sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fernando Pessoa





Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Simon Webbe - No Worries (legendado tradução)

Já não estar...




Se às vezes numa rua, num lugar
Eu penso que um dia hei-de morrer
Sei que tudo o que tenho vou deixar
Aqui onde hoje estou, deixo de estar
E tudo quanto sou, deixo de ser

Medo da morte não consigo ter
Mas outros mais humanos e banais
Medos que a gente tem, mesmo sem querer
Como o medo que eu tenho de morrer
Só por querer viver um pouco mais

Se consigo a meu modo estar no céu
Mesmo vivendo neste céu de Inverno
Se apenas sou árvore que cresceu
Num espaço e num tempo que é o meu
Para que havia eu de ser eterno

Mas como as minhas cinzas vão ficar
Debaixo de uma pedra de jardim
Meu amor, tu sabes onde me encontrar
E uma flor sobre a pedra vais deixar
De cada vez que te lembrares de mim
De cada vez que te lembrares de mim...

Manuela de Freitas 
com excertos de frases de José Saramago

Onde tu estás




Estive em África em tempos.
A utopia tinha cor, era vermelha, como deve ser toda a utopia.
O bafo quente e húmido abraçava-me.
O suor a nascer nos poros, gotas estranhas a bailar nos olhos, aguardando o crepúsculo que é breve, ali em África.
Bantu, macua, masai...
Sinto uma noite imensa a abraçar-me a alma e encosto o meu corpo nas paredes do horizonte.
A tua boca é um caju fresco, vermelho, colhido no divino cajuzal.
Ainda não te conhecia, nunca chegaste a voltar a África.
A tua terra agora é acolá.
E eu, que ainda não te conhecia mas já te amava, dizia que tinhas razão.
A nossa terra é onde estão as pessoas que nós amamos.

Mia Couto

Como se nada mais importasse





O engraçado é quando desistes, e deixas de estar à espera.
Deixas de esperar o melhor das pessoas.
Mas continuas a dar o melhor de ti, porque o brio, esse nunca se perde.
E depois começas a gostar de estar sozinho, apercebes-te que afinal a tua própria companhia não é assim tão insuportável, e podes mesmo vir a ser um grande amigo.
Daqueles que se guardam junto do coração em dias cinzentos.
O engraçado é quando chegas a esse ponto, e aparece alguém que te relembra o quão só estavas, mas que em vez de partir, te dá a mão e diz não estás sozinho.
O engraçado é apaixonares-te assim do nada, como se nunca te tivessem partido o coração, como se nada mais importasse, só tu e ela.
É, é engraçado.
Já tinha saudades.

P. Proença

Quero fazer contigo...O que a primavera faz com as cerejeiras.




"Brincas todos os dias com a luz do universo.
Subtil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
Como um cacho entre as mãos todos os dias.

Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo entre as estrelas
do sul?
Ah deixa-me lembrar como eras então, quando ainda existias.

Subitamente o vento uiva e bate à janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.

Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
E solta todos os barcos que esta noite amarraram o céu.

Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos.

Agora, agora também, pequena, trazes-me madressilva,
E tens até seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
Eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.

O que te haverá doído acostumares-te a mim,
À minha alma selvagem e só, ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela-d’alva beijando-nos os olhos
E sobre as nossas cabeças destorceram-se os crepúsculos em leques
Rodopiantes.

As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do universo.
Vim trazer-te das montanhas flores alegres «copihues»,
Avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.

Quero fazer contigo
O que a primavera faz com as cerejeiras.


Pablo Neruda

terça-feira, 25 de outubro de 2011

The Divine Comedy - A Lady Of A Certain Age (HQ)








Neil Hannon (solo) - "A Lady Of A Certain Age"

Back in the day you had been part of the smart set
You'd holidayed with kings, dined out with starlets
From London to New York, Cap Ferrat to Capri
In perfume by Chanel and clothes by Givenchy
You sipped camparis with David and Peter
At Noel's parties by Lake Geneva
Scaling the dizzy heights of high society
Armed only with a cheque-book and a family tree

You chased the sun around the Cote d'Azur
Until the light of youth became obscured
And left you on your own and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You'd say with a conspiratorial wink
"You wouldn't think that I was seventy"
And he'd say,"no, you couldn't be!"

You had to marry someone very very rich
So that you might be kept in the style to which
You had all of your life been accustomed to
But that the socialists had taxed away from you
You gave him children, a girl and a boy
To keep your sanity a nanny was employed
And when the time came they were sent away
Well that was simply what you did in those days

You chased the sun around the Cote d'Azur
Until the light of youth became obscured
And left you on your own and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You'd say with a conspiratorial wink
"You wouldn't think that I was sixty three"
And he'd say,"no, you couldn't be!

Your son's in stocks and bonds and lives back in Surrey
Flies down once in a while and leaves in a hurry
Your daughter never finished her finishing school
Married a strange young man of whom you don't approve
Your husband's hollow heart gave out one Christmas Day
He left the villa to his mistress in Marseilles
And so you come here to escape your little flat
Hoping someone will fill your glass and let you chat about how

You chased the sun around the Cote d'Azur
Until the light of youth became obscured
And left you all alone and in the shade
An English lady of a certain age
And if a nice young man would buy you a drink
You'd say with a conspiratorial wink
"You wouldn't think that I was fifty three"
And he'd say,"no, you couldn't be!

http://www.thedivinecomedy.com/
http://www.fromthebasement.tv/

RTP 2 - 11 de Setembro A Grande Farsa (Completo)




Abram a vossa mente e pensem por voces, nao deixem que vos digam como pensar! Todos vos sao brilhantes e tem essa capacidade. Pensem!!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fomos quase heróis...




Fomos quase navegadores.
Fomos quase bem-sucedidos.
Fomos quase vencedores.
Fomos quase grandes.
Fomos quase perfeitos.
Fomos quase felizes.
Fomos quase gloriosos.
Fomos quase ricos.
Fomos quase heróis dos sete mares.
Fomos quase almirantes.
Fomos quase conquistadores.
Fomos quase imperiais.
Fomos quase colonizadores.
Fomos quase excêntricos.
Fomos quase memoráveis.
Fomos quase arrebatadores.
Fomos quase apaixonados.
Fomos quase amados.
Fomos quase fiéis.
Fomos quase dedicados.
Fomos quase presentes.
Fomos quase especiais.
Fomos quase diferentes.
Fomos quase loucos.
Fomos quase verdadeiros.
Fomos quase mais que um sonho.
Fomos quase o que nunca fomos.
Por uns instantes, fomos quase heróis...

Anonimo

Como agir na vida?




- Como saber qual a melhor forma de agir na vida? – perguntou o discípulo ao mestre.

O mestre pediu-lhe que construísse uma mesa.

O discípulo cravava os pregos com três golpes precisos. Um prego, porém, estava mais difícil e o discípulo precisou dar mais um golpe. O quarto golpe enterrou o prego fundo demais, a madeira foi atingida e rachou.

- A tua mão estava acostumada a dar três marteladas – disse o mestre.

– Tu acostumaste-te com o que fazias e perdeste a habilidade.

“Quando qualquer acção passa a ser apenas um hábito ou uma rotina, ela deixa de ter sentido, e pode terminar causando danos. Cada acção é uma nova acção, e só existe um segredo: jamais deixes que o hábito comande os teus movimentos, actos ou sentimentos”.

Sabedoria Oriental 
in, "Esteja Aqui e Agora"

Demasiado ocupados




Penso que sim, que estamos.
Estamos demasiado ocupados para sentir.
Estamos demasiado distraídos para ver, quando olhamos.
Andamos demasiado afastados para percebermos quando estamos perto.
Andamos demasiado perto para percebermos o que nos faz falta.
Somos demasiado barulhentos para escutar o silêncio.
Somos demasiado barulhentos para escutar o coração.
Somos demasiado silenciosos para dar voz à revolta que nos vai na alma.
Somos demasiado silenciosos para amar...
Penso que sim, que estamos demasiado ocupados para viver...

Pirke Avot

He venido al desierto





Por vezes passa-se toda uma vida sem se gostar de uma voz.
Por vezes, vive-se uma vida sem se identificar com as palavras de outros.
Para mim bastaram 15 breves segundos de música e um refrão.
Apaixonei-me irreversivelmente por esta voz e pelas palavras que saíram das suas entranhas.
Consigo imaginar-me, só, a caminho do deserto, para ir-me do teu amor...
Porque no deserto que tudo queima, pode até queimar a dor...


He venido al desierto par'irme de tu amor
Que el desierto es mas tierno y la espina besa mejor

He venido a este centro de la nada pa'gritar
Que tu nunca mereciste lo que tanto quise dar

He venido yo corriendo, olvidandome de ti
Dame un beso pajarillo, note asustes colibri

He venido encendida al desierto pa quemar
porque el alma prende fuego cuando deja de amar



El Desierto
Lhasa de Sela

Vida Tão Estranha




São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado

A gente vive na mentira
Já nem dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão mal tratado
Já nem chorar me traz consolo
Resta-me só o triste fado

Musica de Rodrigo Leão
Voz de Ana Vieira

Ilusões




Algures pelos caminhos da vida fui perdendo as ilusões.
Em algum lugar ao longo da caminhada se desprendeu de mim a inocência.
Nalgum momento, que não sei ao certo precisar, compreendi que o animal mais feroz e mais perigoso que anda neste mundo, talvez por caminhar erecto, não está devidamente relatado nos documentários da National Geographic.
Ainda assim, ao longo da jornada, não perdi a memória das coisas e das gentes, e sobretudo, não me afastei daquela criança que fui, dona daquele olhar faminto e esbugalhado, com apetite de descoberta e sede de conhecimento.
Nada de importante se perdeu portanto.
Apenas a inocência se foi esbatendo à medida que as ilusões se iam desvanecendo.

Pensando nas ilusões que perdi, recordo-me das palavras do Miguel Sousa Tavares, que também as suas ilusões perdeu, sem contudo perder nada do que lhe era verdadeiramente importante.

“E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.... Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre”

Miguel Sousa Tavares
in,Não te Deixarei Morrer, David Crockett

E agora, José?




E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade

Que força é essa...




Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Sérgio Godinho

Não queiras saber de mim




Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim

Rui veloso

Estou Cansado


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

(...)

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos
in, "Poemas"

Sábios como Camelos





Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos - que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava- se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?

Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e conduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de areia até uma região remota do deserto. Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.

Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
- Eras tu o responsável pelos livros - disse -, assim por cada livro destruído passarás um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:
- Não faças isso, meu senhor - disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir - esse homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado:
- Meu Deus! O camelo fala!?

- Falo sim, meu senhor - Confirmou Aba, divertido, com o incrédulo silêncio dos homens.
- Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.
- Liberta esse homem - disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
- Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si.
Pode ser!

in, Sábios como Camelos
José Eduardo Agualusa

A Memória é o Maior Tormento do Homem




Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado.
Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade - pois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal.
O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?

Friedrich Nietzsche
in 'Segunda Consideração Intempestiva'

sin palabras.. mirenlo nada mas » www.video11.es

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Reencontrar




"O trabalho da alma consiste em tecer, manter e projectar cordões de luz entre os seres, desenvolver a capacidade de um ser se dar pelos outros.

Este veículo envolve a alma no momento em que encarna e ela fica revestida de camadas e camadas de verniz cultural, tradicional, comportamental que não lhe pertence, isto falando do ponto de vista puro da alma, com certeza que existem factores cármicos que determinaram que aquela alma nascesse ali e não acolá, mas em termos da realidade da alma, do eu superior, nível causal, a alma quando está encarnada auto submeteu-se à lei da limitação."

‎"À medida que conquisto zonas de sinceridade cada vez mais verticais e axiais dentro de mim, em torno do meu ser instala-se, inexoravelmente, a harmonia. Este é o trabalho, estabilizar, reencontrar, fazer nascer, tornar incandescente a sinceridade que nos liga ao centro do nosso próprio ser. As portas do ser interno só se podem abrir na proporção em que eu próprio me souber abrir ao meu ser central. Cada uma destas portas exige um exercício mais profundo de sinceridade, de independência, exige um estado mais profundo de abertura. Lá, no centro do teu ser, está um Mestre, um tesouro, as portas servem para nos proteger do impacto demasiado directo da nossa própria divindade."

ANDRÉ LOURO DE ALMEIDA

O SHAKTIPAT





"O nono método do despertar é realizado pelo guru. Ele é chamado shaktipat.
O despertar é instantâneo, mas ele é somente um vislumbre, não um evento permanente.
Quando o guru cria este despertar, você experiência o samadhi.
Você pode praticar todas as formas de pranayama e todos os asanas, mudras e bandhas sem ter aprendido ou se preparado por eles.
Todos os mantras lhe são revelados e você conhece as escrituras por dentro.
Mudanças tomam lugar nos seu corpo físico em um instante.
A pele torna-se macia, os olhos brilham e o corpo emite um aroma particular que não é nem agradável e nem desagradável.

Este shaktipat é realizado na presença física ou à distancia.
Ele pode ser transmitido por um toque, por um lenço, por um japa mala, uma flor, uma fruta ou algo comestível, dependendo do sistema que o guru dominou.
Ele pode até mesmo ser transmitido por carta, telegrama ou telefone.
É muito difícil dizer quem está qualificado para este despertar.
Você pode ter vivido uma vida de renúncia por cinquenta anos, mas ainda não poder recebê-lo."


in, Kudalini-Tantra
Satyananda

O RAJA YOGA - O YOGA SUPREMO




O quinto método para induzir o despertar é através do raja yoga e do desenvolvimento de uma mente equilibrada. Esta é a total fusão da consciência individual com a superconsciencia. Ela ocorre por um processo seqüencial de concentração, meditação e comunhão; experiência de união com o absoluto ou supremo." (...)
"Após o despertar através de raja yoga, as mudanças ocorrem no aspirante. Ele pode transcender a fome e todos os seus vícios e seus hábitos. As sensualidades da vida não são mais atraentes, a fome e o desejo sexual diminuem e o desapego desenvolve-se espontaneamente. Raja yoga traz uma lenta transformação da consciência"...

in, Kudalini-Tantra
Satyananda

Bon Jovi - Welcome To Wherever You Are













"Welcome To Wherever You Are"

Maybe we're different, but we're still the same
We all got the blood of Eden, running through our veins
I know sometimes it's hard for you to see
You come between just who you are and who you wanna be

If you feel alone, and lost and need a friend
Remember every new beginning, is some beginning's end


Welcome to wherever you are
This is your life, you made it this far
Welcome, you gotta believe
That right here right now, you're exactly where you're supposed to be
Welcome, to wherever you are

When everybody's in, and you're left out
And you feel your drowning, in a shadow of a doubt
Everyones a miracle in their own way
Just listen to yourself, not what other people say

When it seems you're lost, alone and feeling down
Remember everybody's different
Just take a look around


Be who you want to, be who you are
Everyones a hero, everyones a star

When you wanna give up, and your hearts about to break
Remember that you're perfect, God makes no mistakes

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Benny & Joon



Benny & Joon - Corações em Conflito (Benny & Joon)
1993

Directed by Jeremiah S. Chechik

Johnny Depp - Sam


Benjamin "Benny" Pearl (Aidan Quinn) é um mecânico que cuida da sua irmã, Juniper "Joon" Pearl (Mary Stuart Masterson), uma jovem com problemas mentais.
Joon vai à loucura quando, por ter perdido num jogo, se vê obrigada a tomar conta de um excêntrico jovem, Sam (Johnny Depp), que parece ser a reencarnação de Buster Keaton.
Mas Sam, com seu jeito peculiar, irá transformar muito a vida deles.

O HOMEM QUE DISSE TODA A VERDADE NA TELEVISÃO

ACABOU-SE O FIM




Foi ontem apresentado o Orçamento de Estado 2012. Uma desgraça, uma violência, uma catástrofe.

Acabaram-se as deduções fiscais, acabaram-se os subsídio de Natal e de férias para muita gente, acabaram-se as isenções em taxas moderadoras e IMI’s e muitos outros benefícios e direitos.

Para mim, acabaram-se também outras coisas.

Acabou-se a conversa da treta. Acabou-se o veneno. Acabou-se o vir para o facebook falar mal do Vítor Gaspar, do Passos Coelho, do Sócrates e dos que lá estiveram antes deles. Acabou-se a conversa de café “pois é, isto está mal...”. Acabou-se a mania de opinar sobre a Economia e sobre as decisões tomadas, achando que sei mais que quem lá está – não sei. Acabou-se a conversa sobre a troika, o FMI, o BCE e a UE, como se na realidade soubesse do que estou a falar – quantos já leram de facto o memorando? E dos que o leram, quantos o entenderam? Acabou-se a mania da perseguição e de achar que é sempre tudo feito com o intuito de nos virem ao bolso. Acabou-se o prazer mórbido de encontrar conforto na ideia de que estamos todos mal e não sou só eu. Acabou-se o complexo dos “velhos do Restelo”, que não foram eles que nos levaram a dobrar o Cabo das Tormentas e a baptizá-lo Cabo da Boa Esperança. Acabou-se de vez a ideia parva de sair deste país e de ir para outro melhor – não há outro melhor que este, esta é a minha pátria e precisa de mim agora, e eu vou contribuir com todas as minhas forças para a levantar da lama. Não lhe virarei as costas. Acabou-se o cinzentismo e o discurso miserabilista de que não há luz ao fundo do túnel – há sempre, ela não vem é ter connosco. Acabou-se a revolta contra os que fazem mal, vinda de quem nem sequer tenta fazer bem. Acabou-se a indignação por não ter dinheiro para comprar um par de calças ou ir de férias para fora. Acabou-se o dedo acusador contra “os vigaristas do costume” e nas costas deles evitar pedir factura para pagar menos. Acabou-se a errada esperança de um dia poder abrir um negociozito com recurso a subsídios. Acabou-se a imoralidade de achar que tenho direito a tudo, apenas porque os meus pais também tiveram.

Chega. Chegou a minha hora.

Vou continuar a trabalhar para produzir e cumprir o meu papel no tecido económico, contribuindo com boa parte do meu vencimento para ajudar a pagar o que os que não podem, não pagam.

Vou deixar de me focar em tudo o que está mal – e se há muita coisa que está mal! – e começar a motivar-me com o que está bem.

Vou começar a ser parte activa nas mudanças que quero ver implementadas. Filiei-me num partido político e vou fazer ouvir a minha voz – podem ter a certeza!

Vou acordar todos os dias e vou pensar no que vou fazer hoje para que amanhã seja melhor.

Vou ser mais consciente nas minhas escolhas e nas minhas compras. Vou tentar comprar sempre Made in Portugal, mesmo que esteja habituado a outros produtos ou outras marcas. Mesmo que seja um pouco mais caro, se puder pagar, compro. Fruta? Portuguesa e da época. Legumes, idem. Combustível? Nacional. Água, cerveja vinho, café, tudo português, que são dos melhores do mundo. E vou tentar fazer as minhas compras mais no pequeno comércio local que nas grandes superfícies.

Férias ou escapadinhas, se as houver, é cá dentro, que Portugal é (mesmo) um país que vale por mil.

Vou gastar menos em coisas supérfluas e mostrar aos meus filhos que é assim que deve ser. Vou educá-los de maneira a não caírem nos mesmos erros da minha geração e das anteriores. Esse será o meu legado e o melhor que todos podemos fazer. Estamos a desperdiçar o presente. Asseguremos o futuro.

Bem sei que infelizmente há milhares de pessoas numa situação muito pior que a minha, que tenho (por enquanto) emprego e casa. Há situações desesperantes, de famílias inteiras sem nada, sem rendimentos, sem casa, sem dinheiro para por comida num prato. E pior, já tiveram tudo isso. Sinto-me um afortunado e um privilegiado, mas não me sinto mal por isso.

Quem ainda tem tudo, tem a obrigação moral de se sentir grato por isso e de ajudar estes portugueses a saírem desta situação. Trabalhando, com optimismo e sentido de união. Estamos todos no mesmo barco. Somos todos portugueses, unidos por uma visão maior que nos levou a descobrir o Mundo. Historicamente, já mostrámos do que somos capazes.

Por mim, o fim acaba aqui. Este barco não vai ao fundo.

Richard Warrell
Oeiras, 18 Outubro 2011


PS -Parafraseado livremente o grande Al Pacino (a partir dos 3m35s):
"Ou nos erguemos agora como nação, ou morremos como indivíduos."

http://www.youtube.com/watch?v=gdtQrSnEPCM

Wayseer Manifesto Portugal Rebels: Visionarios do Caminho




~ All you rule breakers, you misfits & troublemakers, all you free spirits...
~ THE WAYSEER MANIFESTO ~
Tradução (por Graziella Davanso):



Atenção, todos vocês, quebradores de regras, vocês inadaptados e causadores de problemas, todos vocês espíritos livres e pioneiros, todos vocês visionários e não conformistas. 

Tudo o que o sistema diz que está errado contigo, é realmente o que está certo em ti.
Você vê coisas que os outros não vêem. Você está conectado para mudar o mundo. Ao contrário do 9 em cada 10 pessoas, a sua mente é irrepreensível, e isto ameaça a autoridade. Você nasceu para ser revolucionário.

Você não pode suportar as regras porque em seu coração você sabe que há uma maneira melhor. Você tem forças perigosas para o sistema, e ele quer eliminá-las, assim, em toda a sua vida já lhe foi dito que as suas forças eram fraquezas, e agora estou te dizendo o contrário.

Sua impulsividade é um presente - impulsos são suas chaves para o milagre, sua distração é um artefato de sua criatividade inspirada.
Suas alterações de humor refletem o impulso natural da vida, eles te dão energia incontrolável quando você está elevado, e profundo insights quando você está em baixa.


Sendo diagnosticados como uma "desordem"?
 Esta é a mais nova forma da sociedade negar a sua própria doença, apontando o dedo para você. Sua personalidade viciante é apenas um sintoma de sua grande capacidade subutilizada para a expressão heróica, criativa e conexão espiritual, sua total falta de repressão, o seu idealismo com os olhos arregalados, sua absoluta mente aberta - Nunca ninguém te disse isso?
 Estas são as características compartilhadas pelos grandes pioneiros, visionários e inovadores, revolucionários, procrastinadores e rainhas do drama, ativistas no cenário social, cadetes espaciais e rebeldes, filósofos e desamparados, ternos de negócio voando em aviões de combate, estrelas de futebol e viciados em sexo, celebridades com transtornos de déficit de atenção, alcóolicos que procuram novidades, socorristas, profetas e santos, místicos e agentes de mudanças.

Somos todos iguais, você sabe, porque todos nós somos atraídos para a chama. Somos todos iguais, você sabe, porque todos nós somos atraídos para a chama. Você sabe em seu coração que há uma ordem natural na vida, algo mais soberano do que qualquer regra artificial ou leis poderiam expressar. Essa ordem natural é chamado "O Caminho".


O Caminho é o eterno substrato do Cosmos. Ele orienta o muito atual do tempo e do espaço. O Caminho é conhecido por alguns como a Vontade de Deus, a Divina Providência, o Espírito Santo, a Ordem Implicada, o Tao, a Entropia Reversa, Força de Vida, mas por agora nós vamos simplesmente chamá-lo de "O Caminho".

O Caminho é refletido em você como a fonte de sua inspiração, a fonte de suas paixões, a sua sabedoria, seu entusiamo, sua intuição, o fogo espiritual, o amor. O Caminho leva ao caos fora do universo e respira vida nele, refletindo a ordem divina. O Caminho, quando experienciado pela mente é gênio, quando percebido através dos olhos é beleza, quando sentido com os sentidos é graça, quando permitido no coração é amor. A maioria das pessoas não podem sentir o Caminho diretamente.

Mas, então, há os Videntes do Caminho. Os guardiões da chama.
 Os Videntes do Caminho tem um dom inexplicável para apenas conhecer o caminho. Eles apenas sabem em sua essência. Eles não podem mostrar seus trabalhos. Então, não perguntem.

Suas mentes simplesmente ressoam com o Caminho.
Quando o Caminho está presente, eles também estão.
 Enquanto outros estão cegos para isto, e a sociedade implora para que você ignore isto, "o Caminho" desperta você por dentro. A repressão neurológica bloqueia a consciência da maioria das pessoas em relação ao Caminho. A censura de todos os pensamentos e impulsos do inconsciente está no seu córtex pré-frontal - a gestapo do cérebro - nada que viole a sua programação socializada, mesmo que obtenha através de; mas a sua mente é diferente.

Mas sua mente é diferente, sua mente foi decodificada aberta para o Caminho, por algumas características genéticas milagrosas, alguns psicotrópicos químicos ou até mesmo pela vontade de sua própria alma, os percursos de recompensa do seu cérebro tem sido sequestrados, a dopamina empregada para derrubar a ditadura fascista de seu córtex pré-frontal - agora seu cérebro está livre da repressão, sua mente livre de censura, sua consciência exposta aos mares turbulentos do inconsciente - através desta porta aberta, a sua luz divina brilha em sua consciência mostrando a você o Caminho. Isto é o que faz de você um Vidente do Caminho, 90% da civilização humana é povoada com aqueles cujos cérebros estão bloqueados para o Caminho. Seus cérebros estão conectados para fazer cumprir a programação social doutrinada desde o nascimento.

 Ao contrário de você, não podem sair desta programação, porque eles ainda não experimentara a revolução social da mente. Essas pessoas programadas levam as instituições sociais e as regras muito a sério.

A sociedade está cheia de jogos programados para manter a mente das pessoas ocupadas, de modo que eles não irão se revoltar. Estes jogos frequentemente causam fixações doentes em protocolos peculiares, em estruturas de poder, tabus e dominação - todos formas sutis de escravidão humana. 

Esta forma distinta de loucura não é apenas tolerada pelas massas, mas insistente. Os programados acreditam em regras com tanta força que eles se tornam dispostos a destruir qualquer um que as viole.
Os Videntes do Caminho, são os que pegam o blefe.
Uma vez que os Videntes do Caminho são livres para rejeitas a programação social, eles facilmente veem para que são as instituições sociais: jogos imaginários.
Os Videntes do Caminho confortam os perturbados e perturbam o confortável. Ajudando aqueles que estão perdidos nestes jogos e que recusam a ajudar-se, é uma vocação de muitos Videntes do Caminho.
Uma vez que os Videntes do Caminho são aqueles que mantém contato com a fonte original da realidade, eles são capazes de romper as convenções sociais e mesmo governos para realinhar a humanidade com o Caminho.
Os Videntes do Caminho são uma linhagem antiga. Uma espécie de sacerdócio, portadores da chama, aqueles "no saber". Deve haver sempre Videntes do Caminho para reformar a vertiginosa engrenagem psicótica da sociedade, a roda gigante do hamster estúpido, obscurecendo o céu azul puro, mantendo a humanidade algemada numa cela escura.

Alguns Videntes do Caminho são chamados para lançar luz sobre a loucura da sociedade, para melhorar, ressuscitar continuamente o transcendente Espírito da Verdade.

Videntes do Caminho revelam esta verdade divina, dedicando-se ao nascimento de algum ato criativo ou perturbador, expresso através da arte ou da filosofia, das inovações para sacudir a indústria, as revoluções para a democracia, os golpes para derrubar a hipocrisia, os movimentos da solidariedade, mudanças que deixam um legado, rebeliões contra a política, o espírito de tecnologia infundido, momentos de clareza, coisas que desafiam a barbárie, vertentes de sinceridade, momentos de grande importância para a caridade. Nós somos todos iguais, vocês sabem, porque todos nós estamos afetados pelo Caminho.

Nós somos iguais, vocês sabem, nós somos todos atraídos para a chama.

 Esta é a sua vocação, Vidente do Caminho. 


Você encontrou sua tribo. 


Bem vindo ao lar.

The Wayseer Manifesto




The Wayseer Manifesto


ATTENTION: All you rule-breakers, you misfits and troublemakers - all you free spirits and pioneers - all you visionaries and non-conformists ...

Everything that the establishment has told you is wrong with you- is actually what's right with you.

You see things others don’t. You are hardwired to change the world. Unlike 9 out of 10 people - your mind is irrepressable - and this threatens authority. You were born to be a revolutionary.

You can’t stand rules because in your heart you know there’s a better way.

You have strengths dangerous to the establishment - and it wants them eliminated, So your whole life you’ve been told your strengths were weaknesses - Now I’m telling you otherwise.

Your impulsivity is a gift - impulses are your key to the miraculous,

Your distractibility - is an artifact of your inspired creativity,

Your mood swings - reflect the natural pulse of life, they give you unstoppable energy when you’re high and deep soulful insight when you’re low,

Been diagnosed with a "disorder”? That’s society’s latest way to deny it’s own illness by pointing the finger at you. Your addictive personality is just a symptom of your vast underused capacity for heroic, creative expression and spiritual connection. your utter lack of repression, your wide eyed idealism, your unmitigated open mind - didn’t anyone ever tell you?! these are the traits shared by the greatest pioneers and visionaries and innovators, revolutionaries, procrastinators and drama queens, activists on the social scene, space cadets and mavericks, philosophers and derelicts, business suits flying fighter jets, football stars and sex addicts, celebrities with ADD, alcoholics who seek novelty, first responders - prophets and saints, mystics and change agents.


We are - all - the same - you know
‘cuz we’re all affected by the way -
We are - all - the same - you know
‘cuz we’re all attracted to the flame -

You know in your heart that there's a natural order to life, something more sovereign than any man-made rules or laws could ever express.


This natural order is called "the Way."

The Way is the eternal substrate of the cosmos. It guides the very current of time and space. The Way is known by some as the Will of God, Divine Providence, the Holy Spirit, the implicate order, the Tao, reverse-entropy, life-force, but for now we’ll simply call it "the Way." The Way is reflected in you as the source of your inspiration, the source of your passions, your wisdom, your enthusiasm, your intuition, your spiritual fire - love. The Way takes the chaos out of the Universe and breathes life into it by reflecting divine order. The Way, when experienced by the mind, is genius, when perceived through the eyes is beauty, when felt with the senses is grace, when allowed into the heart ... is love.

Most people cannot sense the Way directly. ... But then there are the Wayseers. The keepers of the flame. Wayseers have an unexplainable knack for just knowing the Way. They sense it in their very being. They can’t tell you why or how they arrived at the right answer. They just know it in their core. They can’t show their work. So don’t ask. Their minds simply resonate with the Way. When the Way is present, so are they.

While others are blind to it, and society begs you to ignore it, “the Way” stirs you inside. Neurological repression blocks most people’s awareness of the Way - censoring all thoughts and impulses from the unconscious is their prefrontal cortex - the gestapo of the brain - nothing which violates its socialized programming even gets through; but your mind is different. your mind has been cracked wide open to the Way - by some miraculous genetic trait, some psychotropic chemical or maybe even by the will of your very soul, your brain’s reward pathways have been hijacked - dopamine employed to overthrow the fascist dictatorship of your prefrontal cortex - now your brain is free of repression, your mind free of censorship, your awareness exposed to the turbulent seas of the unconscious - through this open doorway divine light shines into your consciousness showing you the Way. This is what makes you a Wayseer.

90% of human civilization is populated with those who’s brains are blocked to the Way. Their brains are hardwired to enforce the social programming indoctrinated since birth. Unlike you they cannot break out of this programming, because they have not yet experienced the necessary revolution of mind. These programmed people take social institutions and rules very seriously. Society is full of games programmed to keep peoples’ minds occupied so they will not revolt. These games often cause sick fixations on peculiar protocols, power structures, taboos and domination - all subtle forms of human bondage - This distinct form of madness is not only tolerated by the masses but insisted upon. The programmed ones believe in rules so forcefully they become willing to destroy anyone who violates them.

Wayseers are the ones who call their bluff. Since Wayseer minds are free to reject social programming, Wayseers readily see social institutions for what they are - imaginary games. Wayseers comfort the disturbed and disturb the comfortable. Helping those who are lost in these games and refuse to help themselves is a calling of many Wayseers. Since Wayseers are the ones who keep contact with the original source of reality - they are able to disrupt societal conventions and even governments to realign humanity with the Way.

The Wayseers are an ancient lineage. A kind of priesthood - carriers of the flame - ones "in the know." There must always be Wayseers to reform the dizzying psychotic spinning gears of society - giant mindless hamster wheels obscuring the pure blue sky, keeping humanity shackled in a darkened cage - so Wayseers are called - to shed light on the madness of society - to continually resurrect the timeless transcendent Spirit of Truth -

Wayseers reveal this divine truth by devoting themselves to the birth of some creative or disruptive act expressed through art or philosophy, innovations to shake up industry, revolutions for democracy, coups that topple hypocrisy, movements of solidarity, changes that leave a legacy, rebellions against policy, spirit infused technology, moments of clarity, things that challenge barbarity, watersheds of sincerity, momentous drives for charity


We are - all - the same - you know
‘cuz we’re all affected by the way -
We are - all - the same - you know
‘cuz we’re all attracted to the flame -

This is your calling, Wayseer.


You’ve found your tribe.


Welcome home.

TAO TE CHING - 2ª Estrofe




Todos reconhecem a beleza...
... apenas devido à fealdade.
Todos reconhecem a virtude...
... só pela falta do correcto.
Por os opostos nascerem ligados:

O dificil e o facil... completam-se.
O longo e o curto comparam-se.
O alto e o baixo, suportam-se.
O som e o silencio harmonizam-se.
O antes e o depois... sucedem-se.

Assim, o sábio abraça, sem aderir,
Sendo exemplo e sem argumentar.
Por muito o rodeie... não interfere:
Do que alcança não procura crédito,
nem o que cria reclama, como seu.

Então...
Já não se identifica com as perdas.

Lao Tzu  
(em tradução livre, (c) "Dutra de Lacerda")

40 anos depois (2011)



Now that I am 50 years old, let me confess something good: there are special people in this world. Yes, I know it may sound foolish. But do you think I'm being foolish now that I am 50 years old? Prem Rawat is one of those special people.


São exemplos destes que ainda nos mostram que nem tudo está perdido...

Visionarios do Caminho (Legendado) - The Wayseer Manifesto

CULTURA OCIDENTAL...


Na opinião de Camille Paglia, a grande civilização que chamamos de "cultura ocidental" não é nada mais do que manifestações sociais - na literatura, na arte, nas instituições políticas e religiosas – do medo dos homens das forças misteriosas que se escondem dentro do útero das mulheres e, daí, consequentemente, as suas tentativas obsessivo-compulsivo de valorizar seus pénis.
Em suas mentes, que estão sempre buscando a "verdade" e "a luz", estas forças obscuras estão intrinsecamente ligados com a fluidez da natureza.
Ao tentar conquistar a natureza, os homens tentam subjugar o poder que as mulheres têm sobre eles – seja o sexo, seja tudo o que resista a ser encaixado pela sua lógica e pela razão.

ANGOLA,ANGOLA!



Irmã, amanhã vou-me embora,
e não tenciono voltar.
Porque esta imensa terra está prestes a acabar.
Levo comigo as memorias,
e vontade de chorar.

Levo as nossas histórias
e é tudo a levar.
Contá-las-ei uma a uma,
se a voz não se me embargar.
Ou não contarei nenhuma
se a ferida não sarar.

Porque vais então, irmão?
Notícias do vento, irmã!
Esta terra que é nossa hoje,
já não será amanhã.

Sangrará meu coração,
se te vir partir, irmão!
Não conseguirei despedir-me...
Abraçar-te...
ou dar-te a mão.

Nem eu a ti, minha irmã,
porque a dor será infinda.
Já sofro pelo Amanhã
e ele não chegou ainda.

Temos um encontro marcado,
quando a dor tiver sarado,
ou pelo menos acalmado.
Diferentes futuros...um mesmo passado...

Irmã... coragem para ti!
Deseja-me o mesmo a mim.
Quando já não estivermos aqui,
nos recordaremos assim!

Um coração pesado,
e um abraço apertado.
Um "até logo", irmã querida.
Noutro tempo, noutro lado.

Poema de Ana. C.
Cantado por Cesária Évora

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Krishnamurti em portugues - A Humanidade e o Conflito




UM HOMEM SÁBIO: "O teu inimigo não é o outro, és tu mesmo"

Beautiful: A Domestic Violence Awareness and Prevention PSA for Becky's ...






A message to the women who make our lives complete: you are beautiful. This Valentine's Day, send this video to the one you love. Each view will raise 7 cents for Becky's Fund!

Every time this video is watched in February, Jubilee Project sponsors will each donate a penny to Becky's Fund, a non-profit organization that creates awareness around domestic violence. learn more at www.beckysfund.org

You can help Becky's Fund simply by watching the video and sending it to your loved one and your friends! Or you can become a sponsor and donate a penny per view (remember you can cap your donation) by emailing project.jubilee@gmail.com.

Music: Valentine by Kina Grannis



Vídeo de uma campanha contra a violência doméstica.
Palavras de uma mulher vítima de violência doméstica: “…o pai dos meus filhos fazia: “Ninguém gosta de ti. És feia. És porca.” As mulheres pensam que não há outro ser que possa gostar delas. É como se não tivessem opção, como se estivessem condenadas àquilo.”
Fonte: Jornal Publico -  artigo sobre a violência doméstica da autoria de Ana Cristina Pereira, com o título "E eu não consigo... não consigo dormir ainda de luz apagada"(14.10.11)

A CULPA É DO OUTRO...




Aqui está uma explicação do mecanismo de defesa projecção que é utilizado quando o indivíduo não consegue suportar as suas frustrações…e descarrega-as em cima de outra pessoa.
Porque assim, se torna mais fácil ver no outro as coisas más, do que em si próprio.
Cristina Simões


Ivan Ward descreve assim a projecção:

"…as partes agressivas, ávidas, sujas e perseguidas que o si-próprio não quer ter como suas são projectadas nas outras pessoas….Em termos coloquiais, diríamos que a mulher* em causa “põe a sua merda nas outras pessoas”.
Ivan Ward Fobia, Almedina
in, incalculável Imperfeição
*(ou o homem em causa...)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Talvez um dia


Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa

Para além da curva da estrada




Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro
in, Para Além da Curva da Estrada

Encontro com o destino




Certa vez um mercador de Bagdad mandou o seu servo ao mercado comprar provisões. Pouco depois, o servo voltou, branco e a tremer disse: “Mestre, agora mesmo, quando estava no mercado, fui empurrado por uma mulher no meio da multidão e ao virar-me vi que fora a Morte quem me empurrara. Ela olhou-me e fez um gesto ameaçador. Empreste-me... o seu cavalo, vou cavalgar para bem longe desta cidade, a fim de evitar o meu Destino. Irei a Samarra, lá a Morte certamente não me encontrará”.

O mercador emprestou-lhe o seu cavalo. O servo montou, enfiou as esporas nos flancos do animal e, tão rápido quanto este conseguia galopar, partiu. Então o mercador foi até o mercado, viu a Morte no meio da multidão, dirigiu-se a ela e disse: “Porque fizeste um gesto ameaçador para o meu servo, quando o viste pela manhã?

“Não fiz nenhum gesto ameaçador”, respondeu a Morte - “foi uma reacção de pura surpresa. Fiquei espantada ao vê-lo aqui, em Bagdad, já que tenho um encontro marcado com ele esta noite, em Samarra”.

Antigo conto Árabe

Como é por dentro outra pessoa?




É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.

Fernando Pessoa

A vida não é racional




O ímpeto de crescer e viver intensamente,
foi tão forte em mim, que não lhe consegui lhe resistir.
Enfrentei o meus sentimentos.
A vida não é racional!
É louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava em espera.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
e entrei em erupção sem avisar.

Anais Nin

Vem depressa



Vem depressa, não demores...

"Não te peço nada, só que caminhes ao meu lado,
Nesta caminhada se eu estiver, cansado que pares ao meu lado.
Se eu chorar calado deixa-me chorar, se dormir enroscado, deita-te ao meu lado e observa-me a dormir.
Não te peço tudo, só que caminhes no meu mundo,
Não é preciso que me entendas, só que me abraces de vez enquando,
Não precisas parar se eu não parar...
Caminha ao meu lado só assim, como se não houvesse amanhã..."

Bile

Apaixono-me com facilidade






"Sou um tipo que se apaixona com facilidade.
Também desanimo, verdade seja dita, com idêntica facilidade.
Volúvel, acusa a minha mãe. Talvez.
O que me atrai numa mulher é o que não sei sobre ela.
Algumas mulheres usam o silêncio como quem veste uma burca.
Um homem fica a imaginar o existe por detrás daquele silêncio pesado e escuro e sem frestas, que mal deixa adivinhar a forma do pensamento. Imaginar já é amar.
Há, depois, as mulheres que falam, mas com uma voz de tal forma sedutora, levemente rouca e ao mesmo tempo luminosa, que é como se não falassem, pois nós, os homens, apenas conseguimos reparar na voz, e não naquilo que elas dizem.
'Como podes apaixonar-te por alguém que não conheces?!', aborrece-se a minha mãe.
Precisamente, digo-lhe, ninguém se apaixona por um conhecido.
O que eu acho, aliás, é que a paixão termina no momento em que se conhece o outro. [...] Evidentemente, existem depois aquelas mulheres que nos seduzem pelo brilho do pensamento. [...] As mulheres que pensam são as mais perigosas."

José Eduardo Agualusa
in, "As Mulheres de Meu Pai"

Dime




Dime por favor donde estás,
en que rincón puedo no verte,
dónde puedo dormir sin recordarte
y dónde recordar sin que me duela.

Dime por favor dónde pueda caminar
sin ver tus huellas,
dónde puedo correr sin recordarte
y dónde descansar con mi tristeza.

Dime por favor cuál es el cielo
que no tiene el calor de tu mirada
y cuál es el sol que tiene luz tan sólo
y no la sensación de que me llamas.

Dime por favor cuál es el rincón
en el que no dejaste tu presencia.
Dime por favor cual es el hueco de mi almohada
que no tiene escondidos tus recuerdos.

Dime por favor cuál es la noche
en que no vendrás para velar mis sueños...
Que no puedo vivir porque te extraño
y no puedo morir porque te quiero.

Jorge Luis Borges

Ai de quem não rasga o coração




Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não...

Vínicius de Moraes