ordem Carnivora, família Felidae.

O género tem distribuição geográfica vasta mas presente apenas no Hemisfério Norte.
Os linces são por vezes classificados dentro do género Felis, apesar de possuírem seu próprio género, Lynx

O nome lince, vem do próprio género das espécies, Lynx, que por sua vez vem do grego antigo lúnx mas alguns consideram originada do proto-indo europeu lewk. De qualquer modo, todos os termos significam “brilhante, claro”, em referência aos brilhos dos olhos dos linces quando avistados à noite.

É um animal de comportamento solitário e hábitos geralmente noturnos. 
Por ser um caçador que usa táticas de espreita, o lince é bastante silencioso ao caminhar, dificultando ainda mais a sua visualização em ambientes naturais. Em algumas comunidades dos Balcãs, uma região do sudeste europeu formada por países como Bósnia, Bulgária, Sérvia e Grécia, os linces são considerados “fantasmas”, pelo fato de raramente serem vistos. 

Em Portugal e Espanha está representado pela subespécie (Lynx lynx pardallus), designada lince mediterrânico ou ibérico.





Os linces são felinos de dimensões um pouco maiores que o gato doméstico, podendo pesar até 30kg, encontrando-se em geral entre os 12kg e 20kg, e tem um comprimento que oscila geralmente entre os 80 e 110 centímetros. São felinos de porte médio, costumando ser menores do que as panteras (leões, tigres, leopardos e jaguares) e pumas mas maiores do que os demais gatos selvagens que habitam seu habitat. Têm cauda curta e orelhas bicudas, com um tufo de pelos na ponta.
A pelagem é de cor cinzento-amarelada ou pardo-avermelhada, dependendo da espécie.
Os linces também possuem bigodes ultrassensíveis (vibrissas), pelagem espessa e patas largas como adaptações à vida sobre a neve no inverno.

Os habitats preferenciais dos linces são florestas e zonas de vegetação densa em geral, onde abundem roedores, lagomorfos e cervos, as suas presas preferenciais, mas quando o inverno chega sua principal presa é a lebre, apesar da dificuldade de captura, devido à pelagem branca desta.

Os linces são caçadores ativos e a maioria da suas presas é composta por animais de pequeno porte como roedores, lebres, coelhos e aves.
No entanto podem capturar filhotes e espécimes jovens de alces, de javalis e de ibex (uma espécie de cabra montesa).

Geralmente associado a áreas frias, os linces ocorrem em boa parte do hemisfério norte, com representantes tanto na América do Norte, quanto na Europa e Ásia. 

Atualmente existem quatro espécies de linces.






O lince atinge a maturidade sexual entre 1 e 3 anos de idade. 

A estação de acasalamento varia de acordo com a espécie, mas geralmente ocorre durante os primeiros dias da primavera ou no final do inverno.
Dessa maneira, os jovens nascem antes que a próxima estação fria chegue.

Quando a fêmea está no calor marca as árvores ou rochas que estão ao seu alcance e, como o macho, aumenta a frequência das vocalizações. Antes do acasalamento, o macho e a fêmea se perseguem, tendo entre eles vários tipos de interações físicas.
Os pares de acasalamento só permanecem juntos no momento do namoro e do acoplamento. 

Em relação ao período de gestação, pode durar de 55 a 74 dias. 





O nascimento ocorre nas raízes das árvores, nas cavernas, nos galhos caídos das árvores ou nas tocas que deixaram outros mamíferos abandonados.
Geralmente a ninhada consiste em dois ou três filhotes.

Nascem com orelhas e olhos fechados, abrindo-os um mês após o nascimento. 
Seu corpo possui um pêlo de cor creme, com faixas longitudinais na região dorsal.
Eles são amamentados pela mãe por quatro ou cinco meses.
Depois, oferece-lhes pedaços de carne fresca e, por cerca de 6 meses, ensina-os a caçar. 

Os jovens são completamente independentes aos 10 meses; no entanto, eles podem ficar com a mãe até a 1 ano de idade.






Espécies de lince:

  • Lince-euroasiático (Lynx lynx)
  • Lince-ibérico (Lynx pardinus)
  • Lince-do-canadá (Lynx canadensis)
  • Lince-pardo ou lince-vermelho (Lynx rufus), típico das Montanhas Rochosas
  • Lynx issiodorensis, espécie extinta, habitou na Europa durante o Pleistoceno.
  • Lince-do-deserto (Caracal caracal),  habitante da África e da Ásia Menor.





O lince-euroasiático (Lynx lynx) é um felino de tamanho médio, nativo nas florestas da Europa e da Sibéria, onde é um dos predadores cujas principais caças variam de uma lebre a um veado adulto.

O lince euroasiático é o maior do linces, variando de 80 a 130 cm de pé.
Os machos geralmente pesam entre 18 a 30 kg e as fêmeas pesam 18 kg em média.

75% desses animais estão distribuídos em território russo, mas também podem ocorrer em áreas da Escandinávia, China e Ásia Central. Podem ser encontrados inclusive no Himalaia. 

Tem de cinza a um avermelhado como cor do seu pelo, sendo presente manchas negras características. O padrão do pelo é variável; linces com o pelo fortemente manchado podem existir perto de linces com pelo sem manchas.

O lince é essencialmente um animal noturno e vive sozinho quando adulto.
Além disso, os sons que ele produz são muito calmos e raras vezes pode ser ouvido, de modo que sua presença numa área pode passar despercebida durante anos. Restos de presas ou marcas na neve são geralmente observadas muito antes de o animal ser visto.

Na Suécia existem 1 020 linces. É uma espécie protegida (fridlyst).
A sua alimentação está sobretudo baseada na lebre, podendo ainda entrar na sua dieta animais como aves florestais, corças, renas mansas, microtus e lêmingues.

O lince euro-asiático está localizado no norte e na Europa central, em toda a Ásia, até a Índia e a região norte do Paquistão.
No Irão, ele mora no Monte Damavand e a nordeste da Polónia mora na floresta de Białowieża.
Ele também vive nas áreas oeste e norte da China.
Esta espécie está localizada principalmente no norte da Europa, especialmente na Suécia, Estónia, Finlândia, Noruega e norte da Rússia. Fora desse intervalo, a Roménia é o país em que há uma população maior de Lynx Lynx .

A extinção deste felino ocorreu em várias regiões.
Assim, desde o início do século XX, foi considerado extinto na Croácia e na Eslovénia. 
No entanto, desde 1973, foi introduzido em algumas regiões croatas de Velebit e Gorski Kotar e nos Alpes Eslovenos.
Existem também vários projetos para a reinserção do lince euro-asiático na Alemanha, na Suíça e na Grã-Bretanha, onde foi aniquilado durante o século XVII.





O lince-ibérico (nome científico: Lynx pardinus) é uma espécie de mamífero da família Felidae e género Lynx. Anteriormente considerado uma subespécie do lince-euroasiático (Lynx lynx), o lince-ibérico está agora classificado como espécie separada. 
Ambas as espécies percorriam juntas a Europa central durante o período Pleistoceno, separadas apenas por escolhas de habitat.
Acredita-se que o lince-ibérico, assim como os outros linces, evoluiu a partir do Lynx issiodorensis.
Apresenta muitas das características típicas dos linces, como orelhas peludas, pernas longas, cauda curta e um colar de pelo que se assemelha a uma barba. 
Ao contrário dos seus parentes mais próximos, o lince-ibérico tem uma cor castanho-amarelada com manchas.
O comprimento da cabeça e do corpo é de 85 a 110 centímetros, com a pequena cauda a acrescentar um comprimento adicional de 12 a 30 centímetros. O macho é maior que a fêmea e podem pesar até cerca de 27 kg.
A longevidade máxima na natureza é de treze anos.

Endémico da Península Ibérica, no sul da Europa, o lince-ibérico é especialista na caça de coelhos, os quais representam 79,5% a 86,7% da sua dieta, com fraca capacidade de se adaptar a outro tipo de alimentação. Um macho necessita de um coelho por dia; uma fêmea grávida come três coelhos por dia.

A queda acentuada das populações da sua principal fonte de alimento, em resultado de duas doenças, contribuiu para o declínio do felino. O lince também foi afectado pela perda de matagal, o seu habitat principal, pelo desenvolvimento humano, incluindo mudanças no uso do solo (como o mono-cultivo de árvores) e pela construção de barragens e estradas. Os atropelamentos com veículos são a principal causa de morte não-natural do lince-ibérico.

O lince-ibérico foi uma espécie em perigo crítico até 2015, para agora ser considerada uma espécie em perigo. Ainda assim, é a espécie de felino mais ameaçada no mundo e o carnívoro em maior perigo na Europa. De acordo com o grupo de conservação SOS Lynx, se o lince-ibérico desaparecesse, seria a primeira espécie de felino a ficar extinta desde os tempos pré-históricos.
Está categorizado como espécie em perigo por várias organizações, incluindo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A reprodução em cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado o seu número. 
Em 2013, a Andaluzia tinha uma população de 309 indivíduos em estado selvagem e em Dezembro de 2014 foram reintroduzidos os primeiros exemplares em Portugal.
Em 2017 a população total do lince era de 475 espécimes.

Numa tentativa de salvar esta espécie da extinção, teve início o projecto Europeu de Vida Natural que inclui a preservação do habitat, monitorização da população do lince, e gestão das populações de coelho.





O lince-do-canadá (Lynx canadensis) é uma espécie de felino nativa do Canadá e parte dos Estados Unidos. 

Indivíduos desta espécie possuem pelagem geralmente da coloração castanha-amarelada, muitas vezes com pontos castanhos escuros, que varia consoante a estação. As partes superiores têm frequentemente uma aparência cinzenta grisalha e a parte inferior amarela pálida.
A cauda é curta e quase sempre apresenta a ponta de cor negra.
O comprimento de corpo de espécimes adultos varia entre 67 a 107 cm e o peso de 5 a 17 kg. Os machos são maiores do que fêmeas.

O lince-do-canadá é carnívoro.
As lebres americanas são parte importante de sua dieta.
Alimenta-se também de roedores, pássaros e peixes. No inverno, pode alimentar-se de presas maiores, tal como cervos.

O cio pode demorar até 5 dias.
Dois ou três filhotes nascem após um período de gestação de 8 a 10 semanas. 
Os filhotes pesam cerca 200g após o nascimento, sendo desmamados completamente após 5 meses.




O lince-pardo ou lince-vermelho (nome científico: Lynx rufus) é um felídeo selvagem nativo da América do Norte.
Com doze subespécies reconhecidas, esse animal pode ser encontrado entre o sul do Canadá e o norte do México, incluindo a maioria dos Estados Unidos continentais.

O lince-pardo é um predador adaptável que habita ambientes diversos, tais como florestas, semi-desertos, zonas urbanas ou até pantanosas. Os linces-pardos vivem numa determinada área que varia conforme a estação do ano.

 Fisicamente, o Lynx rufus possui listas pretas características nas patas dianteiras e na cauda. As suas orelhas são proeminentemente pontiagudas com pequenos tufos pretos nas pontas. A sua cauda é curta e grossa, de ponta preta e distingue-se de outras espécies de lince pela lista branca que possui por baixo da cauda. O seu pelo é normalmente de cor cinza ou de vários tons de castanho avermelhado, intercalando com manchas pretas ou dissipando-se nos tons claros das partes inferiores do seu corpo.

Um macho adulto tem aproximadamente 90 cm de comprimento e varia entre os sete e os quatorze kg, e é geralmente 30 a 40% maior que a fêmea.

É um animal carnívoro e, embora prefira se alimentar com coelhos e lebres, também pode caçar desde insetos e pequenos roedores a quadrúpedes de maior porte, tais como o cervo.
A localização, estação do ano e escassez das presas influenciam bastante as suas escolhas enquanto predador.

Como a maioria dos felinos, é territorialista e geralmente solitário, embora possa acontecer de mais de um indivíduo habitar uma área. Eles utilizam vários métodos para determinar os limites de seu território, tais como marcações com as garras, urina e fezes.

 O lince-pardo acasala entre o inverno e a primavera e tem um período de gestação de cerca de dois meses. Embora tenham sido extensivamente caçados por humanos, por desporto ou peles, sua população se provou resistente. A espécie continua com um número estável e a população é saudável.

Eles fazem parte da mitologia nativo americana e do folclore dos colonizadores europeus.





O caracal (Caracal caracal) também conhecido como lince-do-deserto, ou lince-persa é um carnívoro da família dos felídeos habitante da Ásia Menor. 

Apesar de sua aparência lembrar a de um lince, este gato selvagem é parente próximo do serval.
São felinos de porte médio, sendo que em seu habitat são menores do que as panteras (leões e leopardos) e guepardos, mas maiores do que os gatos selvagens.

O caracal pode chegar a medir mais de 90 cm e pesar mais de 18 kg. 
Possui pernas longas e uma aparência esguia.
A cor da pelagem pode variar de avermelhado, acinzentado a amarelo torrado, embora até se conheçam casos de indivíduos todos negros; e é própria para ele se camuflar.

Um caracal selvagem vive cerca de 12 anos, mas em cativeiro pode chegar aos 17 anos. 
Como ele é um animal fácil de se domesticar, ele é utilizado pelos humanos para atividade de caça em países como o Irão e a Índia. Ele é treinado para caçar outros animais.

O caracal distribui-se pelo Sudoeste Asiático.
Seu habitat consiste normalmente de estepes e desertos, mas também aparece em florestas ou savanas.

As presas favoritas do caracal são os roedores (nomeadamente os daimões), as lebres, aves de capoeira e outros animais domésticos.
Por vezes pode até atacar gazelas, pequenos antílopes e também jovens avestruzes.

Pode dar saltos verticais de 3 metros e "abater" aves em pleno voo com a pata.






EVOLUÇÃO

Os restos fósseis mais antigos do lince datam de aproximadamente 4 milhões de anos. Em relação ao ancestral do lince moderno, os pesquisadores apontam para Lynx issiodorensis .

Esta espécie, conhecida como lince Issoire, é um felino extinto que viveu na Europa entre o Plioceno e o Pleistoceno. Provavelmente se originou na América do Norte, de onde se espalhou para várias áreas da Europa e Ásia. Em relação à sua extinção, isso poderia ter acontecido no final da última glaciação.

O esqueleto do Lynx issiodorensis tem muitas semelhanças com o do lince atual.
No entanto, seus membros eram mais robustos e mais curtos.
Além disso, tinha uma cabeça maior e um pescoço mais longo.

Os pesquisadores apontam que o lince que atualmente vive na Península Ibérica pode ter evoluído como resultado do isolamento geográfico, após vários períodos glaciais consecutivos.

A distribuição actual do lince na Europa está associada aos eventos que ocorreram no final do Pleistoceno. Uma delas foi a chegada do lince da Eurásia ao continente europeu.
O outro facto é a diminuição significativa na área geográfica do lince ibérico e euro-asiático, durante a glaciação de Würm. 

No final da glaciação de Würm, grande parte da Europa estava coberta de gelo e tundra.
Isso fez com que o lince se refugiasse nas florestas do sul.
Após a glaciação, o clima ficou mais quente, permitindo que as áreas arborizadas começassem a se expandir. Os linces fizeram o mesmo, o que ampliou sua abrangência geográfica.





HABITAT


O lince pode viver numa grande diversidade de ecossistemas, onde existem florestas de altura média a alta, com uma floresta coberta por vegetação densa. Assim, é encontrado desde florestas de coníferas até o boreal, em florestas de abetos e madeira de lei, bem como em comunidades subalpinas.
Os habitats do lince e da raquete de neve livre estão fortemente associados. O lagomorfo é uma das principais presas dos felinos, portanto, geralmente é onde pode consumi-los. É por isso que as áreas relacionadas a florestas de abetos boreais frescos e húmidos, onde há alta densidade de lebres, são ideais para a reprodução e sobrevivência do lince.
A neve também é um fator influente na distribuição, uma vez que as populações geralmente estão localizadas nas áreas em que a cobertura contínua de neve dura no mínimo quatro meses.

Durante o século XX, as principais causas de mortalidade dessas espécies foram a caça e captura. Estes estão associados à venda de suas peles, ao controle de alguns predadores regionais e à exploração de coelhos e lebres selvagens.
Além disso, eles são mortos por fazendeiros, que defendem seus animais dos ataques deste gato.
Esta situação se intensifica nas regiões onde o gado é uma das principais fontes económicas.
Esses factores de ameaça diminuíram, mas nos últimos anos o lince é apanhado em armadilhas ilegais ou morre envenenado pelo consumo de produtos químicos usados ​​para controlar roedores.

Em algumas regiões, como no Paquistão, Azerbaijão e Mongólia, o esgotamento de presas que forma a dieta do lince é considerado uma grande ameaça para este gato selvagem.

O homem modificou o ambiente natural do lince, derrubando e desmatando as florestas, para se desenvolver nesses urbanismos fazendas agrícolas e pecuárias.
Além disso, a construção de estradas, além de fragmentar o habitat, causa a morte do animal, ao tentar atravessá-lo. As várias construções urbanas e industriais estão a afectar os padrões naturais de dispersão e o fluxo genético das várias espécies do género Lynx.
Outras consequências são as proporções sexuais tendenciosas, a diminuição do número de filhotes e o aumento da mortalidade por doenças.






COMPORTAMENTO

O lince é um animal solitário, de hábitos noturnos. Geralmente é agrupado quase exclusivamente na estação de acasalamento. No entanto, uma mãe pode formar um grupo com seus filhos por até um ano.

Embora seja um animal terrestre, é capaz de escalar árvores com habilidade. Ele também é um nadador experiente e alpinista.

Como outros gatos, as espécies que compõem o género Lynx usam as glândulas olfativas e a urina para demarcar os limites de seu território e se comunicar com outras de suas espécies.

Além disso, pode vocalizar várias chamadas. Assim, os jovens geralmente emitem sons guturais quando precisam de ajuda. O jovem também pode uivar, assobiar ou miar.
Quando a mãe amamenta ou prepara os filhotes, ela costuma ronronar.

Todas as espécies de lince têm excelente visão, mesmo em condições de pouca luz nas quais costumam caçar. Essa habilidade se deve a uma estrutura especial sob a retina, chamada tapetum lucidum . Sua função é semelhante à do espelho, intensificando os raios de luz que o afetam.





ESPIRITUALIDADE

Se o Lince atravessou a sua trilha…

Saiba que as coisas não são exactamente o que parecem ser. 
Use seu discernimento para remover as camadas de ilusão e ver as coisas como elas realmente são. Veja através, ao invés de apenas olhar, do objecto de sua atenção.
Confie neste felino, pois ele fará com que você veja o que é verdade.

Alternativamente, este guia pode estar a dizer-lhe que alguém pode estar te enganando, e muito provavelmente, esse alguém é você mesmo. Atente para conseguir ver as coisas que estão te desiludindo de suas crenças. Tome o tempo necessário para analisar a verdade daquilo em que você acredita e considere o que você valoriza nisso tudo.

Esta energia também te encoraja a ser mais brincalhão e flexível na sua vida. 
Ele te incentiva a tentar alcançar mais oportunidades, “sair da caixa” e mudar a sua rotina. 
O Lince, nesse sentido, tem tudo a ver com desenvolver suas habilidades para ver o que fica escondido e perceber os silenciosos aspectos do interior de cada ser humano.
Procure sempre pela verdade quando enfrentar algum obstáculo.

Sonhar com o lince tem a ver com segredos. 
Você precisa expor e examinar os segredos ao seu redor e aprender com eles. 
Se o sonho for com um Lince Negro, isso é um sinal de que você deve ser objetivo em algumas situações. Esse sonho pode simbolizar também culpa relacionada a alguém que você não gosta ou não confia. Para as mulheres, sonhar com esse grande felino geralmente significa que elas não estão vendo as coisas com clareza no que se refere a seus relacionamentos amorosos.

O significado do sonho com o lince está ligado ao seu senso de identidade e desejo por independência. Também demonstra a sua conexão com os seus instintos primitivos e a natureza.

As pessoas costumam sonhar com o lince quando se sentem esquecidas.
Você é paciente, mas conhece o seu poder e deseja mostra-lo ao mundo.
Sabemos que para sermos melhores precisamos ser assertivos a tomar a iniciativa.
Você não precisa esperar que o mundo o descubra, pode se mostrar para ele. 

Este sonho também está ligado aos medos enraizados que têm origem no chakra da raiz primordial. São medos sobre a sobrevivência, que normalmente tem a ver com dinheiro. Problemas com dinheiro desempenham um papel no significado de sonhos com lince.
Quando você sonha com o lince, precisa se controlar e de planear a sua vida financeiramente.

Para finalizar, se o seu sonho possui um plano de fundo natural, pode ser que tenha necessidade de uma conexão com a natureza. Todos precisamos voltar para as nossas raízes de tempos em tempos, para ter um tempo de qualidade num ambiente natural.
Para nos energizarmos e nos conectarmos com a Mãe Terra.







ANIMAL TOTEM

Se o Lince é seu Animal Totem, então você é uma pessoa muito paciente.
Você sabe como esperar pelo momento certo para agir. 
As pessoas amam contar-lhe seus segredos porque sabem que você tem a habilidade de guardá-los.

Em contrapartida, outras pessoas ficam desconfortáveis perto de você, pois sabem que você consegue ver através delas, de seus dramas e fingimentos. 

Você aprendeu a seguir a sua intuição e a seguir sua orientação interna.
Você é brincalhão, mas ainda assim, sabe ser discreto.
É também apaixonado por todas as coisas que lhe interessam, ainda que raramente demonstre.
Você valoriza seu tempo próprio.





SIMBOLOGIA

É a medicina do segredo e do conhecimento oculto. 
Para conexão com mistérios ancestrais, sabedoria oculta, sabedoria intuitiva, e desenvolvimento com poderes psíquicos. 
Usar seus poderes de forma positiva.
Pode ser evocado para obter atmosfera de silêncio e concentração antes de agir, e assim saber coisas importantes sobre si mesmo.
Sábio em segredos interiores. Clarividência.
Ensina a ficar alerta. 
Ensina a compreender melhor as decepções dos outros.


Simbolismos do Lince:

Habilidade;
Percepção;
Mudança;
Conforto;
Confiança;
Intuições;
Lealdade;
Paixões;
Descontracção;
Segredos;
“Eu” Interno;
Professor;
Verdade;
Fidelidade;
Percepção ao invisível;
Crescimento e habilidade;
Instinto e intuição;
Assertividade;
Paciência e planeamento;
Independência;
Luxo e paz;
Confiabilidade;
Compreensão.






O Lince é o guardião dos Segredos dos sistemas mágicos perdidos e do conhecimento oculto. 
Ele tem a habilidade de entrar no tempo e espaço e penetrar no Grande Silêncio para desvendar qualquer Mistério.

O Lince não é somente o guardião desses segredos, mas o detentor deles. 
Ele tem um tipo específico de clarividência. 
Ele vê seus próprios medos, suas mentiras e frustrações e sabe esconder o seu tesouro mais precioso. Dessa forma também pode ver outras pessoas e ajuda-las a entrar em contacto com o seu Ser mais profundo.

Para descobrir um segredo peça à força do Lince para ajuda-lo. 
Procure um lugar e fique só.
É muito importante prestar atenção às revelações que receber na forma de quadros mentais ou uma voz sussurrada ao ouvido. 

O Lince poderá ensinar-lhe a desenvolver os seus poderes e lembra-lo de coisas que você tenha esquecido sobre você. Ele pode ajudá-lo a conectar-se com o espírito da fraternidade.

As pessoas que têm a energia do Lince são silenciosas, misteriosas e altamente confiáveis, têm o andar leve do felino, e sempre escutam primeiro para sentir o que devem falar.
Procure observar cada momento e analise cada detalhe.

O Lince ensina a fecharmos a boca grande. Segure a sua língua.
Não seja um protagonista.
Seja silencioso como o Lince.

Dizem que quando você quer descobrir um segredo, deve perguntar à medicina do lince. 
Infelizmente é difícil fazer com que o lince calado fale.
Para ser enfrentado pela força medicinal do lince significa que você não sabe algo sobre si ou sobre os outros. 






O lince é o preservador de segredos. 
Ensina a ouvir para o crescimento.
Ensina a usar a nossa paciência.
Ensina a Observar e ficar calado.


O lince ainda pode representar que existem coisas ocultas na sua vida e que você precisa ficar atento, ou algo vai dar errado. Assim como o lince desenvolveu sentidos aguçados para sobreviver em seu habitat, você precisa estar atento aos detalhes do seu ambiente. 
Existem pistas subtis em todos os lugares, e manter a sua mente alerta vai ajudar neste momento.
O desenvolvimento das suas habilidades sensoriais e extra-sensoriais o ajudarão a alcançar esse objetivo. 

Faça um esforço para seguir o exemplo deste felino e prestar atenção aos detalhes que podem revelar verdades. Confiabilidade e verdade são valores ligados ao animal, assim como ele simboliza a revelação de segredos.

O lince é um predador furtivo, que confia em permanecer escondido o maior tempo possível.
O significado simbólico do lince também está relacionado à paciência. Eles não fazem a sua jogada até que se sintam em maior vantagem. Se estiver vivendo um momento de pressão, seja no trabalho ou no âmbito pessoal, reserve um tempo para pensar antes de falar ou agir. Às vezes um minuto de reflexão pode ajudá-lo a resolver o problema com muito mais eficácia.





Hoje o Lince revelou-se para mim.
Como meu Animal Totem!
Da Direcção Norte!
O meu Corpo Mental!


Começou há dois dias, em que sonhei que tinha detonado uma bomba num centro de exposições.
Esse sonho mostrou-me que em breve iria ter uma revelação surpreendente.
Hoje, ao ligar o meu computador, aconteceu uma coisa que nunca acontece: duas imagens, uma a seguir à outra, com um intervalo de segundos. 
Senti de imediato que era uma sincronicidade.

A primeira imagem foi de um lince, e a segunda do Stonehenge.
O Stonehenge indica o Solstício de Inverno.
Para além disto, hoje é dia de Lua Cheia em Escorpião.
A Lua da Visibilidade do Lado Oculto da Vida!

Esta é a Lua, em que os segredos são revelados, e temos que encarar a verdade.
Não podemos mais fingir que tudo está bem, especialmente se estamos em negação sobre alguma coisa.
A Lua em Escorpião também nos empurra para fazer as mudanças que precisamos tão desesperadamente fazer, porque não podemos mais ignorar a intensa e profunda paixão interior que estamos a sentir.

Aprende a suportar o teu próprio silêncio, observando as tensões que te rodeiam.
Observa, em vez de reagir.
Mantém a calma.
Fica apenas em Consciência.

O Nosso sofrimento é sempre interno, é emocional e é causado pela nossa forma negativa de lidar e interpretar a realidade. Se ainda sofremos, em qualquer nível que seja, é porque ainda não houve uma completa aceitação.

Aceitação significa não haver luta interior com a realidade, e isso nada tem a ver com passividade como muitos podem pensar.
Nesse estado, a vida fica muito mais simples, e nada mais é visto como problema e, sim, somente como situações.

Algumas situações requerem acção, e outras não.
É tão Simples quanto isto.

Tudo isto aprendemos com o Lince! 




Certas Palavras


Donell Gumiran





Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não divinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos.


Carlos Drummond de Andrade
in, Boitempo





Sem jamais exigir uma recompensa que possa vir do exterior





Por isso, meu caro senhor, apenas me é possível dar-lhe este conselho:
Mergulhe em si próprio e sonde as profundidades onde a sua vida brota; na sua fonte encontrará a resposta à pergunta
«Devo criar?»
Aceite essa resposta, tal como lhe é dada, sem tentar interpretá-la.
Talvez chegue à conclusão de que a arte o chama.

Nesse caso, aceite o seu destino e tome-o, com o seu peso e a sua grandeza, sem jamais exigir uma recompensa que possa vir do exterior. Porque o criador deve ser todo um universo para si próprio, tudo encontrar em si próprio e na Natureza à qual toda a sua vida é devotada.


Rainer Maria Rilke
in, 'Cartas a um Jovem Poeta'





THE WAKE UP CALL

                           





segunda-feira, 4 de maio de 2020

A Hermit






Experience teaches, but its lessons
may be useless. I could have done without
a few whose only by-product is grief,

which, as waste, in its final form, 
isn’t good for anything.

A helicopter beating all night above the firth,
a Druid shouting astrology
outside the off-licence will eventually
put the Ambien in ambience.

Our culture is best described as heroic. 
Courageous in self-promotion, noble
in the circulation of others’
disgrace, our preoccupation with death

in a context of immortal glory truly
epic, and the task becomes suspension
of disparate particles

lest they fall naturally into categories
whose contemplation is bad infinity.

Isolation. The odd aural hallucination. 

The meager ambit of a widow’s cabbage row 
corresponds to necessity
and also to its architect’s state of mind

at the time. Why do I not move on? Why
hang around here while grass
grows up my chimney? 

Every choice is a refusal. For Christ’s sake
I am guarding the walls. Like punctuation,
it could make all the difference. 


Karen Solie





O DRAGÃO







O Dragão não é um monstro, 
é apenas um reflexo dos teus piores fantasmas. 
Enfrentar o Dragão que existe em todos nós 
é ficar frente a frente com o teu espelho, 
o reflexo de ti que mais temes 
e que escondes a todo o custo, 
projectando-o nos outros.



Não é o Dragão que te vai fazer mal,
O que te faz mal é o medo que te diz “foge!”,
É o medo que te diz “corre!”.

E perante tamanho monstro bafiento e cheio de escamas, vais para casa corrido a chinelo, porque deste autoridade ao pacto que fizeste com o medo, que te protegeu um dia.

Ou então lutas contra o Dragão, atacando com toda a tua força os fantasmas que criaste, que te obrigam a pegar na espada dizendo: 
“luta! luta ou senão morres! não pares nunca, senão morres!”
E por cada cabeça que cortas ao Dragão, nascem mais cem, e nunca nada é o suficiente e não podes parar senão morres! Porque deste autoridade ao pacto que fizeste contra o medo, que te protegeu um dia.




Mas se ficares parado frente ao medo tempo suficiente, armado com aceitação de que és humano, frente a frente com o Dragão, que tem a forma dos teus piores pesadelos, vais descobrir algo novo. Mas só se ficares lá para ver é que vais conseguir ver, o que é que o medo guarda, com tanto afinco.

E enquanto o monstro bafiento te ameaça com os teus piores defeitos e te mostra o reflexo do que acreditas ser… Tu ficas!

Tu ficas, frente a frente, armado com a espada da compaixão numa mão e o escudo do amor na outra, ali ficas, imóvel pela coragem, enquanto os teus fantasmas te ameaçam, atravessam e aterrorizam.

É um acto de coragem duvidar das projeções da mente e ficar firme, apesar de inseguro, de pé, imóvel sem fugir, quando as pernas gritam CORRE! Imóvel, quando a mão tenta erguer a espada e grita LUTA!

E ali ficas, sem saber o que vais encontrar, sem certeza que existe algo para lá da escuridão bafienta. É um acto de coragem ficar e duvidar se esse bafio é real, pois essa escuridão que pensas ser, é uma mentira que já compraste há muito tempo.

É um acto de coragem duvidar do espectáculo que a mente espelha naquele Dragão. É um acto de fé ficar imóvel sem saber, sem controlo, sem certeza do que vai acontecer a seguir, a duvidar da voz da noite escura, que te diz que vais morrer.

O Dragão não é para matar, é apenas um espírito que guarda tesouros. Só te vai deixar passar para resgatar o que é teu, a tua verdadeira essência, se estiveres disposto a abdicar das mentiras que arranjas, para ficares agarrado ao que não queres amar em ti, e te faz lutar contra ti e contra o outro.

O Dragão só te vai deixar passar para resgatar o teu Eu mais sagrado, se estiveres disposto a abdicar das mentiras que arranjas para ficares agarrado ao que te faz fugir de ti e do outro.

E ao ficar, estás a abrir os olhos, pois a coragem faz cair os panos que te tolhem a visão. Vais ver a ilusão da mentira que contaste a ti mesmo e ao mundo, a esfumar-se que nem cinzas pelo vento.

Vais ver a verdade, soprada pelo fogo da boca do Dragão. E vais ver que o Dragão é quem abre as portas para o tesouro; e pode até ser teu aliado.

AHO Dragão, espelho de mudança, guardião dos nossos maiores tesouros, aquele que só abre a porta a quem vai de coração aberto, disposto a ver a verdade, disposto a assumir o sua quota parte de sombra… e de luz! AHO!”



Ana Carvalho





domingo, 3 de maio de 2020

BÁRBAROS





Nós é que éramos os bárbaros.
Pensando em nós é que vocês tremiam nos vossos palácios.
Era por estarem à nossa espera 
que o vosso coração batia desordenadamente.
Das nossas línguas é que vocês diziam:
talvez se componham só de consoantes, 
de frufus, sussurros e folhas secas.
Nós é que vivíamos nas florestas negras.
De nós é que tinha medo Ovídio em Tomi,
Nós é que adorávamos deuses com nomes
que vocês não conseguiam pronunciar.
Mas também nós conhecemos a solidão
e a angústia, e desejámos a poesia.


Adam Zagajewski





O colapso do mundo como o conhecíamos






Os riscos de decretar um Estado de Emergência são excessos de autoritarismos, tentação antidemocrática, reversão incontrolável de avanços sociais, erros de cálculo. A ilusão de que a declaração do estado de emergência resolve a pandemia ou pode esconjurar o inevitável colapso do mundo como o conhecíamos há algumas semanas é também um risco.
Não pode, nada pode.
George Orwell em 1984 ou Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo ficariam espantados connosco e com a nossa forma de viver, mesmo antes desta crise provocada por este ser minúsculo e invisível. Se nos vissem hoje, pensariam que, afinal, erraram por defeito…

Temo que a democracia seja a primeira grande vítima do que estamos a viver. 
Da pandemia e do estado de emergência. 
A democracia é uma complicação, implica diálogo, negociação, paciência, ouvir atentamente os outros que pensam de modo diferente de nós, o respeito pelas minorias, compromissos entre pontos de vista tantas vezes opostos, liberdade de pensar, fazer, dizer o que quisermos e até o direito ao “disparate”.
Com o limite da liberdade dos outros, como diria John Stuart Mill.
Mas é a única maneira decente de se viver com os outros.

Há situações-limite em que se podem admitir restrições à liberdade de imprensa, ou a outras liberdades. O contexto em que estamos poderá ser uma delas.
A necessidade de compatibilizar direitos ou liberdades constitucionalmente protegidos em conflito, aquilo a que por vezes se chama descortinar ou encontrar a sua “concordância prática”, pode justificar a aceitação de exceções normalmente inaceitáveis.
Por isso mesmo é, pelo menos, discutível que a declaração do estado de emergência, ainda que numa versão não muito extrema, seja a melhor decisão política, neste contexto.
Os perigos para a democracia são reais. 
Mas também é verdade que todos os contactos evitáveis potenciam enormes riscos de agravamento da situação em termos de saúde pública e do direito à saúde de cada um de nós. Não é uma decisão fácil, não tenho a certeza de qual eu tomaria se estivesse na posição de ter de o fazer.

Portugal e o mundo jamais serão como os conhecíamos há escassas semanas.
Mas é bom lembrar que o inferno já existia – e continua a existir – em muitas partes do mundo, do Sudão ao Congo ou da Faixa de Gaza ao Afeganistão ou à Síria e “por aí fora”.
Ou em geral nas zonas do globo onde a fome e as doenças evitáveis – além das guerras – matam muita gente todos os dias. É muito difícil, aliás, explicar a uma criança a razão pela qual metade do mundo morre de fome e a outra metade, de excesso de comida. E que as duas metades não são iguais.

Um terreno arde e, na primavera seguinte, o verde teima em reaparecer vindo de debaixo das cinzas. Podem vir “transtornados”, mas até em Chernobyl aparecem seres vegetais novos depois do desastre. Quem sabe haverá lições de solidariedade e de compaixão que poderão atingir e fazer infletir caminho aos mais empedernidos ou distraídos...

Olhando em volta, na verdade, não vejo grandes “líderes”. 
Vejo, aliás, vários que seria melhor que não estivessem lá.
Há exceções, e António Costa, em Portugal, é certamente uma. Jacinda Ardern, na Nova Zelândia, outra. Talvez Justin Trudeau, no Canadá. Ou mesmo Angela Merkel. Mas não tenho a certeza de que a existência de “líderes globais” em sentido próprio seja ou fosse grande ideia. 
A menos que se esteja a falar de inspiração – e aí temos muita, em grandes poetas, músicos, escritores e pensadores. Artistas e criadores de todas as áreas em que os seres humanos se “excedem” na criação da beleza ou na desmontagem do desconcerto do mundo. Homens e mulheres, de todas as cores, feitios e nacionalidades, ou mesmo sem nenhuma.
Talvez esteja na altura de mudar o nosso conceito de “líderes”.
Lembro, em qualquer caso, que alguns dos maiores líderes políticos foram também (e não por acaso) grandes intelectuais, de Léopold Sédar Senghor e Agostinho Neto a Mitterrand ou Churchill. Ou Amílcar Cabral, ou o atual Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, de quem tive a honra de ser colega e tenho a de ser amiga. Angela Merkel é doutorada em Química Quântica. E penso como Martin Luther King era um extraordinário pregador, que James Baldwin poderia tê-lo sido se o não tivessem perseguido, Angela Davis ainda hoje fala, escreve e pensa de forma brilhante. Ou como Mandela foi um ser de exceção “extremamente único”, e como Indira Gandhi ou Benazir Bhutto eram mulheres determinadas e grandes líderes, também assassinadas por isso mesmo.
Agora já não há “gente” assim?
Há claro, é preciso estar atenta e procurar.
Há promessas eloquentes, como Malala e Greta Thunberg, ou mesmo o jovem Miguel Duarte, que insiste em ajudar os migrantes e refugiados perdidos no mar, desafiando leis injustas e inumanas.

Mas, não tenho dúvidas de que estes tempos difíceis serão combustível para os populismos.


Teresa Pizarro Beleza





A Ilusão da Ciência - Rupert Sheldrake - Campo mórfico