quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Amar!




Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!…
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… para me encontrar…


Florbela Espanca


......................all phenomena are metaphysical




“Metaphysical has been science’s designation for all weightless phenomena such as thought.
But science has made no experimental finding of any phenomena that can be described as a solid, or as continuous, or as a straight surface plane, or as a straight line, or as infinite anything.
We are now synergetically forced to conclude that all phenomena are metaphysical; wherefore, as many have long suspected–like it or not–life is but a dream.”


 – Buckminster Fuller


KSHANTI


A palavra sânscrita kṣānti 
frequentemente é traduzida como 
"tolerância" 
ou 
"capacidade de suportar". 


Mas essas duas expressões portuguesas trazem um sabor negativo de "sofrimento resignado", quando, ao contrário, kṣānti é uma atitude positiva - não uma resignação dolorosa. 


Uma tradução melhor seria "acomodação".
A atitude de kṣānti significa que eu, alegremente, calmamente, aceito aquele comportamento e aquelas situações que não posso mudar. Desisto da expectativa ou exigência pela mudança de outra pessoa ou situação, de forma a se moldar ao que penso ser agradável para mim. 
Eu me acomodo às situações e às outras pessoas alegremente.





Todos os relacionamentos requerem acomodação

Esse valor deve ser construído a partir da compreensão da natureza das pessoas e dos relacionamentos entre elas. Nunca encontrei numa pessoa todas as qualidades de que gosto ou todas de que não gosto. Qualquer pessoa será uma mistura de coisas que acho interessante e outras que considero desinteressantes. Similarmente, eu terei o mesmo impacto nos outros. Ninguém vai me achar totalmente agradável. Quando reconheço esses fatos, vejo que todos os relacionamentos requerem alguma acomodação da minha parte. Não estarei disposto, ou talvez não serei capaz de mudar ou satisfazer todas as expectativas que o outro tem de mim; tampouco os outros estarão dispostos ou serão capazes de mudar e satisfazer todos os meus critérios em relação a eles. Nunca encontrarei um relacionamento que não requeira acomodação.

Em especial, os relacionamentos que envolvem coisas que fortemente desgosto em alguém requerem acomodação da minha parte. Se eu for capaz de modificar a pessoa, ou se puder colocar uma distância entre mim e ela, sem faltar ao meu dever, tudo estará bem. Mas se não puder fazer isso, simplesmente devo me acomodar alegremente. Ou seja, devo tomar a pessoa como ela é. Não posso esperar que o mundo ou as pessoas mudem. Simplesmente não é possível compelir as pessoas a mudar para satisfazer minha expectativa de como elas deveriam ser. Algumas vezes alguém pode mudar um pouco por mim ou pode tentar mudar, mas não posso contar com isso. Geralmente, quando quero uma mudança nos outros, eles também desejam uma mudança em mim. Teremos, então, um impasse.






Para kṣānti, diminua as expectativas

Quando examinar meus processos mentais, provavelmente verificarei que, para minha surpresa, eu ofereço kshánti mais prontamente para um tolo insuportável do que para meu melhor amigo. Isso porque não espero algo sábio ou inteligente de um tolo; mas espero que meu amigo viva de acordo com certos padrões que considero adequados. Um tolo incorrigível não consegue me desapontar, mas outros, por uma razão ou outra, em algum momento, conseguem. Não deveria ser assim. Minhas expectativas deveriam colocar todos na mesma categoria do tolo incorrigível. Ninguém deveria ser capaz de me desapontar, mas somente capaz de me surpreender. E minha atitude deve ser a de estar preparado para acomodar todas as surpresas possíveis.

Devo acomodar as pessoas como acomodo objectos inertes, isto é, devo tomá-las como são. Eu não gosto de ser queimado pelo Sol, porém não peço ao Sol que pare de brilhar. Aprecio a benção mista de um Sol quente brilhando e entendo que, sendo uma benção mista ou não, não posso desligá-lo. Não peço às abelhas que não tenham ferrão, tampouco odeio as abelhas se, estando no caminho delas, recebo uma picada. Continuo apreciando a função da abelha e aproveito o mel.

Porém, considero ser muito mais difícil ter para com as pessoas a atitude que tenho com os insetos e objetos inertes. Posso me relacionar adequadamente com um objeto inerte ou uma criatura selvagem porque não espero qualquer mudança deles. Mas espero que as pessoas possam mudar para se tornarem mais agradáveis para mim. Mantenho minha mente agitada com exigências contínuas por mudanças de forma que os outros em minha vida sejam mais de acordo com as minhas preferências. De facto, nem os humanos podem ser capazes de mudança.

Frequentemente não conseguem mudar ou por falta de força de vontade ou por falta de vontade. Quando alguém não consegue mudar ainda que deseje mudar é porque não possui força de vontade. Nada mais há a fazer, a não ser acomodar essa pessoa. Quando uma pessoa não muda porque não deseja tentar a mudança, podemos tentar convencê-la a ter a vontade de se beneficiar de uma mudança. Se não for possível convencê-la, então acomode-a. O que mais se pode fazer?! De qualquer maneira, o mundo é amplo. A variedade torna-o mais interessante. Há espaço suficiente para acomodar a todos.



Responda à pessoa, não à acção

Para descobrir dentro de mim um valor pela acomodação, eu deveria olhar para a pessoa por trás da acção. Geralmente, é quando estou respondendo ao comportamento da pessoa, à sua acção, que acho difícil ser acomodativo. Quando tento entender a causa por detrás da acção, me coloco numa posição de responder à pessoa e não à acção, e então minha resposta para essa pessoa pode ser uma resposta acomodativa. Tento ver o que existe por detrás do súbito ataque de raiva ou da explosão de ciúmes ou da conduta dominadora e respondo à pessoa, e não às acções.

Se não consigo ver o que há por detrás das acções, ainda assim, tenho em mente o facto de que muitas razões desconhecidas por mim armam o palco para qualquer acção por parte da outra pessoa. Com essa disposição de espírito achei natural ser acomodativo. Numa situação onde minha interacção é para com a pessoa em vez de para com a conduta, conseguirei me manter calmo. De facto, a dissolução de qualquer discussão entre pessoas é quase sempre o resultado de uma apreciação mútua feita pelas pessoas em vez de uma nova atitude quanto à conduta irreflectida.

Reacções mecânicas impedem a acomodação. Para ser livre ao interagir com uma pessoa, devo ser livre de reacções mecânicas. Tenho que escolher minhas atitudes e fazer as acções deliberadamente. Uma reacção é um tipo de conduta mecânica e não-deliberada. É uma resposta condicionada extraída de experiências anteriores, sem autorização prévia da minha vontade. Na verdade, é uma resposta que não foi avaliada conforme a estrutura de valores que estou tentando assimilar, mas que somente ocorreu. Algumas vezes a minha reacção pode ser uma acção ou atitude que, mais tarde, após reflexão, eu aprovaria.

Outras vezes minhas reacções podem ser completamente contrárias às atitudes e acções que eu gostaria de manter ou fazer. Reacções podem ir contra toda a minha sabedoria, estudo e experiência anterior. Esses factores são relegados e a reacção ocorre. O que aprendi anteriormente torna-se sem valor para mim.

Posso ter lido todas as escrituras do mundo, posso ser um óptimo estudante de sistemas éticos, posso ser um profissional diplomado em dar conselhos aos outros, mas quando acontece a reacção, essa será exactamente tão mecânica como a de qualquer outro.

Sabedoria, aprendizado e experiência não me servirão de nada. 

Portanto, até que meus valores éticos se tornem completamente assimilados, estabelecendo uma base a partir da qual atitudes e acções corretas surjam espontaneamente, devo, através da atenção, evitar reacções e, ao invés disso, deliberadamente e refletidamente escolher minhas acções e atitudes. Quando evito reacções, estou livre para escolher minhas acções e atitudes, posso ser acomodativo em meus pensamentos, palavras e acções.



Kṣānti e ahimsā: qualidades de um santo

Acomodação é uma qualidade bela e santificada. Dentre todas as qualidades, ahimsā e kṣānti constituem as qualidades de um santo. As qualificações mínimas para um santo são essas duas qualidades. Não é preciso ter sabedoria nem é necessário o aprendizado das escrituras para ser um santo, mas a pessoa deve ter esses dois valores. Um santo é uma pessoa que nunca fere conscientemente outra pessoa pela palavra, acção ou pensamento, e que aceita as pessoas - boas ou ruins - exactamente como elas são; que tem uma infinita capacidade de acomodar, perdoar e ser compassivo.

Essas qualidades (acomodação, perdão, compaixão...) estão incluídas na qualidade chamada kṣānti. Um santo sempre é dotado de kshánti - uma capacidade infinita para a compaixão.
Ele responde à pessoa, não à acção. Ele vê a acção errada como um erro originário de um conflito interno e é compassivo para com a pessoa que o comete.
Uma atitude de kṣānti, acomodação, expande o coração.
Esse se torna tão amplo que aceita todas as pessoas e circunstâncias exactamente como elas são, sem desejos ou cobranças de que sejam diferentes. 
Isso é kṣānti.



Swami Dayananda Saraswati 
in, O Valor dos Valores







As seis paramitas são ensinamentos do Budismo Mahayana.
Paramita é uma palavra que pode ser traduzida como "perfeição" ou "realização perfeita".
O ideograma chinês para este termo significa "atravessar para a outra margem", que é a margem da coragem, da paz e da libertação.

As perfeições devem ser praticadas na nossa vida diária.
Estamos actualmente na margem do sofrimento, da raiva e da depressão, e queremos atravessar para a margem do bem-estar. Para atravessar, é preciso fazer alguma coisa, e é a isso que chamamos de perfeição. 

Assim, voltamos para nós mesmos, praticamos a respiração consciente e olhamos para o nosso sofrimento, a nossa raiva, a nossa depressão, e sorrimos.
Ao fazer isso, superamos a dor e atravessamos.
Devemos praticar as "perfeições" todos os dias.


  1. Dana paramita - Doação, generosidade, oferta.
  2.  Shila paramita - Os preceitos ou treinamentos da atenção plena.
  3. Kshanti paramita - Tolerância, a capacidade de acolher, suportar e transformar a dor infligida a si por seus inimigos e também pelas pessoas que o amam.
  4. Virya paramita - O esforço, energia, perseverança.
  5. Dhyana paramita - A meditação.
  6. Prajna paramita - A sabedoria, compreensão, insight.


Praticar as seis perfeições ajuda a atingir a outra margem - a margem da liberdade, da harmonia e dos bons relacionamentos.



A tolerância, kshanti paramita.

A tolerância é a capacidade de receber, aceitar e transformar as coisas. 
Kshanti às vezes é traduzida também por paciência ou resignação, mas acho que "tolerância" é uma palavra que denota melhor o ensinamento de Buda.

Quando praticamos a tolerância, não precisamos sofrer nem nos resignarmos, mesmo quando precisamos aceitar o sofrimento ou a injustiça, quando alguém diz ou faz algo que nos deixa com raiva, ou quando talvez algum tipo de injustiça é cometido contra nós. Mas se o coração for grande o bastante, não sofreremos.

O Buda oferece uma linda imagem sobre isso.
Se pegarmos um punhado de sal e colocarmos numa tigela com água, a água ficará salgada demais para beber. Mas a mesma quantidade de sal colocada num grande rio não afectará sua água, e as pessoas ainda poderão bebê-la (lembrem-se de que esse ensinamento foi dado há 2.600 anos, quando ainda era possível beber água dos rios!). Devido à sua imensidão, o rio tem a capacidade de receber e transformar. O rio não sofre por causa de um punhado de sal. Se o seu coração for pequeno, uma palavra ou acção injusta fará você sofrer, mas se o coração for grande, e se tiver compreensão e compaixão, a palavra ou acção injusta não terá o poder de lhe causar sofrimento, porque você terá a capacidade de receber, aceitar e transformar rapidamente. O que conta aqui é a sua capacidade. Para poder transformar o sofrimento, o coração precisa ser grande como um oceano. Outra pessoa talvez sofra, mas se um bodhisattva ouvir as mesmas palavras desagradáveis não sofrerá. Tudo depende da forma de receber, aceitar e transformar. Se você guardar uma dor por muito tempo, é porque ainda não aprendeu a prática da tolerância.

Quando Rahula, o filho de Buda, fez dezoito anos, o Buda fez uma linda palestra sobre o Dharma, em que falava sobre como praticar a tolerância. Shariputra, o tutor de Rahula, estava presente e ouviu atentamente, absorvendo os ensinamentos. Doze anos mais tarde, Shariputra teve a oportunidade de repetir esse ensinamento para uma congregação de monges e monjas. Foi no dia seguinte ao término de um retiro de três meses, durante uma estação chuvosa, quando todos os monges estavam se a preparar-se para ir embora e seguir em diferentes direcções pregando os ensinamentos. Naquele dia, um monge disse ao Buda: "Senhor, esta manhã, quando o Venerável Shariputra ia partir, eu perguntei a ele onde ia, e em vez de responder à minha pergunta, ele me atirou ao chão e nem sequer pediu desculpas."

O Buda perguntou a Ananda: "Shariputra já está muito longe?" e Ananda disse: "Não, Senhor, ele partiu há apenas uma hora." Então Buda pediu a um noviço que alcançasse Shariputra, convidando-o a voltar. Quando o noviço voltou acompanhado de Shariputra, Ananda convocou todos os monges que ainda estavam por lá. A seguir, o Buda entrou e perguntou formalmente: "Shariputra, é verdade que esta manhã quando ia a sair do mosteiro um irmão lhe fez uma pergunta, e você não respondeu? É verdade que em vez de responder você atirou o irmão ao chão e nem sequer pediu desculpas?"
E Shariputra respondeu a Buda diante de todos os monges e monjas da congregação.

"Senhor, eu me lembro do discurso que o senhor fez há doze anos para o monge Rahula, quando ele fez dezoito anos. O senhor ensinou-o a contemplar a natureza da terra, da água, do fogo e do ar, para desenvolver as virtudes do amor, da compaixão, da alegria e da equanimidade. Apesar de seu ensinamento ser dirigido a Rahula, eu também aprendi com ele, e tenho tentado observar e praticar este ensinamento.”

"Senhor, eu tenho tentado praticar como a terra. A terra é grande e aberta, e tem a capacidade de receber, aceitar e transformar. Quando as pessoas atiram sobre a terra substâncias puras e perfumadas, como por exemplo flores, perfumes ou leite fresco, ou mesmo quando atiram nela substâncias repugnantes como excremento, urina, sangue, catarro ou cuspe, a terra recebe tudo da mesma maneira, sem apego nem repulsa. Não importa o que atiramos na terra, ela sempre acolhe, aceita e transforma tudo aquilo que recebe. Eu faço o que posso para ser como a terra, a tudo recebendo sem resistir, sem me queixar, nem sofrer.

"Senhor, eu pratico a atenção plena e a bondade amorosa. Um monge que não pratica a atenção plena ao corpo no corpo e às acções do corpo nas acções do corpo, poderia derrubar outro monge e deixa-lo lá deitado, sem pedir desculpas. Mas eu não costumo ser grosseiro com meus colegas, empurrando-os e indo embora sem pedir desculpas.”

"Senhor, eu aprendi a lição dada a Rahula, ou seja, que praticasse para me tornar como a água. Quando alguém derrama uma substância perfumada ou impura na água, ela recebe as duas coisas da mesma maneira, sem apego, sem aversão. A água é imensa, fluida, e tem a capacidade de receber, conter, transformar e purificar todas as coisas. Eu fiz o melhor que pude para me assemelhar à água. Um monge que não pratica a atenção plena, que não tenta se assemelhar à água, poderia ser grosseiro com seus colegas, empurrando-os e indo embora sem pedir desculpas, mas eu não sou assim.”

"Meu Senhor, eu tenho praticado me assemelhar ao fogo. O fogo queima tudo, tanto o que é puro como o que é impuro, o belo e o repugnante, sem apego nem aversão. Se atirarmos flores ou seda no fogo, elas queimarão. Se atirarmos roupas velhas ou substâncias mal cheirosas, o fogo aceitará tudo da mesma maneira e queimará da mesma forma. Ele não discrimina. Por quê? Porque o fogo é capaz de receber, consumir e queimar todas as coisas que lhe são oferecidas. Eu tenho tentado ser como o fogo. Consigo queimar as coisas negativas para transformá-las. Um monge que não pratica a atenção plena ao olhar, ouvir e contemplar, poderia ser grosseiro com seus colegas, empurrando-os e indo embora sem pedir desculpas, mas eu não sou assim.”

"Senhor, tenho tentado praticar para ser como o ar. O ar carrega todos os cheiros, bons e maus, sem apego nem aversão. O ar tem a capacidade de transformar, purificar e soltar todas as coisas. Senhor Buda, eu contemplei o corpo no corpo, o movimento do corpo no movimento do corpo, as posições do corpo nas posições no corpo, as sensações nas sensações e a mente na mente. Um monge que não pratica a atenção plena poderia jogar seu colega no chão, empurrando-o e ir embora sem pedir desculpas, mas eu não sou assim.”

"Meu Senhor, eu sou como uma criança da casta dos 'intocáveis', que não tem nada para vestir, nenhum título ou medalha para pendurar nos trapos rotos. Tenho tentado praticar a humildade, porque sei que a humildade tem o poder da transformação. Todos os dias eu tento aprender. Um monge que não pratica a atenção plena poderia ser grosseiro com seus colegas, empurrando-os e indo embora sem pedir desculpas, mas eu não sou assim."

Shariputra continuou com seu discurso, o "Rugido do Leão", mas o outro monge, arrependido, descobriu o ombro direito e se ajoelhou, pedindo perdão:
"Senhor, eu violei a Vinaya (regras de disciplina monástica). Por raiva e por ciúmes, eu disse uma mentira para desacreditar meu irmão mais velho no Dharma. Eu imploro à comunidade que me permita praticar o Começar de Novo." Diante do Buda e de toda a Sangha, ele se prostrou três vezes para Shariputra. Quando Shariputra viu o seu irmão prostrado, inclinou-se e disse:
"Eu não tenho sido hábil o bastante, e por isso criei o mal-entendido. Eu sou também responsável por isso, e peço a meu irmão que me perdoe."
A seguir ele também se prostrou três vezes diante do outro monge, e os dois se reconciliaram. Ananda pediu a Shariputra para ficar para uma chávena de chá antes de partir novamente na sua jornada.

Reprimir a nossa dor certamente não é o ensinamento da tolerância.
Temos que recebê-la, aceitá-la e transformá-la. 
A única forma de fazer isso é tornar o nosso coração maior. 

Nós contemplamos em profundidade para compreender e perdoar, caso contrário ficaremos aprisionados pela raiva e pelo ódio, e acharemos que a única forma de nos sentirmos melhor é castigar a outra pessoa. A vingança é um alimento não-saudável. A intenção de ajudar os outros, ao contrário, é extremamente saudável.


Para praticar a kshanti paramita, precisamos das outras perfeições. 

Se a nossa prática da tolerância não abarcar a compreensão, a generosidade e a meditação, estaremos apenas tentando esconder nossa dor, empurrando-a para o fundo da consciência. 
Isto é perigoso. Este tipo de energia irrompe mais tarde, destruindo a nós e os outros. Se praticarmos a contemplação em profundidade, nosso coração crescerá sem limites e nós sofreremos menos.

O primeiro discípulo que ordenei era um monge chamado Thich Nhât Tri.
O irmão Nhât Tri foi comigo e com a irmã Chân Không a diversas missões de salvamento de vítimas de enchentes no Vietname central, e passou muitos meses em pequenos vilarejos, porque isso lhe foi pedido. Estávamos a organizar a Escola de Jovens para o Serviço Social, e precisávamos nos familiarizar com a situação do povo das áreas rurais. Queríamos encontrar formas de utilizar a não-violência e a bondade amorosa para ajudar os pobres a melhorar o seu padrão de vida.
Era um lindo movimento em prol do progresso social.
Eventualmente, chegamos a ter 10.000 pessoas engajadas. Os comunistas diziam que o nosso movimento budista era pró-americano, e a imprensa dizia que nós monges budistas éramos comunistas disfarçados tentando ajudar a vitória comunista. Enquanto isso, apenas tentávamos ser nós mesmos, sem favorecer nenhum dos dois lados da guerra. Em 1967, o Irmão Nhât Tri, juntamente com outros sete assistentes sociais, foram raptados por um grupo de extrema direita, e nunca mais ouvimos falar deles.

Um dia, Nhât Tri estava a andar nas ruas de Saigão, quando um soldado americano, em cima de um camião militar, cuspiu na sua cabeça. O Irmão Nhât Tri voltou para casa a chorar. Sendo jovem, ele era tentado a reagir e lutar, e eu o segurei nos meus braços por meia hora, tentando transformar a sua profunda dor. Eu disse: "Meu filho, você não nasceu para usar armas. Você nasceu para ser monge, e seu poder é o poder da compreensão e do amor. O soldado americano o considerou seu inimigo. Isto foi a percepção errada dele. Nós precisamos de 'soldados' que possam ir para a frente de combate armados apenas com compreensão e amor:' Ele permaneceu na Escola de Jovens para o Serviço Social. Depois foi raptado e provavelmente morto. Thich Nhât Tri é um protector dos monges e monjas de Plum Village. A letra dele se parecia muito com a minha. E ele escreveu lindas canções para serem cantadas pelos pastores de búfalos nas áreas rurais.

Como podemos esquecer esse tipo de injustiça?
Como podemos transformar a injustiça sofrida por nações inteiras?
Cambojanos, bósnios, palestinos, israelitas, tibetanos, todos sofreram injustiça e intolerância.

Em vez de sermos irmãos e irmãs uns dos outros, apontamos armas uns contra os outros. Quando a raiva nos assalta, pensamos que a única resposta é castigar os outros. O fogo da raiva continua a queimar em nós, e continua a queimar também em nossos irmãos e irmãs. Esta é a situação do mundo, e é por isso que a contemplação em profundidade é tão necessária, para nos ajudar a entender que somos todos vítimas.

Eu disse ao irmão Nhât Tri:
"Se você tivesse nascido numa família de Nova Jérsia ou da Califórnia, e se lesse o tipo de artigos de jornais e revistas que esses soldados lêem, você também acreditaria que todos os monges budistas são comunistas, e também cuspiria na cabeça dos monges." Eu contei a ele que os GIs americanos eram treinados para considerar inimigos todos os vietnamitas. Eles foram mandados aqui para matar ou morrer. Eles também são vítimas, da mesma forma que os soldados e civis vietnamitas. Aqueles que apontam as armas e atiram em nós, que cospem em nós, não são os autores da guerra. Os autores da guerra estão sentados em escritórios confortáveis em Beijing, Moscovo e Washington. Aquela foi uma política errada, nascida de uma compreensão errada.
Quando eu fui a Washington em 1966, reuni-me com Robert McNamara, e o que disse a ele sobre a natureza da guerra era totalmente verdadeiro. Seis meses mais tarde ele pediu demissão, deixando de ser Secretário de Defesa, e recentemente escreveu um livro no qual confessa que a guerra do Vietname foi um erro terrível. Talvez eu tenha ajudado a plantar algumas sementes de compreensão nele.

Essa percepção errada foi responsável por uma política errada, responsável pela morte de milhares de soldados americanos e vietnamitas, além de milhões de civis vietnamitas. As pessoas das áreas rurais não entendiam por que tinham que morrer dessa forma, por que as bombas caíam sobre elas dia e noite. (...)

Quando alimentamos ódio e raiva, sentimo-nos queimar por dentro.
A única forma de escapar é a compreensão.
Quando compreendemos, sofremos menos e saberemos como atingir a raiz da injustiça.
O Buda disse que se uma flecha nos atingir, sofreremos. Mas se uma segunda flecha nos atingir no mesmo lugar, sofreremos cem vezes mais. Quando somos vítimas de injustiça, se nos permitirmos a raiva, sofreremos cem vezes mais. Quando temos uma dor no nosso corpo, devemos inspirar e expirar, dizendo a nós mesmos: "É apenas uma dor física." Se ficarmos a pensar que é um câncro e que vamos morrer logo, a dor será cem vezes pior. O medo e o ódio, nascidos da ignorância, amplificam a nossa dor.

Quem nos salva é a prajna paramita. 
Se conseguirmos ver as coisas como são, em si mesmas, e não ver nada mais do que isso, sobreviveremos.

Eu amo o povo vietnamita, e fiz o que pude para ajudá-lo durante a guerra. Mas também considerava vítimas os jovens soldados americanos que estavam no Vietname. Eu não tinha rancor contra eles, e assim sofri muito menos. Este é o tipo de sofrimento que muitos de nós tiveram que enfrentar, e o ensinamento surge do sofrimento, e não por causa de estudos académicos. Eu sobrevivi pelo Irmão Nhât Tri e por tantos outros que morreram em nome do perdão, do amor e da compreensão. E agora compartilho isso com todos, para que meus irmãos não tenham morrido em vão.

Por favor, pratiquem a contemplação profunda, e vocês sofrerão muito menos com as doenças, injustiças e pequenas dores que existem dentro de vocês. A contemplação profunda conduz à compreensão, e a compreensão conduz ao amor e à tolerância. Quando seu bebé está doente, você faz o que pode para ajudá-lo, evidentemente. Mas ao mesmo tempo você sabe que um bebé precisa ficar doente um determinado número de vezes para adquirir a imunidade de que necessita. Ao sofrer, você também sabe que irá sobreviver, porque já desenvolveu anticorpos. Não se preocupe. "Saúde perfeita" é apenas uma ideia, nada mais.
Aprenda a viver em paz com os problemas que tiver. Tente transformá-los, mas não sofra demasiado.

Durante a sua vida, Buda também sofreu. Havia intrigas para competir com ele, e até mesmo para eliminá-lo. Uma vez, quando tinha uma ferida na perna e algumas pessoas tentaram ajudar, ele disse que era só uma pequena ferida, e fez o que pôde para minimizar a dor. Em outra ocasião, quinhentos monges seus saíram para montar uma Sangha concorrente, e ele aceitou isso sem reclamar. Finalmente, as dificuldades estavam a ponto de serem vencidas.


in, “A essência dos ensinamentos de Buda” 
Thich Nhat Hanh



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sou o paradoxo em pessoa



A maior parte das coisas em mim, são difíceis de explicar...
Por vezes, dou por mim a olhar para a expressão facial das pessoas a olhar para mim, em relação a coisas que digo, e fico a pensar que vivemos em mundos diferentes...
Eu vivo constantemente a sonhar acordada.
Como se vivesse num mundo imaginário...um mundo só meu...Susana'sWorld!
É o meu Shangri-la, a minha Pandora...não sei viver sem lá ir todos os dias.

Mas, ao mesmo tempo, no mesmo dia, também sou muito objectiva, lógica, racional, e realista.

E isto baralha as pessoas que andam um dia inteiro comigo.
Algumas, reagem mal...

Eu sou um montão de contradições, sou o paradoxo em pessoa!
A maior parte do meu tempo.
E durante uma pequena parte do meu tempo, sou a coerência em pessoa.

Eu sei...
Sou osso duro de roer...
Mas eu amo cada cantinho meu, mesmo assim...




Sobre a energia da sexualidade...



A sexualidade é a energia do fluxo de Criação que se manifesta no ser humano no campo individual através da ligação à presença cardíaca, e que só se pode realizar através da entrega , da doação ... do abrir totalmente a RECEBER... não nascemos para integrar a CRIAÇÃO Sós... e chegou o momento de também emergir essa transformação na consciência , limpá-la ... participarmos da limpeza dessa energia na terra... sacralizando-a...
Esta é a verdadeira essência da sexualidade sagrada...

Mas estamos a dar os primeiros passos... a intimidade é a maior experiência espiritual, pois existem todas as mecânicas de medo, culpa, controle, e por aí a fora, que nos impossibilitam de abrirmo-nos sem veste nenhuma a receber... a dar... , mas em graciosidade e delicada energia... 

A nova etapa evolutiva delineia o resgate do Poder Pessoal...
Como queremos participar a transcender as limitações do velho eu, se não assumimos a energia de criatividade no fluxo real... 
Pensem nisto e percebam a contradição...


Vivenciar a nossa totalidade com o outro devolve um equilíbrio lindo 
entre feminino e masculino dentro de nós 
e uma total receptividade, 
para dar e receber...
Por isso não evoluímos sós... 
não nos recriamos sós...



Ruth Fairfield



EQUANIMIDADE AFECTIVA




EQUANIMIDADE AFECTIVA é a atitude que neutraliza o excesso de emotividade e apego, como o que podemos nutrir pelos nossos filhos, nosso cônjuge, nossa casa ou nossas coisas.

Isto não significa que não devemos cuidar daqueles que amamos, mas evitar projectar nessas pessoas (ou no lar), as nossas carências e inseguranças.

Equanimidade nos afetos, assim, é cultivar cuidado e compaixão em relação às pessoas e coisas, mantendo a objetividade e o desapego.

Pedro Kupfer



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

......................na vindima de cada sonho




O que é bonito neste mundo, e anima, 
é ver que na vindima de cada sonho 
fica a cepa a sonhar outra aventura. 
E que a doçura que não se prova 
se transfigura noutra doçura 
muito mais pura e muito mais nova.

 ―Miguel Torga



Consciousness is a feedback




"In order to be self-aware, you have to have feedback.
Consciousness is a feedback between the external world and the internal world.
That’s fundamental to ALL things.
So then ALL things are conscious.
All things are feeding information to the vacuum and the vacuum is feeding it back.
The amount that you are able to feed into the system, is related directly to your amount of resistance, in how much information can come in."


– Nassim Haramein



Free Energy Is An Absolute Imperative For The Future Of The Earth And Humanity




The global ecological crisis 
demands radical changes 
in the way in which we use energy. 



Traditional renewable approaches such as solar, wind and biomass are attractive but can be capital and materials intensive, diffuse and intermittent. My own research and travel reveals an increasingly large number of experiments suggesting that we might be able to obtain clean and abundant energy from the vacuum or from low energy nuclear reactions (cold fusion).

But these results fly in the face of conventional physics.
“The resistance to a new idea”, Bertrand Russell said, “increases as the square of its importance.” Through the ages, perhaps no idea is more important or more maligned than that of perpetual motion or free energy. Inventors rarely lead easy lives, but those dedicated to the quest for free energy have met with especially great resistance. We look at the sagas of Nikola Tesia, T. Henry Moray, Bruce de Palma and Stefan Marinov as examples spanning this past century.

This quest began far earlier, as revealed in this fascinating biography by John Collins.
The time is the second decade of the eighteenth century and the place is Germany.
Here Johannes Bessler, alias Orffyreus, built and demonstrated large wheels which he claimed could turn indefinitely. In one dramatic demonstration, a Bessler wheel was documented to have run continuously for four weeks.

Collins correctly points out that the concept of perpetual motion has its semantic difficulties that can cause a premature dismissal from some critics. The relevant question to ask is, can we obtain energy from a mechanical free running device by the ingenious placement of weights with respect to the centre of gravity of the wheel to make it turn continuously?
Collins believes this was Bessler’s secret, analogous to a windmill turning continuously in a constant wind. Regrettably he offers no definitive or quantitative analysis of how that mechanism might have worked successfully.

Most modern free energy research goes well beyond the mechanical paradigm of Bessler’s time. Some are electromagnetic devices following Michael Faraday’s discovery in the 1830s that magnets placed on a wheel, when spun up to a threshold speed, can produce anomalous electricity that might lead to a continuous energy source, like a paddle wheel in running water.

During the 1990s, I visited the laboratories of over a dozen inventors worldwide of electromagnetic devices that appeared to produce more energy than went into them, as measured by traditional means. What we are seeing is energy coming from the vacuum of space, sometimes called zero-point energy, because it still exists at temperatures of absolute zero.

I’ve seen many of these proof-of-concept demonstrations for myself.
I wrote up the results of this journey in my 1996 book Miracle in the Void. 

Since then, many more books, scientific papers, articles, organizations and websites describe the prospects of new energy technologies that could reverse a permanent state of war and the gloomy spectre of irreversible climate change, the drastic pollution of our air, water and land, and the seizure of dwindling nonrenewable resources such as oil, coal, natural gas, uranium, forests, water, food, soil, minerals, wetlands, coral reefs, pristine diverse natural habitats and indigenous cultures.

Many of us with a scientific background have also investigated revolutionary concepts such as cold fusion with palladium cathodes (nonradioactive, room temperature nuclear reactions), sonoluminescence (acoustic cavitation, a cold fusion method), and special hydrogen and water chemistries, all of which are almost certainly producing significant clean excess thermal energy in the presence of catalysts. 
We have come to the conclusion, based on sound experimental science, that we could soon have a breakthrough energy economy, if we only allow these courageous researchers to move the technologies beyond their own laboratories.
Unfortunately, that has not happened yet. 
The global controllers’ suppression of making available any practical device has been 100% airtight, in spite of numerous attempts to break through. 
Covert assassinations, threats, thefts, draconian laws prohibiting the patenting of such devices and lack of funding have all thwarted development.

This war perpetrated by elite corporations and the U.S. and other rich oligarchies against humanity and nature has only escalated over the past few years. The unfolding of these crimes provides a stark contrast to how things could be in a better world. We need nothing less than profound systemic change in our political, economic and social systems in order to have clean energy, and that must happen sooner than is comfortable for most of us. But our discomfort and disease coming from an imperiled biosphere would be far worse. We need a revolution, a peaceful transformation. 
Its centerpiece should be a clean energy solution revolution that could restore sustainability and sensibility to the world.

The Energy Solution Revolution is an urgent call for an energy revolution that would give us a quantum leap in environmental friendliness. Some parts are an updated compilation of essays written over the past several years that explore the prospects and implications of a future world of radically clean, cheap and decentralized energy.


  • Does this possibility really exist or is it a scientific mirage? 
  • If it does exist, why has it been so suppressed for over a century since Nikola Tesla and others were inventing these things? 
  • Why do mainstream scientists, progressives and environmentalists totally ignore this possibility, even though it might save us all? 
  • What can we do to avoid the abuse or overuse of these technologies? 
  • Most importantly, how can we implement free energy when so very few of us are listening? 


We explore these questions in this book.
It is a wake-up-call to transform planetary culture from one dominated by capitalistic self-interest, pointless wars, ecocide and dirty energy, into one where the bulk of humanity can at last come together with compassion for all creation–before it’s too late.

Problems and solutions to our energy problems are not technical. They are human. 
The evidence for new, breakthrough, “over-unity” energy is overwhelming, but we must realize that we are in the research phase of a research and development cycle, that we are on the toe of the profit curve that almost no venture capitalist yet wants to touch, and that so far, the inventors have been divided and conquered by the unmitigated greed of the existing energy lobby.

History teaches us that new energy research is both elusive and heretical, yet intriguing enough to be taken seriously.

Our challenges are therefore social, economic and political.
We will see that, like thrashing dragons wanting to get one more drop of blood, we crave hydrocarbon and nuclear fuel in deference to those who wish to profit from our continuing use of dirty energy and who are doing everything they can to stop solution energy from seeing the light of day. We shall see that the pervasive use of carbon trading, biofuels, alternative hydrocarbons such as the tar sands of Alberta and oil shale of Utah, carbon sequestration at coal mines, the hydrogen economy, nuclear power, hybrid cars, air cars—even solar and wind–can only distract us from what we really need to do in the long run.
We shall see that these “solutions” are just smoke and mirrors in the well-publicized energy sideshow. As journalist George Monbiot put it, the first way to keep from environmental and climate disaster would be to keep carbon (and uranium) in the ground.
But then what?

Policymakers and an ignorant public are thwarting authentically clean energy at every turn, either by commission or by omission.
As a sociological problem, the need for truly clean energy is perhaps the most urgent one our culture has ever faced.
The Energy Solution Revolution looks into these dynamics of overcoming our denials and vested interests as we progress through this book. Given that both policymakers and the public commons have difficulty supporting solar and wind power, multiply that suppressive force by millions when it comes to the viability of new energy technologies to save the planet from almost sure disaster.

Almost every “expert” who presents the “renewable” alternatives limits his/her discussion to the known sources such as solar and wind, which are not really all that renewable. The public is deceived into thinking those are all there are or ever will be. The free energy possibilities are simply discarded at our risk and peril.

My journalist-colleague Keith Lampe has well expressed a scenario for our future energy choices. He suggests that existing “renewable” technologies such as solar and wind be implemented as first-generation energy, while we develop forthwith second-generation energy such as zero-point, cold fusion and advanced hydrogen technologies. 
Both options, he feels, need equal time, whether it’s in Congressional hearings or in public discourse. Looked at in this light, we can evolve an energy policy that makes sense, and could give us a much better chance to reverse climate change before it’s too late.

I agree with Lampe’s assessment, which was also the principal conclusion of my own studies, as expressed in my previous book Re-Inheriting the Earth (2003). It seems that, even for those skeptical about whether or not these advanced energy technologies are real, is it not wise to adopt the precautionary principle that we leave no stone unturned to uncover those energy sources which could really solve our paralysis of paradigm and save humanity and nature from almost certain destruction? We cannot afford to do less.

But we must also ensure that the technologies are regulated by responsible government and are never put to weapons use or overuse. That’s why social change must go along with introducing any radical new technology such as this one.

Each revolutionary new energy technology discussed in the book represents a potential quantum leap in our ability to have clean and cheap energy. In every case, using these sources can give all of humanity an authentically lasting new paradigm in our energy policies and practices, at first involving disruptive and seemingly magical concepts. They give us an opportunity to transcend humanity’s rampage on nature and give us a reasonable chance to have a truly peaceful, just and sustainable future on Earth—if we can take action soon and wisely.

We can research and vet all the energy options we want and we can even try to do this job honestly, but none of this will matter unless we can effect political action at many levels. We’re going to need to know the truth and find ways of acting on it constructively. We must search for a public context to introduce solution energy for all.

In my opinion, the prospects of free energy depend entirely on the success of an altruistic democracy that is longing to be born.



Dr. Brian O’Leary
Dr. Brian O’Leary is an author, pioneering physicist and former NASA astronaut.
He has published ten international books on the frontiers of science, space, energy and culture. With his artist-wife Meredith, they founded Montesueños, a retreat center and botanical garden in the Ecuadorian Andes dedicated to finding deep peaceful and sustainable solutions to humankind’s war on nature and to implement these at local, regional and global levels of action.
Please visit Dr. O’Leary’s websites at www.montesuenos.org and www.brianoleary.info for more details.




domingo, 4 de dezembro de 2016

IDENTITY





This is how I am,
no time for guilt,
playing with fate and quick to bore.
Promises that implode betrayed with neglect.

It’s useless to change me.
Certainty is a stranger to me
because of the panic love causes,
because of imagination,
because I’m only
fit
for laziness.

My time is arranged in the last minute
or in premature withdrawals ,
in a sun that does not suffice
and in night that never ends,
in impetuous leaps between thirst and its slaking.

This how I am—
silence to reassemble my parts ,
a slow terror to shatter me,
silence and terror to heal me from a wicked memory
No hope that light will guide me.
I own nothing except my errors.


JOUMANA HADDAD


8 limbs of Ashtanga Yoga




What was Yoga really about, 
before it came to the West... 
and is there something we can do 
to "make Yoga great again"? 



The ancient Ashtanga Yoga (from over a thousand years ago, not the modern Westernized Ashtanga Yoga) and the Raja Yoga of Patanjali, clearly did not emphasise Asana.

Asana, in ancient times was not associated with gymnastics and flexibility, but instead with creating inner stability and a good preparation for the deepest self-knowledge and self-realization.

The ancient texts make it clear that Asana was considered to be a preparatory practice, together with ongoing purification, self-study, devotion and surrender to the Divine.
'Asana' was 'good posture'... 'good seatedness'... (literally actually meaning 'seat') enabling the practice of the other aspects of Yoga - the other 'angas' (Ashtanga meaning '8 branches' or '8 limbs' - Asana being one of the limbs).






Upon the stability of Asana, the other practices, or limbs, can be effectively practised/experienced.
It was Dhyana ('meditation') and Samadhi (deep 'equanimity') that were the essential focus in the set of practices of the Yogi.

Modern/Western Yoga seeks often to minimize the religious and the spiritual component of Yoga, emphasizing the side-effects - the health and aesthetic benefits... but can we have real 'Yoga' without the spiritual dimension?

Even the ancient Hatha Yoga (not the modern versions) were focused on the ultimate spiritual alchemy: communion with the divine and divinization of the body itself, as the vehicle and expression of the Divine.

Nowadays when people speak of a 'Yoga body' they're speaking of a good, 'fit-looking' body...
In ancient times, the 'Yoga body' or 'Divya deha' was the transmuted body - transformed into divine vibration.

How was this achieved in ancient Hatha Yoga? 
First of all by purificatory practices (Kriyas)... by letting go of all obstructions to experiencing the divine... then the full and natural flow of energy can occur, even in its most potent form known as Kundalini Shakti.

This quote says it all, very succinctly :
"When all the organs are functioning properly and the flow of prana is unobstructed, then calmness and a peace descend on you, which is essential for meditation.
In fact, peace of mind is a prerequisite and not a consequence of meditation as we normally tend to think."

- Swami Satyasangananda Saraswati
It is sometimes said that we can only actually practice the first 6 angas/limbs, and that the last two (Dhyana and Samadhi) arise as a consequence of the correct practice of those 6.


An important question for modern practitioners and teachers:

  • To what extent is the approach, the context, etc. of a modern Yoga class providing the appropriate 'Asana' - the 'seat' - for Dhyana, for Samadhi and for the experience of Yoga ('Union') itself?
  • To what extent are you as a practitioner or teacher of Yoga called to practice the fullness of what the ancient Yoga tradition offers?
  • ... And, if you are a Yoga teacher, to what extent do feel that your training prepared you to pass on the full depth of the Yoga tradition - 'Yoga' as understood in ancient times by its 'founders'?
  • What would you like to have had more attention given to in your training to give you a strong foundation as a Yoga teacher?
  • Is there some aspect of the practices or the theory that for you would have been extremely valuable to be included but that wasn't, or that was approached, but only superficially?
  • Did you receive clarity about the history of Yoga and the different approaches and how they relate to each other, or were you left a bit confused? 
  • Are you able to easily answer students' questions regarding Yoga philosophy?
  • Did your Yoga training leave you wanting to deepen your understanding and provide you support for that ongoing journey, or were you left confused and without guidance for the next steps of learning?
  • More importantly... what aspect, or practice, of Yoga would you most like to integrate now in your life and in your Yoga teaching in order to make it more effective, more fulfilling, more effortless?


I'm genuinely curious...
If you are a Yoga practitioner or teacher, I'd really like to hear from you.
(In the light of what ancient Yoga was about) I'd love to hear what you feel (as a practitioner) is missing from modern Yoga classes?
What could be deepened?
What should be included?
What is most important for you about Yoga?
Did you find what you were looking for in modern Yoga?
Have your teachers provided access to ancient Yoga, or only given you the Western 'gym-yoga'?
Is there some small or maybe big change that for you would make all the difference between a mediocre class and a truly inspiring one?
More personalized approach?
More meditation?
What's your heart calling for in your practice of Yoga?

... who are wanting to experience and share the full depth of the ancient Yoga tradition (whether using Mantra, Meditation, Kundalini Kriya Yoga, Bhakti, or any other style, approach or combination of tools).



Peter Littlejohn Cook



Os papéis que representamos na vida





A nossa vida aqui na Terra convida-nos a dar vida e a experienciar variadíssimos papéis diferentes. Por exemplo, o que é ser mãe, o que é ser filho, o que é ser famoso, o que é ser deficiente, o que é sensível ou agressivo ou gordo ou milionário, enfim, basta olhar para o mundo para percebermos que são infinitas as experiências possíveis dentro da dualidade.

Quando olhamos para a nossa vida, percebemos que papéis anda o nosso espírito a representar na nossa realidade pessoal. Temos o papel de filhos perante os nossos pais, irmãos dos nossos irmãos, o papel de marido ou mulher na vida de alguém, somos empregados da empresa X ou talvez patrões e a maior parte já é mãe ou pai dos seus filhos. Temos ainda papéis menores de primos, de vizinhos de, afilhados ou padrinhos de, colegas de...

Importante mesmo é percebermos que são apenas papéis que estamos a representar. Não são quem nós somos. Idealmente deveríamos ter um espaço/tempo onde relembramos que somos um espírito numa maravilhosa viagem de experimentação e evolução pessoal neste planeta. Que cada vida, cada experiência e cada encontro vivido através dos papeis que representamos, faz parte do nosso processo de evolução PESSOAL. 
É através desses papéis que o espírito cumpre a sua proposta. 
Infelizmente a maior parte vive ignorante deste processo pessoal e faz da relação com os outros a sua prioridade, passa a acreditar que ele É os papéis que representa sem noção da sua essência.

Inconscientes da nossa essência, vivemos desresponsabilizados da nossa viagem individual e do nosso processo pessoal e logo deixamos de entender o propósito profundo dos nossos papéis.

Toda a violência, seja ela interior, relacional ou global é fruto da exagerada identificação com os nossos papéis. Esquecemo-nos de que o objectivo final é a nossa evolução e equilíbrio interior. 
E porque nunca retornamos ao nosso interior, à nossa essência, deixamos de perceber o porquê dos papéis .

No momento em que nos desidentificamos com o papel que representamos e retornamos à fonte de criação dentro de nós, resgatamos o poder que temos de mudar a nossa energia.

Temos dentro de nós o poder de resgatar o amor próprio, o equilíbrio interior e a expressão do amor incondicional. Todo o ser humano carrega dentro de si este ponto de poder capaz de transformar a sua energia e por consequência, a sua vida. É a partir desta essência interior que percebemos para que servem os nossos papéis e todas as dinâmicas de acção / reacção que eles activam.

Deixo então a proposta:
Encontra dentro de ti um tempo e um espaço onde podes despir todos os papéis que andas a representar na tua vida. Nesse tempo e nesse espaço algures dentro de ti, não és mãe nem pai, não és filho ou irmão, não trabalhas em lado nenhum como vendedor, engenheiro ou doutor.
És simplesmente um espírito de Luz na viagem de experimentação na Terra.

É a partir desse poderoso ponto que podes então analisar os múltiplos papéis que andas a representar.

  • Se já os entendeste? 
  • Se estás ou não feliz e realizada com cada um deles. 
  • Quais precisam de actualização ou mudança? 
  • Quais precisam de amor e consciência?


Tudo o que vemos lá fora nos nossos papéis, são energias inteligentes em funcionamento. 
São dinâmicas kármicas apenas entendíveis a quem quer de facto compreendê-las.
Cada acção gera uma reacção e só podemos alterar as reacções dos outros, mudando a nossa própria acção.

A Lei do karma lembra-nos que somos responsáveis pelo que a nossa essência anda a plantar através dos papéis que representamos.
Cabe à nossa essência garantir que plantamos o melhor...


Vera Luz



sábado, 3 de dezembro de 2016

................................flower of life




The geometric configuration 
that theorize the structure 
of the quantum vacuum fluctuations 
of space-time itself...


Circles tangential to each other on the left then expanded by 200% on the right form the flower of life: the field patterning of the quantum vacuum fluctuations that make-up the very fabric of space-time...


"The seeds of Unified Physics go back a long way in the history of scientific theory. 
In some of the earliest historical records of human culture we find civilizations around the world that believed in the presence of a unifying field of energy that surrounds and permeates all things. 
This dynamic energy field provided an underlying organizing framework and was considered by some to be the source of life energy within biological systems, being given such names as chi (China/Asia), ki (Japan), and prana (India)
In the early pursuits of science and physics (going as far back as Plato, in fact) it was often referred to as the aether and was proposed to be the medium through which light traveled. Though it was eliminated from the general scientific paradigm in the early 20th century, the indications for an underlying field persists as being inherent in the fundamentals of physics.”

 – Resonance Science Foundation




Codinome Beija-Flor





Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor


Cazuza


A Dádiva da Evidência de Si


Klaus Kampert




Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao seu desafio de milagre e de vazio, do que vivê-la no imediato, na execução absoluta do seu apelo?
Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso.
Queimar no dia-a-dia os restos de ontem.
Ser só abertura para amanhã.

A vida real não eram as leis dos outros e a sua sanção e o seu teimoso estabelecimento de uma comunidade para o furor de uma plenitude solitária. O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio só podia revelar-se e executar-se na união total com nós mesmos, com as forças derradeiras que nos trazem de pé e são nós e exigem realizar-se até ao esgotamento.

Este «eu» solitário que achamos nos instantes de solidão final, se ninguém o pode conhecer, como pode alguém julgá-lo?
E de que serve esse «eu» e a sua descoberta, se o condenamos à prisão?
Sabê-lo é afirmá-lo! Reconhecê-lo é dar-lhe razão.
Que ignore isso o que ignora que é.
Que o despreze e o amordace o que vive no dia-a-dia animal.

Mas quem teve a dádiva da evidência de si, como condenar-se a si ao silêncio prisional?
Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuitidade deste milagre de sermos.
Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enrouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita.
Somos cães, ratos, escaravelhos com consciência?
Que essa consciência esgote até às fezes a nossa condição de escaravelhos.


Vergílio Ferreira 
in, Aparição 
(discurso da personagem Sofia)


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Yes Please




Because what else are we going to do?
Say no?
Say no to an opportunity that may be slightly out of our comfort zone?
Quiet our voice because we are worried it is not perfect?

I believe great people do things before they are ready.
They do things before they know they can do it.
Doing what you’re afraid of, getting out of your comfort zone, taking risks like that - that’s what life is.

You might be really good.
You might find out something about yourself that’s really special and if you’re not good, who cares?
You tried something.
Now you know something about yourself.


 ― Amy Poehler 
in, Yes Please



Tiremos os nós ao fio corrido dos dias




Talvez a razão das coisas esteja exactamente 
no facto de não as estarmos a ver...
talvez esse seja o único motivo 
pelo qual as circunstâncias adversas aparecem.


Se não concebermos a hipótese de simplesmente desconhecemos o motivo, não seremos nunca capazes de nos descolarmos, nem da circunstância nem do efeito que criamos para nós mesmos.

Não será pela zanga e pelo bater o pé que sairemos do sítio do mal-estar, será sim pela calma com que admitimos que, naquele momento, não estamos a perceber o motivo e aguardamos. Não é fácil nem difícil, depende da forma como usarmos o nosso poder pessoal.

Nada é mais doce que as nossas mãos vazias em entrega... não em súplica, mas em entrega. Se no momento não temos capacidade para resolver isto ou aquilo, haverá quem saiba, neste plano ou noutro.

Tiremos os nós ao fio corrido dos dias, e o caminho torna-se mais fácil.


Alexandre Viegas


.........................o impulso é para cima, não para baixo




Todos queremos evoluir.
Todos queremos ser mais do que o que somos.
Todos queremos ter mais do que o que temos.
Todos queremos chegar mais longe do que o lugar onde estamos.

No meio de uma imensa escadaria, o impulso é para cima, não para baixo.

Mas se por um lado ninguém duvida que o caminho é sem dúvida rumo às energias do amor, da Luz, da consciência superior e da abundância, parece haver ainda em muitos uma negação ou conveniente esquecimento de que viemos das energias do medo, das trevas, da ignorância e do vazio.

Todos estamos na mesma escadaria evolutiva. 

O nosso ego tende a iludir-nos fazendo-nos acreditar que já estamos num degrau bastante elevado. Mas um dia lá em cima, com a devida perspectiva, iremos ver em que estágio da escada de facto andámos, pois cá de baixo não temos a visão da escada toda, certo?

Independentemente do degrau em que estamos, só nos resta rendermo-nos ao estágio evolutivo actual, importante mesmo é considerarmos duas coisas para conseguirmos subir mais facilmente:
1. O nosso passado foi algures num degrau inferior e logo menos iluminado do que o presente. Para fecharmos estas portas precisamos então de sabedoria, humildade, amor-próprio, transparência, coragem e consciência.
2. Existem muitos mais degraus acima daquele em que estamos. Para abrirmos estas portas precisamos de sabedoria, humildade, amor-próprio, transparência, coragem e consciência.

Resumindo, passa por desenvolver uma atitude interna e não propriamente apenas uma postura externa. É o trabalhar de cada uma dessas qualidades no nosso SER, e não tanto investir no TER que faz de facto a diferença.
Assim, não há nada mais importante do que despertar em ti as energias da sabedoria, da humildade, do amor-próprio, da transparência, da coragem e da consciência, e levá-las a cada assunto da tua vida, pois são elas que te irão permitir fluíres maravilhosamente pela tua escadaria acima.


Vera Luz


Sem ânsias, sem pressa, sem correr, sem tentar saltar degraus...só nos faz tropeçar e cair.
E, quanto mais vezes cairmos, mais feridos ficamos, e voltar a levantar e começar de novo vai custando cada vez mais...