terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Filha da Terra




Me envergo, me curvo, sinto a conexão com a Grande Mãe
O cheiro da Terra Molhada penetra no meu corpo, me acaricia, me aconchega..
Ao descobrir dentro do meu ser a divindade feminina, percebi-me Filha da Terra...
Encontrei um aconchego dentro do vazio e notei-me sagrada.

Parei de anular o que Eu Sou e despertei em meu Ser uma mulher sem medo de si, mas buscadora de seus instintos... 
Parei de colocar o meu poder nas mãos dos outros e fiz eu a minha própria caça e caçadora.

Achei em meio aos Caos; o Equilibrio e conseguir ver que EU SOU a responsavel pelos meus actos...

Minhas irmãs não são mais o motivo da minha competição ou revolta, eis que elas passaram a ser o meu espelho que reflecte meus erros e acertos, meu lado luz e sombra.

Também parei de esconder que Eu Mulher de Mim, tenho meu lado escuro, como uma Floresta desconhecida, só conhecerei e não mais temerei quando decidir entrar para conhece-la. E a partir daí, o lado sombrio tornou-se um aliado e não mais meu inimigo.

Despertei para o Feminino quando consegui ver que dentro de mim há o Sagrado e nos salões da minha alma uma deusa baila de mãos dadas comigo.

Carol Shanti


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Construção da Personalidade Criadora




A harmonia do comportamento social requer, todos o sabemos, tanto o isolamento como o convívio. Excessiva comunicação, debates exagerados de assuntos que requerem meditação e peso moral, avesso muitas vezes à cordialidade natural das afinidades electivas, não enriquecem o património de uma sociedade. Antes embotam e alteram o terreno imparcial da sabedoria.
A solidão favorece a intensidade do pensamento; por outro lado, torna de certo modo celerado o homem que lida com a força material, com a técnica, com os outros homens. O impulso é a força que actualiza estas duas atitudes. Os ricos de impulso que se prontificam a uma reacção agressiva ou escandalosa, esses são associais especialmente difíceis. Todo o revolucionário é associal, se o impulso for nele um desvio da vida instintiva, e não uma atitude de homem capaz de obedecer e mandar a si próprio.
«A felicidade máxima do filho da terra há-de ser a personalidade» - disse Goethe. Personalidade criadora, obtida à custa do ajustamento das nossas próprias leis interiores, que não serão mais, no futuro, forças repelidas ou encobertas, mas sim valiosas contribuições para o tempo do homem. Quando tudo for analisado e conhecido, só o justo há-de prevalecer.


Agustina Bessa-Luís 
in, "Alegria do Mundo"




Sete Cartas a Um Jovem Filósofo




A dor só é realmente fecunda quando a amamos, quando a vemos como indispensável à escultura que se está fazendo na nossa alma.(...)
Sofrer é um direito de primogenitura e não o podemos trocar por nenhum prato de lentilhas.(...)
E há-de haver ainda a gratidão pelos destinos que a concederam a nós e o amor pelos golpes que nos desfere; o que inclui, naturalmente, a compreensão, e o amor também, daqueles de que o destino se serve para despedir as grandes marteladas que vão forjando o metal.(...)
Os mais fracos correm diante das suas emoções uma porta ondulada de ironia.
Os mais fortes, porém, e eu desejo que você seja dos mais fortes, encerram-se num palácio de silêncio.


 Quem tem uma obra, a obra o tem; quem traz mensagem a há-de ler perante o rei; arqueja, mas lê, sufoca, mas lê, e depois de a ler cairá por terra, mas já a leu. É a posse mais terrível de todas, a escravatura mais completa, aquela que uma obra exerce sobre o seu criador (…) Se você for um criador não dará a felicidade nem a si nem aos que estão imediatamente à sua volta.

A impressão de que verdadeiramente a vida é nobre e bela, forte, calma e clara, e de tão extraordinário encanto, de tão ardente energia que se plenamente tivéssemos consciência do que é a vida não a poderíamos suportar. Explodíamos.

Ser tomado pela arte é, de certo modo, ser excluído da vida, colhido, metido numa moldura e transformado num adorno de sala; o que é realmente vivo parte todas as molduras e regressa à liberdade da selva.

Quem fala de Amor não ama verdadeiramente: talvez deseje, talvez possua, talvez esteja realizando uma óptima obra literária, mas realmente não ama; só a conquista do vulgar é pelo vulgar apregoado aos quatro ventos; quando se ama, em silêncio se ama: às vezes o sabe a mulher amada, mas creio até que num amor que fosse pleno, em que nada entrasse das preocupações da terra, nem ela o saberia.

Cada vez vou sentindo mais que se não pode perceber o que seria essencial perceber, mas procedo sempre como se estivesse convencido do contrário, ou, por outras palavras, não renuncio.

A filosofia que se não apoia num perfeito encadear de raciocínios e numa informação que tem de ser a mais sólida e a mais ampla, é apenas literatura, e da pior literatura. Porque é a literatura dos que não tiveram a força criadora suficiente para escreverem teatro ou poesia lírica ou romance. Uma literatura lavrada, que disfarça com uma nuvem de retórica os espectros de ambições que não puderam realizar-se.

Meu caro amigo: Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros que forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas.Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence.São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.


O público adora os filósofos que pode compreender, que lhe vão na esteira, desencontrados como ele; o som das palavras move mais os homens do que o seu conteúdo.

Admirar a Natureza e não admirar a mulher que é a sua obra mais bela e não a admirar, querendo-a, em tudo o que ela é, espírito e corpo, é ser um poeta que faltou, na sua alma, à amplitude do mundo. O primeiro dever diante de uma mulher é ser um fogo que arde e um coração que se vigia.

Você vai precisar de todo o seu tempo, de toda a sua energia, de pensar de manhã até à noite nos problemas filosóficos; você tem de adquirir erudição filosófica e o treino de pensar; a vida, para a vida, é sempre longa; mas para a arte é sempre breve; só quando se não faz nada há sempre tempo.


Aqui tem você um conselho que lhe poderá servir para a sua filosofia: não force nunca; seja paciente pescador neste rio do existir. Não force a arte, não force a vida, nem o amor, nem a morte. Deixe que tudo suceda como um fruto maduro que se abre e lança no solo as sementes fecundas. Que não haja em si, no anseio de viver, nenhum gesto que lhe perturbe a vida.

Se você não pode amar, não ame; seja simples, seja humilde, faça calmo o seu trabalho, e deixe o resto. O amor é uma criação de beleza, como a pintura e a música; reserva-se a raros ser Ticiano ou Greco ou Mozart ou Bach; reserva-se a raros o privilégio de amar.

Entre as palavras e as ideias detesto esta: tolerância. É uma palavra das sociedades morais em face da imoralidade que utilizam. É uma ideia de desdém; parecendo celeste, é diabólica; é um revestimento de desprezo, com a agravante de muita gente que o enverga ficar com a convicção de que anda vestida de raios de sol.

 Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se apenas connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos.


 Agostinho da Silva
in, Sete Cartas a Um Jovem Filósofo



T2 recuado com varanda para o nosso amor




espero-te à porta dos sonhos.
naquele sítio onde o pescoço se curva
e se curva o decote e a linha dos teus lábios finos.

espero-te à porta dos sonhos
à entrada do meu entorpecimento
no patamar do meu desejo
e na escadaria do meu corpo.

| Laura Avelar Ferreira |



domingo, 11 de dezembro de 2016

Céu de Amianto





porque nos tornaram assim estreitos
assim impossíveis de asas
assim cautelosos de falas
acanhados, espreitados
fizeram de nós uma ameaça

assaltaram nossa alma, revistaram
nossas gavetas, deixaram
marcas na nossa intimidade
mexeram coisas sutis em nosso passado
nos transformaram em bichos acuados
servis, obedientes.

Não sei resolver o mundo, eu mal resolvo
meu próprio coração
e tudo me consome.

Mas sei que há uma luta. Não existe assombração.
Nesse mundo desincerto
tudo é o homem.



BRUNA LOMBARDI
in, O Perigo do Dragão


Somos Iguais Hoje ao que Fomos Outrora




- Eu também aprecio os livros de História.
Ensinam-nos que, basicamente, somos iguais hoje ao que fomos outrora.
Pode haver diferenças insignificantes em termos de vestuário e de estilo de vida, mas não há grande diferença no que pensamos e fazemos. No fundo, os seres humanos não passam de veículos, ou locais de passagem, para os genes. De geração em geração, correm dentro de nós até nos esgotarem, como cavalos de corrida. Os genes não pensam no bem e no mal. Não querem saber se somos felizes ou infelizes. Para eles, não passamos de um meio para atingir um fim. Só pensam no que é mais eficaz do seu ponto de vista.
- Apesar de tudo, não conseguimos deixar de pensar no bem e no mal. Não é o que está a dizer?
A senhora anuiu.
- Precisamente. As pessoas «têm» de pensar nessas coisas.
Mas os genes são o que controla a base da forma como vivemos.
Como é natural, as contradições surgem.


Haruki Murakami
in, "1Q84" 


Ninguém vale a pena se você tem que insistir


Bob Sala



Estamos perdidos em imensidão. É tão grande o mundo e há tanto para se conhecer. Diante de tantas possibilidades, do quão infinitas são as nossas opções, é um desperdício – e uma afronta às oportunidades da vida – gastar tanta energia para tentar ficar ao lado de alguém que já mostrou que não te quer.

Por mais que a gente queira se enganar, hora ou outra a verdade vem feito furacão. Faz bagunça no peito, leva muito embora; mas fingir que não foi nada não é a solução. Em algum momento vai ter que olhar em volta, ver o tamanho do estrago e começar a colocar tudo no lugar.

Amor não correspondido é via de mão única.
As tentativas só vêm de um lado e o outro é sempre o primeiro a querer descer do carro.
E do que adianta trancar as portas e fazer a outra pessoa ficar lá dentro, uma vez que ela já tomou sua decisão? Você pode tentar ligar o rádio, colocar aquela música que a pessoa gosta, contar uma história para prender a atenção, mas é passageiro. É só um alívio momentâneo olhar para o lado e ver que a pessoa continua ali. Porém, os dois sabem que a viagem tem que terminar, vão acabar chegando no final do caminho e não há distração o suficiente para manter alguém que já fez as malas.

Deixe ir.

Não importa o quanto você acha que alguém é incrível, porque no final do dia, o mais incrível vai ser fechar os olhos e se sentir em paz. É revigorante se livrar da sensação de batalha diária. Ninguém vale a pena se tira o seu sossego. 

É difícil aceitar que não conseguiu fazer morada no peito de alguém, mas não é à força que vai entrar lá. Se não foi, não foi. Olhe pra frente, siga o próprio caminho antes que esteja preso em tentativas falhas de cativar alguém.

Por mais que você queira muito que dê certo, não é o bastante.
O outro também tem que querer.
Pois o amor é essa constante renovação, todo dia se reinventa e está pronto para aguentar o que vier. Mas isso? Isso não é amor, é tortura. 
E essa insistência em fazer acontecer é pulo do abismo. 
Não compensa o esforço, deixe ir.


Najara Gomes



sábado, 10 de dezembro de 2016

O Amor...



É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!

Cecília Meireles



Um Mundo de Vidas





Nós vivemos da nossa vida um fragmento tão breve. 
Não é da vida geral - é da nossa. 

É em primeiro lugar a restrita porção do que em cada elemento haveria para viver.
Porque em cada um desses elementos há a intensidade com o que poderíamos viver, a profundeza, as ramificações. Nós vivemos à superfície de tudo na parte deslizante, a que é facilidade e fuga.
O resto prende-se irremediavelmente ao escuro do esquecimento e distracção.

Mas há sobretudo a zona incomensurável dos possíveis que não poderemos viver. 
Porque em cada instante, a cada opção que fazemos, a cada opção que faz o destino por nós, correspondem as inumeráveis opções que nada para nós poderá fazer. Um golpe de sorte ou de azar, o acaso de um encontro, de um lance, de uma falência ou benefício fazem-nos eliminar toda uma rede de caminhos para se percorrer um só.

Em cada momento há inúmeros possíveis, favoráveis ou desfavoráveis, diante de nós. 
Mas é um só o que se escolheu ou nos calhou.

Assim durante a vida vão-nos ficando para trás mil soluções que se abandonaram e não poderão jamais fazer parte da nossa vida. Regresso à minha infância e entonteço com as milhentas possibilidades que se me puseram de parte. Regresso à juventude, à idade adulta, ao simples dia de ontem e a infinidade de soluções que não adoptei dava para um mundo de vidas.

Foi uma só. Nela realizei, num único percurso, aquilo que constituiu o todo de uma vida humana.
E todavia, nessa estreiteza de ser está o infinito de mim. 
Deus é a simplicidade absoluta e tem o máximo de ser.
Nós conhecemos em nós esse máximo e é por isso que ao Deus o soubemos inventar.



Vergílio Ferreira
in, Conta-Corrente 4


Sistema de Castas da Índia




O sistema de castas da Índia é uma divisão social importante na sociedade Hindu, não apenas na Índia, mas no Nepal e outros países e populações de religião Hindu. Embora geralmente identificado com o hinduísmo, o sistema de castas também foi observado entre seguidores de outras religiões no subcontinente indiano, incluindo alguns grupos de muçulmanos e cristãos. A Constituição Indiana rejeita a discriminação com base na casta, em consonância com os princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. Barreiras de casta deixaram de existir nas grandes cidades, mas persistem principalmente na zona rural do país.

Define-se casta como grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho. O grupo é endógamo, isto é, cada integrante só pode casar-se com pessoas do seu próprio grupo.

Hoje, existem cerca de 3 mil castas na Índia, o que é um confusão para se conseguir entender.
Mas essas castas todas podem ser divididas em quatro grupos, que eram as castas originais:


  • Brahmin (Brâmanes): A casta mais alta, é formada por pensadores e letrados, pessoas consideradas próximas aos deuses. Entre as profissões exercidas por eles estão as de sacerdotes, professores e filósofos. Na mitologia hindu, foram criados a partir da cabeça de Brahma.
  • Kshatriya (Xátrias): São os guerreiros, nasceram dos braços de Brahma. Exercem profissões como as de soldados, policias e administradores.
  • Vaishya (Vaixás): São os comerciantes, nasceram nas pernas de Brahma.
  • Shudra (Sudras): São camponeses, artesãos e operários. Nasceram dos pés de Brahma.





À margem dessa estrutura social havia os cordeiros, que vieram da poeira debaixo do pé de Brahma. 
Mais conhecidos como Párias, sem casta, eram considerados os mais atraídos por todas as castas. 
Hoje são chamados de haridchens, haryens, dalit, ou intocaveis. 
Com o passar do tempo, ocorreram centenas de subdivisões, que não param de se multiplicar.

A origem do sistema de castas é incerta.
Segundo o hinduísmo, vem de Brahma, a divindade criadora do universo, mas parece ser proveniente da divisão entre os migrantes arianos — subgrupo dos indo-europeus que povoou a Península da Índia por volta de 1600 a.C., vindo do norte, pelo Punjabe — e os nativos (dasya), que se tornaram escravos. 
As primeiras referências históricas sobre a existência de castas encontram-se num livro sagrado dos indianos, o Manu, possivelmente escrito entre 800 a.C. e 250 a.C..

Apesar de ter origem na fé hindu, foi incentivado e até mesmo reforçado pelos britânicos durante a colonização, transformando-o em algo muito mais rígido.

O assunto é considerado tabu pela maior parte dos indianos, não é um assunto que se vai puxar na mesa de jantar com aquela família que se conheceu sem causar constrangimento. Perguntar a casta de alguém é indelicado, para não dizer outra coisa.
Acreditem, eu já vi isso acontecer e morri de vergonha...

Declarado ilegal em 1950, na época da independência, o sistema chegou bem vivo ao Século XXI em forma de tradições, desigualdade social e preconceito. 
Isto foi possível porque, ao contrário da escravidão, o sistema de castas trabalha de uma forma muito mais subtil e informal.
Sim, hoje em dia não é mais possível criar, por exemplo, clubes exclusivos para membros de uma certa casta, mas as profundas desigualdades sociais e preconceitos originados por séculos de divisão garantem que a exclusão continua a acontecer.
Para nós, o sistema parece indecifrável e confuso, mas ele está bem arraigado na cultura dos indianos.
Eles conseguem saber a qual casta uma pessoa pertence apenas pelo sobrenome. 
Foi por isso que os Sikhs, religião monoteísta muito popular no norte da Índia e que rejeita a divisão de castas, adoptou para todos os seus membros um mesmo sobrenome: 
Singh para homens e Kaur para mulheres.

Na Índia Urbana, o sistema tem vindo a perder força com os anos, ainda que muito lentamente.
Casamentos entres as três castas superiores, embora ainda não extremamente comuns, já não chegam a ser mal vistos.
No entanto, continua a valer como lei em pequenas Vilas e na Índia Rural, onde vivem 857 milhões de indianos.




A consequência mais óbvia deste Sistema de Castas é a perpetuação da desigualdade social. 
Mas, eu diria que há mais.
No ambiente de trabalho existe a arrogância dos chefes, na Índia Urbana de hoje.
Humilhações públicas são ocorrências rotineiras no escritório.
É como se aquela posição tivesse lhes tivesse sido designada pelo próprio Brahma, e não fosse fruto de um punhado de privilégios que eles tiveram desde o nascimento.

Claro que isto não é uma regra absoluta.
Há muita gente bem nascida (aos olhos do Sistema de Castas) que vê a ignorância presente nessa divisão e luta contra as castas na Índia. 
Mas, grande parte dos membros das castas superiores ainda acredita que eles são merecedores natos do bom e do melhor, e que são mais dignos de respeito que os outros.
São pessoas difíceis de lidar, que não aceitam ser contrariadas e que acham que todos devem baixar a cabeça para o que dizem.
Por outro lado, membros de classes inferiores se resignam a ouvir abusos.
Além disto, revoltar-se contra a “vontade de deus” tem consequências graves na fé hindu.



Dalit



Dalits, os intocáveis:

Se os Sudras surgiram dos pés de Brahma, os Dalits tiveram uma origem ainda menos nobre: foram criados a partir da poeira que deus pisou. 
Tratados como párias, excluídos da sociedade, os dalits não têm casta e são considerados impuros. 
Para eles são guardados os trabalhos que os outros indianos se recusam a fazer por considerarem indignos: recolher lixo e limpar casas de banho, por exemplo.
Considerados portadores de impurezas por onde quer que passem, eles vivem um sistema opressivo digno de um apartheid. Um dalit não pode sentar-se à mesa com membros de outras castas ou usar os mesmos pratos e copos. Em casas mais conservadoras, eles possuem uma entrada especial que só permite que eles cheguem até ás casas de banho e à área de recolha de lixo, sendo proibidos de colocar os pés na casa principal.

Como o sistema hoje é cultural e não oficial, alguns mas poucos dalits conseguiram escapar do seu destino e ascender socialmente. 
No entanto, como cidadãos de um país que também sofre com extrema desigualdade, nós sabemos que quebrar o ciclo da miséria não é fácil.
Para reparar os males causados por séculos de um sistema cruel, o governo indiano oferece cotas nas universidades e outros programas sociais, como a concessão de microcrédito, que visam a inserção dos párias na sociedade.
Um grupo minúsculo deles, aproveitam a abertura económica do país nos últimos vinte anos, e conseguiram prosperar pelo empreendedorismo e alcançaram os seus milhões de dólares, criando um fenómeno conhecido como Dalits Millionaires. 
Mas ainda existe um longo caminho a percorrer.
Apenas 30% dos dalits é alfabetizado (a média do país é de 75%) e a discriminação contra crianças dalits nas escolas faz com que elas abandonem as aulas.
Eles também são as maiores vítimas de violência e crimes de ódio.

Hoje, os dalits que conseguem escapar da sina de exercer as profissões indignas são aceites na convivência de outros indianos. Contudo, mais que qualquer outra união entre castas, casar-se com um Dalit é ainda um tabu gigante.



Comunidade Perna,  Dharampura, periferia da capital indiana Nova Délhi.



Os Perna:

A prostituição entre as mulheres Perna é apenas um facto de uma história inteira de desvantagem económica e social da casta. Os Perna foram um dos grupos sociais taxados como hereditariamente criminosos pela Criminal Tribes Act, uma lei imposta no país em 1871, durante a dominação britânica. 
Além dos Perna, mais de 300 outras castas foram incluídas neste grupo. 
Elas eram compostas por vendedores itinerantes, artistas e profissionais ligados ao folclore indiano que, assim como os ciganos europeus, despertavam desconfiança nos britânicos por serem difíceis de serem submetidos às normas do governo.

A lei foi banida em 1947, após a independência da Índia.
Porém, os efeitos dessa alienação da sociedade duram até hoje. 
Muitos Perna, por exemplo, não têm conhecimento dos seus direitos, por isso, costumam fazer o mesmo caminho dos pais. Eles também costumam ser ignorados, barrados ou até mesmo expulsos de alguns estabelecimentos.
Mas, felizmente algumas mulheres Perna estão a começar a questionar o seu destino e a proteger as suas filhas.
As mulheres desta casta que tentam resistir à prostituição acabam por sofrer abusos físicos por parte dos sogros, que esperam que a mulher de seu filho contribua para a renda familiar.

As meninas Perna, aprendem desde muito pequenas que o grupo social ao qual pertencem está ligado à chamada “prostituição intergeracional”.
Casam-se pouco depois dos 10 anos de idade mal entram na puberdade, com homens que nunca viram na vida.
Por volta dos 16 anos já estão a trabalhar como prostitutas na rua para  sustentar a família, e a família do marido. Trabalham na prostituição durante 8 a 10 anos, até as suas filhas entrarem na puberdade, se casarem e terem o seu primeiro filho, e começarem a trabalhar na prostituição.
Os homens desta casta normalmente criam cabras ou simplesmente não trabalham. Desempenham a função de proxenetas das suas mulheres.
Uma pressão exercida pelos próprios pais e sogros.
E os maridos? A eles cabe-lhes, no máximo, serem os chulos das suas mulheres. 
E castigá-las quando o retorno económico não chega para alimentar toda aquela gente.

Uma mulher Perna deu uma entrevista ao canal de Tv Al-Jazeera: 
"Eu não sei por quê. Pode-se dizer que é o modo tradicional. Esse trabalho é o nosso compromisso, nosso meio de sustento. Tentamos fazê-lo rápido. Normalmente dentro dos carros de quem nos procura. Enquanto uma mulher fica com o cliente, outra fica por perto para a proteger. Cada cliente paga entre 200 a 300 rupias(2,50 a 3 Euros) e numa noite faz até 1000 Rupias(15 Euros)(...) Não há outro caminho. Quando a minha filha disse aos sogros dela que não se queria prostituir, eles ameaçaram-na. Disseram-lhe que lhe tiravam tudo, até a roupa. Que a iam deixar sozinha na rua, toda nua."
No seu próprio passado, o cenário de agressão física e ameaças de actos macabros em caso de recusa à actividade foram uma constante. Não teve por onde fugir e, durante mais de uma década, acabou por vender o corpo na rua, acompanhada por inúmeras outras mulheres Perna que o faziam em grupo para se ajudarem a proteger umas às outras.
São literalmente atiradas para as ruas pelos maridos, onde se prostituem por cerca de €2,50.
É apenas esse o “valor” dado ao seu corpo, à sua alma e à sua dignidade.
Os maridos e os sogros vivem desse rendimento e, também por “tradição”, só elas são obrigadas a trabalhar.

Toda esta injustiça e desrespeito pela sua vontade e dignidade fizeram com que a filha de Leela que deu esta entrevista, fugisse da família do marido, acto muito pouco comum dentro da comunidade.
Primeiro foi para casa da mãe, hoje com trinta e poucos anos.
Depois, quando percebeu que também a sua própria família não lhe daria o apoio necessário, acabou por se refugiar num abrigo de uma ONG que trabalha com mulheres na mesma situação.
Nas costas carrega a raiva, mas também a eterna vergonha que todos a fazem sentir por fugir à tarefa que lhe foi atribuída mal nasceu, mulher. 
Hoje, alguns meses depois da fuga, a própria Leela admite que toda a família espera que seja aquela adolescente a quebrar o ciclo das meninas do seu clã.
O acesso à educação, como porta para um futuro melhor, mais digno e independente economicamente, parece ser a solução.

Ruchira Gupta, fundadora da ONG anti-tráfico APNE AAP, que acolheu a filha de Leela, e que tem trabalhado em Najafgarh com a Comunidade Perna há mais de 5 anos, disse que "Ser uma mulher Perna, é ser uma casta marginalizada da Índia onde a prostituição normalmente é o passo seguinte das mulheres após o casamento e o nascimento do primeiro filho."
Vêem-se a vender sexo nas ruas que cortam Najafgarh, em Dharampura, onde existe uma Comunidade Perna, um bairro pobre situado na periferia da capital indiana Nova Délhi.

A casta Perna é a mais marginalizada na Índia.
Quer a nível social, quer a nível económico, quer a nível histórico que os excluiu das liberdades e direitos de cidadania.

A “sentença” de vida das mulheres ‘perna’ é só um ponto de partida para a realidade atroz de tantas outras mulheres de castas mais baixas na Índia. 
De uma forma ou de outra, a violência sexual é recorrente e desvalorizada. 

Tal como em tantas outras partes do mundo: globalmente, diz as Nações Unidas, 120 milhões de meninas e adolescentes já foram forçadas a ter relações sexuais contra a sua vontade.
Mais de 70% das vítimas de tráfico humano são do sexo feminino, sendo que 80% das mulheres e meninas traficadas entram em redes de exploração sexual.

No dia-a-dia na Índia sente-se bem a segregação informal imposta pelas castas.
No atendimento nos restaurantes, no tratar as pessoas nas ruas, nas casas de banho públicas, etc...
Apesar de saber que é fruto da Cultura local, não deixa de ser constrangedor, repugnante e revoltante.
Não é por ser cultural, que temos de o aceitar!!!




sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Apogeu




Cada ser humano atinge o seu apogeu de maneira diferente, num dado momento.
Uma vez alcançado esse ponto alto, é sempre a descer. Fatal como o destino.
E o pior é que ninguém sabe onde é que se situa o seu próprio auge.
A linha divisória pode desenhar-se de repente, quando uma pessoa pensa que ainda estava a pisar terreno seguro. Ninguém tem maneira de saber.
Alguns atingem esse pico aos doze anos, e depois espera-os uma vida perfeitamente monótona e sem chama.
Outros continuam sempre em ascensão até à morte; outros morrem no seu máximo esplendor.
Muitos poetas e compositores vivem em estado de permanente arrebatamento e estão mortos quando chegam aos trinta anos.
Depois há aqueles, como é o caso de Picasso, que aos oitenta e muitos anos ainda pintava quadros cheios de vigor e teve uma morte tranquila, sem saber o que era o declínio.


Haruki Murakami 
in, "Dança, Dança, Dança" 



Vacuum Energy: Proof of Free Energy in the Space All Around Us





Everything in the entire universe, 
everything that you and I 
perceive to be solid matter, 
is actually not matter at all. 
All the space around us is pure energy 
which we will call 
vacuum energy. 
Not only that, but this vacuum energy 
is infinitely dense.


The reality that you and I have been led to believe in is a lie.
The only truly dense thing in this universe is the apparent empty space all around us, and whenever we see objects, hold them, touch them, or otherwise … that is most likely due to a gradient within the infinite density of the vacuum energy which gives off a little oscillation of energy slow enough for our senses to perceive it.

Here is the proof.


Infinite Vacuum Energy in Quantum Physics

This is not a fringe theory. This is fundamental to the accepted physics paradigms of quantum theory which deal specifically with the level of the universe where all things are energy, or at least where they oscillate between energy and form. As quoted in one of the most fundamental physics textbooks, Gravitation, by three of the most highly influential physicists of the 20th Century, Charles Misner, Kip Thorne, and John Archibald Wheeler:

“…present day quantum field theory “gets rid by a renormalization process” of an energy density in the vacuum that would formerly be infinite if not removed by this renormalization.” (Gravitation, p.426)


In other words, they accept that the vacuum structure – allegedly empty space – is infinitely dense, but instead of dealing with infinity directly they attempt to renormalize this value.
On the one hand it is logical to attempt to renormalize infinity, because after all, it is easier to plug a definite number into an equation than it is to use infinity.
But on the other hand, in the world outside of mathematics, to not accept the infinite density of vacuum energy is to avoid a truthful perceptual experience and understanding of reality.

On the topic of renormalization, Nassim Haramein can add to this conversation:
“To understand this [the infinite energy density of the vacuum] better, physicists applied a principle of “renormalisation”, using a fundamental constant to cut off the number and get a finite idea of how dense the vacuum energy must be, with all its vibrations. The cut-off value used was the Planck’s distance or length, named after the great physicist Max Planck, who is considered to be the founder of quantum theory. This value is thought to be the smallest vibration possible.” 
(To Infinity and Beyond: Transcending Our Limitations by Nassim Haramein)

The irony of the situation is that when they tried to renormalize the “energy density in the vacuum that would formerly be infinite” they came up with a value that was not much better. Using the Planck’s distance they decided to calculate the vacuum energy density by counting the number of Planck’s distances they could fit into a centimeter cube of space by stacking them like subatomic bricks, fitting as many as possible into that area.

Then they calculated the total amount of energy that was available in that space by multiplying the energy of a single Planck’s distance with the total number of Planck’s distances they packed into that centimeter cubed of space so that they could have a definite value for the density of vacuum energy (and remember, all of this is being done in order to get a value that wasn’t infinite).

The resulting “renormalized” value that they got for the vacuum energy density was 10^93 grams per centimeter cube of space. That is 10 with 93 zeroes after it, an enormous number.
But to put the true enormity of this number in perspective, if the entire known universe was compacted into a centimeter cube of space, it would only reach a density of 10^55 grams/centimeter cubed!
In other words, the renormalized density for vacuum energy exceeds the mass of the entire known universe … compacted into a centimeter cubed of space ( 
in, DVD Crossing The Event Horizon).

Nassim continues:

“The vacuum energy density, or what can be called a Planck’s density, was in the order of 10^93 grams per cubic centimeter of space and was quickly dubbed ‘the worst prediction physics has ever made’ or ‘the vacuum catastrophe’.”
(To Infinity and Beyond by Nassim Haramein)



The Casimir Effect

The existence of vacuum energy has also been verified by the Casimir Effect. 
In 1948, Dutch physicist Hendrik Casimir devised a test that would either prove or disprove the existence of vacuum energy.

He theorized that if you could put two extremely thin metal plates together at an absurdly small distance from one another (we are taking about a distance of mere microns apart), then if there was vacuum energy you would create an imbalance within vacuum energy (or ‘an imbalance in the quantum fluctuations‘ as vacuum energy is more technically called) that would exert a force on the plates.

By putting these metal plates so close together you would have isolated all but the smallest wavelengths within the vacuum thus creating pressure on the outside of the plates which would have pushed them together, proving the existence of vacuum energy.

In 1948 when Hendrik Casimir came up with this idea the technology was not around to test his theory. But a few decades later scientists where able to carry out this experiment and prove conclusively that Hendrik Casimir was correct, and that there is an energy density to the vacuum. Since then this experiment has been validated many times by many scientists, and it has become known as ‘The Casimir Effect’.

This is conclusive and undeniable proof of the existence of vacuum energy which is free energy.

(For more information on the Casimir Effect and on Free Energy check out this great article:
Multiple Scientists Confirm the Existence of Free Energy)
VER AQUI Free Energy Is An Absolute Imperative For The Future Of The Earth And Humanity



Conclusion – Moving Forwards

We are swimming within an infinitely dense sea of energy. 
It has been proven not only that everything is energy, but also that each and every centimeter cube of space contains infinite energy.
If we used our resources as individual nations and as a planet searching for ways to tap into this energy, instead of suppressing new research that has already done so, then in a few short years we could be powering our planet with free vacuum energy extracted directly from the structure of space-time.

No more oil.
No more pollution.
No more wars over energy.
No more needing to work to heat our homes.

We could all quite our jobs and have unlimited free time to pursue our passions and contribute our knowledge and creativity to society.
We would have time to build gardens that maintain themselves, and collectively produce natural food to feed our planet while we spend our days in nature, following our passions, and doing what we love to do.

By tapping into vacuum energy with our technology and with perception, we can change the world.


Brandon West

a minha vida-tecido




moldei-me, uma vida, a determinadas coisas da vida.
descobri, já depois de grande,
que afinal ela – a vida – pode ser entendida como uma substância infinda de formas, cores, feitos, estratos, medos, texturas, sons, contendas, paradigmas.
descobri, já depois de grande,
que quero entendê-la como tecido:
palpá-la, cortá-la, cosê-la de maneira diferente
virá-la do avesso, remendá-la, aumentá-la
e – se preciso for – cortar dela o que é exíguo.
quero fazer da vida uma fatiota impecável, não só de domingo como diziam os antigos.
quero fazer da minha vida a roupa que me fizer (mais) sentir.


Laura Avelar Ferreira



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Na casa não mexia: agrada-me que seja como é!



Claro que tens defeitos: alguns divertem-me, outros enternecem-me, nenhum me incomoda, talvez por serem os defeitos das tuas qualidades da mesma maneira que um automóvel possui os travões adequados à potência do motor.
Se fosse Deus não mudava grande coisa em ti: talvez trocasse um móvel de posição, alterasse uma jarra, substituísse um quadro.
Na casa não mexia: agrada-me que seja como é.


António Lobo Antunes 
in, Quarto Livro de Crónicas


A New Spin on the Quantum Brain

Non-trivial quantum mechanical phenomena,
 such as quantum tunneling and entanglement,
 have been observed in a number of 
processes in the biological system.
This has led many researchers 
to begin to address the question 
of quantum biology 
in a more comprehensive manner.



Here, Quanta Magazine, reports on a new theory in which the nuclear spins of phosphorus atoms are suggested to serve as rudimentary qubits in the brain...





The mere mention of “quantum consciousness” makes most physicists cringe, as the phrase seems to evoke the vague, insipid musings of a New Age guru. But if a new hypothesis proves to be correct, quantum effects might indeed play some role in human cognition.

Matthew Fisher, a physicist at the University of California, Santa Barbara, raised eyebrows late last year when he published a paper in Annals of Physics proposing that the nuclear spins of phosphorus atoms could serve as rudimentary “qubits” in the brain — which would essentially enable the brain to function like a quantum computer.

As recently as 10 years ago, Fisher’s hypothesis would have been dismissed by many as nonsense. Physicists have been burned by this sort of thing before, most notably in 1989, when Roger Penrose proposed that mysterious protein structures called “microtubules” played a role in human consciousness by exploiting quantum effects.
Few researchers believe such a hypothesis plausible.
Patricia Churchland, a neurophilosopher at the University of California, San Diego, memorably opined that one might as well invoke “pixie dust in the synapses” to explain human cognition.

Fisher’s hypothesis faces the same daunting obstacle that has plagued microtubules: a phenomenon called quantum decoherence.
To build an operating quantum computer, you need to connect qubits — quantum bits of information — in a process called entanglement. But entangled qubits exist in a fragile state. They must be carefully shielded from any noise in the surrounding environment. Just one photon bumping into your qubit would be enough to make the entire system “decohere,” destroying the entanglement and wiping out the quantum properties of the system. It’s challenging enough to do quantum processing in a carefully controlled laboratory environment, never mind the warm, wet, complicated mess that is human biology, where maintaining coherence for sufficiently long periods of time is well nigh impossible.

Over the past decade, however, growing evidence suggests that certain biological systems might employ quantum mechanics. In photosynthesis, for example, quantum effects help plants turn sunlight into fuel. Scientists have also proposed that migratory birds have a “quantum compass” enabling them to exploit Earth’s magnetic fields for navigation, or that the human sense of smell could be rooted in quantum mechanics.

Fisher’s notion of quantum processing in the brain broadly fits into this emerging field of quantum biology. Call it quantum neuroscience. He has developed a complicated hypothesis, incorporating nuclear and quantum physics, organic chemistry, neuroscience and biology. While his ideas have met with plenty of justifiable skepticism, some researchers are starting to pay attention.
“Those who read his paper (as I hope many will) are bound to conclude: This old guy’s not so crazy,” wrote John Preskill, a physicist at the California Institute of Technology, after Fisher gave a talk there. “He may be on to something. At least he’s raising some very interesting questions.”

Senthil Todadri, a physicist at the Massachusetts Institute of Technology and Fisher’s longtime friend and colleague, is skeptical, but he thinks that Fisher has rephrased the central question — is quantum processing happening in the brain? — in such a way that it lays out a road map to test the hypothesis rigorously.
“The general assumption has been that of course there is no quantum information processing that’s possible in the brain,” Todadri said. 
“He makes the case that there’s precisely one loophole. 
So the next step is to see if that loophole can be closed.” 

Indeed, Fisher has begun to bring together a team to do laboratory tests to answer this question once and for all.




Courtesy of Matthew Fisher
Matthew Fisher has proposed a way for quantum effects to influence the workings of the brain.



Finding the Spin

Fisher belongs to something of a physics dynasty: His father, Michael E. Fisher, is a prominent physicist at the University of Maryland, College Park, whose work in statistical physics has garnered numerous honors and awards over the course of his career. His brother, Daniel Fisher, is an applied physicist at Stanford University who specializes in evolutionary dynamics. Matthew Fisher has followed in their footsteps, carving out a highly successful physics career. He shared the prestigious Oliver E. Buckley Prize in 2015 for his research on quantum phase transitions.

So what drove him to move away from mainstream physics and toward the controversial and notoriously messy interface of biology, chemistry, neuroscience and quantum physics? 
His own struggles with clinical depression.

Fisher vividly remembers that February 1986 day when he woke up feeling numb and jet-lagged, as if he hadn’t slept in a week. “I felt like I had been drugged,” he said. Extra sleep didn’t help. Adjusting his diet and exercise regime proved futile, and blood tests showed nothing amiss. But his condition persisted for two full years. “It felt like a migraine headache over my entire body every waking minute,” he said. It got so bad he contemplated suicide, although the birth of his first daughter gave him a reason to keep fighting through the fog of depression.

Eventually he found a psychiatrist who prescribed a tricyclic antidepressant, and within three weeks his mental state started to lift. “The metaphorical fog that had so enshrouded me that I couldn’t even see the sun — that cloud was a little less dense, and I saw there was a light behind it,” Fisher said. Within nine months he felt reborn, despite some significant side effects from the medication, including soaring blood pressure. He later switched to Prozac and has continuously monitored and tweaked his specific drug regimen ever since.

His experience convinced him that the drugs worked. But Fisher was surprised to discover that neuroscientists understand little about the precise mechanisms behind how they work. That aroused his curiosity, and given his expertise in quantum mechanics, he found himself pondering the possibility of quantum processing in the brain. 
Five years ago he threw himself into learning more about the subject, drawing on his own experience with antidepressants as a starting point.

Since nearly all psychiatric medications are complicated molecules, he focused on one of the most simple, lithium, which is just one atom — a spherical cow, so to speak, that would be an easier model to study than Prozac, for instance. The analogy is particularly appropriate because a lithium atom is a sphere of electrons surrounding the nucleus, Fisher said. He zeroed in on the fact that the lithium available by prescription from your local pharmacy is mostly a common isotope called lithium-7. Would a different isotope, like the much more rare lithium-6, produce the same results? In theory it should, since the two isotopes are chemically identical. They differ only in the number of neutrons in the nucleus.

When Fisher searched the literature, he found that an experiment comparing the effects of lithium-6 and lithium-7 had been done. In 1986, scientists at Cornell University examined the effects of the two isotopes on the behavior of rats. Pregnant rats were separated into three groups: One group was given lithium-7, one group was given the isotope lithium-6, and the third served as the control group. Once the pups were born, the mother rats that received lithium-6 showed much stronger maternal behaviors, such as grooming, nursing and nest-building, than the rats in either the lithium-7 or control groups.

This floored Fisher. Not only should the chemistry of the two isotopes be the same, the slight difference in atomic mass largely washes out in the watery environment of the body.
So what could account for the differences in behavior those researchers observed?

Fisher believes the secret might lie in the nuclear spin, which is a quantum property that affects how long each atom can remain coherent — that is, isolated from its environment. 
The lower the spin, the less the nucleus interacts with electric and magnetic fields, and the less quickly it decoheres.

Because lithium-7 and lithium-6 have different numbers of neutrons, they also have different spins. As a result, lithium-7 decoheres too quickly for the purposes of quantum cognition, while lithium-6 can remain entangled longer.

Fisher had found two substances, alike in all important respects save for quantum spin, and found that they could have very different effects on behavior. For Fisher, this was a tantalizing hint that quantum processes might indeed play a functional role in cognitive processing.



Quantum Protection Scheme

That said, going from an intriguing hypothesis to actually demonstrating that quantum processing plays a role in the brain is a daunting challenge.

The brain would need some mechanism for storing quantum information in qubits for sufficiently long times. There must be a mechanism for entangling multiple qubits, and that entanglement must then have some chemically feasible means of influencing how neurons fire in some way. There must also be some means of transporting quantum information stored in the qubits throughout the brain.

This is a tall order. Over the course of his five-year quest, Fisher has identified just one credible candidate for storing quantum information in the brain: phosphorus atoms, which are the only common biological element other than hydrogen with a spin of one-half, a low number that makes possible longer coherence times. Phosphorus can’t make a stable qubit on its own, but its coherence time can be extended further, according to Fisher, if you bind phosphorus with calcium ions to form clusters.

In 1975, Aaron Posner, a Cornell University scientist, noticed an odd clustering of calcium and phosphorous atoms in his X-rays of bone. He made drawings of the structure of those clusters: nine calcium atoms and six phosphorous atoms, later called “Posner molecules” in his honor. The clusters popped up again in the 2000s, when scientists simulating bone growth in artificial fluid noticed them floating in the fluid. Subsequent experiments found evidence of the clusters in the body. Fisher thinks that Posner molecules could serve as a natural qubit in the brain as well.

That’s the big picture scenario, but the devil is in the details that Fisher has spent the past few years hammering out. The process starts in the cell with a chemical compound called pyrophosphate. It is made of two phosphates bonded together — each composed of a phosphorus atom surrounded by multiple oxygen atoms with zero spin. The interaction between the spins of the phosphates causes them to become entangled. They can pair up in four different ways: Three of the configurations add up to a total spin of one (a “triplet” state that is only weakly entangled), but the fourth possibility produces a zero spin, or “singlet” state of maximum entanglement, which is crucial for quantum computing.

Next, enzymes break apart the entangled phosphates into two free phosphate ions. Crucially, these remain entangled even as they move apart. This process happens much more quickly, Fisher argues, with the singlet state. These ions can then combine in turn with calcium ions and oxygen atoms to become Posner molecules. Neither the calcium nor the oxygen atoms have a nuclear spin, preserving the one-half total spin crucial for lengthening coherence times. So those clusters protect the entangled pairs from outside interference so that they can maintain coherence for much longer periods of time — Fisher roughly estimates it might last for hours, days or even weeks.

In this way, the entanglement can be distributed over fairly long distances in the brain, influencing the release of neurotransmitters and the firing of synapses between neurons — spooky action at work in the brain.





Testing the Theory

Researchers who work in quantum biology are cautiously intrigued by Fisher’s proposal.
Alexandra Olaya-Castro, a physicist at University College London who has worked on quantum photosynthesis, calls it “a well-thought hypothesis. It doesn’t give answers, it opens questions that might then lead to how we could test particular steps in the hypothesis.”

University of Oxford chemist Peter Hore, who investigates whether migratory birds’ navigational systems make use of quantum effects, concurs. “Here’s a theoretical physicist who is proposing specific molecules, specific mechanics, all the way through to how this could affect brain activity,” he said. “That opens up the possibility of experimental testing.”

Experimental testing is precisely what Fisher is now trying to do. 
He just spent a sabbatical at Stanford University working with researchers there to replicate the 1986 study with pregnant rats. He acknowledged the preliminary results were disappointing, in that the data didn’t provide much information, but thinks if it’s repeated with a protocol closer to the original 1986 experiment, the results might be more conclusive.

Fisher has applied for funding to conduct further in-depth quantum chemistry experiments. He has cobbled together a small group of scientists from various disciplines at UCSB and the University of California, San Francisco, as collaborators.
First and foremost, he would like to investigate whether calcium phosphate really does form stable Posner molecules, and whether the phosphorus nuclear spins of these molecules can be entangled for sufficiently long periods of time.

Even Hore and Olaya-Castro are skeptical of the latter, particularly Fisher’s rough estimate that the coherence could last a day or more. “I think it’s very unlikely, to be honest,” Olaya-Castro said. “The longest time scale relevant for the biochemical activity that’s happening here is the scale of seconds, and that’s too long.” (Neurons can store information for microseconds.) Hore calls the prospect “remote,” pegging the limit at one second at best. “That doesn’t invalidate the whole idea, but I think he would need a different molecule to get long coherence times,” he said. “I don’t think the Posner molecule is it. But I’m looking forward to hearing how it goes.”

Others see no need to invoke quantum processing to explain brain function.
“The evidence is building up that we can explain everything interesting about the mind in terms of interactions of neurons,” said Paul Thagard, a neurophilosopher at the University of Waterloo in Ontario, Canada, to New Scientist. (Thagard declined our request to comment further.)

Plenty of other aspects of Fisher’s hypothesis also require deeper examination, and he hopes to be able to conduct the experiments to do so.
Is the Posner molecule’s structure symmetrical? 
And how isolated are the nuclear spins?

Most important, what if all those experiments ultimately prove his hypothesis wrong?
It might be time to give up on the notion of quantum cognition altogether.

“I believe that if phosphorus nuclear spin is not being used for quantum processing, then quantum mechanics is not operative in longtime scales in cognition,” Fisher said.
“Ruling that out is important scientifically. It would be good for science to know.”



Jennifer Ouellette 
in, Quanta Magazine



do amor que os corpos aprenderam




esta noite quando me  deitei, já dormias.
curioso como tinhas uma das mãos, aberta.
pensei que pudesses estar à minha espera.
o amor tem destas pequeninas coisas gramaticais: o verbo, o pronome, o sinal de acentuação, o advérbio...

quando me deitei essa tua mão estendida procurou-me.
uma parte do meu corpo. um toque, só. 
e, quando coloquei na tua mão aberta a minha mão cansada,
fecharam-se as duas mãos em sono e lençóis e ficaram, entretidas,
a namorar o amor que lhes ensinámos.


Laura Avelar Ferreira