sexta-feira, 31 de julho de 2015

Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar



Querida.
Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar.
E então pensei: vou-te escrever.
Mas não te quero amar no tempo em que te lembro.
Quero-te amar antes, muito antes.
É quando o que é grande acontece.
E não me digas diz lá porquê.
Não sei.
O que é grande acontece no eterno e o amor é assim, devias saber.
Ama-se como se tem uma iluminação, deves ter ouvido.
Ou se bate forte com a cabeça.
Pelo menos comigo foi assim.
Ou como quando se dá uma conjunção de astros no infinito, deve vir nos livros.
Ou mais provavelmente esse tempo nunca pôde existir,
que é quando realmente existe o que vale a pena existir.

Vergílio Ferreira
in, Em nome da Terra

.................espírito colectivo



"Como ser humano eu reconheço que o meu bem-estar depende dos outros e cuidar do bem-estar dos outros é uma responsabilidade moral que eu levo a sério.
É irrealista pensar que o futuro da humanidade pode ser alcançado com base só em oração ou bons desejos; o que precisamos é de agir.
Portanto, o meu primeiro compromisso é contribuir para a felicidade humana da melhor forma possível."

 ~ Dalai-Lama

Feiticeiras




Muitas vezes as pessoas perguntam-me: 
"Como é que você sabe que é uma feiticeira?" 
E fazem-no de uma forma um pouco nervosa devido à sombra que dão à palavra.


Devemos essa sombra ao patriarcado - as regras da sociedade masculina que tem permeado o planeta há mais de cinco mil anos. Não do sexo masculino mas de uma perversão da energia masculina que brutalizou, violou e suprimiu o feminino.

A caça às bruxas de Salem e da Europa levou a uma mentalidade histérica contra as mulheres, contra o feminino. Matou mulheres sábias, as curandeiras naturais; todas as mulheres com terras que eles queriam ou aquelas que não estavam dentro do status quo da sociedade, que se recusavam a obedecer às regras cristãs e patriarcais. Basicamente, com medo do poder do feminino, as mulheres, a terra e as suas criaturas, foram abatidas sob pretextos falsos e histéricos.

É crucial que recuperemos a beleza, o poder e a herança da palavra "feiticeira".

As feiticeiras amam a terra e adoram a natureza. A verdade é que elas são tão belas como a própria natureza e não fazem qualquer mal, pelo contrario. Elas vivem pela compreensão Karmica de que tudo o que fazemos retorna a nós. Quanto mais nós matamos a Terra, mais nos destruímos.

Fomos ensinados a temer a nós próprios bem como à natureza. As feiticeiras, no entanto, saboreiam a sua natureza selvagem e alinham-se com os ciclos da terra e as fases da Lua. Para muitas mulheres, recuperar a palavra feiticeira é recuperar a si mesmo e à sua relação com a Grande Mãe.

Então, e porque quero recuperar e voltar a honrar o belo e grande sentido da palavra "feiticeira", a resposta que eu dou, quando alguém me pergunta se o sou, é sim.

Se você acha que é uma feiticeira, é porque o é, o que significa que é uma Deusa, uma Curadora, Shaman, Mulher Sábia, o Sagrado Feminino.

A feiticeira é uma mulher da Terra, com poderes naturais de cura, transformação, nascimento e renascimento. Ela é sábia. Dentro dela existe um caldeirão borbulhante de sabedoria natural e de cura.

As pessoas chegam-se para se sentar com o seu fogo e discutir a vida e toda a sua fúria, dor, amor e decepções e ela deixa-os com esperança nos seus corações, e, talvez, uma tintura, uma poção, um remédio herbal pois está sempre familiarizada com as propriedades das plantas e as potencialidades curativas da Terra. Precisam do campo e do mar, é onde se sentem em casa pois são estreitamente interligadas com a natureza. Têm uma natureza animal, selvagem. Elas são movidas pela energia da Lua, falam com ela e estão alinhadas com as suas fases. São poderosas e devem ser cautelosas no uso do seu próprio poder. São tão antigas como o tempo; os seus olhos - as janelas para a sua alma - guardam histórias antigas e segredos, mitos e mistérios, respostas e possibilidades. Provavelmente já falavam verdades e sabedoria antiga quando eram crianças, antes de se esquecerem da sua magia.

Sentem-se atraídas para a cura. Buscam remédios naturais e/ou energéticos para si e recomendam-no sempre aos outros. As feiticeiras estão sintonizadas com a Terra, são curandeiras naturais.

Geralmente, têm lembranças de vidas passadas dolorosas ou imagens de serem queimadas vivas, torturadas ou afogadas, apenas por serem selvagens, sábias e livres. Elas estão cheias de cicatrizes por serem diferentes, por não se conformarem, por amarem quem queriam amar, por falarem a verdade, por dizerem o que tinham para dizer. Este é o karma que elas estão a despertar em si para curar. É tempo de não ter medo e ser o melhor que você é. E é assim que vão curar o seu karma, não tendo mais medo de viver a sua expressão mais plena. É a sua vez.

Elas não se encaixam nas normas da sociedade, sabem que há algo sagrado, secreto, especial nelas - uma magia que apenas algumas pessoas conseguem ver. Não se dão bem em grandes multidões; são um pouco mais lobos solitários sensíveis mas poderosas; precisam de muito tempo a sós para recarregar, pensar, sonhar, sentir e comungar com o Universo e com a Terra. Amam pedras belas - pedaços de energia da terra - quartzos, turquesas, ametistas -, conhecem as propriedades das pedras e dos cristais e carregam-nas com cura, amor, abundância e benefícios de proteção. Também gostam de ter velas acesas e criar um ambiente mais mágico, uma vibração divina. Elas acreditam em magia como uma criança, vêm magia no ar e na vida, apesar do resto do mundo não acreditar. Têm premonições, como se tivessem uma bola de cristal interna, têm sonhos e visões de vidas passadas e do futuro. Conseguem ler as outras pessoas e a sua energia.

Chegou o tempo de curar os seus karmas, reclamar o seu poder, a sua sabedoria e beleza - a Terra precisa das feiticeiras, e nós, é claro, precisamos da Terra."


Sarah Durhant Wilson

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fibonacci Spiral



When looking at a nautilus shell, one doesn't see the geometry of the Phi ratio explicitly mapped out on the shell, only the result of the underlying geometric structure is apparent: a Fibonacci spiral that contracts towards and expands from singularity.

In a similar way, one does not "see" the underlying geometric lattice of the structure of the vacuum of spacetime. What we observe is the result of that geometry: the organization of matter and flow of energy at all scales adhering to a foundational infinite scalar tetrahedral array...


Nassim Haramein




The torus as a flow process



The torus as a flow process exhibits a set of characteristis that 
evolution biologist, Elisabet Sahtouris
has identified as 
features and principles of healthy living systems.


Through her study of living systems (ecosystems, for example), she has observed that when these features are present, the system is balanced and whole.
When these features become compromised or absent, the system goes out of balance and becomes dysfunctional and corrupted to the point that it will either collapse completely, transform into a new balanced state, or restore its balance again by restoring the appropriate presence and functioning of these features.

The features of healthy living systems that Sahtouris identified are:

  1. Self-creation (autopoiesis)

  2. Complexity (diversity of parts)

  3. Embeddedness in larger holons and dependence on them (holarchy)

  4. Self-reflexivity (autognosis/self-knowledge)

  5. Self-regulation/maintenance (autonomics)

  6. Response-ability to internal and external stress or other change

  7. Input/output exchange of matter/energy/information with other holons

  8. Transformation of matter/energy/information

  9. Empowerment/employment of all component parts

10. Communications among all parts

11. Coordination of parts and functions

12. Balance of Interests negotiated among parts, whole, and embedding holarchy

13. Reciprocity of parts in mutual contribution and assistance

14. Efficiency balanced by Resilience

15. Conservation of what works well

16. Creative change of what does not work well

As Sahtouris herself states on her website, these features apply “from cells to organisms, ecosystems to Earth, bodies to businesses.”

It is in understanding the unique roles and coordinated wholeness of these features and principles that we can evaluate and restore the dynamic balanced flow within all of our human-contrived systems such as economics, education, health, governance, communications, etc. Each of these, when functioning in a healthy manner, will exhibit characteristics of a torus flow process, and will naturally then interconnect and mutually empower each other in a larger toroidal system that is the synergetic wholeness of all of them combined.


Resonance, Energy and Consciousness


"All things, material and spiritual, originate from one source and are related as if they were one family. 
The past, present, and future are all contained in the life force. 
The universe emerged and developed from one source, and we evolved through the optimal process of unification and harmonization."

 Morihei Ueshiba
in, The Art of Peace


Unification and harmonization…
This is the threshold of evolution we find ourselves at now at a new level of global dynamics and complexity. We have built systems of technologies, economies, governance, education, etc, that do not properly account for the features of healthy living systems. As such, they are reaching the end of their viability and are either going to collapse or become balanced and whole at a higher level or organization and coherence. The choice we have now — perhaps the only viable option — is to align these systems with what we now understand is the way the cosmos creates healthy and sustainable systems… cosmomimicry, as David McConville, president of the Buckminster Fuller Institute, coined it.

Fundamentally, what we are operating from is the principle and tangible effects of resonance. 
The Unified Field has an infinite potential of energy and creativity.
It expresses this as physical and metaphysical phenomena — energy and consciousness — in a continuous and ever evolving flow.


The most balanced, coherent, self-generating and self-sustaining form of dynamic flow is the torus. 


By creating technologies (for example, what are called free-energy devices) and systems that mimic this flow we engender a synchronizing resonance with the cosmic patterning of life and tap into a resource of energy and creativity that is abundant beyond measure.
We can do this personally by learning how to become centered in and embody the torus flow dynamic of our own energy beings (which stabilizes and integrates our physical, mental, emotional and spiritual “bodies”).

We can do this collectively by understanding that this same dynamic extends into the balanced flow of information and resources throughout local, regional and continental societies.
And we can do this technologically by resonating with the fundamental structure of the Unified Field and setting up a harmonic flow form that taps its infinite energy potential in a clean, safe and balanced manner.

Dual Torus Structure



Spacetime doesn't just curve 
as Albert Einstein first described. 

Nassim Haramein has added Torque and Coriolis forces to Einstein's field equations.
As everything in the universe is spinning, thereby more accurately describing the dynamics of gravity and black holes as curling toward singularity like water going down the drain, not just curving from one directing forming a funnel-line structure, rather curling toward stillness in both directions, forming a dual Torus structure.

Whereas the Vector Equilibrium represents the ultimate stillness of energy, the Torus shows us how energy moves in its most balanced dynamic flow process. The important thing to understand about the torus is that it represents a process, not just a particular form.
A torus consists of a central axis with a vortex at both ends and a surrounding coherent field. Energy flows in one vortex, through the central axis, out the other vortex, and then wraps around itself to return to the first incoming vortex.

Extending this observation of the consistent presence of this flow form into the quantum realm, we can postulate that atomic structures and systems are also made of the same dynamic form.

The torus is the fundamental form of balanced energy flow found in sustainable systems at all scales. It is the primary component that enables a seamless fractal embedding of energy flow from micro-atomic to macro-galactic wherein each individual entity has its unique identity while also being connected with all else. In the words of pioneering researching Arthur Young:

“The self in a toroidal Universe 
can be both separate and 
connected with everything else.”

Our Sun has a large toroidal field surrounding it — the heliosphere — that is itself embedded inside a vastly larger toroidal field encompassing the Milky Way galaxy.
Our Earth’s magnetic field is surrounding us and is inside the Sun’s field, buffering us from the direct impact of solar electromagnetic radiation. Earth’s atmosphere and ocean dynamics are toroidal and are influenced by the surrounding magnetic field. Ecosystems, plants, animals, etc all exhibit torus flow dynamics and reside within and are directly influenced by (and directly influence) the Earth’s atmospheric and oceanic systems.
And on it goes inward into the ecosystems and organs of our bodies, the cells they’re made of, and the molecules, atoms and sub-atomic particles they’re made of…

In this way we can see that there is a seamlessly dynamic exchange of energy and information (a.k.a consciousness) occurring throughout the entire cosmic experience. It is like a “stepping down” and “stepping up” from level to level wherein the balance of energy dynamics comes into coherence appropriate to each scale. And yet there is only one whole energy flow occurring throughout the entirety of it.
This is what physicist David Bohm calls the Holomovement.

“[Bohm states] "The new form of insight can perhaps best be called Undivided Wholeness in Flowing Movement. This view implies that flow is, in some sense, prior to that of the ‘things’ that can be seen to form and dissolve in this flow" 

According to Bohm, a vivid image of this sense of analysis of the whole is afforded by vortex structures in a flowing stream. Such vortices can be relatively stable patterns within a continuous flow, but such an analysis does not imply that the flow patterns have any sharp division, or that they are literally separate and independently existent entities; rather, they are most fundamentally undivided.

Thus, according to Bohm’s view, the whole is in continuous flux, and hence is referred to as the holomovement (movement of the whole).”

in, The Holographic Universe
Michael Talbot


This insight is profound in its implications, especially when we consider that even the most fundamental energy event — a photon of light — can be seen as a toroidal fluctuation emanating from the underlying Unified Field. This suggests that, even within the non-manifest state of the Unified Field there is potentially a current flow occurring, though within a dynamic equilibrium that maintains the balanced structure of the Field until such time as enough localized spin occurs and a photon (and all else in the known universe) emerges into an observable state. (The dynamics of dark energy and dark matter may well be explained by this concept, as will be explored elsewhere.)



"The first significant challenge to mechanism came from Einstein, who claimed there were deep contradictions in the very notion of an independently existing particle. He proposed that what we normally think of as a particle is actually a temporary localized pulse emerging from a larger field, very much as a vortex temporarily forms from the dynamic flowing of a stream.
...
...a reciprocal relationship enables a qualitative relation between structure and background, in which each has the potential not only to "impact" the other, but to generate transformations in the nature of what each actually is... More broadly considered, the notion of reciprocal relation allows for nested, mutual influence even between macroscopic processes and those at the atomic level, indicating the complexity of the pathways through which the qualitative infinity of nature may manifest."


in, The Essential 
David Bohm


Another fundamental aspect of this ubiquitous flow process is what's called the Double Torus dynamic.
This is, simply put, two torus forms "stacked" together and rotating in opposite directions.
In this way, energy flows either inward or outward at both poles of a system, rather than in one pole and out the other as in a single torus system.
This double torus dynamic appears to be quite common in the cosmos as well, appearing in the energy flows of trees, in the weather patterns of Earth and other planets, in solar dynamics, and even in galaxies.



quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Elefante




Uma vez, um yogi vivia numa densa floresta com seus discípulos. Ele ensinava o desapego e repetia incessantemente para os estudantes que o mundo manifestado é pura ilusão, que a natureza é uma miragem e que somente o Ser tem existência real. Um dia, um elefante furioso e faminto atacou a ermida onde eles moravam. Todos os discípulos, junto com o professor, se refugiaram no alto de uma grande árvore enquanto o elefante se refestelava no estoque de arroz deles.

Quando o animal foi embora, um estudante bastante perspicaz perguntou ao mestre:
“Sempre aprendemos de você que o mundo é ilusório e que não tem existência real, mas não pude deixar de observar que, quando fomos atacados pelo elefante, você se refugiou junto connosco no alto da árvore. Se de facto o mundo é ilusório, não bastava ter ficado quieto no lugar enquanto a ilusão do elefante passava?”
O mestre, sem perder a pose, respondeu:
“Olha, nós sabemos que o mundo é uma ilusão, mas o elefante não sabe. Por isso, tive que fugir junto com vocês”.

Ouvi esta piada do meu mestre, Swami Dayananda quem, aula sim, aula não, nos lembra: we are reality people. “Somos gente da realidade”.
Ele sempre nos convida para mantermos os olhos bem abertos, para não misturar as coisas e não perder o pé da realidade.

Lembremos que o Yoga é mais sobre compreender a realidade e manter os pés firmes no chão, do que sobre ficar equilibrando-se nas mãos ou na cabeça.

Pedro Kupfer

A busca da Felicidade ou do Sofrimento



O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria.
Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido.
Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria.
Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina.
Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.

Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando.
Então fazemos arte sobre essas existências.
Romanceamo-las de maneira elementar.

Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte.
Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito.
Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno.
Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo fato de este não durar.
À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar.
Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.

Albert Camus
in, "O Homem Revoltado"

Dying to Know: Ram Dass & Timothy Leary - Official Trailer #1




In the early 1960s, two conventional Harvard professors began probing the edges of consciousness. Over the next five decades, the two greatly impact modern thought, Timothy Leary, as a counter-cultural legend and Richard Alpert as Ram Dass, a spiritual teacher.
Gay Dillingham’s film, narrated by Robert Redford, offers an intimate portrait of an epic friendship, through life and into the next realm. (U.S. 2014, 95 minutes)

Pioneers in the study of consciousness...
They were professors at Harvard University at the time when it became illegal (outside of military experiments and the Inteligence agencies) to continue to study the effects of LSD...
Leary refused to discontinue his research and was asked to leave.
His colleagues Richard Alpbert (who later became knows as Ram Dass after his time in India with Neem Karoli Baba) and Ralph Metzner both left Harvard with him in a courageous demonstration of solidarity.

Timothy Leary is known for - among other things - revolutionary slogans such as "Question authority. Think for yourself", and "Turn on, tune in, drop out."

terça-feira, 28 de julho de 2015

Naomi Wachira "I Am A Woman"

A sedução leva ao espantar...



"Acho que a missão da mulher é assombrar, espantar.
Se a mulher não espanta...
De resto, não é só a mulher, todos os seres humanos têm que deslumbrar os seus semelhantes para serem um acontecimento.
Temos que ser um acontecimento uns para os outros.
Então a pessoa tem que fazer o possível para deslumbrar o seu semelhante, para que a vida seja um motivo de deslumbramento.
Se chama a isso sedução, cumpri aquilo que me era forçoso fazer."

Natália Correia

A sedução leva ao espantar... e o espantar provoca sedução...

A Fogueira e a Mulher



A Fogueira é um dos símbolos da ancestralidade feminina. 
Conectar-se com o fogo para a mulher é relembrar de um passado escondido mas não esquecido.
Um símbolo que desperta a ira e o amor.
Usada para para momentos ritualísticos e de magia e também para o fim de uma era de sabedoria (as chamas da fogueira da inquisição ainda permanecem vivas na nossa sociedade patriarcal)
Em volta da fogueira a mulher conectava-se com o mundo espiritual, e recebia através da sua sabedoria os ensinamentos, as visões.
Usava com humildade e respeito a ajuda dos elementais do fogo para transmutar e transformar os elos negativos.
Acalentava o espirito e esquentava-se em noites frias
As fogueiras representavam para mulher momento de celebração e silêncio.
Em toda a época importante acendia-se uma fogueira.
Conectava-se com o fogo sagrado e acendia em seu ser o fogo de Brigit.
Sentar em volta da fogueira é conectar-se com a ancestralidade, é relembrar histórias, é receber ensinamentos das Guardiãs dos Mistérios da Terra, é acessar a sabedoria passada da Mãe Terra.
Em todo fogo o espirito da Mãe Terra, em Todo fogo o poder transformador.
Acessamos à nossa sabedoria através dos elementais da natureza e fazemos a alquimia em nosso interior. Precisamos nos silenciar e escutar o que é sussurrado em nosso coração.
A sabedoria de nossas ancestrais não se apaga , ela reina e vibra na alma de toda a mulher.
É preciso que deixemos falar as chamas da fogueira que aquecem a nossa alma
Que toda a Mulher seja como as chamas da fogueira, aquelas que aquecem, iluminam, transformam e traz um sinal de alerta para não queimar-se.
Que toda a Mulher seja a Fénix , o pássaro do fogo, que renasce das cinzas para o seu verdadeiro voo.

Carol Shanti


Fogueira e tambores...abre-se uma nova dimensão...

Porque que o Círculo do Zen, aquele símbolo, não fecha?



Pergunta: Porque que o círculo do Zen, aquele símbolo, não fecha?

Monge Genshô: Pois é. Porque que o “ensô” às vezes não fecha?
Porque ele tem uma abertura, ele tem uma liberdade, também.
Tudo está contido, mas também não está limitado.
Então, tem muitas coisas para nós olharmos nisso.

Pergunta: Monge, quando as pessoas acordam, fisiologicamente, nem todas acordam de uma vez. Eu por exemplo sou preguiçoso, acordo, durmo de novo, acordo...o despertar pode ser assim também? Num dado momento, perde-se a carteira...eu posso falar assim: “eu posso perder a carteira”. E num outro momento, eu desesperar pela perda da carteira?

Monge Genshô: Pode.  Tanto nós podemos crescer, evoluir, ter clareza, como podemos ter momentos de obscuridade. Isso acontece com todos os praticantes.
Então, o primeiro estágio, na realidade, de realização espiritual é a compreensão, “Ah, eu compreendi, claramente, que é um jogo. Eu sei que tem que resolver, mas ainda assim, eu caio nas emoções. Eu sei que é bobagem, eu sei que é orgulho meu, eu sei que é vaidade ou qualquer coisa assim, e aí alguém diz alguma coisa que me incomoda e eu reajo.”
Depois eu digo: “Como? Como, se eu sei que esse é um sentimento tão tolo? Como é que eu reajo assim? Como minha prática é ruim”! É o que você pensa.
Mas, na realidade, o seu professor diz: “Ah, você vai muito bem! Você entendeu isso! Você está entendendo”. E continua tropeçando. Continua errando. Isso é bem característico do quarto passo, no caminho do texto dos “dez passos do boi”.
Essa é a decepção do praticante consigo mesmo. Isso dura até o sexto passo.

Agora, quando você chegar a um ponto em que realmente os acontecimentos que fariam você se perturbar não chegam mais a balançar você, então ocorreu um grande progresso.
E existem níveis mais altos ainda.
Existem níveis de realização espiritual em que você vê na pessoa, nos pequenos gestos da pessoa, sua realização espiritual. Como anda, como come, como fala. Está tudo ali.
Alguns praticantes se encantam com o lado da forma no Zen.
É bem característico também nos monges,  não são diferentes de praticantes leigos.
Apenas fizeram votos a mais. Só isso. Não são seres extraordinários.

Mas há alguns que, como falta alguma coisa a nível de realização espiritual, passam a se concentrar na forma, porque a forma é mais fácil. Acenda a vela assim, ande desta forma, olhe assim, faça esse gesto desta maneira, etc. Então, tornam-se especialistas na forma, porque falta algo mais. Não conseguem fazer outra coisa, então a forma torna-se tudo.
O que é preciso, na verdade, é um equilíbrio.
A forma mostra muita coisa, mas o excesso da forma mostra outra coisa.
A frase que eu mais ouvi de Saikawa Roshi, no início, quando eu estava praticando com ele e fazia coisas erradas e, depois, chegava para ele e dizia assim: “Mestre, eu queria lhe pedir desculpas pelos meus erros”. Ele olhava para mim, ria e dizia: “Não tem importância”.  E não tem mesmo importância. Eu ouvi tantas vezes “não tem importância”, que adotei o “não tem importância”.
Então, eu sempre digo para vocês, “ah, não tem importância, a gente corrige, não tem importância”.

Tenho dez erros. Quantos a gente corrige? Corrige dois. Não corrija mais. Não corrija muito, porque se corrigir muito, a forma vai esconder a verdade.
Você tem que deixar os alunos errando.
Porque quando você olha o erro, você percebe quantas coisas tem naquele erro. Quanto tem? Quanto tem na voz, quando está recitando? Porque? Como é cada detalhe da atitude?  Se você corrige tudo, haverá um disfarce.
Você diz: “Ah, os alunos devem andar sempre em shashu dentro da sala de Buda. Aí você dá a instrução, depois, você observa. De vez em quando, alguém esquece e anda balançando os braços. Aí, você não diz nada. Porque isso é um excelente termômetro.
Se você disser muito, você não vai ver mais.
Porque debaixo da casca da forma, vai estar ainda fervendo a distração.
A mente turbulenta vai estar lá.
Não vai estar manifestada, porque ficou muito bem escondida, através de uma forma muito treinada, muito policiada.
Nós temos que ter essa visão de caminho do meio nestas questões.


in, O Pico da Montanha está nos Meus Pés

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Qualidade rara da alma



Observar a si mesmo é simples mas não é nada fácil pois a maioria de nós, sem o devido treinamento esotérico crê ser capaz de observar-se, de espreitar a si mesmo, algo que exige uma qualidade rara da alma: uma honestidade implacável com relação a si mesmo, uma sinceridade a toda prova, uma franqueza poderosa que conjura todo o auto-engano.
Esta qualidade rara da alma está representada na lâmpada que o Eremita carrega, sem esta qualidade não há nenhum tipo de autoconhecimento.

Fernando Augusto

Corpo - Mente - Espírito



O erro humano básico, inato e congénito, é que a pessoa é vista, através dos seus próprios olhos, como sendo incompleta ou deficiente. Isso é o que deve ser combatido: mokṣa, então, é livrar-se desse erro.
Acertar o alvo (sādhana) na prática, então, é escolher correctamente uma prática que de facto possa facilitar esse processo chamado mokṣa.
(...)
Nas palavras de Swāmi Dayānanda:
“Você não pode apagar um incêndio usando gasolina, só por que a gasolina é líquida como a água. Concluir que por ser um líquido, ela pode apagar o fogo, é equivocado. O fogo vai gostar desse alimento e o incêndio vai continuar, pior do que antes.
Não podemos nem devemos, então, realizar mais ações na esperança de que elas nos livrem da ignorância. Isso seria tão tolo como tentar apagar o incêndio jogando combustível nele. O único fator capaz de remover a ignorância, portanto, é o conhecimento.”

Conclusão: meu alvo é me livrar da ignorância. É para isso que pratico.

(...)

O Ser, sendo ilimitado, não precisa de liberdade: ele já é a liberdade da ilimitação. O Ser não precisa “alcançar” a plenitude: ele já é a plenitude. Então, não há mokṣa para o Ser: ele já é mokṣa.
O corpo físico, por sua vez, é um veículo. Independentemente de o usuário do corpo ter ou não ter mokṣa, o corpo segue sua própria agenda e vence pontualmente no seu prazo de validade, apesar de que alguns praticantes têm a ilusão de que um corpo de yogi seja algo especial, diferente dos demais corpos humanos. Findo o prazo de validade, o corpo físico se desintegra. Isso significa que não há iluminação para o corpo material, independentemente do facto de que alguns poucos yogis conseguem uma longevidade superior ao século de vida, como foram os recentes casos dos mestres Kṛṣṇamacharya e Indra Devī.

Uma longa vida num corpo físico, por dilatada que seja, não pode ser confundida com eternidade. Se mokṣa é livrar-se do senso de ser limitado, em mokṣa nos conhecemos como o Ser, que é intrinsecamente livre das limitações espaço-temporais. Obviamente, não estamos a falar de eternidade no sentido físico, já que o que é eterno ou ilimitado não está condicionado pelo tempo-espaço.

Então, por mais que usemos metaforicamente a expressão “iluminar o corpo”, a verdade é que não há iluminação para ele. Que mais nos resta, na lista dos candidatos a mokṣa dentro do complexo corpomente, uma vez descartados o Ser e o corpo material?
O que sobra são os corpos subtil e causal, sūkṣma e karaṇa śarīra.
Para esses sim, há mokṣa. Então, mokṣa é a libertação desses dois corpos, o subtil e o causal.

O corpo subtil é aquela associação de inteligência, ego, mente, vitalidade e órgãos sensoriais e de acção, jñānendriyas e karmendriyas.
O corpo causal é aquele que determina os nascimentos e traz o registo dos prārabdha karmas, os karmas que devem ser trabalhados a cada encarnação.
Liberdade é, neste contexto, eliminar o senso de limitação que mencionamos acima. Nada mais.
É um processo gnosiológico, que não envolve nenhuma outra mudança física ou energética.

A prática é para os corpos subtil e causal.
Cada um de nós tem uma diferente combinação de karmas que vai determinar um tipo diferente de corpo e uma série de processos aos quais esse corpo estará sujeito. Cada nascimento, em cada lugar, determina a exposição a diferentes elementos: nascer ou (escolher) viver num lugar frio ou quente, seco ou húmido, determina o tipo de relação que iremos ter com a natureza. Cada situação pontual responde a um tipo específico de karma. Agora, você e eu nascemos nestes corpos que chamamos nossos.

(...)

Portanto, precisamos olhar para aquilo que chamamos de prática pessoal de Yoga desde uma perspectiva mais ampla, embora essa não seja a visão preponderante nos dias actuais, em que muita, mas muita gente, pensa que Yoga seja apenas a prática dos āsanas e, no máximo, o relaxamento.

Dentre a miríade de técnicas que compõem a aljava de recursos do Yoga, destacam-se, para o haṭhayogi, o āsana, o prāṇāyāma, as mudrās e as técnicas de concentração e meditação. Um lugar central, embora nem sempre evidente, é ocupado pelas atitudes, yamas e niyamas, que fazem parte do código de conduta dos yogis.
Técnicas auxiliares a elas são os mantras invocatórios, que servem como molduras inicial e final para a prática, os bandhas, dṛṣṭis e visualizações.
Outros recursos importantes, aplicados fora da sala de práticas, são a dieta vegetariana e um estilo de vida em que o princípio áureo da não-violência esteja sempre presente. Isso inclui atitudes como o consumo consciente, a dedicação de alguns momentos do dia a acções centradas no bem-estar colectivo e outras que fazem parte da cultura do Yoga.

(...)

Toda a qualquer prática de Haṭha Yoga, do āsana ao yoganidrā, do prāṇāyāma à mudrā, são, ou deveriam ser, formas de reflexão sobre aquilo que já se conhece sobre si mesmo, nididhyāsana. Isso significa, dentre outras coisas, que não é recomendável praticar sem estudar, assim como não é recomendável estudar sem praticar.

O Viṣṇu Purāṇa é um antigo texto que compara o estudo e a prática com os nossos dois olhos. Sem ambos os olhos abertos, não é possível se ter uma visão cabal da realidade, uma vez que se perde a profundidade:
“Do estudo deve-se passar ao Yoga. Do Yoga deve-se passar ao estudo. Pela perfeição no estudo e no Yoga, a Consciência Suprema se manifesta. O estudo é um dos olhos com que se percebe o Ser. O Yoga é o outro.”

A Śvetaśvatara Upaniṣad começa colocando estas questões:
“Qual é a nossa origem?
De onde nascemos?
Por que vivemos?”
Essas perguntas estabelecem o início de toda jornada pelo autoconhecimento.
A contemplação é um elemento fundamental da condição humana. Basicamente, reflectimos porque somos humanos.

Percebemos o corpo desde dentro dele.
No nididhyāsana, o corpo não é visto como um objecto qualquer, mas como o lugar no qual acontece a vida, uma expressão de Samaṣṭi, o Todo.
Na visão não-dualista, o físico é a corporificarão do Ser, e não existe sem ele.
O corpo humano não é uma máquina feita de matéria inconsciente animada pela mente, mas uma realidade vital animada pela presença do Ser que, aliás, está em todos os aspectos da criação.

Como Ser corporificado, esta estrutura física, viva e consciente, se vincula com o mundo.
Tocar é ser tocado.
Abraçar outra pessoa é ser abraçado por ela.
O abraço não é o contacto físico de dois corpos, mas o encontro de dois seres vivos. E, quando dois seres se encontram, não há duas dualidades corpo-mente tocando-se. Se você vive como Ser no corpo vivo, não há dualidade corpo-mente.

A separação surge quando olhamos para a vida desde a identificação com os desejos e aversões do ego. O Ser não é limitado por tempo ou espaço. O corpo, por seu lado, sim, tem evidentemente limitações. Essas limitações são dinâmicas e têm seu próprio ritmo, pautado pelos processos de crescimento, aprendizagem, fortalecimento, maturidade, doença, envelhecimento e morte física.

As práticas do Yoga aprofundam a “relação” (se podemos falar numa), entre o Ser e o corpo, no sentido que, ao ampliar e enriquecer a mobilidade física e respiratória fica mais fácil compreender a si mesmo como alguém que não se restringe à experiência corpórea.
Aumentar a mobilidade não é algo que apenas acontece no espaço físico ou vital; a expansão do corpo é o próprio espaço físico, crescendo.

Sabemos que as experiências, prazerosas ou não, ficam alojadas de forma dinâmica nos tecidos corporais e na mente subconsciente. O medo de repetir as experiências vinculadas com dor ou sofrimento restringe os movimentos físicos, respiratórios e energéticos, criando padrões de tensão crónica.
A prática de āsana e prāṇāyāma, dentre outros benefícios, pode ajudar a dissolver essas couraças e apagar esses registos dos nossos ossos, músculos e nervos. Essa qualidade da prática cria uma nova visão, através da qual permanecemos em contacto com essa pessoa simples e tranquila que somos.

Ao praticar, deixamos de lado todas as tarefas quotidianas.
A prática acontece num espaço reduzido: basicamente, um pequeno tapete estendido no chão.
Não há nenhum deslocamento físico para além desses limites.
No entanto, dentro desse espaço, investigamos com o corpo todas as direcções possíveis, observando conscientemente os padrões respiratórios e de mobilidade, e as eventuais dificuldades ou facilidades. Observando esses padrões, identificamos possíveis bloqueios ou cicatrizes e reconhecemos os sinais que as experiências passadas deixaram impressas no corpo.

Respiramos através do fácil e do difícil e reconstruímos a visão de nós mesmos como entidade vivente, plena e simples, nascida pela presença do Ser. Desta forma, investigando conscientemente movimento, permanência, respiração e auto-observação, eliminamos todos os obstáculos que os hábitos inconscientes e as experiências passadas impõem à nossa espacialidade e, consequentemente, à nossa mente.

A prática, assim, cumpre o seu propósito como um momento para a reflexão sobre aquilo que somos.


Pedro Kupfer



Só a morte desperta os nossos sentimentos



Não amaremos talvez insuficientemente a vida?
Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos?
Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?!
Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra!
A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira.
Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? 
A razão é simples!
Para com eles, já não há deveres.

É assim o homem, caro senhor, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. 
Observe os seus vizinhos, se calha de haver um falecimento no prédio. Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão. Um morto no prédio, e o espectáculo começa, finalmente.
Têm necessidade de tragédia, que é que o senhor quer?,
É a sua pequena transcendência, é o seu aperitivo.
É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos.
É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte.
Vivam, pois, os enterros!

Albert Camus
in, "A Queda"


Estas últimas quatro noites, sonhei sempre com a morte.
De formas diferentes, mas sempre com a morte.
Mas acordo sempre tranquila...como se soubesse que a mensagem destes sonhos, é que se está a encerrar um ciclo longo, e que em Setembro se iniciará um novo ciclo.
Acordo sempre a sentir esse fechar de ciclo.
6 anos se passaram...6 anos muito intensos...grandes mudanças se avizinham...de novo...
Tal como senti em 2003, senti em 2009...e estou a sentir de novo agora...
Já morri por 3 vezes nesta vida...e todas elas valeram bem a pena!
Está na hora de ajustar os azimutes de novo!!!
Enquanto assim for, sinto-me viva!

domingo, 26 de julho de 2015

Goethe



To think is easy.
To act is hard.
But the hardest thing in the world 
is to act in accordance with your thinking.

Goethe

Amar a Natureza



Se os humanos modificarem a sua opinião sobre a natureza, modificarão o seu destino!
Se eles pensarem que ela é viva e inteligente, que as pedras, as plantas, os animais, as estrelas, são vivos e inteligentes, eles próprios tornar-se-ão mais vivos e mais inteligentes.
A natureza é o corpo do Divino.
Por isso, eles devem não só mostrar atenção e respeito para com ela, mas também aproximar-se dela com um sentimento sagrado.
Na realidade, seja qual for o modo como os humanos se comportam, para a natureza isso não muda grande coisa: todas as agressões que eles cometem em relação a ela não passam de pequenas perdas, de pequenas feridas nesse imenso corpo cujos limites nem sequer se conhece; eles é que se destruirão a si próprios.
Quanto a ela, quando se tiver desembaraçado desses insensatos, levará a melhor: a natureza tem muitos recursos!
É, pois, por causa das consequências que a sua atitude terá neles próprios que os humanos devem mostrar respeito para com os animais, as plantas, as pedras.
A sua consciência aprofundar-se-á e eles enriquecer-se-ão com toda essa vida que respira e vibra à sua volta.
Pensai em todas as entidades que povoam o universo desde as profundezas da terra até às estrelas e esforçai-vos por comunicar todos os dias com elas.
Essa comunicação só se fará pelo amor.
Se amardes a natureza, ouvi-la-eis falar em vós, viver em vós, pois vós também sois uma parte da natureza.


Omraam Mikhaël Aïvanhov

Pelo sopro da vida


Foto: Laura Zalenga

"Desafio-te a abandonar o que tens de mais apático e rígido, e a alimentar o teu lado selvagem porque é a tua natureza selvagem e não o quase viva, embebida na rotina, o zombie em ti que luta por respirar.
Por exaltação.
Pelo sopro da vida.
Restaura o selvagem e a guerreira.
Não deves precisar de tédio ou domesticação para o perceber, só tens de te lembrar que és humana, ainda muitíssimo viva e perversamente, fervorosamente extraordinária."

 Victoria Erickson

sábado, 25 de julho de 2015

Em que estado anda a nossa Vénus




The Birth of Venus, 
by Sandro Botticelli c. 1485–1486


Mais ou menos de 18 em 18 meses a Vénus fica retrógrada fenómeno que irá acontecer a partir de hoje até dia 6 de Setembro.

O Amor próprio, a Valorização Pessoal e Segurança Interior são das mais poderosas qualidades que o ser humano pode desenvolver.
Qualquer uma destas qualidades é domínio da Deusa Vénus que se comum e romanticamente é apelidada de Deusa do Amor, eu gosto de vê-la como Deusa do Valor.
Até porque só amamos o que valorizamos, certo?

Vénus trata do amor, qualidade, exigência e cuidado na maneira como nos tratamos a nós próprios e como dizemos ao mundo que queremos ser tratad@s.
É a tabela que nós definimos interiormente acerca do que merecemos e permitimos ou não. É o grau de carinho, respeito e exigência que temos com a nossa pessoa, o nosso tempo, o nosso espaço, o nosso corpo, as nossas tralhas e os nossos relacionamentos.

Vénus é a capacidade que todo o ser humano tem de activar o seu amor próprio, de fazer correr esse Amor nas veias, de desenvolver essa essencial capacidade de nos amarmos a nós próprios, muito antes de chegarmos a qualquer relacionamento ou de acumularmos dinheiro no banco.
Como Deusa do Valor que é, e porque tudo é energia, Vénus dá-nos a capacidade de materializar exteriormente em dinheiro o seu estado interior de valor interior.
Infelizmente andamos hoje perdidos do seu funcionamento básico "de-dentro-para-fora", ou seja, quando eu tenho valor eu materializo, tentando criar o fenómeno oposto "de-fora-para-dentro", quando eu materializo, eu tenho valor.
Além de extremamente difícil, fracassa na maior parte das vezes...

Deste ponto de vista podemos então dizer que uma "Boa" Vénus tem o poder de nos criar Paraísos tal como uma Vénus "Fraca" tem de nos criar infernos.

Uma Vénus poderosa sabe que o amor nasce dentro de cada um e como tal é uma dádiva, uma fonte interna, um movimento expansivo, jamais uma exigência.
Consciente do seu movimento natural, uma "Boa Vénus" não ficará muito tempo perto de fontes secas com movimentos contractivos.
Uma "Boa" Vénus, retira-se quando sente que está a ser sugada.

Como sabe que tem a capacidade de ser auto-suficiente, uma "Boa" Vénus jamais dependerá do outro para se nutrir. E porque valoriza esse maravilhoso néctar dos Deuses, irá apenas oferecê-lo a quem se mostre merecedor.

Uma Vénus "Fraca" irá cobrar, exigir e manipular revelando assim a sua secreta carência e "fraqueza".

Uma maneira que temos de analisar em que estado anda a nossa Vénus é precisamente a perceber que frequências de outras Vénus andamos a atrair.
Independentemente do que o nosso ego nos faz acreditar sobre a nossa Vénus, o que gira à nossa volta nunca estará longe da representação da nossa. O próprio estado geral do mundo em que estamos nos dirá que longe ainda está o tempo de acedermos aos mais elevados níveis de poder das nossas Vénus aos quais só chegaremos pela via do Amor e do Merecimento.

Outra maneira ainda mais poderosa de analisarmos a nossa Vénus é através da auto-validação profunda, honesta, real da consciência que temos no que toca ao nosso valor.
Por exemplo, apenas no que respeita à tua frequência geral de amor próprio, atribui-te um numero de 0 - 10.
Cuidado pois o nosso ego tende a avaliar alto mas a alma sabe bem onde estamos... 
Importante mesmo é definirmos o nosso número pois tendo consciência dele, facilmente resistiremos às ilusões exteriores, tanto de quem nos vê abaixo ou acima do mesmo.

Partindo então desse numero, real e honesto para ti, questiona o que tens feito para o aumentar. Procura "ganchos", entraves, desculpas, mentiras pessoais, crenças e ilusões que a impeçam de ser a mais elevada versão da tua Vénus.

Esse número é fruto de uma "Boa" Vénus ou de uma Vénus "Fraca"?

O estado em que sentimos a nossa Vénus, o número que sabemos em que ela está neste momento das nossas vidas, irá então fazer atrair "mais-do-mesmo" pois só assim, cansados e exaustos de guerras, cobranças, exigências, projecções, ilusões e expectativas, nos cansemos e possamos finalmente honrar a sua natureza dizendo, enquanto subimos mais um degrau;

"Eu Mereço Melhor!"

Porque nos desconectámos desta capacidade de nos amarmos a nós próprios, porque perdemos a noção de como resgatar este poder interior, porque ninguém sabe e por isso ninguém nos incentivou a activar esta fonte de amor, prazer e valor, começámos a ir em busca dela lá fora no mundo nas tralhas, no dinheiro e nos amores, projectando e exigindo dos outros o que nós próprios nos esquecemos.

Com fontes internas de amor próprio secas por falta de uso, habituámo-nos a ficar presos no amor=a-dois, amor=dinheiro, amor=sucesso, amor=apegos, amor=poder.

Aprender a Amar, sempre foi, é e sempre será a Grande Aprendizagem do Espirito na matéria e logo todo o tipo de amor inferior, sem qualidade, manipulado, exigido, comprado e dependente de fontes exteriores irá ser regularmente identificado e posto em causa para que possa então dar ligar a versões mais elevadas, saudáveis, inteligentes e verdadeiras de amar.

Tens assim a partir de hoje, 40 dias e 40 noites para perceber, sentir, reconhecer, atrair pistas, sinais e sincronias do estado interior da tua Vénus.
Tudo o que irá doer obviamente não tinha qualidade.
Tudo o que irá sair, terá algo melhor à espera.
Tudo o que irá chegar será um teste.
Tudo o que é puro e verdadeiro, irá sobreviver e ganhar ainda mais poder e valor.

Deixemos então a Deusa fazer o seu trabalho de nos revelar como acedermos à mais elevada versão de nós próprios...


Vera Luz




A amizade entre um homem e uma mulher



“Os amigos são a família que escolhemos”, talvez esta seja uma das frases mais verdadeiras de sempre. Uma amiga mulher é uma evolução disso, pela maior intensidade afectiva que é possível conseguir devido à superior inteligência emocional das mulheres em relação aos homens. Ser amigo de uma mulher permite que um homem experimente mais camadas de amizade, mais nuances e degradés no relacionamento entre duas pessoas, uma maior profundidade por contraste com a normal maior superficialidade que as relações de amizade entre homens têm. Porque as mulheres são infinitamente mais interessantes que os homens, complexas, sábias, ponderadas, inteligentes daquela forma prática que os homens nunca conseguirão ser.

Uma relação de amizade entre um homem e uma mulher tem de ser alicerçada num respeito total, sem compromissos ou falhas, só assim poderá ser plena, verdadeira e potenciada ao máximo por tudo o que pode oferecer um ao outro. Infelizmente os homens são conhecidos por muitas vezes perderem as noções mais básicas de respeito, o que faz nascer a crença popular de que é difícil um homem ser genuinamente amigo de uma mulher, ainda mais se ela for atraente.

Outro elemento central é a meu ver a mutualidade da dimensão da presença de cada qual na vida do outro, na oferta de apoio, de conselho, de compreensão, até de tolerância em relação à individualidade do amigo/a, que pode nem sempre encaixar totalmente na nossa. Essa dose de respeito pelas escolhas de cada um, pelas suas opções de vida, não deve desresponsabilizar o outro de poder ser um catalizador de uma melhoria em aspectos dos quais às vezes nós mesmos não temos consciência, pela dificuldade de sermos bons juízes em causa própria, algo no qual as pessoas em geral, e os homens em particular, tanta dificuldade têm. Essa voz de fora, quando é feminina, ganha muito em termos de sentimento, profundidade, racionalidade e clarividência, porque essas são características que nas mulheres estão profundamente mais desenvolvidas que no seu sexo oposto. Os homens têm uma deficiência genética incontornável nessas e noutras características que as mulheres possuem na sua base, como vice versa também é verdade se falarmos da maior desenvoltura masculina em termos de assertividade e descontracção, e até na antítese de algumas dos traços femininos, por exemplo a maior superficialidade dos homens que em certas situações pode ser boa conselheira para as suas amigas mulheres.

Quando estes ingredientes que referi atrás estão presentes, não há limites para o potencial de cumplicidade e riqueza na relação simbiótica de amizade entre um homem e uma mulher. Felizmente tenho algumas amigas assim, que enriquecem a minha vida todos os dias, e que em grande medida lhe dão sentido. Escrevo pois para todas as mulheres, mas para as “minhas mulheres” em particular, em jeito de homenagem e agradecimento a esse círculo restrito de amigas verdadeiras, irredutíveis no carinho e compreensão com as minhas múltiplas falhas, essas poucas grandes amigas que tenho e que são em larga medida a base da minha estabilidade emocional enquanto pessoa, enquanto homem. Quando dizem que atrás de um homem (grande ou pequeno) está sempre uma grande mulher, pode bem ser que essa mulher seja só e apenas sua amiga, e que ao sê-lo seja muito do que ele precisa para ser feliz e melhor.


Miguel Júdice

SACRED MALE



YOU HAVE HEARD OF THE DIVINE FEMININE BUT, 
WHERE IS THE SACRED MALE?


I have heard so much of holding space for the divine feminine which is essential
but what about the sacred male?

I am holding such a loving healing space for all men within this dominant patriarchal society.
Today in our society the male is told that he must provide for the women (if she is not willing to do so herself) and yet have no emotion or say about it. 
He has been painted to be the all encompassing leader of the world, yet most are not shown his internal compass. With such sayings echoing in his subconscious as, “Man up” or ” Stop acting like a Child” , men are given great responsibility to provide and guard yet not being taught how to ground this energy or emotion to do so in a sustainable way.

A true warrior knows that his efforts are not effective unless the inside battles have been won first, but our society does not allow this. 

So many women have then experienced what woman will call “Bad Boys” or “Man Children” (extreme societal examples of imbalance) while this is not a woman’s responsibility to “heal” this space for males,  males come to women because women have been allowed this emotionally open space their whole lives.
There is an untouched, purity of heart in a women that men seek within themselves.
This feminine space is free flowing and open because women have been allowed the release of emotions unlike our dear male counter part.
This then manifests as the “Bad Boy” i.e. someone who has buried the memories of childhood and has created a thick layered diversion to deal with the outer realm, so he can feel accepted and loved by society. Then there are the “Man Children” who want to heal the child space by becoming or staying the child and do not want to be pushed into the mold of current societal construct.

Men need to be provided (NOT JUST BY WOMEN) but by their male counterparts emotionally accepting space to be themselves. In other words a place to tune into the pure heart space that a woman has been allow.
The place where the SELF-CONSCIOUS and over compensation through ego turns to SELF- AWARENESS there becomes a soft yet strong harnessed power in this space.
This goes for male and female, so that they are both balanced within the male and female energies. 
The key here is for all of us to start allowing a level of vulnerability and acceptance for both parties, a connection to heart space and connection to each other. Real self examination requires COURAGE to dive within and FEEL not power through but FEEL through your internal compass.


There is a great quote that says,
 ” A man once asked his father,” Father, how will I ever find the right woman?”

His father replied, 
” Forget finding the right woman, focus on being the right man.”


Don’t just be a male, be a man.
In the peaceful warrior sense.

Don’t just strive for external perfection of your body, peel through your emotional layers.
Don’t just strive to be dominant over society but connect with your heart space through community.
Don’t just strive for analytical intelligence but seek humbled wisdom from the spirit.
Don’t blind-fully move through your primal attraction but become aware of how you desire to be satisfied.

Become a true and constant explorer of your own mind, body and spirit.

You will be surprised how you can be met so fully in all areas of life.

You will then be able to truly satisfy the needs of a conscious woman by:

Not simply staring at her beauty but seeing every layer of her being.
By not just flirting with her mind but connecting with her heart.
By not just lusting for her body but craving and achieving satisfying intimacy with her soul.
By not only taking her to bed but creating a unique space so trusting and passionate that you both feel safe to explore the depth of both your desires.

When we look within, we gain everything that is with out.


JOCELYN DAHER

...............................foram os livros




Eu poderia ter o mesmo pai, a mesma mãe, ter frequentado o mesmo colégio e tido os mesmos professores, e seria uma pessoa completamente diferente do que sou se não tivesse lido o que eu li.
Foram os livros que me deram consciência da amplitude dos sentimentos.
Foram os livros que me justificaram como ser humano.
Foram os livros que destruíram um a um meus preconceitos.
Foram os livros que me deram vontade de viajar.
Foram os livros que me tornaram mais tolerante com as diferenças.


Martha Medeiros

quarta-feira, 22 de julho de 2015

De que falamos?



De que falamos
quando falamos das palavras
senão do tempo
que corre-escorre
por entre as malhas da voz?

Faladas
as palavras
são um combate encenado
uma insónia pessoal
Escritas
são reféns do olhar

No espaço da página
deslizam altivas como icebergues
ou então soçobram
desconhecidamente
no lado sombrio do funesto olvido

ANA HATHERLY
in, O PAVÃO NEGRO

Relacionamento



"O relacionamento é o espelho em que podemos ver-nos como somos.
Toda a vida é um movimento de relacionamento.
Não existe nada vivo na Terra que não esteja relacionado com uma coisa ou com outra.
Mesmo o eremita, o homem que parte para um lugar solitário, está relacionado com o seu passado, está relacionado com aqueles que estão ao seu redor.
Não há como fugir ao relacionamento.
Nesse relacionamento que é o espelho no qual podemos ver-nos, podemos também descobrir o que somos, as nossas reacções, os nossos preconceitos, os nossos medos, depressão, ansiedades, solidão, sofrimento, dor, pesar.
Podemos também descobrir se amamos ou se o amor não existe.
Por conseguinte examinaremos a questão do relacionamento porque ele é a base do amor." -

J. Krishnamurti

Nem puta nem santa



Nem puta nem santa
Nem pura nem profana
Liberta de mim, liberta de julgamento, encontro o meu uivo, o meu cheiro, a minha sexualidade.
Percebo-me como fêmea, dona de minhas vontades, e dona do meu instinto.
Não procuro saber o que os outros acham quem eu sou, procuro saber quem eu acho que eu sou.
Escuto, calo-me, e dentro de mim o Vulcão acende para a sua erupção.
Descerei ao meu submundo quantas vezes for necessário, até me mostrarei submissa para encontrar a minha força.
Mas quando subo, renasço das cinzas e mostro a mim mesma que dos espinhos colho as rosas, das palavras o ouro, e das ofensas a minha fortaleza para descobrir-me.
Vivo o meu sexo, não escondo os meus desejos e me mostro por inteira.
Se quer estar ao meu lado, aceite-me como Eu Sou e mostrarei a ti o melhor de mim.

Carol Shanti

terça-feira, 21 de julho de 2015

Mitakuye Oyasin




Ao dizermos Mitakuye Oyasin ou Por Todas as Nossas Relações ao adentrarmos dentro da Temazcal, devemos ter em mente que estamos honrando todas as nossas relações, com familiares, amigos, irmãos, mas principalmente honrando a nossa relação com a Mãe Terra e com nossos ancestrais do Caminho Vermelho que nos ofertaram essa Medicina.

A Temazcal representa o útero da Mãe Terra, aonde todas as nossas preces são atendidas e elevadas ao Grande Espirito...
Nossas amadas Abuelitas Pedras nos oferecem os registos de tantos povos e nos liga à nossa ancestralidade.
O Fogo presente que aquece as pedras, vem nos mostrar que nós podemos aquecer a nossa vida quando transmutamos as nossas dores.
O Fumo é por onde os nossos pedidos chegam ao coração do Grande Espírito...
Ao sentirmos o calor não como um incomodo mas sim como o útero da grande mãe que nos gera para um novo ciclo da nossa vida, sentimos o bem-estar e o acolhimento materno.

Na Temazcal nos purificamos e permitimos em nossa escuridão interior podar as nossas raízes que não nos dão mais frutos, e assim plantar novas sementes de sabedoria , humildade e paz.
Devemos lembrar que a Mulher Búfalo Branco nos deixou grandes medicinas que nos trazem a cura e o bem-estar e para sentir os benefícios dessas medicinas, precisamos encarar os nossos medos frente a frente, para que possamos renascer para aquilo que de verdade somos.

Que possamos caminhar sempre em beleza com a humildade e o amor necessário...
Que as nossas raízes sejam firmadas com as raízes da Mãe Terra


Carol Shanti

Oscar Wild




“A good friend will always stab you in the front.” 

― Oscar Wilde

Ātma é a bigorna que molda as coisas




Para entrarmos no tema, nada melhor que recorrermos à Pañchadaśī, um belíssimo texto sobre Vedānta atribuído ao sábio Vidyāraṇya, que foi ministro do império Vijayanāgara, no século. Ele abandonou esse posto administrativo e se tornou um sannyāsin, um renunciante.
Seu nome significa “A Floresta do Conhecimento”.

A estrofe 13 menciona o termo kuṭaḥ, que significa literalmente bigorna, mas que pode ser traduzido como invariável, e define, neste contexto, aquilo que não muda: “À luz da sempre efulgente, invariável Testemunha, que é da natureza da Consciência, a inteligência, iluminada, dança de maneiras variadas”.

Esclarecendo o significado desse termo, diz Swāmi Dayānanda:
“Kuṭaḥ significa imutável, e designa aquilo que não muda. Indica, em sânscrito, a bigorna que o ferreiro usa para dar forma aos instrumentos que fabrica. A bigorna permite que o artesão bata no metal incandescente, para que este assuma as variadas formas das ferramentas e objectos que ele produz, sem sofrer nenhuma modificação nela mesma. Assim, a bigorna é símbolo de Ātma, que dá lugar a todos os nomes e formas sem mudança aparente nele mesmo”.

Discernindo sākṣi da mente.
A última estrofe deste trecho diz que “a distinção entre o externo e o interno acontece com referência ao corpo[mente], e não à Testemunha. Os objectos são externos ao corpo, o ego é interno”.
Isto não significa que sākṣī esteja “no interior” de algo maior que ele, mas que, sendo ilimitado, não está condicionado por tempo ou espaço e, portanto, não tem nem interior nem exterior.
Não há divisão para sākṣī.
A Testemunha está tanto dentro quanto fora, pois é consciência ilimitada. Não tem localização, portanto, não precisa nem pode ser encontrada “dentro”.
A eventual confusão entre sākṣī e a mente precisa ser esclarecida.

A água assume a forma do recipiente que ela ocupa. Similarmente, a mente adquire a forma dos objectos que vê através dos sentidos. Portanto, a natureza de buddhi é a inconstância, o movimento constante, uma vez que os sentidos nos transmitem incessantemente sensações e percepções. É preciso que a mente esteja de facto voltada para o exterior, para poder ver o que está aí para ser visto, por exemplo, quando você está a conduzir o seu veículo na cidade.

Se a mente não acompanhar os sentidos em direção ao exterior, não poderíamos por exemplo usar um carro ou uma bicicleta sem nos colocar em perigo ou sem colocar em perigo a vida dos demais. Não há nada de errado, então, com o facto da mente viver voltada para fora.
Pelo contrário: uma mente que não seja capaz de se voltar para o exterior será uma mente disfuncional, incapaz de realizar adequadamente suas funções.

O problema é atribuir a sākṣī essa inconstância e essa exterioridade características da mente. Este tema é esclarecido em detalhes nos próximos versos. Āropya, a superimposição, é fazer uma projeção de alguma coisa sobre outra, de maneira que não mais consigamos ver o real por trás do projectado.

O grande problema é não compreender que somos a Consciência invariável, e não a inconstância da mente. Compreender esta parte do processo do autoconhecimento é essencial para podermos levar a meditação da sala de práticas para o quotidiano, para podermos tornar Karma Yoga todas e cada uma das nossas acções.


Sākṣī está nas experiências místicas, mas também nas profanas.

A Consciência que é sākṣī não está “além” da palavra ou do pensamento, como alguns autores declaram, nem que ela possa ser o objecto de alguma experiência mística ou religiosa.
A Consciência não cabe numa ideia, porque as ideias são intrinsecamente limitadas pelo tempo-espaço. A Consciência é autoefulgente e ela ilumina a inteligência, ilumina a mente.

Esses autores dizem que Ātma só poderia ser “experienciado” em estados de meditação profunda, mas não é bem assim: Ātma está em todas as experiências, Ātma é todas as experiências. Para conhecer o sabor doce, precisamos provar algum alimento doce. Para conhecer o sabor salgado, precisamos provar algo que seja salgado.

Pela mesma conta, poderíamos então, provar o “sabor” de Ātma?
Poderíamos “experienciar Ātma”?
Ātma pode ser um objecto da sua apreciação?
Se alguém dizer que experienciar Ātma é como desgustar uma fruta exótica e deliciosa, estará necessariamente reduzindo o ilimitado a uma única experiência, que tem início, meio e fim. Ora, acontece a Ātma não tem nem início, nem meio, nem fim.

Portanto, não temos nem a necessidade, nem a possibilidade, de tornar Ātma um objecto da nossa percepção. Não iremos conseguir fazer isso, nem devemos, nem precisamos. Essa é a razão pela qual Ātma é chamado sākṣī, Testemunha: para indicar que essa Testemunha não pode se tornar um objecto que seja observado por um sujeito.

Ātma é o sujeito que aprecia todos os objectos, e esse sujeito é você, sou eu, é cada um de nós, é todos os seres vivos e objectos inanimados, é a totalidade da criação e a inteligência graças a qual ela existe. Cultivando esse discernimento na prática de meditação, seremos capazes de levar a mesma visão clara para todos os momentos do nosso quotidiano.


Pedro Kupfer