quarta-feira, 2 de novembro de 2016

ENCARGO




Cuando yo muera dadme la muerte que me falta
y no recordéis.
No repitáis mi nombre hasta que el aire sea
transparente otra vez.
No erijáis monumentos, que el espacio que tuve
entero lo devuelvo a su dueño y señor
para que advenga el otro, el esperado,
y resplandezca el signo del favor.


Rosario Castellanos
in, Poesía no Eres Tú



High Frequency Active Auroral Research Program (HAARP)





A propósito do Documentário "Before the Flood" que estreou em 175 países no dia 30 de Outubro de 2016, e sobre o qual manifestei aqui a minha opinião ontem, acrescento aqui mais informação sobre a HAARP, por que acho pertinente.

O projecto High Frequency Active Auroral Research Program (HAARP) (em português: Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência) é uma investigação financiada pela Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha e a Universidade do Alasca com o propósito oficial de "entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância".
Iniciou-se em 1993 para uma série de experiências durante vinte anos.
É similar a numerosos aquecedores ionosféricos existentes em todo mundo, e tem um grande número de instrumentos de diagnóstico com o objectivo de aperfeiçoar o conhecimento científico da dinâmica ionosférica.

Existem especulações de que o projecto HAARP seria uma arma dos Estados Unidos, capaz de controlar o clima provocando inundações e outras catástrofes.
Em 1999, o Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projecto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares, e solicitou uma avaliação do projecto por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA), o órgão da União Europeia responsável por estudo e avaliação de novas tecnologias e pediu informação sobre as possíveis consequências do seu uso para o meio-ambiente regional, mundial e para a saúde pública em geral.
A mesma resolução do Parlamento Europeu pedia a organização de uma convenção internacional com vistas à proibição em escala global do desenvolvimento ou utilização de quaisquer armas que possam permitir a manipulação de seres-humanos.
Em 2002, o Parlamento Russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório assinado por 90 deputados dos comités de Relações Internacionais e de Defesa, onde alega que o Projecto HAARP é uma nova "arma geofísica", capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre.

O principal componente de HAARP é o Instrumento de Investigação Ionosférica (IRI), um aquecedor ionosférico. Trata-se de um sistema transmissor de alta frequência (HF) utilizado para modificar temporariamente a ionosfera. O estudo destes dados contribui com informações importantes para entender os processos naturais que se produzem nela.

Esta faixa, a Ionosfera, recebe este nome porque é bastante ionizada, ou seja, perde e ganha electrões com facilidade, o que a deixa em constante carregamento eléctrico. O grande agente ionizador da ionosfera é o Sol, que irradia muita carga na direcção da Terra, mas meteoritos e raios cósmicos também influenciam bastante na presença dos íons.

A densidade dos íons livres é variável e apresenta alterações de acordo com vários padrões temporais, hora do dia e estação do ano são os principais pontos de variação da ionosfera. 
Outro fenómeno interessante acontece a cada 11 anos, quando a densidade dos electrões e a composição da ionosfera mudam drasticamente e acabam por bloquear qualquer comunicação em alta frequência.

Durante o processo de investigação ionosférica, o sinal gerado pelo transmissor é enviado ao campo de antenas, as quais o transmite para o céu. A uma altitude entre 100 e 350 km, o sinal dissipa-se parcialmente, concentrando-se numa massa a centenas de metros de altura e várias dezenas de quilómetros de diâmetro sobre o lugar. A intensidade do sinal de alta frequência na ionosfera é de menos de 3 µW/cm2, dezenas de milhares de vezes menor que a radiação electromagnética natural que chega à Terra procedente do Sol, e centenas de vezes menor que as alterações aleatórias da energia ultravioleta (UV) que mantém a ionosfera. No entanto, os efeitos produzidos pelo HAARP podem ser observados com os instrumentos científicos das instalações mencionadas, e a informação que se obtém é útil para entender a dinâmica do plasma e os processos de interacção entre a Terra e o Sol.

Segundo relatos oficiais, o projecto tem como objectivo principal ampliar o conhecimento obtido até hoje, sobre as propriedades físicas e eléctricas da ionosfera terrestre.
Com isso, seria possível melhorar o funcionamento de vários sistemas de comunicação e navegação, tanto civis quanto militares (o que gera desconfiança em grande parte dos conhecedores do HAARP).
Para realizar estes estudos, as antenas de alta frequência do HAARP enviam ondas para a ionosfera visando a aquecê-la. Assim são estudados os efeitos das mais diversas interacções de temperaturas e condições de pressão.

A criação das instalações foi possível graças a uma parceria entre a Força Aérea Americana, A Marinha dos Estados Unidos e também da Universidade do Alasca. Esta última foi escolhida a dedo, graças à localização: a ionosfera sobre o Alasca é pouco estável, o que garante uma maior gama de condições para os estudos.
Outro factor que pendeu para que os pesquisadores escolhessem o Alasca é a ausência de grandes cidades nas proximidades. Assim, não há ruídos na captura de imagens e sinais, pois os sensores ficam localizados ao alto de algumas montanhas.
Também há informações de que este local sofreria o menor impacto ambiental entre as áreas candidatas a receber o HAARP.

O HAARP não é o único aquecedor ionosférico do planeta.
Há também um localizado na Noruega e outro na Rússia.
Todos eles realizam o mesmo processo: utilizam antenas de alta frequência para aquecer a ionosfera e criar uma aurora artificial.

Essa aurora artificial é muito aquecida, o que pode gerar elevação nas temperaturas em determinadas localidades do planeta. Numa espécie de efeito estufa ionosférico, locais abaixo da ionosfera atingida pelas antenas do HAARP podem ter as suas temperaturas elevadas em alguns graus centígrados.



Quais seriam os efeitos dos controles de frequência sobre as placas tectónicas? 
Segundo a imprensa venezuelana a resposta é: terremoto.
O jornal “Vive” afirma que teve acesso a documentos que comprovam a utilização do HAARP para manipular a geofísica caribenha e ocasionar os terremotos do Haiti, que causaram a morte de mais de 100 mil pessoas.
Seria possível controlar placas tectónicas, temperatura atmosférica e até mesmo o nível de radiação que passa pela camada de ozôno.
Todas estas possibilidades podem gerar uma série de problemas para as populações atingidas. Atingindo países inteiros, desastres naturais podem minar economias, dizimar concentrações populacionais e gerar instabilidade e insegurança em toda a Terra.
Os Estados Unidos precisavam de um local para testar o potencial da sua nova arma. Os testes oceânicos não davam informações suficientes e atacar os inimigos no médio oriente seria suicídio comercial.
Afinal de contas, os terremotos poderiam destruir poços de petróleo muito valiosos. Assim, o governo norte-americano viu no Haiti, um país já devastado, o perfeito alvo para os seus testes. Sem potencial económico e sem possuir desavenças com outros países, dificilmente haveria uma crise diplomática com a destruição do Haiti.
Outros documentos surgiram a comprovar a utilização da HAARP no tsunami do Japão.

Os Estados Unidos poderiam causar um completo bloqueio militar a todas as outras nações do mundo. Causando interferências nas ondas habituais, impedindo que qualquer frequência seja reflectida pela atmosfera e até mesmo que dispositivos de localização possam ser utilizados.
Para isso, a defesa norte-americana só precisaria aquecer a ionosfera com os seus aquecedores HAARP. Com a potencia correcta, todo o planeta ficaria numa completa escuridão geográfica. Então, apenas quem possui o controle do aquecedor ionosférico poderia ter acesso aos dados de localização e navegação dos seus veículos militares. Também teriam mapeamentos de todo o planeta em poucos minutos, pois as ondas de frequências extremas poderiam criar relatórios completos de tudo o que existe na superfície terrestre. Elementos vivos ou não, tudo poderia ser rastreado pelas ondas do HAARP.

Existem ondas de rádio em diversas frequências, e por mais que não as sintonizemos nos nossos rádios para captá-las, elas estão no ar. O som também é emitido em frequências e há amplitudes delas que os ouvidos humanos não são capazes de captar, mas isso não quer dizer que elas não existam.
Utilizando uma mistura de ondas de rádio com frequência sonora, os Estados Unidos poderiam manipular a mente colectiva para que algum ideal fosse defendido ou algum governo rival fosse atacado. Enviariam as informações para toda a população em frequências que não poderiam ser captadas por aparelhos, e não demoraria para que a “lavagem cerebral” estivesse concluída.



Para finalizar, em 2016  o governo da Índia acusou os Estados Unidos de usarem um sistema de armamentos secretos que provavelmente está a causar o aquecimento global.

De acordo com o Ministro do Meio-Ambiente Anil Madhay Dave, o governo dos EUA é capaz de focar raios electromagnéticos, por intermédio de um armamento chamado High Frequency Active Auroral Research Programme  – HAARP (Programa de Pesquisa da Aurora Activa de Alta Frequência) por toda a Terra, o qual reduz o resultado das colheitas de grande plantações, como o milho e trigo na Índia.

“A HAARP atinge a atmosfera superior com um raio electromagnético focado e direccionável”, disse o ministro.

O India Times reporta:
A HAARP é um modelo avançado de um aquecedor ionosférico super poderoso que pode causar o aquecimento do globo e ter o efeito de aquecimento global”, disse ele.
Poderia ter um impacto de efeito devastador no clima do mundo, inclusive da Índia, resultando na desestabilização da agricultura e dos sistemas ecológicos.

Ele disse que um estudo conduzido pelo Conselho Indiano de Agricultura projectou o impacto da mudança climática como sendo adverso em termos de redução de produtividade das grandes colheitas, inclusive do milho, trigo, mostarda, batata e sorgo.  Reconheceu o impacto adverso da mudança climática, e o ministro disse que o governo lançou o Plano de Acção Nacional sobre a Mudança Climática (sigla NAPCC, em inglês), em Junho de 2008, para lidar com os assuntos relacionados à mudança do clima.

O NAPCC possui oito missões nas áreas de energia solar, melhoria da eficiência energética, habitat, água, sustentação dos ecossistemas do Himalaia, florestamento, agricultura e conhecimento estratégico da mudança climática.

O plano também endereça os assuntos relacionados à mitigação dos gases do efeito estufa e a adaptação dos impactos adversos da mudança climática no meio ambiente, florestas, habitat, recursos hídricos e agricultura.

O ministro disse que os 32 estados estão também preparados para um Plano de Acção Estadual sobre a Mudança Climática (SAPCC).

A questão foi levantada por dois veículos de imprensa em 18/7/2016: 
Yournewswire; 
Indiatimes


Quando se fala no mundo real, tudo o que se tem de concreto sobre o HAARP é que estudos são feitos constantemente sobre a ionosfera terrestre para que ela possa ser transformada numa antena de transmissão de informações, beneficiando as comunicações e sistemas de navegação.
Mas será que é só para isso que os investimentos bilionários do governo norte-americano estão a ser utilizados? 
Nunca foram revelados dados concretos sobre o dinheiro empregado no projecto, mas há especulações de que mais de 200 milhões de dólares sejam gastos por ano com as antenas do HAARP.
Será mesmo que as intenções do governo americano são baseadas nos estudos dos benefícios da ionosfera para as comunicações, ou isso é apenas um álibi para pesquisas sobre armas geofísicas?



terça-feira, 1 de novembro de 2016

Acidificação dos Oceanos




No dia 30 de Outubro, estreou o documentário "Before The Flood", sobre as alterações climáticas.

Eu, depois de ver o documentário, continuo a acreditar mais nos argumentos dos físicos e astrofísicos, que acreditam que o aumento da temperatura está relacionada com os processos naturais dos ciclos da Terra, como as glaciações, as manchas solares, os raios cósmicos, os neutrinos, as correntes oceânicas, etc.

Nassim Haramein fala sobre isso aqui: O Segundo Sol, 2012, a farsa do aquecimento global




Mas, ao ver o documentário, despertou-me a curiosidade sobre a Acidificação dos Oceanos e fui investigar sobre o aumento de CO2 nos oceanos que está a elevar o nível de acidez e ameaça a vida marinha.

A acidificação oceânica é a designação dada à diminuição do pH nos oceanos, significando aumento da acidez, causada pelo aumento do gás carbónico atmosférico (dióxido de carbono, CO2), que se dissolve na água alterando o seu equilíbrio químico. Desde o início da Revolução Industrial, quando as emissões de carbono iniciaram uma rápida escalada, o pH da superfície oceânica diminuíu cerca de 0,1 na escala logarítmica do pH. Embora essa diferença pareça pequena pelo tipo de escala utilizada, representa um aumento de cerca de 10% na concentração de íons hidrogênio H+, os responsáveis directos pela acidificação.

A elevação dos níveis de CO2 na atmosfera poderá ter ou não origem nas actividades humanas, principalmente na queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral, betume e outros), mas também no desmatamento, em alguns processos industriais e em outras fontes menores. 

Poderá estar directamente associada ao aquecimento global, cujas causas principais são as mesmas e cujos efeitos se reforçam mutuamente. A elevação da concentração do gás e a consequente modificação do pH dos oceanos desencadeia importantes consequências negativas para a vida marinha e, por extensão, para a sociedade, uma vez que grande parte dos alimentos para consumo humano têm a sua origem na biodiversidade marinha.
Além disso, a acidificação prejudica outras actividades humanas como o turismo, favorece a proliferação de espécies invasoras, e age em sinergia com outras agressões aos mares, como a poluição, o aquecimento das águas e a pesca predatória, multiplicando e agravando os impactos negativos.

Quase um terço do dióxido de carbono produzido actualmente vai parar nos oceanos. 
Isso pode até ajudar a diminuir o aquecimento global, mas também gera acidez na água e ameaça gravemente os ecossistemas nos mares.

Há polémicas recentes em torno do facto de, nos últimos dez anos, a Terra não ter registado um aquecimento tão expressivo quanto o previsto por especialistas.
Uma tese diz que o excesso de calor estaria a ser armazenado no fundo dos oceanos.
Na conferência do clima em Varsóvia, na Polónia, houve cientistas que apresentaram um estudo que sustenta essa teoria.
"O aumento de temperatura chega até 1,3ºC, como no caso do Mar Báltico. Esse aquecimento ocorre em águas profundas – a mais de 700 metros de profundidade", esclarece o professor de biologia e zoologia da Universidade de Oxford, Alex Rogers. Em entrevista à DW, o director científico do Ipso explica que quase um terço do dióxido de carbono emitido no planeta atualmente é absorvido pelos oceanos.
Estudos recentes sugerem que a água do mar já estaria 26% mais ácida do que antes do início da industrialização. Até 2100, os oceanos já poderiam estar 170% mais ácidos.
Nos últimos vinte anos, diversas investigações foram realizadas em laboratórios do mundo para tentar descobrir exactamente quais seriam as consequências da mudança de pH para a vida marinha.

Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica da Universidade de Kiel (norte da Alemanha) iniciou em 2010 os primeiros estudos no mar sobre o fenómeno, na ilha de Spitzbergen, no Ártico.
"A acidificação põe em risco corais, conchas, caracóis, ouriços e estrelas-do-mar, além de peixes e outros organismos. Algumas das espécies produtoras de cálcio não poderão mais concorrer para sobreviver nos oceanos do futuro. A composição das espécies irá mudar radicalmente", alerta.
Algumas regiões poderão ser afectadas com mais intensidade pela acidificação dos oceanos, como as tropicais e subtropicais, que têm corais de mares de água quente, afirma Riebesell.

Os recifes de corais, de grande valor económico e ecológico, são particularmente vulneráveis.
Elas são importantes não apenas pela diversidade de espécies – e, em muitos países, pelo turismo – mas também porque servem como barreiras que protegem os litorais de ondas e tempestades.

As regiões polares também deverão ser afectadas, uma vez que a água gelada absorve ainda mais CO2.

Investigações no Ártico indicam que a água do mar nessas regiões pode se tornar corrosiva já nas próximas décadas. "Isso significa que a água pode se tornar tão ácida a ponto de simplesmente dissolver conchas e esqueletos dos organismos produtores de cálcio", alerta Riebesell.

Também na Antártida já é possível perceber a acidificação, segundo Alex Rogers, diretor do Ipso. "Encontramos minúsculos caracóis marinhos cujas conchas de cálcio já estavam corroídas", afirmou. Estes são seres de grande importância para a cadeia alimentar marinha, nutrindo de pequenos animais a baleias.

"Uma das principais fontes de proteína no mar está a esgotar-se rapidamente" alertou Monty Halls, presidente da organização ambiental Shark and Coral Conservation Trust (Fundo para a Conservação de Tubarões e Corais), em entrevista à DW. 
Ele acredita que a acidificação dos oceanos é a "maior ameaça às futuras gerações".

Porém, ainda há tempo para contra-atacar esse fenómeno. 
A medida mais importante, na opinião dos cientistas, seria a redução das emissões de CO2. 
Sem isso, "todo o resto é inútil", constata Riebesell, que também defende medidas complementares para reduzir a fragilidade dos ecossistemas. Por exemplo, a poluição de resíduos agrícolas e de plástico deve ser reduzida. Áreas marítimas protegidas poderiam ajudar a reduzir a pressão sobre os ecossistemas.
Apesar da gravidade da situação, Alex Rogers afirma que "todos podem fazer algo para reduzir a sua própria emissão de CO2 e produzir menos lixo: andar de bicicleta, não utilizar sacos de plásticas e usar menos produtos químicos".


No planeta Terra o carbono circula através dos oceanos, da atmosfera, da terra e do seu interior, num grande ciclo biogeoquímico. 
Este ciclo pode ser dividido em dois tipos:
1- o ciclo "lento" ou geológico, e
2- o ciclo "rápido" ou biológico. 

Numa escala geológica, existe um ciclo entre a crosta terrestre (litosfera), os oceanos (hidrosfera) e a atmosfera. O gás carbónico (CO2) da atmosfera, combinado com a água, forma o ácido carbónico, o qual reage lentamente com o cálcio e com o magnésio da crosta terrestre, formando carbonatos. Através dos processos de erosão, estes carbonatos são arrastados para os oceanos, onde se acumulam no seu leito em camadas, ou são assimilados por organismos marinhos que eventualmente, depois de morrerem, também se depositam no fundo do mar.
Estes sedimentos vão-se acumulando ao longo de milhares de anos, formando rochas sedimentares como as rochas calcárias. O ciclo continua quando as rochas sedimentares do leito marinho são arrastadas para o manto da Terra, por um processo de subducção, libertando CO2. O CO2 é devolvido para a atmosfera através das erupções e outros tipos de atividades vulcânicas, completando-se assim o ciclo.

O ciclo biológico do carbono é relativamente rápido: estima-se que a renovação do carbono atmosférico ocorre a cada 20 anos. Através do processo da fotossíntese, as plantas absorvem a energia solar e CO2 da atmosfera, produzindo oxigénio e hidratos de carbono (açúcares como a glicose), que servem de base para o crescimento das plantas. Os animais e as plantas utilizam os hidratos de carbono pelo processo de respiração, utilizando a energia contida nos hidratos de carbono e emitindo CO2. Juntamente com a decomposição orgânica, a respiração devolve para a atmosfera o carbono biologicamente fixado nas reservas terrestres (nos tecidos da biota, no solo e na turfa).

Uma das consequências do aquecimento global é o aquecimento das águas do mar. 
Se este processo continuar desimpedido, uma outra substância pode vir a desempenhar um papel importante na acidificação da água e também amplificar gravemente o aquecimento global: o metano.

O metano é um dos gases estufa, assim como o gás carbónico, e como ele, tem as propriedades de reter calor atmosférico e, por vias indirectas, acidificar a água.
O metano é um dos produtos da decomposição de matéria orgânica, e existe em vastas quantidades em depósitos no leito oceânico fixado sob a forma de hidratos de metano (clatratos) e no permafrost (o solo permanentemente congelado das regiões frias).
Na forma de clatratos o metano é inerte e inofensivo para o ambiente. 
No caso dos depósitos marinhos, a estabilidade dos clatratos depende de duas condições: baixas temperaturas (mares frios) e/ou altas pressões (mares profundos).
Com o actual aquecimento das águas do mar, os clatratos depositados em mares frios de rasa profundidade ficam expostos à dissolução, libertando o metano. Ao migrar pela coluna de água até a superfície, a maior parte do metano é oxidada por bactérias e se transforma em gás carbónico, e o restante se transmite para a atmosfera. O que se transforma em CO2 contribui para a acidificação da água, e o metano livre no ar contribui para o aquecimento global, sendo um gás dezenas de vezes mais eficiente que o CO2 em seu potencial de retenção de calor.
 O grande problema é que existe uma realmente vasta quantidade de metano em depósitos marinhos, uma quantidade que provavelmente excede a quantidade combinada de carbono que existe na biota terrestre, no solo, na atmosfera e no mar.Uma parte significativa deste imenso depósito reside em mares frios de baixa profundidade, como os que cobrem a plataforma continental do leste da Sibéria, que dependem apenas da baixa temperatura para continuarem estáveis e que estão crescentemente ameaçados de desestabilização sob condições de aquecimento aquático, uma quantidade que é capaz de acelerar o aquecimento global e agravar a acidificação da água se porventura for libertada.
O Oceano Ártico é o que está a aquecer com maior rapidez entre todos, o que torna a ameaça muito real.

O Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica indicou que em 2014 a queda já atinge 0,1. Este valor, aparentemente baixo, na verdade representa um aumento de quase 30% na acidez da água em relação aos níveis pré-industriais. Até 2100 é prevista uma queda no pH ainda maior, podendo chegar a 0,3, o que significaria uma acidificação 170% maior do que no período pré-industrial.

Estimativas independentes chegaram a resultados ainda mais pronunciados, prevendo uma queda de 0,5 a 0,7. Porém, a distribuição da acidificação é irregular, e ocorre com mais rapidez nos mares frios do que nos quentes. Os oceanos absorveram cerca de metade da quantidade de gás carbónico emitida para a atmosfera ao longo dos últimos 200 anos, quando os níveis globais começaram sua rápida elevação.

Como todas as formas de vida marinha dependem de condições estáveis para sobreviver, as mudanças recentes já têm ocasionado variados problemas para muitas espécies de seres, tais como distúrbios no crescimento e na morfologia, no comportamento, no sistema imunológico, na fertilidade e nos hábitos de reprodução e alimentação, dificuldades de orientação e locomoção, menor sensibilidade ao ambiente, menor resistência a doenças e declínio da saúde geral, entre outros efeitos, que levam à redução das populações. 
A acidificação também interfere no metabolismo de vários grupos de organismos que precisam de carbonato de cálcio para formar suas estruturas corporais rígidas, como os corais, esponjas, moluscos de concha, crustáceos e equinodermos, entre outros.
Várias grupos de plâncton, como os foraminíferos, cocolitóforos e pterópodes, que estão na base da cadeia alimentar marítima, também precisam de cálcio para a construção e manutenção das suas estruturas corpóreas e estão sendo prejudicados.

De acordo com Peter Brewer, cientista do Monterey Bay Aquarium Research Institute, em 2009 os oceanos já haviam recebido mais de 500 bilhões de toneladas de gás carbónico, sendo impossível que uma quantidade tão vasta possa ser adicionada aos mares sem que provoque mudanças substanciais em seu equilíbrio e suas propriedades físicas e químicas, e sem que afete sua biodiversidade em larga escala.

Por consequência, a acidificação compromete ainda mais a sobrevivência das reservas de peixes, moluscos e crustáceos para consumo humano, que são alimento essencial ou importante para uma vasta população, agravando o grande declínio que essas reservas já estão a sofrer por causa da pesca excessiva.

Os prejuízos para a sociedade ainda não foram bem determinados, mas podem ser muito elevados, chegando a 100 bilhões de dólares anuais, gerando mais fome e pobreza no mundo. 
Se as tendências continuarem inalteradas, o prejuízo económico em 2100 pode chegar a 1 trilhão de dólares anualmente.

O impacto sobre os corais é um dos mais dramáticos, e tem repercussão proporcional sobre a humanidade, já que a sua riqueza biológica provê o sustento directo para cerca de 400 milhões de pessoas.
O relatório The State of the Ocean 2013, elaborado pelo Programa Internacional sobre o Estado do Oceano em parceria com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, indicou que os riscos para os ecossistemas marinhos têm sido muitos subestimados, que as mudanças estão a acontecer mais rápido do que o previsto e que os efeitos da acidificação, combinados a outras agressões que os mares sofrem, devem se revelar dentro de pouco tempo ainda mais graves do que o estimado anteriormente.

A acidificação reforça e agrava outros problemas ambientais enfrentados pelos mares, como o aquecimento oceânico, a desoxigenação oceânica, o acúmulo crescente de detritos marinhos, as descargas de poluição tóxica (efluentes industriais, agrotóxicos, fertilizantes), e a pesca excessiva. Ao mesmo tempo, como algumas espécies parecem beneficiar-se de uma redução no pH das águas, elas tentem a proliferar com mais facilidade e podem se tornar invasoras, especialmente em regiões em que os ecossistemas já estão fragilizados ou degradados por outros impactos ambientais. Neste caso estão, por exemplo, certas espécies de medusas, que podem se tornar uma ameaça para banhistas e mergulhadores. Por extensão, se isso ocorre em regiões litorais que dependem fortemente do turismo, os visitantes podem ser afugentados, prejudicando a economia local. Para além de que, em várias zonas do planeta, as medusas estão a multiplicar-se assustadoramente, e com o seu peso excessivo rasga as redes dos pescadores locais e impede-os de pescar, que é o seu único sustento.

As modificações na química dos mares podem ter efeitos imprevisíveis sobre o ciclo do carbono, já que os mares desempenham importante papel neste ciclo. A saturação da água com gás carbónico pode, a partir de certo ponto, impedir que mais gás seja absorvido pelas águas, as quais, com a sua grande capacidade de armazenamento, têm evitado que o aquecimento global se tornasse ainda mais intenso do que já é. Cessado este processo de absorção, todo o gás emitido permaneceria na atmosfera, produzindo efeitos sobre o clima e a química atmosférica ainda mais graves e reforçando o aquecimento global numa cascata de feedbacks.

Segundo a Royal Society,

"A acidificação é uma razão poderosa, em acréscimo às mudanças climáticas, para a redução global das emissões de CO2. Devem ser estabelecidas imediatamente acções para a redução global das emissões de CO2 para a atmosfera a fim de evitar um dano irreversível aos oceanos. Recomendamos que todas as abordagens possíveis sejam consideradas para impedir que mais CO2 suba à atmosfera. Nenhuma opção que significar uma contribuição importante deve ser desprezada. [...] Aparentemente não existe maneira de remover este CO2 adicional dos oceanos depois de ele ter sido absorvido, nem parece haver, realisticamente, algum modo de reverter os seus efeitos químicos e biológicos generalizados. Levará milhares de anos para que este CO2 adicional seja removido dos mares por processos naturais, devolvendo-os às suas condições pré-industriais. Assim, parece que a única solução prática para minimizar as consequências de longo prazo é reduzir as emissões de CO2".

Em Portugal, temos vários cientistas a dedicarem-se ao problema das Alterações Climáticas, como é o caso do investigador José Xavier, biólogo marinho premiado, cientista polar da Universidade de Coimbra e do Instituto British Antarctic Survey (Reino Unido), que passou nove meses seguidos na Antárctida, primeiro a bordo de um navio científico e depois numa base de investigação. 

No livro,"Experiência Antárctica Relatos de um Cientista Polar Português",  conta-nos a aventura que é a experiência da descoberta científica no pólo e a vida longe da civilização. A fazer investigação na Antárctida desde 1997, o seu objectivo é perceber como a biodiversidade em ambientes extremos é afectada por alterações climáticas.
Neste livro ele conta-nos, em primeira mão, a aventura que é a experiência da descoberta científica nesta região polar. Em particular, como é viver e fazer ciência com um grupo muito pequeno de outros cientistas, longe da civilização.

JOSÉ XAVIER é doutorado pela Universidade de Cambridge (Reino Unido) e, actualmente, investigador do Instituto do Mar da Universidade de Coimbra e da British Antarctic Survey (Cambridge), colaborando com investigadores de mais de dez países. Estuda o comportamento de predadores de topo (pinguins, albatrozes e focas) no Oceano Antárctico em relação às alterações climáticas, fazendo investigação na Antárctida desde 1997. É o representante de Portugal nas reuniões do Tratado da Antárctida e em vários comités da Scientific Committee for Antarctic Research (SCAR), além de fazer parte do comité executivo de vários programas científicos internacionais. Foi o mais jovem investigador a ganhar o prémio internacional Marta T. Muse pelo seu trabalho de excelência em ciência e política na Antárctida. Coordenador de projectos educativos desde 2007, foi um dos vencedores da competição de ensaios sobre ciência da reputada revista New Scientist e da fundação Britânica Wellcome Trust.

No futuro, devido às alterações climáticas, a acidificação do Oceano Antártico poderá tornar-se num dos maiores problemas para os organismos marinhos que lá vivem, alerta um estudo internacional que tem a participação do português José Xavier, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UC).Sendo a Antártida uma das regiões do planeta que tem mostrado sinais de mudanças ambientais bastante rápidas e profundas, um grupo de 11 cientistas, de 9 países (Alemanha, Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América; França, Nova Zelândia, Portugal e Reino Unido), desenvolveu um estudo para avaliar e quantificar essas mudanças.

Os resultados, publicados na prestigiada revista científica Global Change Biology, mostram que grande parte do Oceano Antártico vai ser afectada por processos associados às alterações climáticas e que essas áreas vão ser maiores do que as observadas no passado.

A pesquisa revela também que, no futuro, os factores ambientais que causam stress ao ecossistema marinho do Oceano Antártico poderão chegar a 86% de todo o Oceano Antártico.

"Este foi o primeiro estudo a quantificar os múltiplos factores ambientais que afectam o Oceano Antártico como um todo e a indicar quais as áreas que poderão ser mais atingidas no futuro", salienta José Xavier.

"as regiões costeiras junto ao continente, e particularmente a Península Antártica, vão ser as regiões mais afectadas por estes múltiplos stresses ambientais (como por exemplo: degelo, aumento da temperatura, diminuição do gelo marinho), alertando-nos para onde deveremos focar os nossos estudos científicos futuros".

"O nosso maior desafio futuro será avaliar os efeitos destes factores ambientais na vida dos animais, e em toda a cadeia alimentar, que vivem no Oceano Antártico e qual a severidade desses factores nas diferentes regiões deste Oceano. Estamos a trabalhar nisso agora!", conclui José Xavier.

O quadro de mudanças climáticas apresentado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, 2013) prevê um aumento da temperatura média anual (TMA) global entre 1,5ºC e 4,0°C nos próximos 100 anos.

O elemento do clima mais empregado na avaliação de mudanças climáticas é a TMA, mas outros parâmetros também permitem esta avaliação.
A precipitação pluvial, humidade relativa do ar, além das informações indirectamente derivadas dos anéis de crescimento de árvores (dendrocronologia), testemunhos de fundo marinho, sedimentação de lagos, testemunhos de gelo e do monitoramento do comportamento de massas de gelo devem também ser consideradas em avaliações desta natureza.


Essas observações da Terra e o facto deste aquecimento recente não ser explicado adequadamente somente por fenómenos naturais levaram a comunidade científica a associar tal aumento da TMA ao aumento na concentração de gases de efeito estufa (e.g., CO2, CH4, entre outros).
Também, supõe-se que estes gases sejam produtos directos ou indirectos das actividades humanas associados à industrialização, aumento da área agrícola, entre outros.

É importante destacar que o actual quadro de mudanças climáticas implica alterações e efeitos climáticos na Antártica e, como este continente é um importante controlador do clima no planeta, o Hemisfério Sul (HS) deverá apresentar mudanças no clima que serão observadas na América do Sul.
O clima da Antártida  é o mais frio da Terra, sendo a menor temperatura já documentada no planeta de -89.6 °C na Estação Vostok. Vários estudos observaram um aquecimento do continente, das águas em volta deste ou do ar em sua superfície onde se observou um aquecimento de 2,5 °C nos últimos 50 anos.
As consequências destas alterações climáticas são o descongelamento das geleiras, impactos na vida animal e o aumento do nível do mar no planeta. 
Simulações mostraram que milhares de espécies podem ser extintas em pouco mais de um século caso as temperaturas continuem a subir. Os crustáceos que vivem nas áreas costeiras, por exemplo, deixariam de conseguir retirar oxigénio suficiente da água. Os pinguins em anos recentes tiveram a sua disponibilidade de alimentos diminuída e passaram a migrar para áreas mais frias.
Se todo o gelo derretesse, o nível do mar subiria até 80 metros, mas os cientistas chegaram à conclusão de que a massa de gelo perde 152 quilómetros cúbicos por ano — correspondentes ao aumento de 1,8 milímetros anuais do nível do mar no presente — e que o derretimento total do continente levaria muito tempo.

O continente Antártico detém 90% do gelo e 80% da água doce da Terra e riquezas minerais incalculáveis.
Constituindo-se, assim, num grande laboratório natural para estudar as mudanças climáticas, já que o gelo regista composições atmosféricas de épocas passadas. 
Com esse controle temporal, pode-se considerar um conjunto de alterações climáticas relacionadas ao contexto histórico-espacial da época registada, bem como a relação desse registo com o que estava a acontecer no planeta.

Os pólos são responsáveis pela direcção dos ventos e das correntes marítimas, que influenciam directamente as temperaturas.
A ciência precisa entender a influência dos polos no clima da Terra. 
Para tanto, o Continente Antártico, o mais limpo e puro do mundo, principalmente por não ter sofrido a ingerência do homem, ganha vital importância. A calota polar proporciona um sistema de alerta para as mudanças climáticas que estão a ocorrer no planeta.

No Ártico, a situação é pior, porque o aquecimento do planeta é maior no Hemisfério Norte do que no Sul, devido à presença de maiores massas de terra, condutoras de calor, e de maiores massas de água no hemisfério austral. No verão, a cobertura de gelo ártico diminui ao ritmo de 8% ao ano, há três décadas.

A temperatura sobre a superfície da Terra está 0,6ºC mais alta, actualmente.
As estimativas mostram que até 2100 ela estará 1,4ºC a 5,8ºC mais elevada.
A controvérsia sobre se essas alterações provêm do aquecimento global gerado pelo homem ou são indícios de um novo ciclo climático, como tantos ocorridos na Terra, ainda não foi resolvida. 

Continua a não haver consenso entre os cientistas:
Ainda não há consenso fechado de que o aquecimento de planeta é oriundo da poluição.
De um lado, existem doutores em física que acreditam que a elevação da temperatura está relacionada aos processos naturais dos ciclos da Terra, como as glaciações, as manchas solares, os raios cósmicos, os neutrinos, as correntes oceânicas, etc.
De outro, doutores em meteorologia e ecologia que justificam o aumento do calor na Terra a partir da emissão de gases na atmosfera pela acção humana.

Pois...
Eu acredito mais nos argumentos dos doutores da física!!!

"O mundo começou e acabará sem o homem",
escreveu o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss,
num alerta para os desastres ambientais decorrentes da globalização e do consumismo.





A Inundação da Terra
Before the Flood(inglês)
2016

Do realizador vencedor do prémio Academy Award, Fisher Stevens, e do actor vencedor do prémio Academy Award, activista ambiental e Mensageiro da Paz das Nações Unidas desde 2014, Leonardo DiCaprio, produção executiva de Martin Scorsese, Trent Reznor e Atticus Ross na banda sonora, Before The Flood apresenta a forma como as alterações no clima afectam o ambiente e o que a sociedade pode fazer para prevenir o desaparecimento de espécies em risco, ecossistemas e comunidades nativas por todo o planeta.

"Before the Flood" estreia-se no dia 30 de Outubro de 2016 em 171 países e em 45 línguas, no National Geographic Channel

Em Before the Flood, um documentário com preocupações ambientalistas, DiCaprio entrevista líderes religiosos e responsáveis políticos, mas também cientistas e académicos sobre as mudanças climáticas e o que pode ser feito para as evitar, sugerindo acções e soluções práticas para que a iniciativa de cada cidadão possa contribuir para evitar uma catástrofe no planeta.

DiCaprio, como narrador do filme, viaja pelos 5 continentes e Ártico e fala com cientistas, líderes mundiais, activistas e moradores locais para obter uma compreensão mais profunda deste tema complexo. A ideia é investigar soluções concretas para o mais urgente desafio ambiental do nosso tempo.

Em declarações à CBS, o actor destaca as alterações climáticas como "a mais monumental questão que a nossa geração e a próxima terão de enfrentar, e precisamos de a resolver rapidamente".


O alerta de "A Inundação da Terra", é apresentado a partir de uma alusão à pintura O jardim das delícias terrenas (1503-15), do holandês Hieronymus Bosch – que mostra três fases da Terra, o paraíso, o caos e a destruição.

Aborda aspectos como a poluição industrial excessiva, o consumo de carne bovina e o dilema dos países em desenvolvimento, mais especificamente a Índia, entre fornecer electricidade aos seus habitantes, mas, com isso, agravar os problemas ambientais, já que uma das formas mais baratas de gerar energia eléctrica é por meio da queima de carvão. O mesmo problema e dilema, acontece em África.




                           

O facto de este documentário ter sido divulgado tão perto das eleições americanas, não deixa de ser curioso...pelo facto de, várias vezes durante o documentário terem apelado às pessoas para não votarem nos republicanos, visto serem pouco sensíveis às questões ambientais.

Para além disso, foi estrategicamente estreado mesmo nas vésperas a 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP22), que decorrerá na cidade de Marraquexe, em Marrocos, do dia 7 de Novembro até ao dia 18 de Novembro.

Tal como o documentário, Cowspiracy - O Segredo da Sustentabilidade, também este me parece uma manobra de pura PROPAGANDA... claramente mandar areia para os olhos do povinho!
O objectivo é aprovar a Geoengenharia na COP22, com o falso argumento de diminuir os níveis de CO2...e o povo, cego, iludido e manipulado por este tipo de propaganda bate palmas!!!!

A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL COMEÇOU COM O AL GORE EM 2006!!!!!



Não quero com isto negar que o problema existe...
Ele existe!
E tem de ser resolvido!
Eu própria já mudei alguns hábitos há vários anos atrás, como não usar sacos plásticos, separar o lixo, deixar de comer carne de vaca, porco e outras e passar a comer só frango uma vez por semana e de montado, só comer ovos de galinhas de montado, comer vegetais sem pesticidas, beber leite do dia de vacas de montado sem antibióticos e sem hormonas de crescimento, usar o menos possível produtos químicos, deixar de comer Nutella e produtos processados por causa do óleo de palma, procurar energias renováveis e sustentáveis, etc...
A mudança de hábitos tem forçosamente de acontecer!
Sem extremismos nem fundamentalismos!

Porque não se fala na Antártida onde se prova que o gelo está a aumentar??????
SÓ no Ártico derrete.
A farsa do aquecimento global  é outro assunto embora directamente relacionado com este!
Se forem pesquisar, a Nasa já assumiu que manipulou os dados das temperaturas, e uma nova analise revela que as temperaturas desceram 1 grau! 
Claro que no meio disto tudo certas zonas vão esfriar e outras aquecer!
Mas para mim, isto faz parte do Ciclo que é a Inversão dos Pólos, causa real disto tudo e que é causado pela passagem de um planeta, o planeta X, já os Sumérios sabiam disto.

Segundo dados de vários cientistas, a temperatura baixou um grau desde 1970, e meio grau desde 2000!  

Na minha opinião, não são os combustíveis fósseis que estão a provocar o Aquecimento Global, mas sim o Cosmos, o Universo, o Ciclo da Inversão dos Pólos. 
E os Rastos Químicos, HAARP e as Torres GWEN, em situações pontuais !




Acrescento alguns post's mais antigos sobre este assunto para quem quiser aprofundar mais o assunto:

Nassim Haramein fala sobre isso aqui: O Segundo Sol, 2012, a farsa do aquecimento global

HAARP e a Manipulação do Clima  AQUI

High Frequency Active Auroral Research Program (HAARP) AQUI

Aquecimento Global é uma fraude AQUI

GEOENGENHARIA AQUI

Chemtrails ou Rastos Químicos, HAARP e as Torres GWEN AQUI




Soneto de Amor




Não me peças palavras, nem baladas, 
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio, 
Deixa cair as pálpebras pesadas, 
E entre os seios me apertes sem receio. 

Na tua boca sob a minha, ao meio, 
Nossas línguas se busquem, desvairadas... 
E que os meus flancos nus vibrem no enleio 
Das tuas pernas ágeis e delgadas. 

E em duas bocas uma língua..., — unidos, 
Nós trocaremos beijos e gemidos, 
Sentindo o nosso sangue misturar-se. 

Depois... — abre os teus olhos, minha amada! 
Enterra-os bem nos meus; não digas nada... 
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! 


José Régio
in “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade” 


Mas por que é que o Amor é cego?




Mas por que é que o Amor é cego?
Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos.
Aquele ainda não era cego e surgiu entre eles um desentendimento qualquer.
Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto, o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que o privou da visão.
Vénus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, de Nêmesis - a deusa da vingança - e de todos os juízes do inferno, Vénus exigiu que aquele crime fosse reparado.
O seu filho não podia ficar cego.
Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em declarar a Loucura a servir de guia ao Amor.

Jean de La Fontaine
in, "Os Melhores Contos da Loucura"


A Idade do Divórcio




Devia haver uma idade para o divórcio como há para o casamento.
As desilusões domésticas têm o seu tempo para se transformarem em cicatrizes que vão desaparecendo com o passar dos anos.
Por isso é que nos velhos casais há uma recordação da vida em comum que se assemelha à santidade. Contam peripécias leves e dão ao passado um colorido quase caricato pela força do distanciamento em que se encontram.
A verdade é que sofreram os mesmos desenganos e turbulências que os jovens arrumam e põem de lado sem dar tempo a transformarem-nos em recalques.

Agustina Bessa-Luís
in, "Antes do Degelo"


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Open All Night




In the company of fools
we relax upon
ordinary embankments,
enjoy bad food, cheap
drink,
mingle with the men and
ladies from
hell.
in the company of fools
we throw days away like
paper napkins.

in this company
our music is loud and our
laughter
untrue.

we have nothing to loose
but our selves.

join us.
we are now
almost
the entire
world.

God bless 
us.

Charles Bukowski
in, Open All Night


A Arte da Guerra




O grande segredo para vencer sempre consiste na arte de semear a divisão:
nas cidades e nas aldeias, no exterior, entre inferiores e superiores, de morte, e de vida.

          Sun Tzu
         in, A Arte da Guerra


Drugs Don’t Cause Addiction

"The opposite of 'addiction' (compulsive use or need for chemical substances, smartphones, TV, pornography, work, power or sex) is not 'sobriety'... It is 'connection'." 

"Addiction is just one symptom of the crisis of disconnection that's happening all around us."



Most people think that the reason why people become addicted to drugs is solely because of the drugs themselves.
This, however, is far from the truth, as shown repeatedly by scientific studies on drug addiction.
The brilliant short animated video below will explain to you why drugs don’t actually cause addiction, changing your view on drugs forever:



domingo, 30 de outubro de 2016

HIMNO




Después de todo, amigos,
esta vida no puede llamarse desdichada.
En lo que a mí concierne, por ejemplo,
recibí en proporción justa, en la hora exacta
y en el lugar preciso y por la mano
que debe dar, las dádivas.

Así tuve los muertos en la tumba,
el amor en la entraña,
el trabajo en las manos y lo demás, los otros,
a prudente distancia
para charlar con ellos, como vecina afable
acomodada en la barda.

Y recreos. Domingos enteros en la playa,
arboledas anónimas y amigas,
manantiales ocultos que cantaban,
libros que se me abrieron de par en par y bóvedas
maravillosamente despobladas.

Dioses a quienes venerar, demonios
tan hermosos que herían la mirada,
sueños para dormir asido al cuerpo ajeno
como hiedra de tactos y palabras
... y algún relámpago de medianoche
para alumbrar el orden de mi casa.


Rosario Castellanos
in, Poesía no Eres Tú


Não é à toa que caminhas com eles na mesma estrada...




Agradeça por quem te incomoda, por quem te irrita, por aquele tipo de pessoa que te tira do sério simplesmente por existir...agradeça por quem te deixa furioso...e pelas muitas e muitas vezes em que contaste até dez ou até mil...para não explodir com tudo.
Para não cometer um desatino com os tais... não é à toa que caminhas com eles na mesma estrada. Essas pessoas te trazem, a cada dia, um lapidar de carácter, um toque a mais de controle emocional, um reforço de fé, um verniz de paciência.
Acredite...até as implicâncias corriqueiras podem fazer-nos algum bem.
Basta querer encontrar algum.
E quem sabe, esses desajustes de génios, podem ser o passo inicial para uma boa auto análise...
Por que a pessoa te irrita?
Quais os reais motivos?
O que isso te ensina além de paciência e tolerância?
Pode sair muita coisa útil dessa conversa consigo mesmo...


Gi Stadnicki


Que Vontade De Chorar




Era uma manhã fresca e transparente de primavera. Parei o carro na luz vermelha do semáforo. Olhei para o lado – e lá estava ela, menina, dez anos, não mais. O seu rosto era redondo, corado e sorria para mim. “O senhor compra um pacotinho de balas de goma? Faz tempo que o senhor não compra…” Sorri para ela, dei-lhe uma nota de um real e ela me deu o pacotinho de balas. Ela ficou feliz. Aí a luz ficou verde e eu acelerei o carro, não queria que ela percebesse que meus olhos tinham ficado repentinamente úmidos.

Quando eu era menino, lá na roça, havia uma mata fechada. Os grandes, malvados, para me fazer sofrer, diziam que na mata morava um menino como eu. “Quer ver?”, eles perguntavam. E gritavam: “Ô menino!” E da mata vinha uma voz: “Ô menino!” Eu não sabia que era um eco. E acreditava. Nas noites frias, na cama, eu sofria, pensando no menino, sozinho, na mata escura. Onde estaria dormindo? Teria cobertores? Os seus pais, onde estariam? Será que eles o haviam abandonado? É possível que os pais abandonem os filhos?

Sim, é possível. João e Maria, abandonados sozinhos na floresta. Os seus pais os deixaram lá para serem devorados pelas feras. Diz a estória que eles fizeram isso porque já não tinham mais comida para eles mesmos. Será que os pais, por não terem o que comer, abandonam os filhos? Será por isso que as crianças são vistas freqüentemente na floresta vendendo balas de goma? Será que havia balas de goma na cesta que Chapeuzinho Vermelho levava para a avó? Será que a mãe de Chapeuzinho queria que ela fosse devorada pelo lobo? Essa é a única explicação para o fato de que ela, mãe, enviou a menina sozinha numa floresta onde um lobo estava à espera.

Num dos contos de Andersen uma menininha vendia fósforos de noite na rua (se fosse aqui estaria num semáforo), enquanto a neve caía. Mas ninguém comprava. Ninguém estava precisando de fósforos. Por que uma menininha estaria vendendo fósforos numa noite fria? Não deveria estar em casa, com os pais? Talvez não tivesse pais. Fico a pensar nas razões que teriam levado Andersen a escolher caixas de fósforos como a coisa que a menininha estava a vender, sem que ninguém comprasse. Acho que é porque uma caixa de fósforos simboliza calor. Dentro de uma caixa de fósforos estão, sob a forma de sonhos, um fogão aceso, uma panela de sopa, um quarto aquecido… Ao pedir que lhe comprassem uma caixa de fósforos numa noite fria a menininha estava pedindo que lhe dessem um lar aquecido. Lar é um lugar quente. Pois, se você não sabe, consulte o Aurélio. E ele vai lhe dizer que o primeiro sentido de “lar” é “o lugar da cozinha onde se acende o fogo.” De manhã a menininha estava morta na neve, com a caixa de fósforos na mão. Fria. Não encontrou um lar.

Um supermercado é uma celebração de abundância. No estacionamento as famílias enchem os porta-malas dos seus carros com coisas boas de se comer. “Graças a Deus!”, eles dizem. Do lado de fora, os famintos, que os guardas não deixam entrar. Se entrassem no estacionamento a celebração seria perturbada. “Dona, me dá uns trocados?” O menino estava do lado de fora. Rosto encostado na grade, o braço esticado para dentro do espaço proibido, na direção da mulher. A mulher tirou um real da bolsa e lhe deu. Mas esse gesto não a tranqüilizou. Queria saber um pouco mais sobre o menino. Puxou prosa. “Para que você quer o dinheiro?” perguntou. “Prá voltar prá onde eu durmo.” “E onde é a sua casa?” “Não vou voltar prá casa. Eu não moro em casa. Eu durmo na rua. Fugi da minha casa por causa do meu pai…”
Em muitas estórias o pai é pintado como um gigante horrendo que devora as crianças. Na estória do “João e o pé de feijão” ele é um ogro que mora longe, muito alto, nas nuvens, onde goza sozinho os prazeres da galinha dos ovos de ouro e da harpa encantada. Mãe e filho, lá embaixo, morrem de fome. Por vezes as crianças estão mais abandonadas com os pais que longe deles. Como aconteceu com a Gata Borralheira. Seu lar estava longe da mãe-madrasta e das irmãs: como uma gata, o borralho do fogão era o único lugar onde encontrava calor.

E comecei a pensar nas crianças que, para comer, fazem ponto nos semáforos, vendendo balas de goma, chocolate bis, biju. Ou distribuindo folhetos… Ah! Os inúteis folhetos que ninguém lê e ninguém quer e que serão amassados e jogados fora. O impulso é fechar o vidro e olhar para a criança com olhar indiferente – como se ela não existisse. Mas eu não agüento. Imagino o sofrimento da criança. Abro o vidro, recebo o papel, agradeço e ainda pergunto o nome. Depois, discretamente, amasso o papel e ponho no lixinho…

E há também os adolescentes que querem limpar o pára-brisa do carro por uma moeda. Já sou amigo da “turma” que trabalha no cruzamento da avenida Brasil com a avenida Orozimbo Maia. Um deles, o Pelé, tem inteligência e humor para ser um “relações públicas”…

Lembro-me de um menino que encontrei no aeroporto de Guarapuava. No seu rosto, mistura de timidez e esperança. “O senhor compra um salgadinho para me ajudar?” Ficamos amigos e depois descobrimos que a mulher para quem ele vendia os salgadinhos o enganava na hora do pagamento…

Um outro, no aeroporto de Viracopos, era engraxate. O pai sofrera um acidente e não podia trabalhar. Tinha de ganhar R$ 20.00. Mas só podia trabalhar enquanto o engraxate adulto, de cadeira cativa, não chegava. Tinha, portanto, de trabalhar rápido. Tivemos um longa conversa sobre a vida que me deixou encantado com o seu caráter e inteligência – ao ponto de ele delicadamente me repreender por um juízo descuidado que emiti, pelo que me desculpei.

E me lembrei das meninas e meninos ainda mais abandonados que nada têm para vender e que, à noitinha, nos semáforos (onde serão suas casas?), pedem uma moedinha…

Houve uma autoridade que determinou que as crianças fossem retiradas da rua e devolvidas aos seus lares. Ela não sabia que, se as crianças estão nas ruas, é porque as ruas são o seu lar. Nos semáforos, de vez em quando, elas encontram olhares amigos.

Os especialistas no assunto já me disseram que não se deve ajudar pessoas nos semáforos, pois isso é incentivar a malandragem e a mendicância. Mas me diga: o que vou dizer àquela criança que me olha e pede: “Compre, por favor…”? Vou lhe dizer que já contribuo para uma instituição legalmente credenciada? Me diga: o que é que eu faço com o olhar dela?

Minhas divagações me fizeram voltar ao Irmãos Karamazóvi, de Dostoiévski. Um dos seus trechos mais pungentes é uma descrição que faz Ivan, ateu, a seu irmão Alioscha, monge, da crueldade de um pai e uma mãe para com a sua filhinha. “Espancavam-na, chicoteavam-na, espisoteavam-na, sem mesmo saber por que o faziam. O pobre corpinho vivia coberto de equimoses. Chegaram depois aos requintes supremos: durante um frio glacial, encerraram-na a noite inteira na privada sob o pretexto de que a pequena não pedia para se levantar à noite (como se um criança de cinco anos, dormindo o seu sono de anjo, pudesse sempre pedir a tempo para sair!). Como castigo, maculavam-lhe o rosto com os próprios excrementos e a obrigavam a comê-los. E era a mãe que fazia isso – a mãe! Imagina essa criaturinha, incapaz de compreender o que lhe acontecia, e que no frio, na escuridão e no mau cheiro, bate com os punhos minúsculos no peito, e chora lágrimas de sangue, inocentes e mansas, pedindo a ‘Deus que a acuda’. Todo o universo do conhecimento não vale o pranto dessa criança suplicando a ajuda de Deus.”

Num parágrafo mais tranqüilo o starets Zossima medita “Passas por uma criancinha: passas irritado, com más palavras na boca, a alma cheia de cólera; talvez tu próprio não avistasses aquela criança; mas ela te viu, e quem sabe se tua imagem ímpia e feia não se gravou no seu coração indefeso! Talvez o ignores, mas quem sabe se já disseminaste na sua alminha uma semente má que germinará! Meus amigos: pedi a Deus alegria! Sede alegres com as crianças, como os pássaros do céu.”

Quando essas imagens começaram a aparecer na minha imaginação comecei a ouvir (essas músicas que ficam tocando, tocando, na cabeça…) sem que a tivesse chamado aquela canção “Gente humilde”, letra do Vinícius, música do Chico. “Tem certos dias em que eu penso em minha gente e sinto assim todo o meu peito se apertar…” Pelo meio o Vinícius conta da sua comoção ao ver “as casas simples com cadeiras nas calçadas e na fachada escrito em cima que é um lar”. Termina, então, dizendo: “E aí me dá uma tristeza no meu peito feito um despeito de eu não ter como lutar. E eu que não creio peço a Deus por minha gente. É gente humilde. Que vontade de chorar.”

Se fosse hoje o Vinícius não teria vontade de chorar. Ele riria de felicidade ao ver as cadeiras nas calçadas e as fachadas escrito em cima que é um lar… Vontade de chorar ele teria vendo essa multidão de crianças abandonadas, entregues ou à indiferença ou à maldade dos adultos: “E aí me dá uma tristeza no meu peito feito um despeito de eu não saber como lutar…” Só me restam meu inútil sorriso, minhas inúteis palavras, meu inútil Real por um pacotinho de balas de goma…

Rubem Alves

sábado, 29 de outubro de 2016

...............................o meu corpo


Anton Belovodchenko



Sei que darei ao meu corpo os prazeres que ele me exigir. 
Vou usa-lo, desgastá-lo até ao limite suportável, 
Para que a morte nada encontre em mim quando vier.

AL BERTO


Do Outro Lado




Também eu já me sentei algumas vezes às portas do crepúsculo, mas quero dizer-te que o meu comércio não é o da alma, há igrejas de sobra e ninguém te impede de entrar.
Morre se quiseres por um deus ou pela pátria, isso é contigo; pode até acontecer que morras por qualquer coisa que te pertença, pois sempre pátrias e deuses foram propriedade apenas de alguns, mas não me peças a mim, que só conheço os caminhos da sede, que te mostre a direcção das nascentes.

Eugénio de Andrade
in, Poesia e Prosa


Esperar Dos Outros Atitudes Que Nós Teriamos





O problema é esperar dos outros 
as acções que eu teria


A origem de muitas de nossas decepções está em esperar que os outros actuem como nós mesmos faríamos. Aguardamos a mesma sinceridade, o mesmo altruísmo e reciprocidade, mas no entanto os valores que definem o nosso coração não são os mesmos que habitam as mentes das outras pessoas.

William James, filósofo fundador da psicologia funcional e, por sua vez, irmão mais velho de Henry James, falava em suas teorias que uma forma muito simples de encontrar a felicidade reside na acção de minimizar nossas expectativas. Quanto menos esperamos, mais podemos receber e encontrar. É uma afirmação que, sem dúvida, causa controvérsias, mas não deixa mesmo assim de ter a sua lógica.

Não espere nada de ninguém, espere tudo de você mesmo, e desse modo seu coração acumulará menos decepções.

Todos temos muito claro como são as nossas relações, é inevitável não ter expectativas sobre elas. Esperamos certos comportamentos aos quais estamos acostumados e temos alguns aspectos muitos queridos, defendidos e valorizados. Agora, isso não muda o facto de que em alguns momentos as nossas previsões não ocorrem. Quem espera muito dos outros costuma acabar ferido em algum detalhe, em algum momento, e aí vale a pena ter em conta uma série de aspectos.



Quando esperamos que os outros ajam de acordo com as nossas expectativas

Pais e mães que esperam que os seus filhos ajam de um modo determinado, casais que esperam que seus companheiros façam exactamente o que eles querem, e amigos que esperam que os apoiemos em exactamente tudo o que fazem, ainda que em alguns momentos eles façam coisas que vão contra os nossos valores. Todas essas situações têm em comum serem exemplos claros do que é conhecido como a maldição das expectativas.

Em alguns casos há quem chegue a crer que o que pensa, sente e julga como correto é quase como uma regra, e inclusive chega a colocar uma expectativa tão alta no que se refere ao conceito de relação, amizade, amor ou família, que ninguém consegue nunca alcançar as ditas normas e, por isso, a decepção afecta a todos.

A resposta, como sempre, está no equilíbrio,
e antes de tudo na necessidade de sermos realistas.

Fica claro que há determinados tipos de expectativas que entram dentro do que é considerado normal, do que é esperável. Não trair, ser sincero, respeitoso, ser fiel... Tudo isso são pilares básicos que sustentam relações positivas e saudáveis. No entanto, quando alguém se torna obcecado pela perfeição do vínculo, seja em matéria afectiva, paternal, maternal, filial ou de amizade, aparece a frustração, o ressentimento ou até mesmo a raiva. É algo para termos em conta.



Como deixar de esperar muito dos outros

Ninguém é ingénuo por querer e gostar de ver sempre o lado bom das pessoas. Temos direito a vê-lo, a buscá-lo e inclusive a incentivá-lo, mas com certa cautela, com certa prudência. Porque a decepção é a irmã das grandes expectativas, e assim sempre será mais adequado não nos deslumbrarmos antes da hora e usarmos as lentes que trazem objectividade e o realismo mais sereno.

As aparências não costumam enganar;
o que costuma falhar mais frequentemente
são as nossas próprias expectativas sobre os outros…

Podemos esperar muito dos outros, no entanto, o mais adequado será sempre esperar ainda mais de nós mesmos. As pessoas são tão complexas quanto são imprescindíveis para nós, e assim como os outros podem nos decepcionar, nós também podemos falhar com os outros. Desse modo, é mais adequado reflectir sobre essa dimensão que, sem sombra de dúvidas, nos será de grande ajuda.



Dicas que nos ajudarão a deixar de esperar muito das outras pessoas

Para o ajudar a deixar de esperar muito das pessoas ao seu redor, oferecemos as seguintes dicas:


  • Ninguém é perfeito, nem mesmo nós mesmos. Se tivéssemos que corresponder as expectativas que os demais têm sobre nós e vice-versa, cairíamos em uma dinâmica estressante e infeliz. É impossível; ninguém é um exemplo de perfeição, nem de virtude absoluta. Basta nos respeitarmos e exercer a reciprocidade da forma mais humilde possível.
  • Aprenda a diferenciar entre expectativas e dependência. Em alguns casos, responsabilizamos as outras pessoas por nossa própria felicidade. Construímos grandes expectativas por alguém em concreto porque somos dependentes do que essas pessoas nos oferecem, e assim exigimos e precisamos que atuem como queremos porque é a única forma de nós nos sentirmos bem, ainda que isso cause um alto sofrimento para a outra pessoa.
  • Aceite que nem sempre iremos receber algo em troca. Este é um aspecto que caracteriza muita gente: se eu te faço um favor, eu espero que você me devolva. Se eu sempre mostro abertura e um ouvido para conversar, espero que os outros ajam da mesma forma. Bem, queiramos ou não essas coisas nem sempre acontecem, e o fato de ser assim não é bom nem ruim: só é. A questão é aceitar os outros como eles são.



Para concluir, talvez William James, quem citamos no início, tivesse toda a razão com sua simples proposta: quanto menos esperamos dos outros, mais surpresas podemos ter. 
Trata-se simplesmente de nos permitirmos ser um pouco mais livres e menos dependentes do comportamento das outras pessoas.

Todos nós falhamos, todos somos seres maravilhosamente imperfeitos tentando conviver num mundo de acasos caóticos em que as decepções são inevitáveis, mas onde também habitam os amores sinceros e as amizades que nunca perecem.


Valéria Amado