sexta-feira, 30 de setembro de 2016

..........................suposta qualidade das nossas relações




ENTRADA 
DE VÉNUS EM ESCORPIÃO – DE 24 DE SETEMBRO A 18 DE OUTUBRO…

Este ciclo devolve uma oportunidade incrível de transformação 
das formas manipulativas de como tentamos 
ou ajustarmo-nos, ou controlar os outros 
para obtermos a suposta qualidade 
que queremos concretizar nas nossas relações.


Vénus anuncia na nossa vida, a capacidade de estar em relação com os outros, ensina-nos a denunciar o que tem ou não qualidade para nós.
Através de Vénus os espelhos são-nos devolvidos para reconhecermos primeiro a nossa incapacidade de estar em relação, com aquilo que não desejávamos…

Ao nível do crescimento da aceitação da diferença, buscamos nos espelhos apenas aquilo que nos dá prazer, segurança, inconscientemente rejeitamos as pessoas, as circunstâncias, as experiências onde ainda vamos classificar, julgar, fugir daquilo que não queremos sentir…

No movimento de Vénus, verdadeiramente iniciamos o aprendizado do amor.
As vias desse crescimento são várias, mas na verdade, ao nível do inconsciente, o movimento inicia-se com a recusa de estar perante a experiência que não é a realidade concreta que queremos atingir, ao nível da realização e bem-estar pessoal.

Quando somos confrontados com os desafios que nos ajudam a contactar, de uma forma mais íntima, mais real, mais concreta ao nível sensorial, um contacto mais interno, na verdade é aqui que entramos no movimento de evolução, de transformação através dos espelhos na nossa vida…
Este ciclo devolve uma oportunidade incrível de transformação das formas manipulativas de como tentamos ou ajustarmo-nos, ou controlar os outros para obtermos a suposta qualidade que queremos concretizar nas nossas relações…

Relações onde se projecta o ideal, confunde-se amor com dependências do ego, irão ser expostas e quando falo de relações não estou a falar só de relações íntimas, mas de todas as experiências onde projectamos os nossos ideais e onde nos perdemos da relação de crescimento de saber reconhecermo-nos a agir em dependência, insegurança, projecção, imposição, para que todos os focos em que projectamos estes padrões inconscientemente se ajustem e nos devolvam o ideal, a segurança, o reconhecimento da qualidade que queremos atingir…

As vias desse crescimento são várias, mas na verdade, ao nível do inconsciente, o movimento inicia-se com a recusa de estar perante a experiência que não é a realidade concreta que queremos atingir, ao nível da realização e bem-estar pessoal.
Quando somos confrontados com os desafios que nos ajudam a contactar, de uma forma mais íntima, mais real, mais concreta ao nível sensorial, um contacto mais interno, na verdade é aqui que entramos no movimento de fuga, optamos por projectar no outro a frustração e a culpa…


Quando nos propomos, ou quando a vida “nos obriga” a contactar com as circunstâncias que nos dão a oportunidade de aprender o que tem qualidade, e dessa forma podermos ir criando uma direcção para o amor saudável, não podemos fugir desse contacto intimo com o que se está a passar dentro de Nós... No momento em que começamos a criticar, julgar, culpar, já estamos a viver a ilusão e a desresponsabilização do aprendizado que estamos a ter oportunidade de vivenciar…

O espelho que nos será devolvido, terá essa qualidade, não o que desejávamos e cria uma interacção solitária pela frustração do desejo…

São tempos de grande transformação pela consciência e coragem de nos permitirmos a sentir totalmente, só assim um dia viveremos relações de crescimento mútuo, sem jogos … é tempo de morrer, transformar pela não resistência de nos reconhecermos em relação, como projectamos os nossos desejos e não queremos vermo-nos a actuar em nome de um suposto amor …

Existe neste movimento de Vénus, a capacidade de aprender a amar todo o nosso ser, quando está em relação, sentir culpa, vergonha, só manifesta a falta de humildade em aprender…


Só assim chegaremos à maturidade lunar que nos devolverá a liberdade de estar perante as circunstâncias, as experiências, saber reconhecer o que tem qualidade e o que não tem, sem necessidade de fugir, pois isso ainda está sob o domínio do medo de sentir e de aceitar.

Através de Vénus, aprendemos a construção, a realização do nosso equilíbrio, da nossa estabilidade emocional e a não dependência de que o exterior seja exactamente aquilo que nós desejávamos.
Vénus ensina-nos a liberdade de saber estar em relação, sem querer modificar a experiência, mas sim criar uma relação verdadeira e sincera com o que ela nos faz sentir.
Só assim iniciamos a via da liberdade.

Que grande dança que vénus em escorpião vem dar ao inicio do ano de Júpiter em balança, lindo, vénus é o regente da personalidade de balança e urano, a energia que impulsiona o avançarmos para o desconhecido é o regente da alma de balança…
Perfeito este maravilhoso sistema solar a ajudar-nos a evoluir...



Ruth Fairfield




Somos manipulados pelo nosso Ego…
Como?
Fazendo-nos acreditar que somos vitimas de situações externas e das acções de outras pessoas, ele convence-nos que o nosso inimigo é outra pessoa, uma situação externa e nunca a nossa natureza reactiva/defensiva…

É preciso assumir a responsabilidade dos nossos impulsos reactivos, despir esse medo interno de senti-los, só dessa forma conseguiremos entrar verdadeiramente na força criativa de não ser dominado, resistir ao impulso de reagir da velha forma, e criar um espaço novo onde a energia espiritual tem um efeito transformador sobre a nossa consciência…

Assim nasce o centro, onde o equilíbrio se processa a cada momento, a cada experiência, e somos devolvidos ao coração, temos uma Fé profunda e confiante que estamos a transformar-nos de reactivos a proactivos…ela iluminará as nossas acções, limpa e corrige a causa que provoca insegurança e um novo centro de equilíbrio é vivenciado…

Aqui, nesse ponto a negatividade não existe, mas sim uma dimensão de consciência sensorial imanada pelo cérebro cardíaco …
Não duvidar e responder proactivamente a essa informação primeira, antes que o ego que usa a mente arranje justificações…

Parece difícil, mas tenham a coragem de iniciar e verão resultados incríveis no vosso Ser…
É na prática que o invisível se manifesta, e manifestamos a Fonte de Criação que somos…


Ruth Fairfield


Esta Lua Nova está difícil...
De novo a minha relação com a minha mãe...
Continuo a projectar a relação ideal Mãe/Filha...a relação que eu desejo e necessito...
O que leva à frustração dos meus desejos.
Continuo a ser incapaz de estar em relação com a minha Mãe, e com o que não desejo dessa relação.

O Universo não reconhece graus de parentesco.
Apenas reconhece frequências de energia.
E no meu caso, sinto que uma energia densa minha de culpa me impede de me libertar disto e deixar de polarizar com a minha mãe.
Preciso de viver sem culpa e livre!!
E a minha Mãe, como espelho, é apenas o veículo para eu me libertar de toda esta culpa.

Acho que esta é a via para eu finalmente chegar à minha Pacificação. 
Passo a passo chego lá!


...............................suprimir a humanidade




Ninguém se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mistério.
Para nós mesmos.
Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada missão que temos no mundo.
Todos nós somos uma missão.
Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos para a liberdade.
E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje.
Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria.
Isto não é uma forma humana de viver.
Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem. 

Natália Correia 
in, Entrevista


Mulher...o sexo e a sua feminilidade




  • A mulher desperta não usa o sexo ou a sua feminilidade para manipular ou conseguir o que quer.
  • Ela já não se envolve em amores onde o coração está ausente, ela escolhe fazer amor conectado, orgânico, completamente recíproco e a partir de um ego saudável.
  • Ela já não se permite usar o sexo como um substituto para a verdadeira intimidade ou como distração de feridas não resolvidas.
  • Ela não receia ser apelidada de puritana ou de puta por tomar as suas próprias decisões conscientes em torno do sexo.
  • Ela não permite que o patriarcado, a religião, a política, os meios de comunicação, ou que o ego masculino doentio definam sexo, beleza, ou os relacionamentos por ela.
  • A sua relação com o sexo é a sua própria e vem de dentro, não do que foi lhe ditado, toda a vida, por uma cultura que não valoriza a sexualidade saudável.


Jessica Bahr


Saudades não as Quero




Bateram fui abrir era a saudade
vinha para falar-me a teu respeito
entrou com um sorriso de maldade
depois sentou-se à beira do meu leito
e quis que eu lhe contasse só a metade
das dores que trago dentro do meu peito
Não mandes mais esta saudade
ouve os meus ais por caridade
ou eu então deixo esfriar esta paixão
amor podes mandar se for sincero
saudades isso não pois não as quero
Bateram novamente era o ciúme
e eu mal me apercebi de que batera
trazia o mesmo ódio do costume
e todas as intrigas que lhe deram
e vinha sem um pranto ou um queixume
saber o que as saudades me fizeram
Não mandes mais esta saudade,
ouve os meus ais por caridade,
ou eu então deixo esfriar esta paixão,
amor podes mandar se for sincero,
saudades isso não pois não as quero. 
Afonso Lopes Vieira


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O FOCO DA IMAGINAÇÃO




Pergunta: Pode meditar com os olhos fechados em alguns momentos da prática?

Monge Genshô – Não é bom. Com os olhos fechados você tende a viajar mais, e é mais fácil adormecer.
Então, é melhor meditar com os olhos abertos, mas não foque nas coisas. Uma vez, um amigo que sentou num sesshin, disse assim: “Eu vi nesta parede tantos desenhos”. Ele olhava pra parede e dizia, “ah, olha ali um cavalo!” Então, não é para usar a parede como uma tela. Em geral, no Zen, nós usamos a parede branca, e se você olhar sem focar, está resolvido.

Então é manter os olhos cerrados para baixo, o suficientemente abertos para você ver que está aqui neste lugar. É este lugar onde eu estou, não é outro. Se eu fechar os olhos posso ir pra China, pois na minha imaginação tudo pode acontecer. Então os olhos abertos nos ajudam a manter-nos ancorados na realidade, esta realidade de agora. Isso porque nós não queremos nada de fantástico, nós queremos é a realidade.


Dá-me tu um nome para eu poder ficar contigo...



Vou guardar as tuas mãos na paixão que tenho por ti,
mas não te posso revelar o meu nome, nem precisas de o saber.
Chama-me o que quiseres, dá-me um nome para que possamos amarmo-nos.
Aquele que tinha perdi-o no caminho até aqui.
Pertencia a outra paixão, e já a esqueci.
Dá-me tu um nome para eu poder ficar contigo...


Al berto


Fu Dogs, The Forbidden City in Beijing, China




One of the Fu Dogs that guards the entrance to The Forbidden City 北京紫禁城 in Beijing, China has a 3D Flower of Life under its paw and is sitting on a square pedestal with a square rug on it rotated 45 degrees forming the 8-pointed star (16 pointed if you include those that point inward as well).

Essentially, this figure which is considered to be the "protector of the knowledge", (like the Sphinx in Egypt), encodes the fundamental geometry of the quantum vacuum fluctuations that make up the very fabric of space-time... 


Nassim Haramein


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Homem




Homem nunca poderá representar homem e mulher.
Humanidade ou Ser Humano poderá incluir a mulher.
Quando se fala de Homem não me sinto incluída, talvez porque na realidade a grande maioria das vezes nem implícitas as mulheres estão.
Enfim, para alguma coisa se fala em linguagem inclusiva, onde o ele e o ela se revejam na comunicação de uma forma individualizada e com as características especificas e diferenciadoras de cada sexo.

Mulheres, é tempo de repensarem a comunicação e a linguagem pois ela reflecte comportamentos, pensamentos e acções.
A mulher permite, autoriza e compactua com comportamentos machistas fomentados pelo patriarcado sem na maioria das vezes ter consciência de que o faz, pois toda a aculturação ao longo dos últimos séculos não tem permitido que ela visualize para além da manta negra que a separa de si própria, da sua essência feminina.
As coisas estão a mudar, e a mulher vai despertando e sentindo a necessidade absoluta de compreender a verdadeira e poderosa mulher em si, aquela que é livre do poder patriarcal.

Ana Ferreira Martins


...............................like a wave in the ocean




You are a function of what the whole universe is doing in the same way that a wave is a function of what the whole ocean is doing. 
 ― Alan Watts


..................................o teu corpo




Respiro o teu corpo
Sabe a lua-de-água.
Ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite.
Sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade


terça-feira, 27 de setembro de 2016

...............................................a estupidez colectiva



Como as organizações 
consagram a estupidez colectiva 
e os funcionários 
são recompensados para não pensarem.

(...)
Num mundo onde a estupidez é dominante, parecer bem é mais importante do que agir correctamente. Praticantes avançados da estupidez empresarial dispendem menos tempo nos conteúdos do seu trabalho e mais na apresentação deste. 
Eles sabem que quem decide vê apenas o aspecto e lê o resumo (com sorte).
Compreendem também que as ideias mais estúpidas são rotineiramente aceites quando aparentam ser boas.
(...)
Jovens inteligentes ao entrar nas empresas, rapidamente descobrem que apesar de terem sido seleccionados pelos seus resultados académicos, e suposta inteligência, não é suposto que a utilizem. Serão atribuídos a tarefas de rotina que irão considerar estúpidas. 
Se de facto cometerem o erro de usar a inteligência, terão grunhidos dos colegas e avisos educados dos seus superiores. 
Após alguns anos de experiência, irão descobrir que as pessoas que são promovidas são os praticantes estrelares da estupidez empresarial.
(...)
Aqueles que aprendem a desligar os cérebros são recompensados. 
Por evitarem pensar demasiado, podem focar-se em deixar coisas feitas.
Escapando às questões desconfortáveis que o pensar trará à luz e permitindo evitar também conflitos com colegas. 
Ao alinharem-se na linha restrita da empresa, os empregados sem ideias são vistos como líderes e promovidos. 
Os espertos rapidamente aprendem que chegar à frente significa desligar os cérebros assim que entrem nos escritórios.
(...)
Os gerentes passavam os dias a tentar reclamar a responsabilidade quando os projectos eram um sucesso e esquivando-se à responsabilidade quando eram um fracasso.
(...)
Agir estupidamente no trabalho é uma arte subtil.
Se fizermos pouco, seremos suspeitos de estar a fingir.
Se exagerarmos, começarão a olhar para nós como um risco.
No entanto, existem algumas tácticas que os praticantes mais experientes da estupidez empresarial utilizam para acertar. Uma das tácticas mais comuns é fazer o que toda a gente faz, mesmo que seja errado.
(...)


André Spicer

Texto original AQUI


Esta é a triste realidade!!!
Mas, só lá fica quem quer, quem tem perfil de Cu Lambista.
É preciso lamber muito cú, para conseguir a tão desejada plaquinha dourada na porta.
É sorrir e acenar a toda a hora e momento. Vale tudo para ficar bem na fotografia.
Lamber o cú à incompetência.
Usar máscaras constantemente.

É preciso ter um perfil muito específico para viver nesta Corrida de Ratos!!!

Eu, dos 14 anos que trabalhei assim, entrei a primeira vez em colapso e jurei que nunca mais voltava.
Depois, passado pouco tempo, voltei por necessidade de ganhar dinheiro, e sentia-me constantemente como uma prostituta, a vender-me por um ordenado para pagar prestação de casa e carro.
Claro está que o resultado foi a ruptura definitiva.
E a segunda queda é sempre maior do que a primeira.

Quem sufoca neste ambiente de trabalho, não tem como sobreviver ali.
Mais cedo ou mais tarde, sufoca e colapsa.
Por isso, mais vale calçar as sapatilhas e começar a procurar o seu queijo noutro lado.
Quanto mais tempo lá ficarem, maior será o desgaste com os conflitos que irão surgir inevitavelmente com as chefias e os colegas.



.....................tropeço de ternura por ti




Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser, que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura por ti.

Alexandre O'Neill


O nosso cérebro tem dois hemisférios





O nosso cérebro tem dois hemisférios:

O hemisfério esquerdo é o lado da energia masculina do cérebro e armazena a razão. Ele é ordeiro, estatístico, lógico, matemático, digital, analítico, detalhista e pensa em preto e branco. Ele vê as coisas em linhas retas, pelo lado racional e prático. Enxerga os detalhes, mas não vê o todo; vê a árvore, mas não vê a floresta.
O hemisfério direito é o lado da energia feminina do cérebro e armazena a emoção. É o nosso lado criativo, um espírito livre, é paixão e a experiência do saborear e sentir, movimento e arte. Ele é analógico, sintético, global e pensa em cores. Tem uma visão ampla, vê o todo; enxerga a floresta, mas não repara na árvore.
Utilizando os dois hemisférios do cérebro simultaneamente, você tem equilíbrio entra a razão e a emoção.

Uma grande diferença entre as duas energias é que a energia masculina observa as partes e a energia feminina observa o todo.
Tal como na energia, o hemisfério esquerdo não consegue compreender o hemisfério direito.
Não se pode colocar sentimentos e expressões dentro de caixas, eles têm de ser sentidos para serem verdadeiramente experienciados. O hemisfério direito também não compreende como o hemisfério esquerdo percebe as coisas.

Como espécie, agimos principalmente com o hemisfério esquerdo. Isto significa que, como espécie, temos, essencialmente, um desequilíbrio da energia masculina. Há um excesso desta energia que é dominante e está constringindo o lado feminino do cérebro. Não há nada de errado com a nossa energia feminina. Nós apenas não utilizamos o seu potencial. A nossa energia masculina está confusa e é por isso que estamos, hoje em dia, onde estamos a nível económico, político, religioso, nuclear, destruição da fauna, morte de golfinhos e abelhas, crise de guerras mundiais. O mundo está uma confusão em muitas áreas e algumas pessoas acham que a crise financeira, a crise política e a crise nuclear são assuntos completamente isolados porque a energia masculina observa as coisas em partes. Agora, estamos percebendo que esta maneira de observar as coisas está limitando o nosso ponto de vista.

A maioria das nossas experiências meditativas centra-se no hemisfério direito do cérebro – o nosso lado intuitivo, emocional e sentimental. Quando meditamos, geralmente, sentimo-nos muito bem. Às vezes, durante as meditações, conseguimos ter visões ou imagens, ouvir sons calmos ou vozes inspiradoras. Todas estas sensações se localizam no lado direito do nosso cérebro; o sentimental e intuitivo que nos conecta com nosso corpo mental superior.
Qualquer um que tenha tido experiências meditativas, fica com a sensação de ter tido uma experiência maravilhosa, mas mal começa a tomar consciência da realidade, começa a duvidar da validade da experiência que acabou de ter e começa a ter uma conversa do tipo “Nada disso! É tudo imaginação minha isto não pode ser verdade, devo ter inventado estas coisas…”

O que acontece, é que o lado esquerdo do cérebro, não foi envolvido na experiência, ou seja, o teu lado esquerdo, o teu lado lógico, não teve qualquer envolvimento com o teu lado direito, com o teu lado intuitivo, e por isso não sabe o que fazer com estas experiências. Então, o teu cérebro desata a fazer o que os pensadores, aqueles que têm a mente muito activa, geralmente fazem, começa a rejeitar as tuas experiências intuitivas utilizando questões puramente lógicas, emocionais e racionais. E como a tua experiência foi puramente sentimental e (abstracta) intuitiva, não tem por isso uma base lógica, racional de sustentação. E é assim que começamos a diminuir as experiências internas que temos, com tanta facilidade.

Este é só um dos exemplos do que acontece quando os teus dois hemisférios cerebrais não estão a trabalhar em conjunto tal como deveriam. O teu lado lógico mantém-se céptico e por vezes até cínico, acerca do valor das experiências que acontecem no teu lado direito ou intuitivo. É como usar só um motor do barco num percurso e, em que, se utilizares os dois motores, chega lá muito mais depressa.

Então, significa que existe aqui um desafio a ser superado! Ou seja, temos estas experiências maravilhosas, estes ‘insights’ e visões fantásticas que são potencialmente e extremamente úteis ao nosso progresso e desenvolvimento, mas assim que saímos daquele estado meditativo e começamos a utilizar o lado lógico/esquerdo do cérebro surge a dúvida e os questionamentos.

E como é que resolvemos esse impasse?
Como conseguiremos ter os dois lados do cérebro funcionando em conjunto e em harmonia?
Integração e aceitação das diferenças, é a resposta.


M.C. Pereda
in, O Sol Negro


What you have seen in your heart, that will never leave you




Don’t try to learn what I'm telling you so much.
Follow the pointings and you will see.
Discover Home first and then grow from Home.
Don’t try and follow and learn with your head.
Whatever you merely learn with your head will not stay with you
—it will collapse under stress. It will run away.
Mere mental or intellectual conviction
will not be available when you feel the pressures of egoic life.
It’s like the friends who promise to stay with you,
but in the moment of need they are gone.
Like this, what you learn with your head won’t stay with you.
But what you have seen in your heart,
that will never leave you.
~ Mooji

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As Mãos Dizem Tudo




"As rugas, a mortalha das expirações temporais. Profundos os regos que dividem a pele, como se rios tivessem adestrado a erosão transformada em rugas. Ou as mãos alisadas, um santuário de doçura, como se nunca tivessem adejado inquietações sonâmbulas. Há mãos que são arte fingida, os poros destilando uma pele glacial que não apetece beijar. Há as mãos refúgio, as mãos suadas e quentes. As mãos que apetece resguardar. Diamantes em bruto, um mapa legível de onde se alcança o firmamento que promete deleites que divindade alguma consegue amparar.

As mãos são como mapas. Ensaiam-se em coreografias subtis, uma leveza de gestos em que apetece demorar. São mapas por vezes árduos na sua decifração. Espalham os pregos por diante, nas exigíveis ameias que escondem tudo do exterior, armadilhando os contrafortes onde os peregrinos pagam promessas. E nem assim coalha a sua magistral singeleza, os gestos que parecem dedadas de pintor deixadas numa tela em branco. Fechem-se os olhos, desvele-se o que a imaginação imprime: seriam quadros singulares, as cores harmoniosas, traços vigorosos, umas poucas palavras em jeito de mote – que as mãos tanto são o refrigério da criação, como dela podem esvoaçar os gestos que se perdem em danças perenes.

Essas mãos são o palácio dos afagos, um desafio às divindades a que se procura peugada. As divindades são supostas, as mãos convergem na alforria dos sentidos; quem pode assegurar que as divindades são entes maiores, se o que nos é dado a apreciar é o desejo coreografado pelas mãos? É que as mãos, em sendo mapas, são oráculos que deixam homenagem ao tempo emoldurado. São oráculos ao contrário. Afivelam as lições do tempo pretérito. São deixadas, as lições, no campo onde fervem as sementes do futuro.
As mãos dizem tudo. As mãos falam por quem as tem."



Portugal Sacro-Profano Vila do Conde




O lugar onde o coração se esconde
é onde o vento norte corta luas brancas no azul do mar
e o poeta solitário escolhe igreja pra casar
O lugar onde o coração se esconde
é em dezembro o sol cortado pelo frio
e à noite as luzes a alinhar o rio
O lugar onde o coração se esconde
é onde contra a casa soa o sino
e dia a dia o homem soma o seu destino
O lugar onde o coração se esconde
é sobretudo agosto vento música raparigas em cabelo
feira das sextas-feiras gado pó e povo
é onde se consente que nasça de novo
àquele que foi jovem e foi belo
mas o tempo a pouco e pouco arrefeceu
O lugar onde o coração se esconde
é o novo passado a ida pra o liceu
Mas onde fica e como é que se chama
a terra do crepúsculo de algodão em rama
das muitas procissões dos contra-luz no bar
da surpresa violenta desse sempre renovado mar?
O lugar onde o coração se esconde
e a mulher eterna tem a luz na fronte
fica no norte e é Vila do Conde

Ruy Belo


A small action can be amplified to become a large one, even if you are unaware of it...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

The Connected Universe

The Connected Universe Official Trailer from THE CONNECTED UNIVERSE on Vimeo.

Bukowski


Dariusz Klimczac 



What a weary time
those years were - to have the desire and the need to live
but not the ability. 
 — Charles Bukowski

..........................parceria espiritual




O novo homem e a nova mulher são parceiros num caminho de crescimento espiritual.
Eles querem fazer a viagem.
O seu amor e confiança mantêm-nos juntos.
A sua intuição orienta-os.
Eles consultam-se um ao outro.
Eles são amigos.
Eles riem e choram juntos.
Eles são iguais.
Isso é o que uma parceria espiritual é:
uma parceria entre iguais, com o propósito de crescimento espiritual.

Gary Zukav

Yoga no Casamento




O nosso casamento se torna Yoga 
quando a aceitação, 
a compreensão e a compaixão 
se fazem presentes.


Juntos, crescemos e amadurecemos emocionalmente dentro da relação.

Um casamento harmonioso é como uma pedra de amolar.
Para afiar as facas, a pedra não pode ter o grão muito grosso nem demasiado fino.
Não conseguimos afiar uma faça na manteiga nem numa pedra muito áspera: precisamos encontrar o caminho do meio.

Da mesma maneira, para que duas pessoas possam crescer num relacionamento, é necessário um grau exacto e equilibrado de “abrasão”, nem rispidez demais, nem excesso de suavidade.

Acredito que podemos encontrar essa firmeza, esse caminho do meio, cultivando mutuamente a aceitação, a compreensão e a compaixão.
Precisamos fazer do outro um vencedor o tempo todo.
Você tenta fazer do outro um vencedor e o outro faz a mesma coisa.
Penso que esse seja o segredo para garantir a harmonia no convívio e o crescimento interior de cada um.


Pedro Kupfer


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

As Chaves




Felizes os homens que têm as chaves
porque só encontram portas abertas...

Como podem tantos homens dormir sossegados e felizes
de portas fechadas,
quando essas portas se fecham para tantos homens
que ficam sempre ao relento
e nunca podem entrar?

Neste mundo de tantas portas,
quando teremos cada um, a sua chave,
e a sua hora de voltar?...

J.G. de Araújo Jorge


Compaixão




Muitos de Nós quando falamos sobre compaixão, o primeiro impulso consciente é aceitar os outros, sentir que os amamos independentemente do que nos fazem sentir, essa é a grande ilusão da máscara da aceitação, que na verdade é uma tentativa de ser algo que estamos programados que devemos ser...

A compaixão é um acto de amor incondicional 
e que devemos iniciar connosco próprios...

Teoricamente fazemo-lo, mas na verdade é apenas um acto mental, não verdadeiramente sentido... Gostariamos muito que assim fosse, mas a cada instante na vida estamos a não nos aceitar, a querer mostrar uma pessoa que idealizamos ser e quando não conseguimos manter essa farsa ficamos no vazio sem vida...

Somos simples seres humanos e como tal temos muitas oscilações emocionais, uns dias acreditamos que tudo vai melhor, outros dias caímos em profunda tristeza, outros ainda ficamos frustrados de não concretizar o que sonhamos ter/ser...

Tudo isso é humano e natural, mas imediatamente queremos fugir dessas oscilações, queremos anulá-las, algo nos impulsiona a fazer algo para parar essa onda emocional que nos move...

Devemos aprender a ficar apenas a sentir e aceitar... sem jogos mentais de busca, permitir ficar nesse espaço interno, abraçar essas emoções, elas são orfãs perdidas dentro de nós enquanto não as aceitarmos simplesmente, sem compreensões mentais e sim deixando que o nosso coração as aceite...

A Aceitação é um espaço no coração não na mente...
Só assim nasce a verdadeira essência da compaixão...

Só neste espaço onde a mente não entra, apenas o coração abraça e permite, poderá a compaixão fecundar essa natureza compassiva e amorosa que tanto ansiamos SER...

Deixo hoje este mergulho para o vosso dia...
Permitir sentir e não pensar o que estamos a sentir...
Não pensem sobre o que sentem...
Sintam apenas...
E aceitem sem a mente mas o coração...

Ruth Fairfield


A Armadilha da Realidade




Uma das primeiras armadilhas interiores é aquilo que chamamos de «realidade». 
Falo, é claro, da ideia de realidade que actua como a grande fiscalizadora do nosso pensamento. 
O maior desafio é sermos capazes de não ficar aprisionados nesse recinto que uns chamam de «razão», outros de «bom-senso».

A realidade é uma construção social e é, frequentemente, demasiado real para ser verdadeira. Nós não temos sempre que a levar tão a sério.

Quando Ho Chi Minh saiu da prisão e lhe perguntaram como conseguiu escrever versos tão cheios de ternura numa prisão tão desumana ele respondeu:
«Eu desvalorizei as paredes.» 
Essa lição se converteu num lema da minha conduta.
Ho Chi Minh ensinou a si próprio a ler para além dos muros da prisão. 

Ensinar a ler é sempre ensinar a transpor o imediato. 
É ensinar a escolher entre sentidos visíveis e invisíveis. 
E ensinar a pensar no sentido original da palavra «pensar» que significava «curar» ou «tratar» um ferimento. 

Temos de repensar o mundo no sentido terapêutico de o salvar de doenças de que padece.
Uma das prescrições médicas é mantermos a habilidade da transcendência, recusando ficar pelo que é imediatamente perceptível. 
Isso implica a aplicação de um medicamento chamado inquietação crítica.
Significa fazermos com a nossa vida quotidiana aquilo que estamos a fazer aqui, que é deixar entrar a luz da poesia na casa do pensamento.



Mia Couto
in, E Se Obama Fosse Africano?


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conta comigo. Sempre




Tu sabes onde estou. Sabes como me chamo. Estarei presente
quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a ho-
ra decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua
antiga coragem vacilar. Caminharei a teu lado. Haverá decerto
algumas flores derrubadas, mas haverá igualmente um sol lim-
po que interrogará as tuas mãos e que te ajudará a encontrar,
entre as respostas possíveis, as mais humildes, quero eu dizer,
as mais sábias e as mais livres.
Conta comigo.
Sempre.

| Joaquim Pessoa |


O SAGRADO FEMININO: A NOVA MODA




Era uma vez as feministas, e antes delas as Doris Gray da vida no seu aventalzinho de cozinha, o cabelo impecável, o sorriso Colgate e a disposição de espirito para esta sempre feliz e acolher alegremente filhos e marido (sobretudo, marido!). Depois chegaram as feministas que deram um basta à palhaçada e à tortura porque toda mulher casada e com filhos sabe do preço que se paga para manter com aquele sorriso Colgate sempre pronto e disponível. A vida real não é assim.

E chegou a hora em que as feministas foram aposentadas porque faziam muito barulho e incomodavam demais...

Estamos numa onda de retorno do feminismo mas ainda com muitos “se” e “medos”. Melhor a nova onda: “o sagrado feminino”. Se o feminismo rugia como uma leoa, a busca pelo “feminino escondido” dentro de nós... entoa suaves canções à lua cheia balançando às “boas vibrações” que irão “equilibrar” seu dia-a-dia.

Bom, com certeza o feminino está “escondido” porque após ter calado a boca da leoa o que sobra? Silêncio. Ou melhor, o ruído da publicidade...

Essa onda do “sagrado feminino” me lembra o surgimento das igrejas pentecostais que como cogumelos após a chuva apareceram no cenário social brasileiro a partir dos anos 70-80. Não será que a busca pelo “espiritual” virou necessidade existencial urgente justamente numa época (a ditadura militar) marcada pela perseguição e aniquilação das funções cerebrais destinadas ao conhecimento, ao questionamento e a atuação democrática?
Não será que não podendo estar no social como cidadãos se busca ser cidadãos da cidade eterna, aquela do além, pois nesse aquém aqui não há solução de vida boa (democrática, participativa, pacífica, inclusiva)?

Bem dizia Marx que “a religião é o suspiro do oprimido”, porque o anseio espiritual aparece quando não se sabe mais o que fazer com esse mundo à nossa volta, quando nos sentimos impotentes diante dele.
Não é verdade que vamos à igreja para pedir ajuda quando não temos como fazer por nós mesmos?
É isso que Marx queria dizer, bem simples: o suspiro (de tristeza, depressão, desespero) do oprimido (de quem se sente oprimido pelas circunstância, pela condição de vida, pela realidade económica, pela família e etc.). Quando o ser oprimido não encontra uma luz no fim do túnel, ou seja quando a luta não é possível, só resta rezar...  pedir a Deus que faça por nós.


O mesmo é com o “sagrado feminino”. 

Vivemos numa sociedade altamente machista não só de homens como de mulheres machista (as piores). O machismo das mulheres vêm às claras no olhar desaprovador que lançam contra outras mulheres que ousam o que elas não tem coragem de fazer, ou que dizem o que elas não tem coragem de dizer, ou que peitam o grupo (feminino, pasmem!) em nome de sua independência de pensamento e autonomia de comportamento. 
O machismo das mulheres está na competição desregrada e venenosa que travam contra outras mulheres. 
O machismo das mulheres é visível no tratamento diferente que dão a homens e mulheres quando ambos falam a mesma coisa: por que será que quem tem um pénis sempre faz o papel melhor, tem mais sucesso, é mais ouvido? 
O machismo das mulheres está em sua falta de pensamento crítico que as torna ovelhas – mesmo que ovelhas histéricas repetindo slogans - facilmente manipuláveis; está em sua submissão a gurus e líderes, sejam estes homens ou mulheres; está em sua necessidade de viver como grupo, como clã, como mafia feminina para se respaldarem e assim mais uma vez se submeterem à códigos externos ao seu “feminino” mais íntimo.

E afinal o que é o “feminino”? 
O que é que está sendo sacralizado?


  • Feminino é o que? 
  • O útero grávido, então minha cadela é sagrada e a pata que anda no jardim aqui abaixo também. Feminino é o que? A sensibilidade? 
  • E como é que tanta sensibilidade das adeptas do sagrado feminino é seletiva e só se aplica a quem faz sim com a cabeça a tudo o que elas falam?


Sinceramente, tenho alergia à modas e clichê.

Para mim o sagrado feminino existe somente em quem assume o fardo do ser mulher e do ser mulher livre.
Livre da opinião alheia, livre da benção do grupo, livre da chantagem económica que maridos e pais impõem, livre da jugo afetivo que a família impõe, livre da necessidade de ser aprovada por um homem – livre de se vender e “prostituir” para agradar, fazer parte, ter dinheiro, status, aplauso.

Você não encontrará o “sagrado feminino” 
num workshop com fogueiras e cantos, 
danças e pinturas.

O feminino sagrado é a Deusa em você, é Deus ao feminino em você que exige seu compromisso e sua lealdade. É começar a reconhecer como sagrada sua voz interior, começar a se ouvir, começar a deixar as tramóias de lado e ser honesta, transparente, impiedosamente transparente consigo mesma. O sagrado de seu feminino aparece quando você para de esconder sua femininidade que obviamente não se resume na sessão ao cabelereiro e à academia.

A deusa em você está na sua exigência de ser mãe com dignidade mas também no parar de ser mãe que produz filhos concretos para produzir filhos espirituais, parir novos mundos para si e a humanidade.

O sagrado feminino aparece quando você se recusa a fazer o jogo do sistema capitalista que escraviza mulheres e homens, mães, crianças, pais, natureza, animais, e que para se sustentar exige que cada um amordace sua sensibilidade, sua beleza interior sua delicadeza. Você dá voz ao feminino sagrado quando não vive em função do lucro, quando coloca as relações e o amor acima do lucro sem entretanto se prejudicar porque precisa viver e viver saudavelmente para poder amar mais e melhor.

O sagrado feminino é quando você consegue amar o outro a partir do amor que tem por si mesma, quando você se permite ser tocada lá no fundo pelo outro para assim de verdade compreendê-lo, sentindo de dentro e estando juntos de verdade. 
O sagrado feminino encara o desafio de como é que isso pode acontecer, sem receitas!
Sem receitas, sem gurus. 
Você aprendendo a andar sobre suas próprias pernas.

A deusa agradece.

Cadê a deusa em você? Agora, nesse momento? Cadê ela?
No workshop que irá fazer nesse fim de semana? Ah... certo.
Quero ver onde está o sagrado feminino na sua relação, no seu trabalho, entre você e suas amigas, entre você e a causa social que atende, entre você e seu chefe e sobretudo entre você e os valores que de fato diariamente norteiam sua vida, suas escolhas, suas prioridades.

Cada uma de nós mulheres representa o feminino: faça cada uma uma avaliação do estado de saúde do respeito quem manifesta por si própria, pelas próprias necessidades, desejos, modo de ser, aspirações. Faça cada uma uma honesta introspectiva do que aceitou barganhar para ter a realidade que tem, o casamento, o trabalho, as amizades, os apoios sociais. O que lhe custaram? Qual preço pagou? A deusa está contente?

Ah, lembrando que deuses nem sempre têm os mesmos valores e desejos dos egos. Logo, seu ego pode se sentir a rainha da cocada preta e entretanto sua deusa pode estar amordaçada e faminta trancafiada nos porões de seu ser.

Eis a história resumida e o sonho de uma mulher em processo analítico que tocou um dia (seu) “sagrado feminino”:

Ana era filha de pai alcoólico e mãe submissa, família disfuncional da qual ela tinha consciência assim como reconhecia as muitas feridas que carregava.
Ana engravidou de um rapaz que assumiu a paternidade mas com quem a relação era bastante precária. Conheceram-se dançando, ambiente sensual, alegre, descontraído. Logo percebeu que além da sensualidade e da dança precisa de mais para manter uma relação e sobretudo uma família.
Ana deparou-se com os comportamentos infantis do rapaz até que foi capaz enfim de se separar dele e de colocá-lo para fora de casa.
Ana teve então que aprender a lidar com a maternidade solo, com os palpites dos outros, com a pressão da família, com a falta de dinheiro, com a pensão alimentícia que não chegava com as chantagens emocionais do pai da filha e das manipulações afetivas desses com a filha - além  naturalmente de trabalho e estudo, porque Ana trabalhava e estudava muito.
E Ana sentia falta de um homem, ansiava ser amada, paquerada, fazer sexo, sair para a balada. Ana estava acostumada com isso e era ainda muito jovem; quando se é mãe solteira e não se tem onde deixar o filho a carga é ainda mais pesada. Inclusive, Ana, responsavelmente, não deixava a filha muito tempo com os pais dela por conta do ambiente emocionalmente poluído de sua casa, portanto era ela e a filha a maior parte do tempo fora do trabalho e da escolinha da menina.
Mas Ana conseguia ainda assim sair de vez em quando e desejava muito a companhia masculina. Entretanto, nesse contexto psicológico, os critérios de triagem da “companhia masculina” são poucos e fracos e Ana vinha de um lar onde o feminino era pouco valorizado.
Apesar de sua mente desenvolvida (a moça era doutoranda) o padrão feminino de relação com o masculino, que ela tinha em si como uma marca d’água, era mais ou menos o mesmo daquele ao qual havia sido acostumada desde pequena: um homem está de alguma forma no controle e a mulher permite porque ela precisa (e ela tem dó dele), ela está em posição frágil (e ela gosta de um homem no comando), ela não pode sozinha (e precisa cuidar dele). 
Assim Ana, que gostava de homens, terminava por encontrar sempre relações exdrúxulas, ambíguas onde a transar não correspondia a algum início de relação ou possibilidade de desenvolvimento de relação.
Até que um dia, conforme seu processo de individuação em análise progredia, Ana se sentiu farta de ser a amiga de quem não é amigo, cansou de ser amiga-amante de quem a usava: usava para transar e depois para obter dicas para transar com outras mulheres.
Ao que nós mulheres chegamos a nos submeter para nos iludirmos que “temos alguém”.
E Ana cansou. Acordou e cansou. E sonhou: O rapaz (das transas sem futuro) entra em sua casa sem avisar, pois tinha chave. Ela espantada vai até a porta e pergunta como é que ele entrou, ela não o convidou. Mas ele sabe que pode e avança com segurança pela casa. Ana está desesperada, se sente em perigo. Finalmente consegue chamar os pais que chegam e o pai põe o rapaz para fora de casa. A mãe, então extrai de um baú uma antiga estátua que pertencia à avô (sua mãe) e que havia sido guardada para Ana: era uma estátua da Virgem Maria.
Ana recebe o sagrado feminino que estava escondido esperando por ela estar pronta para recebê-lo.

A deusa, portanto, volta em nossa posse quando: 
1) paramos de nos prostituir na busca por aprovação do masculino (seja ele namorado, marido, pai, professor, grupo, sociedade, carreira);
2) quando transformamos as figuras parentais dentro de nós e com elas a história de abuso do feminino que carregamos dentro e que herdamos deles, de modo que temos finalmente uma função paterna (orientação no mundo) e uma função materna (acolhimento e nutrimento) como aliadas de nosso processo de individuação que é também de emancipação do passado;
3) quando, enfim, chegamos a recuperar o legado que estava guardado, escondido e protegido até que uma nova mulher pudesse voltar a assumi-lo e levá-lo adiante no mundo.


A deusa agradece mulheres de carne e de osso que aceitam o desafio de serem mulheres sagradas no seu dia-a-dia, mulheres que se respeitam – custe o que custar. E assim, respeitando-se, podem fazer espaço ao amor, à beleza, à delicadeza, à sensibilidade, à receptividade, à subtileza de espírito, à intuição... e tudo o que a Deusa é.


Adriana Tanese Nogueira


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tu, que apenas me leste




Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca me tivessem encontrado.


Cecília Meireles
In, Poesia Completa


Desculpe-me...Estou em construção!




Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos. 
Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos.

Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe.

E, assim, vamos causando transtornos. Esses transtornos tanto mostram que não estamos prontos, mas em construção. 
Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.

O outro também está em construção e também causa transtornos.
E, às vezes, um tijolo cai e nos machuca. Outras vezes, é a cal ou o cimento que suja o nosso rosto. E quando não é um, é outro. E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem connosco também têm de fazer.

Os erros dos outros, os meus erros. Os meus erros, os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial: todas as pessoas erram. A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade humana: o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas. É compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários. Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante. Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício!

O convite que faço é que você experimente a beleza do perdão. É um banho na alma! Deixa leve!
Se eu errei, se eu o magoei, se eu o julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos… Estou em construção!


Anita Godoy

Dimensões no Universo...Tempo...ou apenas diferentes Escalas???




A extensão do Universo é de difícil cálculo.
Segundo alguns, depende do número de dimensões que se considera, e dizem que há duas hipóteses para se pensar o assunto:


  • O universo é infinito, e portanto não pode ser medido;
  • O universo é finito, e portanto pode ser medido.


No entanto, o actual estágio do conhecimento científico relativo ao universo, e devido ao seu tamanho tão imenso, impossibilita o cálculo, pois ainda não sabemos ao certo os seus limites.
Tal grandiosidade faz com que o mesmo seja considerado infinito.

Alguns cientistas defendem ainda que existem diversas dimensões, incluindo o tempo.
Formariam universos coexistentes e interpenetrantes, que não se misturam.
Portanto não se sabe ao certo o tamanho do universo.

Segundo eles, existem vários tipos de seres e de dimensões:


  1. Na 1ª dimensão, existem seres unidimensionais que se comunicam através das sensações como o frio o calor, as vontades. Estes seres não têm consciência das outras dimensões e por isso não os percebem conscientemente. Não têm capacidades para formular conceitos. Os seus corpos são perceptíveis na terceira dimensão e deixam um rasto conforme se movimentam, tais como lesmas, minhocas, e outros rastejantes.
  2. Na 2ª dimensão, os seres são bidimensionais, não se comunicam apenas pelas sensações, mas também através dos 5 sentidos, mas também não percebem a existência das outras dimensões, (com a excepção dos gatos), no entanto continuam sem conseguir formular conceitos. Os seus corpos são perceptíveis à 3ª dimensão, tais como gato, cão, girafa, entre outros.
  3. Na 3ª dimensão, esta é o nosso mundo tridimensional, ou mundo físico. Nesta as leis físicas são de 3ª dimensão e regem as manifestações e relações dos seres com os pontos tridimensionais. Estes seres comunicam-se através dos sentidos, sensações e constroem conceitos, são estes os seres humanos.
  4. A 4ª dimensão é conhecida pela ciência como a 4ª coordenada ou hiperespaço e é relativa ao tempo. Há também quem chame de 4ª dimensão do mundo etéreo (éter, o quinto elemento da natureza). Há religiões que a reconhecem como o paraíso. É habitada por seres quadridimensionais. Esta dimensão está dividida em duas: a primeira é habitada por “magos negros”, por “zangões” e outros elementos de baixa vibração. A segunda é habitada por elementos inteligentes “positivos” que não prejudicam ninguém e que cultivam sentimentos nobres, magos brancos
  5. A 5ª dimensão é a eternidade. É nesta que actua o tribunal cósmico (karma), pode-se investigar outras vidas usando o corpo astral e o mental. Esta dimensão também é conhecida por mundo molecular, e está dividida em mundo astral e mental. O mundo astral inferior é conhecido por limbo e também por umbral, pois pode-se encontrar seres encarnados e desencarnados. (sugere-se o filme A Origem). O mundo astral superior, é uma região cheia de luz. Habitam os “anjos da morte”, encarregados do processo de desligamento e também os senhores do Karma. No primeiro mundo mental é onde executam os seus julgamentos. O mundo mental também se divide em dois: O inferior, onde existem templos “negros” onde são feitas as “magias negras”. No superior existem os templos “brancos” e iluminados onde permitem ver as situações mais claras e perfeitas.
  6. Na 6ª dimensão, é onde se encontram os primeiros mundos electrónicos (sol espiritual). A eternidade é “pequena” dentro desta dimensão, o que significa que esta vai para além da eternidade. Esta divide-se em dois mundos: o causal, o que é conhecido pelas religiões como o “céu”. É a vontade consciente (Homem autêntico). O Búdico, corresponde ao corpo búdico e ao contrário do mundo causal, pode-se encontrar a alma divina, é a essência divina.
  7. A 7ª dimensão, esta é a última dimensão que a consciência humana conhece, esta é conhecida por dimensão zero, aqui habita o absoluto, sem forma descritível. Aqui o ser humano prepara-se para a renovação espiritual, só se atinge este plano com a eliminação total do Ego, mas só depois da aquisição da total consciência, da fabricação dos corpos solares, da alma, do espírito e da encarnação. Para além destas dimensões existem outras mais, pois o infinito é eterno e o eterno é infinito. O Homem apenas ainda não conseguiu vivências para além da 7ª dimensão.

Porém até onde podemos ver, o Universo não tem sequer 5 dimensões, quanto muito 4, se tivermos em linha de conta o Tempo:
Em 1926 Klein sugeriu que não podíamos ver a 5a dimensão porque estaria enrolada em si mesma, como um tubo minúsculo. De lá para cá, outras forças que agiam no interior dos átomos foram descobertas e, por algum tempo, a ideia de dimensões extras foi esquecida.

Foi então que surgiu a Teoria das Super-Cordas – A noção de que as partículas que compõem o Universo poderiam ter a forma de cordas vibrantes (com cada vibração dando as características da partícula).
A teoria das cordas é um modelo físico-matemático onde os blocos fundamentais são objectos extensos unidimensionais, semelhantes a uma corda, e não pontos sem dimensão (partículas), que são a base da física tradicional. No entanto, esta teoria não é verificável e, tal como a Física Quântica, não apresenta soluções exactas, e são desenvolvidas tendo como base várias lacunas, pondo de lado aquilo que não conseguem explicar.

Os físicos quânticos desconfiam que, a partir dessa premissa, seria possível descrever todos os componentes da natureza numa única teoria – mas só se o Cosmos possuísse no mínimo 26 dimensões.

Mas quem vai acreditar em 22 dimensões escondidas para além das 4 que nos apercebemos?
Como explicar que 4 dimensões são manifestadas e as outras todas ficam ocultas? 

Pois bem, como os próprios físicos achavam essa ideia difícil de engolir, começaram a trabalhar numa forma de reduzir o número de dimensões necessárias.
Hoje já conseguiram chegar às 10ª e 11ª dimensões – e muitos investigadores acreditam que o número não vai diminuir que a tendência é para aumentar.
Ou seja, se a Teoria das Super-Cordas estiver certa, o Universo será holográfico e deverá estar cheio de dimensões enroladas umas nas outras e, portanto, invisíveis a seres da terceira dimensão ou densidades, se assim lhe quiserem chamar.

Ou seja, existe uma hierarquia à qual o ser humano tem que prestar contas de forma a poder evoluir, ilustrando relativamente bem o subdesenvolvimento, primitivismo e esclavagismo da nossa humanidade numa perspectiva cósmica.
Porém somos tão arrogantes que não nos apercebemos desta realidade, consideramo-nos Catedráticos do Saber, apesar das limitações e condicionalismos inerentes às leis tridimensionais.
Pior, consideramo-nos Seres Livres, quando na realidade já nascemos mais escravos do que nunca.


Vamos ouvir o que o Nassim Haramein tem a dizer sobre isto:


                           

Faz mais sentido, certo?
Não existem várias dimensões!
Existem apenas diferentes perspectivas, diferentes escalas!



domingo, 18 de setembro de 2016

Pressa para quê?




Perdemos muito tempo.
Com coisas menores, com pressa.
Pressa para quê?

A nossa vida é, na verdade, um micro mundo, onde os pontos cardeais são as pessoas que nos são importantes. Tentamos não ter de ter tantas saudades delas, quando não estão por perto, tentamos que elas sintam que gostamos mesmo delas, tentamos uma organização básica dos nossos dias, que faça com que as nossas rotinas nos criem uma zona de conforto. Que saibamos com quem contamos, que tenhamos horários padrão, que haja um fio condutor qualquer que faça com que não percamos o pé.
(...)
E quando nos fazem mal, quando somos injustiçados, mal tratados, quando abusam da nossa boa vontade, ou da nossa ingenuidade, é bom ter presente que toda a maldade é fútil.
Até porque, um dia, morreremos.
Não há volta a dar.


Pedro Ribeiro