quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PODER INTERIOR


O conceito de poder ao qual estamos habituados é, usualmente, aquele que se refere à atitude de exercer alguma influência ou domínio sobre o outro.

Entretanto, no plano da espiritualidade, o poder tem uma conotação muito mais profunda. Ele se refere ao poder sobre nós mesmos, que emana da consciência divina que habita em cada um.

Quando está plenamente desperto e fortalecido, ele se expressa como um poder espiritual, uma força interior que nos torna capazes de dominar o ego e as emoções e ter total segurança e controle sobre nossa própria vida.

Aquele que o experimenta, não teme o julgamento ou a rejeição alheias, nem direcciona suas acções pelo medo ou a culpa. As escolhas, aliás, são os mais fortes indícios da plenitude do poder espiritual.

Quanto mais desenvolvido ele for, maior será a segurança para tomar decisões e, de forma madura, pagar o preço que for necessário por elas. Na imaturidade, ao contrário, teme-se fazer uma escolha por receio de errar ou pela incapacidade de abrir mão de alguma coisa para poder desfrutar de outra.

Para que o poder interior se torne o único mestre de nossa vida, é imprescindível que aprendamos a viver de modo totalmente consciente, ao invés de seguirmos num estado de letargia e adormecimento, deixando-nos arrastar pelos acontecimentos, como vítimas indefesas do destino.

Embora existam aspetos da existência que pertencem à dimensão do mistério, e sobre os quais não temos qualquer controle, grande parte de nossa jornada pode, sim, ser traçada pelo poder de nossa vontade, por um desejar profundo, que se impõe de maneira espontânea e natural, sem nenhuma luta, quando emana diretamente do nosso poder interior.

Elisabeth Cavalcante

Anaïs Nin


O amor nunca morre de morte natural. 
Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. 
Morre de cegueira e dos erros e das traições . 
Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho.

Anaïs Nin

........difícil ser coerente!



Depois de ler o post anterior, verificar a ortografia etc...e de o publicar, fiquei aqui a pensar no que o Jung disse, do Deus Interior...

"Por que é tão difícil sermos coerentes? 
Pensamos uma coisa, sentimos outra e na maioria das vezes acabamos por agir sem darmos ouvidos aos sussurros do coração.
Sussurros suaves, porque exigem uma certa quietude e silêncio.
Para voltarmos a um estado de maior paz interior, a batida do coração sempre nos convida a viver e agir de acordo com a nossa luz e sabedoria.

O que ainda nos impede de vibrar de um lugar puro de amor?

A culpa, o medo e a vergonha são energias de vibração muito baixa, que ainda são amplamente utilizadas como ferramentas de controle emocional, espiritual e político.
O que vemos como “pecados” e erros são meras formas de aprendizagem, consequências do esquecimento temporário da nossa verdade, mas que fazem parte da experiência da dualidade.

Qualquer grande mudança reside no indivíduo.
O despertar contínuo dos indivíduos gera uma energia de amor que é automaticamente direccionada a paradigmas estabelecidos que já não se sustentam mais nos tempos actuais.
Por isso, quando o coração assumir o comando, haverá um colapso inevitável do velho, não sob a pressão do poder e/ou da violência, mas sob a força do amor.

Activar a autoconsciência dentro de nós traz uma sensação tão profunda de retorno ao lar, que tudo passa a existir dentro de uma nova perspectiva. 
Os relacionamentos, em especial, ganham tonalidades lindas de amor, verdade e liberdade.
Os possíveis ataques e críticas não têm mais tanta importância, e a necessidade de agir na defensiva desaparece quase que por completo. 
Ficamos menos ansiosos e reactivos; mais amorosos e compassivos."

O que me faz pensar é:
Porque ainda não consigo permanecer lá?
Umas vezes sinto-me em pleno, em harmonia e completo equilíbrio.
Mas, uma vez por outra, ainda me encontro agarrada ao passado e a vibrações baixas.
E este vai e vem, por vezes entristece-me...

É como se ainda não me amasse o suficiente para desculpar os outros e a mim mesma.
Como se ainda não tivesse abandonado a culpa do passado que já não serve mais, para viver de forma mais plena o presente.
É uma questão de abraçar verdadeiramente a própria divindade e, a partir dessa autoconsciência, viver na alegria, entusiasmo e abundância.

Há um despertar que precisa acontecer.
Devemos despertar enquanto vivemos neste corpo, pois tudo existe dentro dele e só através desse despertar poderemos viver como expressão do amor.
Precisamos despertar.
E precisamos despertar agora.

O Amor Conquista Tudo!

p.s.- mais uma vez, Obrigada Jung!

Jung



"Jung esforçava-se por definir a sua posição de que a libido era mais do que simples energia sexual, ou que não poderia ser reduzida a ela. (...)
Ao associar esse conceito de libido com a experiência do divino, ele escreve:
Psicologicamente, porém, Deus é o nome que se dá a um complexo de ideias agrupadas em torno de um sentimento muito forte; o tom afectivo é o que realmente dá ao complexo a sua eficácia característica, porque representa uma tensão emocional que pode ser formulado energeticamente.
Os atributos da luz e fogo retratam a intensidade psíquica que se manifesta como libido.
Quando se venera Deus, o sol ou fogo, venera-se a intensidade e o poder, noutras palavras, o fenómeno da energia psíquica como tal, a libido. (...)
Creio, pois, que, no geral, a energia psíquica ou libido cria a imagem de Deus, valendo-se de imagens arquetípicas, e que o ser humano em consequência, venera a força psíquica activa do seu interior como algo divino.
Isto significa que a experiência da libido, no máximo da sua intensidade, é a base da experiência humana do Deus interior.

"Trazer Deus dentro de si", observa Jung é praticamente o mesmo que ser o próprio Deus."

in, "Amor, Celibato e Casamento Interior"
John P. Dourley

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Los clavos del mal carácter


Esta es la historia de un joven que tenía muy mal carácter.
Su padre le dio una bolsa de clavos y le dijo que cada vez que perdiera la paciencia, debería clavar un clavo detrás de la puerta.
Pronto la puerta se llenaba de clavos.
Pero, a medida que aprendía a controlar su genio, clavaba cada vez menos clavos detrás de la puerta. Descubrió que podía controlar su genio, pues el clavar le hacia pensar sobre su mala actitud.

Llegó el día en que pudo controlar su carácter y ya no tenía razón de clavar.
Después de informar a su padre, éste le sugirió que retirara un clavo cada día que lograra controlar su carácter.
Los días pasaron y el joven pudo finalmente anunciar a su padre que no quedaban más clavos para retirar de la puerta.
Era ciertamente un gran logro, pero su padre lo tomó de la mano y lo llevó hasta la puerta.
Le dijo: "has trabajado duro, hijo mío, pero mira todos esos hoyos en la puerta.
Nunca más será la misma.
Cada vez que tu pierdes la paciencia, dejas cicatrices exactamente como las que aquí ves.
Tu puedes insultar a alguien y retirar lo dicho, pero la herida permanece y el mal se propaga. Una ofensa verbal es tan dañina como una ofensa física.
Ahora hace falta trabajar mucho mas para que la puerta quede como nueva.
Hay que reparar cada agujero y muy difícilmente lograrás que quede como nueva.


Hermosa reflexion.
Muchas Gracias, Edwin!!

Paco de Lucia - Entre dos aguas (1976) full video



E numa Praia do México, um enfarte, o coração não quer bater mais...e deu o seu último suspiro...
Com esta música me apaixonei...e com ela me despeço.
Finalmente, LIVRE!
Faça boa viagem, MESTRE!!!!

sejamos pornográficos


Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos)
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros,
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso a teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher de trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

Carlos Drummond de Andrade
in, Brejo das almas (1934)

Sabías ?... que...


La Luna Nueva (Luna negra, que no se ve)...

-es ideal para hacer Yoga, meditación y prácticas con la Pachamama ?...
-es cuando la Madre Tierra empieza a respirar, es decir inhala ?...
-es ideal para podar los árboles y plantas ?...
-es cuando los enfermos se recuperan más ?...
-es ideal para gestar un bebé ?...
-es una época de introversión... ideal para estudiar, alimentar al Alma y el espíritu, y "crear" adentro de una ?...

La Luna en Cuarto Creciente...

-es ideal para sembrar y plantar ?...
-es ideal para cortarnos el cabello para que crezca más ?...
-es época en que se curan las heridas ?...
-el detergente no acciona en la ropa al lavar ?...
-influye en el agua y en las mareas ?...
-es época en la que los deseos crecen ?...
-es ideal para sembrar ideas, deseos y comenzar con algo nuevo ?...
-ideal para fijarnos objetivos porque todo lo que sembremos crece ?...

La luna Llena...

-es época para hacer ceremonias de sanación ?...
-es cuando la Madre Tierra en su respiración exhala ?...
-no hay que operarse con esta luna porque las heridas sangran más ?...
-el césped y las hierbas tienen más acción y por lo tanto crecen más ?...
-Se pueden cortar los yuyos para tomar porque tienen mayor efecto y mayor poder curativo ?...
-no hay que podar porque se mueren las plantas ?...
-es una época en la que hay más violencia en los seres humanos y entonces hay más accidentes y mayor agresión ?...

La Luna en Cuarto Menguante...

-es época en la que se puede operar porque hay mayor éxito ?...
-es una mala época para plantar plantas porque no crecen ?...
-es una buena época para hacer dieta porque no se aumenta de peso ?...
-es época ideal para teñirse el cabello porque la tintura dura más ?...

O sea que...

Durante la Luna Menguante y Nueva... es época para menguar, estudiar, alimentar el Alma y el Espíritu...
Es una época de introversión... de recogimiento interior...
Aspiro... inhalo... tomo Aire...
Este ciclo dura 14 días...

Y durante la Luna en Cuarto Creciente y Llena... es época para gestar, plantar, crear, parir, hacer...
Es una época de extroversión... de sacar afuera lo creado...
Expiro... exhalo... expulso el Aire...
Este ciclo dura los otros 14 días...

El ciclo total del camino de la Luna dura 28 días...

O segredo para ter mais não é ter mais; é precisar de menos.


E saboreá-lo ainda mais.
O gajo mais feliz do mundo não é, nunca é, o gajo que tem mais coisas do mundo.
O gajo mais feliz do mundo é, é sempre, o gajo que precisa de menos coisas do mundo.
O gajo que faz de um prato de sopa um banquete, o gajo que faz de um Ti um palácio, de uma cama que geme o mais faustoso dos leitos de prazer.
O gajo mais feliz do mundo é o gajo menos precisado do mundo.
O gajo que não precisa de mais do que aquilo que tem para ter tudo aquilo que quer ter.
O segredo para a felicidade é não ter segredo nenhum.
O segredo para a felicidade é valorizar a preço de ouro o que se tem e valorizar a preço de merda aquilo que não se tem.
E é mesmo assim: o que tens é ouro e o que não tens é merda.
E é só o facto de tu quereres o que não tens que eleva o valor do que não tens a um valor, por vezes, ainda mais elevado do que aquilo que tens.
Aprende de uma vez por todas: nasceste com tudo aquilo de que precisas.
Então aproveita-o.
Aproveita-o em pleno.
Aproveita-te em pleno.
É claro que podes, e deves, querer mais.
Querer mais não é errado, nem sequer é deprimente.
Querer mais é fixe.
É querer mais que faz o mundo andar.
Quer mais.
Quer todos os dias mais.
Mas nunca te deixes ser menos só porque queres mais.
Nunca te contentes com o que tens; mas, mais ainda, nunca fiques descontente com o que não tens.
O que tens tem de nunca te deixar contentado.
Mas tem, ainda assim, de te deixar contente.

in, "O Livro dos Loucos", 
Pedro Chagas Freitas

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Richard Galliano - Historia de Un Amor



Richard Galliano - "Historia de Un Amor"
From the Album "Ruby, My Dear"
April 25, 2005

Richard Galliano - Arranger, Composer, Group Member, Primary Artist, Producer
Clarence Penn - Drums, Group Member
Larry Grenadier - Bass, Double Bass, Group Member

There are two types of accordionists in jazz: Richard Galliano and everyone else. Galliano plays his instrument with the fluidity and looseness of a saxophonist, the technique of a classical pianist, and the individuality of a singer. Few are close to being on his level. The Ruby, My Dear sessions find Galliano in New York, interacting with bassist Larry Grenadier and drummer Clarence Penn. While the intriguing repertoire includes a tango, a couple of jazz standards ("Ruby, My Dear" and Oscar Pettiford's "Bohemia After Dark"), and a piece by Erik Satie, Galliano's five originals really showcase his playing the best, letting him stretch out over intriguing chord changes. Richard Galliano has made quite a few excellent recordings for Dreyfus; Ruby, My Dear is an excellent place for one to start in discovering his musical talents.

Investigações


A mulher tem a química dos animais e o pólen das plantas,
e a Grande Alma rouba o Apetite para multiplicar as coisas que nascem.
Os contágios são calmos.
Se uma flor voasse perdia o cheiro;
e se o pássaro tivesse aroma de rosa, de certeza seria coxo.
Porque o mundo se organizou todo de uma vez e depois calou-se.
Ficámos nós, sós, e a Filosofia.
A pedra calada, o animal grunhe,
a erva cresce tão lenta que só a vemos quando ela é adulta,
e os cães ladram debaixo do Sol.
Todos somos resíduos imperfeitos
e os organizadores do Baile saíram logo no início,
deixando a Música, mas não os passos.
Por isso tropeçamos,
partimos a unha má e boa,
apaixonamo-nos por uma mulher e depois já é outra,
e, no Fundo, o que queríamos era sossego e não dançar.
Do que temos medo é da solidão, temos de o reconhecer,
esse caixão que vem antes do tempo,
e nos fecha dos outros e do dia.
O que queremos é sossego;
nem Mistérios nem passos de dança,
apaguem a Música.

Gonçalo M. Tavares,
in, Investigações

Porque te devo amar


Porque te devo amar,
perguntas,
e eu falo-te no barulho do vento na janela quando me apertas, a tua cabeça no mistério que fica entre os braços e os ombros, escondo os dedos no interior do teu cabelo e ouço-te respirar, pessoas como nós não procuram explicações mas sobrevivências,
Devíamos aprender a querer devagar,
arriscas,
mas entretanto já pousei os meus lábios nos teus, é insuportável o teu cheiro se não puder tocar-te, ficaríamos completos se apenas houvesse palavras, e o mais absurdo é que nem precisamos de falar, pessoas como nós não procuram a eternidade mas os sentidos,
Cada instante merece um orgasmo,
invento,
tento provar-te que os poemas são feitos de carne, nunca de versos, estranhamente não ripostas e deixas-te olhar, fico mais de uma hora só a ver-te e é tudo, peço-te que te coloques nas mais diversas posições, há-de haver um ângulo qualquer em que não seja completamente teu e o teu sorriso o quase céu, mas não o encontro, pessoas como nós não procuram a pele mas a faca,
Há uma certa dignidade na maneira como nos abandonamos,
despeço-me,
visto-me com lentidão enquanto te amo finalmente, a vida não se compadece com mais do que o que temos, podíamos tentar a hipótese de uma rotina, quem sabe a adrenalina sossegada de uma família, um beijo de manhã e outro à noite, uma cama que não fosse apenas de sexo, até conversar com outro objectivo que não o prazer, mas não sei se é amor o que não me dá tesão, pessoas como nós não procuram a paz mas o medo,
Amanhã ou outro dia qualquer ou então nunca,
declaras,
e percebo então que me deste a mais profunda declaração de amor, amanhã ou outro dia qualquer ou então nunca, e eu consinto sem hesitar, pessoas como nós não procuram promessas mas nunca se falham.

Pedro Chagas Freitas

Xamanismo


"Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
Sendo assim, a sabedoria da mulher está para o xamanismo, como o xamanismo esta para a mulher, já que a sabedoria da Mãe Terra é a sabedoria da Mulher, na qual ao resgatar a sua ancestralidade e as praticas ancestrais, ela resgata o seu conhecimento e desperta a bruxa, a curandeira, a feiticeira, a xamã - Aquela que conhece a si, escuta o seu coração, conecta-se com os outros mundos, reverencia os seus ancestrais, e participa e honra os ciclos da Mãe Terra.
A Mulher é parte da Terra, em seu intimo ela armazena as memorias ancestrais dos nossos antepassados, diferentes culturas, povoados, histórias fazem parte da história da mulher.
Quando ela se conecta ao que a Mãe Terra lhe mostra, ela consegue resgatar a sua própria essência; cíclica e assim possibilita a entrada em um caminho de conhecimento intuitivo e sábio, relembrando as praticas ancestrais de conexão.
Ao deixar de lado o sistema patriarcal e a era solar, e conectar-se com a sabedoria da terra, a mulher volta-se para conexão com a Avó Lua e percebe que assim como a lua tem seu ciclo de vida-morte-vida, ela também passa pelo mesmo processo com o seu Ciclo Menstrual.
Ela percebe que assim como a Lua, ela também é escuridão e luz, morte e vida, paz e turbilhão. Ela não se renega, ela aceita-se.
A conexão com a Lua é um grande inicio para Mulher sentir-se e conhecer-se, possibilitando a entrada na sua morada.
A Avó Lua é aquela que ensina a mulher a descobrir-se.
E O Talento da Mulher é ser a Guardiã dos Mistérios da Terra, é ser a conhecedora dos ciclos da vida, a dona dos portais da alquimia.
É ser a geradora e criadora do AMOR."

- Caroline Ienne

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

....divórcio


Ando aqui há uns meses a pensar nessa coisa dos divórcios.

Tudo começou quando um casal, amigos do peito, passaram uma fase em que alguns amigos no final do ano passado se separaram, e o assunto veio à baila...depois, em Janeiro, o Miguel Leal publicou um post, a fazer uma pergunta: Porque nos dias de hoje há mais divórcios do que dantes?

Pois, o assunto dá pano para mangas...
Influência da Sociedade, da Igreja, da Família...que anularam a mulher por completo, neste sistema patriarcal que abomino, e ela tal como a Eva, ficou submissa ao homem, viveu em função do homem, e se assim não fosse, levava na "tromba", como os homens gostam de dizer, ou então "rebentava-lhe a boca toda à punhada", entre outras...
E quanto a isto haveria muito a dizer, mas fico por aqui...

Para além da mulher ser mais independente nos dias de hoje, uma outra razão para haver tantos divórcios, a meu ver, é que as mulheres aprenderam o que há de pior nos homens.
Perderam o seu lado humano, sensível e...ficaram muito racionais, frias e calculistas.

E CUIDAR...?

"O verbo a seguir ao amar devia ser cuidar.
Cuidar é a prova de amor mais bonita que se pode prestar (quando o amor presta).
Cuidar é isso mesmo, passar da paixão, aos actos.
Se quiserem, é o grande teste.
Como nos reality shows em que só continua em jogo quem tiver vencido o desafio, no amor só continua a dois quem continuar a cuidar - ou então há ali alguém que está a sofrer muito.

Quando nos submetemos ao juramento do amor eterno devíamos selar um pacto!
Não de amar para a eternidade, mas de cuidar - porque tenho concluído, quem resiste ao tempo e suas armadilhas, quem resiste a dois, é quem cuida.
Cuidar - e por muito que não queira dar a palavra aos católicos (longe de mim dar razão a quem raramente é coerente nos actos com as palavras que repete cegamente) - é permanecer nas horas boas e más, na alegria e na tristeza.

Direi até que sendo o cenário actual agreste, acredito que só os bons vão continuar juntos.
Não aqueles que se encostam e acomodam.
Cuidar é uma coisa que não se disfarça - os que cuidam não são os mesmos capazes de um embuste. Cuidar é de facto ter o coração grande, um coração que não encolhe quando o outro engorda, adoece, ou perde o fôlego.

Parece-me que maior parte de nós, hoje em dia, salta da relação antes desta parte do cuidar.
Nós vivemos o fogo da paixão (é inigualável), depois permitimo-nos ainda o amor - mas já aqui estranhamos.
E depois, já confortados e confortáveis, começamos a desconfiar do que temos.
Não só desconfiamos, como muitas vezes desdenhamos!
E é nesta altura que saltamos para fora do nosso espaço, viciados que estamos hoje em dia em procurar o novo.

Todos nos revemos nesta ideia e, no entanto, todos a rejeitamos.
Tudo seria mais simples se, de cada vez que encontrássemos a pessoa certa (ou quase certa), as campainhas soassem ou um alarme luminoso se acendesse.
Era bom que não houvesse forma de não percebermos que aquele era o amor das nossas vidas e que nunca (jamais!) o poderíamos deixar escapar, a não ser que quiséssemos.

Já agora também era bom que ficasse claro que há pessoas que cultivam o sofrimento, o seu e o dos outros.

Cuidar devia ser algo que aprendemos na escola.
Como beber leitinho com chocolate da caneca.
Como estudar a obra de Camões ou Saramago.
Cuidar, amar, devia estar nos livros, a questão é, quem é que tem moral para ensinar o amor?
(Se Saramago esperou tanto para conhecer o amor da sua vida?)

Eu entristeço quando vejo amores descuidados.
Gente que não deu o litro, nem um quarto (!)
E no entanto se atira a uma espécie de sofrimento porque a pessoa que julgava amar o abandonou.
Estas também são as pessoas que só percebem que amam na ausência.
Depois, quando tudo lhes falta (e o tudo passa a ser o outro), armam-se em MacGyvers do amor. Vão, inventam, tentam, quase morrem para salvar o amor que já se perdeu.
É tão engraçado!
E depois estas pessoas, que nada cuidaram, podem ficar anos numa espécie de luto a chorar pela pessoa que os deixou.

Durante o tempo em que o amor estava a ser vivido a dois, nunca fizeram nada para o salvar - salvaguardar.
As pessoas não cuidam e depois não podem ser cuidadas.
Depois fica um buraco enorme e elas enchem-no a qualquer preço, com saltos mortais, acrobacias várias (e perigosas) que provem ao outro que apesar de não terem estado lá nos últimos anos, agora estão, e agora é que é a sério. (Para o outro, normalmente, é tarde demais...)
Cuidar é em vida e agora, no amor vivo e presente."

Pois eu, continuo cá com a minha:
Não acredito em Almas Gémeas, na Metade da Laranja, no Testo da Panela...
O “juntos para sempre”, o excesso de fantasia, expectativa e idealização.
Não acredito em relações baseadas na carência, projecção, expectativa, cobrança,ciúme e controle.
Relações tóxicas, dependentes e doentias.

E quando ouvia as razões da separação desses casais (os tais amigos, dos meus amigos)dei por mim a opinar...
É muito comum vermos e fazermos julgamentos sobre os comportamentos de terceiros, não é?
Então achamo-nos no direito de julgar se o que o outro faz é certo ou errado, se é melhor ou pior, se é bom ou mau, e esquecemo-nos de que os nossos parâmetros são diferentes dos deles, e quando iniciamos esse processo de julgamento, usamos como base a nossa própria realidade, o nosso ponto de vista, a nossa história de vida, a nossa moral...
E tudo isso varia de um ser humano para outro, portanto, não deveríamos ser juízes de ninguém, a não ser sobre a nossa própria vida.


Persigamos o que vivemos, não o que perdemos!

Florbela


Eu sou insaciável!
Mal um desejo surge, outro desponta, e em mim há sempre latente a febre do sonho e do desejo, e quando possuo alguma coisa de infinitamente consolador, como é a sua amizade, desejo mais, mais ainda, mais sempre!
Conhece-se em mim o afecto, o amor, a ternura por um egoísmo implacável que quer tornar muito meus, e só meus, os corações que se me dedicam um pouco.

Florbela Espanca
in, Correspondência (1921) 

40...Idade da Loba


"À medida que avança a idade, valorizo muito mais as mulheres com mais de 40 anos, e aqui estão algumas razões para isso

Uma mulher com mais de 40, nunca vai te acordar no meio da noite, para perguntar com o que você está sonhando... Simplesmente porque não lhe interessa com o que você está sonhando;

Se uma mulher com mais de 40 anos, não quer assistir um jogo de futebol, ela não fica reclamando e andando em círculos no meio da sala. Ela simplesmente vai fazer algo que ela quer fazer, com grandes chances de ser muito mais interessante;

Uma mulher com mais de 40 se conhece o suficiente para estar segura de si mesma, para saber o que quer, para saber quem quer. São poucas as mulheres com mais de 40 que se importam com o que você pensa delas;

Uma mulher com mais de 40 já tem completa a sua cota de relações "importantes" e "compromissos". A última coisa que quer, na sua vida, é outro amante possessivo;

As mulheres com mais de 40 são superiores. Nunca dão uma baixaria no meio do restaurante. Se você aprontou alguma, ela certamente pode até te acertar um tabefe, mas em regra simplesmente te abandonam e depois não te querem ver nem pintado (por mais que você implore desculpas e diga que está arrependido);

As mulheres com mais de 40 geralmente são muito carinhosas e te elogiam muito. Elas sabem por já terem vivido isso nas relações "importantes" e nos "compromissos" como é desagradável que a pessoa de quem gostamos não seja carinhosa e cuidadosa;

As mulheres com mais de 40 tem segurança o suficiente para te apresentar as suas amigas. Uma mulher mais jovem, quando está com você, pode ignorar a existência da sua melhor amiga;

As mulheres com mais de 40, independentemente da sua área de atuação, acaba se tornando meio psicóloga: você não precisa confessar os seus pecados, porque elas sempre sabem;

Uma mulher com mais de 40 fica absolutamente linda com um batom vermelho;

Uma mulher com mais de 40 é honesta e direta: lhe dirá que você é um completo imbecil, se pensar mesmo isso de você;

Há muitas coisas legais para dizer das mulheres com mais de 40 e pelas razões mais diferentes. Mas lamentavelmente isso não é recíproco: porque para cada mulher com mais de 40, inteligente, bem sucedida, atraente, charmosa, bonita e sexy tem um homem com mais de 40, gordo, largado, se achando e com uma mulher de 20 do lado dele.

É incrível ver como os homens se enganam com as mulheres mais novas. Se cada homem soubesse aproveitar a mulher de mais de 40 anos que está ao seu lado, ele saberia a diferença entre a beleza física e a sabedoria madura.

Se você tiver uma mulher de mais de 40 anos ao seu lado, usufrua dela enquanto puder pois estará usufruindo do que a vida tem de mais belo."


Obriga-me



E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo.
Obriga-me.

Hilda Hilst

sublime sedução


Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. 
Treinar-se a respirar
Florescentemente. 
Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. 
Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. 
Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. 
Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. 
Ficar na dureza
Firme. 
Conter. 
Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. 
Soprá-la para dentro de ti
até que a dor alegre recomece.

Maria Gabriela Llansol

domingo, 23 de fevereiro de 2014

As Coisas Secretas da Alma


Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas.
E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz.
Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas.
A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar.
E como essas ideias-entranhas são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar.
Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos.
Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem.
Nem poderiam existir.
No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só.
E os corpos morreriam.

in, "Cartas a Fernando Pessoa"
Mário de Sá-Carneiro

Ama


Ama.
Lavar os dentes ao lado de quem amas.
Apalpar-lhe descaradamente o rabo.
Comer chocolates até te fartares.
Passar a noite a dizer asneiras.
Beijar sempre de língua.
Passar o dia a dizer asneiras.
Mandar o chefe bugiar.
Passar a vida a dizer asneiras.
Deixar declarações de amor escondidas pela casa.
Fazer o teu pai feliz.
Preguiçar regularmente.
Fazer a tua mãe feliz.
Atirar o despertador à parede periodicamente.
Fazer quem tu puderes feliz.
Dormir quinze ou vinte horas seguidas.
Pôr a mão de fora do vidro do carro.
Pintar o cabelo de azul ou de amarelo.
Pôr a cabeça de fora do vidro do carro.
Cantar no banho para todo o prédio ouvir.
Lamber a tampa dos iogurtes.
Correr que nem um louco na praia.
Falhar que nem um burro só porque tentas.
Praticar sexo oral com frequência.
Tentar que nem um burro só porque queres.
Mudar a decoração de casa num dia só.
Dançar quando estás feliz.
Passar horas só a cuidar de ti.
Dançar quando estás triste.
Dizer bem de quem amas.
Enfiar o dedo no nariz às escondidas.
Dizer bem de quem não amas.
Dançar enquanto estás vivo.
Guardar segredos inconfessáveis.
Experimentar posições sexuais improváveis.
Contar segredos inconfessáveis.
Masturbares-te sem qualquer culpa.
Ter segredos inconfessáveis.
Ver quanto dá o teu carro.
Dizer o que não se pode dizer.
Cagar assiduamente nas convenções sociais.
Sonhar com o que não pode acontecer.
O orgasmo sempre que puderes.
Coçar e ser coçado nas costas.
O gemido sempre que souberes.
Passar muitas horas a contar anedotas.
Adormecer todo torto no sofá.
Passar muitas horas a ouvir anedotas.
Rir que nem um desalmado.
Fazer um penteado estrambólico só porque te apetece mudar.
Rir por tudo e por nada.
Chorar a torto e a direito.
Rebolar na areia quando estás todo molhado.
Chorar porque também é um direito.
Abraçar o teu gato ou o teu cão.
Mandar a austeridade tomar no cu.
Beijar incansavelmente.
Não te levares minimamente a sério.
Dispensar quem te chateia.
Tocar um instrumento qualquer.
Perdoar quem é humano.
Desistir do que não te serve.
Lutar pelo direito à parvoíce.
Escrever um livro.
Dar prioridade ao prazer.
Ler um livro.
Nunca desistir de quem amas.
Aprender desvairadamente.
Fazer cadeirinha com quem amas.
Ensinar desvairadamente.
Perder a respiração pelo menos uma vez por dia.
Nascer pelo menos mais uma vez do que as vezes em que morreres.
Viver desvairadamente.
Te.


in, "O Livro dos Loucos"
Pedro Chagas Freitas

Márcia com Samuel Úria -- MENINA (Video Oficial)

Onde anda a minha Alma-Gémea?



No que toca ao tema do Amor e dos relacionamentos, todos escondemos aquele desejo secreto de encontrar alguém que nos venha preencher o nosso eterno vazio. Alguém com quem nos vamos identificar a todos os níveis e viver uma vida “feliz para sempre”. Por mais que a vida nos prove e mostre, tanto pela nossa experiência como pela dos que nos rodeiam que esse ideal é uma fantasia, algo em nós agarra-se teimosamente a ela.

Idealizámos exageradamente o conceito de alma-gémea, fizemos filmes românticos com happy-endings, criámos desenhos animados com histórias de amor para sempre, e continuamos a alimentar o conceitos através de músicas, livros, novelas, etc que continuam a fazer-nos acreditar que existe alguém que irá trazer o que nos falta ou ser a nossa cara-metade. 

Por serem uma fonte infinita de emoções maravilhosas, por aparentemente parecerem preencher o nosso vazio e esconder as dores da nossa solidão, acabamos todos apegados à ideia de encontrar essa dita pessoa ou esse relacionamento que, se realmente existisse, resolveria quase todas as dores do ser humano.

Mas contra factos não há argumentos. Basta olharmos à nossa volta e analisar a nossa história pessoal e observamos que não há provas da existência de tal relacionamento perfeito e equilibrado e muito menos para sempre.

Mais do que lhes chamarmos alma-gémea e continuarmos a alimentar esse fenómeno distorcido da existência de uma alma que vem completar o que nos falta, chamemos-lhes sim “relacionamentos Kármicos”. Ou seja, existe na mesma uma enorme atracção, um sentimento de que já nos termos conhecido antes, de conforto ou familiaridade junto dessas pessoas, excesso de foco ou mesmo obsessão por essa pessoa. Apenas precisamos de retirar o “juntos para sempre”, o excesso de fantasia, expectativa e idealização. 

Diz a Lei do Karma que tudo o que sai de nós, a nós irá voltar com a mesma intensidade e qualidade. Quando encarnamos trazemos já o propósito de evolução, os encontros e desafios que precisamos para equilibrar esses mesmos Karmas passados. Enquanto houver dinâmicas Kármicas por saldar, encarnamos para conseguir esse equilíbrio. Sendo assim, por trás da mais bela história de amor, está a acontecer a um nível atómico uma troca energética. 

Numas situações vamos perceber e sentir que precisamos perder força, noutras precisamos ganhar autoridade e só nós, com a devida percepção saberemos a diferença. Caso nos mantenhamos fechados, ignorantes deste processo invisível mas mágico e alquímico, ficaremos a repetir o que nos trouxe cá até que gastemos essa energia e tomemos consciência de como nos libertarmos dela.

TODOS os relacionamentos são Kármicos. Todos nos estão a trazer a oportunidade de continuar uma história começada já no passado e levá-la mais à frente. A relação entre pais e filhos ou mesmos dos outros membros da família. Os locais onde trabalhamos, os vizinhos que atraímos. Aqueles por quem nos apaixonamos. Os nossos melhores amigos. TODOS trazem uma vertente Kármica. Mas por um excesso de romancismo, passamos a acreditar que apenas as relações românticas carregam esse “charme” de virem de outra vida.

Após aquele momento “cor-de-rosa” da atracção mútua essencial para que o acordo previamente decidido se cumpra, virão ao de cima essas mesmas energias reprimidas do passado em busca de evolução e Luz.

Deste ponto de vista, cada relacionamento é então uma maravilhosa oportunidade de nos libertarmos de energias negativas, de medos enraizados, da elevar a nossa eterna desvalorização, de conquistar a nossa autoridade ou de pelo contrario revelarmos alguma humildade ou simplesmente aprendermos sobre o Amor incondicional. Sabendo que atraímos o que carregamos, esteja ele consciente ou inconsciente, os relacionamentos são também uma oportunidade maravilhosa de humildemente reconhecermos em que estado energético realmente nos encontramos e a partir daí vermos o que ainda temos a trabalhar. 

Um relacionamento Kármico tem um tempo de duração previsto para que as lições aconteçam. A um nível muito superior e a partir de uma consciência de Amor, os dois têm um acordo sagrado de ajuda mútua de crescimento e talvez por isso a questão do “para sempre” seja tão forte em nós.

A questão é que somos seres individuais responsáveis pelo nosso percurso e evolução pessoal. Caso o nosso “parceiro” Kármico escolha não evoluir ou esteja a vivenciar experiencias diferentes ou opostas à nossa não deverá ser impedimento para que não continuemos a nossa caminhada e adiemos esse apoio. Afinal vivemos no 3D extremamente condicionados pelo Espaço e Tempo. Nesses casos, as separações são inevitáveis embora muitos, por apego, escolham suspender a sua evolução para manter esses mesmos relacionamentos. Uns por medo da solidão, outros por insegurança de viver uma vida sem as velhas bengalas, a maior parte por simples ignorância deste processo. 

Infelizmente são escolhas feitas sem a consciência de que ao suspendermos a nossa evolução estamos a assinar uma vida de frustração, vazio e solidão para não dizer pior.

Precisamos tirar os óculos cor-de-rosa. Precisamos de reaprender a olhar para os relacionamentos com mais realidade, como fontes crescimento pessoal assim como, claro, de prazeres momentaneos. Seria maravilhoso passarmos a usar mais a palavra companheiro/a, do que namorado/a ou marido/mulher ou mesmo o “meu amor”.
Companheiro no sentido de alguém que nos “acompanha” na nossa viagem e nós na dele/a. Alguém que aprecia a nossa companhia e que respeita o nosso espaço e liberdade de maneira de ser. Alguém que gostamos de ter por perto sem carência e sem “precisarmos” dela. 
Tudo o que vá para além disto torna-se apego, negócio e irá, mais cedo ou mais tarde ser uma fonte de dor.

No campo da fantasia não cresci diferente da maioria e gosto ainda de acreditar que é possível viver relações mais saudáveis do que as que vimos nos nossos pais e nos nossos avós e em tantas ainda nos dias que correm. Mas terão que ser relações baseadas em escolhas conscientes e não mais em carências escondidas e disfarçadas. Serão relações entre dois elementos acordados para o crescimento pessoal, respeito e entreajuda mútua. Serão relacionamentos isentos de cobrança, culpa e julgamento. As conversas serão partilhas sobre as descobertas que cada uma vai fazendo sobre a sua caminhada pessoal. 

Enquanto ainda houver carência, projecção, expectativa, cobrança, enquanto não fecharmos essas energias em nós e assumirmos a responsabilidade sobre o estado da nossa pessoa, lamento ser a portadora da noticia que não haverá relacionamento equilibrado ou saudável.
Haverá relacionamentos sim mas, apenas para gastar essas velhas energias, levar cada um ao limite das mesmas e assim, tal como nos ensinam os antigos, poder virar no contrário.


Vera Luz

The Frozen Lake


"I'm standing on my frozen lake.
…Your frozen lake is the name for what you want the most in the world and you want it, you want it so bad that you'll do anything to get it.
And your heart takes over.
But because of that, it destroys you in the end.
It's right there, just sitting in the middle of this frozen lake, and you think you're fast enough to go out and grab it before the ice cracks."
– Kensi

"And what you don't realize is, you're already standing on the ice and it's falling apart around you."
– Deeks


"There is only one way to cross a frozen lake.
… Do not run.
Walk slowly.
Stop to look at everything.
Take your time.
She will wait for you."
– Thapa



NCIS:LOS ANGELES
Temporada 5, Episódio 10
"The Frozen Lake"

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mãe Tríplice


Mãe tríplice é a deusa mãe dos celtas.

A adoração a esta Deusa Mãe caracteriza uma religião matriarcal.
É representada como três mulheres, cada uma segurando um objecto diferente, como um cão, um peixe e um cesto.
O número três era considerado um número sagrado para os celtas, daí as figuras triplas ou deuses de três cabeças.

A Lua (a Senhora do Destino) é a grande trindade feminina de
Donzela, Deusa Mãe e Anciã.
Os rituais Druídicos são sempre realizados em conjunção com as fases da Lua, e as druidesas (sacerdotisas), alinham o trabalho mágico, com os ciclos menstruais.
A Senhora do Destino é consagrada ao dia 6 de janeiro.

As fases da Lua são:
A donzela/Nimue - o crescente lunar, virginal e delicado;
A mãe/Mari - a Lua Cheia, com seu ventre inchado de vida;
A anciã/Anu - a Lua em quarto Minguante, sábia e poderosa, que desaparece na noite escura da morte (Morrigan, a Lua Nova).
A Deusa Mãe é também, a mãe da Natureza, a mãe de todos os seres vivos que vivem neste mundo.

A fase da lua mais importante na religião celta é a lua cheia, que é quando eles rezam á sua Deusa para os proteger de todos os males que existem.

Por volta do ano 1235 dizia-se que a Deusa Mãe possuiu o corpo de uma pessoa morta, para ela conseguir proteger as pessoas inocentes mais de perto.
Então a partir daí ela fazia rituais, para proteger cada pessoa e cada parte do mundo.
Em 1673, os homens matavam todas as mulheres que fossem belas, ou de cabelo preto, porque pensavam que estavam a ser amaldiçoados.
Ainda se diz que a Deusa Mãe ainda anda por ai, a olhar pelos inocentes e a combater o mal.

Mitologia Celta


As tríades, na mitologia celta, consistiam na fusão de três personalidades divinas numa só pessoa.

O significado que possuía o número três nesta mitologia era o de "o meio", a indecisão que existe entre o bem e o mal. O três representa na numerologia a ideia da plenitude ou totalidade, como nos trios de passado/presente/futuro e mente/corpo/espírito. Os pitagóricos consideravam o três o primeiro número completo, pois, igual a três seixos postos em fila, possui um começo, um meio e um final.

Por outro lado, na astrologia representa o signo de Gêmeos, que ocupa esta posição no Zodíaco.

A deusa Cailleach seria a mesma pessoa que as deusas Brigit e Dana, segundo diversas tradições:

Brigit era a deusa do fogo e da música, bem como a padroeira das mulheres grávidas. O seu culto era muito estendido por todo o território celta. Quando os evangelizadores chegaram à Irlanda, não puderam eliminar o seu culto, e assim decidiram adaptá-lo ao cristianismo, tornando-a Santa Brígida da Irlanda.

Dana é uma deidade relacionada à fertilidade da Terra, ao ciclo das estações e à criação do mundo. O nome dos Tuatha de Dannan significa textualmente "Filhos de Dana", em honra a ela. Acredita-se que é a esposa e mãe de Dagda, e que as suas filhas são, entre outras, Nimue e Morrigan.

Segundo as tradições celtas mais diversas, a tríade formada por Dana, Brigit e a Cailleach tem um simbolismo que representa a sucessão das estações, a fertilidade da terra e o ciclo da vida e da morte. Adicionalmente, segundo as tradições que referem à batalha entre Cailleach e Brigit, esta tríade representa o passar do tempo, a velhice e a juventude, entre outras coisas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Love or Sex? : Barry Long

Dois Anjos


“Dois anjos vão ter com Deus pedir autorização para encarnar no Planeta Terra.
Deus fica felicíssimo com o pedido pois sabe que irá experienciar uma aventura maravilhosa através de cada um deles.
Os dois anjos pedem então uma orientação a Deus para que a viagem corra da melhor maneira.
Deus responde e deixa apenas duas advertências:

* Eu orientarei sempre a vossa viagem pela vossa intuição e pelas vossas emoções.

* Quando a aventura começar terão que experimentar “TUDO”

- Tudo? O que queres dizer com tudo? Respondem os dois aventureiros.
- Toda a dualidade, a Luz e a sombra, o dia e a noite, o feminino e masculino, o amor e o medo, a alegria e a tristeza, o apego e a liberdade, a fé e o cepticismo e tantas outras dualidades que irão descobrir depois inclusive a lembrança e o esquecimento de mim.
- Mas meu Deus estás sempre a falar dos dois pólos das mesmas energias.
E Deus responde:
- “Tudo” é exactamente isso... Boa Viagem!"

Ary


Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? que não digo:
meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.


José Carlos Ary dos Santos

Podia ser aí



Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas na trepadeira do quintal.

Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.

Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.

Nuno Júdice

Segredos



Por vezes não existe reciprocidade absoluta de sentimentos.
Ainda que a amizade mútua seja grande, o melhor amigo de uma pessoa pode ter como melhor amigo uma terceira pessoa, que por sua vez também tem o seu próprio melhor amigo.
Os sentimentos têm destes desencontros, é difícil que coincidam em grau e exclusividade, por isso os segredos se sabem, percorrem a longa cadeia das amizades, passam de melhor amigo em melhor amigo.

RUI ÂNGELO ARAÚJO
[POR VEZES]


Já minha avó dizia: "teu amigo tem amigo, seu amigo amigos tem..."
Daí o degredo absoluto do segredo...
E já agora, para quem gosta do nosso Eça, como eu:
Os segredos contam-se mais depressa a um estranho do que ao melhor amigo
(Eça de Queiroz, Singularidades de uma Rapariga Loira).

Enfim, todos sabemos que até os nossos melhores amigos têm os seus dias e as suas fraquezas...
Se o assunto é mesmo íntimo e "cabeludo" , nada como escolher o psicólogo para o partilhar, pois esse tem obrigação ética e deontológica de guardar para si os conteúdos das conversas que tem com o paciente...eheheheh
Mas não é a mesma coisa, não é?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Se me aproximar - Tiago Bettencourt e Márcia

A elegância no comportamento



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição....

Sobrenome, joias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens...

Abrir a porta para alguém? É muito elegante.

Dar o lugar para alguém sentar? É muito elegante.

Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

Oferecer ajuda? Muito elegante.

Olhar nos olhos ao conversar? Essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesma a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura.


Martha Medeiros

Silêncios


"Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico. 
Representam tempos de pacificação, de resolução de conflitos, de reencontro, 
mas também são espaços de abertura, 
portas abertas à comunicação e ao preenchimento do que existe à nossa volta. 
Surpreendem. 
Marcam. 
Fazem adormecer, tanto quanto fazem sonhar." 

Pedro Strecht

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

PESSOAS EMOCIONALMENTE FORTES


Há aspectos particulares da nossa força mental que são determinantes para termos ou não uma vida boa.  Existem vários níveis da nossa força mental e todos são necessários para termos sucesso e sermos felizes.
A que tem maior impacto é a força emocional.

As emoções fazem parte, claro, da nossa componente psíquica, no entanto distinguem-se das restantes qualidades mentais  porque influenciam directamente o corpo físico.
Afectam a forma como o corpo funciona e determinam cada uma das nossas acções.
Sem emoções, não teríamos razões para agir nem para fazer o que quer que seja por nós próprios.
As emoções são as nossas maiores motivações.
Infelizmente, conseguem motivar-nos para direcções por vezes não as melhores.
Por esta razão, a força emocional é tão essencial.

Há muitas situações que as pessoas emocionalmente fortes evitam. Veja estas 15:

1.     Não pedem atenção

Precisar de atenção está directamente ligado a emoções. Os que sentem necessidade de reconhecimento, apenas se sentem válidos quando os outros os fazem sentir necessários. É como se essas pessoas não estivessem seguras do seu valor. Sentir-se inseguro do seu valor é meio caminho para o não reconhecimento. Se não sentimos que somos importantes, os outros tambem não o vão sentir.

2.     Não permitem que os outros as rebaixem

Força emocional requer resilência. O mundo está cheio de gente negativa, invejosa e ciumenta. Infelizmente muitas vezes os que nos rebaixam são os que estão mais perto de nós. A melhor solução é livrarmo-nos dessas pessoas, mas é também a mais dificil. Se conseguir remover essa gente da sua vida é menos um problema emocional.  

3.     Não guardam rancores

Se guarda rancor está a dar mais importâmcia do que devia a um assunto. Se uma pessoa pede desculpa genuinamente, perdoe de imediato. Se não pedir desculpa, não interaja mais com ela, mas não guarde rancor. Se continuar a dar-se com essa pessoa, vai fazer-lhe mais mal do que bem.

4.     Não param de fazer as suas coisas

As pessoas emocionalmente fortes fazem o que fazem porque adoram fazê-lo. Não lhes passa pela cabeça abrandar ou parar por alguém que considera a sua felicidade inapropriada.

5.     Não deixam de acreditar em si próprias

Os que gostam de si próprios, percebem-se a si próprios, não tem medo e tem orgulho de si próprios nunca duvidam deles próprios. Sabem quanto valem, nem um tostão a mais, nem a menos.

6.     Não são sacanas, nem idiotas

Há pessoas más, sim, e perguntamo-nos porquê. Ser mau só serve como factor intimidante. Se quer intimidar, é preferível negociar. Se está a intimidar apenas por prazer, obviamente está a compensar uma falta de auto confiança.

7.     Sabem muito bem como não deixar os outros interferir na sua vida

Os emocionalmente fortes são fortes por uma razão: Não se expoem a pessoas que destroem as suas defesas e esmagam a sua moral.  Muitas pessoas sentem-se perdidas e adoravam levá-lo com elas. Não deixe que lhe arruinem a felicidade.

8.     Não tem medo de amar

Se tem medo de amar , não confia suficientemente em si próprio. Obviamente não deve manter um relacionamento condenado ao fracasso. E tambem não quer ser outra vez magoado, porque ser magoado não é agradável. Não há razão para ficar destroçado quando se tem confiança em si próprio. Se as coisas não dão certo, não é você, são os dois que não dão certo. A menos, claro, que seja uma pessoa horrível. Aí é mesmo você.

9.     Não ficam na cama, com medo de enfrentar o dia

A melhor parte do dia devia ser quando acorda e realiza que está vivo. Tomamos a vida como garantida demasiadas vezes.

10.   Não tem medo de abrandar

As pessoas emocionalmente fortes não sentem necessidade de acção e excitação constantes. Não precisam de passar o dia a correr a fim de evitar os seus demonios. Apreciam um momento tranquilo, porque os aproxima do sentimento de não fazer nada senão viver e respirar.

Não significa que não apreciam excitação na vida, mas não são aditos a ela. Ficam mais do que felizes em dar um simples passeio e cheirar flores.

11.   Não fazem coisas que não querem fazer

Todos nós fazemos coisas que não adoramos, mas não deviamos fazer o que não queremos fazer. As pessoas emocionalmente fortes percebem isso e quase sempre arranjam forma de se focarem no que gostam de fazer e, por acrescimo, no que precisa de ser feito. Apesar de não apreciarem cada minuto do que estão a fazer, valorizam o que estão a fazer porque os aproxima mais do que reamente adoram fazer.

12.   Não tem problema em dizer “Não”

Se não consegue dizer “não”, as pessoas vão abusar de si. Será visto como um tarefeiro e ninguém lhe vai perguntar a opinião ou sequer levá-lo a sério quando a der. Dizer “não” lembra às pessoas que não tem controlo sobre si.

13.   Não se esquecem de dar

Nunca estamos demasiado ocupados ou demasiado pobres para doar tempo ou dinheiro. Muita gente opta por ignorar as suas responsabilidades como seres humanos. Quanto mais forte emocionalmente for, mais aprecia os outros e a vida em si. Valoriza mais a vida e começa a empatizar com os que tem pior sorte.

14.   Não sentem que precisam ser aceites

Quanto mais forte emocionalmente for, mais independente fica. Não sente a necessidade de ser aceite, porque é aceite onde interessa ser: no Mundo. Pessoas de grupos socais pequenos são muitas vezes estranhas e pouco saudáveis. Querer ser aceite não é mais do que “Tenho medo de ser eu próprio”.

15.   Não esquecem que ser feliz é uma opção

Muito importante:
As pessoas emocionalmente fortes aprenderam a perceber o poder que o cérebro tem sobre a mente e o corpo. Percebem que as emoções são reacções, não reacções a causas físicas directas, mas à forma como percepcionam essas causas.
Por outras palavras, as nossas emoções não reflectem realidades, as nossas emoções reflectem a forma como interpretamos a realidade.
Perceber isto dá-nos controlo quase absoluto das nossas emoções e portanto das nossas vidas.

Adaptado de "15 things emotionally strong people don’t do", de Elite Daily

.......pré-ocupar-me


Há uns anos, troquei uma entidade empregadora, um salário chorudo e um comodismo agradável pela aventura de ficar por conta própria, sem nunca saber quantos euros iria ganhar ou perder, e a liberdade de não ter nem de agradar nem de obedecer a ninguém.
Ainda não me arrependi!
Há anos que não faço ideia do que é isso de ter subsídio de férias ou de natal, não me passou sequer pela cabeça, quando saí de uma profissão onde estava há catorze anos, negociar subsídio de desemprego, ou começar a roçar-me pelas paredes, para me despedirem e levar uma indemnização para casa.
Na altura, diziam-me que eu era louca.
Talvez porque somos um povo habituado a reclamar muito os direitos, e a cumprir pouco os deveres, não sei.
Sei que não era ético, sei que para mim não fazia sentido exigir fosse o que fosse ao 'patrão', mas apenas levar da experiência tudo o que me parecesse importante.

A brincar, costumo dizer que hoje sou precária por conta própria.
Continuo sem saber quantos euros vou ganhar, quantos euros vou perder, e o futuro só me assusta quando me pré-ocupo com ele.
Aí, sim, fico cheia de dúvidas, fico cheia de medos e é um rol desmedido de 'ai isto' e de 'ai aquilo' e de 'ses'.
Se há uns tempos me chamavam louca, hoje há quem me chame inconsciente, sobretudo quando reparam que não me pré-ocupo com o que amarra e me prende.

"Sim, é sempre mais eficaz.
Ocuparmo-nos do que nos é dado a viver a cada momento.
Na pré-ocupação, o espaço para o presente fica cheio dessa futura ansiedade e os momentos consomem-se, consomem-nos, tantas vezes sem darmos por eles.
E, sim, continua a haver muitos dias em que, também eu, me pré-ocupo.
E por isso conheço bem a diferença: entre os dias em que estou pré-ocupada e os dias em que estou, simplesmente, ocupada.
Agora, por exemplo, estou ocupada a escrever este texto.
Podia pré-ocupar-me a pensar se alguém irá lê-lo, pré-ocupar-me com o que vou fazer a seguir, pré-ocupar-me com tantas outras coisas, sei lá.

E a culpa, ah, a culpa!
Dos políticos, dos ladrões, dos lobbistas, dos ricos, dos outros, pois.
Todos tão pré-ocupados com o que os outros fizeram, desfizeram, tiraram, roubaram e por aí fora.
E 2014, meu deus!, a pré-ocupação que por aí vai e, afinal, hoje é dia 17 de Fevereiro de 2014 e de 2015 não há nadinha, nadinha que se possa, hoje, ter a certeza de que irá existir.
Ou há?
Se houver, por favor digam...

E ok.
Pré-ocuparmo-nos com o futuro.
Com o corte dos subsídios, com a falência do estado, com as pensões vitalícias dos políticos, com a saúde da mãe, com a reforma um dia, tudo serve, afinal, para nos pré-ocuparmos...

Hoje, escolho ocupar-me com o presente.
Olho pela janela e vejo o cajueiro.
Calculo que não esteja minimamente pré-ocupado com as folhas que lhe irão cair, não tarda muito.
Eu também não estou.
Pré-ocupada com coisa nenhuma.
E é por isso que o espaço cá dentro hoje está assim, livre e desocupado.
E então já irei ver o que vou fazer, agora que estou mesmo a acabar este texto.
Talvez dançar..."

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Life will break you


Life will break you.
Nobody can protect you from that,
and living alone won't either,
for solitude will also break you with its yearning.

You have to love. You have to feel.
It is the reason you are here on earth.
You are here to risk your heart.
You are here to be swallowed up.
And when it happens that you are broken,
or betrayed, or left, or hurt, or death brushes near,
let yourself sit by an apple tree and listen to the apples falling all around you in heaps, wasting their sweetness.

Tell yourself you tasted as many as you could..

~Louise Erdrich

RELENDO JUNG...



"Jung condena a consciência apocalítica, em qualquer das suas múltiplas variações, como uma convicção infantil e insustentável de que é melhor fugir ou acabar com o mundo de que enfrentar as tensões e as contradições que envolvem a nossa vida neste mundo.
A aversão pela vida e suas vicissitudes e a hostilidade resultante do espírito religioso contra o oponente e o contraditor, latentes em toda a literatura, precisam de ser vistas como expressões de ódio que de facto são.
Elas precisam de ser superadas em nome da empatia mais abrangente.
Jung exprime sua própria rejeição de uma unilateralidade desesperada até mesmo em relação às imagens apocalípticas cristãs da Nova Jerusalém e dos esponsais do Cordeiro..."

in,  "Amor, Celibato e Casamento Interior" 
John P. Dourley

Do vale, ao topo da montanha


"Eu afirmo que a Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem alcançá-la por nenhum caminho, qualquer que seja, por nenhuma religião, por nenhuma seita.
Este é o meu ponto de vista, e eu o confirmo absoluta e incondicionalmente.
A Verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; nem pode qualquer organização ser constituída para conduzir ou coagir pessoas para qualquer senda particular.
Se vocês logo compreendem isso, verão o quanto é impossível organizar uma crença.
Uma crença é algo puramente individual, e vocês não podem e não devem organizá-la.
Se o fizerem, ela se torna morta, cristalizada; torna-se um credo, uma seita, uma religião a ser imposta aos outros.
Isto é o que todos estão a tentar fazer pelo mundo afora.
A Verdade é restringida e usada como joguete por aqueles que são fracos, por aqueles que estão apenas momentaneamente desgostosos.
A Verdade não pode ser rebaixada, mas, em vez disso, deve o indivíduo fazer esforço para ascender até ela.
Vocês não podem trazer o topo da montanha para o vale.
Se querem atingir o cume da montanha, vocês devem atravessar o vale e escalar as escarpas sem medo dos perigosos precipícios."

"Novamente, eu sustento que nenhuma organização pode conduzir o homem à espiritualidade."

J. Krishnamurti

sábado, 15 de fevereiro de 2014

JOUMANA HADDAD


(...)
"Sou realmente contra religião, e contra a doutrinação, a ideologia e o inevitável integralismo que ela carrega.
Meu Deus, é a minha liberdade.
Meu Deus, sou eu mesma e as pessoas que amo.
Eu sou muito espiritual, mas muito anti-religiosa, especialmente desde que eu me convenci que as três grandes religiões monoteístas não têm feito nada além de dividir as pessoas, e também são muito patriarcais e condescendentes com as mulheres(...)
Acredite em você, celebre sua força como mulher.
Nunca diga: "Esse mundo é meu também, entregue-me".
Em vez disso, "Esse mundo é meu, eu vou tomá-lo"(...)

"Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil.
Antes o desvanecer do pesar último.

Eu Lilith o anjo devasso. Primeira fuga de Adão e corrompidora de Satanás. O imaginário do sexo reprimido e o seu mais alto grito. Tímida pois sou a ninfa do vulcão, ciumenta pela doce obsessão do vício. O primeiro paraíso não pôde suportar-me. E caçaram-me para que eu semeie a discórdia na terra, para que governe nos leitos os assuntos dos meus sujeitos.

Sorte dos conhecedores e deusa das duas noites. União do sono e do despertar. Eu, o feto-poetisa, ao perder-me ganhei a vida. Regresso do meu exílio para ser a esposa dos sete dias e as cinzas do amanhã.

Eu sou a leoa sedutora e volto para cobrir as submissas de vergonha e para reinar sobre a terra. Venho para curar a costela de Adão e liberar cada homem da sua Eva.

Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.

Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.

Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche."

JOUMANA HADDAD


Lilith não é, nem nunca será consensual, moderada, lógica, ordenada ou racional, e menos que tudo "cientifica"...desenganem-se as mulheres que pensam que a podem instrumentalizar no seu jogo de palavras ou mete-la entre conceitos de bem e mal, de negro e branco, de luz e trevas...
Lilith está para lá linguagem...ela é emoção pura, força vulcânica, labareda, chama e nada a detém perante a sua Justiça, pois ela é implacável e impecável - intocável na sua natureza absoluta...



En estos tiempos de sadomaso patriarcal disfrazado de liberación sexual, es bueno recordar la historia de Lilith, la mujer que prefirió exiliarse del Paraíso, si quedarse le iba a suponer someterse. Pero esta vez no vuelvo a repetir su historia (que ya escribí en otra entrada) sino que lo dejo para la poeta Joumana Haddad.

Sin embargo, que vuelva a hablar de ella es por el estreno de las famosas 50 sombras de Grey, junto con un artículo que leí de una psicoanalista lacaniana sobre cómo aman los hombres. La película y la psicoanalista me han hecho volver a  pensar el daño que la expulsión de Lilith y su conversión en un demonio ha hecho a nuestra salud psicológica.
El Psicoanálisis tradicional está fundamentado en la creencia de que sólo Adán fue hecho a imagen y semejanza de Dios, mientras que la mujer es sólo una costilla. La mujer es un no-hombre, un ser incompleto.  Axiomas como la envidia del pene de Freud, la frases-ladrillo de Lacan como que en el inconsciente sólo existe el falo, o que la mujer es para el hombre un síntoma, son hijos de Adán y Eva-La Costilla de Adán. Leer artículos de psicólogas que sostienen que todos los hombres temen a la mujer porque amar les feminiza (o sea, les da miedo que les castren porque en el inconsciente solo existe el falo y el amor es femenino) es, como poco, dañino. Las mujeres fundamentamos nuestra identidad en una falta, y los hombres en un miedo a ser castrados. Las 50 sombras de Grey solventa este problema: la mujer redime por su amor a un hombre al que le deja ser dominante.

Pero yo no creo que las mujeres seamos costillas de Adán, ni que los hombres no les fundamente la misma necesidad de amor y conexión que tenemos las mujeres. Así que me imagino el daño que puede haber hecho las interpretaciones de psicoanalistas a numerosos hombres y mujeres. A las mujeres asertivas y no sumisas, porque les habrán hecho sentir castradoras; y a los hombres sensibles y que saben cuidar, les habrán hechos sentir castrados.

Supongo que los lacanianos que no me leen me tirarían piedras. Pero yo sólo sueño con el retorno de Lilith...

Ana Cortiñas Payeras
La Isla de Penélope

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

John Legend - All of Me



E no Dia do Amor...

All of Me Loves all of You...
Give your all to Me and i give you all of Me...
Love Your perfect imperfections...

Relacionamentos...numa perspectiva espiritual


O assunto dos relacionamentos, a nível espiritual é complexo e fascinante, ou seja, faz-nos ver a mecânica dos relacionamentos de uma maneira completamente nova daquela a que estamos habituados. Para entender melhor esta nova postura, temos que relembrar que somos espíritos em evolução habitando temporariamente um corpo e que a grande meta final é encontrar a harmonia e equilíbrio interior e recuperar o nosso brilho original. 
Ou seja, pouco ou nada tem a ver com a presença ou não de alguém. 

O outro, seja ele ou ela quem for, tem um papel sim, mas não aquele a que estamos habituados. O outro vem apenas servir de espelho para facetas ou partes de nós que ainda se encontram totalmente inconscientes, vêem fazer disparar em nós emoções que de outra maneira apenas ficariam abafadas e vêem também dar-nos a oportunidade maravilhosa de expressar aquilo que temos de melhor. Amor incondicional, tolerância, respeito, amizade, carinho, sinceridade, humildade e muitas muitas outras facetas maravilhosas do ser humano mas que infelizmente ainda estão longe de ser postas em prática nos dias que correm.

Acredito que a relação verdadeiramente amorosa e baseada em amor incondicional que nos é proposta, é a relação connosco próprios. Só depois desta plenamente vivida, nos é aberta a porta da partilha com alguém que vem espelhar essa mesma vibração de amor próprio, de respeito, de harmonia interior que todos tanto procuramos.
No entanto todos sabemos que são raros os casos de relacionamentos bonitos e harmoniosos e isso só demonstra o quanto ainda andamos perdidos e o quanto ainda precisamos aprender a amar, primeiro a nós e depois aos outros.
Nada tenho contra o relacionamento amoroso com alguém, mas ele nunca terá sucesso se à partida precisarmos ou dependermos dele.

Numa primeira fase, as carências, o vazio e as frustrações que carregamos dentro do nosso passado pessoal, fazem-nos acreditar que, algures, existe alguém que passamos a chamar de “cara-metade” ou de “alma-gémea” que, um dia, nos irá preencher e trazer-nos a felicidade que tanto procuramos. 
Tudo não é mais do que uma enorme ilusão, e que mais tarde ou mais cedo apenas irá dar lugar a uma, também enorme, desilusão. 
Aliás, não existe desilusão, sem ilusão primeiro, e dessas, nós somos os únicos responsáveis por elas. Mais ainda, quando aprendermos a desenvolver primeiro dentro de nós, afinal o que tanto procuramos no outro, para assim atrairmos a energia semelhante, toda a mecânica dos relacionamentos mudará para sempre.
E aí sim, o relacionamento com alguém será apenas uma livre escolha de ir partilhar com alguém o que temos de melhor.
Nunca para ir buscar seja o que for.

Como disse Gandhi um dia “sê a mudança que queres ver no mundo”

Como queremos ter parceiros perfeitos com todas as qualidades do mundo, os chamados príncipes e princesas, ou os chamados “cara-metade” ou “almas-gémeas”, quando nós próprios sabemos tão bem estarmos longe da perfeição ou pelo menos da harmonia interior?
Como podemos exigir respeito, tempo, sensibilidade, carinho, ou seja lá qual for a lista que fizermos, se tudo isso ainda não conseguimos dar a nós próprios ou mesmo demonstrá-los aos outros?

Mais uma vez, estamos ilusoriamente a buscar fora, aquilo que ainda não nos demos a nós próprios, aquilo que ainda não somos. 

A lei da atracção diz-nos que atraímos o que somos, o que temos dentro, o que emanamos.

O ditado “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” nunca fez tanto sentido como nos dias que correm em que podemos facilmente observar esta mecânica.
Claro que numa primeira fase, nos recusamos a aceitar ou a admitir que aquela pessoa que mais detestamos, mais nos irrita e que afinal mais julgamos, está na nossa vida apenas com a função de nos relembrar que “aquilo” que estamos a projectar nela, também existe dentro de nós.
São as sombras negras dos nossos demónios escondidos e só depois de um processo espiritual iniciado e interiorizado, podemos começar a desenvolver a humildade que nos permite ver, o que durante tanto tempo, nos recusamos a ver.
Pelo contrário, temos aquelas pessoas que nos provocam entusiasmo e admiração, são as nossas sombras brancas que nos vem lembrar potenciais escondidos ainda por resgatar.
Mas para resgatarmos estas e começar a viver o nosso potencial, primeiro temos que tirar o lixo, transformar todos aqueles demónios, levar-lhes Luz.

Num mundo actual, onde as aparências são o mais importante, tudo fazemos para ter então uma aparência perfeita.
Mostrar ou mesmo reconhecer os nossos demónios não é algo que façamos de animo leve.
E no entanto é a única coisa que nos trará liberdade.
Basta sairmos à rua e observar como são raras as expressões livres de amor, alegria, fragilidade, surpresa ou encantamento. Acabamos por nos acomodar a uma mascara que desenvolvemos para estar à altura das expectativas dos outros ou para sobressair numa sociedade competitiva, sem percebermos que dentro dela está também escondida a nossa Luz.
Identificamo-nos de tal maneira com essa mascara que passamos maior parte do tempo a engrossá-la mais ou a julgar as mascaras dos outros. E pior, aqueles que algures já iniciaram o seu processo de retirar esta mascara, de resgatar a sua verdadeira essência, e que nos mostram o bom e o bonito que é a expressão livre das emoções, são normalmente o primeiro alvo, visto estarem a espelhar o quão ridículas são as máscaras que insistimos em manter.

Mas reconhecer e deixar cair esta mascara, ou seja, o nosso Ego, é talvez um dos desafios mais antigos da Humanidade. Mas é realmente a moeda de troca que o Universo nos pede por uma vida livre, abundante e feliz. 

No fundo, o processo é relativamente simples; reconhecer e sair da mascara arrogante e orgulhosa que nos faz acreditar que somos donos da verdade e da razão, desenvolver uma atitude de humildade e de tolerância para com os nossos erros e os dos outros, resgatar a sensibilidade e a fragilidade há muito perdidas aprendendo a demonstrar emoções livremente e a reconhecer que temos a responsabilidade de vir a ser aquilo em que tanto acreditamos e esperamos dos outros.
Simples ? sim ... mas moroso.
Moroso, porque é um processo que envolve que assumamos responsabilidade por tudo o que nos acontece.
E infelizmente ainda não interiorizamos bem essa ideia.
Somos o produto final de todas as experiencias e vidas acumuladas.
Somos também a oportunidade constante de mudança.

Carregamos nas nossas células 2000 anos de conceitos como culpa, julgamento e medo.
Não vai ser de um dia para o outro que vamos viver conceitos novos como amor incondicional, responsabilidade, amor-próprio ou consciência. Mas só o saber que estamos no meio dessa transição, que cada um de nós é responsável por tornar essa transição mais rápida, é já por si maravilhoso.

Está nas nossas mãos, abandonar conceitos antigos que nos faziam girar em torno do outro, das suas vontades, caprichos, manipulações e desejos.
Enquanto não houver mudança, somos ainda eternos parasitas energéticos e emocionais numa procura constante e inconsciente de alguém que nos preencha tal como o drogado procura a sua droga. 



Novas regras de relacionamento irão surgir, superadas pelas antigas tão falhadas. 

1o Relacionamento amoroso é antes de mais connosco próprios.
Para isso é importante saber quem sou ? de onde venho ? o que estou cá a fazer ? e haver espaço para auto conhecimento através da Astrologia, meditação ou qualquer tipo de actividade que mantenha o foco no próprio.

2o Tomar consciência do que carregamos dentro de nós.
O outro é apenas um espelho das nossas sombras. As sombras brancas mostram o nosso potencial, o que de melhor trazemos mas que ainda nem sabemos, a sombra negra o que em nós precisa de cura, transformação, perdão e amor e que maior parte das vezes é inconsciente. Conseguir observar as características das pessoas que atraímos para a nossa vida é tomar consciência de quem somos e só aí poderemos saber livremente o que escolhemos vir a ser.

3o Assumir responsabilidade por todos os eventos que nos acontecem como uma segunda oportunidade que a Vida nos está a dar para que lidemos com eles de maneiras mais amorosas e criativas.

4o Perceber que tristeza, solidão, medo, angustia, revolta são nossas e precisam de ser honradas e limpas e não escondidas ou disfarçadas.
Por outro lado, a alegria, o entusiasmo, o deslumbramento, a gratidão e a tolerância, devem existir primeiro dentro de nós e não as exigirmos de ninguém.

5o Relacionamentos serão o palco aberto da interacção amorosa, da expressão livre de afecto, do reconhecimento que o outro é igual a nós, que tem os mesmos dramas, inseguranças, medos e sonhos, do respeito pela liberdade dele ser como é e pela nossa liberdade de estar junto enquanto nos sentirmos bem.
Humilhações, maus tratos, perdas, serão sinal de desconexão espiritual do próprio e muita falta de auto estima e valor próprio. Não haverá lugar para vitimização.

6o Reconhecer que a Vida não colocou amarras em ninguém e que até o casamento é uma criação do homem.
Quando sentimos que a nossa história com alguém terminou devemos assumir isso e deixar o espaço e tempo que ocupámos com esse alguém, o mais limpo possível.
Saber retirar as lições dessa aprendizagem.

7o Palavras ou esquemas mentais que envolvem manipulação, exigência, culpa, critica, orgulho, julgamento irão ser trocadas actos ou gestos de paciência, tolerância, amor, incentivo, carinho, respeito.

8o Vivencias de rejeição, abandono, culpa, projecções, crítica, julgamento, solidão, humilhação, traição, obsessão, cobrança são sinal de que o outro ainda é mais importante do que nós próprios.
Que viramos parasitas sem perceber.
Que saímos do nosso trilho e estamos a viver o trilho do outro.

9o Fidelidade ? Sim, claro ! mas primeiro a quem somos, ao que precisamos, aos nossos sonhos e principalmente a tudo o que nos faz pular o coração de alegria, entusiasmo e amor próprio.
Fidelidade ao que e a quem nos faz sentir bem.

10o Liberdade, será uma palavra com novo significado.
Um relacionamento será a partilha comum de dois seres que estão em pleno desenvolvimento da sua individualidade e da sua evolução espiritual.
O outro será apenas alguém que nos acompanha, que nos incentiva a superar positivamente o que a Vida nos vai apresentando, que nos relembra a Luz que somos e que nos apoia nas escolhas que vamos fazendo a cada momento.
A palavra companheiro/a será muito mais bonita do que marido ou esposa.


Estas regras são apenas alguns exemplos daquelas que acredito, irão fazer parte no futuro, de novas regras de conduta nos relacionamentos.
Muitas mais haverá com certeza.
E cada um adoptará para si próprio aquelas que mais lhe fizerem sentido e que mais paz lhe tragam a cada momento.
Por enquanto e enquanto ainda esperamos essa Nova Era Relacional, comecemos aos poucos a interiorizar as mudanças que terão que acontecer para que todos comecemos a viver Verdadeiras Relações de Amor.


Vera Luz