domingo, 31 de janeiro de 2016

Marina Abramović The Artist is Present trailer HBO








Marina Abramović  nasceu em Belgrado, Sérvia, a 30 de Novembro de 1946.
É uma artista performativa que iniciou a sua carreira no início dos anos 70 e manteve-se em actividade desde então. Considera-se a "avó da arte da performance".
O seu trabalho explora as relações entre o artista e a plateia, os limites do corpo e as possibilidades da mente.

em 1974 apresentou em Belgrado, na Sérvia, uma performance em que dispunha numa mesa 72 objectos, desafiando o público a interagir com ela, através deles, da forma que bem entendesse. Na mesa havia, por exemplo uma pistola carregada. Ou uma faca. “Estava preparada para morrer”, conta na entrevista. E de facto, não morreu mas saiu com marcas, há cicatrizes que nunca desapareceram.

Para a artista, o público dá aquilo que é desafiado a dar. “Foi um desafio a toda a má energia possível. Se dás a uma pessoa uma serra, estás a provocá-la”, diz Marina, para quem o seu trabalho pode trazer o que de pior ou melhor uma pessoa tem.

Prova disso foi o que aconteceu há quatro anos no MoMA com a perfomance The Artist is Present, em que Marina Abramovic esteve durante 716 horas sentada em silêncio a uma pequena mesa, no átrio do museu, e, sem reagir ou falar, fixou os visitantes que eram convidados a sentarem-se à sua frente. Para vivenciar a experiência e partilhar o espaço com a artista sérvia, milhares de pessoas esperaram horas em longas filas, chegando mesmo a pernoitar em frente ao museu. Houve quem conversasse com a artista, mesmo que ela não respondesse, quem se risse com ela e quem se emocionasse com aquele contacto. “A minha ideia para o MoMA era dar amor incondicional a cada estranho, o que aconteceu”, conta.

O mesmo aconteceu mais tarde, em 2014 em Londres, 512 Hours, na Serpentine Gallery, onde a performance é uma forma de a artista e os visitantes se envolverem de uma forma diferente da que aconteceu em The Artist is Present. “É um momento muito importante e único”, diz-nos, para quem 512 Hours é um trabalho que só poderia existir agora, ao fim de mais de 40 anos de carreira de Marina Abramovic, “reflectindo o seu compromisso em explorar o que é que a performance pode ser”. “É algo que tem de ser experimentado.”
É uma performance que parte do vazio das salas e precisa de nós para as encher de alguma forma. É uma performance que parte do nada. Uma ideia tão simples quanto radical e que todos os dias resulta de forma diferente.


"SEDUCTIVE, FEARLESS, AND OUTRAGEOUS, MARINA ABRAMOVIĆ HAS BEEN REDEFINING WHAT ART IS FOR NEARLY FORTY YEARS.  USING HER OWN BODY AS A VEHICLE, PUSHING HERSELF BEYOND HER PHYSICAL AND MENTAL LIMITS––AND AT TIMES RISKING HER LIFE IN THE PROCESS––SHE CREATES PERFORMANCES THAT CHALLENGE, SHOCK, AND MOVE US. THROUGH HER AND WITH HER, BOUNDARIES ARE CROSSED, CONSCIOUSNESS EXPANDED, AND ART AS WE KNOW IT IS REBORN.  SHE IS, QUITE SIMPLY, ONE OF THE MOST COMPELLING ARTISTS OF OUR TIME.

SHE IS ALSO A GLAMOROUS ART-WORLD ICON, A LIGHTNING ROD FOR CONTROVERSY, AND A MYTH OF HER OWN MAKING. SHE IS MOST CERTAINLY UNLIKE ANYONE YOU HAVE EVER MET BEFORE."

MoMA, NYC

......................nem dás por mim



Que música escutas tão atentamente que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti que tudo canta ainda?
Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui, mas tenho medo, medo que toda a música cesse e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas se acordam os mortos sem os ferir, sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem, parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura, sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade


Chegou a hora


Gaylord Ho


Buscamos movimentos de consciência.
A energia feminina, portadora da magia e da intuição, concordou em abdicar dessas qualidades – energia feminina significando não apenas os seres fisicamente femininos, mas a consciência feminina.
O movimento patriarcal nos últimos cinco mil anos afastou-se completamente do processo do nascimento para poder dedicar-se ao desenvolvimento de armas e ao contínuo aniquilamento dos seres humanos.
As mulheres estão com um “nó na garganta” porque concordaram, há quatro ou cinco mil anos, manter silêncio acerca da magia e da intuição que representavam e conheciam como parte da chama gémea.
A chama gémea consiste na energia masculina e feminina coexistindo num só corpo, quer seja ele fisicamente masculino ou feminino.
Durante este período de mudança, será necessário que as mulheres desatem o “nó da garganta” e se permitam falar.
Chegou a hora.

Barbara Marciniak
in, Mensageiros do Amanhecer


A Pipa E A Flor




Era uma vez uma pipa.

O menino que a fez estava alegre e imaginou que a pipa também estaria. Por isso fez nela uma cara risonha, colando tiras de papel de seda vermelho: dois olhos, um nariz, uma boca…

Ô pipa boa: levinha, travessa, subia alto…

Gostava de brincar com o perigo, vivia zombando dos fios e dos galhos das árvores.

– “Vocês não me pegam, vocês não me pegam…”

E enquanto ria sacudia o rabo em desafio.

Chegou até a rasgar o papel, num galho que foi mais rápido, mas o menino consertou, colando um remendo da mesma cor.

Mas aconteceu que num dia, ela estava começando a subir, correndo de um lado para o outro no vento, olhou para baixo e viu, lá num quintal, uma flor. Ela já havia visto muitas flores. Só que desta vez os seus olhos e os olhos da flor se encontraram, e ela sentiu uma coisa estranha. Não, não era a beleza da flor. Já vira outras, mais belas. Eram os olhos…

Quem não entende pensa que todos os olhos são parecidos, só diferentes na cor. Mas não é assim. Há olhos que agradam, acariciam a gente como se fossem mãos. Outros dão medo, ameaçam, acusam, quando a gente se percebe encarados por eles, dá um arrepio ruim pelo corpo. Tem também os olhos que colam, hipnotizam, enfeitiçam…

Ah! Você não sabe o que é enfeitiçar?!

Enfeitiçar é virar a gente pelo avesso: as coisas boas ficam escondidas, não têm permissão para aparecer; e as coisas ruins começam a sair. Todo mundo é uma mistura de coisas boas e ruins; às vezes a gente está sorrindo, às vezes a gente está de cara feia. Mas o enfeitiçado fica sendo uma coisa só…

Pois é, o enfeitiçado não pode mais fazer o que ele quer, fica esquecido de quem ele era…

A pipa ficou enfeitiçada. Não mais queria ser pipa. Só queria ser uma coisa: fazer o que a florzinha quisesse. Ah! Ela era tão maravilhosa! Que felicidade se pudesse ficar de mãos dadas com ela, pelo resto dos seus dias…

E assim, resolver mudar de dono. Aproveitando-se de um vento forte, deu um puxão repentino na linha, ela arrebentou e a pipa foi cair, devagarzinho, ao lado da flor.

E deu a sua linha para ela segurar. Ela segurou forte.

Agora, sua linha nas mãos da flor, a pipa pensou que voar seria muito mais gostoso. Lá de cima conversaria com ela, e ao voltar lhe contaria estórias para que ela dormisse. E ela pediu:

– “Florzinha, me solta…” E a florzinha soltou.

A pipa subiu bem alto e seu coração bateu feliz. Quando se está lá no alto é bom saber que há alguém esperando, lá embaixo.

Mas a flor, aqui de baixo, percebeu que estava ficando triste. Não, não é que estivesse triste. Estava ficando com raiva. Que injustiça que a pipa pudesse voar tão alto, e ela tivesse de ficar plantada no não. E teve inveja da pipa.

Tinha raiva ao ver a felicidade da pipa, longe dela… Tinha raiva quando via as pipas lá em cima, tagarelando entre si. E ela flor, sozinha, deixada de fora.

– “Se a pipa me amasse de verdade não poderia estar feliz lá em cima, longe de mim. Ficaria o tempo todo aqui comigo…”

E à inveja juntou-se o ciúme.

Inveja é ficar infeliz vendo as coisas bonitas e boas que os outros têm, e nós não.
Ciúme é a dor que dá quando a gente imagina a felicidade do outro, sem que a gente esteja com ele.

E a flor começou a ficar malvada. Ficava emburrada quando a pipa chegava. Exigia explicações de tudo. E a pipa começou a ter medo de ficar feliz, pois sabia que isto faria a flor sofrer.

E a flor aos poucos foi encurtando a linha. A pipa não podia mais voar.

Via ali do baixinho, de sobre o quintal (esta essa toda a distância que a flor lhe permitia voar) as pipas lá em cima… E sua boca foi ficando triste. E percebeu que já não gostava tanto da flor, como no início…


Essa história não terminou. 
Está acontecendo bem agora, em algum lugar… 
E há três jeitos de escrever o seu fim. 
Você é que vai escolher.

Primeiro: A pipa ficou tão triste que resolveu nunca mais voar.

– “Não vou te incomodar com os meus risos, Flor, mas também não vou te dar a alegria do meu sorriso”.
E assim ficou amarrada junto à flor, mas mais longe dela do que nunca, porque o seu coração estava em sonhos de vôos e nos risos de outros tempos.

Segundo: A flor, na verdade, era uma borboleta que uma bruxa má havia enfeitiçado e condenado a ficar fincada no chão. O feitiço só se quebraria no dia em que ela fosse capaz de dizer não à sua inveja e ao seu ciúme, e se sentisse feliz com a felicidade dos outros. E aconteceu que um dia, vendo a pipa voar, ela se esqueceu de si mesma por um instante e ficou feliz ao ver a felicidade da pipa. Quando isso aconteceu, o feitiço se quebrou, e ela voou, agora como borboleta, para o alto, e os dois, pipa e borboleta, puderam brincar juntos…

Terceiro: a pipa percebeu que havia mais alegria na liberdade de antigamente que nos abraços da flor. Porque aqueles eram abraços que amarravam. E assim, num dia de grande ventania, e se valendo de uma distração da flor, arrebentou a linha, e foi em busca de uma outra mão que ficasse feliz vendo-a voar nas alturas.

Rubem Alves

sábado, 30 de janeiro de 2016

Quero é viver em paz




Mesmo que quisesse agradar
a todos jamais conseguiria 
e nunca tive essa pretensão.
Quero, é viver em paz, 
sorrindo e sentindo.
Minha pretensão é viver com 
emoção, amando com o coração 
cheio de ternura
Não sigo muitas regras; minha regra
é não ter regras, assim não fico 
a olhar somente na vertical
gosto é de viver e ver na horizontal.
Assim tenho visão completa 
do que quero para mim.
E o que quero é ser feliz 
e andar tranquilamente
nos caminhos que escolhi.


Irma Jardim


Esperem Sentados!!!!!




Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos. Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas. Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.

Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça. Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal. Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas “meninas”. Esperam de ti a boçalidade da pré-história.

Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias após uma refeição sem fritos ou salsichas. Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrata alguém.

Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa. Esperam que tires um curso. Que sejas “alguma coisa” mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Esperam isso. Esperam mais. Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumptuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.

Esperam isso de ti. E não convém falhares. Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida. Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias. Esperam de ti pouco rasgo. Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Reflectir é evitável. Não esperam que sejas uma grande intelectual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol. Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio. Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador. Esperam que sejas isto. E mais. Só não esperam que sejas feliz.


Rita Marrafa de Carvalho

Os trambolhões pelo caminho




A viagem rumo ao sucesso / abundância é na maior parte das vezes interrompida e forçada a recomeçar quando constatamos que a fórmula tal como a estamos a usar está errada ou simplesmente incompleta.
De experiência em experiência, sempre em busca da tão ansiada sensação de paz e abundância que o sucesso nos promete, vamos percebendo que falta sempre algo. Que o pouco ou mesmo muito que vamos atingindo nunca chega, não preenche, não serve...
Mas como diz o ditado, a esperança é a última a morrer e o ser humano não desiste facilmente de encontrar o seu paraíso interior algures lá fora no mundo e a busca continua.

Depois de muitos questionamentos, muitos tropeços e alguns recomeços a fórmula vai-se ajustando...

No princípio da viagem rumo ao sucesso tudo acontecia lá fora, era só uma questão de juntar um curso, um emprego, uma casa, um relacionamento perfeito, liberdade & responsabilidade q.b. e pronto! Já está!
Muitos foram os que chegaram a este patamar. Mas depressa perceberam que não chegava. Tentaram mudar a fórmula mudando de emprego, de casa, de companheir@s, de carro, de cidade e até de país. Também não era apenas por ali...

Depois de anos de experiências cada uma com o seu natural desgaste emocional, o cansaço começa a tomar conta, a luz fica mais fraca, a frustração e depressão começa a ameaçar pois estamos sempre a ver o GRANDE objectivo de sucesso adiado.

Um dia, num qualquer momento nostálgico de contemplação de todo o caos que materializámos até ali, perante infinitas frustrações e impotências que não "deram certo", questionamos:

  • - Qual é afinal o meu objectivo?
  • - Ando a lutar tanto para quê?
  • - O que é que é mesmo importante para mim?
  • - Onde ficou o simples anseio pela Felicidade, De Ser Feliz, Amar, Sentir, Escolher, Apreciar, Sorrir, agradecer de me sentir bem..?


O primeiro momento do questionamento é o momento em que o "ovo racha"!
Reconhecer que a nossa fórmula não funciona é o que nos obriga a ir em busca de outra.
É a primeira vez que viramos o foco para dentro de nós e vemos a luz a tentar furar essa mesma brecha que as perdas finalmente causaram.
É dentro de nós que se esconde o tal sitio mágico para onde as perdas nos tentavam empurrar a cada trambolhão. É ali que a viagem do verdadeiro sucesso realmente começa. É a partir deste ponto interior de consciência e escolha do que nos faz bem, feliz e nos preenche que a grande viagem de sucesso se irá cumprir.

Enquanto ela era feita apenas lá fora, baseada em estratégias pessoais e sociais do ego nos seus devaneios de poder e reconhecimento, conhecemos apenas becos sem saída e realidades sem vida, sem amor e sem alegria.
Quando a felicidade, a vida, o amor e a alegria fazem parte do plano inicial, quando o plano exterior já está a servir o plano interior, o sucesso é garantido pois o mundo será então o palco da manifestação do estado de merecimento interior que já conquistámos.

O nosso sucesso será sempre então um retorno da nossa dedicação e paixão com o nosso mais nobre objectivo. Quando estão presentes elevados valores, ecologia exterior mas também interior, social e emocional, quando há compromisso e responsabilização pela manutenção da nossa célula, o Universo irá apoiar essa viagem pois está a servir o Todo também.

Se a viagem serve apenas caprichos do ego e se descentra perante a concorrência, a necessidade de ser melhor do que..., em apenas ter notas altas, prémios ou apoiar-se na sorte, muitos serão os trambolhões e recomeços..
Quem já encontrou a fórmula certa sente o quanto benditos são os trambolhões e recomeços pois foram eles que nos levaram ao verdadeiro e essencial ponto de partida. 
Quem ainda não conhece estará algures num qualquer trambolhão cósmico desencontrado do seu poder interior.

Abençoemos então os nossos trambolhões!

Vera Luz


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Só o Homem Sabe que é Mortal




A única certeza da vida é a morte.
E é a certeza em que menos se acredita.
Toda a história do mundo assentou sempre na ignorância de que se é mortal.
Aqueles mesmo que o sabem não o vêem — a não ser em instantes de excepção.
Que seria o mundo com essa evidência sempre presente?
Só o homem sabe que é mortal.
Mas raramente o homem sobe até si.
O animal pesa nele, mesmo no que não é do animal.
Assim a arte, a cultura, poucas vezes funcionam como o que é para o espírito, sendo para o que é da nossa grosseria.

Vergílio Ferreira
in, Conta-Corrente 2


G.I. GURDJIEFF




Trechos de livros com ensinamentos preciosos de 
George Ivanovich Gurdjief:


“Sem o auto-conhecimento, sem entender o funcionamento e as funções da sua máquina, o homem não pode ser livre, ele não pode governar a si mesmo e sempre continuará a ser um escravo.”

“A fé consciente é liberdade. Fé emocional é escravidão. A fé mecânica é loucura.”

Pratique primeiramente o amor com animais; eles reagem melhor e com mais sensibilidade. ”

“É muito difícil também de sacrificar o próprio sofrimento. Um homem vai renunciar a quaisquer prazeres que gosta, mas ele não vai desistir de seu sofrimento.”

“Acordar só é possível para aqueles que a procuram e querem, para aqueles que estão prontos para lutar consigo mesmos e trabalhar em si mesmos por um tempo muito longo e muito persistente, a fim de alcançá-lo.”

“Peço-lhe para não acreditar em nada que não pode verificar por si mesmo.”

“Conhecer significa saber tudo. Não saber tudo significa não saber. A fim de saber tudo, só é necessário saber um pouco. Mas, a fim de conhecer esta pequena parte, primeiro é necessário conhecer muito bem. ”

“Duas coisas na vida são infinitas; a estupidez do homem e a misericórdia de Deus “.

“Há uma lei cósmica que diz que cada satisfação deve ser paga com uma insatisfação.”

“O homem não tem “I” individual. Mas há, em vez disso, centenas e milhares de pequenos separados “i” , muitas vezes totalmente desconhecidos um dos outros, nunca entrando em contacto, ou, pelo contrário, hostis entre si, mutuamente excludentes e incompatíveis. Cada minuto, cada momento, o homem está a dizer ou pensar com um “i”. E cada vez que seu “i” é diferente. Agora era um pensamento, agora é um desejo, agora uma sensação, agora um outro pensamento, e assim por diante, indefinidamente. O homem é uma pluralidade. Nome do homem é legião “.

“Vou dizer-lhe uma coisa que vai torná-lo rico para a vida. Há duas lutas: uma luta interna do mundo e uma luta do mundo exterior … você deve fazer um contacto intencional entre esses dois mundos; então você pode cristalizar dados para o Terceiro Mundo, o mundo da alma. ”

“O objectivo comum é mais forte que o sangue”.

“Se você quer perder a sua fé, faça amizade com um padre.”

“A maior história não contada é a evolução de Deus.”

“O único tipo de relações sexuais possíveis são aquelas com alguém  tão avançado e capaz como a si mesmo.”

“Apenas os super-esforços contam”

“Enquanto as nossas ideias são as mesmas, nunca iremos nos separar.”

“Melhor morrer do que viver no sono.”

“Amor sem conhecimento é demoníaco.”

“O homem deve usar o que ele tem, e não esperar o que não é.”

“O que é possível ao homem indivíduo é impossível para as massas.”

“Lembre-se de vir aqui depois de já ter compreendido que a necessidade de lutar contra si mesmo é só com você. Por isso agradeça a todos que lhe dão a oportunidade. ”

“É o maior erro pensar que o homem é sempre uma e a mesma coisa. Um homem nunca é a mesma por muito tempo. Ele está em constante mudança. Raramente permanece a mesma, mesmo durante meia hora.”

“O conhecimento pode ser adquirido por um estudo adequado e completo, não importa o que o ponto de partida é. Só é preciso saber como a ‘aprender’. O que é o mais próximo de nós é o homem; e você é o mais próximo de todos os homens para si mesmo. Comece com o estudo de si mesmo; lembre-se do ditado “Conhece a ti mesmo.”

“Libertação conduz à libertação. Estas são as primeiras palavras de verdade – não a verdade entre aspas, mas a verdade no real sentido da palavra; verdade que não é meramente teórica, não simplesmente uma palavra, mas a verdade que pode ser realizada na prática. O significado por trás dessas palavras pode ser explicado da seguinte forma: por libertação significa a libertação, que é o objectivo de todas as escolas, todas as religiões, em todos os momentos. Esta libertação pode realmente ser muito grande. Todos os homens a desejam e se esforçam depois. Mas não pode ser alcançada sem primeiro a libertação, uma libertação menor. A grande libertação é a libertação de influências externas em nós. A menor libertação é a libertação de influências dentro de nós. ”

“A fim de despertar, em primeiro lugar é preciso perceber que se está num estado de sono. E, a fim de perceber que de facto, se está num estado de sono, deve-se reconhecer e entender completamente a natureza das forças que operam para o manter no estado de sono ou hipnose. É absurdo pensar que isso pode ser feito através da busca de informações da própria fonte que induz a hipnose.
…. Só uma coisa é certa, a escravidão do homem cresce e aumenta. O homem está se tornando um escravo voluntário. Ele não precisa de mais cadeias. Ele começa a crescer Amante de sua escravidão, para ter orgulho disso. E esta é a coisa mais terrível que pode acontecer a um homem. ”

“A vida só é real, então, quando” eu sou “.”

“A carne é necessária quando há trabalho físico duro a ser feito, ou num clima muito frio, ou quando as plantas comestíveis não podem ser encontradas … carne animal fornece todas as substâncias que precisamos, tanto para o trabalho intensivo de nosso organismo e para a manutenção de uma temperatura normal em climas frios “.

“Um ser honesto, que se comporta absurdamente bem, não tem hipótese  de se tornar famoso, ou até mesmo de ser notado, no entanto sensível e delicado ele pode ser. ”

“Com espinhos no mundo interior, sempre haverá rosas no mundo exterior, fruto da lei de compensação.”

“Vamos pegar algum acontecimento na vida da humanidade. Por exemplo, a guerra. Há uma guerra a acontecer no momento presente. O que isso significa? Significa que vários milhões de pessoas adormecidas estão a tentar destruir vários milhões de outras pessoas a dormir. Eles não iriam fazer isso... é claro que farão, eles estão a dormir. Tudo o que acontece é devido a esse sono “.

“De tanto olhar para o seu vizinho e perceber a sua significância, e que ele vai morrer, a piedade e compaixão surgirão em você para como ele e, finalmente, você vai amá-lo.”

“Desejo é a coisa mais poderosa do mundo. Maior do que Deus. ”

“O homem encontra-se a si mesmo a monte.”

“É necessário observar a si mesmo de forma diferente do que você faz na vida comum. É necessário ter uma atitude diferente, não a atitude que você teve até agora. Você sabe onde as suas atitudes habituais levaram você até agora. Não há sentido em continuar como antes. ”

“A civilização moderna é baseada na violência, escravidão e belas palavras.”



83 CONSELHOS DE GURDJIEFF à sua filha





Os 83 mandamentos ou conselhos, são encontrados na obra de Alejandro Jodorowsky, intitulado “El Maestro y Las Magas” no Capítulo 9 (O trabalho sobre a essência).
É um romance em que o autor supostamente encontra a filha de Gurdjieff, e lhe entrega os seus 83 conselhos.
Os conselhos contêm parte do legado que Gurdjieff nos apresentou, na visão de Jodorowsky.

Não conhecia Gurdjieff, e fui pesquisar:

George Ivanovich Gurdjieff  foi um místico e mestre espiritual arménio. 
Ensinou a filosofia do autoconhecimento profundo, através da lembrança de si, transmitindo aos seus alunos, primeiro em São Petersburgo, depois em Paris, o que aprendera nas suas viagens pela Rússia, Afeganistão e outros países.

Descobri uma serie de livros, os quais estou a começar a ler agora, que descrevem bem o trabalho de George Ivanovich Gurdjieff,  chamado "Sobre tudo e todas as coisas". 
Em inglês "All and Everything".
São 10 livros em 3 séries.
PRIMEIRA SÉRIE: Três livros sob o título de “Uma Crítica Objectivamente Imparcial da Vida do Homem,” ou, “Relatos de Belzebu a Seu Neto.”
SEGUNDA SÉRIE: Três livros sob o título comum de “Encontros com Homens Notáveis.”
TERCEIRA SÉRIE: Quatro livros sob o título comum de “A Vida Só É Real Quando ‘Eu Sou”

Todos foram escritos de acordo com princípios totalmente novos de raciocínio lógico dirigidos especificamente à solução dos três problemas centrais a seguir:
PRIMEIRA SÉRIE: Destruir, impiedosamente, sem qualquer compromisso de qualquer ordem, na mente e no sentimento do leitor, as crenças e visões, enraizadas por séculos nele, sobre todas as coisas existentes no mundo.
SEGUNDA SÉRIE: Familiarizar o leitor com o material necessário para uma nova criação e provar a sua solidez e boa qualidade.
TERCEIRA SÉRIE: Ajudar o despertar, na mente e no sentimento do leitor, de uma verdadeira e não fantástica representação, não do mundo ilusório que ele agora percebe, mas sim, do mundo que na realidade existe.


Aqui ficam os 83 conselhos:

1. Fixa a tua atenção em ti mesma, sê consciente em cada instante do que pensas, sentes, desejas e fazes.
2. Termina sempre o que começaste.
3. Faz o que estiveres a fazer o melhor possível.
4. Não te prendas a nada que com o tempo venha a te destruir.
5. Desenvolve a tua generosidade sem testemunhas.
6. Trata cada pessoa como um parente próximo.
7. Arruma o que desarrumaste.
8. Aprende a receber, agradece cada dom.
9. Para de te autodefinir.
10. Não mintas, nem roubes, pois estarás a mentir e a roubar a ti mesma.
11. Ajuda o teu próximo sem torná-lo dependente.
12. Não desejes que te imitem.
13. Faz planos de trabalho e cumpre-os.
14. Não ocupes demasiado espaço.
15. Não faças ruídos nem gestos desnecessários.
16. Se não tens fé, finge tê-la.
17. Não te deixes impressionar por personalidades fortes.
18. Não te apropries de nada nem de ninguém.
19. Reparte equitativamente.
20. Não seduzas.
21. Come e dorme o estritamente necessário.
22. Não fales dos teus problemas pessoais.
23. Não emitas juízos nem críticas quando desconheceres a maior parte dos factos.
24. Não estabeleças amizades inúteis.
25. Não sigas modas.
26. Não te vendas.
27. Respeita os contratos que firmaste.
28. Sê pontual.
29. Não invejes os bens ou sucesso do próximo.
30. Fala só o necessário.
31. Não penses nos benefícios que advirão da tua obra.
32. Nunca faças ameaças.
33. Realiza as tuas promessas.
34. Coloca-te no lugar do outro numa discussão.
35. Admite que alguém te supere.
36. Não elimines, mas transforma.
37. Vence os teus medos, cada um deles é um desejo camuflado.
38. Ajuda o outro a se ajudar a si mesmo.
39. Vence as tuas antipatias e aproxima-te de quem queres rejeitar.
40. Não reajas ao que digam de bom ou de mau sobre ti.
41. Transforma o teu orgulho em dignidade.
42. Transforma a tua cólera em criatividade.
43. Transforma a tua avareza em respeito pela beleza.
44. Transforma a tua inveja em admiração pelos valores alheios.
45. Transforma o teu ódio em caridade.
46. Não te vanglories nem te insultes.
47. Trata o que não te pertence como se te pertencesse.
48. Não te queixes.
49. Desenvolve a tua imaginação.
50. Não dês ordens só pelo prazer de ser obedecida.
51. Paga pelos serviços que te prestam.
52. Não faças propaganda das tuas obras ou ideias.
53. Não trates de despertar, nos outros em relação a ti, emoções como piedade,
admiração, simpatia e cumplicidade.
54. Não chames a atenção pela tua aparência.
55. Nunca contradigas, cala-te.
56. Não contraias dívidas, compra e paga em seguida.
57. Se ofenderes alguém, pede desculpas.
58. Se ofendeste publicamente, desculpa-te igualmente em público.
59. Se te dás conta de que te equivocaste, não insistas por orgulho no erro e desiste imediatamente dos teus propósitos.
60. Não defendas as tuas antigas ideias só porque tu as enunciaste.
61. Não conserves objectos inúteis.
62. Não te enfeites com as ideias alheias.
63. Não tires fotos com personagens famosas.
64. Não prestes contas a ninguém, sê a tua própria juíza.
65. Nunca te definas pelo que possuis.
66. Nunca fales de ti sem te conceder a possibilidade de mudança.
67. Aceita que nada é teu.
68. Quando pedirem a tua opinião sobre alguém, fala somente das suas qualidades.
69. Quando adoeceres, em vez de odiar esse mal, considera-o teu mestre.
70. Não olhes com dissimulação, olha fixamente.
71. Não te esqueças dos teus mortos, mas limita-os a um espaço que não lhes permita invadir toda a tua vida.
72. Em tua moradia, reserva sempre um lugar ao sagrado.
73. Quando realizares um serviço, não ressaltes os teus esforços.
74. Se decidires trabalhar para alguém, trata de fazê-lo com prazer.
75. Se estás em dúvida entre fazer ou não fazer algo, arrisca-te e faz.
76. Não queiras ser tudo para o teu cônjuge; aceita que ele procure noutras pessoas o que não lhe podes dar.
77. Quando alguém tenha seu público, não tentes contradizê-lo e roubar-lhe a audiência.
78. Vive dos teus próprios ganhos.
79. Não te vanglories de aventuras amorosas.
80. Não exaltes as tuas debilidades.
81. Não visites alguém só para preencheres o teu tempo.
82. Obtém para repartir.
83. Se estás a meditar e um diabo se aproxima, convida-o a meditar também...


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gostei




Gostei de saber que não estamos sós
gostei de sonhar
gostei que não dissesses o segredo
gostei de saber que ainda existes
que algures respiras o mesmo ar que eu respiro
gostei ter esquecido o teu nome
mas ter ainda o teu perfume na memória
gostei de saber que ainda há o jardim
e o banco e o lago
e que os peixes ainda lá estão

Gostei
gostei muito de saber que estás bem
e bem esquecido
no cotão do passado que não volta


Henrique Risques Pereira



O Mito de Narciso




Retomaríamos aqui, ainda que de outra forma, o mito de Narciso.
A tragédia que o mito de Narciso descreve não diz respeito apenas à incapacidade de amar, ou ao amor voltado para si mesmo e que exclui o outro, mas também nos remete para a impossibilidade de alguns sujeitos terem uma vida própria, na medida em que submergem no desejo ou na dificuldade de quem cuidou deles nos momentos iniciais.
É que a mãe de Narciso, por temer que a beleza dele pudesse ofender os deuses ignora e interdita nele o que ele tem de mais particular: a sua beleza.
Narciso, por sua vez, submetendo-se ao temor materno, fica cego em relação à sua própria beleza, desconhecendo o que há de mais singular em si próprio.

Carlos Amaral Dias 
in,O Obscuro Fio do Desejo


O Psicopata Virtual




Ressentir-se por que não recebeu uma curtida é carência demasiada que tem levado ao surgimento de uma nova modalidade de psicopata: o serial killer de perfis, o hitman virtual, também conhecido como o deletador cibernético.
Ah, "a vaidade é o meu pecado predileto"...

Ela, a vaidade, é implacável, é inclemente e absoluta, invade todos os espaços por onde trafega e navega audaciosamente a carência.

Quantos mortos e vítimas desta sanha assassina, desta fissura descontrolada do eu, eu, eu.

Esta nova modalidade de psicopata ou sociopata virtual é tão terrível que abunda como erva daninha e sua sofreguidão e violência proclama apenas o culto macabro ao eu, eu, eu.

E lá no fundo, a cada crime, a fissura aumenta e a desventura prossegue até que a própria vida extinta tenha a morte a apertar a tecla delete.


Fernando Augusto


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Teria gostado de te levar comigo outra vez



A claridade estava a crescer
numa cama que já se tinha atravessado no escuro
como uma nave enfileirando para a guerra.

Eu não tinha ficado para conhecer a vista
das tuas janelas: imaginava um pátio riscado por ervas
mas não cheguei a levantar as persianas.
Talvez fosse um sítio ao qual não se pudesse regressar
porque quando falávamos os nossos olhos
não coincidiam com nenhuma palavra.

Teria gostado de te levar comigo outra vez
mas era difícil recuperar as razões
para o desejo. E no caso de nos ter acontecido
uma mudança, onde é que havíamos de procurar
os seus indícios? Estavas a dar de comer aos peixes
e eu só falava em livros.

Rui Pires Cabral


A nossa Sombra



A sombra é o lado da sua personalidade que você não quer que os outros vejam.
Representa as suas deficiências, as suas falhas, as suas motivações egoístas.
A maioria de nós evita isso antes que qualquer um possa ver.
Mas há uma coisa: a sua parte sombria tem muito para lhe ensinar sobre o seu propósito, ela mostra-lhe onde você mais precisa crescer.
Mais importante ainda, mostra com quem você mais precisa aprender.
Mas a maioria das pessoas ignora o seu lado sombrio.
Em vez disso, buscam relacionamentos confortáveis que reforcem as imagens gastas e obsoletas de si mesmo.

~ Shelley Prevost



Voltar à Matriz





Dada a influência determinante da minha mãe em mim, sou uma pessoa marcada pelo signo materno.
Tenho um apreço muito especial pela maternidade.
Só que à mulher não compete apenas uma maternidade de tipo fisiológico.
Cabe-lhe ultrapassar este aspecto na medida em que pode conquistar uma sabedoria de tipo maternal para intervir no mundo e orientá-lo.
Um mundo onde só o homem tem a palavra, palavra essa que é a origem de tantos desmandos, guerras, conflitos e soluções precárias de carácter económico e social.
Estruturalmente, a mulher é avessa, alérgica à ideia de guerra e de conflito.
A sua própria experiência maternal a predispusesse contra a guerra.
Dá vida mas não gosta de contribuir para a sua destruição.
É por uma actuação pacífica.
Este é um dos pontos fulcrais.
É necessário que a sua emancipação obedeça desde já a uma orientação intelectual no sentido da pacificação do mundo.

Natália Correia


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dying to be me! Anita Moorjani at TEDxBayArea



Few people have been to edge of death and come bounced back to full recovery - especially those with cancer. Anita Moorjani has though, and this week she’s telling her story on London Real. After fighting cancer for four years, it looked like Anita was about to succumb to the disease. Slipping into a coma on February 2nd 2006, doctors informed her husband that this was the end but, in this case, it definitely was not.

With fascinating descriptions of her own near death experience, sensations of meaning and a straight notion of how to return to the land of the living, Anita set herself to recover. Today she’s a New York Times bestselling author, a fellow TEDx speaker and ambassador to the possibility that there’s more to this life but you must choose. She’ll confound the sceptics, shock the complacent and spare some knowledge to all those willing to listen.
Ladies and gentlemen, don’t miss this.




Anita's Website: Anita's Website



  






















.......................as pessoas apaixonam-se por uma questão prática



Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. 
Porque dá jeito. 
Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. 
Porque se dão bem e não se chateiam muito. 
Porque faz sentido. 
Porque é mais barato. 
Por causa da casa. 
Por causa da cama. 
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. 

 Miguel Esteves Cardoso


..................o hábito de ter chefes




De todos os hábitos a que nos entregamos, um reina sobre todos os outros no que se refere a malefícios quanto ao mundo futuro.
É o hábito de ter chefes.
O medo das responsabilidades, o gosto de se encostar aos outros, o jeito mais fácil de não ter que decidir os caminhos fizeram que a cada instante lancemos os olhos à nossa volta em busca do sinal que nos sirva de guia.
Quando surge uma dificuldade de carácter colectivo, a primeira ideia é a de que devia surgir um homem que tomasse sobre os seus ombros o áspero martírio de ser chefe.
Pois bem: pode ser que isto tenha trazido grandes benefícios em outras crises da História; nem vale por outro lado a pena saber o que teria sido a dita História se outras se tivessem apresentado as circunstâncias.
Mas, na presente, a verdadeira salvação só virá no dia em que cada homem se convencer de que tem que ser ele o seu chefe.


Agostinho da Silva
“Obstáculos”, Só Ajustamentos  
in, Textos e Ensaios Filosóficos II
p. 144



Gosto Que Me Digam A Verdade; Eu Decido Se Ela Dói Ou Não




"Ninguém gosta de ouvir mentiras. Não gostamos das mentiras piedosas, nem de que decidam por nós o que devemos saber ou não. Se a verdade vai nos magoar, somos nós quem temos que decidir isso.

As pessoas têm a mania de ocultar coisas que fazem, dizem ou pensam porque acreditam que assim evitam fazer mal aos outros. Mas não, na verdade não há nada tão dilacerante quanto a mentira, a omissão e a hipocrisia. Com eles, nos sentimos pequenos e vulneráveis, e ao mesmo tempo, gera-se desconfiança e insegurança frente ao mundo.


Não há nada que nos rompa mais por dentro 
e que nos revolva as vísceras 
tanto quanto que decidam por nós, 
que traiam a nossa confiança, 
ou que nos assumam incapazes 
de tolerar e viver certas experiências. 


Nenhum sentimento é inválido.
Ao longo da nossa vida, sofremos e choramos por centenas de situações causadas pelos outros. Entretanto, todos esses sentimentos e emoções nunca são inúteis; pelo contrário, grande parte da nossa aprendizagem é mediada pela dor.

Do mesmo modo, sofrer nos faz compreender e conhecer a nós mesmos, entender que somos fortes e que nada dura para sempre. Dessa forma, conseguimos administrar nossas emoções.

A nossa vida é nossa. Devemos vivê-la como quisermos e não como os outros julgam que devemos viver. Decidiríamos por alguém quem ele ou ela deve amar e de que maneira? Não, isso é uma loucura. É injusto tentar decidir pelos outros.

O poder de dizer as coisas de frente.
Dizer as coisas cara a cara é ser sincero, nada mais e nada menos. As pessoas confundem isso com a falta de educação, de tacto ou de prudência.

Como a sinceridade é um termo que leva a confusões e cada um tem sua própria versão do conto, vejamos algo mais sobre ela.

Ser sincero não quer dizer que devemos falar tudo o que nos vem à cabeça, de forma brusca ou a qualquer momento. Ser sincero com critério, empatia e ética não significa maquilhar a realidade, mas adequar a sua comunicação ao momento e à pessoa.

A sinceridade faz com que encontremos companheiros, gente leal, íntegra. Ou seja, boa gente. Como é óbvio, muitas vezes a intenção não é má, mas devemos saber que ao não dizer a verdade, estamos a faltar ao respeito com a pessoa “afectada”.


Não podemos tomar decisões pelos outros 
porque é assim que causaremos um verdadeiro dano. 
Um dano que é irreversível 
e que quebra as leis de toda a relação sólida e equilibrada. 


De facto, ao mentir a alguém privamos a pessoa da oportunidade de dirigir a sua dor e aprender a lição que ela tem que aprender. Por isso, é algo tremendamente injusto e abusivo.


A sinceridade dói naquelas pessoas que vivem num mundo de mentira.
A sinceridade nunca dói, o que dói são as realidades. Ser sincero sempre é um grande gesto, apesar de tudo e de quem for. Entretanto, pode acontecer de alguém preferir viver num mundo de fantasia, sem querer ver a realidade. Nesse caso, tudo é respeitável.

Entretanto, o mal de mentir ou de ocultar a verdade é que a partir daí ficam em dúvida mil verdades que quebram a confiança, a segurança e os sentimentos de amor mais potentes.

Em resumo, a verdade constrói e a mentira destrói. Cada um de nós está capacitado para assumir a realidade do que nos corresponde e, portanto, de resolver os possíveis danos que possamos sofrer.

Não podemos viver a esperar que a vida seja um caminho de rosas, nem para nós, nem para os outros. Assim, sempre que nos corresponda, deveríamos optar por sermos sinceros e não privar as pessoas da oportunidade de crescer superando as adversidades ou desconfortos de sua própria existência.

Lembremos que proteger alguém de um dano, com a possibilidade de causar outro ainda pior, não faz sentido."



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MÃOS



Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender

Sophia de Mello Breyner Andresen



A Esquerda e a Direita




Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio de se ser político, estão sempre a afirmar que são de esquerda, não vá a gente esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso.
Mas dito isso, não é preciso ter de explicar de que sítio são os actos que a necessidade política os vai obrigando a praticar.
Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso.
O que importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que dá a realidade às coisas.
E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser de esquerda ou de direita?
Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio político funciona à mesma com os cheques sem cobertura. E ninguém tira a limpo esse abuso de confiança, para as cadeias existirem.
Mas o homem é um ser fictício em todo o seu ser.
E é precisa a morte para ele enfim ser verdadeiro.

Vergílio Ferreira
in, Pensar


HAARP e a Manipulação do Clima


Instalações do HAARP em Gakona, Alasca



Já aqui tinha falado sobre o Programa HAARP aqui
Mas hoje, vi o vídeo deste post e fui procurar mais informação.

Funcionário da Força Aérea dos EUA solta uma “bomba”:
Ele ADMITIU publicamente numa entrevista, durante uma audiência pública, que os EUA podem controlar o clima, citando o uso do Programa HAARP.

Durante muito tempo, aqueles que defendiam a existência do secreto programa HAARP foram taxados de teóricos da conspiração e chamados de irresponsáveis, e agora, como é que fica a situação da imprensa “normal” que nunca sequer tocou seriamente no assunto?

Funcionário da Força Aérea dos EUA solta uma “bomba”:
David Walker, um vice-secretário-assistente da United States Air Force – USAF for Science, Technology and Engineering (USAF-Força Aérea dos EUA) admitiu a existência do Programa.

Embora O PROJECTO HAARP e o controle do tempo sejam chamados há muito tempo de teoria da conspiração pelos principais meios de comunicação e autoridades do governo dos EUA, agora, durante uma audiência no Senado na quarta-feira, dia 14 de Maio de 2014, o funcionário Dr David Walker, um vice-secretário-assistente da United States Air Force – USAF for Science, Technology and Engineering (USAF-Força Aérea dos EUA) admitiu a existência do Programa.

Ele soltou esta bomba em resposta a uma pergunta directa feita por Lisa Murkowski em relação ao desmantelamento do Programa de US$ 300 bilhões de dólares, o HAARP – High Frequency Active Auroral Research Program, em Gakona no Alaska, em 2014.

Walker simplesmente disse que esta “não é mais uma área que teremos necessidade dela, no futuro” e que não seria uma boa opção usar os fundos de pesquisa da USAF for Science, Technology and Engineering para manter o HAARP a funcionar em Gakona, Alasca.
“Estamos a mover-nos para outras formas de manipulação da alta ionosfera, aquilo que o HAARP foi realmente concebido para fazer”, disse ele.

“Direccionar e injectar energia na camada da alta ionosfera, já temos esta capacidade de realmente controlar isto. Este trabalho já foi concluído. ”
Muitos acreditam que o HAARP foi criado e tem sido usado para controlar o CLIMA GLOBAL, com potência suficiente para desencadear furacões, ciclones, tornados, chuvas torrenciais e terremotos, e comentários como este feito por Walker, um funcionário da USAF, traz à tona a questão de se saber se os teóricos da conspiração acertaram mais no alvo do que ninguém mais quer admitir, como a “imprensa convencional”.




Esta não é a primeira vez que um funcionário público reconhece que o programa HAARP existe e que o controle do clima não é apenas possível, mas que tem sido usado e continua a ser utilizado como uma “super arma”, como evidenciado por uma declaração feita ainda em 1997 pelo ex-secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, quando ele declarou:

“Outros terroristas estão envolvidos, até num tipo ecológico de terrorismo, através do qual possam alterar o clima, provocar terremotos, activar vulcões remotamente através do uso de ondas electromagnéticas … Então há uma abundância de mentes engenhosas que estão lá fora a trabalhar para encontrar formas para que eles possam causar terror e pânico às nações …
É real, e isso é a razão pela qual temos de intensificar os nossos esforços de contraterrorismo”

Ainda parece ser para alguns, apenas mais uma teoria da conspiração, mas e agora?
Se altos funcionários públicos já admitiram que o Programa HAARP é um facto, é uma verdade?

Assistam às perguntas e respostas no vídeo:

Senator Murkowski asks questions about the impending dismantling of the HAARP facility in Alaska.
Basically the defense related research has been done, they are moving on to other ways of managing the problems the ionosphere poses for radio communication, and nobody wants to pay the $5 Million a year to keep it running for academic research.


                           



Ben Livingston é um ex-físico da Marinha e especialista em modificação do clima, que informou o Presidente Lyndon B. Johnson sobre a eficácia da manipulação climática na década de 1960 durante a era do Vietname, quando estava envolvido em programas de semear nuvens que serviam para retardar o avanço das tropas Vietnamitas e Coreanas.

Livingston afirma que a manipulação de furacões foi uma prioridade nacional do governo Americano há mais de 40 anos e que a tecnologia era totalmente operacional para controlar o clima na época.

Nesta entrevista exclusiva, Livingston explica como é que durante décadas o governo dos EUA tem tido o poder de diminuir e aumentar a gravidade de condições meteorológicas adversas para o seu próprio propósito.

Em 1966 Dr. Livingston foi destacado do Laboratório de Pesquisa de Armas Naval para um pelotão de combate da marinha no Vietname. Em vez de armas, a aeronave sob o controle de Livingston foi equipada com equipamentos para semear nuvens.
“A minha missão era encontrar nuvens e semeá-las para o valor máximo de precipitação”, afirmou.

Dr. Livingston apresenta evidências do Instituto de Pesquisa de Stanford, que foram usadas no Projecto Stormfury (um programa de controlo de tempo) no final dos anos sessenta como um terceiro, que declarou de forma conclusiva que o conhecimento de como parar furacões tinha sido revelado e que eles iriam ser directamente responsáveis caso um furacão atingisse e causasse grandes danos e perdas de vida.

Quatro décadas depois  Livingston expõe como a devastação causada pelo furacão Katrina poderia ter sido minimizada, tendo sido permitido a colidir totalmente os estados do Golfo por razões políticas.

Tendo voado pessoalmente em 265 missões nos olhos dos furacões, Livingston observa que estava “enojado” pela incapacidade de diminuir o impacto do Katrina.

As revelações de Livingston que o controlo de clima tem sido um programa longo em que o governo dos EUA tem estado profundamente envolvido são particularmente alarmantes, dada a abundante evidência moderna de como os chemtrails estão a ser usados ​​para deformar o nosso meio ambiente numa conspiração de geoengenharia secreta que ameaça inúmeros problemas de saúde desconhecidos e consequências ecológicas.


domingo, 24 de janeiro de 2016

Os amigos





Os amigos
Esses estranhos que nós amamos 
e nos amam 
olhamos para eles e são sempre 
adolescentes, assustados e sós 
sem nenhum sentido prático 
sem grande noção da ameaça ou da renúncia 
que sobre a luz incide 
descuidados e intensos no seu exagero 
de temporalidade pura 
Um dia acordamos tristes da sua tristeza 
pois o fortuito significado dos campos 
explica por outras palavras 
aquilo que tornava os olhos incomparáveis 
Mas a impressão maior é a da alegria 
de uma maneira que nem se consegue 
e por isso ténue, misteriosa: 
talvez seja assim todo o amor.


José Tolentino Mendonça


.....................dizer adeus, para nos encontrarmos brevemente




Este corpo não sou eu, 
Eu não sou limitado por este corpo. 
Eu sou vida sem limites. 
Eu nunca nasci e eu nunca morri. 
Desde antes dos tempos, eu fui livre. 
Nascimento e morte são apenas portas, 
através das quais passamos limiares sagrados na nossa jornada. 
Nascimento e morte são o jogo do esconder e encontrar. 
Então, ri comigo, segura a minha mão, 
deixa-nos dizer adeus, dizer adeus, 
para nos encontrarmos brevemente. 
Reunimo-nos hoje, reunir-nos-emos novamente amanhã. 
Reunir-nos-emos na Fonte a cada momento. 
Encontrar-nos-emos em todas as formas de vida.


~ Thich Nhat Hanh


BERT HELLINGER: SENTIMENTOS




Sentimentos primários e secundários: 
uma explanação de Bert Hellinger sobre a sua concepção, 
apresentando exemplos da sua aplicação a vivências específicas.



A diferença principal entre sentimentos primários e secundários é que o primeiros estimulam a acção construtiva, enquanto que os secundários consomem a energia que, de outro modo, iria estimular mudanças. Sentimentos que geram acção efectiva fortalecem as pessoas. Os que embaraçam ou substituem a acção efectiva, ou ainda que justificam a omissão, enfraquecem-nas. Chamo, pois, os sentimentos que geram acção construtiva de sentimentos primários, e os outros de sentimentos secundários.

Os sentimentos primários são simples e não exigem descrição minuciosa. São fortes sem ser dramáticos ou exagerados. Por isso, embora excitantes e vívidos, trazem uma sensação de segurança e calma. (…)

Muitos sentimentos com que lidamos em terapia são secundários. Sua função principal consiste em convencer os outros de que não podemos encetar acção efectiva, razão pela qual têm de ser sentimentos dramáticos e exagerados. Quando sob o império de sentimentos secundários, somos fracos e os demais presentes sentem a necessidade de ajudar. Se as emoções forem suficientemente dramáticas, os que pretendem ajudar não percebem que, na verdade, pouco há a fazer em tal situação.

Quando as pessoas cultivam sentimentos secundários, evitam contemplar a realidade. Esta compromete as imagens interiores necessárias para manter esses sentimentos e prevenir mudanças. Quando essas pessoas “trabalham” com terapia, frequentemente fecham os olhos e se recolhem ao seu mundo particular. Respondem por outro lado ao que lhes é perguntado, mas quase nunca percebem o que fazem. Convém lembrá-los de que devem abrir os olhos e observar o mundo. Eu costumo dizer-lhes “Olhem para cá. Olhem para mim.” Se conseguirem abrir os olhos e ver realmente, mas ainda assim continuam com o mesmo sentimento, é porque se trata de um sentimento primário. Mas se o sentimento lhes fugir logo mal abrem os olhos e começarem a ver, podem estar certos de que foram envolvidos por sentimentos secundários.


Quando sentimentos primários emergem na terapia ou na vida, os presentes demonstram naturalmente compaixão, mas sentem-se também livres para responder de maneira adequada. A pessoa que ostenta esses sentimentos mantém-se forte e capaz de agir efectivamente. Dado que eles conduzem a um objectivo definido, não duram muito tempo: surgem, executam o seu trabalho e vão embora. Não fazem rodeios. Resolvem-se graças a uma expressão apropriada e a uma acção efectiva, correcta.

Os sentimentos secundários, por sua vez, duram mais e pioram com a expressão, ao invés de melhorar. Esse é o motivo básico pelo qual as terapias que encorajam a expressão de sentimentos secundários são demoradas.

Desejo corrigir também outro conceito erróneo sobre a perda de controle, é algo eu aprendi com a Terapia Primal. Muitas pessoas supõem que curvando-se a uma necessidade ou sentimento premente, perdem o controle. Não é verdade. Quando acedemos a um sentimento primário – por exemplo, à dor elementar de uma separação, a uma cólera justa ou a um forte desejo -, e confiamos plenamente nesse sentimento, tanto esse quanto a necessidade são naturalmente controlados.

Os sentimentos primários vão até onde convém. Ninguém fará nada vergonhoso por causa de um sentimento primário, pois este sabe reconhecer os limites da vergonha. É muito raro que se zombe de uma pessoa que exibe um sentimento primário. Ao contrário, os outros em geral se comovem profundamente e participam da experiência.

Isso se aplica apenas aos sentimentos primários. Os sentimentos secundários não conhecem os mesmos limites à vergonha e é muito fácil passar por idiota expressando-os. Não se pode confiar neles.

Mas os sentimentos secundários têm o seu fascínio. São dramáticos, excitantes, dão a ilusão de vida. Todavia, o preço dessa vida é as pessoas ficarem eternamente fracas e indefesas. (…)

O luto, por exemplo, pode ser primário ou secundário. O luto primário nada mais é que a dor lancinante da separação. Se nos submetemos à dor, permitindo que ela execute o seu trabalho, o luto finalmente encontra a sua própria saciedade e nós ficamos livres para começar de novo. Muitas vezes, entretanto, as pessoas recusam a submissão ao luto, transformando-o, ao contrário, em sentimento secundário, auto-piedade ou tentativa de atrair a piedade alheia. Esse luto secundário pode durar a vida inteira, inviabilizando uma separação limpa, e negando a evidência da perda. Trata-se de um mau substituto para o luto primário.

A culpa primária conduz à acção saneadora. Se aceitamos a culpa, fazemos naturalmente o que é possível e necessário para corrigir os erros, endireitar a situação e viver com o que não pode ser mudado. A culpa secundária transforma acção em preocupação. Não promove mudanças: na verdade, previne-as. As pessoas podem remoer um bom problema durante anos, como o cão rói seu osso, mas nada muda. Atormentam-se e atormentam os outros, sem nenhuma alteração produtiva. As pessoas que precisam evitar mudanças positivas, por uma razão qualquer, devem converter a culpa primária em culpa secundária.

O desejo de vingança pode ser também primário e secundário. A vingança primária possibilita a reconciliação porque liberta tanto a vítima quanto o agressor. A vingança secundária preserva a agressão e o desequilíbrio sistémico, impedindo que se chegue a uma solução. Exemplo disso são as lutas de clãs herdadas de gerações anteriores. Os vingadores se acham no dever de cobrar prejuízos que não sofreram e seus actos se voltam quase sempre contra os que não fizeram nenhum mal.

A cólera tem formas primárias e secundárias. A cólera primária purga um relacionamento e passa sem deixar cicatrizes. A cólera secundária contra alguém frequentemente se segue a um dano que lhe infligimos, e o ofendido tem boas razões para odiar-nos. Ficando encolerizados, rebatemos seu ódio. A cólera secundária, como a culpa secundária, é muitas vezes um pretexto para não agir. Nos relacionamentos, a cólera costuma ser utilizada para não pedir o que se quer, como: “Você nunca percebeu que eu necessitava de alguma coisa.” (…)

Quando o sofrimento é primário, os clientes suportam o que tem de ser suportado para, em seguida, juntar os pedaços de suas vidas e começar de novo.
Quando o sofrimento é secundário, iniciam outra rodada de dores. Queixar -se de algo não passa, geralmente, de uma distorção secundária da aceitação da realidade.

A diferença entre o que fortalece e o que enfraquece aplica-se também a várias outras áreas, como o conhecimento e a informação. Podemos perguntar-nos:
“Esse conhecimento facilita uma solução ou a impede?
Essa informação estimula a acção ou a embaraça?
O que está a acontecer fortalece ou enfraquece as pessoas, impulsiona ou anula a acção efectiva em prol de mudanças?”

Estou menos interessado em ajudar pessoas a “pôr para fora os seus sentimentos” do que em promover mudanças construtivas.
Extravasar sentimentos às vezes é bom, mas frequentemente obstrui a mudança.



Bert Hellinger 
In, A Simetria Oculta do Amor